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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que o presidente Donald Trump nunca descarta suas opções, mas esclareceu que o governo americano “não pretende nem espera ter que tomar qualquer medida militar na Venezuela em nenhum momento” e ressaltou que cooperar com os Estados Unidos faz parte do interesse da Venezuela. Rubio prestou depoimento a uma comissão no Senado para explicar a operação de 3 de janeiro em Caracas, que levou à captura de Maduro, e os próximos passos do governo de Trump no país sul-americano.
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Um trecho do depoimento divulgado previamente pelo Departamento de Estado dizia que Delcy, que agora lidera um processo gradual de mudanças em Caracas, “conhece muito bem o destino de [Nicolás] Maduro”, e sugere que a chavista está ciente de que a cooperação com Washington é vital para sua manutenção.
Questionado por um dos senadores sobre o que está sendo feito para impedir que “atores malignos” exerçam influência na Venezuela, Rubio declarou que a cooperação com os EUA está alinhada aos interesses do país sul-americano. Os EUA serão um “parceiro muito melhor” para um futuro governo venezuelano – e até mesmo para as autoridades atuais – do que alguns dos parceiros com os quais o país tem parcerias atualmente, acrescentou. Não é do interesse da Venezuela ter uma “presença iraniana” ou a “venda de armamento iraniano para o país”, disse Rubio.
Na sequência, o secretário de Estado descreveu alguns dos “elementos criminosos” que “toleraram no passado” como um “pacto com o diabo”. A longo prazo, isso gerou “verdadeira desestabilização”, afirmou.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira que o tempo para um novo acordo nuclear com o Irã “está se esgotando” e deixou em aberto a possibilidade de um novo ataque contra o país, enquanto Teerã se recusa a abrir um processo de diálogo sob ameaça de Washington, que enviou uma armada liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln para região. Apesar da sombra de um novo ataque americano — que bombardeou o território iraniano no ano passado —, a resistência de aliados árabes dos EUA à uma nova ação contra o país dos aiatolás pode retirar opções táticas em uma possível ação do Pentágono.
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“Esperamos que o Irã se sente em breve à mesa para negociar um acordo justo e equilibrado para todas as partes – SEM ARMAS NUCLEARES –”, escreveu Trump na rede social Truth Social, após representantes de Teerã se recusarem a negociar sob coação militar. O presidente também se referiu à aproximação da Marinha americana da região, acrescentando que “o tempo está se esgotando”, e que um novo ataque ao país seria pior que os bombardeios do ano passado.
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A retórica bélica de Trump não abriu espaço na mesa de negociações até o momento. Em discurso transmitido pela TV estatal, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que “não pode ser eficaz nem útil” conduzir a diplomacia por meio de ameaças militares. Na tarde desta quarta-feira, a missão do Irã na ONU emitiu um comunicado afirmando que o país “responderá como nunca antes” se for pressionado.
“Da última vez que os EUA se envolveram em guerras no Afeganistão e no Iraque, desperdiçaram mais de US$ 7 trilhões e perderam mais de 7.000 vidas americanas”, diz a publicação, feita em inglês. “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e em interesses comuns — MAS, SE PROVOCADO, SE DEFENDERÁ E RESPONDERÁ COMO NUNCA ANTES!”
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Não está claro a capacidade de reação do Irã. O regime foi duramente castigado durante a guerra com Israel no ano passado, perdendo tanto meios militares quanto lideranças de suas forças. Os conflitos na região também enfraqueceram profundamente a rede de aliados em países vizinhos, por anos tida como um ativo em eventuais ações no exterior. Em uma audiência no Senado americano, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o regime está “mais frágil do que nunca”.
Em contrapartida, o cenário também é diferente para os EUA em relação ao período do ataque lançado no escopo da guerra de 12 dias entre Israel e Irã. Aliados árabes de Washington se mostraram contra um ataque direto a Teerã — que apesar da rivalidade regional, mantém o que já foi definido na região como um “equilíbrio previsível”.
Em um telefonema com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, o príncipe saudita, Mohammed bin Salman, afirmou na terça-feira que não permitirá que o espaço aéreo ou o território de seu país sejam usados “para quaisquer ações militares contra o Irã”. A medida foi anunciada um dia depois de um anúncio similar do Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos. Riad e Abu Dhabi são aliados estratégicos dos americanos na região.
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Opções de ataque
Embora a contrariedade dos aliados regionais tenha peso no cálculo político americano — Trump elegeu as monarquias do Golfo, com quem sua família mantém negócios lucrativos, parceiros de primeira grandeza em seu segundo mandato —, o Pentágono ainda conta com opções variadas para atacar o Irã, caso a ordem seja dada.
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Arte/ O GLOBO
A extensa rede de bases em solo e o efetivo ainda deslocado na região não devem estar incluídas em um primeiro momento, segundo analistas citados pela imprensa internacional. A prioridade parece ser por um ataque aéreo contra alvos da Guarda Revolucionária do Irã ou das forças Basenji — e para isso, uma alternativa seria um ataque seguindo os moldes da operação “Martelo da Meia-Noite”, que atingiu instalações nucleares iranianas em junho do ano passado
A operação taticamente bem-sucedida partiu da base aérea de Whiteman, no Missouri, de onde foram lançadas 125 aeronaves e 75 armas guiadas, incluindo bombardeiros furtivos B-2 Spirit. O voo até o Irã, segundo autoridades militares americanas, durou 18 horas, com múltiplos sistemas de reabastecimento em voo. Um mapa divulgado à época pelo Pentágono sugere que a rota utilizada não passou pelo espaço aéreo de Arábia Saudita ou Emirados Árabes.
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Andrew Harnik/ AFP
Embora os bombardeiros B-2 tenham sido a ponta de lança do ataque americano no ano passado, o conjunto diversificado de alvos na mira neste momento, pode ser mais adequado para outros recursos americanos, segundo avaliou o ex-capitão da Marinha dos EUA Carl Schuster, em entrevista a CNN.
Mísseis Tomahawk, de alta precisão, poderiam ser disparados de submarinos e navios de superfície da Marinha dos EUA longe da costa iraniana — como os enviados por Trump para o Golfo Pérsico. Outra opção seria o uso de mísseis de cruzeiro equipáveis em uma variedade de jatos, incluindo caças F-15, F-16 e F-35 e bombardeiros B-1, B-2 e B-52, bem como caças F/A-18.
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Os EUA dispõem de jatos de guerra F-15E na Jordânia, de onde poderiam ser rapidamente deslocados para um ataque contra o Irã, sem cruzar os territórios dos aliados que não querem se envolver. Em uma outra opção mais distante, Washington poderia lançar o ataque a partir de bases no Índico, como a base Diego Garcia.
— Acredito que isso pode nos forçar a depender mais da aviação embarcada ou de recursos de longo alcance provenientes do território continental dos EUA ou de bases como Diego Garcia — disse Joseph Votel, general aposentado do Exército que liderou o Comando Central dos EUA de 2016 a 2019, em entrevista ao Wall Street Journal, ao avaliar as opções militares. — Essa ação pressiona outros países da região que podem estar considerando apoiar uma operação dos EUA. Por fim, significa que a operação terá um caráter mais americano do que o de uma coalizão regional robusta contra o Irã. (Com AFP)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a América Latina e o Caribe só resolverão seus problemas caso os enfrentem de forma conjunta. Nesta quarta-feira (28), durante a abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026, no Panamá, Lula destacou os ativos políticos e econômicos que podem, via integração regional, favorecer todos os países, tornando-os mais relevantes no cenário mundial.

“Seguir divididos nos torna todos mais frágeis”, discursou o presidente durante a sessão de abertura do fórum, ao citar as “credenciais econômicas, geográficas, demográficas, políticas e culturais excepcionais” que os países latino-americano e caribenhos têm “para aspirar a uma presença relevante no contexto mundial”.

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Lula ponderou que, para atingir esses objetivos, é fundamental que as lideranças regionais estejam comprometidas com mecanismos institucionais e que “articulem de forma equilibrada os distintos interesses nacionais de nossa região”.

Segundo Lula, falta às lideranças regionais convicção sobre os benefícios de adoção de um projeto mais autônomo de inserção internacional. Nesse sentido, sugeriu que os países da região levem em consideração as riquezas inexploradas que poderão garantir uma inserção competitiva na ordem global.

“Dispomos de ativos de ordem política e econômica que podem conferir materialidade ao impulso integracionista”, argumentou o presidente ao enumerar, entre esses ativos, o potencial energético relacionado às reservas de petróleo e gás, a hidroeletricidade, os biocombustíveis, e a energia gerada a partir das matrizes nuclear, eólica e solar.

O presidente citou também como ativos o fato de a região contar com a maior floresta tropical do planeta; e as variadas condições de solo e clima e os avanços científicos e tecnológicos para a produção de alimentos.

“Reunimos também recursos minerais abundantes, inclusive minérios críticos e terras raras, essenciais para a transição energética e digital”, disse o presidente brasileiro ao afirmar que “minerais críticos e as terras raras só têm sentido se for para enriquecer os nossos países, e se tivermos coragem de construir parcerias, gerando riqueza, emprego e desenvolvimento em nossos países”.

Lula lembrou que, juntos, os países da região formam um mercado consumidor com mais de 660 milhões de pessoas. Além disso, disse que não há conflitos graves entre os países participantes do fórum; e que, predominantemente, todos governo foram eleitos democraticamente.

“A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém”, afirmou.

“Não há nenhuma possibilidade de qualquer país da América Latina, sozinho, achar que vai resolver os problemas. Temos 525 anos de história. Muitas vezes a colonização não estará na interferência de outro, mas na formação cultural que o nosso o povo teve. Precisamos mudar de comportamento. Vamos criar um bloco. Um bloco que possa dizer que a gente vai acabar com a fome em nossos países”, concluiu.

Por ser convidado especial, o presidente brasileiro foi o segundo a discursar, logo após o presidente do país anfitrião, José Raúl Mulino. A expectativa é que Lula retorne ao Brasil ainda hoje, ao final do dia.

O Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe seguirá até o dia 30.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o fim da escala de seis dias de trabalho por um de folga (6×1) no Brasil é prioridade para o governo federal neste ano. Em conversa com a imprensa nesta quarta-feira (28), ela afirmou que o governo pode enviar um projeto para unificar as propostas que já estão em tramitação no Congresso sobre o tema e que a expectativa é pela aprovação ainda no primeiro semestre.

“Depois do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] ter feito a correção do salário mínimo por aumento real, ter conquistado mais empregos para população, ter feito a isenção do imposto de renda [IR] para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, disse Gleisi.

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“Não é possível que as pessoas tenham um dia só por semana para descansar e para terem os seus afazeres domésticos e pessoais. Isso atinge principalmente as mulheres. Então, o presidente Lula está determinado”, explicou a ministra.

Segundo ela, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, “é simpático” em colocar o tema em discussão e é papel do governo batalhar pela aprovação. Para Gleisi, o projeto tem apoio popular e, assim como a isenção do imposto de renda, deve ter o apoio de todo o parlamento.

“ [O IR] foi um projeto que nós aprovamos por unanimidade nas duas casas do Congresso Nacional. Então, quando você tem a opinião pública, quando você mostra certeza de uma proposta, eu acho que a casa se mostra sensível”, afirmou, contando que alguns setores produtivos, como a indústria, já trabalham com escala diferenciada.

Ano Legislativo

No dia 2 de fevereiro, a Câmara e o Senado retomam os trabalhos legislativos. Além do fim da escala 6×1, a ministra Gleisi cita entra as prioridades do governo a aprovação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção, além de algumas medidas provisória como a de criação do programa Gás do Povo e do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter no Brasil, o Redata.

Ainda, o governo está trabalhando para manter o veto do presidente Lula ao projeto de lei conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

“Nós estamos conversando com os líderes, com os deputados, nosso objetivo é manter o veto, achamos que isso é importante. Esse processo de responsabilização da tentativa de golpe se deu dentro do devido processo legal e ele é pedagógico. Qualquer situação que mexa nisso, inclusive, porque ainda nós estamos com o processo em andamento, vai ser muito ruim para a democracia e para o Estado Democrático de Direito”, defendeu.

Gleisi Hoffmann ainda contou que os Três Poderes assinarão um pacto pelo enfrentamento ao feminicídio, no próximo dia 4 de fevereiro. O enfrentamento à violência contra a mulher é um dos temas que entrou na agenda de prioridades do presidente Lula, que vem se manifestando publicamente sobre o tema.

Emendas parlamentares

Ainda sobre a relação com o Congresso, Gleisi comentou que o tema das emendas parlamentares está pacificado. O Orçamento de 2026 prevê aproximadamente de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. Desse total, cerca de R$ 37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas, de pagamento obrigatório.

O governo deverá antecipar o pagamento de pelo menos 65% das emendas parlamentares impositivas (individuais e de bancada) até julho. Segundo a ministra, são emendas de transferência fundo a fundo ou de transferência direta. “Não temos compromisso de execução de emendas que precisam de convênio e de emendas de comissão”, explicou.

Emenda parlamentar é uma forma de destinação de recursos do orçamento público, indicada por deputados e senadores para finalidades específicas, geralmente para obras, serviços ou projetos em suas regiões. Elas são objeto de discussão, inclusive no Supremo Tribunal Federal, em relação à transparência na destinação dos recursos, apelidadas de orçamento secreto.

Banco Master

Na conversa com os jornalistas, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também comentou sobre as investigações das fraudes financeiras do Banco Master. Segundo ela, há uma tentativa da oposição de ligar pessoas do governo ao dono do Master, Daniel Vorcaro, incluindo o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o próprio presidente Lula que, segundo informações divulgadas na imprensa, teve um encontro com o banqueiro em dezembro de 2024.

“O presidente recebe muita gente, já recebeu Vorcaro, já recebeu outros presidentes de banco. Isso é da natureza do cargo presidencial, conversar com todos da sociedade. Não vejo problema nenhum em relação a isso. O que importa é que o presidente deu uma orientação para que esse caso fosse acompanhado e apurado de maneira técnica e com rigor da lei. E isso está sendo feito”, afirmou Gleisi.

Sobre Lewandowski, o ex-ministro do STF divulgou nota nesta terça-feira (27) explicando que, ao deixar a Corte em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia e, entre vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master. Ele afirmou que deixou de atuar como advogado da instituição após ser convidado pelo presidente Lula para assumir a pasta no governo federal.

“Quando o presidente Lula convidou o ministro Lewandowski, ele sabia que o ministro tinha contratos privados e o ministro informou que ia cumprir a lei e desvencilhar-se de todos os contratos, o que fez. Não há problema, irregularidade nenhuma, crime nenhum ele ter contrato de consultoria”, argumentou a ministra Gleisi.

Ela lembrou ainda que toda a apuração da Polícia Federal (PF) feita em relação ao Banco Master foi feita sob a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça.

“E foi na gestão do ministro Lewandowski que o presidente do Master, o Vorcaro, foi preso. Então, essa situação que tentam ligar o governo, o ministro Lewandowski, é uma tentativa da oposição. O governo tem sido firme, decidido em fazer a investigação. Seja a fiscalização do Banco Central, seja investigação da Polícia Federal. Então, foram nesses últimos 10 meses que isso aconteceu”, reafirmou.

Em novembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro e outros acusados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF para investigar a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público ligado ao governo do Distrito Federal. De acordo com as investigações, as fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões.

Para Gleisi, a oposição tem mais explicações a dar do que o governo, citando a tentativa de compra do BRB e a suspeita de operações financeiras irregulares da Rioprevidência com o Banco Master. Os governadores do Distrito Federal e do Rio de Janeiro são, respectivamente, Ibaneis Rocha (MDB) e Cláudio Castro (PL), e têm atuação de oposição ao governo Lula.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, na Cidade do Panamá, reforçou a necessidade de integração maior na região, em um contexto de “recrudescimento de tentações hegemônicas” no mundo.
—A América Latina e o Caribe são únicos. Cabe a nós assumir que a integração possível é a que estará calcada na pluralidade de opções. Guiados pelo pragmatismo, podemos superar divergências ideológicas e construir parcerias sólidas e positivas dentro e fora da região. Essa é a única doutrina que nos convém. Seguir divididos nos torna todos mais frágeis.
Segundo o presidente, os últimos anos foram de retrocesso na relação regional, mas disse que não há “possibilidade” de nenhum país sozinho “achar que vai resolver os problemas”.
— Nós já temos 525 anos de história, não são 525 dias, são 525 anos de história. Já fomos colonizados, recolonizados. Já tivemos independentes e continuamos colonizados. Porque muitas vezes a colonização não está na intervenção de outro, está na formação cultural que o nosso povo teve. Temos que mudar de comportam…
Segundo Lula, “vivemos um dos momentos de maior retrocesso em matéria de integração”.
—A breve experiência da UNASUL entre 2003 e 2014 sucumbiu ao peso da intolerância que impediu a convivência de visões diferentes. Voltamos a ser uma região dividida, mais voltada para fora do que para si própria. Permitimos que conflitos e disputas ideológicas alheios se imponham. As ameaças do extremismo político e da manipulação da informação se incorporam ao nosso cotidiano.
No seu discurso, Lula afirmou que “não há nenhuma possibilidade de nenhum país da América Latina sozinho achar que vai resolver os problemas”.
Em uma referência indireta à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente brasileiro afirmou que a “história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem” o hemisfério.
— A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos e retrocessos históricos. Entre tantos corolários e doutrinas que nos foram dedicadas ao longo da história, também houve momentos em que os Estados Unidos souberam ser um parceiro em prol dos nossos interesses de desenvolvimento — afirmou Lula, citando Franklin Roosevelt, que, segundo ele, substituiu a intervenção militar pela diplomacia.
Segundo Lula, é necessário pensar em um regionalismo “possível” para América Latina e para o Caribe, sem exportar modelos que não refletem a realidade local, como é o caso da União Europeia.
— Devemos olhar para a União Europeia como uma referência positiva, mas sem ignorar todas as diferenças históricas, econômicas e culturais. O peso das identidades nacionais torna inviável a curto prazo qualquer projeto de envergadura parecida com o europeu.
Mas, Lula ressaltou que ainda falta às líderes regionais uma convicção de um projeto mais autônomo “de inserção internacional”.
—Por que falamos tanto de terras raras e minerais críticos? Para exportarmos o material bruto, para ser transformado nos outros países, e a gente comprar a peso de ouro. Só tem sentido para enriquecer nos nossos países de construir parcerias para ser empresas nos nossos países, gerar empregos e desenvolvimento, se tivermos coragem de fazermos parcerias para que sejam beneficiados nos nossos países.
Ele citou o potencial energético, as condições climáticas para produção de alimentos e a abundância de recursos minerais, inclusive minerais críticos e terras raras. Mas o presidente destacou que os líderes da região precisam gerir essas questões:
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta quarta-feira o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, de “brincar com fogo” ao se recusar a aplicar as leis federais de imigração. A tensão na cidade vem aumentando após a morte de dois manifestantes, pelas mãos de agentes federais, durante protestos contra as operações antimigratórias.
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“Surpreendentemente, o prefeito Jacob Frey acaba de declarar que ‘Minneapolis não aplica e não aplicará as leis federais de imigração’. Isso depois de eu ter tido uma ótima conversa com ele”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
“Será que alguém de seu círculo íntimo poderia, por favor, explicar a ele que essa declaração é uma violação muito grave da lei e que ele está brincando com fogo?”, acrescentou.
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Na noite de terça-feira, Stephen Miller, um dos principais assessores de Trump, chegou a admitir que os agentes podem ter infringido o “protocolo” antes do incidente no qual o enfermeiro americano Alex Pretti morreu no sábado durante um confronto com a Patrulha de Fronteira (CBP).
A morte do enfermeiro, de 37 anos, ocorre após a de outra cidadã americana, Renee Good, em 7 de janeiro, pelas mãos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) na mesma cidade de 400 mil habitantes.
De acordo com uma revisão preliminar do escritório interno de fiscalização da CBP, enviado ao Congresso e publicado na terça-feira pela imprensa local, Alex Pretti foi baleado por dois agentes federais após resistir à prisão em um protesto em Minneapolis. No entanto, o documento não indica que ele tenha brandido uma arma durante o confronto, segundo um e-mail enviado ao Congresso e analisado pelo The New York Times.
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O relatório também não faz qualquer menção às alegações anteriores do Departamento de Segurança Interna (DHS) de que Pretti, cidadão americano, “queria causar o máximo de dano e massacrar agentes da lei”. Além disso, não menciona se Pretti sacou sua arma, como sugerido pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o que gerou duras críticas.
Vídeos de testemunhas analisados pela AFP e outros veículos de comunicação contradizem o argumento de alguns membros do governo de que o enfermeiro, que tinha permissão para portar arma, representava uma ameaça às forças de ordem.
Linha do tempo
O documento apresenta uma linha do tempo detalhada dos acontecimentos, com base em imagens de câmeras corporais e registros obtidos pelo Escritório de Responsabilidade Profissional do CBP.
Por volta das 9h de sábado, um agente federal foi confrontado por duas civis que apitavam, segundo a revisão. Embora o agente tenha ordenado que elas saíssem da via, elas não obedeceram.
Em seguida, o agente “empurrou as duas”, e uma das mulheres correu até Pretti, segundo o relatório. Após novas tentativas do agente de retirá-las da estrada, sem sucesso, ele utilizou spray de pimenta contra elas.
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Pretti então resistiu às tentativas dos agentes do CBP de colocá-lo sob custódia, o que deu início a uma luta corporal, segundo a revisão. Um agente da Patrulha de Fronteira gritou diversas vezes: “Ele está com uma arma!”.
Cerca de cinco segundos depois, um agente da Patrulha de Fronteira disparou sua Glock 19, e um agente do CBP também disparou sua Glock 47 contra Pretti, segundo o relatório.
Uma análise do The New York Times de vídeos do local constatou que os agentes efetuaram 10 disparos, incluindo seis depois que Pretti já estava imóvel no chão. Pretti havia sido desarmado antes de ser baleado.
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A revisão do governo afirmou que, após o confronto fatal, um agente da Patrulha de Fronteira “informou estar de posse da arma de fogo de Pretti” e que “posteriormente descarregou e guardou a arma de Pretti em seu veículo”.
Instabilidade em Minneapolis continua
Na noite de terça-feira, a congressista democrata Ilhan Omar, nascida na Somália, foi atacada por um homem que avançou contra ela e a atingiu com um líquido desconhecido durante um comício.
Omar, uma figura proeminente da esquerda americana e um dos alvos favoritos dos ataques verbais de Trump, escapou ilesa e continuou seu discurso.
— Precisamos abolir de uma vez por todas (a polícia migratória) — insistiu ela, exigindo a renúncia da secretária Noem.
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A esquerda americana se opõe à ampla mobilização de agentes federais em Minneapolis, que foram enviados para prender um grande número de imigrantes em situação irregular, a fim de cumprir a promessa de Trump de multiplicar as deportações.
“Assassino em potencial”
Diante das críticas, Trump pediu na terça-feira uma “desescalada” da situação em Minneapolis e descreveu a morte de Pretti como “muito triste”, embora tenha descartado a demissão de Kristi Noem.
— Vamos desescalar um pouco — disse o presidente à Fox News após enviar seu czar da imigração, Tom Homan, à cidade, onde se reuniu com o prefeito, o democrata Jacob Frey.
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Seu influente e polêmico assessor Stephen Miller, que já havia admitido anteriormente a possibilidade de falhas de protocolo, também suavizou a narrativa oficial em sua declaração na terça-feira.
— Estamos analisando os motivos pelos quais a equipe da CBP pode não ter seguido o protocolo — disse ele, depois de ter chegado a descrever Pretti no fim de semana com um “assassino em potencial”.
A Casa Branca pareceu recuar, esclarecendo que o funcionário se referiu às “diretrizes gerais” para agentes de imigração que atuam no estado, e não especificamente à morte de Pretti.
“Ponto de partida produtivo”
Agora é Tom Homan, enviado de Trump, quem está no comando da operação antimigratória e se reuniu com autoridades democratas locais.
“Embora não concordemos em tudo, essas reuniões são um ponto de partida produtivo”, disse no X o novo funcionário, que substituiu o chefe da polícia fronteiriça Greg Bovino.
— Bovino é muito bom, mas é um cara bem excêntrico — reconheceu o próprio Trump na Fox News.
— Em alguns casos, isso é bom. Talvez não fosse o caso aqui — afirmou, antes de alegar, sem provas, que os protestos em Minnesota foram infiltrados por “insurgentes pagos”.
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Em Minnesota, uma juíza prometeu uma decisão rápida na segunda-feira sobre o pedido do procurador-geral do estado para suspender a operação contra imigrantes em situação irregular.
A Justiça também bloqueou a deportação de Liam Conejo Ramos, de 5 anos, e de seu pai, de origem equatoriana, que foram detidos na semana passada. Uma foto de um menino assustado usando um chapéu azul com orelhas de coelho viralizou.
O Ministério das Relações Exteriores do Equador enviou uma nota de protesto aos Estados Unidos após denunciar uma tentativa de invasão de agentes de imigração à sua sede consular em Minneapolis. O governo do presidente Daniel Noboa, aliado de Trump, exigiu que “atos dessa natureza não se repitam”.
(Com AFP e The New York Times)
O Brasil declarou o açaí um dos frutos nacionais, com o objetivo de reafirmar sua propriedade sobre esse “superalimento” e frear as empresas estrangeiras que buscam se apropriar das riquezas biológicas da Amazônia. Os habitantes da maior floresta tropical do mundo usam há séculos a polpa espessa do açaí para acompanhar seus pratos diários de peixe.
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O fruto de cor roxa ganhou popularidade no mundo no começo dos anos 2000, após ser reinventado como sobremesa gelada — muitas vezes coberto com granola, banana e outras frutas — e promovido por ser rico em antioxidantes. Os ingredientes ativos do açaí atraíram o interesse de empresas de alimentos e cosméticos de todo o mundo.
Em 2003, uma companhia japonesa registrou o nome “açaí”, e o Brasil levou quatro anos para cancelar essa patente. Casos como esse foram debatidos no Congresso Nacional durante a tramitação da lei que declarou o açaí um fruto nacional, apresentada pela primeira vez em 2011 e sancionada no começo do mês.
O Ministério da Agricultura disse à AFP que a medida ajuda a destacar o açaí como um “produto genuinamente brasileiro” que gera renda para milhares de famílias amazônicas. Mas especialistas apontam que a lei é em grande parte “simbólica” e apenas evidencia o desafio representado pelo interesse internacional crescente em uma ampla gama de frutas endêmicas da Amazônia.
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O Brasil é um dos países que se preocupam com a biopirataria, o uso de recursos genéticos por terceiros sem a permissão das comunidades que os descobriram e a repartição de benefícios. A lei “ajuda a priorizar o tema na agenda pública”, disse Bruno Kato, fundador da Horta da Terra, empresa que desenvolve e comercializa ingredientes amazônicos.
Grande risco
A lei “tem, sobretudo, um valor simbólico e de afirmação cultural”, disse à AFP Sheila de Melo, analista de propriedade intelectual da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O Brasil é um dos países com maior biodiversidade, e uma ampla gama de frutos com propriedades únicas corre um grande risco de ser desenvolvida e patenteada no exterior, destacou Sheila.
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A analista citou o caso emblemático do cupuaçu, uma fruta amazônica cremosa usada em sobremesas e cosméticos. No fim dos anos 1990, ele foi registrado como marca por uma empresa japonesa, que exigia o pagamento de US$ 10.000 (cerca de R$ 52 mil na cotação atual) de qualquer produto que mencionasse “cupuaçu” em seu rótulo. Duas décadas foram necessárias para reverter a marca. Outras empresas já registraram patentes no exterior de alimentos e cosméticos desenvolvidos a partir dos ingredientes ativos do açaí, alertou Sheila.
‘Regras claras’
Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade da Natura, gigante brasileira dos cosméticos conhecida por usar ingredientes amazônicos em seus produtos, disse à AFP que a lei destacou a necessidade de “regras claras que garantam a repartição justa de benefícios ao longo da cadeia”. O Brasil é signatário do Protocolo de Nagoia, um tratado internacional de 2014 sobre a repartição dos benefícios derivados do uso dos recursos genéticos.
O acordo enfrenta uma grande questão: atualmente, os dados genéticos podem ser baixados pela internet e usados no desenvolvimento de medicamentos ou cosméticos sem a necessidade de coleta física de plantas ou sementes.
Segundo Sheila de Melo, o principal desafio para o Brasil é que matérias-primas como a polpa de açaí são exportadas com frequência para países que, posteriormente, realizam a pesquisa necessária para a criação de produtos derivados de qualidade. O Brasil deveria se concentrar em investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico na Amazônia, para gerar riqueza localmente, destacou a analista.
O vulcão Shiveluch, um dos mais ativos da Rússia, expeliu nesta terça-feira uma densa coluna de cinzas que alcançou cerca de 7.100 metros de altitude, segundo o Serviço Geofísico Unificado da Academia Russa de Ciências. O fenômeno ocorreu na península de Kamchatka, no extremo leste do país.
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Imagens captadas a partir da localidade de Klyuchi mostram a pluma de cinzas se elevando vários quilômetros acima do nível do mar, formando uma nuvem visível a longa distância. De acordo com os cientistas, o Shiveluch está entre os maiores e mais ativos vulcões da região, considerada uma das zonas vulcânicas mais intensas do planeta.
Veja vídeo:
Vulcão russo Shiveluch lança cinzas a vários quilômetros de altura
A erupção foi registrada por instrumentos de monitoramento geofísico e por câmeras instaladas nas proximidades do vulcão. Até o momento, não há informações sobre vítimas ou impactos diretos em áreas habitadas, mas autoridades mantêm alertas devido ao risco que as cinzas representam para a aviação e para comunidades próximas.
A península de Kamchatka abriga dezenas de vulcões ativos e concentra uma parte significativa da atividade vulcânica global, sendo monitorada constantemente por cientistas russos.
O homem que borrifou uma substância desconhecida contra a deputada democrata Ilhan Omar durante uma reunião pública em Minneapolis foi preso, e autoridades locais e federais iniciaram as investigações sobre o caso. O ataque, feito na noite de terça-feira, ocorreu em meio à escalada de tensões na cidade em torno da repressão federal à imigração, intensificada depois que agentes mataram a tiros, neste mês, dois cidadãos americanos que protestavam contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
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O agressor foi imobilizado por seguranças e derrubado no chão logo após o ataque. A plateia aplaudiu enquanto ele era contido, com os braços presos para trás. Em vídeos que circulam do momento, é possível alguém na multidão dizer: “Meu Deus, ele borrifou alguma coisa nela”. Ainda não se sabe qual substância foi usada. Cientistas forenses da cidade foram acionados para analisar o local, de acordo com um relatório policial.
Pouco antes do ataque, Omar havia defendido a extinção do ICE e pedido a renúncia — ou o impeachment — da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem. Após as mortes de Alex Pretti e Renee Good por agentes do órgão em Minneapolis, crescem no Capitólio os apelos para que Noem deixe o cargo. Ela foi rápida em defender os oficiais envolvidos nos casos, mesmo antes de investigações formais sobre o caso serem iniciadas. Diante da repercussão, poucos republicanos a apoiaram.
— Os habitantes de Minnesota estão aparecendo uns pelos outros de maneiras que as pessoas não esperavam. Estamos mostrando ao país e ao mundo o que é verdadeira solidariedade. E deveríamos estar orgulhosos — disse Omar, direcionando sua crítica ao órgão federal de imigração segundos antes de ser atingida: — O ICE não pode ser reformado.
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O homem acusado de atacar Omar foi identificado como Anthony J. Kazmierczak, de 55 anos. Ele foi acusado de agressão em terceiro grau e encaminhado à Cadeia do Condado de Hennepin. Registros judiciais de Minnesota não indicavam, até o momento, informações sobre denúncia formal ou se há um advogado de defesa para Kazmierczak. Ele tem histórico de compartilhar postagens políticas nas redes sociais e, em 2021, publicou uma charge criticando a posição de Omar sobre gastos com segurança em meio a apelos pelo corte de verbas da polícia.
A Polícia do Capitólio dos EUA afirmou, em nota, que o incidente foi “uma decisão inaceitável que será enfrentada com justiça rápida” e disse estar trabalhando “para garantir que esse homem enfrente as acusações mais graves possíveis”. Segundo jornalistas da Associated Press que presenciou o ocorrido, havia um cheiro forte, semelhante a vinagre, após o agressor pressionar uma seringa com o líquido. Fotos do dispositivo mostram o que parecia ser um líquido marrom-claro em seu interior.
Reação bipartidária
Omar ignorou os apelos de assessores para encerrar mais cedo a reunião e buscar atendimento médico após o ataque, e continuou a discursar por cerca de 25 minutos. Ela, que não ficou ferida, disse que já “sobreviveu à guerra” e que “definitivamente vai sobreviver à intimidação”. Aos 43 anos, a democrata deixou a Somália ainda criança, quando uma guerra civil devastou o país. Ela tornou-se cidadã americana em 2000.
Na noite de terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou perguntas da ABC News sobre se havia visto o vídeo do ataque a Omar, dizendo não ter interesse em assistir às imagens. Trump disse achar que a deputada é “uma fraude” e que não pensa nela. Ele ainda afirmou, sem provas, que ela “provavelmente mandou borrifarem nela mesma”. Pressionado novamente sobre o vídeo, o republicano disse:
— Não vi. Espero não ter de me incomodar.
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Autoridades de diferentes espectros políticos, porém, condenaram o ataque. O governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, disse estar grato por Omar estar em segurança e escreveu no X: “Nosso estado foi abalado pela violência política no último ano. A retórica cruel, inflamatória e desumanizante de nossos líderes nacionais precisa parar imediatamente”. Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, democrata, classificou o episódio como “inaceitável”, disse estar aliviado por Omar “estar bem” e agradeceu à polícia pela resposta rápida.
Alguns parlamentares republicanos também condenaram a violência política. O deputado Mike Lawler definiu o episódio como “inaceitável”, e o deputado Mark Alford condenou a agressão “nos termos mais fortes possíveis”. A deputada Nancy Mace disse estar “muito abalada” com o ocorrido, acrescentando: “Independentemente de quão veementemente eu discorde de sua retórica — e discordo —, nenhum ocupante de cargo eletivo deveria enfrentar ataques físicos”.
A vereadora de Minneapolis LaTrisha Vetaw afirmou que parte da substância também entrou em contato com ela e com o senador estadual Bobby Joe Champion, classificando o episódio como “profundamente perturbador”. Ninguém entre as cerca de 100 pessoas presentes na reunião pública apresentou reação física perceptível depois do ataque.
Alvo de ataques
Eleita pela primeira vez para o Legislativo estadual em 2016, Omar tornou-se uma das primeiras mulheres muçulmanas eleitas para o Congresso em 2018, ao conquistar uma cadeira na Câmara. Há anos alvo de republicanos, Omar agora é objeto de investigações pelo Departamento de Justiça do governo Trump e pela Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes por suas finanças.
Omar tem sido alvo frequente de ataques políticos e, em alguns momentos, de ataques racistas por parte de republicanos. Também enfrentou críticas de alguns democratas por suas posições sobre Israel — especialmente em 2021, quando pareceu equiparar “atrocidades” cometidas pelos EUA e por Israel às do Hamas e do Talibã, ao defender nas redes sociais “o mesmo nível de responsabilização e justiça para todas as vítimas de crimes contra a humanidade”.
A deputada Ilhan Omar deixa reunião pública após homem avançar ao púlpito e borrifá-la com líquido de cheiro forte, em Minneapolis
Victor J. Blue/The New York Times
Em 2023, a Câmara, então controlada por republicanos, votou pela retirada de Omar da Comissão de Relações Exteriores. Em 2025, uma tentativa de censurá-la e removê-la de duas comissões por comentários sobre o comentarista político conservador e ativista Charlie Kirk, após seu assassinato, fracassou por apenas um voto, depois que quatro republicanos se juntaram a todos os democratas para rejeitar a iniciativa.
As finanças pessoais de Omar passaram a ser alvo de escrutínio depois que sua declaração financeira apresentada no ano passado mostrou que seu marido possui participações em uma empresa de capital de risco e em uma vinícola avaliadas entre US$ 6 milhões e US$ 30 milhões. Em 2024, durante a presidência de Joe Biden, o Departamento de Justiça abriu uma investigação sobre as finanças de Omar, mas a apuração foi paralisada por falta de provas.
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Na segunda-feira Trump disse que o Departamento de Justiça está investigando Omar, afirmando na rede Truth Social que ela “saiu da Somália com NADA e agora, segundo relatos, vale mais de 44 milhões de dólares”. Paralelamente, a Comissão de Supervisão da Câmara iniciou uma investigação sobre as finanças de Omar e de seu marido como parte de uma apuração mais ampla. Republicanos no Capitólio investigam se as finanças do marido de Omar estão ligadas a denúncias de fraude em creches administradas por somalis no estado.
A deputada não abordou diretamente o escrutínio sobre suas finanças na reunião. No X, porém, ela respondeu às declarações do presidente: “Desculpa, Trump, seu apoio está desmoronando e você está em pânico Como sempre, você está desviando a atenção de seus fracassos com mentiras e teorias da conspiração sobre mim. Anos de ‘investigações’ não encontraram nada”, escreveu. “Tire seus capangas de Minnesota.”
Violência política
De acordo com a Polícia do Capitólio dos EUA, as ameaças contra membros do Congresso aumentaram nos últimos anos, atingindo um pico em 2021 após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio. O ataque a Omar ocorreu poucos dias depois da prisão de um homem em Utah acusado de agredir o deputado Maxwell Frost, democrata da Flórida, durante o Festival de Cinema de Sundance, dizendo que Trump iria deportá-lo.
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A Polícia do Capitólio também divulgou dados atualizados: em 2025, foram registrados 14.938 casos de “declarações, comportamentos e comunicações preocupantes direcionados contra parlamentares, suas famílias, assessores e o Complexo do Capitólio”. Em 2024, haviam sido 9.474 ocorrências. É o terceiro ano consecutivo de aumento.
Desde 6 de janeiro de 2021, a Polícia do Capitólio reforçou as medidas de segurança em todas as frentes, e o departamento registrou aumento nas denúncias após a criação, há dois anos, de um novo centro para processar relatos de ameaças. (Com New York Times)
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, vai advertir nesta quarta-feira que os Estados Unidos estão prontos para usar a força e que a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, poderá ser deposta, assim como aconteceu com Nicolás Maduro. As mensagens estão em trechos antecipados de um discurso preparado pelo chefe da diplomacia americana, divulgados pelo Departamento de Estado, que será apresentado diante de uma comissão no Senado, para explicar a operação de 3 de janeiro em Caracas, que levou à captura de Maduro, e os próximos passos do governo de Donald Trump no país sul-americano.
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O trecho do depoimento divulgado previamente pelo Departamento de Estado diz que Delcy, que agora lidera um processo gradual de mudanças em Caracar, “conhece muito bem o destino de Maduro”.
“Acreditamos que seu próprio interesse se alinha com o avanço de nossos objetivos-chave”, diz o texto do secretário. “Não se enganem: como afirmou o presidente [Trump], estamos preparados para usar a força para assegurar a máxima cooperação se outros métodos fracassarem”.
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Ex-senador republicano, Rubio aceitou testemunhar perante seus antigos colegas após semanas nas quais os democratas acusaram o governo Trump de enganar os legisladores e exceder sua autoridade ao usar a força — militares americanos entraram na capital venezuelana em 3 de janeiro e capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O casal foi levado para Nova York para ser julgado por acusações de tráfico de drogas apresentadas nos EUA, crimes que negam ter cometido.
Em seu depoimento preparado, Rubio defende energicamente a operação, ao afirmar que os EUA “prenderam dois narcotraficantes”. Ele chama Maduro de “narcotraficante indiciado, não um chefe de Estado legítimo”.
“Não estamos em guerra contra a Venezuela”, diz o texto que será lido por Rubio. “Tudo isso foi conseguido sem a perda de uma única vida americana, nem uma ocupação militar contínua (…). A história oferece poucos exemplos nos quais se tenha conquistado tanto a um custo tão baixo.
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As autoridades venezuelanas dizem que mais de 100 pessoas morreram, tanto venezuelanos quanto cubanos, que tentaram proteger Maduro, sem sucesso.
Trump exigiu que Delcy trabalhe para beneficiar empresas americanas do setor do petróleo. Horas após a derrubada de Maduro, o presidente afirmou que preferia pressionar a vice de Maduro do que tentar fortalecer a oposição venezuelana, afastando a vencedora do Nobel María Corina Machado, a quem chamou de “mulher muito agradável”, mas que não inspira “respeito”.
Após sua audiência no Congresso, Rubio terá uma reunião com María Corina, segundo informações do Departamento de Estado. Americano de origem cubana e crítico ferrenho dos regimes de esquerda na América Latina, Rubio defendia a oposição liderada por ela enquanto era senador. (Com AFP e Bloomberg)

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