Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Um tiroteio dentro da Old Dominion University, na cidade de Norfolk, no estado americano da Virginia, deixou duas pessoas feridas e terminou com o atirador morto na manhã desta quinta-feira. O incidente ocorreu em um prédio acadêmico do campus e levou a universidade a suspender todas as atividades do dia.
Meses sem comida: Ex-lutador de MMA é condenado por trancar filha de 5 anos em quarto e deixá-la morrer de fome nos EUA
Entenda: Placa de conselho local de Londres ameaça com até cinco anos de prisão e multa quem alimentar pássaros
Segundo autoridades locais, os disparos foram registrados por volta das 10h50 (horário local) dentro do edifício Constant Hall, que abriga cursos ligados à área de negócios da instituição. As duas vítimas feridas foram levadas a um hospital da região, mas o estado de saúde delas não havia sido divulgado até a última atualização.
O autor dos disparos morreu no local. As autoridades ainda não esclareceram se ele foi morto por policiais ou se tirou a própria vida, e tampouco informaram sua identidade ou eventual vínculo com a universidade.
Pouco após os primeiros relatos de tiros, a universidade enviou um alerta de emergência a estudantes e funcionários informando sobre uma “ameaça ativa” no prédio e orientando que seguissem o protocolo de segurança conhecido como “Run, Hide, Fight” — correr, se esconder ou reagir em último caso.
Initial plugin text
Policiais da cidade e equipes de emergência foram mobilizados para o campus, que ficou temporariamente isolado. Testemunhas relataram momentos de pânico enquanto estudantes e funcionários deixavam a área ou se abrigavam dentro de salas.
Após a neutralização do suspeito, a universidade informou que todas as aulas e operações no campus principal estavam canceladas pelo restante do dia. Agentes federais também foram acionados para auxiliar na investigação do caso. As autoridades seguem apurando as circunstâncias do ataque e o que motivou o atirador. Até o momento, não há confirmação de que o crime tenha sido direcionado a alvos específicos.
Uma placa instalada pelo conselho municipal do bairro de Brent, em Londres, provocou indignação entre moradores após ameaçar com até cinco anos de prisão e multa ilimitada quem for flagrado alimentando pássaros na rua.
Leia também: Família ajuda militar dos EUA a pedir a namorada em casamento antes de morrer após missão de resgate
Ex-lutador de MMA é condenado por trancar filha de 5 anos em quarto e deixá-la morrer de fome nos EUA
Placa de conselho local de Londres ameaça com até cinco anos de prisão e multa quem alimentar pássaros; entenda
Reprodução: X
O aviso, identificado com o logotipo do Brent Council e traduzido para diversos idiomas do sul da Ásia, foi colocado na em uma avenida do bairro de Kilburn. A placa também afirma que a recompensa por não alimentar as aves seria a manutenção de “ruas mais limpas”.
O município mantém atualmente uma Ordem de Proteção de Espaços Públicos (PSPO) que proíbe alimentar animais selvagens em parques, áreas abertas e cemitérios. No entanto, a ameaça de cinco anos de prisão chamou atenção por ser uma punição normalmente associada a crimes violentos, como causar lesões corporais graves, delitos com armas de fogo ou tráfico de drogas.
A sinalização gerou críticas de ativistas e moradores. O voluntário de resgate de animais selvagens Michael Britton afirmou ao Local Democracy Service que o aviso era “escandaloso” e “completamente inaceitável e moralmente errado”.
Vídeo: Câmeras flagram momento raro em que raposa invade toca e leva filhote de lobo na Itália
“Eu acredito firmemente que ameaçar com cinco anos de prisão ou uma multa ilimitada é ao mesmo tempo vergonhoso, chocantemente excessivo e claramente ilegal”, disse.
Quase duas semanas após o início da guerra no Oriente Médio, a partir de ataques dos EUA e Israel contra o Irã, não há indícios de que o regime teocrático de Teerã vá cair ou colapsar. A inteligência dos Estados Unidos indica que a liderança iraniana permanece em grande parte intacta e não corre o risco de entrar em colapso em um futuro próximo, segundo três fontes familiarizadas com o assunto revelaram à Reuters. A afirmação contraria as declarações reiteradas do presidente americano, Donald Trump, de que o regime dos aiatolás está “à beira da derrota”, como reforçou na noite de quarta-feira.
Análise: Governo Trump subestimou reação do Irã à guerra e agora corre para conter disparada do petróleo
Entenda: Enquanto bloqueia o tráfego no Estreito de Ormuz, Irã mantém fluxo de petróleo e exporta mais do que antes da guerra
Mesmo com mais de 1.300 mortes registradas no território iraniano — incluindo a do então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei — e mais de 17 mil feridos no país diante dos ataques massivos de Israel e dos EUA, as forças iranianas seguem ameaçando territórios vizinhos na região com sua estratégia de retaliação. Além de Khamenei, os ataques mataram dezenas de altos funcionários e alguns dos comandantes de mais alta patente da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), uma força paramilitar de elite que controla grande parte da economia.
— Eles estão praticamente no fim da linha — disse Trump a jornalistas em Washington no 12º dia de conflito. — Podemos atingir áreas de Teerã e outros lugares que, se fizermos isso, será quase impossível para eles reconstruírem seu país, e não queremos isso.
‘Estratégia do Mosaico’: Saiba como funciona a guerra assimétrica do Irã contra EUA e Israel e seus potenciais erros de cálculo
Ao longo do dia, o Irã havia atacado vários navios no Estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo mundial, e assegurou que está preparado para uma guerra longa que “destruirá” a economia mundial. O fechamento, na prática, do Estreito de Ormuz e os ataques iranianos às monarquias petrolíferas do Golfo dispararam o preço do petróleo, que se aproximou dos 120 dólares nesta semana, antes de recuar.
Navios atacados no Estreito de Ormuz
Editoria de Arte/O Globo
Primeiro pronunciamento: Estreito de Ormuz ‘certamente’ seguirá bloqueado, diz novo líder supremo do Irã
Os Estados Unidos e Israel “devem considerar a possibilidade de se envolverem em uma guerra de desgaste de longo prazo que destruirá toda a economia americana e a economia mundial, e que fará com que todas as suas capacidades militares sejam corroídas a ponto de serem destruídas”, declarou Ali Fadavi, assessor do comandante-em-chefe do exército ideológico do Irã, à televisão estatal.
À Reuters, fontes afirmaram que há uma “multidão” de relatórios de inteligência fornecendo “análises consistentes de que o regime não está em perigo” de colapso e “mantém o controle do público iraniano”. Os documentos produzidos pela inteligência americana destacam ainda a coesão da liderança religiosa do Irã. Autoridades israelenses, em discussões fechadas, também reconheceram que não há certeza de que a guerra levará ao colapso do governo teocrático iraniano, disse um alto funcionário israelense à agência.
Initial plugin text
Narrativas controversas
No quinto dia do conflito, em 3 de março, Trump chegou a ressaltar que o poderio militar iraniano havia sido “quase todo eliminado” após quatro dias de bombardeio. No entanto, quase 10 dias depois, a Guarda Revolucionária do Irã segue desferindo ataques contra Israel e a bases militares e escritórios diplomáticos dos EUA locados em países vizinhos do Golfo Pérsico.
— Eles não têm Marinha. Ela foi destruída. Eles não têm Força Aérea. Ela foi destruída. Eles não têm [sistemas de] detecção aérea, isso foi destruído. Os radares deles foram destruídos. E praticamente tudo foi destruído — afirmou Trump na Casa Branca, pouco antes de uma reunião com o premier alemão, Friedrich Merz. — Estamos indo muito bem. Temos um ótimo exército e eles estão fazendo um trabalho fantástico.
Risco elevado: Irã adverte contra ação de EUA e Israel na Ilha de Kharg, responsável por maior parte da exportação de petróleo bruto do país
Em atualização divulgada na quarta-feira, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que as forças americanas já atingiram mais de 5.500 alvos, incluindo 60 navios, no território iraniano desde o início do conflito. Num vídeo publicado nas redes, o comandante Brad Cooper reforça que os EUA alcançaram “superioridade aérea sobre vastas áreas do Irã”, exercendo imensa pressão diária sobre o regime, resultado que ele classifica como “uma prova da força de nossas alianças inabaláveis”.
Cooper afirmou ainda que os EUA não estão apenas se defendendo das ameaças iranianas, mas as estão “desmantelando metodicamente” ao atingir mísseis, drones e as bases industriais de defesa do regime. Segundo ele, desde o início da ação militar americana e israelense, os ataques com mísseis balísticos e drones do regime “diminuíram drasticamente”. Apesar disso, países como a Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos (EAU) seguem reportando diariamente suas atividades de interceptação de drones e mísseis iranianos em seus espaços aéreos.
Iraque suspende operações nos portos de petróleo após novos ataques no Golfo Pérsico
Os Emirados Árabes Unidos disseram, no mesmo dia, que seus sistemas de defesa aérea interceptaram uma enxurrada de mísseis e drones lançados do Irã, de acordo com seu Ministério da Defesa.
“Os sistemas de defesa aérea dos Emirados Árabes Unidos neutralizaram seis mísseis balísticos, sete mísseis de cruzeiro e 39 veículos aéreos não tripulados lançados do Irã”, dizia um comunicado do ministério.
Vídeos: Governo Trump promove espetacularização da guerra no Irã com posts que associam conflito ao entretenimento
As autoridades também relataram números cumulativos desde o início dos ataques, afirmando que os sistemas de defesa dos EAU interceptaram 268 mísseis balísticos, 15 mísseis de cruzeiro e 1.514 drones desde o início das hostilidades. De acordo com o comunicado, os ataques resultaram em seis mortes e 131 feridos entre pessoas de várias nacionalidades.
Instalações americanas danificadas em ataques do Irã
Arte O GLOBO
O New York Times (NYT) identificou pelo menos 17 locais e outras instalações americanas em países do Oriente Médio danificadas por ataques iranianos, várias das quais foram atingidas mais de uma vez desde o início da guerra. A análise, segundo o jornal, é baseada em imagens de satélite comerciais de alta resolução, vídeos verificados nas redes sociais e declarações de autoridades americanas e da mídia estatal iraniana.
Embaixadas foram atingidas, 7 soldados foram mortos, 140 ficaram feridos e bases militares e infraestrutura de defesa aérea foram danificadas pela ação dos persas na região. A intensidade dos ataques retaliatórios sinalizou que o Irã estava mais preparado para a guerra do que muitos no governo do presidente dos EUA, Donald Trump, haviam previsto, afirmam autoridades militares americanas.
O presidente Lula acaba de assinar dois decretos e uma medida provisória que busca conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do diesel no território nacional. Todos os impostos federais sobre o diesel, o PIS/Confins, que representa R$ 0,32 por litro, na refinaria, segundo o ministro Fernando Haddad. Além disso, será dada uma subvenção de R$ 0,32 por litro, informou Haddad. Essa subvenção está conveniada a garantia de repasse ao consumidor. Foi criado ainda um imposto de exportação temporário, com alíquota de 12%, o objetivo de regulação do mercado interno, segundo o secretário executivo do Ministério da Indústria e Comércio, Márcio Elias. Segundo Haddad, há capacidade ociosa nas refinarias e a medida visa ampliar o refino no país para abastecer o mercado nacional. O ministro disse que há grandes refinarias atuando com 60% da sua capacidade. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um ataque cibernético contra a fabricante de equipamentos médicos americana Stryker elevou as preocupações de que o Irã ou grupos de hackers ligados ao país possam passar a atingir empresas civis e infraestrutura à medida que a guerra continua.
Vídeo: Após pronunciamento, Irã anuncia novos ataques a Tel Aviv sob o lema ‘Atendemos ao chamado, ó Khamenei’
Bombardeio: Exército de Israel ataca central nuclear do Irã e acusa ‘desenvolvimento de armas nucleares’
A Stryker não informou quem está por trás do ataque, que interrompeu seus sistemas em todo o mundo na quarta-feira. Um grupo de hackers, no entanto, pareceu assumir a responsabilidade pela ação, afirmando que ela foi uma retaliação a um ataque com míssil contra uma escola primária iraniana.
A empresa, sediada no estado de Michigan e fabricante de uma ampla gama de equipamentos médicos, disse nesta quinta-feira que ainda tentava restaurar seus sistemas de comunicação e de pedidos. Segundo a companhia, o ataque parece ter se limitado aos seus programas da Microsoft.
A Stryker acrescentou que não havia “indícios de malware ou ransomware” associados ao incidente. A empresa afirmou ainda que a comunicação com seus funcionários e representantes de vendas permanece segura por e-mail, telefone ou dentro das instalações.
“É seguro se comunicar com funcionários e representantes de vendas da Stryker por e-mail e telefone, e dentro de suas instalações”, afirmou a companhia em comunicado. Segundo informações publicadas em seu site, a empresa tem clientes em 61 países.
Uma organização de hackers que se autodenomina Handala reivindicou a responsabilidade pelo ataque em uma declaração publicada nas redes sociais na quarta-feira. No comunicado, o grupo afirmou que a invasão foi uma retaliação a um ataque com míssil ocorrido em 28 de fevereiro contra uma escola primária no sul do Irã.
Segundo autoridades iranianas, o bombardeio matou pelo menos 175 pessoas, a maioria crianças. Conclusões preliminares de uma investigação do Pentágono indicam que o ataque foi realizado pelos militares dos Estados Unidos devido a um erro de alvo, informou o The New York Times.
O Handala, que parece ter surgido algumas semanas após o início da guerra entre Israel e o Hamas em Gaza, em 2023, tem como alvo empresas e indivíduos ligados a Israel, segundo empresas de cibersegurança e grupos de inteligência.
Entre elas estão a Cyberint, com presença nos Estados Unidos e em Israel, e a plataforma IBM X-Force Exchange, da IBM. Desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, empresas de segurança têm alertado que o país ou grupos ligados a ele podem recorrer à guerra cibernética.
Em alguns casos, essas empresas mencionaram especificamente o Handala. A declaração atribuída ao grupo na quarta-feira afirma que o ataque também foi, em parte, uma resposta a ofensivas cibernéticas contra o chamado “Eixo da Resistência”, termo usado pelo Irã para se referir à sua rede regional de milícias.
A mesma conta em redes sociais publicou ainda outro comunicado atribuído ao Handala. Nesse texto, o grupo afirma ter invadido a Verifone, empresa internacional de pagamentos, mirando especificamente seus sistemas em Israel. A Verifone afirmou por e-mail que “não encontrou evidências de qualquer incidente relacionado a essa alegação”. Segundo a empresa, seus clientes também não sofreram qualquer interrupção nos serviços.
Em atualização.
Um estudo publicado, nesta semana, na revista científica Current Zoology descreve um registro raro na natureza: o momento em que uma raposa-vermelha capturou um filhote de lobo-cinzento dentro de uma toca em uma reserva natural próxima a Roma, na Itália. As imagens, obtidas por câmeras instaladas para monitoramento de lobos, mostram o predador entrando no abrigo e saindo com o filhote na boca.
Vídeo: Tartaruga com nadadeira amputada é reabilitada por quase um ano na Califórnia e devolvida ao oceano
‘Peixe do fim do mundo’: Turistas devolvem ao mar dois raros peixes-remo encalhados em praia no México
O episódio ocorreu na Reserva Presidencial de Castelporziano, área protegida localizada a cerca de 25 quilômetros da capital italiana. Pesquisadores que acompanhavam lobos-cinzentos (Canis lupus) na região haviam notado que uma fêmea apresentava o abdômen inchado e se deslocava repetidamente para uma toca secundária, comportamento que indicava o nascimento recente de filhotes.
Assista:
Dias antes do ataque, câmeras posicionadas no local registraram dois filhotes machos explorando os arredores da toca. Em 16 de maio de 2025, porém, uma raposa-vermelha (Vulpes vulpes) foi filmada entrando no abrigo. Um dos filhotes conseguiu escapar, mas segundos depois o animal saiu carregando o outro na boca.
Mortalidade entre filhotes
A gravação termina abruptamente e não mostra o que aconteceu em seguida. Ainda assim, os pesquisadores consideram provável que a raposa tenha consumido o filhote. Em registros posteriores feitos pelas câmeras, apenas um filhote voltou a ser visto na área.
O estudo integra um projeto de longo prazo liderado pelo pesquisador Marco Apollonio, da Universidade de Sassari, voltado à compreensão da dinâmica das populações de lobos na Itália.
Segundo a autora principal do trabalho, Celeste Buelli, doutoranda da mesma universidade e responsável pelo monitoramento das tocas, acompanhar o nascimento e a sobrevivência de filhotes é essencial para entender a evolução populacional da espécie. Observações diretas de mortes de filhotes, no entanto, são raras, já que os animais passam a maior parte do tempo dentro de tocas de difícil acesso.
As taxas de mortalidade entre filhotes de lobo são elevadas: entre 40% e 60% morrem a cada ano, geralmente por fome, doenças, condições climáticas extremas ou fragilidade física. As imagens sugerem que a predação também pode contribuir para essas perdas, embora aparentemente de forma menos frequente.
O coautor do estudo Rudy Brogi, também da Universidade de Sassari, afirmou à Live Science que as raposas são predadoras oportunistas, capazes de adaptar a dieta de acordo com a disponibilidade de presas. Outra hipótese seria a eliminação de competidores na área, embora ele considere essa possibilidade menos provável, já que raposas podem se beneficiar da presença de lobos ao consumir restos de presas deixados pelos predadores maiores.
Para David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford que não participou da pesquisa, interações agressivas entre espécies de canídeos podem ocorrer, mas geralmente envolvem animais maiores atacando os menores. Ele ressalta que um único registro em vídeo não permite determinar se esse comportamento é comum.
Os autores do estudo afirmam que o episódio pode ser mais frequente do que o documentado até agora, mas ressaltam que são necessárias novas observações em diferentes tocas e contextos para compreender melhor esse tipo de interação entre raposas e lobos.
Pelo menos 3,2 milhões de iranianos se deslocaram dentro do país desde 28 de fevereiro, quando ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã deram início à guerra, anunciou nesta quinta-feira a agência da ONU para refugiados (ACNUR). Em busca de segurança, diz o órgão, a maior parte dessas pessoas estaria fugindo da capital, Teerã, e de outros grandes centros urbanos em direção ao norte do país e a áreas rurais.
Bombardeio: Exército de Israel ataca central nuclear do Irã e acusa ‘desenvolvimento de armas nucleares’
Conflito em curso: Presidente do Irã estabelece três condições para o fim da guerra com EUA e Israel
“É provável que esse número continue aumentando à medida que as hostilidades persistirem, o que representa uma escalada preocupante nas necessidades humanitárias”, disse a agência em comunicado. Na sexta-feira, quando esse número ainda era menos da metade do atual, Ayaki Ito, diretora de Emergências e Apoio a Programas do órgão, descreveu a situação como uma “grave emergência humanitária”, reconhecendo a chance de dados subnotificados.
No 13º dia de confrontos, ataques continuavam sendo registrados no território iraniano e em outras partes da região, agravando os riscos para a população deslocada. As Nações Unidas já alertaram que a rápida escalada das hostilidades tem aumentado a pressão sobre a capacidade de resposta humanitária e sobre as comunidades anfitriãs, com crescimento das necessidades de proteção, risco de novos deslocamentos internos e possíveis fluxos para países vizinhos.
O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou em entrevista coletiva na última quinta-feira que as operações humanitárias estão sendo prejudicadas, dificultando a entrega de ajuda. Isso reduziu a capacidade dos países vizinhos de proteger deslocados e refugiados, que agora enfrentam também o dilema de permanecer em um país em guerra ou tentar fugir para outro onde sua segurança não está garantida.
Análise: Governo Trump subestimou reação do Irã à guerra e agora corre para conter disparada do petróleo
No Irã, onde bombardeios provocaram a morte de mais de 1,3 mil pessoas — incluindo a do aiatolá Ali Khamenei —, o maior deslocamento ocorre em Teerã, fortemente danificada pelos ataques. Na capital, cerca de 100 mil pessoas fugiram nos dois dias seguintes ao início dos bombardeios, e entre mil e dois mil veículos por dia deixaram a região. Outras 6,5 mil pessoas cruzaram a fronteira com a Turquia.
— Funcionários do ACNUR naquele país estão recebendo centenas de ligações por dia de iranianos pedindo assistência — disse Ito.
Focos de instabilidade
Segundo a agência da ONU, por enquanto a maior parte dos deslocamentos tem ocorrido dentro das fronteiras nacionais, embora pelo menos 14,3 mil cidadãos libaneses e iranianos tenham cruzado as fronteiras de seus países nos últimos dias — movimento que preocupa a Europa, mantida em alerta antes mesmo de fevereiro, segundo relatório da Agência Europeia para o Asilo apresentado na terça-feira.
Tática adaptada: Irã mira vulnerabilidades dos EUA, atingindo radares e hotéis usados por tropas americanas
Elaborado antes do início dos ataques, o documento sobre tendências globais já considerava a República Islâmica um dos principais focos de instabilidade para 2026 devido às consequências dos bombardeios dos EUA e de Israel em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas e, internamente, à agitação ligada ao colapso econômico e à repressão política contra os protestos massivos ocorridos no início deste ano.
Com 92 milhões de habitantes, mesmo uma desestabilização parcial poderia gerar fluxos de refugiados de magnitude “sem precedentes”, diz o texto. Se apenas 10% da população iraniana fosse deslocada, a crise resultante poderia rivalizar com a provocada pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 ou com a de 2015 e 2016, quando mais de um milhão de pessoas que fugiram da guerra na Síria e de outros conflitos entraram na Europa.
“Observadores veem cada vez mais a agitação no Irã como um risco significativo e de longo prazo, cujas perspectivas permanecem altamente incertas”, destaca o relatório.
Consequências: Ao menos 17 instalações dos EUA foram danificadas pelos ataques retaliatórios do Irã, revela análise
O Irã abriga 3,8 milhões de refugiados, a maioria provenientes do Afeganistão, o que o torna o país com maior número de refugiados do mundo. A Agência Europeia para o Asilo aponta que, se a República Islâmica entrar em colapso, essa população também seria gravemente afetada, considerando que a região já era extremamente vulnerável antes da atual escalada do conflito.
“Suas comunidades demonstraram uma solidariedade extraordinária durante anos, mas seus recursos estão no limite” disse a porta-voz do ACNUR na Espanha, Paula Barrachina, em nota ao El País, chamando a atenção para um problema que também é global: apenas em 2025, o financiamento mundial para a ajuda humanitária encolheu 30%, queda impulsionada também pelo encerramento de programas financiados pelos EUA que o presidente Donald Trump ordenou cancelar.
Impactos no Líbano
O segundo país do Oriente Médio que registra os maiores movimentos populacionais provocados pela guerra atual é o Líbano, onde o Exército de Israel intensificou sua campanha de bombardeios após o Hezbollah entrar no conflito para vingar a morte de Khamenei. Os dois países haviam assinado um cessar-fogo em novembro de 2024, mas Israel continuou seus ataques quase diários contra o Hezbollah.
Guga Chacra: Líbano e as armas do Hezbollah
A escalada das hostilidades obrigou mais de 667 mil pessoas a fugir de suas casas no Líbano, incluindo 200 mil menores, informou a ONU na segunda-feira. Os maiores deslocamentos ocorrem no sul do país, no Vale do Bekaa e em Beirute, onde o Estado judeu exigiu a evacuação de bairros onde vivem cerca de 250 mil pessoas. Ao todo, o conflito no país já deixou mais de 400 mortos, entre eles 83 crianças e adolescentes.
O Líbano tem cerca de 5,8 milhões de habitantes, sendo quase 20% refugiados. Agora, pelo menos 78 mil pessoas, incluindo 7,8 mil libaneses, cruzaram para a Síria. Somente em 2 de março, quase 10 mil sírios e cerca de mil libaneses cruzaram postos fronteiriços vindos do sul do Líbano. Esse número representa aproximadamente o triplo da média diária de travessias registrada desde o início do Ramadã, em fevereiro.
A relativa estabilidade formada na Síria após a queda de Bashar al-Assad no final de 2024 e a formação de um governo de transição levou a uma forte queda nos pedidos de asilo de sírios na União Europeia, passando de 151 mil em 2024 para 42 mil em 2025. Cerca de 1,4 milhão de sírios também retornaram do exterior. Ainda assim, a agência europeia de asilo tem advertido, mesmo antes da nova escalada, que a instabilidade pode ser reacendida. (Com AFP)
O Irã anunciou uma nova ofensiva contra Tel Aviv logo após o pronunciamento do líder supremo, Mojtaba Khamenei. Vídeos que mostram o lançamento de mísseis foram publicados em um canal oficial no Telegram, acompanhados do lema “Labbaik, ó Khamenei”, expressão que significa “Atendemos ao chamado, ó Khamenei”.
Estreito de Ormuz: Entenda bloqueio de canal que ‘certamente’ seguirá, segundo novo líder supremo do Irã
‘Ódio e ambição’: Forças armadas da Israel se pronunciam sobre liderança suprema do Irã
De acordo com comunicado divulgado pelas relações públicas da Guarda Revolucionária do Irã, trata-se da 42ª onda da Operação “Promessa Verdadeira 4”. A ação, segundo o texto, foi realizada em homenagem à memória dos “mártires da Guerra do Ramadã”.
Ainda segundo o comunicado, a nova fase da operação foi dedicada ao que chama de “líder mártir da Revolução” e à sua família. O texto afirma que foram lançados mísseis classificados como pesados — dos modelos Emad, Qadr, Kheibar-Shekan e Fattah — além de drones de ataque.
Os alvos citados na publicação incluem o centro de Tel Aviv e bases que o comunicado descreve como pertencentes ao “exército terrorista dos Estados Unidos”.
Na mensagem divulgada junto ao vídeo, o slogan “Labbaik, ó Khamenei” é repetido três vezes, em referência direta ao líder supremo iraniano.
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o bloqueio do Estreito de Ormuz continuará sendo utilizado como instrumento estratégico do país na guerra em curso contra Estados Unidos e Israel. A informação foi confirmada em seu primeiro pronunciamento oficial, divulgado nesta quinta-feira pelos canais estatais da Irã.
Três mensagens e sete tópicos: o que se sabe do pronunciamento divulgado por Mojtaba Khamenei
‘Ódio e ambição’: Forças de Defesa da Israel se pronunciam sobre liderança suprema do Irã
“Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz”, declarou Khamenei no documento. “Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam”, concluiu.
Rota vital para o petróleo mundial
Mesmo situado em águas consideradas internacionais, o Estreito de Ormuz permanece vulnerável a bloqueios e ataques. A passagem marítima separa o Golfo Pérsico do Golfo de Omã e é considerada uma das rotas energéticas mais estratégicas do planeta: cerca de 20% de todo o petróleo transportado no mundo passa por ali.
Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz
Arte O Globo
A costa norte da região é controlada pelo Irã, enquanto a margem sul pertence ao Omã, próximo à fronteira com os Emirados Árabes Unidos. Antes do conflito, cerca de 129 navios por dia cruzavam o estreito, entre petroleiros e cargueiros.
Mojtaba Khamenei: Novo líder do Irã diz estudar abertura de novas frentes de guerra contra inimigos
As Forças Armadas iranianas afirmaram nesta quarta-feira que não permitirão que “nem um único litro de petróleo” atravesse a via marítima. A decisão reforça o fechamento anunciado pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica após o início da guerra.
Ataques e controle militar
Segundo a Guarda Revolucionária, embarcações que pretendam atravessar o estreito devem solicitar autorização prévia, sob risco de afundamento. O grupo confirmou ter bombardeado dois navios — um graneleiro de bandeira da Tailândia e outro de bandeira da Libéria, que os iranianos alegam pertencer a Israel.
Navio militar transita pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico
Sahar AL ATTAR / AFP
Há relatos de ao menos quatro embarcações atingidas por projéteis na região. Um balanço da agência britânica UK Maritime Trade Operations contabilizou 14 incidentes envolvendo navios desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
‘Pressionar o inimigo’: Mojtaba Khamenei se pronuncia pela primeira vez e pede mais ataques
Um gargalo marítimo
Embora o estreito tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre suas margens, a área realmente navegável para grandes navios é muito menor. O tráfego internacional se concentra em dois corredores marítimos de três quilômetros cada, separados por uma faixa de igual largura — um para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico.
Exercícios militares da Guarda Revolucionária do Irã interromperam partes do Estreito de Ormuz
TV estatal iraniana
Isso significa que o fluxo global de petróleo e mercadorias fica comprimido em apenas seis quilômetros de largura, tornando a rota particularmente vulnerável a ataques com mísseis, drones ou minas navais.
Como o Irã pode bloquear a passagem
Há décadas o Irã se prepara para um cenário de guerra com adversários regionais. Após o conflito com o Iraque entre 1980 e 1988, o país investiu em um amplo programa de mísseis balísticos e ampliou recentemente a produção de drones de baixo custo.
Novo líder supremo: Mojtaba Khamenei se pronuncia pela primeira vez e pede que o povo do Irã se una ‘contra o inimigo’
Teerã também dispõe de um grande estoque de minas navais — estimado entre 2 mil e 6 mil unidades pelo Soufan Center, organização especializada em segurança sediada em Nova York. Esses dispositivos podem ser lançados por submarinos, navios ou helicópteros e são difíceis de detectar.
Autoridades americanas afirmaram que o Pentágono afundou 16 embarcações iranianas usadas para instalar minas no início da semana. Apesar disso, fontes militares ouvidas pelo jornal The Wall Street Journal indicam que apenas cerca de dez minas teriam sido posicionadas até agora.
Analistas avaliam que o Irã adota uma estratégia de “controle reversível”, mantendo a possibilidade de liberar o tráfego mediante autorização. A medida pode ser uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior com países produtores de petróleo do Golfo.
Pressão sobre o mercado global
A importância do Estreito de Ormuz vai além do campo militar. Grandes produtores de petróleo e gás natural liquefeito — como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Kuwait e o próprio Irã — dependem da passagem para exportar seus recursos.
Analistas avaliam que o Irã adota uma estratégia de “controle reversível”, mantendo a possibilidade de liberar o tráfego mediante autorização. A medida pode ser uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior com países produtores de petróleo do Golfo.
Analistas avaliam que o Irã adota uma estratégia de “controle reversível”, mantendo a possibilidade de liberar o tráfego mediante autorização. A medida pode ser uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior com países produtores de petróleo do Golfo.
Analistas avaliam que o Irã adota uma estratégia de “controle reversível”, mantendo a possibilidade de liberar o tráfego mediante autorização. A medida pode ser uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior com países produtores de petróleo do Golfo.
Analistas avaliam que o Irã adota uma estratégia de “controle reversível”, mantendo a possibilidade de liberar o tráfego mediante autorização. A medida pode ser uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior com países produtores de petróleo do Golfo.
Em sua primeira mensagem após assumir a liderança suprema do Irã, Mojtaba Khamenei afirmou ter visto o corpo do pai, o líder supremo Ali Khamenei, após o que chamou de “martírio”. Segundo ele, o corpo transmitia “uma montanha de firmeza” e sua mão “permanecia cerrada em punho”. Ele também falou sobre o desafio da sucessão.
Mojtaba Khamenei: Novo líder do Irã diz estudar abertura de novas frentes de guerra contra inimigos
Saiba quem é Mojtaba Khamenei: Político sucede o pai, Ali Khamenei, como novo líder supremo do Irã
A declaração faz parte de um longo comunicado divulgado nesta quinta-feira, no qual Mojtaba presta homenagem ao pai e reconhece a dificuldade de assumir o cargo ocupado por ele durante mais de três décadas.
“Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão intacta permanecia cerrada em punho” afirmou.
No texto, o novo líder diz que ocupar o posto que foi de Khamenei e do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini, representa um enorme desafio.
“Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil”, escreveu.
Segundo ele, o pai se tornou uma figura histórica após mais de 60 anos de atuação política e religiosa.
“Sua vida e também a forma de sua morte foram marcadas por grandeza e dignidade decorrentes da confiança em Deus”, afirmou.
Apelo ao povo
Grande parte da mensagem é dedicada ao papel da população iraniana nos acontecimentos recentes no país. Mojtaba afirma que, nos dias em que o Irã ficou sem liderança formal, a mobilização popular teria garantido a estabilidade do sistema.
“A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança e coragem, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força”, afirmou.
Ele defendeu a manutenção da unidade nacional e pediu que a população continue presente na vida pública, participando de atividades políticas, sociais e culturais.
O novo líder também mencionou o conflito atual, afirmando que o país foi “injustamente atacado” e elogiando a atuação das forças armadas iranianas.
Segundo ele, os militares conseguiram bloquear o avanço do inimigo e impedir que o país fosse dominado ou dividido. Mojtaba também citou medidas estratégicas que podem continuar sendo usadas caso o conflito se prolongue, como o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Ele agradeceu ainda aos aliados da chamada “frente de resistência”, mencionando grupos e países da região que, segundo ele, prestaram apoio ao Irã.
Perdas familiares
No comunicado, Mojtaba também afirmou compartilhar o sofrimento das famílias afetadas pelo conflito recente. Ele disse que, além da morte do pai, outros membros de sua família também morreram.
“Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha esposa, minha irmã, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã”, afirmou.
Ao final da mensagem, o novo líder pediu orações durante o mês do Ramadã pela vitória do Irã no conflito atual e pela prosperidade da população. Ele encerrou o texto com uma saudação tradicional islâmica desejando paz e bênçãos ao povo iraniano.
Leia o comunicado na íntegra:
“Não revogamos nenhum versículo nem o fazemos cair no esquecimento sem que apresentemos outro melhor ou semelhante.”
Que a paz esteja contigo, ó convocador de Deus e guia divino de Seus sinais; que a paz esteja contigo, ó porta de Deus e guardião de Sua religião; que a paz esteja contigo, ó sucessor de Deus e defensor de Sua verdade; que a paz esteja contigo, ó prova de Deus e guia de Sua vontade; que a paz esteja contigo, ó aquele que é aguardado e precede; que a paz esteja contigo em todas as formas de saudação; que a paz esteja contigo, ó meu senhor, o dono do tempo.
No início de minhas palavras, devo apresentar minhas condolências ao meu senhor — que Deus apresse sua aparição — pela dolorosa morte do grande líder da Revolução, o querido e sábio Khamenei. Peço também a ele orações e bênçãos para cada membro do grande povo do Irã, para todos os muçulmanos do mundo, para todos os que servem ao Islã e à Revolução, para os que se sacrificaram e para os familiares dos mártires do movimento islâmico, especialmente os da guerra recente, bem como para este humilde servo.
Dirijo-me agora ao grande povo do Irã. Inicialmente, devo explicar brevemente minha posição em relação ao voto da respeitada Assembleia de Especialistas. Este seu servo, Seyed Mojtaba Hosseini Khamenei, tomou conhecimento do resultado da votação dessa respeitada assembleia ao mesmo tempo que vocês, por meio da televisão da República Islâmica.
Initial plugin text
Para mim, ocupar o lugar que foi a sede de dois grandes líderes — o grande Khomeini e o mártir Khamenei — é uma tarefa difícil. Essa posição foi ocupada por alguém que, após mais de 60 anos de luta no caminho de Deus e de renunciar a diversos prazeres e confortos, transformou-se em uma figura brilhante e distinta não apenas na era atual, mas ao longo da história dos governantes deste país. Tanto sua vida quanto a forma de sua morte foram marcadas por uma grandeza e uma dignidade decorrentes da confiança em Deus.
Tive a honra de ver seu corpo após o martírio. O que vi foi uma montanha de firmeza, e ouvi que sua mão intacta permanecia cerrada em punho. Sobre os diversos aspectos de sua personalidade, os conhecedores deverão falar durante muito tempo. Neste momento, limito-me a essa breve menção e deixo os detalhes para ocasiões mais apropriadas. É por isso que assumir a liderança após alguém assim é tão difícil. Superar essa distância só será possível com a ajuda de Deus e com o apoio de vocês, o povo.
É necessário enfatizar um ponto diretamente relacionado ao tema de minhas palavras. Um dos talentos do líder mártir e de seu grande predecessor foi envolver o povo em todas as esferas, esclarecendo e conscientizando continuamente a sociedade e, na prática, apoiando-se em sua força. Foi assim que eles concretizaram o verdadeiro significado de república e republicanismo, acreditando profundamente nisso.
O efeito claro dessa postura pôde ser visto nos últimos dias, quando o país esteve sem líder e sem comandante-chefe das Forças Armadas. A percepção e a inteligência do grande povo do Irã nos acontecimentos recentes, bem como sua perseverança, coragem e presença, levaram os amigos à admiração e os inimigos ao espanto. Foram vocês, o povo, que lideraram o país e garantiram sua força.
O versículo citado no início deste texto significa que nenhum sinal divino desaparece ou é esquecido sem que Deus, exaltado seja, substitua por algo igual ou melhor.
A razão de citar esse versículo não é sugerir que este servo esteja no nível do líder mártir — muito menos superior a ele. O objetivo é destacar o papel apropriado e decisivo de vocês, o querido povo. Se essa grande bênção nos foi retirada, em seu lugar foi concedida novamente ao sistema a presença vigilante do povo iraniano.
Saibam que, se o poder de vocês não se manifestar no cenário público, nem a liderança nem qualquer uma das instituições — cujo verdadeiro papel é servir ao povo — terão a eficácia necessária.
Para que isso se concretize melhor, em primeiro lugar deve-se considerar a lembrança de Deus, a confiança n’Ele e a busca de intercessão junto às luzes puras dos imames infalíveis como um elemento precioso que garante caminhos de solução e a vitória definitiva sobre o inimigo. Essa é uma grande vantagem que vocês possuem e que seus inimigos não têm.
Em segundo lugar, não deve haver qualquer ruptura na unidade entre os diferentes grupos e setores da nação, unidade que geralmente se torna mais evidente em momentos de dificuldade. Isso será alcançado ao se deixar de lado os pontos de divergência.
Em terceiro lugar, deve-se preservar a presença efetiva na cena pública — seja como demonstrado nestes dias e noites de guerra, seja por meio de diferentes formas de atuação nas esferas social, política, educacional, cultural e até de segurança. O importante é compreender corretamente o papel a ser desempenhado, sem prejudicar a unidade social, e colocá-lo em prática tanto quanto possível. Uma das responsabilidades da liderança e de alguns outros dirigentes é justamente lembrar esses papéis aos diferentes grupos da sociedade.
Lembro também a importância da participação nas cerimônias do Dia de Quds, nas quais o enfrentamento ao inimigo deve estar no centro da atenção de todos.
Em quarto lugar, não deixem de ajudar e apoiar uns aos outros. Graças a Deus, essa sempre foi uma característica da maioria dos iranianos, e espera-se que, nestes dias especiais — quando alguns membros da nação enfrentam dificuldades maiores do que outros — isso se manifeste ainda mais. Aproveito também para pedir às instituições de serviço que não poupem esforços para prestar ajuda e assistência a esses membros da nação e às estruturas populares de socorro.
Se esses pontos forem observados, o caminho para que vocês, querida nação, alcancem dias de grandeza e esplendor será facilitado. Um exemplo próximo disso pode ser, com a permissão de Deus, a vitória sobre o inimigo na guerra atual.
Dirijo-me também aos nossos corajosos combatentes, que, em condições nas quais nosso povo e nossa pátria foram injustamente atacados pelos líderes da frente da arrogância, bloquearam o caminho do inimigo com golpes contundentes e afastaram a ilusão de que poderiam dominar nossa amada pátria ou até mesmo dividi-la.
Queridos irmãos combatentes: o desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e capaz de fazer o inimigo se arrepender. Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz. Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.
Também expresso meu sincero agradecimento aos combatentes da Frente da Resistência. Consideramos os países dessa frente como nossos melhores amigos, e a resistência e a Frente da Resistência são parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica. Sem dúvida, a cooperação entre os membros dessa frente encurtará o caminho para superar a conspiração sionista. Como vimos, o Iêmen corajoso e fiel não deixou de defender o povo oprimido de Gaza, e o Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica. A resistência no Iraque também seguiu corajosamente esse mesmo caminho.
Dirijo-me ainda àqueles que foram afetados nos últimos dias — seja quem tenha perdido entes queridos e experimentado o luto do martírio; seja quem tenha ficado ferido; ou aqueles cujas casas ou locais de trabalho foram danificados.
Primeiramente, expresso minha profunda solidariedade aos familiares dos nobres mártires. Faço isso com base em uma experiência compartilhada com essas pessoas. Além de meu pai, cuja perda se tornou uma dor coletiva, também entreguei à caravana dos mártires minha querida e leal esposa, minha irmã dedicada, o filho pequeno dela e o marido de outra irmã.
Mas aquilo que torna possível — e até mais fácil — suportar as adversidades é a atenção à promessa certa e definitiva de Deus de uma grande recompensa para os pacientes. Portanto, é preciso ter paciência e manter esperança e confiança na graça e no amparo do Altíssimo.
Agradeço também a todos os nobres que me ofereceram apoio, incluindo grandes autoridades religiosas, diversas personalidades culturais, políticas e sociais, bem como os cidadãos que participaram de manifestações para reafirmar sua lealdade ao sistema. Também agradeço aos responsáveis pelos três poderes e ao Conselho Provisório de Liderança pelas decisões e medidas adotadas.
Espero que as graças especiais de Deus, nestas horas e dias abençoados, alcancem todo o povo do Irã, bem como todos os muçulmanos e os oprimidos do mundo.
Por fim, peço que, durante o restante das noites e dias sagrados do destino e do mês abençoado do Ramadã, supliquem a Deus, o Altíssimo, pela vitória decisiva de nossa nação sobre o inimigo, bem como por honra, prosperidade e saúde para o povo, e por elevada posição e paz no além para os que partiram.
Que a paz, a misericórdia, as bênçãos e as saudações de Deus estejam convosco”.
Novo líder está ferido
O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, sofreu ferimentos leves, mas segue exercendo suas funções, informaram autoridades iranianas à agência de notícias Reuters.
A emissora americana CNN, citando fontes próximas ao caso, detalhou que Khamenei teria sofrido uma fratura no pé, além de uma contusão ao redor do olho esquerdo e pequenos cortes no rosto.
Segundo a mesma reportagem, uma fonte israelense afirmou que o líder iraniano foi ferido durante uma tentativa de assassinato ocorrida na semana passada, o que alimentou rumores que circulam há dias sobre seu estado de saúde.
Desde que foi anunciado como novo líder supremo do país, Khamenei não havia aparecido em público nem feito pronunciamentos, o que intensificou as especulações.
Na manhã de quarta-feira, Yousef Pezeshkian, filho do presidente iraniano Masoud Pezeshkian, disse ter recebido informações de que o aiatolá havia sido ferido, mas que estava fora de perigo. Em declaração à agência estatal ISNA, ele afirmou que o novo líder supremo está “seguro e não há motivo para preocupação”.
A confirmação de que Khamenei teria sido ferido também foi mencionada por um alto funcionário do governo de Israel, que falou à Reuters sob condição de anonimato.
Quem é Mojtaba Khamenei?
Segundo filho mais velho de Khamenei, Mojtaba, de 56 anos, nunca ocupou um cargo importante na política iraniana — o que não o torna um completo desconhecido na burocracia estatal. Ele coordenava o Gabinete do pai e tem contatos importantes nos bastidores. Em um artigo publicado em 2023, a The Economist ressaltava suas relações próximas com Hossein Taib, um poderoso chefe da inteligência da Guarda Revolucionária do Irã, que conheceu ainda durante a guerra entre Irã e Iraque.
— Quando as pessoas começaram a falar de Mojtaba como um potencial sucessor, em 2009, considerei um boato — disse em 2024 Arash Azizi, professor da Universidade Clemson, nos EUA, que estuda o Irã. — Mas não é mais [um boato]. Está muito claro agora que ele é uma figura notável. E ele é notável porque tem sido quase totalmente invisível aos olhos do público.
O componente religioso é fundamental para o cargo de líder supremo, que no Irã é responsável por tomar todas as decisões que competem a um chefe de Estado e comandante-em-chefe das Forças Armadas. Também conhecido como Velayat-e Faqih na teologia islâmica xiita, a função segue e aplica a lei islâmica, só podendo ser ocupada por um teólogo xiita de alto escalão, que deve estar pelo menos no posto de aiatolá – embora seja contestado se o próprio Khamenei alguma vez atingiu esse nível.
A função se sobrepõe em muitos aspectos à de presidente, que chefia o Poder Executivo e lidera o governo. Dependendo da formação política e da força do presidente, ele acaba influenciando sobre a política estatal e a economia.
O filho do aiatolá nunca se candidatou a um cargo político no Irã e, apesar das eleições no país não serem consideradas livres, com a repressão sobre a oposição crescendo a cada dia, a falta de algum respaldo de sua popularidade pode pesar contra ele, considerando que o sistema político-religioso do Irã depende do apoio das massas pelo país que o sustentam.
Outra resistência ao nome de Mojtaba pode surgir das raízes da Revolução Iraniana de 1979. Uma das justificativas para a mobilização que derrubou o governo iraniano do xá Reza Pahlavi era justamente o combate à hereditariedade do antigo regime. Emplacar o filho do atual líder supremo para sucedê-lo pode ser visto como um golpe às bases da revolução.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress