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A lendária pescadora de lagostas Virginia Oliver morreu no dia 21 de janeiro, aos 105 anos, em um hospital próximo à sua casa, em Rockland, no estado do Maine, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo Boston Globe. Conhecida como a “Senhora da Lagosta”, Virginia ficou marcada por uma carreira quase centenária no mar e pelo pioneirismo em um setor historicamente dominado por homens.
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Filha de pescadores, Virginia começou a acompanhar o pai na pesca ainda aos oito anos de idade. Décadas depois, tornou-se a primeira mulher oficialmente licenciada para a atividade no Maine e, já idosa, passou a ser reconhecida como a pescadora de lagostas mais velha em atividade no estado. Durante anos, saiu para o mar três vezes por semana ao lado do filho, Max Oliver, no barco que levava seu próprio nome.
A rotina começava por volta das 3h da manhã. Cabia a ela capitaniar a embarcação, preparar as iscas, medir as lagostas e devolver ao mar aquelas fora do tamanho permitido. “Ela é a chefe”, disse Max ao The Globe em 2021. Segundo ele, a mãe também não hesitava em dar broncas quando julgava necessário. “Era uma trabalhadora incansável e uma boa mãe”, afirmou ao Boston Globe.
Virginia só deixou o mar aos 103 anos, quando problemas de saúde a obrigaram a permanecer em terra firme. Ainda assim, costumava minimizar o esforço de uma vida inteira de trabalho. “Para mim, não é um trabalho difícil. Pode ser para outra pessoa, mas não para mim”, disse ao The Globe quando tinha 101 anos. Apesar da discrição, seu filho relatava que ela gostava do reconhecimento e se emocionava ao receber cartas de admiradores, inclusive do exterior.
A trajetória singular inspirou documentários e livros, além de homenagens oficiais. O Festival da Lagosta do Maine descreveu Virginia como “uma verdadeira lenda” e “uma parte viva da história marítima do estado”, destacando sua ética de trabalho e o apego inabalável ao ofício. A escritora Barbara Walsh, coautora de um livro ilustrado sobre a pescadora, lembrou sua postura firme e bem-humorada, além do batom vermelho e dos brincos que fazia questão de usar. “Ela não acreditava em reclamar. Acreditava em viver, rir e fazer o que amava”, escreveu em homenagem publicada após sua morte.
Nascida em junho de 1920, em Rockland, Virginia era filha do pescador de lagostas Alvin Rackliff e da comerciante Julia Ruttomer Rackliff, segundo o The Globe. Casou-se com Maxwell Oliver Sr., também pescador, com quem trabalhou até a morte do marido. Deixa três filhos, uma filha e dois netos. Seu legado, como ressaltou o festival local, permanece “nas águas que ela chamava de lar” e na memória da comunidade costeira do Maine.
Um ex-senador francês foi condenado nesta terça-feira por colocar droga no champanhe servido a uma colega parlamentar com a intenção de agredi-la sexualmente no final de 2023. O caso teve ampla repercussão na França e voltou a expor o debate sobre o uso de entorpecentes em crimes de violência sexual.
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Joël Guerriau foi considerado culpado de administrar, sem o conhecimento da vítima, uma substância capaz de alterar o discernimento — identificada pelo Ministério Público como ecstasy — à deputada da Assembleia Nacional Sandrine Josso. Ele também foi condenado por posse ilegal de entorpecentes.
No veredicto, o tribunal concluiu que Josso ingeriu ecstasy “em um nível muito acima da dose recreativa usual”, o que provocou “problemas físicos significativos que prejudicaram seu discernimento e o controle sobre seus atos”.
A sentença impôs a Guerriau quatro anos de prisão, sendo 30 meses em regime suspenso, além de cinco anos de inelegibilidade eleitoral. Ele também deverá pagar à deputada uma indenização de 9 mil euros, cerca de 11 mil dólares. Os juízes rejeitaram a tese da defesa de que a droga teria sido administrada “inadvertidamente”. O advogado do ex-senador afirmou, após o julgamento, que irá recorrer da decisão, o que suspende a execução da pena.
“Espero que outras vítimas também consigam se reconstruir um pouco”, disse Josso a repórteres no tribunal. Ela afirmou ainda que o desfecho do processo trouxe um “alívio enorme”.
A decisão judicial também determina que Guerriau, de 68 anos, seja submetido a tratamento psicológico ou psiquiátrico e o proíbe de manter qualquer contato com a deputada.
Debate sobre ‘submissão química’
O julgamento ocorreu em meio a um contexto de forte sensibilidade na França sobre crimes sexuais facilitados por drogas. Um ano antes, um tribunal havia condenado Dominique Pelicot e dezenas de outros homens por estuprar a ex-esposa de Pelicot, Gisèle Pelicot, enquanto ela estava sedada.
Segundo a imprensa francesa, Guerriau — que renunciou ao mandato de senador em outubro de 2025 — admitiu em juízo possuir a substância, mas afirmou não saber que se tratava de ecstasy e negou ter drogado Josso conscientemente ou ter tido intenção de agredi-la sexualmente.
Durante os dois dias de julgamento, a defesa sustentou que o ex-senador teria colocado a droga em um copo para consumo próprio no dia anterior, mas não a utilizou, esquecendo-se de que a substância permanecia no fundo do recipiente quando serviu o champanhe à deputada. Guerriau não comentou publicamente o caso.
As acusações remontam a novembro de 2023, quando Josso relatou o episódio em entrevista ao canal France 5, poucos dias após o ocorrido. Segundo ela, Guerriau, amigo de longa data, a convidou para seu apartamento para comemorar sua reeleição. Após beber champanhe, começou a passar mal.
“Ele estava na cozinha e colocou um saquinho branco de volta em uma gaveta embaixo da bancada”, disse Josso. “E então eu entendi. Pensei comigo mesma: ‘O que é esse saco?’”
A deputada contou que conseguiu deixar o local, chamando um táxi para retornar à Assembleia Nacional. Ela passou a noite no hospital e registrou queixa na polícia na manhã seguinte. “Achei que ia morrer”, afirmou.
Ainda na entrevista à France 5, Josso disse que o episódio revelou a dimensão do problema: “Os médicos e enfermeiros me disseram: ‘Senhora, pessoas como a senhora chegam aqui todos os dias, três vezes por dia’. Eu disse: ‘Isso não é possível’.”
Desde então, a parlamentar passou a alertar publicamente sobre a chamada “submissão química”, prática de drogar vítimas com fins criminosos. Ela também prestou apoio a vítimas em outros grandes julgamentos na França, como o de Dominique Pelicot e o do cirurgião Joël Le Scouarnec, condenado por estuprar e agredir sexualmente 299 pessoas ao longo de 25 anos, muitas delas sob anestesia.
Josso se associou a organizações como a “Don’t Put Me to Sleep” (“Não Me Faça Dormir”), criada por Caroline Darian, filha de Gisèle Pelicot, para conscientizar sobre crimes facilitados por drogas. A deputada também articulou a criação de uma comissão parlamentar para investigar o problema no país.
Em dezembro passado, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, acatou recomendação da comissão para permitir o reembolso de exames médicos destinados à detecção de drogas sem a exigência prévia de registro policial. Três regiões francesas passaram a adotar a medida neste mês, de forma temporária, com validade prevista de três anos.
Em entrevista à rádio France Info, Josso afirmou que desenvolveu dores crônicas nas costas e problemas dentários em decorrência do estresse causado pelo crime e que ainda enfrenta dificuldades para retomar a vida normal.
“O trauma psicológico é como ficar congelada”, disse. “Seu cérebro continua preso ao dia da provação.”
Ao defender a criação de uma “verdadeira política pública” para enfrentar crimes relacionados ao uso de drogas, a deputada disse esperar que o julgamento tenha caráter pedagógico.
“O que eu realmente quero é que as vítimas na França deixem de ser invisíveis e socialmente isoladas”, concluiu.
Um acidente aéreo matou cinco pessoas nesta terça-feira no oeste da Índia, entre elas o vice-ministro-chefe do estado de Maharashtra, Ajit Pawar, de 66 anos. A aeronave particular em que ele viajava caiu a cerca de 30 metros da pista do aeroporto de Baramati, no distrito de Pune, e explodiu logo após o impacto.
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Segundo autoridades locais, todos os ocupantes morreram ainda no local. Além de Pawar, estavam a bordo dois pilotos e dois integrantes de sua equipe de segurança. Os corpos foram retirados dos destroços já sem vida, informaram equipes de resgate.
Veja:
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O jato, um Learjet 45, havia decolado com destino a Baramati, cidade natal do político, após partir de Mumbai, capital financeira do país. O acidente ocorreu por volta das 8h45 (horário local), durante uma tentativa de pouso forçado.
Imagens divulgadas por agências internacionais mostram a aeronave em chamas em um campo próximo à pista, com intensa fumaça e a atuação de bombeiros e equipes de emergência. Moradores da região também tentaram se aproximar do local logo após a queda.
— Vi com meus próprios olhos. O avião parecia instável enquanto descia e, logo depois de tocar o solo, explodiu — relatou uma testemunha à agência indiana ANI. Segundo ela, houve novas explosões após o impacto inicial, o que dificultou qualquer tentativa de resgate.
Ajit Pawar era uma das figuras mais influentes da política indiana nas últimas décadas e ocupava o segundo cargo mais importante do governo estadual de Maharashtra. Ele integrava a coalizão governista alinhada ao primeiro-ministro Narendra Modi.
Em nota, Modi lamentou a morte do aliado.
— Seu profundo conhecimento administrativo e sua dedicação ao empoderamento dos mais pobres eram notáveis. Sua morte é chocante e profundamente triste — afirmou o premiê, que também prestou condolências à família.
O ministro da Defesa da Índia, Rajnath Singh, também se manifestou, destacando a trajetória pública de Pawar e seu compromisso com o desenvolvimento do estado.
As causas do acidente ainda são desconhecidas. Autoridades da aviação civil indiana informaram que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias da queda.
O Irã executou nesta quarta-feira um homem preso em abril de 2025 e acusado de espionar para o serviço de inteligência israelense Mossad, informou o Poder Judiciário iraniano.
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Hamidreza Sabet Esmailpour, condenado por repassar informações a um agente do serviço secreto de Israel, foi enforcado ao amanhecer, segundo a agência de notícias Mizan, ligada ao órgão judicial.
Grupos de direitos humanos estimam que 12 pessoas tenham sido executadas por enforcamento no Irã por acusações semelhantes desde a guerra de 12 dias com Israel, em junho. As organizações também expressaram preocupação de que manifestantes detidos na recente onda de protestos possam enfrentar a pena de morte.
As manifestações começaram no fim de dezembro, motivadas pelo aumento do custo de vida, mas evoluíram para um movimento de massa contra a estrutura teocrática da República Islâmica. A repressão do governo resultou em milhares de mortos, segundo organizações não governamentais.
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De acordo com a Mizan, Esmailpour foi condenado por compartilhar informações com o Mossad, adquirir equipamentos para ajudar Israel a realizar “operações de sabotagem” em bases de mísseis iranianas e transportar veículos carregados com explosivos.
Desde o conflito com Israel, a República Islâmica prometeu julgamentos rápidos para pessoas detidas sob suspeita de colaboração com o Estado hebreu, considerado seu principal inimigo.
Segundo grupos de direitos humanos, o Irã está entre os países que mais executam no mundo, atrás apenas da China. No ano passado, ao menos 1.500 pessoas foram enforcadas, de acordo com a organização Iran Human Rights.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se disposto, nesta terça-feira (27), a “desescalar um pouco” a situação em Minneapolis, uma cidade abalada após a morte, em menos de três semanas, de dois cidadãos baleados por agentes federais.
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Trump, que classificou como “muito triste” a morte do ativista Alex Pretti, um enfermeiro de 37 anos, descartou a demissão da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, alvo de críticas da oposição.
— Vamos desescalar um pouco — disse Trump à Fox News depois de enviar seu czar para assuntos migratórios, Tom Homan, a Minneapolis, onde ele se reuniu com o prefeito democrata Jacob Frey.
Durante a noite, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, reconheceu que os agentes federais podem ter infringido o “protocolo” para separar os agentes dos manifestantes durante os protestos em Minnesota.
“Estamos avaliando por que a equipe da CBP (Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras) pode não ter seguido este protocolo”, admitiu Miller, uma figura influente que lidera a política de linha dura do governo Trump.
O presidente, no entanto, defendeu mais cedo Noem e disse que ela “está fazendo um trabalho muito bom” e não será substituída. A secretária acusou Pretti de ser “terrorista”. Ele foi morto a tiros por agentes da Patrulha de Fronteira no último sábado.
Noem utilizou o mesmo adjetivo para qualificar Renee Good, uma mãe de 37 anos morta em 7 de janeiro por disparos de um agente de imigração.
“Kristi Noem é uma mentirosa compulsiva, abjeta e corrupta”, afirmou Hakeem Jeffries, líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, ao canal MSNow.
A crise deu fôlego aos democratas e ameaça travar uma das principais políticas do segundo mandato presidencial de Trump: o combate à imigração irregular.
O prefeito de Minneapolis reiterou ao czar migratório de Trump que sua principal exigência é que a operação contra a imigração ilegal “termine o mais rapidamente possível”.
Frey acrescentou ainda que “Minneapolis não aplica nem aplicará as leis federais de imigração”.
“Todos estamos de acordo que devemos apoiar os agentes e retirar os criminosos das ruas”, disse Homan em uma publicação no X após se reunir com Frey e o governador de Minnesota, Tim Walz.
“Embora não concordemos em tudo, estas reuniões foram um ponto de partida produtivo”, acrescentou Homan.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) insiste em que seus agentes foram deslocados para Minneapolis e para outras cidades-santuário com o objetivo de prender prioritariamente imigrantes em situação irregular que tenham pendências relacionadas a outros tipos de crimes.
Os chefes das principais agências de controle migratório do país comparecerão ao Senado para uma audiência pública em 12 de fevereiro.
Um memorial
Em Minneapolis, sob uma temperatura glacial, o local onde Pretti morreu no último sábado transformou-se em um memorial improvisado, onde ativistas vão para se recolher e rezar.
“Obrigado por sua compaixão e amor por todos aqueles de quem você cuidou”, dizia uma faixa deixada no local do incidente.
O ex-presidente democrata Joe Biden (2021-2025) criticou, por meio de um comunicado, uma violência que “trai nossos valores mais fundamentais como americanos”.
A investigação em torno das mortes dos dois americanos avança e a emissora Fox citou um porta-voz do DHS que assegurou existirem imagens de câmeras corporais dos agentes que participaram da tentativa de detenção de Pretti.
Os democratas no Congresso exigem o fim do deslocamento do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e da Patrulha de Fronteira, e ameaçam inclusive bloquear no Senado votações orçamentárias iminentes.
Isso poderia levar, até o fim da semana, a um novo fechamento parcial do governo, como já ocorreu no final de 2025.
Em meio à tensão que se vive em Minneapolis, a congressista democrata Ilhan Omar foi atacada durante um discurso na noite de terça-feira. Um homem borrifou um líquido desconhecido contra ela durante um comício em Minneapolis.
Omar, alvo frequente de críticas de Trump, acabara de pedir que o governo revertesse seu rumo atual na campanha de deportação no estado do norte do país quando foi atacada. O indivíduo foi detido pelas autoridades.
A Justiça americana bloqueou a expulsão dos Estados Unidos de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada.
A Chancelaria equatoriana emitiu uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de incursão de agentes de imigração em sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, pediu que “atos desta natureza não se repitam”.
Um juiz sul-coreano condenou, na quarta-feira, a ex-primeira-dama Kim Keon Hee a 20 meses de prisão por receber presentes de luxo ligados a uma seita religiosa. Ela, no entanto, foi absolvida das acusações de manipulação do mercado de ações e de outros crimes financeiros.
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A decisão acrescenta um novo capítulo à longa controvérsia que envolve Kim, de 53 anos, alvo recorrente de denúncias de má gestão, tráfico de influência e até fraude acadêmica — temas que marcaram o mandato de seu marido, o ex-presidente Yoon Suk Yeol.
Atualmente, ambos estão sob custódia. Yoon foi detido em razão das medidas adotadas durante sua tentativa fracassada de declarar lei marcial, em dezembro de 2024, e das consequências políticas e institucionais do episódio. Kim responde por corrupção.
Na sentença, o juiz Woo In-sung, do Tribunal Distrital Central de Seul, considerou que a ex-primeira-dama aceitou subornos da Igreja da Unificação, grupo de caráter sectário. Entre os presentes recebidos estavam uma bolsa da Chanel e um colar da joalheria Graff.
Apesar da condenação, Kim foi considerada inocente das acusações de manipulação do mercado de capitais e de violações às leis sul-coreanas de financiamento de campanhas eleitorais. O Ministério Público havia pedido uma pena de 15 anos de prisão.
Ao justificar a decisão, o juiz afirmou que a proximidade de Kim com o então presidente lhe conferia uma “influência significativa”, que teria sido utilizada de forma indevida.
Kim compareceu à leitura da sentença vestida de preto, usando máscara branca e óculos. Em dezembro, promotores afirmaram que ela havia se “colocado acima da lei” e conspirado com a Igreja da Unificação para minar “a separação entre religião e Estado estabelecida pela Constituição”.
A ex-primeira-dama negou todas as acusações. Em seu depoimento final, no mês passado, classificou as denúncias como “profundamente injustas”, mas pediu desculpas por “causar problemas apesar de ser uma pessoa sem importância”.
O cometa 3I/ATLAS é um visitante interestelar que atravessa o nosso sistema solar, e seu comportamento continua a surpreender os astrônomos. Ao contrário dos cometas típicos, este corpo celeste se origina fora do nosso sistema estelar e segue uma trajetória hiperbólica, o que significa que não está gravitacionalmente ligado ao Sol e passa por ele apenas uma vez. Observações com o Telescópio Espacial Hubble e outros instrumentos científicos mostraram que o 3I/ATLAS está envolto em uma coma dominada por CO₂ (dióxido de carbono) em uma proporção muito maior do que por água, algo bastante incomum para cometas típicos, que normalmente liberam principalmente vapor de água ao se aproximarem do Sol.
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Os dados também mostram que a quantidade de CO₂ liberada é várias vezes maior que a de água, sugerindo que o cometa pode ter se formado em um ambiente muito diferente dos cometas do nosso sistema solar.
Outra observação incomum e mais recente é a presença de jatos, ou fluxos de material, que mudam lentamente de direção, detectados ao longo de várias noites de monitoramento. Esses jatos seguem um padrão regular, sugerindo um tipo de atividade na superfície do cometa que não é comumente vista em cometas conhecidos.
Alguns telescópios terrestres, como o observatório de Tenerife, observaram o que se chama de “anticauda”, um fluxo de poeira que parece apontar em direção ao Sol em vez de se afastar dele. Esse efeito indica que a dinâmica da poeira ao redor do cometa 3I/ATLAS é diferente da maioria dos cometas que vimos até agora.
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Além dessas características, o cometa foi rastreado por diversas missões científicas, incluindo instrumentos como o STEREO-A e o ESA/SOHO, que capturaram imagens do objeto enquanto ele viajava em alta velocidade pelo sistema solar.
Em conjunto, características como a sua elevada proporção de dióxido de carbono, jatos peculiares, anticauda e origem interestelar, fazem do 3I/ATLAS um objeto excepcional em comparação com os cometas típicos do sistema solar.
O estudo deles oferece uma oportunidade única de aprender sobre os materiais e processos de outros sistemas estelares e sobre a diversidade de corpos que existem em nossa galáxia.
O que concluíram os telescópios mais avançados do mundo após analisarem o cometa 3I/ATLAS?
Após ser descoberto em julho de 2025, foi rapidamente confirmado que o 3I/ATLAS vinha de fora do Sistema Solar, tornando-se apenas o terceiro objeto desse tipo detectado.
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Embora tenham surgido especulações nas redes sociais sobre uma possível origem artificial, a maioria da comunidade científica sustenta que se trata de um cometa natural. Para estudá-lo, foram utilizados telescópios de ponta como o Hubble, o James Webb, o Gemini Sul, o Very Large Telescope e radiotelescópios em diferentes continentes.
O projeto Breakthrough Listen, dedicado à busca por sinais de vida inteligente, apontou vários radiotelescópios para o objeto. Um deles, o Allen Telescope Array, concluiu após suas observações que: “Não encontramos nenhum sinal que justifique análises adicionais.”
Resultados semelhantes foram obtidos pelo radiotelescópio MeerKAT, cujos dados confirmaram que o comportamento químico e físico do cometa é consistente com o de um cometa comum e que “não detectam sinais de origem tecnológica”.
Fernando Camilo, cientista-chefe do Observatório de Radioastronomia da África do Sul, destacou o valor do trabalho colaborativo e afirmou: “Temos o prazer de contribuir, juntamente com colegas de todo o mundo, para uma compreensão mais completa deste extraordinário fenômeno natural: um cometa que provavelmente se formou em outro sistema estelar e que agora está passando brevemente pelo nosso”.
Essas conclusões foram complementadas por observações do Telescópio de Green Bank, que indicaram que “nenhuma emissão de rádio artificial localizada foi detectada em 3I/ATLAS”.
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A conclusão geral do projeto Breakthrough Listen foi enfática: “Nenhuma tecnoassinatura foi detectada em nenhuma dessas buscas. O 3I/ATLAS continua se comportando como esperado, de acordo com os processos astrofísicos naturais…”, embora tenham assegurado que continuarão monitorando futuros objetos interestelares.
No entanto, o astrofísico de Harvard, Avi Loeb, questionou essas conclusões e argumentou que as análises não são definitivas.
Ele acredita que observar o objeto por um curto período de tempo não é suficiente para descartar hipóteses alternativas e alerta que ainda existem anomalias a serem investigadas, especialmente quando o cometa se aproxima de Júpiter.
Embora esclareça que não está afirmando que se trata de uma aeronave artificial, ele insiste que encerrar o caso seria prematuro e que a ciência deve exercer maior cautela diante de fenômenos com alto potencial de impacto.
Uma americana de 67 anos afirma ter perdido praticamente todas as suas economias após cair em dois golpes sucessivos, um deles envolvendo um relacionamento amoroso virtual e um suposto esquema de investimentos. O caso, denunciado à polícia nos últimos dias, expõe a atuação de criminosos que exploram vínculos emocionais e promessas de altos retornos financeiros para enganar vítimas online.
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Segundo o relato citado pelo The Sun, Cindy conheceu Mike em um site de namoro. Mesmo sem nunca terem se encontrado pessoalmente, o casal passou semanas conversando sobre o futuro e chegou a planejar a compra de uma casa para morar junto. De acordo com o The Sun, a confiança aumentou quando Cindy revelou dificuldades financeiras causadas por um golpe anterior, ligado a uma falsa oferta de emprego que lhe custou cerca de US$ 133 mil. Mike, que se apresentava como operário da construção civil e dizia morar em outro estado, ofereceu apoio e sugeriu um investimento que, segundo ele, renderia 20% a cada sete dias.
Promessas de lucro e desaparecimento
Convencida, Cindy afirma ter investido quase US$ 82 mil a partir de dezembro, com a expectativa de sacar cerca de US$ 50 mil para quitar dívidas. A mulher relata que Mike a ajudou a abrir uma conta e indicou de onde o dinheiro poderia ser retirado — mais tarde, ela descobriu que a conta estaria sob controle dele. Quando tentou sacar US$ 51 mil, no entanto, o contato foi interrompido. Desde março, após retornar de uma viagem à Flórida, Cindy diz não ter mais notícias do suposto namorado.
Ao todo, as perdas somam quase US$ 220 mil, cerca de R$ 1,1 milhão. Endividada em cerca de US$ 103 mil, Cindy precisou refinanciar a própria casa e voltar ao mercado de trabalho como demonstradora de alimentos em um supermercado. Ela afirma ter recuperado menos de US$ 1,38 mil após denunciar os golpes às autoridades e diz que terá de trabalhar até idade avançada para pagar as dívidas.
O caso se soma a alertas frequentes de autoridades sobre fraudes virtuais. A Polícia de Sussex, citada em orientações de prevenção, aponta sinais comuns de golpes românticos, como perfis com informações vagas, histórias pessoais difíceis de verificar, pedidos indiretos de dinheiro e tentativas de levar a conversa para fora de plataformas oficiais. Bancos e especialistas em segurança digital também reforçam que promessas de retorno rápido e elevado costumam ser indício de fraude.
Cindy agora usa sua história para alertar outras pessoas sobre os riscos. “Se uma oferta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é”, disse, segundo o The Sun. “Se for preciso enviar dinheiro, simplesmente não envie.”
Como caminharam os primeiros animais que deram origem às aves? Um novo aplicativo de inteligência artificial está ajudando a reabrir essa pergunta — e pode mudar o que a ciência sabe sobre a evolução da aviação. Desenvolvida por pesquisadores da Universidade de Edimburgo, a ferramenta foi usada para analisar pegadas de dinossauros com mais de 200 milhões de anos e encontrou padrões surpreendentemente próximos aos observados em aves extintas e modernas.
Os resultados indicam que as aves podem ter surgido até 60 milhões de anos antes do que apontam as estimativas tradicionais. “Este estudo é uma contribuição empolgante para a paleontologia e uma forma objetiva e baseada em dados para classificar pegadas de dinossauros — algo que intrigou os especialistas por mais de um século”, afirmou o professor Steve Brusatte, um dos autores do trabalho. Segundo ele, a abordagem abre novas possibilidades para compreender como esses animais viviam, se moviam e quando grandes grupos evolutivos surgiram pela primeira vez.
Pegadas, algoritmos e menos viés humano
Interpretar pegadas fósseis sempre foi um desafio para a ciência. Até agora, os pesquisadores dependiam sobretudo de análises manuais, sujeitas a vieses e divergências. Para contornar esse problema, a equipe criou o DinoTracker, um aplicativo de IA treinado com quase 2.000 pegadas fósseis, além de milhões de variações digitais que simulam efeitos como compressão e desgaste ao longo do tempo.
Nos testes, o DinoTracker alcançou cerca de 90% de precisão na identificação das pegadas, inclusive em casos considerados controversos. Uma das descobertas mais intrigantes foi a semelhança recorrente entre marcas deixadas por certos dinossauros e aquelas produzidas por aves. Para os cientistas, isso pode indicar que as aves surgiram dezenas de milhões de anos antes do que se pensava — ou que alguns dinossauros desenvolveram pés muito semelhantes aos das aves por evolução convergente.
A ferramenta também foi aplicada a pegadas encontradas na Ilha de Skye, na Escócia, que há anos intrigam os especialistas. A análise sugere que elas podem ter sido deixadas há cerca de 170 milhões de anos por parentes muito antigos dos dinossauros bico-de-pato. “Essa rede de computadores pode ter identificado as aves mais antigas do mundo, o que considero um uso fantástico e frutífero da IA”, destacou Brusatte.
O pesquisador Gregor Hartmann, do Helmholtz-Zentrum e coautor do estudo, afirma que o método oferece uma forma imparcial de reconhecer variações nas pegadas e testar hipóteses sobre seus autores. Segundo ele, trata-se de uma ferramenta promissora não apenas para a pesquisa acadêmica, mas também para a educação e o trabalho de campo, ajudando a reconstruir com mais precisão a história dos movimentos que moldaram a vida na Terra.
Ao olhar para o futuro, os cientistas esperam que a combinação entre fósseis e inteligência artificial aprofunde a compreensão sobre como os dinossauros caminharam, evoluíram e, possivelmente, deram os primeiros passos rumo ao voo — muito antes do que a ciência imaginava.
Próximo ao arquipélago dos Açores, as autoridades portuguesas interceptaram uma embarcação semissubmersível proveniente da América Latina, transportando aproximadamente nove toneladas de cocaína. Três cidadãos colombianos e um venezuelano estariam a bordo.
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A operação, denominada Adamastor, foi realizada pela Polícia Judiciária, Marinha e Força Aérea portuguesas. Durante mais de 86 horas, e com a participação de mais de 60 militares, a força naval rastreou e abordou a embarcação em condições de navegação extremas, marcadas pela tempestade tropical Ingrid e pelas fortes ondas do Atlântico Norte. Contudo, o semissubmersível, com a sua estrutura frágil, não resistiu às manobras e afundou após a recuperação da sua carga.
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Divulgação / Polícia Portuguesa
Quatro tripulantes foram presos na operação, segundo informações preliminares: um cidadão venezuelano e três colombianos. Antes do naufrágio, as autoridades apreenderam 265 fardos de cocaína, parte de uma carga estimada em aproximadamente nove toneladas. A interceptação ocorreu em alto-mar, em uma área estratégica para o tráfico ilícito entre a América Latina e a Europa.
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De fato, há duas semanas, as autoridades espanholas descobriram uma embarcação, vinda do Brasil e com destino a portos europeus, que transportava quase 10 toneladas de cocaína escondidas em meio a uma carga de sal.
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Polícia portuguesa / AFP
Na operação, realizada pela Polícia Nacional Espanhola, 13 membros da quadrilha foram presos e 9.994 quilos de drogas e uma arma de fogo foram apreendidos. A investigação, liderada pela Procuradoria Antidrogas da Espanha, aponta para uma rede multinacional e contou com o apoio de agências internacionais como a DEA, a NCA e autoridades brasileiras.
As autoridades estão investigando a origem e a rota de um carregamento de drogas apreendido para determinar se ele se originou na Venezuela ou na Colômbia, com destino ao Brasil, antes de ser embarcado em um navio interceptado no Atlântico. Elas também estão analisando se o carregamento continha uma mistura de drogas colombianas e venezuelanas, em um contexto no qual o aumento do controle marítimo dos EUA no Caribe pode estar forçando organizações criminosas a mudarem suas rotas e pontos de embarque para envios à Europa.
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O valor da carga apreendida varia de acordo com o destino. Segundo informações citadas pelo diretor da Polícia Nacional da Colômbia, General William Rincón, a cocaína que sai da América do Sul geralmente passa pela América Central e pelo Caribe, onde um quilo pode valer até US$ 10 mil.
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Divulgação / Polícia Portuguesa
Na Europa, o preço sobe para cerca de US$ 46.750 por quilograma, tornando o continente um dos mercados mais lucrativos para organizações criminosas. A África é tanto uma área de trânsito quanto de destino, com preços próximos a US$ 37.640 por quilograma, enquanto a Ásia representa o mercado de maior valor, com cifras que podem chegar a US$ 115 mil por quilograma.
A interceptação do semissubmersível na Operação Adamastor sucede a dois incidentes recentes: a Operação Nautilus, a 20 de março de 2025, e a Operação El Dorado, a 29 de outubro do mesmo ano. Em menos de doze meses, esta é a terceira embarcação deste tipo detectada e neutralizada pelas autoridades portuguesas, facto que confirma a pressão constante das rotas de narcotráfico no Atlântico Leste.

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