O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca na noite de sexta-feira para Bogotá, onde participará no sábado da 10ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) em um cenário de baixa presença de líderes na reunião. Com base em dados repassados pelo governo colombiano ao Ministério das Relações Exteriores, dos 33 países membros, apenas quatro presidentes da região confirmaram participação até agora: Lula, o anfitrião Gustavo Petro, o uruguaio Yamandú Orsi e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.
Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, além dos quatro presidentes, 20 chanceleres estarão presentes.
— As delegações vão, há um engajamento bastante grande, mas muitos irão em nível de chanceler — afirmou a diplomata.
O esvaziamento da reunião ocorre em um momento de avanço de governos de direita em vários países latino-americanos. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump reuniu na Flórida líderes da região alinhados politicamente à sua agenda, sem a presença de Brasil, Colômbia e México, o que reforçou a leitura diplomática de um ambiente regional mais dividido.
Apesar disso, o governo brasileiro tenta preservar a relevância política do encontro. Segundo Gisela, a presença de Lula reafirma uma linha constante de política externa.
— A presença do presidente Lula na Celac apenas confirma o compromisso do Brasil, inclusive constitucional, com a integração da América Latina e do Caribe.
Ela lembrou que Lula participou de todas as reuniões de cúpula do bloco desde o retorno do Brasil à Celac, em 2023, e destacou que, mesmo em agendas internacionais apertadas, o presidente tem mantido presença nos encontros regionais.
— Esse é o tamanho do compromisso de acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais num mundo como o de hoje, onde proliferam unilateralismos, medidas coercitivas e atos unilaterais.
Na avaliação do Itamaraty, a baixa presença presidencial não elimina o peso estratégico da região. A secretária ressaltou que os 33 países da Celac somam cerca de 650 milhões de habitantes, 20 milhões de quilômetros quadrados e movimentam aproximadamente US$ 100 bilhões em comércio com o Brasil, com superávit brasileiro de cerca de US$ 20 bilhões.
— A América Latina e o Caribe são o destino de 40% das nossas exportações de manufaturados — afirmou, destacando o peso da região para a indústria brasileira.
Ela também insistiu no papel geopolítico regional em temas como segurança alimentar, energia limpa, biodiversidade e preservação ambiental.
— Todos esses elementos que ninguém presta atenção — água, energia limpa, biodiversidade, comércio de bens industrializados — mostram o que essa região aporta. Daí a importância dela para o Brasil.
A reunião terá como temas principais desenvolvimento econômico, combate à pobreza, mudança do clima, segurança alimentar e crime organizado. A expectativa é de uma declaração final, embora o próprio Itamaraty reconheça dificuldades de consenso político.
— A declaração sempre é fechada na undécima hora. O atual contexto político permite antever algumas dificuldades, mas só no final saberemos como ela ficará.
Um dos pontos já acordados, segundo Gisela, é a reafirmação da América Latina e do Caribe como zona de paz.
Na sequência da cúpula, ocorrerá o primeiro Fórum Celac-África. O diretor do departamento de África do Itamaraty, Ricardo Duarte, afirmou que a iniciativa busca recuperar um diálogo político estruturado entre as duas regiões.
— A Celac busca, com esse primeiro fórum de alto nível, recuperar um diálogo com a África que já existiu de maneira mais estruturada no passado.
Segundo ele, o encontro ocorre em um contexto de crescente aproximação política entre Brasil e África e terá como eixos cooperação Sul-Sul, reparação histórica e justiça étnico-racial, além de comércio e investimentos.
Duarte destacou que a África representa hoje um espaço estratégico em expansão econômica.
— A África, pelo seu tamanho, pelas suas potencialidades e pela população em ascensão, oferece oportunidades claras. O Brasil pode ampliar vendas, mas também investir para produzir lá, especialmente em agricultura.
Hoje, o comércio entre Brasil e África soma cerca de US$ 24 bilhões, com superávit brasileiro, e o Itamaraty considera que a aproximação pode abrir uma nova frente econômica para o país.
Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, além dos quatro presidentes, 20 chanceleres estarão presentes.
— As delegações vão, há um engajamento bastante grande, mas muitos irão em nível de chanceler — afirmou a diplomata.
O esvaziamento da reunião ocorre em um momento de avanço de governos de direita em vários países latino-americanos. Nos últimos dias, o presidente Donald Trump reuniu na Flórida líderes da região alinhados politicamente à sua agenda, sem a presença de Brasil, Colômbia e México, o que reforçou a leitura diplomática de um ambiente regional mais dividido.
Apesar disso, o governo brasileiro tenta preservar a relevância política do encontro. Segundo Gisela, a presença de Lula reafirma uma linha constante de política externa.
— A presença do presidente Lula na Celac apenas confirma o compromisso do Brasil, inclusive constitucional, com a integração da América Latina e do Caribe.
Ela lembrou que Lula participou de todas as reuniões de cúpula do bloco desde o retorno do Brasil à Celac, em 2023, e destacou que, mesmo em agendas internacionais apertadas, o presidente tem mantido presença nos encontros regionais.
— Esse é o tamanho do compromisso de acreditar que a integração regional é fundamental, ainda mais num mundo como o de hoje, onde proliferam unilateralismos, medidas coercitivas e atos unilaterais.
Na avaliação do Itamaraty, a baixa presença presidencial não elimina o peso estratégico da região. A secretária ressaltou que os 33 países da Celac somam cerca de 650 milhões de habitantes, 20 milhões de quilômetros quadrados e movimentam aproximadamente US$ 100 bilhões em comércio com o Brasil, com superávit brasileiro de cerca de US$ 20 bilhões.
— A América Latina e o Caribe são o destino de 40% das nossas exportações de manufaturados — afirmou, destacando o peso da região para a indústria brasileira.
Ela também insistiu no papel geopolítico regional em temas como segurança alimentar, energia limpa, biodiversidade e preservação ambiental.
— Todos esses elementos que ninguém presta atenção — água, energia limpa, biodiversidade, comércio de bens industrializados — mostram o que essa região aporta. Daí a importância dela para o Brasil.
A reunião terá como temas principais desenvolvimento econômico, combate à pobreza, mudança do clima, segurança alimentar e crime organizado. A expectativa é de uma declaração final, embora o próprio Itamaraty reconheça dificuldades de consenso político.
— A declaração sempre é fechada na undécima hora. O atual contexto político permite antever algumas dificuldades, mas só no final saberemos como ela ficará.
Um dos pontos já acordados, segundo Gisela, é a reafirmação da América Latina e do Caribe como zona de paz.
Na sequência da cúpula, ocorrerá o primeiro Fórum Celac-África. O diretor do departamento de África do Itamaraty, Ricardo Duarte, afirmou que a iniciativa busca recuperar um diálogo político estruturado entre as duas regiões.
— A Celac busca, com esse primeiro fórum de alto nível, recuperar um diálogo com a África que já existiu de maneira mais estruturada no passado.
Segundo ele, o encontro ocorre em um contexto de crescente aproximação política entre Brasil e África e terá como eixos cooperação Sul-Sul, reparação histórica e justiça étnico-racial, além de comércio e investimentos.
Duarte destacou que a África representa hoje um espaço estratégico em expansão econômica.
— A África, pelo seu tamanho, pelas suas potencialidades e pela população em ascensão, oferece oportunidades claras. O Brasil pode ampliar vendas, mas também investir para produzir lá, especialmente em agricultura.
Hoje, o comércio entre Brasil e África soma cerca de US$ 24 bilhões, com superávit brasileiro, e o Itamaraty considera que a aproximação pode abrir uma nova frente econômica para o país.









