Ministros que não estavam em Brasília, como Mauro Vieira (Relações Exteriores), participaram de forma virtual da reunião. O chanceler relatou que não há brasileiros entre os feridos.
— O ministro das Relações Exteriores (Mauro Vieira) relatou o contato que teve com seus homólogos nas últimas horas e indicou não haver até o momento notícias de brasileiros entre as vítimas — afirmou a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.
Às 17h, haverá uma nova reunião da cúpula do governo brasileiro para atualizar a situação com a participação de Lula, que está na Reestinga da Marambia, no litoral do Rio.
Após o encontro da manhã, Mucio contou que não há necessidade de reforço na fronteira.
— A fronteira está absolutamente tranquila. Nós temos um contingente suficiente lá, de homens e equipamentos. Estamos aguardando que as coisas aconteçam. Há muitas notícias desencontradas.
O ministro da Defesa ainda relatou que recebeu um telefonema às 7h do governador de Roraima, Antonio Denarium, para discutir a situação no estado.
Maria Laura da Rocha disse que os brasileiros que estão na Venezuela para fazer turismo não estão tendo problemas para deixar o país.
A reunião aconteceu após Lula condenar publicamente a ofensiva americana. Em nota divulgada mais cedo, o presidente afirmou que os bombardeios em território venezuelano “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, além de estabelecerem “um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. O presidente disse ainda que o ataque viola o direito internacional e ameaça o multilateralismo.
Segundo Lula, a ação “lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e coloca em risco a preservação da região como zona de paz. O presidente defendeu que a comunidade internacional responda de forma vigorosa ao episódio, por meio da Organização das Nações Unidas, e reiterou que o Brasil permanece à disposição para promover o diálogo e a cooperação.
O ataque foi anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por meio de uma rede social, em mensagem na qual afirmou que forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” contra a Venezuela e capturaram o presidente Nicolás Maduro, que teria sido retirado do país por via aérea. Washington não informou para onde Maduro foi levado nem sob qual base legal ocorreu a captura.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram helicópteros militares sobrevoando Caracas durante a madrugada, enquanto explosões iluminavam o céu da capital. Relatos de autoridades e de moradores indicam que ataques atingiram instalações militares e provocaram interrupções no fornecimento de energia elétrica em algumas áreas, embora parte das informações ainda não tenha sido confirmada de forma independente.
A crise entre Washington e Caracas vinha se agravando nos últimos meses, com o anúncio de um bloqueio naval a petroleiros ligados à Venezuela e o aumento da presença militar americana no Caribe. Antes da ofensiva, Lula havia tentado atuar como mediador e defendido, em declarações públicas, a necessidade de diálogo para evitar uma “guerra fratricida” na região.
Segundo interlocutores do governo brasileiro, a reunião de emergência teve como objetivo reunir informações mais precisas sobre a operação e seus desdobramentos, especialmente diante de possíveis impactos humanitários e de segurança na fronteira entre Brasil e Venezuela.






