Entenda: Trump e Petro têm primeira conversa telefônica em meio a ameaças dos EUA e combinam encontro na Casa Branca
Próximos alvos?: Colômbia, México e Groenlândia refutam ameaças de Trump: ‘Chega de fantasias’
“Entre os assuntos que discutimos, o presidente Trump e eu, estava a discordância que tínhamos em relação à sua visão sobre o relacionamento dos EUA com a América Latina”, escreveu Petro em uma publicação nas redes sociais, descrevendo sua proposta para o desenvolvimento de energia limpa na região, em substituição aos combustíveis fósseis, uma pauta avessa às ideias de Trump. “A exploração petrolífera da América Latina só levaria à destruição do direito internacional e, consequentemente, à barbárie e a uma terceira guerra mundial. A paz mundial estaria seriamente ameaçada e caminharíamos para um colapso climático irreversível com a extinção da vida”.
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Embora não tenha dado qualquer sinal sobre as impressões de Trump ao seu projeto, a publicação foi feita após Petro recuar de aprofundar ainda mais medidas de condenação ao presidente americano, em meio a disputa entre os dois sobre a interferência americana na região — sobretudo na Venezuela —, e declarações do republicano sobre “não ter problema” em realizar uma incursão militar em solo colombiano.
Ao se dirigir a uma multidão reunida na Praça Bolívar, no centro de Bogotá, que atenderam a marchas convocadas pelo líder de esquerda, em repúdio às ameaças de Trump, Petro assegurou que pensava em fazer um discurso “muito duro”, mas mudou de ideia após o telefonema com Trump, que durou pelo menos uma hora.
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O dirigente colombiano assegurou que pediu a americano que “se restabeleçam os contatos diretos entre chancelarias e presidentes” de ambas as nações, e que eles trataram sobre o tráfico de drogas e a situação na Venezuela.
— Se não se dialoga, há guerra — disse Petro em meio à ovação do público.
Também em uma publicação nas redes sociais, Trump também adotou um tom cordial. Ele convidou o líder colombiano para uma visita à Casa Branca. O republicano sugeriu que a ligação teria sido uma iniciativa de Bogotá, e que eles falaram trataram sobre “desacordos” entre ambos.
“Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que me telefonou para explicar a situação das drogas e de outros desacordos que tivemos. Agradeci sua chamada e seu tom, e espero me reunir com ele em um futuro próximo”, escreveu Trump em uma mensagem publicada em sua rede Truth Social. “Estão sendo feitos acertos entre o secretário de Estado Marco Rubio e o chanceler da Colômbia. A reunião vai acontecer na Casa Branca”.
Escalada de tensões: Petro diz estar disposto a ‘pegar em armas’ após ameaças de Trump contra a Colômbia
Petro e Trump tiveram repetidos desencontros sobre temas como narcotráfico, tarifas e imigração. Aliados militares e econômicos históricos, Colômbia e Estados Unidos estão em um dos piores momentos de sua relação bilateral. Desde o fim de setembro, Petro não tem visto americano por ordem de Trump.
Em uma entrevista dada à AFP na quarta, o vice-chanceler colombiano, Mauricio Jaramillo, advertiu que uma escalada das tensões poderia levar a uma “catástrofe” humanitária sem precedentes na América Latina.
Petro também informou durante o seu discurso que falou há dois dias com a presidente interina Delcy Rodríguez, a convidou a visitar a Colômbia e lhe propôs um diálogo “mundial” para “estabilizar” a Venezuela. O dirigente colombiano não reconhece a questionada vitória de Maduro nas eleições de 2024, mas acusa Washington de sequestrá-lo e se posicionou contra a operação militar dos Estados Unidos em Caracas.
Segundo o presidente colombiano, o diálogo foi proposto a Delcy com o objetivo de evitar “violência” na sociedade venezuelana. (Com AFP)







