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O vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou à Suíça no domingo para conversas com o Irã sobre a implementação de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Vance e sua esposa chegaram à Base Aérea de Emmen, perto de Lucerna, no centro da Suíça, segundo seu porta-voz.

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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deve anunciar sua renúncia ao cargo nesta segunda, afirmou hoje o jornal The Guardian, em meio a pressões de seu partido para troca de liderança.
A expectativa é que o Andy Burnham, ex-secretário de Saúde e ex-prefeito da Grande Manchester, assuma a posição.
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Integrantes do governo não informam ainda a data em que a troca pode ocorrer, mas o secretário de Negócios do governo britânico diz que a “realidade política” com a impopularidade de Starmer está se impondo.
— Não quero passar a ilusão de que não há nenhum processo, nenhuma força em ação, que esteja desafiando o primeiro-ministro como líder. Isso é claro — , disse Peter Kyle em entrevista à rede de TV BBC.
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Antes dessa declaração, Starmer e aliados vinham prometendo que ele lutaria para ficar no cargo, mas a situação mudou após Burnham, que estava sem mandato político, ter vencido uma eleição suplementar em Makerfield que o colocou de volta no Parlamento.
Burnham é um dos dois nomes cotados para a substituição de Starmer, sendo o outro Wes Streeting, também ex-secretário de Saúde.
Pelo menos dez crianças ficaram feridas após fortes rajadas de vento levantarem um castelo inflável durante um evento no Centro de Convenções de Torreón, no México, no domingo (14). O caso ganhou repercussão internacional depois que vídeos do momento passaram a circular nas redes sociais.
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Nas imagens, é possível ver o brinquedo sendo arrastado pela força do vento antes de ser erguido no ar. Crianças e adultos aparecem tentando segurar a estrutura, mas não conseguem impedir que ela seja levantada. O registro mostra cenas de correria e preocupação entre os participantes do evento.
Confira:
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Vídeo viralizou nas redes sociais
De acordo com veículos de imprensa locais, uma testemunha relatou que o castelo inflável chegou a subir mais de nove metros de altura após ser atingido por uma forte rajada de vento. Segundo o relato, a estrutura poderia ter alcançado uma altitude ainda maior se não tivesse sido contida pelo teto do local.
As autoridades locais informaram que pelo menos dez crianças sofreram ferimentos e receberam atendimento médico. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a gravidade das lesões.
O registro mostra cenas de correria e preocupação entre os participantes do evento
Redes sociais
Em meio a arranjos para iniciar conversas de paz neste domingo, e depois de retomar o bloqueio ao estreito de Ormuz, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse estar preparado para dar garantias de que não desenvolverá armas nucleares, mas sem desistir de enriquecer urânio.
“O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica. Isso não é novidade, e nós também podemos declarar por escrito que não temos intenção de construir uma bomba”, afirmou o presidente, segundo seu site oficial.
“No entanto, não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento, e o outro lado não terá escolha a não ser aceitar esse direito”, acrescentou, no dia em que representantes iranianos e americanos se reuniram na Suíça para negociar um acordo.
Outra liderança iraniana anunciou hoje que o conflito no Líbano entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah será principal tema de discussão nas negociações com os Estados Unidos, realizadas ao longo do dia na Suíça.
— O regime sionista continua a violar seus compromissos no Líbano; esta questão será o principal ponto de discussão nas conversas de hoje — disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, em um vídeo divulgado pela agência de notícias estatal. — A questão da disponibilidade de ativos financeiro iranianos congelados ou restritos, bem como discussões relacionadas à emissão das licenças necessárias para a venda de petróleo iraniano, também estarão na agenda.
Os Estados Unidos e o Irã devem retomar as negociações neste domingo, na Suíça, para finalmente pôr fim à guerra no Oriente Médio.
Um acordo já assinado estabelece um período renovável de 60 dias para as discussões, que abordarão, entre outras questões, o programa nuclear iraniano.
No entanto, desde o seu anúncio, obstáculos se acumularam.
No sábado, em resposta à continuidade de dois bombardeios israelenses, o Irã anunciou, em retaliação, a volta de fechamento do Estreito de Ormuz, a passagem crucial para o comércio global de petróleo na saída do Golfo Pérsico.
Autoridades já começaram a chegar para negociações.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, desembarcou no início da manhã de domingo na Base Aérea de Emmen, perto de Lucerna, no centro da Suíça, acompanhado de seu porta-voz. As negociações estão agendadas para ocorrer em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma montanha com vista para o Lago Lucerna.
A televisão estatal do Irã afirma que a delegação do país é composta pelo negociador-chefe Mohammad Bagher Qalibaf (presidente do Parlamento), pelo Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, e pelo chefe do Banco Central, Abdolnaser Hemmati.
A delegação paquistanesa, atuando como mediadora, chegou neste domingo e incluiu o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Estado-Maior do Exército, Asim Munir.
As negociações devem durar “alguns dias”, disse JD Vance a repórteres no sábado, antes de partir dos Estados Unidos, especificando que só poderia ficar na Suíça “por um ou dois dias”.
— Espero que possamos avançar com a questão nuclear e com o cessar-fogo no Líbano. Essas são as duas principais questões em que nos concentraremos — disse.
Um parapentista ficou pendurado a quase 60 metros de altura depois de se prender acidentalmente a um guindaste de construção em Nanchong, na província de Sichuan, no sudoeste da China, na sexta-feira (19). O piloto foi resgatado em segurança por bombeiros, segundo autoridades locais, e não sofreu ferimentos.
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Vídeos registrados por testemunhas mostram o parapentista suspenso no ar, preso ao guindaste ao lado de uma ponte, enquanto pessoas que acompanhavam a cena demonstravam preocupação. Em uma das imagens, o piloto aparece balançando ao vento, pendurado pelo equipamento.
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O acidente ocorreu às margens do rio Jialing, na região da Rua Banzeng, no distrito de Shunqing, de acordo com autoridades ouvidas pelo jornal local Dafeng News. O parapentista descia em direção à cidade quando as cordas do paraquedas se enroscaram na estrutura do guindaste.
As imagens circularam nas redes sociais chinesas, incluindo a plataforma Weibo, e mostram o piloto pendurado tanto durante o dia quanto à noite. Não está claro por quanto tempo ele permaneceu preso. Uma testemunha disse ao Beijing News que o parapentista ficou suspenso por pelo menos uma hora, enquanto outros veículos locais afirmaram que a operação de resgate durou várias horas.
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À noite, bombeiros usaram uma escada aérea, que precisou ser totalmente estendida para alcançar o piloto. Em um vídeo publicado por uma usuária do Weibo, é possível ouvir a mulher que filma dizendo que havia “muitas, muitas pessoas” envolvidas na operação. Ao comentar a situação do parapentista, ela acrescenta: “Ele balançou um pouco”.
O resgate foi concluído com a ajuda dos bombeiros e de trabalhadores do guindaste. A Brigada de Incêndio do distrito de Shunqing, em Nanchong, informou que o parapentista foi retirado do local sem ferimentos.
A Reuters afirmou ter confirmado o local do incidente por meio da comparação do terreno, dos guindastes e das pontes vistos nas imagens com registros de arquivo e imagens de satélite. A data das imagens feitas durante o dia foi confirmada por relatos da imprensa local. Já a data das imagens noturnas não pôde ser confirmada, embora nenhuma versão mais antiga do vídeo tenha sido encontrada online antes de 20 de junho.
Segundo a imprensa local, que citou funcionários do governo, o piloto foi resgatado em segurança após ficar preso por acidente no guindaste em Nanchong.
A italiana Francesca Valentino, de 46 anos, identificada como a única vítima fatal do incêndio que atingiu um resort de luxo na República Dominicana na sexta-feira (19), ganhou notoriedade anos atrás ao participar de um programa de televisão sobre pessoas que deixam seus países de origem para começar uma nova vida no exterior.
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Natural de Caserta, no sul da Itália, Francesca trabalhava como instrutora de dança em Roma antes de se mudar para a República Dominicana. Segundo o jornal italiano Il Messaggero, ela integrou o elenco do reality show “Mollo Tutto e Cambio Vita” (“Largo tudo e mudo de vida”), que acompanha histórias de pessoas que decidem recomeçar em outros países. Desde 2014, ela vivia em Bayahibe, vila turística no litoral dominicano, para onde se mudou ao lado do irmão. Casada desde 2016 e mãe de duas filhas, ela costumava compartilhar nas redes sociais sua rotina na ilha caribenha.
Em entrevista ao portal italiano Casertace, em 2018, Francesca relatou a decisão que transformou sua vida. — Saí da Itália com uma passagem aérea de dois meses, mas nunca mais voltei. Já moro aqui há quatro anos, encontrei o amor, me casei e tive uma filha. Estou feliz com a minha escolha; jamais voltaria — afirmou na ocasião.
Confira o incêndio:
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Incêndio destruiu parte de resort à beira-mar
Francesca morreu durante o incêndio que atingiu o resort Viva Dominicus Bayahibe, na província de La Altagracia. Segundo autoridades dominicanas, cerca de 1.700 hóspedes e funcionários precisaram ser evacuados às pressas enquanto as chamas se espalhavam pela área. O serviço de emergência DAEH informou ainda que três pessoas foram hospitalizadas e outras seis receberam atendimento no local.
Vídeos e imagens que circulam nas redes sociais mostram o avanço do fogo sobre estruturas do complexo e os esforços de bombeiros para controlar as chamas. Novos registros feitos por drones revelam partes do resort completamente destruídas após o incêndio. Turistas que estavam no hotel relataram momentos de tensão durante a evacuação. Ao canal dominicano CDN37, a argentina Lucrecia Castro contou que estava na praia quando o fogo começou e precisou buscar hospedagem alternativa após o fechamento do empreendimento.
Entre os afetados estavam hóspedes, visitantes e integrantes das equipes de resgate
Redes sociais
De acordo com o Centro de Operações de Emergência (COE) da República Dominicana, análises preliminares indicam que o incêndio se propagou rapidamente devido aos ventos e à presença de cobertura de palha em parte da estrutura. As causas do incidente seguem sob investigação. O resort, administrado pela Wyndham Resorts, é um dos mais conhecidos da região de Bayahibe, um dos principais destinos turísticos do Caribe.
Um comportamento inédito registrado por cientistas nas águas do Arquipélago de Revillagigedo, no México, revelou que tubarões-das-galápagos estão usando raias-manta gigantes para aliviar a irritação causada por parasitas presos à pele. A interação, documentada por dois grupos independentes de pesquisadores, pode representar uma estratégia alternativa de higiene adotada pela espécie diante da redução de seus limpadores naturais.
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Ao todo, foram registrados oito episódios em que os tubarões esfregam o focinho e as brânquias contra o corpo das raias-manta. Segundo os pesquisadores, o movimento ajuda a remover piolhos-do-mar, pequenos crustáceos que se fixam na pele dos peixes e se alimentam de muco e tecido, podendo comprometer a saúde dos hospedeiros quando presentes em grande quantidade.
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Os registros foram descritos em estudos publicados nas revistas científicas Marine Biodiversity e Environmental Biology of Fishes. De acordo com a pesquisadora Jane Vinesky, autora principal de um dos trabalhos, controlar esses parasitas é importante para evitar danos à saúde dos tubarões.
Higiene em alto-mar
A explicação para a escolha das raias-manta está na textura de sua pele. Esses animais possuem dentículos dérmicos — pequenas estruturas semelhantes a escamas — que deixam sua superfície bastante áspera, funcionando como uma espécie de lixa natural capaz de desprender os organismos aderidos ao corpo dos tubarões.
Segundo o biólogo Mauricio Hoyos, diretor da organização de conservação Pelagios Kakunjá e coautor de um dos estudos, os tubarões parecem explorar deliberadamente essa característica para remover os parasitas.
Tradicionalmente, tubarões recorrem às chamadas estações de limpeza, onde peixes menores retiram detritos e organismos de seus corpos. Entre esses limpadores está o peixe-anjo Clarion. No entanto, pesquisadores apontam que a degradação ambiental tem reduzido a abundância desses animais, o que pode estar incentivando comportamentos alternativos como o registrado no México.
Os cientistas também observaram diferenças na reação das raias-manta conforme o porte dos visitantes. Enquanto indivíduos jovens costumam ser tolerados durante o contato, tubarões adultos frequentemente fazem as raias se afastarem, possivelmente para evitar lesões ou mordidas acidentais.
O Irã afirmou, no domingo, que o conflito em curso no Líbano entre Israel e o grupo militante Hezbollah será o ponto central da pauta nas conversas com os Estados Unidos, na Suíça, juntamente com questões como os fundos iranianos congelados e a venda de petróleo do país.
“O regime sionista continua a violar seus compromissos no Líbano; essa questão será o principal tópico de discussão nas conversas de hoje”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em um vídeo divulgado pela agência de notícias estatal IRNA.
“A questão da liberação de ativos iranianos congelados ou restritos, bem como a discussão sobre a emissão das licenças necessárias para a venda de petróleo iraniano”, também constarão na pauta, acrescentou ele.
O assassinato de seu pai em um crime de Estado marcou um ponto de ruptura para Iván Cepeda. Ele trocou a filosofia pela política em uma carreira com a qual deseja repetir a façanha de levar a esquerda à Presidência.
Agentes estatais aliados com paramilitares fuzilaram seu pai, um político comunista, em 1994, uma perda que marcou a vida e a profissão do candidato. Cepeda se tornou defensor dos direitos humanos, sofreu exílio e venceu quatro eleições para o Congresso, onde opositores de direita o rotulam como marxista convicto.
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O senador, que rejeita este rótulo, deverá medir foças em um segundo turno presencial no domingo (21) contra o advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella.
Se vencer, será o segundo mandato da esquerda, que chegou pela primeira vez à Presidência em 2022 pelas mãos de Gustavo Petro.
Esta eleição se resume “em duas palavras: vida e morte”, disse em uma entrevista o senador de 63 anos, cuja personalidade serena se alterou após ficar em segundo lugar no primeiro turno.
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Seu pai, Manuel Cepeda, foi um dos mais de 5.700 membros do partido de esquerda União Patriótica assassinados em meia a uma campanha de terror. A poucos passos do corpo, em uma rua de Bogotá, o jovem concedeu uma entrevista com uma compostura surpreendente.
— Peço às pessoas ligadas à Justiça que façam algo contra esta ofensiva contra os dirigentes de esquerda — disse.
Devido à perseguição contra seu pai, desde os três anos de idade, viveu a família no exílio, passando pela Tchecoslováquia, por Cuba e pela Bulgária. Também viveu na França, onde fez pós-graduação.
Ao retornar à Colômbia em 2004, ficou ao lado das vítimas do conflito armado, desempenhou um papel fundamental no processo de paz de 2016 que desarmou as Farc, foi parlamentar (2010-2026) e agora é um dos dois candidatos para suceder seu aliado Petro.
‘Ninguém o tira do sério’
Outras mortes o marcaram: a de sua mãe, vítima, aos 37 anos, de um tumor cerebral, e o assassinato de Bernardo Jaramillo Ossa em 1990, padrinho político e então candidato à Presidência.
Cepeda decidiu não ter filhos e desfruta da companhia da esposa e de seus três cães da raça chow-chow. É reconhecido como uma figura cética que nunca perde o controle de suas emoções. Admira Gandhi, o filósofo marxista italiano Antonio Gramsci e escreveu livros sobre Sigmund Freud e Michel Foucault.
Fala tcheco e russo, e praticou hóquei no gelo, segundo escreveu seu amigo León Valencia no livro “Iván Cepeda, una vida contra el olvido” (“Iván Cepeda, uma vida contra o esquecimento”).
Sua forma de se expressar contrasta com a do eloquente e provocador Gustavo Petro, que, quando jovem, pertenceu à guerrilha nacionalista M-19 antes de assinar a paz em 1990.
Cepeda cuida de cada palavra ao ponto de escrever minuciosamente cada discurso. Juntos protagonizaram históricos debates no Congresso em que denunciaram os vínculos entre o paramilitarismo e poderosos políticos.
Petro “é o caudilho, o rupturista que caça briga todos os dias”; já Cepeda, “ninguém o tira do sério”, disse Valencia.
O senador costuma cercar-se de indígenas, agricultores e vítimas do conflito armado. “Pelo bem de todos, primeiros os pobres”, dizia com frequência durante a campanha.
O segundo tempo de Petro
Cepeda viveu em países da Cortina de Ferro, mas rejeita os modelos tradicionais soviéticos e aposta em um “capitalismo produtivo” e “diverso”. Define-se como “progressista”.
O senador tornou-se o escolhido pela esquerda para ser presidente após vencer nos tribunais sua antítese, o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe.
Em um longo processo judicial de mais de uma década, o dirigente de esquerda levou o ex-mandatário aos tribunais por suborno de paramilitares presos. Em primeira instância, Uribe foi condenado a 12 anos de prisão domiciliar, mas depois um juiz revogou esta sentença.
Cepeda superou, com quimioterapia, um câncer de cólon e outro no fígado. Em 2022, afirmou que teve “medo de morrer”, mas atualmente garante que está bem de saúde.
Em um país profundamente católico, afirma que não foi batizado.
Sem apresentar provas, seus detratores o chamam de “herdeiro das Farc” pela relação de confiança que estabeleceu com os chefes rebeldes durante o processo de paz.
Também é alvo de críticas por ser um dos artífices da “paz total”, a política de Petro para negociar com todos os grupos armados. Em entrevista, declarou-se disposto a revisar este projeto frustado.
Cepeda se compromete a continuar com as reformas sociais do governo, às quais chama de “revoluções”.
— Viemos para aprofundar as reformas e acelerar as transformações sociais que o país clama com urgência, para torná-las irreversíveis — disse em um de seus discursos.
Atrás de uma cabine de vidro à prova de balas, um advogado milionário e conhecido por suas declarações provocativas se transformou em um fenômeno político. Abelardo de la Espriella, apelidado de “El Tigre”, capitalizou o desencanto com a classe política e com a esquerda para se aproximar da Presidência da Colômbia.
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Aos 47 anos, o outsider apoiado por Donald Trump disputa pela primeira vez um cargo eletivo após anos dedicados à defesa de paramilitares, narcotraficantes, políticos envolvidos em corrupção e estrelas do futebol.
Neste domingo, ele enfrentará o senador de esquerda Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, em um segundo turno no qual aparece como favorito nas pesquisas. Caribenho e ultradireitista, define-se como “judaico-cristão”. Deixou para trás uma vida de luxo na cidade italiana de Florença para tentar governar a Colômbia com um discurso radical que desperta entusiasmo entre seus apoiadores e temor entre seus críticos.
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Em eventos marcados por fogos de artifício e rugidos de tigre, promete “reconstruir a República”, recuperar a segurança, defender a democracia “pela razão ou pela força” e tornar-se um “inimigo ferrenho” da esquerda.
Após deixar a direita tradicional fora do segundo turno, adotou um discurso antissistema: “A toda essa máfia que governa mal a Colômbia, digo: aqui há uma matilha, há um povo que não se ajoelha” e que veio enfrentá-los e “castigá-los”.
Convencido de que pode transformar o Estado em uma empresa próspera, inspira-se nos presidentes argentino, Javier Milei; salvadorenho, Nayib Bukele; e americano, Donald Trump.
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Cantor lírico amador, costuma vestir ternos impecáveis sem gravata e mocassins. Também usa frequentemente a camisa amarela da seleção colombiana, o que lhe rendeu críticas da esquerda por se apropriar do símbolo nacional, à semelhança do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022).
Com dupla nacionalidade americana e colombiana, enfrenta questionamentos sobre suas relações profissionais do passado e sobre a origem de sua fortuna. Antes de lançar sua candidatura, exibia nas redes sociais viagens em jatos particulares, roupas sob medida, chapéus e óculos de luxo.
Durante a campanha presidencial, foi criticado por declarações consideradas machistas e homofóbicas, que, no entanto, não afetaram sua popularidade.
‘Dolce vita’
Espriella apresenta-se como um empresário bem-sucedido.
— Não sou um vendedor de ilusões, sou um empresário de realidades — disse à AFP durante a campanha.
Ele circula protegido por dezenas de soldados, policiais e seguranças particulares após denunciar ameaças de morte.
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Pai de quatro filhos, afirma ter “coragem” para governar com “mão de ferro” o país com a maior produção de cocaína do mundo, mergulhado em um conflito armado que dura mais de seis décadas.
— No meu governo, bandido que não se submeter (à Justiça) será abatido — dizia.
Para combater as organizações criminosas, diz que pretende formar uma aliança militar com Estados Unidos e Israel. Também defende o fim do tribunal criado pelo acordo de paz firmado com a guerrilha das Farc em 2016, responsável por julgar os crimes mais graves do conflito armado. Afirma que vivia a “dolce vita” em Florença e que a campanha presidencial representa um “sacrifício” pela “pátria”.
Sua esposa declarou que, em caso de derrota no segundo turno, a família voltará para a Itália, onde já tem “a vida resolvida”.
‘Firmes pela pátria’
Espriella apresenta-se como alguém combativo, disposto a formar um governo “inflexível diante do terrorismo”. Em atos públicos, aparece representado por um tigre de presas afiadas criado com inteligência artificial.
Nas redes sociais, publica imagens fumando charutos ou promovendo seus negócios de vinhos e rum. Também possui uma marca de roupas própria, chamada “Espriella Style”. Defende o porte de armas, a redução de 40% da estrutura do Estado e a construção de megapresídios, nos quais os detentos ficariam “dez andares abaixo da terra”, alimentados com “pão e água”.
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Com a saudação militar e um enfático “firmes pela pátria!”, conquista militares da reserva que o acompanham em seus comícios. Embora demonstre desprezo pelos políticos tradicionais, mantém “uma grande amizade” com o influente ex-presidente de direita Álvaro Uribe (2002-2010).
Espriella afirma viver “de acordo com os princípios judaico-cristãos”, embora anteriormente se declarasse ateu. Seu pai também é político, mas ele costuma dizer que vem de uma família de pecuaristas do Caribe colombiano, onde cresceu “ao estilo de Tom Sawyer”, pescando e brincando no campo.
Seu estilo de falar sem filtro já lhe trouxe problemas. Em certa ocasião, afirmou que era preciso “estripar” a esquerda na Colômbia, declaração pela qual depois pediu desculpas.
Em outra entrevista, contou que, quando jovem, se divertia amarrando fogos de artifício em gatos para lançá-los pelos ares, sugerindo que os animais morriam. Posteriormente, afirmou que se tratava de uma brincadeira.
Desde que o surpreendente resultado do primeiro turno presidencial na Colômbia foi divulgado, a campanha do candidato governista, Iván Cepeda, mudou radicalmente sua estratégia. Nas redes sociais, adotou uma comunicação mais agressiva e inovadora. Cepeda passou a marcar presença em programas de humor, adotou um tom menos solene e deu mais espaço para a mobilização espontânea de jovens, artistas e criadores de conteúdo. Ao mesmo tempo, tentou se afastar do presidente Gustavo Petro: abandonou a proposta de uma Assembleia Constituinte, substituiu a expressão “paz total” por “paz integral”, divulgou um programa mais moderado e passou a falar de segurança urbana, tecnologia para a polícia, combate a furtos e recuperação de áreas dominadas por economias ilegais — temas caros à direita. Também tem procurado se mostrar mais aberto à iniciativa privada e à disciplina fiscal.
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A estratégia busca atrair os eleitores que votaram em candidatos de centro e o eleitorado feminino, votos que Cepeda precisa para reverter neste domingo a vantagem de Abelardo de la Espriella, de extrema direita, que conquistou parte do eleitorado popular da esquerda e boa parte da classe média no primeiro turno. Mas parece ter sido colocada em prática tarde demais, afirmam especialistas ouvidas pelo GLOBO.
— Seu novo programa, por exemplo, só foi apresentado dez dias antes do segundo turno. A campanha demorou a reconhecer formalmente o resultado do primeiro turno e ficou presa, durante vários dias, às denúncias de Petro sobre uma suposta fraude — diz a analista política colombiana Jenny Paola Lis-Gutiérrez. — Isso dificultou a tentativa de Cepeda de se apresentar ao eleitorado de centro como o candidato mais comprometido com as instituições.
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Contrariando as pesquisas, Espriella venceu a primeira volta com 43,78% dos votos contra 40,98% de Cepeda, uma diferença de 662.222 votos. O outsider, conhecido como “El Tigre” por suas propostas mais duras de combate ao crime e a grupos armados, conseguiu atrair conservadores, liberais de direita e independentes, além de grande parte do eleitorado do Centro Democrático — partido da direita tradicional, fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe —, o que se refletiu no mau desempenho de Paloma Valencia, candidata apoiada por Uribe.
— Uribe, Valencia e boa parte de suas estruturas políticas se alinharam rapidamente a Espriella. Mais do que conquistar do zero esse eleitorado, o advogado se tornou a opção que parecia ter mais chances de derrotar o petrismo — explica Lis-Gutiérrez.
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Campanha digital
Ela destaca que, no primeiro turno, Espriella provou que influenciadores, símbolos esportivos e mensagens simples podem mobilizar eleitores com pouca ligação com os partidos. Agora, Cepeda tenta responder com ativismo cultural, humor e redes organizadas por jovens.
— O grupo pode ser relevante em uma eleição apertada, mas seu impacto dependerá de que a mobilização digital se transforme em participação efetiva nas urnas.
Sondagens recentes mostram que, na reta final da campanha, “El Tigre” ainda mantém vantagem nas intenções de voto, o que evidencia a dificuldade do candidato governista em reverter os resultados no curto período que restava até a eleição.
— As ações adotadas pela campanha de Cepeda na última semana não parecem ter alterado de forma significativa as preferências do eleitorado e, em alguns casos, chegaram a aumentar a visibilidade de seu adversário — explica ao GLOBO Sonia Cardona, especialista em políticas públicas de segurança cidadã, acesso à Justiça e questões de gênero. — Ao mesmo tempo, o confronto entre as duas campanhas tem sido marcado pelo predomínio da violência verbal e simbólica, uma estratégia que reforçou a polarização política sem oferecer incentivos claros para atrair novos eleitores ou ampliar as bases de apoio.
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Segundo ela, o voto de castigo contra o atual governo continua pesando contra Cepeda, que não conseguiu se diferenciar com clareza da administração que está deixando o poder, nem convencer os eleitores que associam sua proximidade com o atual governo a um risco de continuidade.
Katherin Galindo Ortiz, cientista política colombiana e membro da rede de especialistas em segurança Amassuru, ressalta ainda que “parte da dinâmica das eleições da Colômbia é o voto contrário”, não apenas nesse pleito.
— São eleitores que não necessariamente concordam com as propostas de Espriella, mas que simplesmente votam nele porque não querem votar no candidato que representa a continuidade desse governo — afirma ao GLOBO.
Voto feminino
Na reta final, além do voto de centro e dos jovens, os dois candidatos tentaram buscar o eleitorado feminino. Nas últimas semanas, a campanha de Cepeda intensificou os esforços para ampliar o protagonismo da senadora indígena Aida Quilcué, sua candidata à vice.
— Mas a experiência de Francia Márquez [ativista ambiental e vice de Petro] mostrou as limitações enfrentadas por mulheres em cargos de alta visibilidade para exercer plenamente sua capacidade de influência política, o que reduz a probabilidade de que a estratégia produza um impacto eleitoral comparável ao observado há quatro anos — explica Cardona.
Maria Alejandra Santos, politóloga da Universidade de Rosario, lembra ainda que os eleitores que se abstiveram no primeiro turno podem ter um papel decisivo no resultado, uma vez que o voto não é obrigatório no país. De um lado, Cepeda precisa mobilizar jovens, trabalhadores informais e moradores de bairros populares, que simpatizam com as reformas sociais de Petro, mas não votaram em maio. Já Espriella precisa manter o alto nível de participação que obteve em seus redutos eleitorais.
— Temos, em geral, uma porcentagem muito alta de abstenção e as duas campanhas parecem ter falhado em atrair os eleitores que não participaram no primeiro turno. Ambos estão tendo dificuldade de engajar esses eleitores.
Como resultado das mudanças recentes nas campanhas, o debate público tem se concentrado “menos no conteúdo específico dos programas de governo e mais nas identidades políticas e nas avaliações sobre a gestão do atual Executivo”, avalia Cardona.
— Os documentos programáticos de ambos os candidatos apresentaram, em grande medida, propostas genéricas, o que reduziu sua influência na decisão dos eleitores. Mesmo quando as propostas de Cepeda podem ser interpretadas como sinais de maior proteção de direitos e respeito às instituições, esses aspectos acabaram ofuscados pelo peso das narrativas construídas em torno do apoio ou da rejeição ao legado político do governo Petro.

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