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No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável” e de “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
‘Relação especial’: Charles III leva diplomacia real a Washington com discurso de união ao Congresso dos EUA e reunião a portas fechadas com Trump
De cenouras minúsculas a canteiros exclusivos: Ex-jardineiro da realeza britânica revela preferências do Rei Charles
Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência americana.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma parte do discurso, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com uma menção ao derretimento do gelo no Ártico.
— Nossa geração precisa decidir como lidar com o colapso de sistemas naturais críticos, que ameaça muito mais do que a harmonia e a diversidade essencial da natureza — disse, tratando a crise do clima como uma questão de segurança nacional e global.
O segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, da qual o republicano com frequência ameaça sair, especialmente depois da recusa dos países da organização em se juntarem à sua guerra contra o Irã.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que se expressa mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais.
— Que nossos dois países se dediquem novamente um ao outro no serviço altruísta aos nossos povos e a todos os povos do mundo — afirmou, antes de exclamar que o caminho compartilhado por EUA e Reino Unido é de “reconciliação, renovação e parceria notável”, que fomentou “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação.
O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista. Os crimes não foram mencionados explicitamente no discurso desta terça, mas talvez nas entrelinhas.
— Em ambos os nossos países, é justamente o fato de termos sociedades vibrantes, diversas e livres que nos dá força coletiva, inclusive para apoiar as vítimas de alguns dos males que, tão tragicamente, existem em nossas sociedades hoje — disse o monarca.
Compra de propriedade: Rei Charles III investe R$ 26 milhões em gesto para Camilla e chama atenção
Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.
No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável”, pesar das recentes discordâncias entre os dois lados do Oceano Atlântico. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as muitas arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
‘Relação especial’: Charles III leva diplomacia real a Washington com discurso de união ao Congresso dos EUA e reunião a portas fechadas com Trump
De cenouras minúsculas a canteiros exclusivos: Ex-jardineiro da realeza britânica revela preferências do Rei Charles
Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma frase, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com a menção ao derretimento do gelo no Ártico; o segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, a qual o republicano com frequência ameaça abandonar.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que fala mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Encontramo-nos também na sequência do incidente ocorrido não muito longe deste magnífico edifício, que procurou prejudicar a liderança da sua nação e fomentar um medo e uma discórdia ainda maiores. Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais. Ao final da fala, uma esperada salva de palmas, alguns apertos de mãos protocolares e nenhum sinal de divergências.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação. O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista.
Compra de propriedade: Rei Charles III investe R$ 26 milhões em gesto para Camilla e chama atenção
Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.

O o governo federal anunciou a suspensão por 200 dias de 3,51 milhões de multas registradas por falta de pagamento da tarifa do pedágio eletrônico do modelo free flow (pedágio eletrônico sem cancelas), que deveriam ter sido quitadas em até 30 dias após a passagem pela rodovia estadual ou federal.

No prazo de 200 dias, os motoristas deverão regularizar os débitos atrasados.  Quem pagar as tarifas até 16 de novembro, também poderá recuperar os cinco pontos perdidos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). 

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Em entrevista coletiva, na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília, o ministro Guilherme Boulos defendeu que a suspensão temporária das multas é uma questão de justiça porque muitos dos motoristas multados nesse período não tinham a devida informação sobre como pagar o pedágio do tipo free flow ou mesmo sabiam que estavam sendo tarifados.


Brasília (DF), 28/04/2026 - O ministro da secretaria-geral da presidência, Guilherme Boulos, durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico (free flow) em todo o país. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Guilherme Boulos durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Boulos reforçou que uma inovação tecnológica deve beneficiar o cidadão, não causar prejuízo a ele. 

“Ninguém em sã consciência troca uma tarifa de R$ 5 por uma multa de quase R$ 200. Nós estamos falando aqui de 40 vezes mais. As pessoas acabaram sendo multadas porque, às vezes, não sabiam que teriam que ter a tag [no veículo] ou não sabiam que aquilo era um pedágio. E isso acaba levando a uma ideia de pegadinha.”

Durante os 200 dias, também está vetada a aplicação de novos autos de infração pelo não pagamento de tarifas de pedágio eletrônico.

A partir de 17 de novembro, os usuários com tarifas em aberto terão que arcar com os valores do pedágio e da multa por atraso no pagamento.

Ajustes

As autoridades também comunicaram o prazo de 100 dias dado às empresas que administram os pedágios eletrônicos nas rodovias para que ajustem seus sistemas; concluam a padronização e a integração de dados com o Sistema Nacional de Trânsito (SNT); e sinalizem corretamente os pórticos de cobrança eletrônica nas rodovias, em áreas não urbanas.

As concessionárias responsáveis pelas vias precisam garantir que o motorista saiba exatamente quando passou por um pórtico de cobrança e qual o valor da tarifa, por meio de informações disponibilizadas para consultas diretamente nos canais (sites e aplicativos) dessas empresas.

O secretário Nacional de Trânsito do Ministério dos Transportes, Adrualdo de Lima Catão, explicou que o governo reconhece que o cidadão não pode ser punido por falta de pagamento do pedágio se o sistema das concessionárias não for claro, transparente ou integrado.

“O governo está dando a solução tecnológica para essa necessidade de transparência com esse prazo de 100 dias. Após isso, todos os problemas elencados tendem a ser resolvidos, atendendo ao direito do cidadão.”

Cobrança na CNH Digital

Outro anúncio feito nesta terça-feira é de que as informações sobre passagens e débitos de pedágio eletrônico serão centralizadas no aplicativo CNH do Brasil, criado pelo Ministério dos Transportes, e que representa a evolução da Carteira Digital de Trânsito (CDT).

O objetivo principal é possibilitar o acesso às informações necessárias para o pagamento das tarifas em um único ambiente digital, a partir da integração dos sistemas das concessionárias.

No aplicativo digital, o usuário poderá consultar todos os registros de pedágio eletrônico do seu veículo, os valores pendentes, as formas e locais de pagamento do free flow, independentemente da rodovia, da concessionária ou da rodovia em que transitar (federal, estadual ou municipal).

O CNH do Brasil está disponível em lojas de aplicativos para ser baixado em dispositivos móveis. O Ministério dos Transportes afirma que o aplicativo conta com mais de 70 milhões de usuários ativos.

O ministro dos Transportes, George Santoro, que também preside o Conselho Nacional de Trânsito (Contran), afirmou que a padronização da informação representa uma virada regulatória, colocando o usuário no centro do sistema.

“Qualquer motorista terá as informações centralizadas na Senatran [Secretaria Nacional de Trânsito] e poderá acessar, pela CNH do Brasil, os registros de passagem e as formas de pagamento, independentemente da concessão ou do estado por onde trafegou”, afirmou.


Brasília (DF), 28/04/2026 - O ministro dos Transportes, George Santoro, durante cerimônia para divulgação das regras de transição para a implementação do pedágio eletrônico (free flow) em todo o país. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 George Santoro diz que a padronização da informação representa uma virada regulatória, colocando o usuário no centro do sistema – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ressarcimento

Caso o motorista já tenha realizado o pagamento de multa de trânsito e, ao mesmo tempo, o pagamento da tarifa de pedágio correspondente dentro do prazo previsto de 200 dias, o usuário poderá entrar com o pedido de ressarcimento do valor da multa.

O usuário deverá recorrer junto ao órgão de fiscalização de cada unidade da federação responsável pela autuação e, no processo, deverá comprovar o pagamento da tarifa de pedágio.

Multa

Se o motorista passar por um pórtico sem TAG e não efetuar o pagamento em até 30 dias, a conduta é configurada como infração de trânsito pelo Artigo 209-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) como “evasão de pedágio”.

A penalidade é classificada como grave e gera multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

Ao todo, o sistema do Ministério dos Transportes contabiliza mais de 3,51 milhões de infrações de trânsito por não pagamento dentro do prazo. No sistema free flow, cada passagem por um pórtico sem o devido pagamento gera uma infração individual.

Do total de infrações, somente os estados registraram os seguintes números:

  • Rio Grande do Sul: 1.196.465 multas (34,05%)
  • São Paulo: 802.842 multas (34,05%)
  • Minas Gerais: 62.541 multas (1,78%)
  • Mato Grosso: 269 multas (0,01%)

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registra as demais 1.451.656 multas (41,31%, do total).

Mais de 90% de todas estas infrações de trânsito não foram pagas e os condutores estão inadimplentes.

Trechos com pedágio eletrônico

No Brasil, o sistema opera em trechos nos seguintes trechos de rodovias concedidas:

  • BR-381/MG – concessionária Nova 381 S.A.;
  • BR-262/MG – Way-262 – concessionária da Rodovia BR-262/MG S.A.;
  • BR-116/SP-RJ – concessionária do Sistema Rodoviário Rio-São Paulo (RioSP);
  • BR-364/RO – concessionária Nova 364;
  • BR-277/PR – concessionária EPR Iguaçu; 
  • BR-369/PR – concessionária EPR Paraná;
  • SP-099 (Contorno Sul da Tamoios) – concessionária Tamoios;
  • SP-333 – concessionária Ecovias Noroeste Paulista;
  • SP-326 – concessionária Ecovias Noroeste Paulista;
  • MG-459 – concessionária EPR Sul de Minas.

Tecnologia free flow


Caeté (MG), 26/09/2025 - BR-381 começa a cobrança em sistema free flow neste sábado. Foto: Nova381/Divulgação

Free flow da BR-381  – Nova381/Divulgação

A tecnologia free flow permite a cobrança de pedágio eletrônico em rodovias. O sistema utiliza pórticos metálicos instalados sobre a pista, equipados com sensores, câmeras de alta definição e antenas. A identificação ocorre de duas formas principais:

​•etiqueta eletrônica (TAG): a antena no pórtico lê o adesivo colado no pára-brisa do veículo. O valor é debitado automaticamente da conta do usuário junto à operadora;

​• leitura de placas do veículo por meio de câmeras. Se o motorista não possui uma TAG, ele deve pagar o pedágio em canais digitais da concessionária (site, app ou WhatsApp) no prazo de até 30 dias.

O pedágio eletrônico evita que o motorista pare em praças de pedágio físicas ou mesmo interrompa o tráfego e pode representar justiça tarifária, pois permite a implementação do pagamento por quilômetro rodado.

Em sistemas tradicionais de cobrança física, o motorista paga o valor cheio mesmo que saia da rodovia logo após a praça.

Em um discurso inicial que enalteceu o legado britânico nos Estados Unidos e a relação próxima entre as potências desde a independência americana, o presidente Donald Trump sugeriu haver um laço de admiração pessoal entre sua família e a família real britânica: nas palavras do republicano, sua mãe, de origem escocesa, tinha um “crush” em Charles III. O comentário foi feito ao monarca durante a visita à Casa Branca nesta terça-feira.
Aproximação: Charles III leva diplomacia real a Washington com discurso de união ao Congresso dos EUA e reunião a portas fechadas com Trump
Contexto: Rei Charles III chega aos EUA em meio a crise com Trump por guerra contra o Irã
— Toda vez que a rainha [Elizabeth II, mãe de Charles] estava envolvida em uma cerimônia (…) minha mãe ficava vidrada na televisão e dizia: ‘Donald, olhe como tudo isso é bonito’ — afirmou o presidente, antes de acrescentar. — Ela verdadeiramente amava a família, mas eu também lembro dela dizer muito claramente: ‘Charles… ele é tão bonito… minha mãe tinha um ‘crush’ em Charles. Acreditam nisso?
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Charles III acompanhou o discurso de Trump acompanhado da rainha Camilla, que cumpre a agenda oficial aos EUA com ele. Autoridades do governo Trump estavam presentes na plateia, decorada com bandeiras britânicas e americanas, incluindo o vice-presidente JD Vance.
Fontes britânicas afirmaram a jornais ingleses que o monarca britânico pretendia utilizar o fascínio de Trump pela família real como um trunfo para abrir portas, em um momento em que a relação entre os dois governos atravessa uma turbulência, com o presidente americano e o premier britânico, Keir Starmer, trocando críticas públicas relacionadas à guerra no Irã, a qual Londres se negou a apoiar.
‘EUA não têm amigos mais próximos do que os britânicos’, diz Trump a Charles
O presidente americano fez acenos positivos à relação com o Reino Unido. Em uma parte do discurso, o republicano destacou a parceria Londres-Washington, afirmando que “não tem amigos mais próximos que os britânicos”. Também se referiu à origem americana a partir da colonização britânica, afirmando que “antes de uma nação”, os EUA já “tinham uma cultura”. Trump já foi criticado por ignorar a influência cultural de nativo-americanos, escravizados e imigrantes na formação cultural do país.
— Antes de os americanos terem uma nação ou uma constituição, primeiro tínhamos uma cultura, um caráter e um credo. Antes mesmo de proclamarmos nossa independência, os americanos carregavam dentro de si o mais raro dos dons, a coragem moral, e ela vinha de um pequeno, mas poderoso reino do outro lado do mar — afirmou Trump. (Com AFP)
O então jovem príncipe Charles, ao lado da sua então esposa, princesa Diana
Acervo
Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Iza Arruda (D) defendeu que as mulheres ocupem um espaço proporcional na política

Participantes de um seminário na Câmara dos Deputados defenderam que o Brasil avance para um modelo de reservas de cadeiras para garantir que as mulheres deixem de ser apenas “convidadas” e passem a ser “donas da casa” nos espaços de poder. A ideia conduziu a fala de deputadas e estudiosas no evento realizado pela Secretaria da Mulher nesta terça-feira (28).

O encontro debateu os 30 anos da reserva de gênero nas eleições municipais de 1996 e os avanços ocorridos desde então. Hoje, a Lei das Eleições (Lei 9.504/97) estabelece percentual mínimo fixo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada sexo nas disputas proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores).

A deputada Iza Arruda (MDB-PE), coordenadora-geral do Observatório Nacional da Mulher na Política, abriu o evento destacando que a legislação atual é apenas o começo. “As cotas foram os nossos primeiros passos. Mas não podem ser o nosso teto. Precisam ser o nosso piso para continuarmos avançando”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é alcançar uma democracia plena, onde as cadeiras efetivas sejam ocupadas proporcionalmente por homens e mulheres.

Reforçando a visão, a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), uma das coordenadoras da bancada feminina na Câmara, defendeu que o Brasil siga exemplos como o do México, que adota a paridade como regra.

“Não queremos estar na foto apenas. Queremos estar na mesa de decisão”, disse a parlamentar, lembrando que a dificuldade de captação de recursos e a ausência de reserva de assentos impedem que os 30% de candidaturas se convertam em 30% de eleitas.

Hoje, as mulheres ocupam apenas 18% da Câmara.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Seminário - Entre cotas e paridade: 30 anos na trajetória brasileira e as experiências internacionais. Dep. Erika Hilton (PSOL - SP)
Erika Hilton denunciou o uso de mulheres em candidaturas “laranja”

Barreiras
A deputada Erika Hilton (Psol-SP), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, classificou a atual política de cotas como “insuficiente diante dos desafios estruturais”. Ela denunciou o uso de mulheres como candidaturas “laranja” para desvio de recursos e criticou as anistias dadas a partidos que descumprem a lei.

“Isso é um escárnio, é um deboche. O que eles estão dizendo é que não existe legislação que dará conta de tapar o buraco da exclusão”, pontuou.

Segundo a secretária de Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, a sub-representação feminina é um tema de Estado e não falta de interesse das mulheres pela política. Ela destacou que o horizonte é a luta por 50% de reserva de cadeiras, combatendo também a pauta do cuidado, que sobrecarrega as mulheres e as afasta da vida pública.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Seminário - Entre cotas e paridade: 30 anos na trajetória brasileira e as experiências internacionais. Advogada e ex-Ministra do TSE, Edilene Lobo.
Edilene Lobo: democracia será um simulacro enquanto não houver paridade

Violência política
A advogada e ex-ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Edilene Lobo trouxe um alerta sobre a segurança no processo eleitoral moderno. Ela ressaltou o “dever das plataformas tecnológicas de apresentar os seus planos de integridade para o enfrentamento à violência política contra as mulheres no mundo digital”.

Na avaliação de Edilene Lobo, a democracia será um simulacro enquanto não houver paridade e igualdade étnico-racial efetivas.

A deputada Marina Silva (Rede-SP) também enfatizou que os avanços não são lineares e que a reserva de cadeiras é a ferramenta para corrigir distorções históricas, especialmente no âmbito local. “Quando a gente estabelece que pode ter uma reserva de cadeiras, nós não vamos mais ter estados sem representação das mulheres. Temos ainda inúmeros municípios que não têm nenhuma representação feminina”, observou.

Voz internacional
Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil, questionou: “Que democracia é esta onde metade da população precisa lutar para conquistar um espaço que é seu por direito?”. Ela lembrou que o Brasil ocupa apenas a 135ª posição no ranking mundial de ocupação de cadeiras no Parlamento por mulheres, situação que é ainda mais grave para mulheres negras.

A conclusão das palestrantes é que o fortalecimento da democracia brasileira depende de mecanismos que garantam não apenas o direito de disputar, mas o direito de exercer o poder com segurança e autonomia.

Socorristas alemães conseguiram nesta terça-feira colocar em uma embarcação especial a baleia-jubarte que estava encalhada havia semanas e que agora será levada para águas mais profundas.
‘Icefall doctors’: Everest tem rota de subida reaberta por alpinistas do Nepal contornando enorme bloco de gelo na Cascata de Khumbu
Explicação: Jimmy Kimmel nega incitação à violência com piada sobre Melania Trump, afirmando que abordava ‘diferença de idade’
A baleia, apelidada de “Timmy” pela imprensa alemã, mobilizou o país desde que ficou presa em um banco de areia próximo à cidade de Lübeck, longe de seu habitat natural, no fim de março.
A mais recente operação de resgate, financiada por dois empresários, prevê o transporte do mamífero marinho em uma barcaça com compartimento cheio de água, normalmente usada para levar outras embarcações, da costa alemã do Mar Báltico até áreas mais profundas.
Baleia jubarte estava encalhada na Alemanha
AFP
Desde as primeiras horas desta terça-feira, equipes de resgate colocaram cintas ao redor da baleia e a conduziram por um canal escavado especialmente na areia para permitir sua chegada à embarcação, perto da ilha de Poel.
Após percorrer parte do trajeto, a baleia — acompanhada por socorristas que nadavam ao seu lado — acelerou e finalmente entrou na embarcação, provocando gritos de comemoração entre integrantes da operação e pessoas que acompanhavam da costa.
O plano agora é levar a barcaça até o Mar do Norte e, se o animal estiver forte o suficiente, libertá-lo no local. Uma rede verde será usada para fechar a entrada da embarcação e impedir que o mamífero saia nadando antes do momento previsto.
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“Timmy” foi vista presa em um banco de areia pela primeira vez em 23 de março. Depois, conseguiu se soltar sozinha, mas voltou a encalhar em várias ocasiões. Diversas tentativas de salvamento foram feitas, entre elas a escavação de canais para facilitar sua saída, mas todas fracassaram.
No início de abril, as autoridades encerraram a operação ao concluir que não seria possível salvá-la. A decisão provocou indignação popular e, posteriormente, empresários receberam autorização para apresentar um novo plano de resgate.
Alguns cientistas criticaram duramente a liberação de novas tentativas, por considerá-las arriscadas para a baleia e avaliarem como baixas as chances de sucesso.
Um grupo de alpinistas nepaleses desobstruiu, nesta terça-feira (28), a rota que leva ao cume do Everest, que estava bloqueada, há duas semanas, por um enorme bloco de gelo que poderia atrasar e pôr em perigo as subidas.
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Um grupo de alpinistas do mais alto nível, conhecidos como “icefall doctors” (especialistas em cascatas de gelo), começou, em meados de maio, a equipar as encostas do “teto do mundo” com cordas, como é habitual antes de cada temporada.
Mas o seu avanço estava bloqueado há duas semanas pela presença de um serac — um enorme bloco de gelo — na temível Cascata de Gelo de Khumbu, que abre a rota nepalesa para o cume do Himalaia.
— Uma equipe de 21 pessoas, incluindo oito especialistas em cascata de gelo, subiu, esta manhã, abrindo a rota até o acampamento 1 — declarou Lakpa Sherpa, da 8K Expeditions, que coordenava a operação, à AFP.
— O serac continua lá, então o risco continua… Esperamos que derreta em breve — prosseguiu.
Em 2023, três alpinistas nepaleses morreram após serem atingidos por um bloco de gelo enquanto estavam na cascata de Khumbu.
O Nepal concedeu mais de 900 permissões de escalada para diferentes picos, incluindo 425 para o Everest, para a temporada de primavera (abril-junho).
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Um mar de barracas, capaz de abrigar mais de mil de pessoas — entre alpinistas estrangeiros e seus guias —, foi instalado ao pé do Everest para servir de ponto de partida para a subida ao pico de 8.849 metros.
A rota nepalense mais utilizada para alcançar o cube do Himalaia começa pela temida Cascata de Gelo do Khumbu, uma geleira cortada por fendas e seracs cujo movimento constante, intensificado ainda mais pelo aquecimento global, torna sua travessia muito perigosa para os alpinistas.
— No entanto, não estamos enviando pessoas lá para cima — indicou Lukas Furtenbach, da Furtenbach Adventures, dizendo que espera a luz verde do comitê que enviou os especialistas.
Escalado pela primeira vez em 1953, o Everest atrai, a cada temporada, um número crescente de alpinistas, sejam eles montanhistas experientes ou iniciantes em busca de fortes emoções, a ponto de que algumas passagens estreitas acabam bloqueadas por engarrafamentos humanos que colocam em perigos a segurança das expedições.
Cerca de 700 pessoas alcançaram o cume do Everest, no ano passado, pela vertente nepalesa, segundo o Ministério de Turismo do Nepal, e cerca de 100 a mais pela vertente norte, através da China.
O Irã propôs compartilhar suas capacidades defensivas com “países independentes”, citando as “experiências que levaram à derrota dos Estados Unidos” no conflito iniciado em fevereiro e que se encontra em pausa, em meio a negociações inconclusivas e a um bloqueio naval do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita durante reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), um grupo que reúne alguns conhecidos aliados de Teerã, como China e Rússia.
— Os Estados Unidos não conseguem mais impor suas políticas a países independentes, e isso ficou evidente para o mundo inteiro por meio da resiliência do povo iraniano e de suas Forças Armadas — disse Reza Talaei-Nik, vice-ministro de Defesa do Irã, durante reunião da SCO em Bishkek, no Quirguistão, citado pela agência estatal Irna.
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O Irã não figura entre os principais vendedores de armas do planeta — em 2025, o país respondia por 0,3% do total de exportações militares, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) —, mas vinha incrementando sua produção nos anos que antecederam a guerra lançada por EUA e Israel. E um dos itens do portfólio de Teerã ganhou notoriedade no passado recente: os drones de ataque Shahed, usados à exaustão pela Rússia na guerra lançada em 2022 contra a Ucrânia. De acordo com o Sipri, 73% das exportações militares iranianas vão para clientes russos.
Mas Reza Talaei-Nik não queria falar apenas de negócios com seus parceiros na SCO reunidos em Bishkek. Ali, o vice-ministro buscava transmitir a narrativa iraniana do que vê como sucesso na contenção da maior potência militar do planeta. Ao longo de dois meses, o país manteve boa parte de suas capacidades defensivas e de ataque, e é capaz de manter um dos maiores bloqueios navais da História recente, no Estreito de Ormuz — uma estratégia baseada em armas mais simples e baratas, como os drones, minas navais e barcos rápidos.
— Estamos prontos para compartilhar as experiências que levaram à derrota dos Estados Unidos com outros membros da organização— declarou o iraniano.
Aos homólogos no Quirguistão, o vice-ministro não mencionou a extensão dos estragos da guerra, cuja reconstrução custará centenas de bilhões de dólares, tampouco as mortes de integrantes da cúpula do regime, como o líder supremo, Ali Khamenei.
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Formada por nove países — Irã, China, Rússia, Índia, Paquistão, Quirguistão, Cazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão — a Organização de Cooperação de Xangai foi a mais recente parada da blitz diplomática iraniana, lançada em paralelo às negociações até agora infrutíferas com os EUA, pediadas pelos paquistaneses. Em Bishkek, Talaei-Nik se encontrou com o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, e esteve recentemente na Bielorrússia para discussões focadas na “situação no Oriente Médio”.
Na segunda-feira, Abbas Araghchi, chanceler iraniano que também está em meio a um “tour diplomático”, se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, e dele ouviu que Moscou fará “tudo a seu alcance” para ajudar o Irã. Em editorial também na segunda-feira, o jornal iraniano Shargh, reformista, considerou que a sequência de viagens demonstra “sinais claros de um impasse nas negociações com Washington”.
De acordo com veículos de imprensa americanos, Teerã fez, no fim de semana, uma nova proposta de acordo para encerrar a guerra, centrada na reabertura do Estreito de Ormuz, mas deixando para um segundo momento o status do programa nuclear do país, acusado de ter fins militares (os iranianos negam). Mas o presidente Donald Trump, afirmou o New York Times, não ficou satisfeito com o plano, apontando que retirar da mesa a pressão sobre as atividades atômicas faria com que os EUA perdessem poder de barganha. Trump exige garantias de que o Irã jamais terá uma bomba nuclear.
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Nesta terça-feira, Trump disse em sua rede social, o Truth Social, que Teerã “acabou de nos informar que está em um ‘Estado de Colapso’”.
“Eles querem que ‘Abramos o Estreito de Ormuz’ o mais rápido possível, enquanto tentam resolver sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão fazer)”, completou o presidente, sem explicar o que significa, na prática, o “estado de colapso”, ou qual autoridade iraniana teria lhe comunicado tal situação.
Na semana passada, quando anunciou a extensão do cessar-fogo por tempo indeterminado, o presidente americano sugeriu a existência de fissuras no regime — algo que analistas apontam há algum tempo — e disse esperar uma proposta unificada de Teerã. Desde então, autoridades militares e civis vieram a público declarar que a República Islâmica segue concisa e sem disputas internas.
Um homem foi preso na Irlanda do Norte após uma bomba detonar dentro de um carro roubado em frente a uma delegacia em Dunmurry, nos arredores de Belfast. O episódio ocorreu neste sábado, e a detenção ocorreu após buscas nesta terça-feira.
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A prisão foi realizada com base na legislação antiterrorismo britânica, enquanto agentes fazem buscas no leste e no oeste da capital norte-irlandesa.
Segundo as autoridades, um motorista de entregas teve o veículo sequestrado na região de Twinbrook, no oeste de Belfast, e foi forçado a dirigir até a delegacia com um artefato explosivo instalado no carro. A explosão aconteceu enquanto moradores da área eram retirados do local. Ninguém ficou ferido.
A polícia trata o caso como tentativa de homicídio. O grupo republicano dissidente New IRA assumiu a responsabilidade pelo atentado em comunicado enviado ao jornal Irish News. Segundo a publicação, a organização afirmou que o objetivo era matar policiais ao deixarem o prédio.
Após o atentado, a polícia anunciou reforço do policiamento ostensivo em toda a Irlanda do Norte, com aumento de patrulhas e barreiras de controle, diante do risco de novas ações de grupos extremistas.
A explosão reacendeu temores sobre a atividade de facções dissidentes republicanas, que rejeitam o acordo de paz de 1998 e continuam promovendo ataques esporádicos na região.
O comediante americano Jimmy Kimmel, alvo de críticas de Donald Trump após uma piada sobre a primeira-dama, negou na segunda-feira que a brincadeira tenha incitado violência contra o presidente. Trump pediu sua demissão imediata depois que Kimmel afirmou, em um monólogo na semana passada, que a primeira-dama irradiava “a aura de uma futura viúva”.
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Enquanto o comediante sustenta que se tratava de uma piada sobre a diferença de idade do casal, o presidente a classificou como um “desprezível apelo à violência”.
O comentário foi feito dois dias antes de um homem armado tentar invadir o jantar de correspondentes da Casa Branca em Washington, incidente pelo qual foi acusado de tentativa de assassinato do mandatário.
Em seu programa da quinta-feira da semana passada, Kimmel estava parodiando um mestre de cerimônias da gala e, em determinado momento, dirigiu-se a Melania Trump: “Senhora Trump, a senhora tem a aura de uma futura viúva”.
Trump completará 80 anos em junho e é o presidente mais velho da história dos Estados Unidos, enquanto sua esposa, uma ex-modelo nascida na Eslovênia, tem 56 anos. Assim como outros republicanos, a primeira-dama criticou Kimmel na segunda-feira e pediu que a emissora ABC “assuma uma posição” contra o apresentador.
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Kimmel, porém, minimizou as críticas e explicou que “obviamente” se tratava de uma piada “sobre a diferença de idade entre eles”.
“Foi uma piada muito leve” sobre “o fato de que ele tem quase 80 e ela é mais jovem do que eu”, acrescentou Kimmel em seu programa noturno de segunda-feira.
A Casa Branca prosseguiu com o ataque nesta terça-feira. O diretor de comunicação, Steven Cheung, chamou Kimmel de “pessoa de merda” na rede social X por “insistir na piada em vez de fazer o que era certo e pedir desculpas”.
‘Retórica de ódio e violenta é algo que devemos rejeitar’
O apresentador também chamou Trump a dialogar sobre a retórica “de ódio”, uma aparente referência aos comentários incendiários do presidente sobre grupos como migrantes, seus opositores políticos e a imprensa.
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“Concordo que a retórica de ódio e violenta é algo que devemos rejeitar”, disse Kimmel. “Acho que um ótimo meio para começar a reduzir esse tom seria ter uma conversa sobre isso com o seu marido”, acrescentou, dirigindo-se à primeira-dama.
Grande estrela dos programas noturnos de TV, os famosos “late night shows”, Kimmel já havia sido acusado pela direita de explorar politicamente o assassinato do influenciador pró-Trump Charlie Kirk no ano passado.
Propriedade da Disney, a ABC tirou o apresentador do ar, mas o reintegrou uma semana depois, após acusações de censura.

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