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Os locais sagrados das três religiões monoteístas em Jerusalém reabrirão na quinta-feira, anunciou a polícia israelense nesta quarta-feira, quase 20 horas após a entrada em vigor de um cessar-fogo na guerra com o Irã.
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Localizados na Cidade Velha, o setor oriental da Cidade Santa ocupado e anexado por Israel, o Muro das Lamentações (Muro Ocidental) para os judeus, a Igreja do Santo Sepulcro para os cristãos e o Monte do Templo/Haram al-Sharif para os muçulmanos, haviam sido fechados pela polícia no primeiro dia da guerra, que começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos israelenses e americanos contra o Irã.
“A partir de amanhã de manhã, quinta-feira, 9 de abril de 2026, os locais sagrados da cidade de Jerusalém reabrirão para visitantes e fiéis”, afirmou um comunicado da polícia israelense.
A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira que a Otan “deu as costas” aos Estados Unidos no contexto da guerra com o Irã, elevando o tom das críticas à aliança militar poucas horas antes de uma reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e o secretário-geral do bloco, Mark Rutte, em Washington.
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A declaração foi feita pela porta-voz Karoline Leavitt, que indicou que Trump deve discutir com Rutte a possibilidade de abandonar a aliança durante o encontro na Casa Branca, marcado para a tarde.
— (A saída da Otan) é algo que o presidente tem discutido e que acredito que ele voltará a tratar nas próximas horas com o secretário-geral Mark Rutte — afirmou a porta-voz.
Trump chegou a sugerir que os Estados Unidos poderiam deixar a aliança após países membros ignorarem seu apelo para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global que havia sido fechada pelo Irã, provocando alta nos preços de energia.
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A reunião ocorre em meio ao cessar-fogo de duas semanas envolvendo o Irã, anunciado na terça-feira, e em um momento de tensão entre Washington e aliados europeus sobre o papel da Otan no conflito no Oriente Médio.
Antes do encontro com Trump, Rutte se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo o Departamento de Estado, as conversas abordaram as operações militares contra o Irã, a guerra na Ucrânia e o reforço da coordenação entre os países membros, incluindo a chamada “divisão de encargos” dentro da aliança.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio (à direita), cumprimenta o secretário-geral da Otan, Mark Rutte (à esquerda), durante encontro no Departamento de Estado, em Washington, D.C., em 8 de abril de 2026
KENT NISHIMURA / AFP
Os EUA desempenham papel central na Otan desde sua criação, em 1949, mas o governo Trump tem intensificado as cobranças sobre os aliados europeus, especialmente em relação aos gastos com defesa e ao apoio em operações militares recentes.
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Nos últimos dias, o presidente americano voltou a criticar países europeus por não apoiarem de forma mais ativa a ofensiva conduzida por EUA e Israel contra o Irã. Apesar disso, Trump mantém uma relação próxima com Rutte, a quem já descreveu como “um cara formidável”.
A expectativa é que o chefe da Otan tente amenizar as tensões e reforçar o compromisso dos aliados durante o encontro.
Protagonista da guerra no Oriente Médio, o Estreito de Ormuz vem ganhando protagonismo no noticiário internacional. Mas bem próximo de lá, uma ilha chama a atenção pelo show de cores que promove para seus visitantes em solo e mar. A Ilha de Ormuz fica a 8 km da costa do Irã e tem apenas 41 quilômetros quadrados. Ainda pouco conhecida na região como rota turísticas, ela é também considerada uma raridade geológica. Um dos fenômenos que acontece ali deixa as águas vermelhas, e seu solo repleto de colinas fica colorido, em meio a cavernas de sal, além de construções em formato de ovos em meio a uma área deserta.
O show de cores é explicado por camadas de rocha vulcânicas, sal e minerais, como o óxido de ferro. Segundo influenciadores que postam sobre o destino nas redes, é possível atravessá-la em 40 minutos com uma scooter. Embora ainda seja relativamente pouco explorada, em comparação a outros destinos próximos, mesmo com o anúncio de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, alerta oficiais não recomendam que se viaje para a ilha.
Um dos locais que mais chama atenção por lá é o Vale do Arco-Íris, há faixas de areia em verde, laranja, roxo, rosa e vermelho. Perece até feito por inteligência artificial, mas ela existe e proporciona belas fotos a seus visitante. Já no Vale do Açafrão as cores predominantes são o amarelo brilhante e o dourado. Moradores locais acreditam que a areia rica em diferentes minerais tem propriedades curativas.
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Outro fenômeno conhecido no local é a coloração da água, que fica vermelha, especialmente depois de chuvas. É tudo explicado pela química, já que o solo é rico em óxido de ferro, resultado da origem de depósitos vulcânicos, segundo explicou o portal Daily Mail, em uma das vezes que o fenômeno ocorreu, em dezembro.
Há ainda cavernas de sal, onde camadas de sal ficam presas nas rochas, onde também há uma variedade de cores.
Por lá ainda existe a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, construída pelos portugueses no século XVI, época das grandes navegações europeias.
Para se chegar até a Ilha de Ormuz, o caminho não é fácil. É preciso viajar da capital Teerã até a cidade de Bandar Abbas, em um voo que dura aproximadamente duas horas. seguidas de 45 minutos de travessia de barco até a Ilha de Ormuz.
Praia na Ilha de Ormuz
Reprodução/Instagram/@monkey.inc
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Dois estudantes de uma escola pública nos Estados Unidos morreram após um grave acidente de carro que terminou em incêndio, na cidade de Doral, no estado da Flórida. A colisão ocorreu na noite desta terça-feira e é investigado pelas autoridades locais.
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As vítimas foram identificadas como Mateo Dávila (17) e Alessia Tucci (16), alunos da Downtown Doral Charter Upper School. Segundo a imprensa local, os dois eram namorados. Não foi possível identificar quem estava dirigindo, mas apenas os dois adolescentes estavam no carro.
— De acordo com a polícia, o veículo em que estavam colidiu contra um poste e, em seguida, foi tomado por chamas, formando uma espécie de “bola de fogo”. Ambos morreram no local. A escola confirmou as mortes e informou que a comunidade escolar está de luto. Equipes de apoio psicológico foram mobilizadas para atender alunos e funcionários após o acidente — publicou a escola em comunicado divulgado nos Stories do Instagram.
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Nossos mais sinceros sentimentos estão com suas famílias, amigos, professores e funcionários de nossas escolas. Esses alunos deixaram um impacto duradouro em todos que os conheceram e sentirão muita falta. Para apoiar nossos alunos e funcionários, a escola organizou a presença de conselheiros de luto no campus e continuará oferecendo suporte conforme necessário.
As circunstâncias da colisão ainda não foram esclarecidas. Investigadores trabalham para determinar o que levou o motorista a perder o controle do veículo, além de possíveis fatores como velocidade, falha mecânica ou condições da via.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8), a proibição, no Brasil, das apostas eletrônicas de quota fixa, as chamadas de bets. Em entrevista ao canal ICL Notícias, Lula mostrou preocupação sobre o nível de endividamento da população brasileira e o agravamento de problemas de saúde pública decorrentes do vício em jogos.

“Se depender de mim, a gente fecha as bets”, disse, ressaltando que uma decisão final sobre o assunto depende de articulação com o Congresso Nacional. “Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país. Isso leva a sociedade a cometer desvios”, acrescentou Lula.

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O debate político, entretanto, seria complexo, já que, segundo o presidente, o setor de apostas possui forte influência e financia parlamentares e partidos políticos.

Lula argumentou que o endividamento no Brasil tem raízes nos baixos salários e que o governo está estudando propostas para ajudar as famílias a quitar dívidas. Para ele, o endividamento está sendo potencializado pela promessa de “ganho rápido” das apostas.

“Todo mundo quer ganhar um dinheirinho a mais, mas quando a pessoa está viciada no jogo, tem que tratar isso como uma questão de saúde Eu conheço pessoas que perderam o carro, perderam a casa. Pessoas que se matam”, lamentou o presidente.

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De acordo com o Banco Central, no primeiro trimestre de 2025, os apostadores destinaram até R$ 30 bilhões por mês às bets

Ainda, ao defender o fim das bets, Lula comparou a situação atual com a proibição histórica dos cassinos físicos e do jogo do bicho no país. Para o presidente, a tecnologia derrubou barreiras que protegiam as famílias.

“Eu passei toda minha vida ouvindo dizer que não era possível ter jogo de azar, ter cassino, o jogo do bicho era contravenção. Hoje o cassino está dentro da sua casa, com o seu filho de 10 anos […]  utilizando o celular do pai que é contra o jogo de azar, gastando dinheiro desnecessário e enricando as bets”, disse.

Além disso, ao rebater o argumento de que os clubes de futebol dependem dos patrocínios dessas empresas, o presidente lembrou que “o futebol viveu um século e meio sem as bets”.

Entenda

Desde 2018, as apostas de quota fixa de eventos esportivos são legalizadas no país, por meio da Lei 13.756/2018. Coube ao atual governo a regulamentação da atividade, feita em 2023, com a aprovação e sanção da Lei 14.790/2023, com a legalização também dos jogos online dessa modalidade.

O Ministério da Fazenda recebeu a competência de regular esse setor e criou, em 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas. Desde então, já foram publicadas dezenas de portarias com regras relacionadas às apostas.

Enquanto o presidente defende o fim das bets, a regulamentação e ampliação de cobranças sobre o setor vem alavancando a arrecadação do governo. De acordo com a Receita Federal, em janeiro e fevereiro deste ano, a tributação sobre apostas online e jogos de azar gerou R$ 2,5 bilhões, contra R$ 756 milhões no primeiro bimestre do ano passado. O crescimento no setor atinge 236% na comparação anual.

Israel reagiu com insatisfação ao cessar-fogo envolvendo o Irã após ter sido informado apenas na fase final das negociações, sem participação formal nem consulta ao longo das tratativas, segundo mediadores e fontes ouvidas pelo Wall Street Journal. O governo israelense recebeu a confirmação de que o entendimento estava fechado já nos momentos que antecederam o anúncio oficial da trégua de duas semanas, divulgado poucas horas antes do prazo estabelecido pelo presidente americano, Donald Trump.
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A interlocução com Washington se limitou a um telefonema de Trump ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pouco antes da divulgação do cessar-fogo, segundo um funcionário da Casa Branca. Na conversa, Netanyahu concordou em aderir ao acordo. Procurado, o gabinete do premier não comentou.
Além da forma como foi conduzido o processo, integrantes do governo israelense também demonstraram desconforto com os termos. Um dos pontos de divergência foi a possível inclusão do Líbano no acordo, hipótese rejeitada por Israel, que trata o país e o Irã como frentes distintas no conflito.
Na manhã desta quarta-feira, Netanyahu afirmou que o cessar-fogo não abrange o território libanês, contradizendo uma declaração anterior do Paquistão, que atua como mediador das negociações.
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Apesar das críticas, as Forças Armadas de Israel informaram que suspenderam as operações militares contra o Irã. Ao mesmo tempo, indicaram que os ataques contra o Hezbollah, no sul do Líbano, continuam em andamento.
Violações do acordo
Em meio às críticas, o cessar-fogo já dá sinais de fragilidade. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, denunciou “violações” por parte de Israel durante conversa telefônica com o comandante das Forças Armadas do Paquistão, o marechal Asim Munir, segundo comunicado do governo iraniano.
De acordo com Teerã, as supostas violações teriam ocorrido tanto no território iraniano quanto no Líbano. A mídia estatal iraniana também informou que um drone de fabricação israelense foi abatido no sul do país após o anúncio da trégua.
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Em comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que qualquer incursão de aeronaves estrangeiras no espaço aéreo iraniano será considerada uma violação do cessar-fogo e “respondida com firmeza”.
O cenário reforça a avaliação de que a trégua é instável. Nas últimas horas, novos ataques foram registrados no Golfo. O Kuwait relatou ter sido alvo de uma “intensa onda” de ofensivas iranianas, enquanto os Emirados Árabes Unidos informaram ter acionado seus sistemas de defesa contra mísseis e drones.
Autoridades iranianas, por sua vez, afirmaram que as ações foram uma resposta a bombardeios contra instalações petrolíferas na ilha de Lavan, classificados como um “ataque covarde”.
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Em meio à escalada, a Guarda Revolucionária declarou que não confia nas promessas dos EUA e afirmou permanecer “com o dedo no gatilho”, apesar da trégua.
(Com AFP)
O principal suspeito dos assassinatos de Gilgo Beach, Rex Heuermann, declarou-se culpado nesta quarta-feira, encerrando de forma abrupta um caso que levou mais de três décadas para ser solucionado pelas autoridades nos Estados Unidos.
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Heuermann, de 62 anos, confessou os sete homicídios pelos quais era formalmente acusado, além de um oitavo crime que ainda não havia sido oficialmente imputado. Ele compareceu ao tribunal do condado de Suffolk para o que seria uma audiência de rotina antes do julgamento previsto para o outono.
As vítimas de Heuermann, em sentido horário, a partir da linha superior: Shannan Gilbert, Maureen Brainard-Barnes, Melissa Barthelemy, Valerie Mack, Amber Lynn Costello e Megan Waterman
Reprodução: Condado Policial de Suffolk
Vestido com terno escuro, camisa branca e gravata azul estampada, ele afirmou ao juiz Timothy P. Mazzei que estava fazendo a confissão de forma voluntária e que abria mão do direito de recorrer e de testemunhar em sua própria defesa.
“Você sente que é do seu interesse se declarar culpado?”, perguntou o juiz.
“Sim, sinto”, respondeu Heuermann, assentindo com a cabeça.
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O promotor do condado de Suffolk, Raymond A. Tierney, citou uma a uma as vítimas e questionou o réu sobre como havia causado suas mortes. “Estrangulamento”, respondeu Heuermann repetidamente.
A faixa de areia de Gilgo Beach, em Nova York
SPENCER PLATT / GETTY IMAGES VIA AFP
Ele afirmou que contratava mulheres como acompanhantes, as matava, amarrava seus corpos com estopa e os abandonava ao longo da Ocean Parkway, via da orla que gerou a alcunha do criminoso.
Durante a confissão, Heuermann manteve comportamento calmo, como se estivesse em uma conversa cotidiana. A audiência, realizada diante de uma sala lotada, durou cerca de 20 minutos.
Após o depoimento, o advogado de defesa, Michael Brown, disse que a decisão de assumir a responsabilidade partiu do próprio cliente.
“Houve um momento nesta defesa em que Rex disse: ‘Quero me declarar culpado’”, afirmou Brown. Segundo ele, Heuermann foi motivado pelo desejo de poupar as famílias das vítimas de um julgamento “sensacionalista” e de “evitar que sua própria família passasse por esse sofrimento”. Questionado se o cliente demonstrava arrependimento, respondeu: “Espero que sim”.
A investigação teve início em 2010, quando a polícia encontrou quatro corpos em Gilgo Beach, na costa sul de Long Island. Ao longo dos anos, os restos mortais de 16 pessoas foram localizados na região, incluindo uma mulher assassinada ainda na década de 1990. Desde o começo, parte dos investigadores suspeitava da atuação de um assassino em série, mas o caso foi prejudicado por falhas internas, desorganização e episódios de corrupção.
As autoridades acreditavam que o criminoso escolhia mulheres que anunciavam serviços em sites como Craigslist, utilizava tiras de estopa para amarrá-las e fazia contato por celulares descartáveis, difíceis de rastrear. Dados de torres de telefonia indicavam que ele poderia se deslocar entre Long Island e Manhattan.
Apesar dessas pistas, a polícia levou anos para identificar um suspeito. A virada ocorreu apenas em julho de 2023, com a prisão de Heuermann.
Durante todo esse período, familiares das vítimas pressionaram as autoridades por respostas e questionaram se o ritmo da investigação teria sido diferente caso as mulheres não fossem trabalhadoras do sexo.
Na audiência desta quarta-feira, os nomes das vítimas foram lembrados em voz alta: Megan Waterman, 22 anos; Melissa Barthelemy, 24; Amber Lynn Costello, 27; Maureen Brainard-Barnes, 25; Valerie Mack; Jessica Taylor, 20; Sandra Costilla, 28; e Karen Vergata, 34.
O número de mortos nos ataques realizados por Israel no Líbano nesta quarta-feira subiu para 254, segundo o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde do país.
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A atualização ocorre após uma série de bombardeios intensos que atingiram diferentes regiões, incluindo bairros de Beirute, sua periferia sul — reduto do Hezbollah —, além do Vale do Beqaa e do sul do país.
Segundo as Forças Armadas de Israel (FDI), a ofensiva fez parte de uma operação coordenada que atingiu mais de 100 alvos em poucos minutos, com o uso de cerca de 50 caças e 160 munições.
Os alvos incluíram centros de comando, estruturas de inteligência, locais de lançamento de mísseis e posições de unidades de elite do Hezbollah, como a Força Radwan, segundo o Exército israelense.
Imagens registraram colunas de fumaça sobre a capital libanesa, enquanto jornalistas relataram cenas de pânico nas ruas após as explosões.
Para justificar os ataques recentes ao Líbano, autoridades de Israel afirmaram que o cessar-fogo não se aplicava ao território libanês, discurso confirmado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, posteriormente.
Irã volta a fechar o Estreito de Ormuz
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter “o dedo no gatilho” em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas “acreditar” que o estreito estava aberto à navegação.
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O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele abrange o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe “não foi incluído no acordo”. Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região”. Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.
Trinta e nove dias depois de EUA e Israel lançarem a “Operação Fúria Épica” contra o Irã, o presidente americano, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo temporário, de duas semanas, enquanto os envolvidos discutem os termos para o fim do conflito. Teerã e Washington se apontaram vencedores e deram sinais de que não pretendem abrir mão de suas demandas. Mas além de sucessos, os dois lados veem a pausa como um momento de encarar as próprias derrotas.
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Pelo lado americano, a declaração de vitória marcou o fim de um dia que arrastou atenções e angústias de todo o planeta.
No começo da terça-feira, Trump disse que se o Irã não aceitasse o ultimato para reabrir o Estreito de Ormuz, “uma civilização inteira iria morrer”, declaração considerada por analistas como um crime de guerra. A menos de duas horas do fim do prazo, o presidente deu uma guinada similar à de certo romance do escritor escocês Robert Louis Stevenson, anunciando o cessar-fogo por duas semanas e o início de conversas. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, suas forças já estavam preparadas para atacar instalações de energia e outras infraestruturas do Irã, causando estragos “que não seriam reparados por décadas” (mais um crime de guerra), se fosse necessário.
“Em nome dos Estados Unidos da América, como Presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver este problema de longa data perto de ser resolvido”, escreveu o presidente em sua rede social, o Truth Social.
A Casa Branca anunciou em comunicado uma “vitória total e completa”. Hegseth disse que os iranianos “imploraram pela trégua”. JD Vance, vice-presidente, destacou que os EUA têm uma “clara vantagem militar, diplomática e, talvez o mais importante, econômica”.
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Para Trump, o maior sucesso foi abrir caminho para encerrar uma guerra da qual não ele sabia sair.
Desde o início da “Operação Fúria Épica”, o presidente e seus assessores enumeram uma série de objetivos, incluindo a eliminação do programa de mísseis, o fim do enriquecimento de urânio e a mudança de regime. A novilíngua trumpista garante que as metas foram cumpridas, mas o país ainda é capaz de lançar mísseis e drones, está no controle de 440kg de urânio enriquecido e o poder segue nas mãos de políticos e militares leais aos conceitos da República Islâmica. Os 13 mil ataques realizados ao longo de 39 dias não levaram o Irã à submissão total, como Trump acreditava ser possível. Seus apelos para que aliados da Otan e as monarquias do Golfo Pérsico se juntassem à guerra foram ignorados. Dentro de casa, 60% dos americanos queriem o fim imediato do conflito. Os impactos da alta do petróleo ajudaram a corroer sua aprovação, hoje abaixo de 40%.
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Ao aceitar o pedido do Paquistão para a pausa de duas semanas, ele busca a aura de “presidente da paz” e se mostra disposto a negociar com os iranianos, algo que já estava fazendo, com relativo sucesso, dias antes de bombardear o país. A primeira rodada está prevista para sexta-feira, em Islamabad, e as delegações podem ser lideradas por Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Sucessos podem lhe dar argumentos para impulsionar sua popularidade, e a retomada do tráfego por Ormuz seria um alívio para a alta dos combustíveis (embora a normalização deva levar mais algumas semanas).
— Se os iranianos estiverem dispostos de boa fé a trabalhar conosco, acho que podemos chegar a um acordo — disse Vance a repórteres na Hungria, onde participa de eventos de apoio a seu aliado, o premier Viktor Orbán, antes das eleições do fim de semana.
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Analistas acreditam, ao menos agora, que os iranianos chegam às negociações em ligeira vantagem, mesmo diante da destruição das últimas semanas. O país segue no controle do Estreito de Ormuz — nesta quarta-feira, já sob cessar-fogo, ameaçou atacar qualquer navio que passar sem autorização. Trump já disse que a proposta apresentada por Teerã iria nortear as conversas, um plano de 10 pontos que exige o fim das sanções, direitos sobre Ormuz e a manutenção do enriquecimento de urânio (que deve ser crucial no diálogo). Através da imprensa dos EUA, integrantes da Casa Branca alegam que a proposta tornada pública é diferente da apresentada em privado, e o presidente garante que apenas pontos “aceitáveis” serão debatidos a portas fechadas, sem explicar quais.
“Os Estados Unidos, obviamente, não aderiram a todos os dez pontos. Mas o simples fato de a proposta iraniana servir de base para as negociações já representa uma importante vitória diplomática para Teerã”, escreveu, em artigo, Trita Parsi, vice-presidente executivo do Instituto Quincy. “Os Estados Unidos não estão mais em posição de ditar as regras; qualquer acordo terá que se basear em um compromisso genuíno.”
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Ao aceitar os termos iniciais do plano, os EUA também reconheceram a autoridade do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, e parecem satisfeitos com a nova configuração à frente do governo: a “mudança de regime”, propagandeada pelo presidente americano, não passou da substituição de autoridades mortas nos bombardeios por nomes mais jovens e por vezes mais radicais que seus antecessores. Em Teerã, o acordo foi recebido como capitulação de Washington, e um jornal estampou em sua capa que “o jogador perdeu”.
“Os Estados Unidos foram obrigados a aceitar o cessar-fogo; uma realidade que indica uma clara derrota estratégica”, escreveu na rede social X o conselheiro diplomático de Mojtaba Khamenei, Ali Akbar Velayati.
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Isso não significa que há motivos para festejar. As semanas de bombardeios devastaram instalações militares (incluindo bases, fábricas de mísseis e drones e unidades de defesa aérea), infraestruturas civis e afetaram duramente a capacidade de produção industrial. Mais de duas mil pessoas morreram, e dezenas de milhares ficaram feridas. Os mecanismos para garantir a soberania aérea estão dizimados, e os estoques balísticos foram empregados à exaustão, sem capacidade imediata de reposição. O modelo descentralizado foi essencial para garantir a continuidade da guerra mesmo sem ordens centrais, mas pode se tornar um desafio em termos de coordenação nacional a médio prazo. Os ataques às monarquias árabes devem fortalecer o discurso anti-Teerã na outra margem do Golfo Pérsico, interrompendo um processo de aproximação. A pressão por mudanças, que motivou os protestos de janeiro, pode ressurgir nas ruas, mas o regime não está mais nas cordas como no começo do ano.
“Esta guerra eletiva não foi apenas um erro estratégico. Em vez de precipitar uma mudança de regime, provavelmente concedeu à teocracia iraniana uma nova sobrevida — tal como aconteceu com Saddam Hussein (ditador iraquiano, 1979-2003) em 1980, quando a sua invasão permitiu ao aiatolá [Ruhollah] Khomeini consolidar o poder no país”, opinou Parsi.
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O caminho temporário de Trump para sair da guerra, apesar de celebrado, também veio a um custo elevado. Em termos financeiros, o site Iran War Cost Tracker estima que o conflito custou US$ 44 bilhões até as 12h (horário de Brasília) desta quarta-feira. Em termos políticos, o ultimato com tons de crimes de guerra rendeu críticas até de aliados, e cresce entre os democratas o discurso pelo do afastamento do presidente. Muitos republicanos temem que o conflito e o vocabulário virulento de Trump lhes custe os empregos na Câmara e no Senado, que serão renovados em novembro. Como disse à rede BBC o deputado Austin Scott, “os comentários do presidente são contraproducentes”.
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No exterior, o cessar-fogo foi elogiado por aliados, mas nos bastidores poucos brindam à Casa Branca. Ouvido pelo portal Politico, um diplomata disse que “o interesse dos europeus em apoiar os EUA está em níveis abaixo de zero”. Também ao Politico, um integrante de um governo da região afirmou que “este não é um bom momento para as relações transatlânticas”, e que “Trump está claramente insatisfeito com o rumo da campanha contra o Irã e quer culpar os aliados”. Anthony Albanese, premier australiano, louvou a trégua, mas disse que “não é apropriado usar uma linguagem como a do presidente dos Estados Unidos”, se referindo ao ultimato existencial. Se o mal estar externo com os EUA já estava à mesa antes da guerra, agora o elefante se senta em lugar de destaque na sala.
O Irã voltou a suspender a passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, menos de 24 horas depois do anúncio de um cessar-fogo na guerra lançada por EUA e Israel no final de fevereiro. A retomada do tráfego na área, por onde transitam 20% do petróleo e gás comercializados no planeta, é um ponto central do plano, mas Teerã creditou a decisão à nova série de ataques israelenses no Líbano.
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De acordo com a agência Fars, duas embarcações passaram por Ormuz nesta quarta-feira, mas o local foi bloqueado mais uma vez depois da série de violentos bombardeios israelenses contra o Líbano, oficialmente voltados ao Hezbollah — grupo aliado de Teerã — mas que atingiram áreas densamente populadas onde a organização não está presente. Segundo o Ministério da Saúde, 89 pessoas morreram e 772 pessoas ficaram feridas.
Autoridades locais dizem que foram mais de 100 ataques em um intervalo de 10 minutos, e alguns descrevem um cenário parecido com a da devastação da Guerra Civil Libanesa (1975-1990). Desde o começo de março, Israel bombardeia o Líbano e dá passos cruciais para invadir e ocupar uma parte sul do país, deixando mais de 1,5 mil mortos e um milhão de deslocados internos.
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Editoria de Arte/O Globo
Em comunicado, as forças navais e aeroespaciais da Guarda Revolucionária — que exerce o controle de fato do estreito — disseram que o novo fechamento demonstra que o Irã fala sério quando afirma ter “o dedo no gatilho” em meio ao cessar-fogo de duas semanas.
O bloqueio de Ormuz foi uma das principais armas do Irã na guerra, e causou um dos maiores choques do petróleo em décadas. Centenas de embarcações aguardam a autorização para a travessia, que agora está sob controle das autoridades militares iranianas. Um projeto em tramitação no Majlis, o Parlamento do Irã, adota a cobrança de um pedágio que pode chegar a US$ 2 milhões por navio. No plano de 10 pontos apresentado aos EUA, como ponto de partida para as negociações de paz, Teerã exige manter direitos sobre o trânsito naval na passagem.
No começo do dia, um representante do governo iraniano afirmou à agência Reuters que o Estreito de Ormuz poderia ser aberto até sexta-feira, quando começam as negociações entre EUA e Irã no Paquistão, em busca de um acordo definitivo. Contudo, como alertou o chanceler do país, Abbas Araghchi, as travessias ocorreriam em coordenação com seus militares — a Guarda Revolucionária ameaçou atacar qualquer embarcação que entrar na área sem autorização. Mais cedo, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos EUA, e Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto do país, afirmaram a jornalistas “acreditar” que o estreito estava aberto à navegação.
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O impasse em Ormuz é mais um elemento de tensão em torno do cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira por Trump. Apesar do Paquistão, que atuou como mediador, afirmar que ele abrange o Líbano (por pressão do Irã) Israel e EUA dizem o contrário, e autoridades israelenses prometem intensificar os ataques, segundo eles, voltados ao Hezbollah. À rede PBS, Trump declarou que, por causa do grupo, o país árabe “não foi incluído no acordo”. Citada pela agência Tasnim, a Guarda Revolucionária disse que “se as agressões contra o nosso amado Líbano não cessarem imediatamente, daremos uma resposta lamentável aos agressores malignos da região”. Segundo a mesma agência, há vozes em Teerã defendendo a retirada do país do acordo diante dos bombardeios contra cidades libanesas.

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