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Já imaginou sair de Londres e tomar um café em Paris menos de meia hora depois? Essa é a promessa de um projeto ferroviário futurista que vem sendo testado no norte da Holanda e que tenta transformar radicalmente a forma como as pessoas viajam pela Europa.
Em Veendam, uma pequena cidade industrial, funciona o Centro Europeu do Hyperloop, um campo de testes dedicado a essa tecnologia. A ideia é simples no conceito e complexa na prática: cápsulas de passageiros viajariam dentro de tubos quase sem ar, suspensas por levitação magnética e alcançando velocidades superiores a 965 km/h. Nesse cenário, trajetos hoje longos poderiam encolher drasticamente, como a rota entre Paris e Amsterdã, que atualmente leva mais de três horas de trem.
Segundo Kees Mark, diretor do centro de testes, a tecnologia pode mudar a própria percepção de distância. Em entrevista ao The Telegraph, ele afirmou que a possibilidade de estar em outra capital europeia em menos de uma hora representa “uma mudança enorme de mentalidade”.
Um desafio técnico que pode mudar o transporte
A ideia do hyperloop ganhou notoriedade em 2013, quando o empresário Elon Musk publicou um documento defendendo o conceito. Desde então, empresas e universidades passaram a desenvolver protótipos. Parte desses esforços ocorreu nos Estados Unidos, onde a Virgin Hyperloop chegou a realizar um teste com passageiros, mas encerrou as atividades em 2023 após o aumento dos custos.
Na Europa, porém, os testes continuaram. O centro inaugurado em 2024 conta com um tubo de cerca de 400 metros onde cápsulas são suspensas por ímãs, em um sistema semelhante ao de trens de levitação magnética. Uma das vantagens, segundo engenheiros, é a ausência de contato físico com trilhos, o que reduz desgaste mecânico.
Recentemente, os pesquisadores afirmam ter resolvido um dos principais obstáculos técnicos: como fazer as cápsulas mudarem de rota dentro do tubo. Em dezembro, engenheiros realizaram no local uma troca de faixa sem partes móveis, usando apenas o controle dos ímãs para redirecionar o veículo. O teste ocorreu a 88 km/h e foi considerado um passo importante para tornar o sistema viável em redes maiores.
Custos, dúvidas e corrida global
Apesar dos avanços, especialistas afirmam que os desafios ainda são grandes. Manter o vácuo em tubos extensos e evitar vazamentos é uma das dificuldades técnicas. O financiamento também pesa: construir linhas longas o suficiente para provar a segurança do sistema exigiria investimentos bilionários.
Projetos de hyperloop já foram anunciados em países como Emirados Árabes Unidos, Índia e Itália. A China também investe na tecnologia e realizou testes de aceleração rápida com veículos de levitação magnética, além de operar uma pista experimental de quase dois quilômetros.
Outro ponto de debate é a capacidade de transporte. Críticos argumentam que as cápsulas atuais são pequenas — um dos protótipos europeus leva apenas cinco passageiros — o que poderia manter as tarifas elevadas. Defensores da tecnologia respondem que o objetivo é operar centenas de cápsulas autônomas, circulando sob demanda e coordenadas por sistemas digitais dentro dos túneis.
Enquanto engenheiros trabalham para transformar a ideia em realidade, o contraste ainda é evidente. Do lado de fora do centro de testes na Holanda, trens convencionais continuam passando pelos trilhos ao lado do túnel experimental — lembrando que, por enquanto, o futuro das viagens ultrarrápidas ainda está em fase de teste.
Investigadores do Sri Lanka prenderam nesta quarta-feira o ex-chefe da Inteligência do país, acusado pelos atentados do Domingo de Páscoa de 2019, que mataram 279 pessoas, informou a polícia.
O major-general reformado Suresh Sallay foi capturado ao amanhecer em um subúrbio da capital, acrescentou a polícia.
– Ele foi preso por conspiração e cumplicidade nos atentados do Domingo de Páscoa – disse um investigador.
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Sallay, que foi promovido a chefe do Serviço de Inteligência do Estado (SIS) em 2019, após Gotabaya Rajapaksa se tornar presidente, foi acusado de participar dos atentados suicidas coordenados, o que ele nega.
A emissora britânica Channel 4 noticiou em 2023 que Sallay tinha ligações com terroristas islâmicos e havia se encontrado com eles antes dos ataques.
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Um denunciante contou à emissora que permitiu que os ataques acontecessem para influenciar as eleições presidenciais daquele ano a favor de Rajapaksa.
Dois dias após os ataques, Rajapaksa anunciou sua candidatura e venceu as eleições de novembro com uma vitória esmagadora, após prometer erradicar o extremismo islâmico.
Rajapaksa deixou o poder depois que uma revolta social em 2022 o forçou a fugir do país.
Após os ataques contra três igrejas e três hotéis, as autoridades culparam um grupo jihadista local, e Sallay também foi acusado de orquestrá-los.
Mais de 500 pessoas ficaram feridas nos ataques, que também mataram 45 estrangeiros e prejudicaram gravemente a lucrativa indústria do turismo do país.
O chanceler alemão Friedrich Merz desembarcou nesta quarta-feira na China para sua primeira visita ao principal parceiro comercial e rival tecnológico de seu país, em um momento em que a maior economia da Europa enfrenta desafios.
Berlim e Pequim buscam fortalecer seus laços econômicos de décadas em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, gerou preocupações globais com sua ofensiva tarifária e outras medidas diplomáticas.
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A viagem de Merz segue as recentes visitas dos líderes da França, do Reino Unido e do Canadá, que também buscaram reequilibrar suas relações econômicas com a China. A chegada de Trump está prevista para 31 de março.
Ao mesmo tempo, espera-se que o chanceler alemão enfatize os interesses de seu país e de outras nações europeias em suas conversas na quarta-feira com o presidente Xi Jinping, instando-o a pressionar a Rússia, aliada de Pequim, a encerrar a guerra na Ucrânia.
A China, a segunda maior economia do mundo, ultrapassou os Estados Unidos no ano passado como o maior parceiro comercial da Alemanha, embora Berlim também veja o país governado pelo Partido Comunista como um rival sistêmico do Ocidente.
Analistas observaram que Merz viajou para a Índia, a maior democracia do mundo, apenas algumas semanas antes de ir para a China.
Merz afirmou na sexta-feira que iria a Pequim, acompanhado por uma grande delegação empresarial, em parte porque a Alemanha, dependente das exportações, precisa de “relações econômicas em todo o mundo”.
“Mas não devemos nos iludir”, acrescentou, salientando que a China, como rival dos Estados Unidos, está agora “reivindicando o direito de definir uma nova ordem multilateral em seus próprios termos”.
De maneira mais geral, as empresas europeias reclamam que a China, com sua fraca demanda interna, está inundando a Europa com produtos baratos graças a subsídios estatais e a uma moeda subvalorizada.
O déficit comercial da Alemanha com a China atingiu o recorde de 89 bilhões de euros (US$ 105 bilhões) no ano passado.
Um caça F-16 turco caiu logo após a decolagem na madrugada desta quarta-feira, matando o piloto, informou a mídia estatal, citando o Ministério da Defesa. Internautas compartilharam vídeo que supostamente mostra o momento da queda.
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A aeronave, que decolou da cidade de Balikesir à 00h56 (horário local), perdeu contato via rádio e dados de rastreamento logo após a decolagem, disse a agência governamental à agência oficial Anadolu.
Os destroços foram localizados após uma operação de busca e resgate.
“Nosso piloto faleceu. A causa do acidente será determinada após uma investigação”, disse o ministério, expressando condolências à família do piloto.
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Em novembro, a Turquia suspendeu os voos de seus aviões de carga C-130 depois que um deles caiu na vizinha Geórgia, quando retornava do Azerbaijão, matando todas as 20 pessoas a bordo.
Outros F-16, fabricados pela empresa americana Lockheed Martin, caíram nos últimos meses.
Em janeiro, um F-16 taiwanês caiu no mar durante uma missão de rotina. Seu piloto, que se ejetou no mar, foi dado como desaparecido.
Na Polônia, um F-16 caiu em agosto enquanto ensaiava para uma demonstração aérea. Seu piloto também morreu.
O presidente dos EUA, Donald Trump, garantiu nessa terça-feira (24) que o Irã busca desenvolver mísseis que poderiam alcançar os Estados Unidos, uma tecnologia de armamento de longo alcance que apenas um número limitado de países possui. A acusação surge como justificativa para a nova ação militar no Oriente Médio. Há 23 anos, o então presidente George W. Bush usou a mesma estratégia, quando acusou o Iraque de possuir armas de destruição em massa, resultando na derrubada do regime do ditador Saddam Hussein. As armas, no entanto, nunca foram apresentadas.
Mas Trump insiste: – Os iranianos já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que, em breve, alcançarão os Estados Unidos – declarou Trump em seu discurso sobre o Estado da União.
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Em 2025, a Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos indicou que o Irã poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental viável do ponto de vista militar até 2035, “se Teerã decidisse buscar essa capacidade”, mas não indicou se o país asiático havia tomado tal decisão.
Washington e Teerã concluíram duas rodadas de negociações destinadas a alcançar um acordo sobre o programa nuclear iraniano que substitua o pacto firmado em 2015, que Trump rompeu durante o seu primeiro mandato no cargo.
Durante o seu discurso à nação, Trump também disse que queria resolver a disputa com o Irã “através da diplomacia”, mas advertiu que jamais permitirá que Teerã desenvolva armas nucleares.
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– Estamos em negociação com eles, querem chegar a um acordo, mas ainda não ouvimos estas palavras secretas: “Nunca teremos uma arma nuclear” – disse Trump no discurso.
Os Estados Unidos têm reiteradamente instado o Irã a manter o enriquecimento de urânio em zero, mas também têm buscado discutir seu programa de mísseis balísticos e seu apoio a grupos armados no Oriente Médio.

A Câmara dos Deputados concluiu a votação do projeto de lei antifacção, que aumenta as penas pela participação em organização criminosa ou milícia e prevê apreensão de bens do investigado em certas circunstâncias.

O texto aprovado em plenário nesta terça-feira (24) é fruto de acordo com o governo. 

Após a votação, foi mantida a maior parte da versão elaborada pela Câmara no ano passado e rejeitada a maioria das mudanças feitas pelo Senado.

A proposta será enviada à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que remeteu o projeto para o Congresso em outubro do ano passado.

O relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), apresentou o substitutivo ao Projeto de Lei 5582/25, do Poder Executivo. Esse texto, que segue para sanção, tipifica várias condutas comuns de organizações criminosas ou milícias privadas e atribui a elas pena de reclusão de 20 a 40 anos em um crime categorizado como domínio social estruturado.

O favorecimento a esse domínio será punido com reclusão de 12 a 20 anos.

Restrições

Chamado pelo relator de Lei Raul Jungmann, em homenagem ao ex-ministro da Justiça recém-falecido, o projeto impõe várias restrições ao condenado por qualquer desses dois crimes (domínio ou favorecimento), como proibição de ser beneficiado por anistia, graça ou indulto, fiança ou liberdade condicional.

Dependentes do segurado não contarão com auxílio-reclusão se ele estiver preso provisoriamente ou cumprindo pena privativa de liberdade, em regime fechado ou semiaberto, em razão de ter cometido qualquer crime previsto no projeto.

As pessoas condenadas por esses crimes ou mantidas sob custódia até o julgamento deverão ficar obrigatoriamente em presídio federal de segurança máxima se houver indícios concretos de que exercem liderança, chefia ou façam parte de núcleo de comando de organização criminosa, paramilitar ou milícia privada.

Já aquele que apenas praticar atos preparatórios para ajudar a realizar as condutas listadas poderá ter a pena reduzida de 1/3 à metade.

O texto considera facção criminosa toda organização criminosa ou mesmo três ou mais pessoas que empregam violência, grave ameaça ou coação para controlar territórios, intimidar populações ou autoridades.

O enquadramento vale ainda quando atacarem serviços, infraestrutura ou equipamentos essenciais e também se praticarem os atos destinados à execução dos crimes tipificados no projeto.

Taxação excluída

O relator do projeto, Guilherme Derrite, defendeu alguns pontos enviados pelos senadores, como a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre bets para financiar o combate ao crime organizado. Esse novo tributo, no entanto, foi retirado do texto por meio de um destaque do PP e deverá tramitar em outro projeto.

O relator havia incluído no texto a taxação em 15% das apostas de quota fixa (bets). A Cide-Bets seria cobrada até a entrada em vigor do Imposto Seletivo previsto na reforma tributária para 2027, e o dinheiro financiaria também a construção e a modernização de presídios.

O destaque do PP retirou ainda normas de regularização de impostos devidos e não pagos por empresas de bets nos últimos cinco anos a partir de autodeclaração enviada à Receita e medidas adicionais de fiscalização dessas empresas pelo setor financeiro.

Poderão ser aplicadas, no que couber, regras específicas de apuração, investigação e obtenção de prova previstas para crimes de organização criminosa em relação aos crimes listados no projeto.

Foi retirada do texto mudança em atribuição da Polícia Federal, um dos pontos considerados polêmicos da proposta. A PF também continua responsável, com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, pela cooperação internacional nas esferas policial ou de inteligência quando os crimes tiverem envolvimento com organizações estrangeiras.

Acordos, tratados, convenções e princípios de reciprocidade internacionais serão observados para fins de investigação, extradição e recuperação de ativos, por exemplo.

Com informações da Agência Câmara

A escalada de tensões com o Irã está causando incômodos no presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Após o principal negociador de assuntos internacionais de Trump, Steve Witkoff, deixar escapar em uma entrevista no fim de semana que o republicano estava “curioso” com a resistência do regime iraniano em ceder a suas exigências, apesar do cerco militar posicionado por Washington nos entornos do país, fontes ouvidas em anonimato pela CBS News nesta terça-feira disseram que o presidente está “frustrado” com as limitações encontradas por sua abordagem de pressão militar — um sinal de que os cálculos estratégicos da Casa Branca não estão alcançando os resultados esperados.
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A estratégia de Trump para forçar o Irã a assinar um novo acordo nuclear é comparável àquela adotada na Venezuela. O presidente americano enviou um poderio naval e aéreo para o Oriente Médio somente superado pelo contingente deslocado na guerra do Iraque, em 2003, prometendo consequências duras ao regime dos aiatolás em caso de desacordo. Em Caracas, a pressão por si só não foi suficiente para atingir o objetivo específico — o livre acesso às reservas de petróleo do país, como admitido por Trump —, fazendo-se necessária a “ação cinética” de 3 de janeiro, que o governo americano caracterizou como uma operação policial, a fim de evitar problemas com o Congresso, único autorizado a declarar guerra a uma nação estrangeira.
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A frustração de Trump indica que ele esperava desfecho diferente ao usar da mesma tática contra o Irã. É possível que o republicano esperasse que o exemplo da queda de Maduro fosse suficiente para forçar o rival a ceder. O alvo neste caso era o Irã, mas a expectativa de que o efeito dissuasor fosse amplo chegou a ser exposto pela Casa Branca.
Em breve participação na entrevista coletiva oficial convocada pela Casa Branca após a captura do líder chavista, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ofereceu um vislumbre do raciocínio que levou à operação contra o território venezuelano. Ele disse que Maduro poderia estar “vivendo a vida” em outro lugar, afirmando que o destino de Maduro foi selado por tentar “bancar o valentão”. Também advertiu que o caso guardava uma mensagem ao resto do mundo: “Não brinquem com este presidente [Trump] enquanto ele estiver no cargo, porque não vai acabar bem.”
Se as palavras de Rubio foram verdadeiras e a intenção de Washington era realmente de criar o que poderia ser chamado de “efeito de dissuasão erga omnes” — com repercussão geral, para além das partes envolvidas, naquele caso EUA e Venezuela —, o Irã parece demonstrar que a tentativa falhou. Aliados europeus já haviam mostrado isso anteriormente, durante a mobilização sobre a Groenlândia — embora ninguém imaginasse um confronto militar entre americanos e europeus no Ártico, apesar das ameaças do presidente dos EUA.
Uma marcha em Teerã neste mês marcou o aniversário da revolução islâmica. O Irã enfrenta uma crise econômica e um grande aumento da presença militar dos EUA no Golfo Pérsico
Arash Khamooshi / New York Times
Analistas apontam que o regime teocrático vê risco existencial maior em ceder à pressão americana, por abalar as bases ideológicas e de defesa da soberania em que fincaram sua fundação, do que em um enfrentamento militar direto. A realidade específica da nação persa é o que parece ter sido ignorado por Trump — e provocado, em última instância, sua frustração, se bem descrita pelos interlocutores americanos.
Agora, Trump está diante de uma encruzilhada. Na quinta-feira, uma nova rodada de negociação indireta com o Irã será realizada, com Witkoff e o genro do presidente, Jared Kushner, à frente da delegação americana. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, sugeriu que os termos do novo acordo nuclear poderiam ser apresentados durante a reunião. Fontes americanas ouvidas pelo jornal The Guardian afirmam que os negociadores americanos teriam a incumbência de avaliar, após a reunião, se Teerã está realmente disposto a negociar o fim de seu programa nuclear ou se as negociações são somente protelatórias.
Essa análise, disseram as fontes, seria decisiva para Trump autorizar ou não um ataque contra o país do Golfo Pérsico — algo que já foi desaconselhado por aliados na região e mesmo por militares dos EUA, que fizeram ressalvas sobre possíveis baixas americanas e da ação se converter em uma guerra prolongada.
Trump sempre se disse avesso a iniciar guerras, e analistas políticos afirmam que o republicano quer evitar a todo custo ter associado ao seu mandato cenas como as vistas durante as guerras no Oriente Médio no começo do século, com caixões de soldados americanos voltando para casa. O erro de cálculo sobre a abordagem da força pode acabar forçando o presidente a lançar um ataque de fato — desta vez, ao contrário da Venezuela, sem um prêmio à vista para oferecer (como a prisão de Maduro), e sem um desfecho previsível para nenhuma das partes.
No segundo discurso ao Congresso dos EUA em seu atual mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “os Estados Unidos estão de volta”, repetindo um jargão de campanha e de governo: “essa é a Era de Ouro”. Ao contrário do ano passado, quando discursou ainda em meio à euforia da vitória nas urnas e a um tratoraço de ordens executivas, Trump voltou ao Capitólio com a popularidade abaixo dos 40%, fissuras na base de apoio e uma derrota do tarifaço na Suprema Corte ainda não digerida. Por isso, a fala era considerada uma tábua de salvação para os governistas, que correm o risco de perderem o controle do Congresso nas eleições de novembro
— Esta noite, após apenas um ano, posso dizer com dignidade e orgulho que alcançamos uma transformação como nunca se viu antes, uma reviravolta histórica. Nunca mais voltaremos ao ponto em que estávamos há pouco tempo — disse o presidente, sob aplausos da metade republicana do plenário e eventuais gritos de “USA”, sigla para Estados Unidos em inglês.
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No plenário, chamou a atenção a presença da equipe masculina de hóquei no gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão-Cortina. A equipe feminina, que também conquistou o ouro, foi convidada, mas alegou “problemas de agenda”. Trump disse que elas “em breve estarão na Casa Branca”.
Em tom de prestação de contas, Trump mirou em aspectos positivos de seu governo. A começar pela economia. Antes do discurso, sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “tirou nosso país da beira do desastre e, com razão, declarará que o estado da nossa união é forte, próspero e respeitado”. Em entrevistas recentes, Trump diz que as finanças dos EUA “jamais estiveram tão fortes”, e usa o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York como troféu: no começo do mês, o patamar de 50 mil pontos foi superado pela primeira vez.
— Quando falei pela última vez nesta Casa, há 12 meses, tinha acabado de herdar uma nação em crise, com uma economia estagnada — afirmou, ignorando que o crescimento do PIB no último de seu antecessor, Joe Biden, em 2024, havia sido de 2,8%.
Outros indicadores ajudam na narrativa. Em 2025, o PIB avançou 2,5%, o ritmo de geração de vagas em janeiro surpreendeu economistas e a inflação está em 2,4% ao ano — mesmo assim, especialistas dizem que o Federal Reserve, o Banco Central americano, não deve atender aos desejos presidenciais de um corte na taxa básica de juros, hoje entre 3,5% e 3,75%, na reunião do mês que vem. No discurso, ele voltou a cobrar o corte para acelerar o crescimento, e disse que os preços estão “despencando”.
O tom oficial positivo contrasta com a percepção dos americanos sobre o estado de seus bolsos. Uma pesquisa realizada pelo jornal Washington Post, pela rede ABC News e pelo instituto Ipsos mostra que 57% desaprovam a maneira como Trump conduz a economia, e 65% não concordam com suas políticas de controle da inflação.
Outra sondagem, das redes públicas NPR e PBS, ao lado da Universidade Marist, aponta que 60% dos entrevistados (incluindo quase 70% dos eleitores independentes) acreditam que o país está pior do que há um ano. No discurso, citou medidas para reduzir os preços, como o corte de preços de medicamentos, o incentivo ao uso de carros movidos a combustíveis fósseis e à exploração de petróleo (para baratear a gasolina), se dirigindo a esse trabalhador insatisfeito com seu governo.
— Juntos, estamos construindo uma nação onde toda criança tenha a chance de almejar mais e ir mais longe, onde o governo responde ao povo, não aos poderosos, e onde os interesses dos cidadãos americanos trabalhadores sejam sempre nossa primeira e principal preocupação — declarou. — Esta é a Era de Ouro da América.
Para o republicano, mais do que prestar contas à nação, o discurso desta terça-feira passou a ser visto como uma tábua de salvação para interromper a sequência negativa antes das eleições de novembro. Na média das pesquisas, a desaprovação do governo está em 56%. Projeções para as eleições de novembro mostram que a oposição democrata é favorita para conquistar a Câmara, e muitos parlamentares do partido boicotaram o discurso.
Aprovação do presidente dos EUA, Donald Trump
Editoria de Arte
O pessimismo é palpável em outra bandeira de campanha: a imigração. A violência das operações da agência anti-imigração de Trump, o ICE, em cidades como Minneapolis acirraram as críticas à Casa Branca e fizeram seus índices despencarem. Uma pesquisa da agência Reuters e do instituto Ipsos, da semana passada, mostrou que 38% dos americanos aprovam a política migratória de Trump — no ano passado, quando o presidente falou ao Congresso, o índice era de 50%. Os números são similares aos do Washington Post e da ABC News, com 57% de desaprovação.
Na fala, Trump tentou mudar o foco da violência dos agentes do ICE, que deixou dois cidadãos americanos mortos e levou milhares de estrangeiros em situação regular à prisão, para a fronteira com o México. Em janeiro, ocorreram 6,1 mil travessias irregulares, o menor número desde julho do ano passado. Em dezembro de 2023, no ápice da crise migratória, foram mais de 243 mil travessias. Números explorados à exaustão diante dos congressistas, convidados e das câmeras, carregando consigo o habitual exagero.
Ao Congresso, Trump declarou que “nos últimos 9 meses, nenhum imigrante ilegal foi admitido nos Estados Unidos.”, algo que os próprios números do Departamento de Segurança Interna desmentem. Ele defendeu a retomada do financiamento ao Departamento de Segurança Interna, em meio a um duelo entre governistas e a oposição no Congresso ligado ao debate eleitoral sobre a imigração.
— Enquanto falamos, os democratas nesta Casa cortaram todo o financiamento do Departamento de Segurança Interna — afirmou. —Eles fecharam a agência responsável por proteger os americanos de terroristas e assassinos. Esta noite, exijo a restauração total e imediata de todo o financiamento para a Segurança de Fronteiras e a Segurança Interna dos Estados Unidos.
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Mas o presidente que se apresenta diante do mesmo Congresso invadido por seus apoiadores há cinco anos — mais de 1,5 mil deles foram perdoados pelo republicano mesmo após condenações judiciais — é um líder que comprovou que seus poderes não são infinitos.
Na semana passada, a Suprema Corte, de maioria conservadora, derrubou o principal pilar do tarifaço global, anunciado no ano passado e que causou uma tempestade na economia do planeta. Para os magistrados, o presidente excedeu sua autoridade legal ao anunciar as taxas, sob alegação de que os EUA estavam sendo prejudicados no comércio internacional. Trump disse que a decisão era “errada, mas poupou de ataques os magistrados que votaram contra a tarifa — três deles estavam no plenário.
Durante o primeiro ano de governo, Trump usou as tarifas para obter vantagens estratégicas, como ferramenta diplomática (a pressão por acordos de fato levou governos à mesa de negociações) e como arma de pressão política. Em julho passado, a Casa Branca anunciou tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, citando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Após longas negociações e dois encontros entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, algumas alíquotas foram reduzidas, e os dois líderes devem se reunir novamente em março, em Washington.
Trump criticou os juízes — que lhe garantiram vitórias importantes em seu primeiro ano de mandato — e anunciou uma nova tarifa global, de 15%, embora a alíquota atualmente em vigor seja de 10%. Apesar do presidente defender as tarifas como uma ferramenta para ajudar a economia americana, o déficit comercial dos EUA deu um salto, chegando a US$ 70,3 bilhões em dezembro passado. As importações aumentaram 3,8%, enquanto as exportações caíram 2,9%. Segundo a pesquisa do Washington Post e da ABC News, 64% dos entrevistados desaprovam sua política tarifária.
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Mas um dos principais temas da eleição de novembro será ocultado na fala de Trump. A divulgação de milhões de documentos do processo do financista Jeffrey Epstein, acusado de liderar uma rede de abuso de menores e tráfico humano, mostrou as ligações do milionário com a elite política e econômica dos EUA e Europa, com numerosas menções a Trump.
Por anos, o republicano surfou nas teorias da conspiração envolvendo uma suposta lista de clientes de Epstein, e prometeu divulgá-la caso fosse eleito em 2024. A vitória veio, assim como a pressão para que documentos do caso fossem tornados públicos (o que Trump não queria fazer). No ano passado, o governo esteve perto de perder votações importantes por dissidências na base, e foi obrigado a ceder. As revelações ainda não produziram efeitos palpáveis nos EUA — no Reino Unido, o chefe de Gabinete do premier, Keir Starmer, deixou o cargo, e o ex-príncipe Andrew chegou a ser preso —, mas a oposição democrata promete explorar o tema à exaustão.
Análise: Para o Irã, rejeitar as exigências dos EUA para acordo nuclear é um risco que vale a pena correr
Depois de bombardear sete países em 12 meses, e se autodeclarar o “presidente da paz”, Trump chega ao púlpito pressionado por uma decisão uma guerra contra o Irã, cujos objetivos não são claros nem para o governo.
— Como presidente, buscarei a paz onde quer que eu possa, mas jamais hesitarei em confrontar as ameaças à América onde quer que seja necessário —o presidente planeja dizer.
Segundo a imprensa americana, o comando do Pentágono advertiu para os riscos de uma operação de grande porte. Trump posicionou uma grande força, ou armada, como gosta de dizer, no Oriente Médio, e pode lançar um ataque a qualquer momento caso os iranianos não aceitem um acordo em seus termos. A principal exigência pública do presidente a Teerã é o desmantelamento de seu programa nuclear.
Há 23 anos, outro republicano, George W. Bush, usou o discurso sobre o Estado da União para justificar a guerra que lançaria contra o Iraque, em março de 2003. Na época, mais de 70% dos americanos apoiavam a intervenção. Hoje, de acordo com números do YouGov, 49% são contra o uso de força militar no Irã, e apenas 27% a defendem— entre os republicanos, 58% são a favor.
Segundo os trechos antecipados, ele louvará a guinada estratégica americana para a América Latina, inspirada na Doutrina Monroe e que levou à maior mobilização militar na região em décadas, teoricamente focada no combate ao narcotráfico, e a uma operação que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas. Apesar das caras no regime serem praticamente as mesmas, Trump chamou o governo venezuelano de “nosso novo amigo e parceiro”, afirmando que os EUA receberam “mais de 80 milhões de barris de petróleo” do país, sem explicar quando ou como.
— Também estamos restaurando a segurança e a dominância americanas no hemisfério ocidental, agindo para garantir nossos interesses nacionais e defender nosso país da violência, das drogas, do terrorismo e da interferência estrangeira. Durante anos, vastas áreas de território em nossa região, incluindo grandes partes do México, foram controladas por cartéis de drogas assassinos — dirá Trump.
Meses depois de afirmar, repetidamente, que os bombardeios americanos haviam “obliterado” o programa nuclear do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, volta a sinalizar a possibilidade de uma nova ofensiva militar contra o país, agora sob o argumento de que Teerã estaria próximo de obter material para fabricar armas atômicas. Segundo uma análise da CNN, a mudança de ênfase levanta questionamentos sobre o real impacto dos ataques de junho do ano passado e sobre a coerência das justificativas apresentadas por Washington. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Ciclone-bomba e nevascas históricas afetam Nova York e outras cidades do Leste dos Estados Unidos. Recordes de temperaturas negativas congelam Suécia, Finlândia e outros países da Europa. O inverno deste ano no Hemisfério Norte dá a sensação de que o mundo esfria. Engano. Ocorre o contrário. Extremos de frio são parte dos distúrbios causados pelas mudanças do clima deflagradas pelas emissões de gases do efeito estufa associadas à ação humana, ressaltam cientistas. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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