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Em sua primeira entrevista coletiva do ano, o presidente da COP30, a conferência do clima de Belém, se disse otimista com a agenda do clima em 2026, e diz que ela pode caminhar em duas frentes paralelas: uma na frente da diplomacia, outra de natureza mais prática.
André Corrêa do Lago, que publicou uma nova carta aberta hoje, reconheceu que há frustração pela ausência de um plano para encerrar o uso combustíveis fósseis na decisão oficial tomada pelo encontro, mas diz que os itens já acordados pelos países signatários do Acordo de Paris para o clima têm sido implementados em tempo, e podem continuar a ser.
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“A Agenda de Ação mobilizou mais de 480 iniciativas envolvendo 190 países e dezenas de milhares de atores não estatais”, afirmou, sem oferecer ainda uma estimativa de qual impacto essas medidas devem ter na emissão de CO2 e outros gases estufa no planeta.
Apesar de a COP30 ter sido realizada em novembro de 2025, o diplomata brasileiro segue como líder do corpo da Organização das Nações Unidas (ONU) que conduz a agenda do clima neste ano. Em novembro ele passa o cargo para o presidente da COP31, que será realizada na Turquia e chefiada pela Austrália.
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Corrêa do Lago diz que a COP30 teve sucesso em usar a diplomacia para avançar no combate à crise do clima, apesar da ausência dos Estados Unidos, que está se retirando do Acordo de Paris.
Na carta, ele diz ver um “multilateralismo de duas camadas”, operando na agenda climática. A primeira, que requer decisões por “consenso”, tem sido difícil de avançar por causa da conjuntura geopolítica desfavorável. A segunda, referente à “implementação” de decisões já tomadas, está avançado mais rápido. Segundo Corrêa do Lago, esse modo de trabalho deve se impor agora.
“Nosso regime climático evoluiu de uma máquina para um sistema vivo. E sistemas vivos não sobrevivem apenas pela harmonia, mas pela adaptação moldada por tensão e reação”, escreveu. “Responder a essa pressão evolutiva não significa abandonar o multilateralismo; significa permitir que ele amadureça.”
Mapa do caminho
Na entrevista, Corrêa do Lago afirmou que foi positivo o movimento paralelo de grupos de países que, mesmo sem consenso na plenária da COP30, avançaram propostas importantes.
Uma dessas iniciativas, lideradas pela Colômbia e pela Holanda, resultou em um grupo de mais de 80 países subscrevendo à proposta (originalmente brasileira) de criação de um “mapa do caminho” para descontinuar o uso de combustíveis fósseis. Essa medida será discutida em um encontro diplomático paralelo em abril na cidade colombiana de Santa Marta.
— Se nós acreditamos que temos uma necessidade urgente de acelerar o que precisa ser feito para combater a mudança climática, temos que estimular essas coalizões — disse Corrêa do Lago. — Temos que promover e ajudar mais países a se juntarem naquilo que, em um dado momento, vai virar um consenso.
A medida doméstica para avançar essa agenda foi um pedido do presidente Lula, ainda em dezembro, para que o governo brasileiro produza um esboço do tal “mapa do caminho”. O prazo de 60 dias determinado para a construção do documento vence em 3 de fevereiro. O presidente da COP30 não deu detalhes ainda sobre o que deve estar incluído nele, e diz que é uma iniciativa separada do encontro na Colômbia.
Pragmatismo diplomático
Desde que foi nomeado para o cargo, Corrêa do Lago buscou usar cartas como a divulgada hoje para liderar a agenda climática das COPs. Essa última missiva foi, de certa forma, uma maneira de prestar contas sobre os resultados do encontro.
Corrêa do Lago comemorou resultados oficiais e informais do encontro, incluindo sua proposta de um “mutirão” diplomático para avançar a agenda, atrasada, de cortes das emissões de CO2. Também. Celebrou que países reiteraram seu compromisso em limitar o aquecimento da Terra a 1,5°C.
A CEO da COP30, Ana Toni, presente na entrevista, lembrou de avanços como a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e de que 120 países entregaram suas promessas de corte de emissão para 2035, ainda que a maioria o tenha feito com atraso.
O que o encontro efetivamente produziu de decisões oficiais foram textos sobre planos de adaptação contra a crise do clima e de “transição justa” do sistema energético, mas nada que tratasse diretamente da agenda de mitigação das emissões gases do efeito-estufa.
Corrêa do Lago, de todo modo, reiterou que para algum avanço continuar sendo obtido, a comunidade global não pode esperar que as “condições políticas e socioeconômicas sejam ideais”. Ele elogiou o presidente da república, mais um vez, por ter mencionado na conferência seu desejo de ver o “mapa do caminho” contra os combustíveis fósseis.
— É inútil tentar esperar por algo que não pode acontecer seguindo as regras da COP, mas é extremamente importante ter o compromisso político de um líder como o presidente Lula, que foi capaz de introduzir algo que teve impacto tão grande durante a COP30 — afirmou.
Uma advogada americana morreu durante um voo da Delta Air Lines entre Minneapolis e Londres após adormecer no ombro da mãe, segundo concluiu um inquérito conduzido no Tribunal do Legista de West London, divulgado agora em janeiro. Rachel Green, de 44 anos, foi encontrada inconsciente pela tripulação durante a viagem, em abril de 2025, de cerca de sete horas e meia, e não respondeu às tentativas de reanimação. O caso foi registrado como morte acidental.
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A investigação apontou que Green tinha uma grande quantidade de medicamentos controlados no organismo e um problema cardíaco congênito não diagnosticado. De acordo com a legista sênior Lydia Brown, a combinação desses fatores provavelmente levou à morte súbita da passageira, que “simplesmente morreu durante um voo”, sem indícios de uso recreativo de drogas ou de ingestão excessiva de remédios.
Investigação médica e questionamentos da família
O patologista Alan Bates informou ao tribunal que o coração de Green era considerado normal, com exceção de uma artéria coronária afetada por tunelização miocárdica, condição em que o vaso passa por baixo do músculo cardíaco. Exames toxicológicos identificaram antidepressivos, melatonina, canabinoides e baixa concentração de álcool no sangue. Não houve evidência de que a morte pudesse ter sido evitada com intervenção imediata.
A irmã da vítima, Roxanne Carney, que atua na área da psiquiatria, questionou durante o inquérito a quantidade e a combinação de medicamentos prescritos, afirmando que Rachel havia apresentado um exame cardíaco considerado “anormal” sem encaminhamento posterior a um cardiologista. A legista respondeu que esse tipo de conduta é analisado no processo e observou que a prática médica pode variar significativamente entre países.
Rachel Green, que morava em East Bethel, no estado de Minnesota, viajava ao Reino Unido para pesquisar um romance de ficção histórica sobre Leonor da Aquitânia. Segundo a família, ela havia passado os dois anos anteriores se recuperando de uma doença inesperada, reaprendendo a andar e retomando gradualmente atividades criativas, como a escrita e o teatro. Em comunicado, Carney descreveu a irmã como “extremamente altruísta” e afirmou que pretende concluir o livro inacabado, além de organizar homenagens em sua memória.
Uma cabeleireira de Maryland, nos Estados Unidos, condenada por agressão de segundo grau — crime que pode render até cinco anos de prisão — recebeu sentença na quinta-feira (22) após um episódio de violência contra uma cliente de 15 anos, registrado em vídeo e que repercutiu nas redes sociais. Jayla Cunningham, de 19 anos, foi sentenciada a seis meses de prisão domiciliar, além de liberdade condicional e medidas obrigatórias de acompanhamento psicológico.
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O caso ganhou repercussão nacional depois que imagens vistas mais de 50 milhões de vezes mostraram Cunningham puxando a adolescente pelo capuz em direção à porta de seu salão doméstico, em Laurel, durante uma discussão por pagamento de um penteado avaliado em US$ 150. O vídeo foi usado como prova central no julgamento, segundo registros judiciais citados pelo The Washington Post.
Veja o vídeo:
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Vídeo pesou na decisão do juiz
Condenada por um júri em novembro, Cunningham pediu clemência ao juiz Michael Pearson durante a audiência de sentença. Ela afirmou estar arrependida e solicitou liberdade condicional. O magistrado disse não vê-la como “uma pessoa má”, mas ressaltou que as imagens do episódio não poderiam ser ignoradas. “O desrespeito demonstrado por aquela jovem naquele dia é inaceitável”, afirmou.
No vídeo viral, Cunningham aparece puxando a adolescente pelos cabelos e pelo capuz antes de cortar o aplique naquele mesmo dia
Captura de tela/Redes sociais/X
A defesa sustentou que a cabeleireira agiu para proteger seu sustento e que o uso de uma tesoura teria servido apenas para remover o serviço, não para ferir fisicamente a cliente. Já a promotoria afirmou que Cunningham demonstrou falta de remorso, mencionando publicações feitas por ela nas redes sociais após o episódio.
Jayla Cunningham, a cabeleireira de Maryland que foi vista arrastando sua cliente de 15 anos
Reprodução/Instagram
Além da prisão domiciliar, a sentença prevê liberdade condicional, tratamento de saúde mental e participação em um programa de controle da raiva. Apesar disso, Cunningham foi presa no próprio dia da audiência devido a um mandado pendente por ausência em outro processo criminal, conforme noticiado pelo Washington Post, em reportagem assinada por Jasmine Golden.
O governo do presidente americano, Donald Trump, indicou, na segunda-feira, que a investigação federal sobre a morte de Alex Pretti, enfermeiro do Departamento de Assuntos de Veteranos baleado por agentes federais no fim de semana, está restrita a uma revisão do “uso da força”. O objetivo da apuração é verificar se servidores do governo descumpriram normas e padrões de treinamento durante a ação.
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A limitação do escopo da investigação foi revelada em documentos apresentados à Justiça. Segundo os registros, trata-se de uma apuração muito mais estreita, voltada a táticas e conduta operacional, e não de uma investigação criminal que avalie se agentes federais devem responder a acusações penais pela morte de Pretti.
A informação veio à tona no contexto dos esforços do governo para impedir que um juiz determine a preservação formal das provas do caso. Mark Zito, chefe do escritório do Serviço de Segurança Interna (HSI) em St. Paul, Minnesota, apresentou uma declaração juramentada afirmando que sua agência, vinculada ao Departamento de Segurança Interna (DHS), está conduzindo a investigação do ataque a tiros.
“A HSI é a principal entidade investigativa responsável por revisar o episódio de uso da força em questão neste caso”, afirmou Zito no documento. “Os agentes da HSI designados para esta investigação são obrigados a preservar as provas coletadas, incluindo provas físicas reunidas por outras agências federais, que depois são devidamente transferidas para a custódia da HSI”.
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Autoridades do estado pediram à Justiça uma ordem para preservar provas com o objetivo de conduzir sua própria investigação sobre a morte de Pretti, que foi baleado repetidas vezes por agentes da Patrulha de Fronteira no sábado. O governo Trump se opõe à medida, sustentando que já está garantindo a preservação de todo o material relevante.
Os termos centrais da declaração de Zito são “uso da força” e “revisão”. No âmbito das agências federais de aplicação da lei, uma revisão de uso da força se concentra em apurar se os agentes seguiram regras e regulamentos internos, incluindo quando e onde empregar força e qual nível de força utilizar em uma determinada situação.
Esse tipo de apuração é distinto de uma investigação criminal. O FBI, por exemplo, poderia investigar se os direitos civis de Pretti foram violados por agentes federais atuando sob autoridade legal — um crime que pode acarretar, em algumas circunstâncias, a possibilidade de pena de morte.
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A agência federal também poderia apurar se Pretti agrediu ou obstruiu um agente federal de segurança. No entanto, há pouca utilidade prática nesse tipo de investigação, uma vez que Pretti morreu no incidente e não pode ser formalmente acusado.
Até o momento, não há indicação de que o FBI esteja conduzindo qualquer uma dessas investigações criminais. Independentemente do alcance da apuração do governo Trump, suas conclusões podem não ser definitivas, já que não há prazo de prescrição para homicídio. Um porta-voz do FBI recusou-se a comentar o caso. Uma porta-voz do Departamento de Segurança Interna não respondeu.
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Documentos judiciais indicam que, até agora, a participação do FBI se limita a auxiliar o Departamento de Segurança Interna na revisão do uso da força. Agentes do FBI chegaram rapidamente ao local onde Pretti foi morto e recolheram sua arma e seu telefone celular. Posteriormente, o FBI entregou o telefone de Pretti ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), mas manteve a posse da arma, de acordo com a declaração juramentada apresentada por Zito.
“O FBI não alterou nem destruiu as provas coletadas”, declarou um agente da agência, não identificado, em documento encaminhado ao tribunal. Segundo o texto, as evidências estão guardadas em segurança no escritório do FBI em Minneapolis, e ninguém no local “realizou qualquer análise, exame ou interpretação das provas coletadas”.
A declaração não esclarece se outros funcionários do FBI, como especialistas forenses do laboratório da agência em Quantico, na Virgínia, examinaram alguma das provas ou uma cópia digital dos dados do telefone de Pretti. O documento afirma ainda que o FBI continuará preservando as evidências de acordo com suas políticas e procedimentos internos: “Em nenhuma hipótese qualquer prova coletada será destruída antes da conclusão desta investigação”, diz o texto.
Separadamente, documentos judiciais indicam que alguns dos agentes da Patrulha de Fronteira presentes no local da morte usavam câmeras corporais, e que essas gravações foram preservadas. Muitos agentes da Patrulha de Fronteira, no entanto, não utilizam esse tipo de equipamento, o que torna incerto o volume de imagens disponíveis e o quanto pode ser extraído desse material.
Diante da escalada de tensão em Minnesota após a morte do enfermeiro Alex Pretti durante uma abordagem de agentes federais, o presidente Donald Trump anunciou o envio de seu “czar” anti-imigração ao estado. Trata-se de Tom Homan, veterano do aparato migratório dos Estados Unidos e um dos rostos mais duros da política de repressão à imigração adotada pela Casa Branca.
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“Estou enviando Tom Homan para Minnesota esta noite”, escreveu Trump em sua rede Truth Social. Segundo o presidente, Homan se reportará diretamente a ele e terá papel central na condução das operações federais no estado.
Trajetória no ICE e ligação com Trump
Homan construiu carreira dentro do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega). Durante o governo Barack Obama, chefiou a ala de deportações da agência, defendendo a prioridade na expulsão de imigrantes considerados criminosos. No primeiro mandato de Trump, foi nomeado diretor interino do ICE, cargo no qual ganhou projeção nacional.
Em 2018, Homan esteve entre os responsáveis por recomendar a política de separação de famílias na fronteira com o México, medida que gerou forte reação internacional e marcou de forma duradoura a imagem do governo Trump na área de direitos humanos.
O papel de “czar da fronteira”
No atual governo, Homan atua como uma espécie de “czar da fronteira” — um posto informal, mas de grande visibilidade. Ele é frequentemente escalado para entrevistas e coletivas em frente à Casa Branca, onde defende publicamente as ações do governo contra a imigração ilegal e atua como porta-voz político da estratégia de endurecimento.
Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Homan vai coordenar as operações do ICE em Minnesota e supervisionar investigações federais no estado, mantendo o foco na prisão de “imigrantes ilegais criminosos”.
Até agora, a condução das operações vinha sendo liderada pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, defensora de uma abordagem mais ostensiva, com ações em larga escala e uso de força contra manifestantes. O The Wall Street Journal avalia que o envio de Homan sinaliza uma possível mudança de tática, já que ele costuma defender operações mais direcionadas a alvos específicos.
A relação entre Homan e Noem é descrita como tensa desde o início do governo. Nos últimos meses, a linha dura da secretária prevaleceu, com foco em confrontar cidades-santuário e movimentos de protesto. A decisão de Trump de despachar Homan para Minneapolis pode indicar uma tentativa de retomar controle político sobre uma crise que passou a preocupar a Casa Branca.
Em carta enviada ao governador de Minnesota, Tim Walz, a secretária de Justiça dos Estados Unidos, Pam Bondi, pediu para que seu departamento tivesse acesso aos “cadastros eleitorais para confirmar se as práticas de registro dos eleitores de Minnesota estão em conformidade com a lei federal”. O secretário de Estado de Minnesota, o democrata Steve Simon, rejeitou prontamente a exigência, chamando-a de “uma tentativa ultrajante de coagir Minnesota a fornecer ao governo federal dados privados de milhões de cidadãos americanos”. A exigência de Bondi acontece em meio a tensão entre o governo de Donald Trump e o estado por conta da atuação dos 3 mil agentes federais de imigração em Minneapolis, que já resultou em duas mortes e provocou intensos protestos nos últimos dias.
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O pedido faz parte de uma antiga disputa, na qual o governo Trump buscava obter dados privados de eleitores de diversos estados do país. Vários estados, incluindo Minnesota, não atenderam ao pedido, e o Departamento de Justiça entrou com ações judiciais contra eles. Ao todo, 24 estados foram processados pelo Departamento de Justiça para obrigá-los a entregar seus dados eleitorais.
O governo afirmou que deseja os registros eleitorais completos para “ajudar” os estados a “limpar” seus cadastros de eleitores inelegíveis. Bondi delineou o que ela descreveu como três “passos simples” para “restabelecer a lei e a ordem”. Ouvidos pela rede americana CNN, ex-procuradores do Departamento de Justiça e um juiz federal duvidam que esse seja o único objetivo do governo com a coleta de dados.
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— Literalmente horas depois do segundo assassinato de um cidadão americano na cidade de Minneapolis por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), eis que surge este documento — disse Simon, referenciando-se a morte de Alex Pretti, que, assim como Renee Good, tinha 37 anos e foi morto por agentes federais durante uma manifestação em Minneapolis, no último sábado.
Memorial improvisado no local da morte de Alex Pretti
Octavio JONES / AFP/25/01/2026
O democrata Adrian Fontes, secretário de Estado do Arizona, comparou a carta de Bondi ao “crime organizado”. “Eles se mudam para o seu bairro, começam a bater em todo mundo e depois extorquem o que querem. Não é assim que os EUA deveriam funcionar”, escreveu Fontes nas redes sociais.
Procurado pela CNN, o Departamento de Justiça apontou para declarações feitas por Bondi no próprio sábado, nas quais ela culpou autoridades de Minnesota por convidarem “os piores dos piores” para Minneapolis por meio de políticas de “cidade santuário” — aquelas que limitam cooperação com autoridades federais para proteger imigrantes da deportação.
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Já a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, argumentou que o Departamento de Justiça tem “plena autoridade” para garantir que os estados cumpram as leis eleitorais federais. “O presidente Trump está empenhado em garantir que os americanos tenham plena confiança na administração das eleições, e isso inclui cadastros eleitorais totalmente precisos e atualizados, livres de erros e de eleitores não cidadãos registrados ilegalmente”, disse ela, em comunicado.
Cadastros eleitorais
Quase todos os estados possuem uma versão pública do cadastro eleitoral que inclui informações básicas como nome e sobrenome. Alguns desses cadastros têm até endereços. Mas a lista completa de eleitores, que fica mantida em sigilo, inclui informações pessoais de identificação, como números de carteira de motorista.
Tradicionalmente, ninguém consegue obtê-la por meio de pedidos de registros públicos — nem mesmo o Departamento de Justiça.
O departamento já tomou medidas enérgicas no passado para tentar erradicar supostas fraudes eleitorais, inclusive durante o governo do ex-presidente George W. Bush. Mas a ideia do governo federal de obter informações privadas sobre os eleitores dos estados era vista como um abuso de poder, porque a Constituição determina que as eleições são conduzidas principalmente pelos estados individualmente, e não pela Casa Branca.
Estados cumprem a exigência?
Segundo o Brennan Center for Justice, um grupo de defesa dos direitos de voto e da democracia, pelo menos 11 estados, todos eles administrados por republicanos, forneceram seus dados eleitorais. Mas cerca de metade dos estados do país, a maioria governada por democratas, rejeitou os pedidos.
Alguns estados, incluindo Minnesota, possuem leis que impedem a transferência de informações privadas. Outros expressaram preocupação sobre como o Departamento de Justiça vai manter em segurança os enormes acervos de informações privadas.
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Para muitos funcionários eleitorais, a principal preocupação é que o esforço do Departamento de Justiça seja liderado por aliados de Trump que, durante muito tempo, negaram falsamente que o ex-presidente Joe Biden tivesse vencido a eleição de 2020. “Esses dados podem ser manipulados para sustentar alegações falsas sobre votos de pessoas inelegíveis e justificar esforços para impedir eleições livres e justas”, escreveu Wendy Weiser, diretora do Programa de Democracia do Centro Brennan, nas redes sociais.
E os estados têm o direito de reter os dados?
O assunto ainda está sendo debatido judicialmente, mas alguns especialistas jurídicos apontaram para a redação da Constituição, que afirma que os “horários, locais e modo” das eleições são regidos pelos estados, e que somente o Congresso — e não o presidente — pode criar ou alterar as leis eleitorais.
Este mês, um juiz federal da Califórnia rejeitou o processo do Departamento de Justiça contra a Califórnia, que buscava obter o cadastro eleitoral completo do estado.
“A perda da democracia não ocorre de uma só vez; ela é corroída aos poucos até não restar nada”, escreveu o juiz David Carter. “A erosão da privacidade e a restrição do direito ao voto são decisões que devem ser debatidas publicamente no âmbito do Poder Legislativo, e não do Executivo”.
(Com New York Times)
O presidente Donald Trump recebeu diversos relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicando que a posição do governo do Irã está se enfraquecendo, segundo várias pessoas familiarizadas com o conteúdo das análises. De acordo com esses documentos, o controle do regime sobre o poder atingiu seu ponto mais frágil desde a derrubada do xá, na Revolução Islâmica de 1979, um marco histórico que redefiniu a estrutura política do país.
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Os relatórios apontam que os protestos que eclodiram em dezembro tiveram impacto significativo sobre setores do governo iraniano. As manifestações ganharam relevância especial por terem alcançado regiões que autoridades consideravam redutos tradicionais de apoio ao aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Embora tenham perdido intensidade, o governo segue em uma posição delicada. As avaliações de inteligência ressaltam que, além da instabilidade social, a economia iraniana atravessa um dos períodos mais frágeis de sua história recente.
As dificuldades econômicas desencadearam protestos esporádicos no fim do último ano. À medida que as manifestações se espalharam em janeiro, o governo iraniano se viu com poucas alternativas para aliviar a pressão financeira sobre as famílias. As autoridades recorreram, então, a uma repressão severa, medida que ampliou o distanciamento entre o regime e setores da população. ONGs de direitos humanos alertaram que a repressão deixou milhares de mortos, e Washington não descartou uma intervenção militar no país, ainda que tenha enviado sinais contraditórios sobre a possibilidade de uma ação desse tipo.
Paralelamente, os Estados Unidos vêm reforçando sua presença militar na região, embora ainda não esteja claro quais ações o governo Trump considera adotar a partir desse movimento. Em nota, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que o presidente é mantido informado sobre questões de inteligência em todo o mundo: “Seria uma negligência de dever, como comandante em chefe, se ele não fosse regularmente atualizado sobre esses assuntos. Em relação ao Irã, o presidente Trump continua monitorando a situação de perto”, escreveu.
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Trump chegou a advertir que poderia ordenar ataques contra o Irã à medida que a repressão aos protestos se intensificava. Ainda assim, seus assessores se dividiram quanto à utilidade dessas ações, especialmente se elas se limitassem a ataques simbólicos contra integrantes do governo. Posteriormente, o presidente pareceu recuar de qualquer ação militar imediata em apoio aos manifestantes depois que o governo iraniano cancelou a execução planejada de um manifestante. Segundo um alto funcionário americano, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, também pediu a Trump que adiasse um eventual ataque ao Irã.
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Apesar disso, uma campanha militar mais ampla é vista com interesse por alguns dos assessores e aliados mais belicosos de Trump, que enxergam no atual contexto uma oportunidade para forçar a saída da liderança iraniana. O presidente continua a manter a ameaça do uso da força e chegou a descrever o reforço naval americano na região como uma “armada”. Trump também tem feito comentários públicos sobre o programa nuclear iraniano, emitindo advertências e lembrando o governo do país dos ataques que ordenou no ano passado contra seus centros de pesquisa mais fortemente protegidos.
O senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, afirmou que conversou com Trump nos últimos dias sobre a situação no Irã e disse esperar que o presidente cumpra a promessa de apoiar os iranianos que protestaram contra o regime. Em breve entrevista ao New York Times, Graham disse que “o objetivo é acabar com o regime”.
Investida militar
Na segunda, o porta-aviões Abraham Lincoln, acompanhado por três navios de guerra equipados com mísseis Tomahawk, entrou na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA, no oeste do Oceano Índico. A informação foi confirmada por um funcionário americano que falou sob anonimato. Segundo autoridades militares, caso a Casa Branca ordene um ataque ao Irã, o porta-aviões poderia, em teoria, entrar em ação em um prazo de um ou dois dias.
— Temos uma grande armada ao lado do Irã. Maior do que a da Venezuela — declarou Trump ao site de notícias Axios, semanas após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma intervenção militar dos Estados Unidos, sem oferecer detalhes. — Eles querem chegar a um acordo. Eu sei disso. Ligaram várias vezes. Querem conversar.
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Teerã afirmou anteriormente que existe um canal de comunicação aberto entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, e o enviado americano Steve Witkoff. No entanto, o jornal conservador Hamshahri citou nesta terça-feira o porta-voz da Guarda Revolucionária, Mohammad Ali Naini, que afirmou que “se o porta-aviões cometer um erro e entrar em águas territoriais iranianas, será atacado”. O também conservador Javan afirmou que o Irã estava “pronto para uma resposta contundente” e que poderia assumir o controle do estratégico Estreito de Ormuz, ponto-chave para o trânsito do fornecimento global de energia.
Os Estados Unidos também enviaram uma dúzia adicional de caças de ataque F-15E para a região, com o objetivo de reforçar a capacidade ofensiva aérea. O Pentágono deslocou ainda mais sistemas de defesa aérea Patriot e THAAD para proteger tropas americanas contra possíveis ataques de retaliação com mísseis iranianos de curto e médio alcance. Bombardeiros de longo alcance baseados nos Estados Unidos, capazes de atingir alvos em território iraniano, permanecem em estado de alerta acima do normal. O nível foi elevado há duas semanas, quando Trump solicitou opções militares em resposta à repressão aos protestos no país.
Nos últimos dias, o Pentágono também intensificou consultas com aliados regionais. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central, visitou Síria, Iraque e Israel no fim de semana para se reunir com militares americanos e autoridades locais. Segundo uma fonte militar, o objetivo da viagem foi visitar tropas e centros de detenção no nordeste da Síria. Na semana passada, os EUA começaram a transferir prisioneiros do Estado Islâmico da região para o Iraque, diante do receio de que ex-combatentes e seus familiares possam escapar à medida que o governo sírio retoma o controle de áreas antes dominadas por forças curdas.
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Autoridades americanas transmitiram um recado ao governo iraquiano: caso haja uma escalada de tensão e milícias xiitas no Iraque ataquem bases ou tropas dos EUA, haverá retaliação. Além disso, representantes do governo Trump mantêm consultas com outros parceiros regionais. Segundo um funcionário americano, além de conversas com autoridades israelenses e reuniões em Bagdá, houve diálogos recentes com representantes da Arábia Saudita e do Catar sobre a situação iraniana.
Cenário iraniano
Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que o bloqueio da internet, imposto pelas autoridades do Irã há quase três semanas, dificulta a contagem de mortos. Segundo essas organizações não governamentais, o corte na rede busca ocultar a dimensão da repressão. A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, informou ter confirmado a morte de 6.126 pessoas e estar investigando outros 17.091 possíveis óbitos. A entidade também afirmou que pelo menos 41.880 pessoas foram detidas.
Ativistas acusaram as autoridades de invadir hospitais para localizar manifestantes feridos e, em seguida, prendê-los. O Ministério da Saúde afirmou que todas as pessoas devem procurar atendimento hospitalar sem receio e não se tratar em casa. A emissora de televisão em língua persa Iran International, sediada no exterior, afirmou no fim de semana que mais de 36.500 iranianos foram mortos pelas forças de segurança entre os dias 8 e 9 de janeiro, citando relatórios, documentos e fontes. A informação não pôde ser verificada de forma independente.
(Com AFP)
A Lua entra na fase crescente na madrugada desta segunda-feira e dá início a uma sequência de fenômenos que tornam a última semana de janeiro especialmente interessante para observadores do céu. Até sexta-feira, o satélite natural da Terra protagoniza encontros com estrelas e planetas, passa mais perto do nosso planeta e participa de uma ocultação estelar — fenômeno popularmente comparado a um “eclipse”.
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Na terça-feira, a Lua faz uma visita às Plêiades, um aglomerado estelar aberto localizado a cerca de 444 anos-luz da Terra e conhecido também como Messier 45 (M45) ou “As Sete Irmãs”. Trata-se do objeto Messier mais próximo do nosso planeta e um dos mais proeminentes do céu profundo, com magnitude aparente de 1,6. O catálogo Messier reúne regiões do céu profundo inventariadas pelo astrônomo francês Charles Messier e publicado originalmente em 1771.
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Visível como uma mancha azulada próxima ao “ombro” da constelação de Touro, o aglomerado costuma aparecer a olho nu como um pequeno conjunto de seis estrelas em destaque, embora telescópios revelem mais de cem estrelas entre as mais de mil estimadas. Segundo o guia de observação In-The-Sky.org, a aproximação máxima entre a Lua e as Plêiades ocorre às 18h29 (horário de Brasília), quando estarão separadas por apenas 1 grau e 54 minutos de arco. Nesse instante, porém, a observação pode ser dificultada pelo brilho do Sol. Após o anoitecer, entre cerca de 19h30 e 0h43, o par poderá ser visto bem próximo no céu ao norte.
Na ocasião, a Lua estará 76% iluminada, com magnitude de -12,4, enquanto as Plêiades terão magnitude de 1,3 — valores que seguem a escala inversa de brilho usada na astronomia: quanto menor o número, mais brilhante é o objeto. Embora não caibam juntas no campo de visão de um telescópio, Lua e Plêiades poderão ser observadas a olho nu ou com binóculos.
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Na manhã de quinta-feira (29), a Lua protagoniza outro destaque ao ocultar a estrela Beta Tauri, também conhecida como Elnath, a segunda mais brilhante da constelação de Touro. O fenômeno, que lembra um pequeno “eclipse”, ocorre quando a Lua passa exatamente à frente da estrela. Com magnitude aparente de cerca de 1,65, Elnath está localizada na ponta de um dos chifres do Touro.
Beta Tauri fica a aproximadamente 134 anos-luz da Terra e é uma gigante azul-branca do tipo B, já tendo consumido grande parte do hidrogênio de seu núcleo. Segundo astrônomos, ela está entrando na próxima fase de sua evolução, expandindo e esfriando até se tornar uma gigante vermelha. Sua temperatura superficial chega a cerca de 13.600 kelvins, muito acima dos 5.800 kelvins do Sol. De acordo com a revista Sky & Telescope, o nome Elnath vem do árabe e significa “a cabeçada” ou “o que empurra com os chifres”, referência direta à sua posição na constelação.
A ocultação ocorre entre 5h52 e 9h54, mas não será visível do Brasil. Esse tipo de evento só pode ser observado a partir de regiões específicas do planeta, devido à grande paralaxe lunar — a variação da posição aparente da Lua conforme o local de observação na Terra. Dependendo do ponto do globo, a posição do satélite pode variar em até dois graus no céu.
Entenda: Apesar de histórico de falha em nave, Nasa se prepara para missão que levará astronautas mais longe da Terra do que nunca
Ainda na quinta-feira, às 18h45, a Lua atinge o perigeu, o ponto mais próximo da Terra em sua órbita. Segundo o In-The-Sky.org, a distância entre Lua e Terra varia porque sua órbita é levemente elíptica, oscilando entre cerca de 356.500 quilômetros no perigeu e 406.700 quilômetros no apogeu. Nesse momento, o tamanho angular da Lua pode variar entre 29,4 e 33,5 minutos de arco, e o satélite pode parecer até 14% mais brilhante, embora essa diferença seja difícil de perceber a olho nu.
A “agenda lunar” da semana se encerra na sexta-feira (30) com uma conjunção entre a Lua e Júpiter. O encontro ocorre às 23h29, quando a Lua passa pouco mais de 3 graus ao norte do gigante gasoso. Para observadores em São Paulo, o par poderá ser visto já às 19h09, a cerca de 21 graus acima do horizonte noroeste, permanecendo visível até cerca de 3h18 da madrugada. Ambos estarão na constelação de Gêmeos, com magnitudes de -12,7 para a Lua e -2,6 para Júpiter.
Essas conjunções mensais acontecem porque a Lua orbita a Terra aproximadamente no mesmo plano em que os planetas orbitam o Sol, conhecido como plano da eclíptica. Em fevereiro, o satélite natural volta a se alinhar apenas com Mercúrio, no dia 18, e novamente com Júpiter, no dia 27 — dando sequência à sua regular, e sempre movimentada, turnê pelo céu.
Mais de meio século após a primeira missão tripulada à Lua, a Nasa anunciou o retorno de astronautas à órbita lunar, com lançamento previsto para fevereiro. A missão marca um novo capítulo da exploração espacial e terá uma única espaçonave: a Orion, veículo desenvolvido para transportar humanos de volta às imediações do satélite natural.
Apesar de histórico de falha em nave, Nasa se prepara para missão que levará astronautas mais longe da Terra do que nunca; entenda
A cápsula será lançada pelo Space Launch System (SLS), o foguete mais potente já construído. Segundo a agência americana, a Orion também deverá desempenhar papel central em missões futuras mais ambiciosas, incluindo viagens tripuladas a Marte.
Projetada para missões de exploração profunda, a Orion oferece espaço habitável para até quatro astronautas por até 21 dias, de forma autônoma, sem necessidade de acoplamento a outra nave durante o voo.
O módulo de tripulação da Orion foi desenvolvido para suportar condições extremas do espaço e do retorno à Terra. A estrutura conta com um vaso de pressão formado por sete peças de liga de alumínio, soldadas para criar uma cápsula leve, resistente e hermética.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
A parte inferior da nave, que enfrenta as maiores temperaturas na reentrada, é protegida por um escudo térmico de cinco metros de diâmetro, capaz de suportar cerca de 2.760 °C — aproximadamente metade da temperatura da superfície do Sol. O escudo é feito de blocos do material Avcoat, que se desgasta de forma controlada, dissipando o calor para longe da cabine.
As laterais cônicas da cápsula, conhecidas como backshell, são revestidas por 1.300 placas de proteção térmica de fibra de sílica, responsáveis por isolar a nave tanto do frio do espaço quanto do calor intenso da reentrada atmosférica.
Interior pensado para longas missões
Por dentro, a Orion foi projetada para garantir funcionalidade e segurança à tripulação:
Alojamento: inclui tanques de água potável, sistema para aquecer alimentos e um compartimento de higiene com vaso sanitário compacto. Em caso de tempestades de radiação, os astronautas podem se proteger em compartimentos reforçados no piso da cápsula.
Capacidade: quatro assentos ajustáveis, projetados para acomodar cerca de 99% da população humana.
Estrutura interna: o piso é sustentado por uma estrutura de alumínio conhecida como “espinha dorsal”, onde ficam fixados os assentos e os compartimentos de armazenamento.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
Módulo de serviço europeu
A Orion conta ainda com o módulo de serviço fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA), considerado o “centro de força” da espaçonave. Instalado abaixo do módulo de tripulação, ele é responsável por:
Propulsão: 33 motores de diferentes tamanhos, incluindo o motor principal, que permite manobras em órbita lunar e o retorno à Terra;
Energia: quatro painéis solares com cerca de 15 mil células, responsáveis por converter luz solar em eletricidade;
Controle térmico: radiadores e trocadores de calor que mantêm astronautas e equipamentos em temperaturas seguras;
Consumíveis: armazenamento de água, oxigênio e nitrogênio para a tripulação.
Pouco antes da reentrada na atmosfera terrestre, o módulo de serviço se separa da nave. Apenas o módulo de tripulação retorna à Terra ao final de cada missão.
Cápsula pode levar quatro astronautas por até 21 dias em missão autônoma
Reprodução/Nasa
Paraquedas e controle ambiental
A Orion pode ser comandada pela tripulação por meio de três telas digitais, cerca de 60 interruptores físicos e controles manuais de rotação e translação. A nave também conta com sistemas essenciais:
Controle ambiental: remove dióxido de carbono e umidade, mantendo o ar limpo, além de regular temperatura e pressão;
Paraquedas: após a atmosfera reduzir a velocidade da nave de cerca de 40 mil km/h para 523 km/h, um conjunto de 11 paraquedas desacelera a cápsula até aproximadamente 32 km/h, garantindo um pouso seguro.
Diante da ampla comoção provocada pela morte de um manifestante no sábado, em Minneapolis, a Casa Branca recuou na segunda-feira, retirando da cidade um alto funcionário da área de fronteiras e tentando distanciar o presidente Donald Trump da resposta inicial de seus principais assessores. Nos primeiros momentos após o episódio, integrantes do governo haviam classificado o homem morto por agentes federais como um “terrorista doméstico” que estaria “exibindo” uma arma — versão posteriormente desmentida por imagens em vídeo.
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A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, evitou defender a retórica adotada por autoridades como Stephen Miller, vice-chefe de gabinete, e Kristi Noem, secretária de Segurança Interna. Ambos foram os mais vocais na disseminação de acusações falsas contra a vítima, Alex Pretti, que foi baleado cerca de dez vezes por agentes de imigração após, aparentemente, filmá-los com seu celular. Pretti tinha autorização legal para portar arma em Minnesota. Ainda assim, vídeos mostram que ele nunca sacou o armamento e que suas mãos estavam visíveis no momento em que foi atingido pelas costas.
Integrantes da Casa Branca reconheceram que a morte — a segunda de um cidadão americano que protestava contra a presença do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis — representava uma das ameaças políticas mais graves enfrentadas por Trump desde a posse, há pouco mais de um ano. Mesmo assim, a administração pareceu paralisada, sem disposição para recuar formalmente das declarações de Miller e Noem, amplamente reproduzidas dentro do governo, enquanto enviava Leavitt para sustentar que os fatos ainda estavam em apuração.
Nenhuma evidência foi apresentada para sustentar as acusações feitas pelos dois auxiliares, que se tornaram o rosto da ofensiva do presidente republicano para deportar imigrantes em situação irregular nos EUA. Embora Leavitt tenha evitado contradizê-los diretamente, insistiu que o presidente não endossava a violência. Ela também se recusou a defender os ataques dirigidos a Pretti nos primeiros momentos após o episódio.
— Ninguém na Casa Branca, inclusive o presidente Trump, quer ver pessoas feridas ou mortas nas ruas dos Estados Unidos da América — disse ela a repórteres. — Obviamente, foi uma situação muito dinâmica e de rápida evolução ao longo do fim de semana. Quanto ao presidente Trump, por quem eu falo, ele disse que quer deixar a investigação prosseguir e permitir que os fatos conduzam este caso.
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Mudança de tom
Há dois dias, a Casa Branca tenta conter as repercussões da morte. Democratas intensificaram as críticas às ações do governo, enquanto republicanos começaram a se somar aos pedidos por uma investigação justa. Até a Associação Nacional do Rifle (NRA), tradicional aliada de republicanos, saiu em defesa de Pretti, que possuía permissão para porte oculto de arma. A reação bipartidária no Congresso elevou o risco de uma nova paralisação do governo. Parlamentares passaram a ameaçar bloquear recursos destinados ao ICE após a morte.
Foi nesse contexto, segundo dois funcionários com conhecimento do assunto que falaram ao New York Times sob condição de anonimato, que a administração planejava retirar de Minneapolis Gregory Bovino, um oficial da Patrulha de Fronteiras conhecido por táticas duras e alvo frequente de críticas. Outros agentes deveriam sair da cidade com ele — o sinal mais recente de que o governo estava recuando em sua ação de fiscalização agressiva dentro da cidade.
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Horas antes de circular a informação sobre a saída de Bovino, Trump enviou seu principal responsável pela área de fronteiras, Tom Homan, para supervisionar a operação de imigração em Minneapolis. Ao mesmo tempo, o presidente suavizou o tom contra o governador de Minnesota, Tim Walz, após uma ligação telefônica entre os dois.
Bovino havia sido um dos primeiros a divulgar informações falsas sobre Pretti. Ainda assim, a Casa Branca se recusou a reconhecer que suas declarações — assim como as de outros altos funcionários na administração — foram refutadas pelos vídeos. Leavitt descreveu Bovino como “um grande profissional” que “vai continuar a liderar, com muita força, a Alfândega e a Patrulha de Fronteiras em todo o país”.
Nova abordagem
Em sua mais recente mudança de postura, Trump deixou de responsabilizar Walz pela violência em Minneapolis e afirmou que, durante a conversa telefônica, os dois “pareceram estar na mesma sintonia”. Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que Walz estava “feliz” com o envio de Tom Homan a Minnesota. Mais cedo, o presidente havia anunciado que Homan atuaria como seu representante pessoal na supervisão das operações do ICE no estado.
A nova abordagem contrastou fortemente com as declarações do fim de semana, quando Trump culpou Walz e outros democratas de Minnesota pela morte de Pretti. Os comentários repetiram o tom adotado após o assassinato, neste mês, de Renee Good, morta por agentes federais. Ao elogiar operações em Washington e em outras cidades como um “tremendo sucesso”, Trump afirmou que os índices de criminalidade em Minnesota estavam “bem mais baixos”, acrescentando: “Tanto o governador Walz quanto eu queremos melhorar ainda mais!”.
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Em comunicado, o gabinete do governador descreveu a conversa como “produtiva” e informou que os dois discutiram questões mais amplas que estão no centro das queixas do estado em relação à ofensiva migratória. Segundo o governo estadual, Walz disse a Trump que eram necessárias investigações imparciais sobre as duas mortes e pediu a redução do número de agentes federais em Minnesota. Trump concordou em garantir uma apuração justa e em avaliar a diminuição do contingente.
Mas, mesmo enquanto Trump tentava recompor a relação com Walz, Leavitt manteve a estratégia anterior da administração de argumentar que o governador e os democratas de Minnesota eram os responsáveis pelo caos. Em declarações à imprensa, ela afirmou que “essa tragédia ocorreu como resultado de uma resistência deliberada e hostil, por semanas, por parte de líderes democratas em Minnesota”.
Reação padrão
A reação da administração à morte de Pretti seguiu um padrão semelhante ao adotado inicialmente após a morte de Renee Good. Nos dois casos, autoridades do governo se apressaram em atacar as vítimas e defender os agentes do ICE antes da conclusão de qualquer investigação. Com a divulgação de vídeos que levantaram dúvidas sobre as circunstâncias das mortes, a Casa Branca passou a ajustar o discurso.
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Na semana passada, Trump descreveu a morte de Good como uma “tragédia” e disse ter se sentido “terrivelmente mal”, acrescentando que os agentes de imigração enviados às ruas às vezes “vão cometer um erro”. A mudança de tom foi significativa para o presidente, que afirmou ter sido informado de que o pai de Good era seu apoiador fiel. O governo abandonou, então, a sugestão de que ela fosse uma terrorista doméstica.
— Quando a mulher foi baleada, eu me senti terrivelmente mal com isso — disse Trump, classificando o episódio como “uma coisa horrível”. — E eu entendo os dois lados.

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