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A sequência de terremotos registrada nas últimas horas em diferentes regiões do planeta — da Venezuela ao Norte da Califórnia, passando pela Península de Kamchatka, na Rússia, e pela costa do Japão — reacendeu a atenção para uma das áreas geologicamente mais instáveis do mundo: o chamado Círculo de Fogo do Pacífico.
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A expressão designa uma longa cadeia de vulcões, fossas oceânicas e zonas de intensa atividade sísmica ao redor das bordas do Oceano Pacífico. Apesar do nome, o Círculo de Fogo não forma exatamente um círculo: tem o formato de uma ferradura de cerca de 40 mil quilômetros, que se estende do extremo sul da América do Sul, sobe pela costa oeste das Américas, cruza o Estreito de Bering, desce por Japão e Sudeste Asiático e chega à Nova Zelândia. Vulcões ativos e adormecidos na Antártica completam a região.
É nessa faixa que ocorrem cerca de 90% de todos os terremotos do planeta. A região também concentra aproximadamente 75% dos vulcões ativos da Terra, segundo dados geológicos citados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Ao todo, uma cadeia de 452 vulcões se distribui ao longo da área.
Equipes de resgate buscam vítimas em um prédio que desabou após um terremoto em Caracas
MANAURE QUINTERO/AFP
A explicação está no movimento das placas tectônicas. Essas placas são grandes blocos da crosta terrestre que se encaixam como peças de um quebra-cabeça, mas não permanecem paradas: elas se deslocam sobre o manto, uma camada formada por rochas sólidas e material parcialmente fundido. Quando essas placas colidem, se afastam ou deslizam lateralmente umas em relação às outras, podem provocar terremotos, formar vulcões ou abrir fossas profundas no fundo dos oceanos.
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No Círculo de Fogo, boa parte da atividade ocorre em zonas de convergência, quando uma placa tectônica mergulha sob outra em um processo chamado subducção. Esse movimento forma fossas oceânicas profundas e favorece a produção de magma, que sobe até a superfície e cria arcos vulcânicos. É o caso das Ilhas Aleutas, no Alasca, que acompanham a Fossa Aleuta, onde a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa Norte-Americana. A fossa chega a 7.679 metros de profundidade, e as ilhas concentram 27 dos 65 vulcões historicamente ativos dos Estados Unidos.
Processo semelhante ocorre na Cordilheira dos Andes, na América do Sul, paralela à Fossa Peru-Chile. Ali, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana. A região abriga o Nevados Ojos del Salado, na fronteira entre Chile e Argentina, considerado o vulcão ativo mais alto do mundo, com 6.879 metros.
Há também zonas divergentes, onde as placas se afastam. Nesses pontos, o magma sobe, esfria em contato com a água do mar e cria nova crosta oceânica. Um exemplo é a Elevação do Pacífico Leste, uma área de expansão do assoalho oceânico associada às placas do Pacífico, de Cocos, de Nazca e Antártica. A região também reúne fontes hidrotermais no fundo do mar.
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Outro tipo de limite entre placas é o transformante, quando elas deslizam horizontalmente uma ao lado da outra. O atrito faz com que trechos fiquem presos até que a tensão acumulada rompa as rochas, provocando terremotos. A Falha de San Andreas, na Califórnia, é uma das mais conhecidas do Círculo de Fogo. Com cerca de 1.287 quilômetros de extensão e 16 quilômetros de profundidade, ela marca o limite entre a Placa Norte-Americana, que se move para o sul, e a Placa do Pacífico, que se desloca para o norte. O movimento nessa falha causou o terremoto de San Francisco de 1906, que destruiu quase 500 quarteirões, matou cerca de 3 mil pessoas e deixou metade da população da cidade desabrigada.
Terremoto provoca pânico em Caracas nesta quarta-feira (24)
MANAURE QUINTERO / AFP
Tremores na Venezuela
Nesta quarta-feira, dois fortes terremotos atingiram a Venzuela, provocando desabamentos em Caracas e deixando moradores assustados. O primeiro tremor, de magnitude 7,1, teve epicentro a oeste de Morón, comunidade na costa caribenha venezuelana, a cerca de 168 quilômetros da capital. O abalo ocorreu a 22 quilômetros de profundidade. Um minuto depois, o Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, com epicentro 16 quilômetros a sudoeste de Morón e profundidade de 10 quilômetros.
Os tremores estão entre os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Em Caracas, moradores deixaram prédios que balançavam e permaneceram nas ruas após o anoitecer. Paredes inteiras ruíram em alguns pontos da cidade, deixando móveis visíveis da rua. Colunas de poeira foram vistas em dois bairros da capital, em áreas normalmente movimentadas por restaurantes e comércios. Algumas pessoas se sentaram no chão abraçadas a seus animais de estimação enquanto a poeira se acumulava ao redor.
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“Começou de leve e depois foi crescendo gradualmente, e no fim todos tivemos que sair de casa, ir para a rua e nos reunir”, disse o morador de Caracas Hector Ricci.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o terremoto foi sentido em vários estados. Segundo ele, o bairro de Altamira, em Caracas, registrou “situações alarmantes”, com casas e edifícios desabados. Cabello sugeriu que havia pessoas feridas e pediu que motoristas dessem passagem a ambulâncias e equipes de emergência.
“Entendemos que algumas pessoas possam estar desesperadas, mas estamos agindo de acordo com os protocolos para ativar os esforços de ajuda e resgate para atender aqueles que mais precisam”, disse Cabello na televisão estatal. “Tenham muito cuidado com crianças e idosos; liguem uns para os outros e verifiquem se ninguém se feriu.”
O ministro também orientou a população a permanecer fora de imóveis, diante do risco de réplicas agravarem danos estruturais. “O prédio realmente balançou de um lado para o outro. Irreal. A força foi incrivelmente forte”, relatou o morador Roberto Gamas. “Nós estávamos andando e ele nos jogava de um lado para o outro. Tudo no apartamento caiu. Bem, graças a Deus conseguimos sair.”
Mais tremores
Outro terremoto também foi sentido no norte da Califórnia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O tremor ocorreu às 8h10, no horário local, a cerca de 11 quilômetros ao norte de Redwood Valley. Moradores de áreas distantes, como Eureka, ao norte, e Sacramento, a sudeste, relataram ter sentido o abalo. Em Mendocino County, cerca de 7.400 imóveis ficaram sem energia.
O sistema ShakeAlert, operado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e integrado ao aplicativo MyShake, enviou notificações a celulares no Norte da Califórnia e em partes do Oregon. “O MyShake absolutamente funcionou neste evento e alertou um grande número de pessoas em um curto período de tempo”, disse Suresh Raman, gerente do aplicativo no Laboratório de Sismologia da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Segundo ele, cerca de 650 mil pessoas receberam o aviso. Dados preliminares indicaram que 99% dos alertados receberam a notificação antes de sentir o tremor, caso o tenham sentido. Em San Francisco, o aviso teria chegado cerca de 35 segundos antes da chegada das ondas sísmicas.
Após o tremor principal, foram registrados abalos secundários na mesma área. Esses eventos, conhecidos como réplicas, ocorrem quando há ajustes ao longo da porção da falha que se rompeu no terremoto inicial. Podem acontecer dias, semanas ou até anos depois, e em alguns casos têm magnitude igual ou superior à do primeiro tremor.
Na Rússia, a Península de Kamchatka, uma das áreas mais ativas do planeta por estar localizada no Círculo de Fogo, também registrou atividade sísmica. Um terremoto de magnitude 5,0 ocorreu nesta quarta-feira na costa leste da península, segundo o serviço geofísico da Academia Russa de Ciências. O epicentro foi localizado no Golfo de Kronotsky, a cerca de 161 quilômetros de Petropavlovsk-Kamchatsky, a uma profundidade de 15 quilômetros. Tremores fracos, entre 2 e 3 na escala de intensidade, foram sentidos em partes da cidade, sem relatos imediatos de danos ou vítimas.
A região já vinha registrando uma sequência de abalos. Em 19 de junho, sismólogos identificaram 25 terremotos na costa da península, alguns com magnitude de até 6,9. Três deles foram sentidos por moradores, com intensidade de até 4 em algumas áreas.
No Japão, outro país situado no Círculo de Fogo e entre os mais sujeitos a terremotos no mundo, um forte abalo atingiu a costa norte nesta quinta-feira. A Agência Meteorológica do Japão informou que o terremoto teve magnitude 7,2 e ocorreu ao largo da costa leste de Iwate, a cerca de 50 quilômetros de profundidade. A leitura inicial era de 6,9, a mesma magnitude registrada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Não houve alerta de tsunami.
O tremor atingiu a região nordeste do Japão durante o horário de pico da manhã e também foi sentido levemente em Tóquio. Não havia relatos imediatos de feridos ou danos, segundo o principal porta-voz do governo, Minoru Kihara. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou a jornalistas, em Tóquio, que a equipe de emergência do governo está “colocando a vida das pessoas em primeiro lugar”, enquanto avalia informações e prepara operações de socorro, se necessário. Ela pediu que moradores das áreas afetadas tenham cautela diante da possibilidade de réplicas.
Tomoko Nagane, diretora de uma escola primária na cidade de Hashikami, na província de Aomori, contou à emissora estatal NHK que dirigia quando o alerta de terremoto disparou e que sentiu um balanço lateral moderado. Segundo ela, as crianças que já estavam na escola ficaram em segurança, embora algumas tenham chorado de medo. As aulas foram canceladas, e os alunos voltaram para casa em segurança.
Imagens da TV pública mostraram jornalistas em cidades fortemente atingidas, como Sendai e Morioka, relatando que sentiram o tremor por alguns minutos, mas não observaram danos. O transporte, no entanto, sofreu impacto: a East Japan Railway Co. suspendeu alguns trens-bala e linhas locais para checagens de segurança. Usinas e instalações nucleares, incluindo a Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e tsunami de 2011, e uma instalação de reprocessamento de combustível nuclear em Aomori, não relataram anormalidades, informou Kihara.
O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico dos Estados Unidos chegou a emitir um alerta para as Ilhas Virgens. Autoridades da República Dominicana também emitiram um aviso para a ilha. Outro alerta para Porto Rico foi rapidamente suspenso.

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“Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, lamenta Yilsmaris Blanco enquanto observa, atônita, a destruição em Catia la Mar, uma das cidades mais afetadas pelos terremotos que arrasaram dezenas de edifícios no estado venezuelano de La Guaira. A região foi declarada como uma “zona de desastre” pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Imagens e vídeos que circulam nas redes sociais mostram prédios desabados e um cenário de devastação.
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— Damos graças a Deus porque (…) estamos vivos, mas há pessoas que estão agora sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, que não conseguem tirar — diz Blanco, de 39 anos, à AFP.
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AFP
Dois tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, sacudiram a Venezuela na noite de quarta-feira, provocaram a morte de ao menos 164 pessoas e deixaram outras 971 feridas, além de um número ainda desconhecido de pessoas desaparecidas sob os escombros em várias regiões do país.
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À beira do Caribe, La Guaira, a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, foi a região mais afetada.
— Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer forças, nem coragem para entrar ali, imagina só — conta Larry Rojas, de 49 anos, um dos milhares de moradores afetados em uma área de Catia la Mar com quase 200 torres residenciais.
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Localizado na costa centro-norte da Venezuela, o estado de La Guaira tem grande importância econômica por abrigar um dos principais portos do país e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía.
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As imagens de destruição após os terremotos também remetem a outra tragédia que marcou a região. Em dezembro de 1999, chuvas torrenciais provocaram uma série de deslizamentos de terra que deixaram milhares de mortos. La Guaira nunca se recuperou completamente daquele desastre: ainda hoje, grandes rochas que destruíram edifícios permanecem espalhadas pela região.
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No estado, alguns prédios permanecem de pé como podem, com grandes rachaduras e paredes abertas visíveis do lado de fora, constatou uma equipe da AFP em um percurso pelo local.
Pessoas permanecem em meio aos escombros, perto de um prédio danificado, após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira — a cerca de 30 km a noroeste de Caracas — nas primeiras horas de 25 de junho de 2026
FEDERICO PARRA / AFP
Dezenas de outros, no entanto, ficaram totalmente destruídos e reduzidos a escombros. Não há eletricidade em boa parte da área, e dezenas de moradores passaram a noite na rua. Em meio à escuridão, temem novos tremores após as mais de 30 réplicas que já sentiram.
— Lá embaixo há sobreviventes — alerta Lisbeth Vasquez, outra moradora que conseguiu sair com sua família de um dos prédios que desabaram.
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‘O que faz falta é ajuda’
No meio da noite, dezenas de socorristas trabalhavam entre os escombros, enquanto as autoridades observavam de perto cidadãos que tentavam por conta própria encontrar seus parentes, gritando seus nomes.
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Jornalistas da AFP presenciaram familiares recuperando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os na parte de trás de uma caminhonete.
Também viram uma conhecida farmácia de Catia La Mar com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias, sem que as autoridades pudessem confirmar se houve saques após a emergência.
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— O que está faltando é ajuda, principalmente com equipes técnicas. Equipes que estão em Caracas, que sabem quais equipamentos usar e que podem vir ajudar aqui em La Guaira, que venham — pediu ofegante José Pacheco, chefe de operações do Grupo de Resgate Unido da Venezuela.
— Você pode ver como estão as estruturas, como esta aqui, totalmente colapsada, e o que está faltando é ajuda — acrescenta o socorrista de 52 anos, ao contar cerca de 14 estruturas afetadas ao seu redor.
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Pacheco, com três décadas de experiência, afirma que “nunca” viu “algo parecido”.
‘Foi de repente’
Antonio Bermúdez, de 48 anos, morador de La Guaira, estava na sala de sua casa quando “de repente” o tremor começou.
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— Eu comecei a me mover, procurei refúgio debaixo de uma coluna. Estava entre meu quarto e o banheiro. Tremia mais forte, tremia mais forte — lembra.
— Eu me segurei na parede e o prédio começou a desabar — explica, enquanto tenta acomodar uma das pernas, que ficou ferida depois que uma ‘placa’ caiu sobre ela enquanto tentava sair dos escombros.
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Diante da falta de luz, alguns moradores correm pelas ruas com lanternas, enquanto os veículos de emergência iluminam brevemente as ruas com suas sirenes e os sobreviventes procuram refúgio.
— Também não temos água, estamos morrendo de sede, entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe — acrescenta Rojas.
— Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram — pede.
(Com AFP)
Para a maioria dos venezuelanos, foi como se a terra tivesse tremido uma única vez. Mas os registros sísmicos indicam que a Venezuela foi atingida por dois terremotos fortes, separados por apenas 39 segundos, em um fenômeno raro conhecido como sismo duplo ou dupleto sísmico. O episódio ajuda a explicar por que o abalo de 24 de junho de 2026 foi considerado especialmente perigoso por especialistas.
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O primeiro tremor, de magnitude 7,2, ocorreu às 22h04 GMT, 18h04 no horário local, em uma área próxima à costa norte-central do país, a cerca de 21 quilômetros a oeste de Morón. Menos de um minuto depois, às 22h05 GMT, um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu praticamente a mesma região, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS.
Os tremores foram sentidos na Venezuela, em Trinidad e Tobago, em Porto Rico e em várias ilhas do Caribe. A sequência está entre as mais fortes registradas na região em quase um século.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, informou um balanço inicial de 32 mortos e mais de 700 feridos. “É uma verdadeira tragédia”, afirmou, enquanto equipes de emergência seguiam nas buscas por vítimas sob os escombros. O número, ainda provisório, podia aumentar à medida que autoridades chegassem a áreas mais afetadas.
Aos gritos: Venezuelanos procuram por parentes em meio a escombros após terremoto
Entenda sequência
O que torna o caso incomum é a ordem dos abalos. Em uma sequência sísmica típica, há um terremoto principal, seguido por réplicas menores. Na Venezuela, porém, dois eventos de grande magnitude ocorreram quase no mesmo local e em intervalo extremamente curto. Além disso, o segundo tremor foi mais forte que o primeiro, o que reforça a classificação como dupleto sísmico.
Pessoas permanecem em meio aos escombros, perto de um prédio danificado, após um terremoto em Catia La Mar, no estado de La Guaira — a cerca de 30 km a noroeste de Caracas — nas primeiras horas de 25 de junho de 2026
FEDERICO PARRA / AFP
Na prática, o primeiro abalo, que por si só já teria provocado uma grande emergência, foi seguido por outro ainda mais intenso antes mesmo que as ondas sísmicas iniciais terminassem de se propagar. Como a escala de magnitude é logarítmica, a diferença entre 7,2 e 7,5 representa uma liberação de energia cerca de três vezes maior no segundo tremor. Somados, os dois eventos equivalem a uma liberação próxima à de um terremoto de magnitude 7,6.
Especialistas explicam que o fenômeno pode ocorrer quando a ruptura de uma falha altera rapidamente a tensão em um segmento vizinho. Em vez de aliviar completamente a energia acumulada na crosta, o primeiro terremoto pode transferir parte dessa pressão para uma área próxima, levando a uma nova ruptura quase imediata. No caso venezuelano, essa transferência teria ocorrido em poucos segundos.
Essa dinâmica aumenta o potencial destrutivo. O segundo terremoto pode atingir prédios, estradas e infraestrutura já fragilizados pelo primeiro tremor. Mesmo quando a diferença é de menos de um minuto, a população sente uma sequência quase contínua de abalos, enquanto construções danificadas têm menos chance de resistir.
O USGS identificou os dois eventos como tremores distintos, de magnitudes 7,2 e 7,5. Outros centros de monitoramento, porém, tiveram dificuldade para separá-los nas primeiras análises. O centro alemão GFZ registrou inicialmente um único evento de magnitude 7,3, enquanto o Centro Nacional de Sismologia da Índia apontou magnitude 6,8. A diferença, segundo especialistas, não indica necessariamente erro, mas reflete a complexidade de registrar dois terremotos que se sobrepuseram no tempo.
A região atingida fica sobre a zona de contato entre as placas do Caribe e Sul-Americana. Diferentemente de áreas de subducção, onde uma placa mergulha sob a outra, a margem norte da Venezuela é marcada por um movimento lateral, semelhante ao da falha de San Andreas, na Califórnia. A placa do Caribe se desloca para leste em relação à América do Sul, acumulando tensão ao longo de sistemas de falhas.
Entre as principais estruturas geológicas do país estão as falhas de Boconó, San Sebastián e El Pilar. Elas compõem um sistema de mais de mil quilômetros ao longo do norte da América do Sul. O tremor de 24 de junho teria ocorrido perto da região onde a falha de Boconó se conecta às falhas costeiras orientadas de leste a oeste, embora ainda não esteja claro qual segmento específico se rompeu.
O mecanismo focal calculado para os dois terremotos indica movimento lateral, típico de falhas transcorrentes. Esse tipo de terremoto tende a deslocar o solo horizontalmente, e não verticalmente, o que reduz a probabilidade de tsunami. Mesmo assim, alertas foram emitidos para áreas do Caribe, incluindo Porto Rico, Ilhas Virgens e ilhas holandesas próximas à costa venezuelana. A ameaça foi cancelada cerca de uma hora depois, sem registro de onda destrutiva.
O alerta, segundo especialistas, foi uma medida de precaução. Embora terremotos de falha lateral não sejam grandes geradores de tsunamis, eles podem provocar deslizamentos submarinos capazes de deslocar água e formar ondas perigosas. Como esse risco não pode ser descartado nos primeiros minutos, os centros de monitoramento agem antes de confirmar se houve ou não deslocamento relevante no fundo do mar.
A história sísmica da Venezuela mostra que a região já enfrentou eventos destrutivos. Em 1812, um terremoto ocorrido na Quinta-Feira Santa devastou Caracas e outras cidades durante a guerra de independência contra a Espanha. Estudos modernos indicam que aquele episódio também pode ter envolvido mais de um grande abalo no mesmo dia. Em 1900, um terremoto offshore de grande magnitude atingiu a costa norte-central. Em 1967, um tremor menor, de magnitude entre 6,5 e 6,6, causou graves danos em Caracas, principalmente em bairros construídos sobre sedimentos mais moles, como Altamira e Los Palos Grandes.
Essas mesmas áreas voltaram a aparecer nos primeiros relatos de danos após o dupleto de 2026. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou desabamentos e citou Los Palos Grandes e Altamira entre os locais mais afetados em Caracas. Também houve registros de danos nos estados de Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Miranda, Aragua e La Guaira. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, apontou La Guaira como uma das regiões mais atingidas, com até 15 edifícios colapsados.
Ainda há pontos em aberto. Sismólogos precisarão analisar a distribuição das réplicas, os modelos de ruptura e os dados finais das redes locais e internacionais para determinar se os dois abalos ocorreram no mesmo plano de falha ou em segmentos adjacentes. Também será necessário reconstruir a direção da ruptura, dado importante para entender como a energia se propagou em direção a cidades como Caracas.
Equipes de resgate intensificaram sua busca por sobreviventes nesta quinta-feira enquanto os venezuelanos ainda avaliam a extensão da destruição causada pelos dois piores terremotos a atingir o país em décadas. Ao menos 164 pessoas morreram e quase mil ficaram feridas nos sismos quase consecutivos de 7,2 e 7,5 de magnitude, que provocaram o desabamento de dezenas de prédios, cortes de energia elétrica e pânico entre a população.
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A área mais atingida pelo terremoto duplo foi o estado de La Guaira, no norte do país, a quase 40 minutos de distância da capital, Caracas, que também sofreu danos. Uma equipe da AFP nesta região costeira observou dezenas de prédios que desabaram ou ficaram com graves danos. Não havia energia elétrica, e as pessoas passaram a noite nas ruas, procurando parentes entre os escombros.
— Não temos nada, agora não temos nada, nem sequer força, nem coragem para entrar ali, imagina —disse à AFP Larry Rojas, de 49 anos, diante de um prédio que desabou e onde sua família estava presa.
O primeiro terremoto, de 7,2 graus de magnitude, aconteceu às 18h04 (19h04 de Brasília), com epicentro 21 km ao oeste de Morón, no norte do país, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, a alguns quilômetros de distância, aconteceu o segundo tremor, de 7,5 graus de magnitude, o mais potente registrado na Venezuela desde 1900, segundo dados do USGS.
— Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo — disse Yilsmaris Blanco, moradora de La Guaira, de 39 anos. — Agradecemos a Deus (…) porque estamos vivos, mas há pessoas que estão sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares esmagados que não conseguem retirar.
Os terremotos foram tão potentes que também foram sentidos na Colômbia, onde algumas sirenes de alerta foram acionadas. Segundo a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, 30 tremores secundários foram registrados.
Equipes de resgate especializadas a caminho
O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira como uma “zona de desastre”. Delcy afirmou que conversou com o coordenador da ONU no país e que “socorristas especializados” já estão a caminho da Venezuela “para apoiar nessas tarefas de resgate”. Ela também disse que seu governo estava “deslocando socorristas que estão em outros estados do país para concentrar esforços no estado de La Guaira e também na Grande Caracas”.
Nas ruas de La Guaira, a população pedia ajuda e se mobilizava para tentar resgatar os moradores presos. A equipe da AFP viu pelo menos dois mortos.
— Tem gente viva ali e ninguém vem salvar — disse uma mulher cuja filha ficou soterrada após o desabamento de um prédio de 12 andares.
Os tremores também provocaram graves danos à infraestrutura do aeroporto internacional de Maiquetía, que atende à capital venezuelana. O terminal aéreo foi fechado. Passageiros com voos cancelados e moradores da região passaram a noite no estacionamento do aeroporto. Caracas ainda conta, no entanto, com o aeroporto militar de La Carlota, localizado em plena zona metropolitana.
Terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 atingem a Venezuela
Pânico em Caracas
Na capital, as cenas eram de destruição e pânico. Uma jornalista da AFP viu um edifício de 22 andares completamente destruído na área de Chacao, zona leste da cidade. Pessoas gritavam os nomes de parentes nas ruas e alguns voluntários subiam nos escombros.
— Precisamos de lanternas — pediu um deles ao cair da noite.
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Do lado de fora do centro comercial Sambil, também em Chacao, Heidi Romero, uma vendedora de 42 anos, estava assustada com a dimensão dos tremores.
— Não sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Caíram muitas coisas de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência, foi por onde nos tiraram — disse à AFP.
Os terremotos foram sentidos com força nos estados de Trujillo, Carabobo, Miranda e La Guaira, segundo o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
Ajuda dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está em uma boa relação com a Venezuela desde que ordenou em janeiro a captura do então presidente Nicolás Maduro, prometeu ajudar seus “novos e grandes amigos”.
Seguindo ordens de Trump, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que Washington “está enviando de maneira imediata equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária à Venezuela”.
Delcy informou depois que teve uma conversa telefônica com Rubio, “que expressou sua solidariedade e apoio ao povo venezuelano nestes momentos difíceis”.
Muitos países da América Latina, assim como Espanha, Itália, Suíça, China e Índia, também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda. Especialistas da ONU pediram a Caracas para “desbloquear imediatamente” o acesso às redes sociais e aos meios de comunicação para facilitar as tarefas de socorro.
A Venezuela é cenário frequente de abalos sísmicos. Os terremotos mais fortes das últimas décadas aconteceram em 1997 em Cariaco (nordeste), com 73 mortos, e em 1967 em Caracas, com 236 falecidos.
Dois terremotos atingiram a Venezuela nesta quinta-feira (25), com magnitudes de 7,2 e 7,5. As fortes movimentações sísmicas deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos, segundo o balanço mais recente divulgado pela presidente interina, Delcy Rodríguez. Equipes seguem procurando desaparecidos sob os escombros em diferentes regiões do país.
Terremotos na Venezuela: acompanhe ao vivo as últimas notícias do desastre que deixou pelo menos 164 mortos
Após tremor na Venezuela, terremoto de magnitude 7,2 atinge o norte do Japão
Como funciona a Escala Richter?
Criada em 1935 pelo sismólogo americano Charles F. Richter, a escala serve para medir a intensidade dos terremotos com base nos dados registrados por aparelhos chamados sismógrafos, aqueles dispositivos capazes de detectar movimentos no solo. A escala considera especialmente a duração do tremor e a amplitude das ondas sísmicas.
Sua característica mais marcante é o crescimento logarítmico: cada grau a mais representa uma força 10 vezes superior à anterior. Ou seja, um tremor de 8,8 como o ocorrido nesta quarta-feira libera energia 10 vezes maior que um terremoto de magnitude 7,8, e cem vezes mais que um de 6,8.
A Escala Richter não tem um limite máximo teórico. Na prática, no entanto, o maior terremoto já registrado foi o de 1960, no Chile, que atingiu 9,5 graus e deixou quase 6 mil mortos. Já eventos com magnitude entre 8,0 e 8,9 ocorrem, em média, apenas uma vez a cada ano no mundo, segundo registros internacionais.
Apesar do número alto impressionar, a magnitude não é o único fator determinante para a gravidade de um terremoto. Fatores como profundidade do hipocentro, proximidade com áreas densamente povoadas e a infraestrutura local também são cruciais para entender os danos causados. Um exemplo é o terremoto de 7,0 graus que atingiu o Haiti em 2010, que foi menos potente, mas extremamente letal, com cerca de 300 mil mortes.
Atualmente, muitos sismólogos utilizam também a Escala de Magnitude de Momento (Mw), mais adequada aos sismógrafos modernos e com maior precisão para eventos sísmicos de grande escala.
Terremotos na Venezuela: acompanhe ao vivo as últimas notícias do desastre que deixou pelo menos 164 mortos Comunidade internacional mobiliza equipes de resgate, ajuda humanitária, recursos médicos e apoio logístico
O chef de cozinha e filantropo José Andrés anunciou a doação de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões na cotação atual) para apoiar a resposta humanitária aos terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira. Os recursos serão destinados ao atendimento das vítimas dos abalos de magnitudes 7,2 e 7,5, que já deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos, segundo o balanço mais recente divulgado pela presidente interina, Delcy Rodríguez.
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A doação será feita por meio da fundação Longer Tables Fund. Segundo José Andrés, a World Central Kitchen ficará responsável por administrar os recursos e coordenar as ações de assistência nas regiões mais afetadas.
As prioridades da organização incluem a mobilização de equipes de resposta, o fornecimento de refeições e a distribuição de água para a população atingida.
Ao anunciar a iniciativa, José Andrés comentou a dimensão da tragédia. “Espero que não seja tão grave quanto parece”, publicou.
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Os dois terremotos ocorreram com poucos segundos de intervalo na tarde de quarta-feira e provocaram o desabamento de dezenas de edifícios, além de danos em construções em cidades como Caracas e La Guaira.
Resgate continua entre os escombros
As equipes de resgate seguem concentradas na busca por sobreviventes e na remoção de escombros nas áreas mais atingidas. Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal VTV, Delcy Rodríguez classificou a situação como “uma verdadeira tragédia” e afirmou que os trabalhos continuam em diferentes regiões do país.
— Estamos resgatando as pessoas que ficaram soterradas nos edifícios e nas casas que desabaram — disse.
O governo venezuelano decretou estado de emergência após os terremotos e mantém mobilizadas equipes de socorro, enquanto diversos países anunciaram ajuda humanitária.
Estados Unidos também anunciam apoio
Os Estados Unidos também anunciaram assistência à Venezuela. O secretário de Estado, Marco Rubio, informou que o governo americano enviará equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária para apoiar as operações de emergência.
— Por determinação do presidente Trump, o Departamento de Estado está mobilizando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela.
Rubio também manifestou solidariedade às vítimas da tragédia.
— Nosso coração está com todos aqueles que perderam entes queridos, com os feridos e com os corajosos socorristas que trabalham sem descanso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou a Colômbia pelas eleições realizadas no último domingo (21) e que elegeram o candidato de direita Abelardo de la Espriella como novo presidente do país.

“Parabenizo o povo colombiano pelo processo democrático e soberano, expresso por sua vontade nas urnas, da escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella nas eleições do último domingo.”

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Na rede social X, Lula avaliou que a amizade entre Brasil e Colômbia “transcende ideologias” e é fundamental para a superação de desafios comuns, como a preservação da Amazônia, o enfrentamento da pobreza e o combate ao crime organizado.

“Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos”, concluiu o presidente brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou nesta quinta-feira o “povo colombiano” pelo “processo democrático e soberano” que levou à eleição de à eleição de Abelardo de la Espriella à Presidência da Colômbia. Em publicação na rede social X, Lula destacou a importância da relação bilateral entre os dois países e defendeu cooperação em temas como meio ambiente, combate à pobreza e segurança pública.
“Parabenizo o povo colombiano pelo processo democrático e soberano, expresso por sua vontade nas urnas, da escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella nas eleições do último domingo. A amizade entre o Brasil e a Colômbia, que transcende ideologias, é fundamental para a superação de desafios comuns como a preservação da Amazônia, o enfrentamento da pobreza e o combate ao crime organizado. Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos”, escreveu o petista.
A manifestação ocorre após a confirmação da vitória de Espriella em uma das eleições mais apertadas da história recente da Colômbia. O adversário derrotado, o senador Iván Cepeda, reconheceu o resultado após dias de questionamentos sobre a apuração e afirmou que fará oposição ao novo governo.
A contagem preliminar da Registradoria Nacional, órgão responsável pela logística das eleições no dia da votação, apontou Espriella com 49,66% dos votos e Cepeda com 48,70%. A diferença entre os dois ultrapassa 250,8 mil votos, mas, na disputa, representa menos de um ponto percentual. O pleito foi marcado por forte polarização política.
Durante a campanha, o novo presidente eleito Abelardo de la Espriella recebeu apoio de lideranças internacionais da direita, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e foi associado a uma agenda de guinada conservadora e endurecimento em temas de segurança.
Apesar da vitória apertada da direita, o resultado também evidenciou um país dividido quase ao meio, com diferenças mínimas entre os dois principais candidatos e forte disputa narrativa sobre o processo eleitoral.
Com 12,7 milhões de votos no segundo turno, Cepeda alcançou a maior votação já obtida pela esquerda na história da Colômbia. Apesar da derrota presidencial, o Pacto Histórico garantiu nas eleições legislativas de março 25 das 102 cadeiras do Senado e 42 das 182 vagas da Câmara dos Representantes.
Terremoto na Venezuela deixa 164 mortos e quase mil feridos Comunidade internacional mobilizou equipes de resgate, ajuda humanitária, recursos médicos e apoio logístico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, medidas de assistência à Venezuela após o terremoto que atingiu o país.
Em publicação nas redes sociais, Lula disse ter recebido a notícia do desastre “com grande preocupação e consternação” e informou que o governo brasileiro acompanha a situação para verificar como pode contribuir com o país vizinho.
“Instrui o Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, escreveu.
O presidente também manifestou solidariedade ao governo venezuelano e afirmou que o Brasil está disposto a colaborar na recuperação das áreas atingidas. “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou.
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Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de intervalo, com epicentros a oeste de Caracas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os abalos são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Desde então, cerca de 20 réplicas foram registradas.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas.
Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Diversos países já anunciaram ajuda à Venezuela. Os Estados Unidos informaram o envio de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. Países da América Latina, além de Espanha, Itália, China, Índia e da União Europeia, também manifestaram solidariedade e ofereceram apoio à Venezuela.
Até o momento, o governo brasileiro não detalhou quais medidas de ajuda poderão ser oferecidas e aguarda uma avaliação mais precisa da dimensão dos danos e das necessidades apresentadas pelo governo venezuelano.

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