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Pesquisadores descobriram no oceano Índico o maior cemitério de baleias já identificado no mundo, com cerca de 500 esqueletos, alguns deles com até 5,3 milhões de anos de antiguidade, segundo um estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (10).
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Corredor de fósseis
Distribuídas ao longo de um corredor de 1.200 milhas a oeste da Austrália, essas carcaças de cetáceos sustentam todo um ecossistema, no qual muitos organismos podem ser desconhecidos para a ciência, de acordo com o estudo.
Os cientistas acreditam que tantas baleias morreram nessa área porque ela é uma importante zona de alimentação. Além disso, trata-se de uma fossa em forma de V que canaliza as carcaças para as profundezas marinhas.
Trata-se de uma “descoberta realmente única”, afirma o paleontólogo americano Stephen Godfrey, que a compara à identificação, em 1977, de fontes hidrotermais repletas de vida no fundo dos oceanos.
Uma nova espécie de baleia, embora extinta, também foi identificada entre os quase 500 esqueletos encontrados a até 7.000 metros de profundidade ao longo de um corredor de ossos de 1.200 quilômetros no Oceano Índico, a oeste da Austrália
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“O fóssil mais antigo, assim como muitos crânios mais recentes, mostra que as ‘quedas de baleias’ se acumularam neste local de forma ininterrupta durante pelo menos cinco milhões de anos”, escreveu ele em um artigo publicado juntamente com o estudo da Nature.
Já se sabia que, quando as baleias morrem, seus corpos afundam até o fundo dos oceanos e alimentam a fauna das profundezas, em um fenômeno conhecido como “queda de baleias”.
Descoberta surpreendente
Mas os cientistas ficaram “estupefatos” ao compreender a dimensão da descoberta, disse à AFP o principal autor do estudo, Xiaotong Peng, da Academia Chinesa de Ciências, que acessou o local a bordo de um pequeno submarino.
“Descobrir uma necrópole de tal magnitude foi totalmente inesperado. A extensão da distribuição, a profundidade e a variedade de idades superam tudo o que imaginávamos”, explicou o pesquisador.
Em 2023, os cientistas chineses realizaram 32 imersões a bordo do submersível Fendouzhe nessa região do oceano Índico, denominada Diamantina.
Osso de baleia no maior cemitério de baleias conhecido do mundo, descoberto pelo submersível chinês Fendouzhe
DIVULGAÇÃO / TENDÊNCIA GLOBAL, IDSSE / AFP
“Os ecossistemas florescentes que vimos nos deram uma perspectiva completamente diferente do ambiente ao redor”, disse Peng Zhou, coautor do estudo.
Ao redor dos esqueletos, foram encontrados organismos como medusas, ofiúros, parentes das estrelas-do-mar, vermes-zumbis e moluscos bivalves.
A maioria dos 485 fósseis de cetáceos registrados pertence à família das baleias-de-bico, incluindo uma espécie até então desconhecida e atualmente extinta.
Com base no número de fósseis encontrados, os autores estimam que mais de 10 milhões de esqueletos possam estar espalhados pelo fundo do oceano na região de Diamantina.

A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou, na noite dessa quarta-feira (10), um projeto de lei (PL) que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662, por 20 horas de trabalho semanal.

De autoria da senadora Daniella Ribeiro (PSD/PB), o PL nº 1.365/202 também reajusta de 20% para 50% o adicional por trabalho noturno e as horas extras; assegura um intervalo de dez minutos de descanso a cada 90 minutos trabalhados e determina que a chefia de serviços médicos e odontológicos só seja ocupada por profissionais das respectivas áreas.

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Se nenhum senador apresentar recurso para que a proposta seja votada pelo plenário do Senado, ela seguirá para análise da Câmara dos Deputados. Se aprovadas, as novas regras valerão para os profissionais dos setores público e privado.

No caso do setor privado, o novo piso será reajustado anualmente, com base na inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Já os municípios, estados e o Distrito Federal poderão aplicar outros indicadores, conforme a legislação local.

Segundo cálculos do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, só na rede pública federal, a medida acarretará, em 2027, um impacto de cerca de R$ 7,7 bilhões para os cofres públicos.

Relator da proposta, o senador Fernando Dueire (PSD-PE) classificou a medida como uma “reparação histórica”. Em seu parecer, ele argumenta que a valorização financeira dos médicos é condição necessária para o êxito de políticas de interiorização desses profissionais. A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL) afirmou que o piso atualmente praticado é insuficiente para a categoria.

Em nota, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, comemorou a aprovação, classificando-a como uma conquista histórica para a categoria, ao avançar no sentido de atualizar a legislação em vigor, que estabelece o piso dos médicos correspondente a três salários mínimos de 2022.

“O Senado analisou e reconheceu que os médicos brasileiros merecem um salário digno. Essa aprovação representa o reconhecimento da importância dos profissionais para o sistema de saúde e para a sociedade brasileira. Trata-se de uma medida de valorização profissional e de justiça”, afirmou.

A aprovação do PL se somou a outras duas decisões de ontem, do Senado, que impactam o Orçamento da União: a aprovação do uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal para financiar o pagamento de dívidas de produtores rurais ocasionadas por eventos climáticos adversos ou impactos econômicos negativos em razão de conflitos geopolíticos internacionais e a aprovação de aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias.

*Com informações da Agência Senado

O El Niño já está em curso e pode se tornar um dos mais intensos já registrados. A confirmação foi feita nesta quinta-feira pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês), que alertou para a possibilidade de o fenômeno atingir força histórica nos próximos meses e agravar eventos climáticos extremos em diversas partes do planeta.
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Caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico próximo à linha do Equador, o El Niño altera padrões climáticos em escala global. Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de que o episódio alcance intensidade suficiente entre o fim do outono e o início do inverno do Hemisfério Norte — entre novembro e dezembro no Brasil — para figurar entre os maiores eventos observados desde o início dos registros modernos, em 1950.
Meteorologistas afirmam que o fenômeno deverá elevar ainda mais as temperaturas de um planeta já aquecido pelas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis. As projeções indicam que este El Niño poderá rivalizar ou até superar o episódio de 1997, que esteve associado a bilhões de dólares em prejuízos causados por ondas de calor, enchentes, secas, tornados e incêndios florestais.
— As águas profundas e quentes associadas ao El Niño trazem muito calor adicional para a superfície, alimentando uma série de eventos extremos em várias regiões do mundo — afirmou Abby Frazier, cientista do clima da Universidade Clark, à Associated Press, acrescentando que os impactos podem se tornar graves em pouco tempo.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o fenômeno como um “alerta climático urgente”.
— As condições de El Niño vão jogar mais combustível no fogo de um mundo em aquecimento — disse Guterres em uma mensagem em vídeo.
Efeitos por região
Os efeitos do fenômeno variam de acordo com a região. No Atlântico, o El Niño costuma reduzir, embora não eliminar, a atividade da temporada de furacões. No Pacífico, ocorre o contrário: a atividade tende a aumentar. Com isso, a costa leste dos Estados Unidos e os estados banhados pelo Golfo do México podem enfrentar uma temporada menos intensa, enquanto o Havaí e outras ilhas ficam mais expostos a riscos.
Em algumas regiões, o fenômeno pode trazer benefícios. Cientistas afirmam que áreas do Oriente Médio afetadas por secas prolongadas poderão receber mais chuva. Em outros lugares, porém, os riscos aumentam.
Partes da costa oeste da América do Sul, onde os primeiros episódios de El Niño foram identificados há décadas, costumam registrar chuvas intensas, enchentes e verões excepcionalmente quentes durante o fenômeno. Na Índia, especialistas projetam ondas de calor mais severas, enquanto a Austrália pode enfrentar condições favoráveis a secas, incêndios florestais e temperaturas elevadas.
No nordeste da África, a expectativa é de uma mudança brusca nas condições climáticas, com a transição de períodos de seca intensa para chuvas potencialmente perigosas, segundo Muhammad Azhar Ehsan, cientista do clima da Universidade Columbia e especialista em El Niño. Nos Estados Unidos, o fenômeno costuma provocar tempestades mais intensas e volumes maiores de chuva no Sul do país. Ao mesmo tempo, tende a favorecer parte da produção agrícola, afirmou Jon Gottschalck, chefe de operações do Centro de Previsão Climática da NOAA.
Sinais monitorados
Apesar de alguns impactos positivos localizados, cientistas alertam que as temperaturas mais elevadas associadas ao fenômeno podem afetar a economia. Marshall Burke, economista climático da Universidade Stanford, afirmou que há evidências de que o crescimento econômico dos Estados Unidos desacelera em períodos com temperaturas acima da média. Diversos pesquisadores projetam que 2027 poderá se tornar o ano mais quente já registrado, em razão dos efeitos retardados deste El Niño.
— Temos evidências bastante claras de que a economia americana cresce mais lentamente quando as temperaturas ficam acima do normal — disse Burke.
Somado a isso, a escassez de fertilizantes causada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz está afetando agricultores, e o aumento dos preços da energia por causa das guerras na Ucrânia e no Irã está corroendo os orçamentos dos países.
— Poderíamos ver um aumento da pobreza, da desnutrição, dos conflitos, do endividamento e de todos os efeitos em cascata — disse Laurie Laybourn, que lidera a Strategic Climate Risks Initiative, um centro de estudos com sede no Reino Unido.
A intensidade dos impactos também depende da velocidade com que o fenômeno se desenvolve. Em geral, episódios de El Niño se formam durante o verão, atingem seu pico no fim do outono ou início do inverno e enfraquecem na primavera seguinte. No entanto, a equipe de Ehsan prevê que este episódio poderá alcançar seu pico um ou dois meses antes do habitual, com base nos sinais observados nas últimas semanas. Gabriel Vecchi, cientista do clima da Universidade Princeton, afirmou que episódios muito fortes também tendem a durar mais tempo.
Entre os sinais monitorados pelos especialistas está o avanço de águas mais quentes em direção à superfície do Pacífico. Segundo Vecchi, os indicadores têm sido tão consistentes que diferentes centros de previsão vêm apontando para um El Niño excepcionalmente intenso, algo incomum para esta época do ano, quando as projeções costumam apresentar maior divergência.
Frazier e outros cientistas afirmam que o aquecimento global favorece a ocorrência de episódios mais fortes de El Niño. Ainda assim, ela ressalta que é cedo para afirmar se este evento específico está diretamente relacionado às mudanças climáticas causadas pela atividade humana. Mesmo antes de sua confirmação oficial, o fenômeno já vinha recebendo apelidos como “super El Niño” e “Godzilla”.
— Em vez de sentir medo, podemos pedir às pessoas que se preparem — afirmou Ehsan.
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Reprodução
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Lições da história
Se a História oferece alguma lição, é a de que eventos intensos de El Niño, como o que começou em 1877, impactam fragilidades preexistentes. O daquele ano provocou condições de seca extrema em várias partes do mundo, incluindo Brasil, sul da África e China. Poucos lugares foram tão atingidos quanto o sul da Índia, com relatos da época descrevendo pessoas extremamente magras tentando sobreviver comendo raízes e até vendendo filhos que não conseguiam sustentar.
Porém, apesar de todo o poder da natureza, fatores criados pelo homem provavelmente elevaram o número de mortos, que acabou chegando à casa das dezenas de milhões. Na época, a Índia estava sob domínio colonial britânico, e o historiador Mike Davis, em seu livro de 2001, “Holocaustos do final da Era Vitoriana”, retrata o Império Britânico priorizando seus interesses ao manter enormes exportações de grãos da Índia, mesmo enquanto a população morria de fome.
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Naquele tempo, ninguém fazia ideia de por que as chuvas das monções haviam falhado. Cientistas do século XIX teorizavam uma ligação com a redução da atividade das manchas solares.
Um quadro muito mais claro surgiu na década de 1960, quando Jacob Bjerknes, meteorologista da Universidade da Califórnia em Los Angeles, reuniu as peças do quebra-cabeça das consequências globais da interação entre oceano e atmosfera no Pacífico. Séculos antes, peruanos haviam percebido que, às vezes, peixes tropicais apareciam inesperadamente em suas costas por volta do Natal, um fenômeno que acabou recebendo o nome de “El Niño”, ou “o menino Jesus” em espanhol. Bjerknes fez a conexão: o aquecimento do Pacífico observado pelos peruanos estava, na verdade, alterando padrões climáticos no mundo inteiro.
Navios perto do porte El Callao, em Lima, em 2023
Ernesto Benavides/AFP
— Aquela foi uma revelação revolucionária — disse Michael McPhaden, cientista sênior da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). — Ele [Bjerknes] abriu um novo universo de estudos.
Na década de 1980, cientistas já estavam em embarcações no meio do Pacífico ancorando boias que permitiam um monitoramento mais preciso da temperatura do oceano. Paralelamente, pesquisadores procuravam pistas sobre o papel do El Niño na história humana, estudando amostras de anéis de árvores, recifes de coral e diários de bordo de marinheiros, criando uma linha do tempo rudimentar de seus episódios mais intensos.
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Quebra-cabeças sem peças
Os registros não eram precisos o suficiente para medir eventos passados com certeza. Ainda assim, eles levaram a especulações sobre o papel do El Niño ao longo da História, incluindo a hipótese de que um evento no fim do século XVIII possa ter contribuído para as falhas nas colheitas que ajudaram a desencadear levantes na Revolução Francesa. No caso de 1877, que atingiu a Índia de forma severa, a documentação é melhor, mas ainda envolve muitas conjecturas.
“Trabalhar com dados da temperatura da superfície do mar do século XIX é como montar um quebra-cabeça com muitas peças faltando”, escreveu Boyin Huang, oceanógrafo da NOAA.
Os eventos são medidos observando-se os níveis de temperatura em uma vasta área retangular do Pacífico central. Em um fenômeno moderado, as temperaturas podem subir cerca de 1°C acima da média de longo prazo. Mas, nos maiores eventos dos últimos 50 anos — os que começaram em 1982, 1997 e 2015 — as temperaturas ultrapassaram em mais de 2°C o padrão normal. Cada um desses episódios teve impacto econômico global.
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Neste ano, muitas previsões indicam que a temperatura pode subir inéditos 3°C. Mesmo o El Niño de 1877, segundo as melhores estimativas, não alcançou essa magnitude.
— Vários modelos agora mostram uma chance real de um evento recorde — disse Zeke Hausfather, pesquisador da Berkeley Earth. — Mas ainda é cedo para ter certeza.
Escolas na Índia usam sino para lembrar crianças de beberem água durante onda de calor
Arun Sankar/AFP
Na Índia, que tende a ficar mais seca, o governo já realizou reuniões preparatórias. Vimal Mishra, professor do Instituto Indiano de Tecnologia de Gandhinagar, afirmou que seu país não enfrenta riscos na mesma escala de mais de um século atrás.
— Se em um ano as monções falharem, não veremos fome — disse Mishra, citando o sistema público de distribuição da Índia, que garante acesso a produtos básicos a preços subsidiados.
Mishra estudou as grandes fomes da Índia e traça uma linha direta entre a fome da década de 1870 e as medidas preventivas que a Índia toma hoje.
— Isso nos dá uma ideia de como estar mais bem preparados — disse ele. — Mostra qual é o pior cenário possível.
(Com New York Times)
O governo britânico condenou nesta quinta-feira uma segunda noite de violência anti-imigração na Irlanda do Norte, marcada por confrontos entre manifestantes e a polícia, incêndios e ataques contra pessoas de minorias étnicas. Segundo as autoridades, 12 policiais ficaram feridos e 16 pessoas foram presas durante os episódios de distúrbios. Os confrontos ocorreram após um ataque a faca registrado na segunda-feira em Belfast, a capital, ter deixado um homem gravemente ferido.
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Um vídeo do incidente circulou amplamente nas redes sociais e mostra um homem golpeando repetidamente outro que está caído no chão. A vítima, identificada como Stephen Ogilvie, perdeu um olho e permanece hospitalizada em condição estável. Diante de manifestações violentas que se seguiram na região, o ministro britânico responsável pela Irlanda do Norte, Hilary Benn, classificou os acontecimentos como “violência racista” e denunciou um “clima de medo” imposto a pessoas que foram intimidadas e expulsas de suas casas por causa da cor da pele.
— Se você está atacando pessoas com base na cor da pele, como mais isso poderia ser descrito? Isso é banditismo racista, não há nenhuma dúvida sobre isso — afirmou Benn à emissora Sky News.
A família da vítima, por sua vez, divulgou um comunicado pedindo privacidade e agradecendo às pessoas que prestaram socorro durante o ataque. Os familiares afirmaram que a rápida intervenção de moradores ajudou a salvar a vida de Ogilvy e agradeceram aos profissionais dos serviços de emergência e aos médicos e enfermeiros envolvidos. E pediram, por fim, que a população rejeite a violência:
“Estamos cientes das tensões e das discussões sobre protestos após este incidente. Queremos deixar absolutamente claro que os distúrbios ocorridos durante a noite não são bem-vindos, e que o protesto pacífico é o único caminho a seguir”, escreveram. “Temos muitos migrantes que dão uma contribuição valiosa ao nosso país. (…) Não queremos que esta tragédia seja usada para dividir as pessoas ou alimentar a hostilidade”.
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O suspeito, identificado como Hadi Alodid, foi acusado de tentativa de homicídio, porte de faca em local público e ameaças de morte contra um funcionário do sistema público de saúde britânico. Em audiência na quarta-feira no Tribunal de Magistrados de Belfast, ele teve a prisão preventiva mantida por quatro semanas. Alodid participou da sessão por videoconferência e contou com a assistência de um intérprete de árabe. A polícia local informou que as motivações do ataque ainda não são conhecidas, mas descartou a hipótese de terrorismo.
‘Comportamento violento’
Na noite de quarta-feira, dezenas de manifestantes encapuzados enfrentaram a tropa de choque em Glengormley, ao norte de Belfast. Tijolos, pedras e coquetéis molotov foram lançados contra as forças de segurança, que responderam com canhões de água.
Um veículo do Departamento de Infraestrutura foi incendiado perto da rotatória de Sandyknowes. Manifestantes também tentaram incendiar um imóvel abandonado e atearam fogo a contêineres de lixo. Em Derry, a polícia informou que objetos foram incendiados na Ardmore Road. Outro grupo tentou chegar ao Chimney Corner, hotel que já foi utilizado para abrigar solicitantes de asilo, mas foi impedido pela polícia.
— Esse comportamento violento de uma minoria de arruaceiros não será tolerado — disse o vice-chefe da Polícia da Irlanda do Norte, Ryan Henderson, repudiando os responsáveis pelos confrontos. — Pelo contrário, estavam determinados a praticar violência. Vamos levá-los à Justiça, e sei que o Judiciário da Irlanda do Norte está pronto para aplicar longas penas àqueles que levam desordem às nossas ruas.
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Na quarta-feira, diversas famílias precisaram deixar suas casas sob proteção policial. O chefe da polícia local, Jon Boutcher, afirmou que entre os resgatados havia um bebê de apenas dois meses. Policiais retiraram famílias de diferentes comunidades para levá-las a locais seguros, disse, ressaltando que “não há justificativa” para os episódios registrados e que os responsáveis serão tratados de acordo com a lei.
— Resgatamos muitas famílias. E, alías, não eram apenas famílias de comunidades étnicas minoritárias; [mas] de diversas comunidades que acabaram envolvidas nesse comportamento repugnante da noite passada — disse, antes de ser questionado sobre este ser o terceiro ano consecutivo de episódios de violência no país. — Isso vai passar.
Autoridades britânicas atribuem parte da mobilização online a figuras da extrema direita, como o ativista Tommy Robinson e o proprietário da rede social X, Elon Musk, que compartilharam conteúdos relacionados ao ataque. Figuras de partidos de extrema direita, como o Reform UK, de Nigel Farage, e o Restore Britain, de Rupert Lowe, atribuíram os acontecimentos às políticas migratórias do governo trabalhista.
‘Terror e medo’
Benn informou que a polícia da Irlanda do Norte receberá reforços da polícia da Escócia, incluindo equipes com cães para auxiliar no controle da ordem pública. Segundo ele, os distúrbios deixaram pessoas de minorias étnicas vivendo em “terror e medo”.
— Recebemos relatos de pessoas sendo paradas em seus carros para que lhes perguntassem qual era sua nacionalidade a caminho do trabalho, e isso é completamente inaceitável.
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Uma enfermeira foi perseguida e intimidada enquanto se dirigia ao Hospital Ulster para trabalhar na noite de quarta-feira, segundo a entidade responsável pela unidade. A instituição informou que ela insistiu em cumprir seu turno apesar das ameaças. A principal mesquita do país também fechou as portas pela primeira vez desde sua fundação, em 1978. Seu presidente, Mohammed Arshed, afirmou que a comunidade nunca havia enfrentado problemas semelhantes.
As manifestações violentas ocorreram principalmente em bairros unionistas, predominantemente protestantes e favoráveis à permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido. Alguns participantes dos protestos afirmaram que suas preocupações estão relacionadas ao aumento da imigração. Brendan, encanador de 50 anos que participou de uma manifestação, disse à AFP ser contrário à violência, mas justificou os protestos pela gravidade do ataque.
— Já tivemos violência suficiente aqui durante 30 ou 40 anos, com bombas e assassinatos.
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Ainda na quarta, a ministra da Justiça da Irlanda do Norte, Naomi Long, condenou os ataques contra famílias que nada tinham a ver com o caso, destacando que crianças e jovens famílias ficaram sem casa após os episódios. Além disso, denunciou o “racismo” por trás da violência e acusou aqueles que, nas redes sociais, “instrumentalizaram o medo legítimo que as pessoas sentem diante dos acontecimentos”.
Long também declarou que o debate sobre o status migratório do suspeito era irrelevante para a avaliação do crime e afirmou que o homem possuía situação migratória regularizada e autorização para permanecer no Reino Unido por cinco anos. Enquanto isso, a vice-primeira-ministra da Irlanda do Norte, Emma Little-Pengelly, afirmou que grupos envolvidos nos confrontos estão tentando explorar preocupações legítimas da população.
— O que alguns desses grupos que querem criar esse tipo de desordem e violência estão tentando fazer é manipular uma preocupação genuína de muitas pessoas, assim como a frustração de muitas pessoas.
‘Holofote perigoso’
A primeira-ministra da Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, classificou os ataques contra residências como “covardia repugnante” e afirmou que não existe justificativa para os episódios. Ela também descreveu o ataque a faca como “hediondo e errado”, mas alertou para tentativas de usar o caso para atacar pessoas inocentes que vivem e trabalham na região.
Já o premier britânico, Keir Starmer, afirmou que as cenas registradas em Belfast foram “chocantes e completamente inaceitáveis”. No X, ele disse que estava claro que pessoas foram alvo por causa de sua origem e afirmou que os responsáveis pelos atos de violência sentirão “todo o peso da lei”. Starmer acrescentou que conversou com líderes locais, além de representantes da polícia e dos serviços de emergência.
A deputada Claire Hanna, líder do Partido Social-Democrata e Trabalhista, comparou os acontecimentos a uma “perseguição baseada em raça”. Segundo ela, houve relatos de homens percorrendo bairros para identificar e expulsar estrangeiros. A parlamentar do Sinn Féin Deirdre Hargey afirmou que mensagens divulgadas nas redes sociais incentivaram protestos e ajudaram a mobilizar pessoas para as ruas.
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A polícia enfrentou críticas após inicialmente informar que o suspeito seria originário da Somália. Posteriormente, as autoridades corrigiram a informação e esclareceram que ele é sudanês. Suleiman Abdulahi, líder comunitário que trabalha com refugiados na Irlanda do Norte, afirmou que o erro colocou a comunidade somali sob um “holofote muito perigoso” e contribuiu para alimentar a violência contra inocentes.
Entre 19h e 23h59 de quarta-feira, o Serviço de Bombeiros e Resgate da Irlanda do Norte recebeu 82 chamadas de emergência. As equipes atenderam 33 ocorrências em Belfast, Mallusk, Glengormley e Portadown, incluindo incêndios em veículos, caminhões, residências, prédios abandonados e contêineres industriais de lixo.
(Com AFP, Bloomberg e New York Times)
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Washington lançará fortes ataques contra o Irã na noite desta quinta-feira, e que vai assumir o controle do setor petrolífero do país, assim como fez com a Venezuela, mencionando a tomada da Ilha de Kharg, um estratégico terminal para distribuição do combustível produzido por Teerã. A declaração do presidente americano acontece em um momento em que os países voltaram a trocar ataques na região, aprofundando a crise e afetando países alheios ao conflito.
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“Os Estados Unidos atacarão o Irã (cuja Marinha, Força Aérea, radares, defesas aéreas e todas as outras formas de defesa, juntamente com a maior parte de sua capacidade ofensiva, DESAPARECERAM!), COM MUITA FORÇA ESTA NOITE”, escreveu Trump naTruth Social. “Em algum momento num futuro não muito distante, tomaremos a Ilha de Kharg e outros pontos de infraestrutura petrolífera e assumiremos o controle total de seus mercados de petróleo e gás, assim como fizemos com a Venezuela, o que está se mostrando ótimo tanto para a Venezuela quanto para os Estados Unidos”.
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Trump tem repetidamente afirmado que atacaria a ilha de Kharg durante a guerra, intensificando suas ameaças para tentar forçar o Irã a concordar com suas exigências de encerrar o programa nuclear. O Irã tem consistentemente desafiado as ameaças do republicano, e não cedeu mesmo quando meios militares abrigados na ilha estratégica foram atingidos.
Fontes americanas ouvidas pelo New York Times afirmaram que os ataques lançados pelos EUA na quarta-feira miraram sobretudo radares, sistemas de defesa antiaérea e estações de controle de drones próximos ao Estreito de Ormuz, indicando uma tentativa de degradar a capacidade do país em detectar movimentações perto da rota. Ainda assim, analistas apontam que o presidente americano tem escolhas difíceis a fazer.
A avaliação de observadores externos é de que os EUA estão com estoques perigosamente baixos de armas de longo alcance. Uma tomada da ilha de Kharg, acrescentam, envolveria um risco substancial de baixas americanas, e a maioria dos conselheiros de Trump se opõe a uma operação terrestre em grande escala para tentar derrubar o governo iraniano.
No caso da Venezuela, citado por Trump, a influência americana sobre o setor do petróleo do país não foi alcançado diretamente e apenas por força militar. Apesar da operação em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro do poder, Washington encontrou na vice-presidente Delcy Rodríguez uma voz “dialoguista” dentro do chavismo, que aceitou condições impostas por Washington para se manter no poder.
Em uma entrevista por telefone ao programa “Fox & Friends” após a publicação on-line, Trump foi mais hesitante sobre até onde pretende ir no ataque contra o Irã.
— Minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg — disse o presidente americano. — Não sei se os EUA têm estômago para isso. Acho que eles gostariam de nos ver voltar para casa.
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Agência Espacial Europeia via AFP
Escalada de tensões
Os EUA ampliaram a pressão no Oriente Médio desde o começo da semana. As Forças Armadas do país confirmaram um ataque a um terceiro navio-petroleiro no Golfo Pérsico, por supostamente tentar furar o bloqueio americano a portos iranianos. Três marinheiros de nacionalidade indiana morreram em decorrência dos ataques americanos às embarcações civis, em meio à mais recente troca de hostilidades.
Em um comunicado nesta quinta, o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou ter realizado um ataque contra o petroleiro Jalveer, de bandeira de Guiné-Bissau, acusando uma tentativa de cruzar o Golfo de Omã com petróleo iraniano. A confirmação veio pouco depois do Ministério das Relações Exteriores da Índia acusar os EUA de atacarem a embarcação, a terceira com tripulação indiana a ser alvejada nos últimos dias. Além do Jalveer, foram atingidos os cargueiros Marivex e Settebello — este último, onde três tripulantes foram mortos.
Exército dos EUA divulga imagem de ataque contra petroleiro Settebello, que deixou três marinheiros da Índia mortos
Centcom
Délhi convocou o vice-chefe da missão da Embaixada dos EUA na capital indiana para apresentar um “forte protesto” pelo ataque que vitimou os trabalhadores. A Marinha Mercante indiana descreveu as mortes dos nacionais indianos como uma “perda irreparável”.
A retomada dos ataques cruzados entre EUA e Irã e a confirmação de dano entre civis de países alheios ao conflito provocaram uma forte reação de atores internacionais, que pediram contenção. A China revelou “sérias preocupações” com a recente escalada, enquanto Rússia e Turquia pediram para que os dois países retomassem os esforços de paz. No mesmo sentido, a Arábia Saudita pediu uma desescalada e a volta do diálogo intermediado por Catar e Paquistão. Um porta-voz da diplomacia paquistanesa, no entanto, deu uma declaração afirmando ser “difícil permanecer otimista” diante das agressões renovadas.
A trégua entre Washington e Teerã, que foi desrespeitada em diversos momentos ao longo dos últimos meses, foi quebrada pela última vez na terça-feira, quando a Casa Branca acusou os militares iranianos de derrubarem um helicóptero americano perto da costa de Omã. Em resposta, o Pentágono autorizou disparos contra o território iraniano, que danificaram infraestruturas civis, incluindo centrais do sistema de abastecimento de água, que afetaram 200 mil pessoas.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA em 11 de junho mostram nova onda de ataques contra o Irã
Divulgação/Comando Central dos EUA/AFP
O Irã retaliou com ataques contra posições americanas em países do Golfo, que a liderança em Teerã já havia afirmado considerar alvos legítimos em meio às hostilidades. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atingido alvos na Jordânia e no Bahrein, além de ter disparado contra posições no Kuwait. As autoridades do regime deram declarações em tom combativo nesta quinta.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um comunicado nesta quinta-feira afirmando que o cessar-fogo com os EUA se tornava “praticamente irrelevante” considerando os últimos fatos, enquanto a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o Estreito de Ormuz — afirmou que o tráfego pela via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem.
“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região e ao anúncio feito na noite de ontem pelas Forças Armadas iranianas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem”, anunciou a agência, que anteriormente havia aberto a possibilidade de tráfego de navios, desde que em coordenação com Teerã. (Com AFP e NYT)
Uma explosão registrada na madrugada desta quinta-feira no condado de Xing’an, na região autônoma de Guangxi Zhuang, no sul da China, deixou sete mortos e 17 feridos, segundo informações divulgadas pelas autoridades locais. As causas do incidente ainda são desconhecidas e seguem sob investigação policial.
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De acordo com um comunicado da polícia, a explosão ocorreu por volta da 1h40, no horário local, na Rua Lingxiang, em Xing’an.
Após o incidente, autoridades da cidade de Guilin e do próprio condado de Xing’an se deslocaram até a área atingida para coordenar as operações de resgate e prestar apoio às equipes mobilizadas no local.
As ações contam com a participação da polícia, do Corpo de Bombeiros, de profissionais de saúde e de equipes especializadas em resposta a emergências.
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Segundo as autoridades, quatro varreduras completas já foram realizadas na área afetada pela explosão.
Os 17 feridos foram encaminhados para hospitais da região. De acordo com os órgãos locais, todos apresentam quadro estável e não correm risco de morte.
As operações de busca, atendimento às vítimas e avaliação dos danos permanecem em andamento.
Investigação tenta esclarecer o que provocou a explosão
A polícia continua trabalhando para identificar a causa exata do incidente. As investigações preliminares descartaram a hipótese de que a explosão tenha sido provocada por um vazamento em um gasoduto, uma das possibilidades inicialmente consideradas pelas autoridades. Até o momento, porém, a origem da explosão que atingiu o condado de Xing’an não foi oficialmente determinada.
O caso segue sob apuração enquanto equipes de emergência permanecem mobilizadas na região afetada.
A morte do modelo Divyanshu Joshi, de 26 anos, durante uma sessão de fotos em uma pedreira abandonada no estado de Kerala, na Índia, desencadeou uma investigação policial e ampliou o debate sobre protocolos de segurança na indústria da moda no país.
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Segundo as autoridades, Joshi morreu afogado após cair em uma área inundada de uma pedreira desativada há mais de duas décadas, localizada no distrito de Ernakulam. O acesso do público ao local era proibido, e a região de Mudakuzha era conhecida pelo alto grau de periculosidade.
O caso, ocorrido em 28 de maio, também gerou controvérsias sobre as circunstâncias do acidente e as medidas adotadas pela equipe responsável pela produção.
À medida que o episódio ganhou repercussão nas redes sociais, surgiram questionamentos sobre a escolha da locação e versões divergentes sobre os procedimentos de segurança adotados durante o ensaio.
De acordo com reportagem publicada pela Mint Lounge em 1º de junho, o boletim de ocorrência foi registrado com base em uma denúncia apresentada por Rajeev Neelakantan, integrante da Rubberband Productions, produtora sediada em Kochi que havia sido contratada por uma empresa têxtil de Nova Déli para viabilizar o trabalho.
Polícia investiga uso de pedreira sem autorização
As investigações também buscam esclarecer se a produção foi realizada de forma irregular, de acordo com o jornal Hindustan Times.
Shimy Varghese, presidente do conselho local, e o próprio Rajeev Neelakantan afirmaram à Mint que não houve autorização administrativa para acessar a pedreira nem para realizar gravações no local.
As circunstâncias do acidente também estão no centro das apurações.
Segundo as autoridades, Divyanshu escorregou durante as filmagens e caiu em uma região profunda da pedreira, descrita como uma formação em espiral semelhante a uma pirâmide invertida. Equipes de resgate localizaram o corpo a aproximadamente nove metros de profundidade.
A polícia tenta esclarecer quais falhas logísticas ocorreram, por que a equipe escolheu uma pedreira considerada perigosa e como se deu a utilização de uma locação sem autorização oficial.
Relatos sobre tentativa de resgate entram em conflito
Outro ponto sob investigação envolve os acontecimentos imediatamente após a queda do modelo.
Em comunicado citado pela Mint Lounge, a Kartik Research afirmou que o fundador da empresa, Kartik Kumra, tentou socorrer o funcionário.
Segundo a marca, ele “entrou na água pessoalmente para procurar Divyanshu, mas não conseguiu encontrá-lo”, enquanto integrantes da equipe acionavam os serviços de emergência.
A versão, no entanto, foi contestada pela polícia.
— Ninguém pulou no lago depois que Joshi caiu — afirmou Sarin AS, chefe da delegacia de Kodanad.
Empresa lamenta morte e rebate informações
Após cobranças por responsabilização nas redes sociais, a Kartik Research divulgou uma nota lamentando a morte do colaborador e contestando parte das informações que circulavam publicamente.
A empresa afirmou que Divyanshu estava em Kerala exclusivamente para participar de uma campanha comercial sazonal e que ele “não estava envolvido em nenhuma atividade relacionada à natação como parte da produção”.
“Estamos devastados pela perda do nosso querido colega e amigo, Divyanshu Joshi, que faleceu em 28 de maio de 2026. Nos últimos dois anos, Divyanshu liderou nossa loja em Déli com carinho, dedicação e generosidade. Ele era profundamente querido por sua equipe e fará muita falta a todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e trabalhar ao seu lado”, declarou a Kartik Research.
Em outro trecho do posicionamento, a marca afirmou:
“À medida que relatos imprecisos sobre essa tragédia continuam circulando, gostaríamos de esclarecer que Divyanshu estava em Kerala como parte de uma sessão de fotos sazonal e não participava de nenhuma atividade relacionada à natação como parte da produção. Alguns relatos públicos distorceram as circunstâncias do incidente. Compartilhamos esse esclarecimento para que o foco permaneça em honrar sua vida e memória”.
A empresa informou ainda que não fará novos comentários sobre o caso.
Morador de Nova Delhi, Divyanshu Joshi conciliava a carreira de modelo com a função de responsável pela loja da Kartik Research na capital indiana.
Sua morte expôs fragilidades estruturais enfrentadas por profissionais do setor da moda na Índia e alimentou discussões sobre a necessidade de protocolos mais rigorosos em ensaios fotográficos e campanhas publicitárias.
O episódio também levantou questionamentos sobre até que ponto a busca por cenários visualmente impactantes pode estar sendo priorizada em detrimento da segurança das pessoas envolvidas nas produções.
As Forças Armadas dos EUA confirmaram nesta quinta-feira que bombardearam um terceiro navio-petroleiro no Golfo Pérsico, por supostamente tentar furar o bloqueio americano a portos iranianos, aumentando ainda mais a tensão em toda a região desde o abate de um helicóptero Apache pelas forças de Teerã. Três marinheiros de nacionalidade indiana morreram em decorrência dos ataques americanos às embarcações civis, em meio à mais recente troca de hostilidades. Fontes afirmaram que os países rivais estão promovendo esforços em reservado para um acordo provisório, embora a liderança iraniana tenha advertido em público que o frágil cessar-fogo vigente se tornou “praticamente irrelevante” diante das novas hostilidades, e decretou o fechamento total do Estreito de Ormuz.
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Em um comunicado nesta quinta, o Comando Central dos EUA (Centcom) confirmou ter realizado um ataque contra o petroleiro Jalveer, de bandeira de Guiné-Bissau, acusando uma tentativa de cruzar o Golfo de Omã com petróleo iraniano. A confirmação veio pouco depois do Ministério das Relações Exteriores da Índia acusar os EUA de atacarem a embarcação, a terceira com tripulação indiana a ser alvejada nos últimos dias. Além do Jalveer, foram atingidos os cargueiros Marivex e Settebello — este último, onde três tripulantes foram mortos.
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Délhi convocou o vice-chefe da missão da Embaixada dos EUA na capital indiana para apresentar um “forte protesto” pelo ataque que vitimou os trabalhadores. A Marinha Mercante indiana descreveu as mortes dos nacionais indianos como uma “perda irreparável”.
A retomada dos ataques cruzados entre EUA e Irã e a confirmação de dano entre civis de países alheios ao conflito provocaram uma forte reação de atores internacionais, que pediram contenção. A China revelou “sérias preocupações” com a recente escalada, enquanto Rússia e Turquia pediram para que os dois países retomassem os esforços de paz. No mesmo sentido, a Arábia Saudita pediu uma desescalada e a volta do diálogo intermediado por Catar e Paquistão. Um porta-voz da diplomacia paquistanesa, no entanto, deu uma declaração afirmando ser “difícil permanecer otimista” diante das agressões renovadas.
A trégua entre Washington e Teerã, que foi desrespeitada em diversos momentos ao longo dos últimos meses, foi quebrada pela última vez na terça-feira, quando a Casa Branca acusou os militares iranianos de derrubarem um helicóptero americano perto da costa de Omã. Em resposta, o Pentágono autorizou disparos contra o território iraniano, que danificaram infraestruturas civis, incluindo centrais do sistema de abastecimento de água, que afetaram 200 mil pessoas.
O Irã retaliou com ataques contra posições americanas em países do Golfo, que a liderança em Teerã já havia afirmado considerar alvos legítimos em meio às hostilidades. A Guarda Revolucionária do Irã disse ter atingido alvos na Jordânia e no Bahrein, além de ter disparado contra posições no Kuwait. As autoridades do regime deram declarações em tom combativo nesta quinta.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu um comunicado nesta quinta-feira afirmando que o cessar-fogo com os EUA se tornava “praticamente irrelevante” considerando os últimos fatos, enquanto a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico — agência criada pelo regime iraniano no intuito de supervisionar o Estreito de Ormuz — afirmou que o tráfego pela via marítima ficaria completamente bloqueado até nova ordem.
“Devido às tensões provocadas pela agressão das forças americanas na região e ao anúncio feito na noite de ontem pelas Forças Armadas iranianas, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até nova ordem”, anunciou a agência, que anteriormente havia aberto a possibilidade de tráfego de navios, desde que em coordenação com Teerã.
*Matéria em atualização
Keiko Fujimori conhece bem a derrota: disputou e perdeu três vezes a eleição presidencial no Peru. Mas agora, aos 51 anos, a filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori pode estar diante de sua melhor chance de chegar ao poder. Candidata de direita, Keiko enfrenta o esquerdista Roberto Sánchez no segundo turno presidencial, sob o legado ambivalente de seu falecido pai, que governou com mão de ferro na década de 1990 e ainda divide os peruanos.
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Após uma virada impulsionada pelos votos dos peruanos que vivem no exterior, Keiko retomou a liderança na disputa eleitoral do Peru na noite de quarta-feira. Com 98,2% das urnas apuradas, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori aparece com 50,002% dos votos válidos, contra 49,999% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Em um país acostumado à instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016, Keiko não precisa fazer grande esforço para se projetar nacionalmente. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do Peru.
— É uma “marca” que está bem posicionada, gostem ou não — afirma o cientista político Jorge Aragón, acrescentando que a quarta tentativa da candidata pode ser a que a levará finalmente à Presidência.
Sobrenome com sombras e luzes
Formada em Administração nos Estados Unidos, Keiko se apresenta como uma política profissional. Foi parlamentar, liderou o partido Força Popular e cresceu nos corredores do poder. Aos 19 anos, já era uma figura presente no governo do pai e convivia com chefes de Estado e líderes internacionais.
Figura central da política peruana, Alberto Fujimori governou o país em um período turbulento. Derrotou a insurgência do grupo maoísta Sendero Luminoso e os guerrilheiros do MRTA, controlou a hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos.
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Durante décadas, Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras associadas ao sobrenome Fujimori, que lhe garante uma base fiel de eleitores e uma ampla rede de contatos, mas também forte rejeição. Milhões de peruanos se recusam a votar em integrantes da família de origem japonesa, fator que já contribuiu para suas três derrotas presidenciais consecutivas.
— Sinto falta dele. Mas aonde quer que eu vá, as pessoas me lembram e me contam histórias — disse ela em entrevista à AFP na véspera da eleição, acrescentando: — Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas, [exceto Alan García (2006-2011)]. Todos os demais se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos.
Esta é a primeira eleição disputada por Keiko sem a presença do pai, que morreu em 2024. Em meio à onda de criminalidade que hoje figura entre as principais preocupações dos peruanos, ela decidiu apostar no legado de Alberto Fujimori sob a bandeira da “ordem”, afirmando que os peruanos querem um Fujimori de volta ao poder.
— Aqui estou — disse. — A esquerda leva à pobreza e ao caos. Com a força que meu pai teve para derrotar o Sendero Luminoso e o MRTA, vamos acabar com os criminosos.
Seus críticos, no entanto, atribuem a ela parte da instabilidade política do país, apontando a influência exercida pelo Força Popular no Congresso e sua capacidade de construir alianças parlamentares.
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‘Filha abençoada’
Pessoas próximas a descrevem como alguém perseverante, determinada e disciplinada. À AFP, seu candidato a vice-presidente, Miki Torres, disse que “cada golpe que Keiko recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar”.
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A trajetória política de Keiko também inclui mais de um ano de prisão preventiva enquanto era investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht. Vista por muitos anos como uma figura combativa, ela tenta agora suavizar sua imagem e se apresentar de forma mais conciliadora.
— Ao longo da minha carreira política também cometi erros. Aprendi com eles, mas me levantei com muito mais força — disse durante um debate presidencial.
Keiko, cujo nome significa em japonês “filha abençoada” ou “afortunada”, ficou conhecida popularmente como “a chinesa”, apelido que recebeu ainda na escola por causa dos olhos puxados. Mãe de duas filhas, de 18 e 16 anos, e divorciada de um americano, ela afirmou em uma entrevista biográfica que aprender a ser mãe foi mais difícil do que disputar a Presidência.
Resta saber se, após quatro tentativas, será lembrada apenas como a filha de Alberto Fujimori ou por sua própria trajetória política.
— Tenho uma meta difícil de alcançar, e espero alcançá-la — disse à AFP.
Um tradicional café à beira-mar da Califórnia foi demolido de forma emergencial nesta semana após engenheiros concluírem que a estrutura corria risco iminente de desabar no Oceano Pacífico. A destruição do Chit Chat Café, localizado sobre o Píer Municipal de Pacifica, cidade costeira a cerca de 25 quilômetros ao sul de San Francisco, mobilizou moradores e gerou repercussão na comunidade, que via o local como um símbolo da região há mais de três décadas.
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Na manhã desta segunda-feira (8), escavadeiras derrubaram o prédio depois que uma avaliação técnica apontou graves danos estruturais no píer. Segundo autoridades municipais, os danos severos foram encontrados próximos ao ponto que conecta o píer ao continente. Diante do cenário, a cidade declarou estado de emergência local e interditou áreas de praia próximas por razões de segurança.
Despedida de um símbolo da comunidade
Inaugurado nos anos 1990, o Chit Chat era frequentado por pescadores, turistas e observadores de baleias. Na hora da demolição, dezenas de moradores acompanharam a cena da base do píer. Imagens compartilhadas nas redes sociais registraram o momento em que máquinas destruíram o característico telhado hexagonal e as paredes alaranjadas do estabelecimento.
Os proprietários Branden Jenkins e Ginger Davis disseram ao jornal San Francisco Chronicle que receberam pouco aviso antes da demolição. Segundo eles, engenheiros da prefeitura interditaram o imóvel após considerá-lo inseguro.
Durante a retirada de pertences, Davis lamentou as perdas. — Estamos perdendo tudo o que há lá dentro, tanto em termos sentimentais quanto monetários — afirmou.
O fechamento mobilizou moradores e clientes, que iniciaram uma campanha de arrecadação online para ajudar os empresários. Até terça-feira, a iniciativa já havia reunido mais de US$ 19 mil. A segunda unidade do café, localizada em outra região de Pacifica, continuará funcionando.
A situação também evidencia um problema crescente na costa da Califórnia. Pacifica está entre as cidades mais afetadas pela erosão costeira e pela elevação do nível do mar, fenômenos que vêm comprometendo imóveis e infraestruturas próximas ao oceano. Construído em 1973 e avançando mais de 300 metros mar adentro, o Píer Municipal de Pacifica sofreu sucessivos danos provocados por tempestades e pela corrosão da água salgada nos últimos anos.
Autoridades locais afirmam que o próximo passo será reforçar a seção mais afetada da estrutura para evitar novos desabamentos. Segundo a prefeitura, já existe um contrato para obras de recuperação financiadas com quase US$ 1 milhão da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Ainda assim, a prefeita Christine Boles reconheceu que os custos continuam aumentando e que a recuperação completa do píer pode chegar a US$ 19 milhões. Enquanto isso, o futuro de uma das atrações mais conhecidas da cidade permanece incerto.

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