Peru: Com 98,2% das urnas apuradas, Keiko Fujimori retoma liderança e abre vantagem mínima sobre Sánchez
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Após uma virada impulsionada pelos votos dos peruanos que vivem no exterior, Keiko retomou a liderança na disputa eleitoral do Peru na noite de quarta-feira. Com 98,2% das urnas apuradas, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori aparece com 50,002% dos votos válidos, contra 49,999% do esquerdista Roberto Sánchez, segundo dados do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).
Em um país acostumado à instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016, Keiko não precisa fazer grande esforço para se projetar nacionalmente. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do Peru.
— É uma “marca” que está bem posicionada, gostem ou não — afirma o cientista político Jorge Aragón, acrescentando que a quarta tentativa da candidata pode ser a que a levará finalmente à Presidência.
Sobrenome com sombras e luzes
Formada em Administração nos Estados Unidos, Keiko se apresenta como uma política profissional. Foi parlamentar, liderou o partido Força Popular e cresceu nos corredores do poder. Aos 19 anos, já era uma figura presente no governo do pai e convivia com chefes de Estado e líderes internacionais.
Figura central da política peruana, Alberto Fujimori governou o país em um período turbulento. Derrotou a insurgência do grupo maoísta Sendero Luminoso e os guerrilheiros do MRTA, controlou a hiperinflação, mas também foi condenado por corrupção e violações de direitos humanos.
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Durante décadas, Keiko não conseguiu se desvencilhar das luzes e sombras associadas ao sobrenome Fujimori, que lhe garante uma base fiel de eleitores e uma ampla rede de contatos, mas também forte rejeição. Milhões de peruanos se recusam a votar em integrantes da família de origem japonesa, fator que já contribuiu para suas três derrotas presidenciais consecutivas.
— Sinto falta dele. Mas aonde quer que eu vá, as pessoas me lembram e me contam histórias — disse ela em entrevista à AFP na véspera da eleição, acrescentando: — Nos últimos 25 anos, fomos governados por governos antifujimoristas, [exceto Alan García (2006-2011)]. Todos os demais se dedicaram a insultar, a gerar ódio e divisão entre os peruanos.
Esta é a primeira eleição disputada por Keiko sem a presença do pai, que morreu em 2024. Em meio à onda de criminalidade que hoje figura entre as principais preocupações dos peruanos, ela decidiu apostar no legado de Alberto Fujimori sob a bandeira da “ordem”, afirmando que os peruanos querem um Fujimori de volta ao poder.
— Aqui estou — disse. — A esquerda leva à pobreza e ao caos. Com a força que meu pai teve para derrotar o Sendero Luminoso e o MRTA, vamos acabar com os criminosos.
Seus críticos, no entanto, atribuem a ela parte da instabilidade política do país, apontando a influência exercida pelo Força Popular no Congresso e sua capacidade de construir alianças parlamentares.
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‘Filha abençoada’
Pessoas próximas a descrevem como alguém perseverante, determinada e disciplinada. À AFP, seu candidato a vice-presidente, Miki Torres, disse que “cada golpe que Keiko recebeu na vida não a quebrou; deixou-a ainda mais forte do que qualquer um poderia imaginar”.
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A trajetória política de Keiko também inclui mais de um ano de prisão preventiva enquanto era investigada por suposta lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da Odebrecht. Vista por muitos anos como uma figura combativa, ela tenta agora suavizar sua imagem e se apresentar de forma mais conciliadora.
— Ao longo da minha carreira política também cometi erros. Aprendi com eles, mas me levantei com muito mais força — disse durante um debate presidencial.
Keiko, cujo nome significa em japonês “filha abençoada” ou “afortunada”, ficou conhecida popularmente como “a chinesa”, apelido que recebeu ainda na escola por causa dos olhos puxados. Mãe de duas filhas, de 18 e 16 anos, e divorciada de um americano, ela afirmou em uma entrevista biográfica que aprender a ser mãe foi mais difícil do que disputar a Presidência.
Resta saber se, após quatro tentativas, será lembrada apenas como a filha de Alberto Fujimori ou por sua própria trajetória política.
— Tenho uma meta difícil de alcançar, e espero alcançá-la — disse à AFP.









