Edith Eva Eger, psicóloga clínica e autora best-seller cujas experiências traumáticas como prisioneira em campos de concentração nazistas — incluindo ter sido forçada a dançar para Josef Mengele, o notório médico conhecido como o “Anjo da Morte” — permitiram que ela se identificasse com pacientes emocionalmente perturbados e os tratasse, morreu em em sua casa, em San Diego. Ela tinha 98 anos. Sua filha, Audrey Thompson, confirmou a morte.
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Anitta: ‘Antigamente, eu não tinha dinheiro para nada, só investia no trabalho. Hoje, eu ganho dinheiro para poder ser feliz’
Eger tornou-se psicóloga já na casa dos 50 anos, depois de imigrar para Baltimore, trabalhar em uma fábrica de roupas, criar os filhos e voltar à faculdade. Sua recuperação emocional levou tempo: durante duas décadas após a guerra, ela não falou sobre as privações que sofreu nem sobre as atrocidades que testemunhou. As memórias enterradas assombravam seus pesadelos.
Ela aprendeu que precisava perdoar a si mesma por ter sobrevivido — algo que quase não aconteceu. Quando soldados americanos libertaram Gunskirchen, um subcampo de Mauthausen, na Áustria, em maio de 1945, ela estava quase imóvel em meio a uma pilha de cadáveres, pesando pouco mais de 30 quilos e sofrendo de pneumonia, febre tifoide e pleurisia.
— Eu os liberto — disse ela à Fundação Shoah da USC nos anos 1990, referindo-se a seus captores nazistas. — Não se trata de eu perdoá-los pelo que fizeram comigo. Acho que é principalmente libertar a mim mesma, para investir minha energia no futuro.
Um passo decisivo em sua capacidade de seguir em frente foi ler “Man’s Search for Meaning”, memórias de 1946 do psiquiatra austríaco e sobrevivente de campo de concentração Viktor Frankl. Ele escreveu sobre as escolhas feitas por alguns prisioneiros.
“Nós que vivemos em campos de concentração conseguimos nos lembrar dos homens que caminhavam pelos barracões confortando os outros, entregando seu último pedaço de pão”, escreveu ele. “Talvez fossem poucos, mas oferecem prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho.”
Edith Eva Eger nos anos 1950, em El Paso
Acervo da família Eger/via The New York Times
Edith Eva Eger
Acervo da família Eger/via The New York Times
‘A liberdade é uma escolha’
Eger descrevia seu próprio estilo de terapia — para pacientes que incluíam pessoas com câncer e militares com transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais traumáticas — como uma escolha de encontrar liberdade em relação ao sofrimento, uma jornada psicológica em que compaixão, humor, otimismo, curiosidade e autoexpressão eram fundamentais.
“Essas são as ferramentas que meus pacientes usam para se libertar das expectativas impostas pelos papéis sociais, para serem pais gentis e amorosos consigo mesmos, para parar de transmitir crenças e comportamentos aprisionadores, para descobrir que o amor surge como resposta no fim”, escreveu ela em sua autobiografia, “The Choice: Embrace the Possible” (2017, com Esmé Schwall Weigand), best-seller de bolso do New York Times sobre o qual ela foi entrevistada por Oprah Winfrey. No Brasil, o livro ganhou o título “A liberdade é uma escolha: Lições práticas e inspiradoras para ajudar você a se libertar de suas prisões mentais”.
No livro, ela descreveu o tratamento de um garoto de 14 anos que fazia comentários preconceituosos. “Eu lutava contra a inclinação de apontar o dedo, cerrar o punho, fazê-lo sentir-se responsável por seu ódio — sem assumir responsabilidade pelo meu próprio”, escreveu ela. “Esse garoto não matou meus pais. Negar meu amor a ele não venceria seu preconceito.”
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Gradualmente, ao longo da primeira sessão entre eles, “ele já não falava mais sobre matar”, escreveu. “Ele me mostrou seu sorriso gentil. E eu assumi a responsabilidade de não perpetuar hostilidade e culpa, de não me curvar ao ódio e dizer: ‘Você é demais para mim.’”
A história de Edith
Edith Eva Eger nasceu Edith Eva Elefánt em 29 de setembro de 1927, em Kosice, Tchecoslováquia — atualmente parte da Eslováquia e anteriormente integrante do Império Austro-Húngaro. Seu pai, Lajos, era alfaiate e estilista de alta-costura, e sua mãe, Ilona (Klein) Elefánt, cuidava da casa.
A jovem Edith era bailarina e ginasta. À medida que o antissemitismo crescia na Hungria, ela foi expulsa da equipe húngara de treinamento olímpico por ser judia. (Os Jogos Olímpicos de Verão de 1940 e 1944 já haviam sido cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial, mas ainda havia esperança de competir nos Jogos de 1948.)
Mas seu treinador insistiu para que ela treinasse sua substituta, o que ela fez, determinada a tornar a outra garota o melhor possível.
Logo depois de a Alemanha invadir a Hungria em março de 1944, a casa da família Elefánt foi invadida. Edith, sua irmã Magda e seus pais foram enviados para Auschwitz; Lajos e Ilona foram para as câmaras de gás no mesmo dia em que chegaram. A irmã de Edith, Klara, uma violinista prodígio ainda criança, sobreviveu à guerra escondida na casa de sua professora em Budapeste.
Naquela noite, depois que Josef Mengele soube que Edith era bailarina, exigiu que ela dançasse para ele. Enquanto se apresentava nos barracões ao som da valsa “Blue Danube”, tocada por uma orquestra de prisioneiros, ela imaginava estar se apresentando na casa de ópera de Budapeste, embora, como escreveu mais tarde, soubesse que estava “dançando no inferno”.
Como recompensa, Mengele jogou para ela um pão, que dividiu com a irmã e os outros prisioneiros. Ao longo do ano seguinte, ela, a irmã e outros prisioneiros deixaram Auschwitz foram forçados a viajar sobre vagões de trem usando vestidos listrados para desencorajar bombardeios aliados e trabalharam em fábricas. Depois de algum tempo em Mauthausen, foram obrigados a marchar 27 milhas até Gunskirchen, libertado pelo Exército dos EUA no início de maio de 1945.
Durante sua recuperação, Eger conheceu Albert Bela Eger, combatente da resistência cuja família possuía um negócio atacadista de alimentos em um hospital para tuberculose. (Ele tinha a infecção; ela sofria com líquido nos pulmões.)
Eles se casaram em novembro de 1946; a primeira filha do casal, Marianne, nasceu no ano seguinte. A família imigrou para os Estados Unidos em 1949, vivendo primeiro em Baltimore e depois em El Paso, onde morava um primo dele.
A psicologia
Albert tornou-se contador público certificado. Edith acabou retornando à faculdade, obtendo um diploma de bacharel em 1969 e um mestrado em 1974, ambos em psicologia, pela University of Texas at El Paso, além de ter lecionado psicologia no ensino médio por alguns anos.
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Ela treinou no departamento de psiquiatria do William Beaumont Army Medical Center, em El Paso, localizado nas instalações de Fort Bliss, e obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Saybrook University, em Oakland, Califórnia, em 1978. Atendeu pacientes em consultório particular em El Paso antes de se mudar para San Diego em 1987.
Ela estudou psicologia porque “gostava de conversar com as pessoas sobre suas vidas emocionais”, disse sua filha Marianne Engle, psicóloga clínica e esportiva, em entrevista:
— Ela queria que você conversasse com ela para poder descobrir algo em si mesmo que ainda não tinha percebido.
Edith e Esmé Schwall Weigand também escreveram “The Gift: 14 Lessons to Save Your Life” (2020) e “The Ballerina of Auschwitz” (2024), uma versão para jovens adultos de “The Choice: Embrace the Possible”.
Além das filhas, Engle e Audrey Thompson, Eger também deixa um filho, John; cinco netos; e 12 bisnetos. Albert, de quem Edith se divorciou em 1969 e com quem voltou a se casar em 1971, morreu em 1993. Um breve casamento com Mort Winski terminou com a morte dele, em 2003.
O retorno à Auschwitz
Em 1981, Edith foi convidada para falar a um grupo de 600 capelães do Exército em um local que havia sido ponto de encontro de oficiais da SS em Berchtesgaden, refúgio de Hitler nos Alpes da Baviera.
Ela já havia falado para públicos militares antes, mas aquilo era diferente. Perguntava-se se a viagem desencadearia flashbacks. Depois de inicialmente decidir que não queria ir, seu então marido lhe disse:
— Se você não for para a Alemanha, então Hitler venceu a guerra.
Ela fez a viagem — durante a qual ela e o marido dormiram em um quarto que havia sido destinado a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler — e depois seguiu para Auschwitz.
— Ela estava caminhando por lá e viu um homem de uniforme, então começou a entrar em pânico — disse a filha Engle. — Então percebeu que estava com uma bolsa Prada e um passaporte americano, e que era livre para ir embora, enquanto o homem que trabalhava ali não podia. Meu pai dizia que o mais incrível é que ela saiu de Auschwitz chutando e dançando. Ela estava feliz.
Ela acrescentou:
— Minha mãe era linda, mas sempre havia tristeza em seus olhos. Quando voltou dessa viagem, toda a tristeza tinha desaparecido.
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Ela aprendeu que precisava perdoar a si mesma por ter sobrevivido — algo que quase não aconteceu. Quando soldados americanos libertaram Gunskirchen, um subcampo de Mauthausen, na Áustria, em maio de 1945, ela estava quase imóvel em meio a uma pilha de cadáveres, pesando pouco mais de 30 quilos e sofrendo de pneumonia, febre tifoide e pleurisia.
— Eu os liberto — disse ela à Fundação Shoah da USC nos anos 1990, referindo-se a seus captores nazistas. — Não se trata de eu perdoá-los pelo que fizeram comigo. Acho que é principalmente libertar a mim mesma, para investir minha energia no futuro.
Um passo decisivo em sua capacidade de seguir em frente foi ler “Man’s Search for Meaning”, memórias de 1946 do psiquiatra austríaco e sobrevivente de campo de concentração Viktor Frankl. Ele escreveu sobre as escolhas feitas por alguns prisioneiros.
“Nós que vivemos em campos de concentração conseguimos nos lembrar dos homens que caminhavam pelos barracões confortando os outros, entregando seu último pedaço de pão”, escreveu ele. “Talvez fossem poucos, mas oferecem prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho.”
Edith Eva Eger nos anos 1950, em El Paso
Acervo da família Eger/via The New York Times
Edith Eva Eger
Acervo da família Eger/via The New York Times
‘A liberdade é uma escolha’
Eger descrevia seu próprio estilo de terapia — para pacientes que incluíam pessoas com câncer e militares com transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais traumáticas — como uma escolha de encontrar liberdade em relação ao sofrimento, uma jornada psicológica em que compaixão, humor, otimismo, curiosidade e autoexpressão eram fundamentais.
“Essas são as ferramentas que meus pacientes usam para se libertar das expectativas impostas pelos papéis sociais, para serem pais gentis e amorosos consigo mesmos, para parar de transmitir crenças e comportamentos aprisionadores, para descobrir que o amor surge como resposta no fim”, escreveu ela em sua autobiografia, “The Choice: Embrace the Possible” (2017, com Esmé Schwall Weigand), best-seller de bolso do New York Times sobre o qual ela foi entrevistada por Oprah Winfrey. No Brasil, o livro ganhou o título “A liberdade é uma escolha: Lições práticas e inspiradoras para ajudar você a se libertar de suas prisões mentais”.
No livro, ela descreveu o tratamento de um garoto de 14 anos que fazia comentários preconceituosos. “Eu lutava contra a inclinação de apontar o dedo, cerrar o punho, fazê-lo sentir-se responsável por seu ódio — sem assumir responsabilidade pelo meu próprio”, escreveu ela. “Esse garoto não matou meus pais. Negar meu amor a ele não venceria seu preconceito.”
Entenda: Irã confirma presença na Copa do Mundo, mas faz 10 exigências aos anfitriões
Gradualmente, ao longo da primeira sessão entre eles, “ele já não falava mais sobre matar”, escreveu. “Ele me mostrou seu sorriso gentil. E eu assumi a responsabilidade de não perpetuar hostilidade e culpa, de não me curvar ao ódio e dizer: ‘Você é demais para mim.’”
A história de Edith
Edith Eva Eger nasceu Edith Eva Elefánt em 29 de setembro de 1927, em Kosice, Tchecoslováquia — atualmente parte da Eslováquia e anteriormente integrante do Império Austro-Húngaro. Seu pai, Lajos, era alfaiate e estilista de alta-costura, e sua mãe, Ilona (Klein) Elefánt, cuidava da casa.
A jovem Edith era bailarina e ginasta. À medida que o antissemitismo crescia na Hungria, ela foi expulsa da equipe húngara de treinamento olímpico por ser judia. (Os Jogos Olímpicos de Verão de 1940 e 1944 já haviam sido cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial, mas ainda havia esperança de competir nos Jogos de 1948.)
Mas seu treinador insistiu para que ela treinasse sua substituta, o que ela fez, determinada a tornar a outra garota o melhor possível.
Logo depois de a Alemanha invadir a Hungria em março de 1944, a casa da família Elefánt foi invadida. Edith, sua irmã Magda e seus pais foram enviados para Auschwitz; Lajos e Ilona foram para as câmaras de gás no mesmo dia em que chegaram. A irmã de Edith, Klara, uma violinista prodígio ainda criança, sobreviveu à guerra escondida na casa de sua professora em Budapeste.
Naquela noite, depois que Josef Mengele soube que Edith era bailarina, exigiu que ela dançasse para ele. Enquanto se apresentava nos barracões ao som da valsa “Blue Danube”, tocada por uma orquestra de prisioneiros, ela imaginava estar se apresentando na casa de ópera de Budapeste, embora, como escreveu mais tarde, soubesse que estava “dançando no inferno”.
Como recompensa, Mengele jogou para ela um pão, que dividiu com a irmã e os outros prisioneiros. Ao longo do ano seguinte, ela, a irmã e outros prisioneiros deixaram Auschwitz foram forçados a viajar sobre vagões de trem usando vestidos listrados para desencorajar bombardeios aliados e trabalharam em fábricas. Depois de algum tempo em Mauthausen, foram obrigados a marchar 27 milhas até Gunskirchen, libertado pelo Exército dos EUA no início de maio de 1945.
Durante sua recuperação, Eger conheceu Albert Bela Eger, combatente da resistência cuja família possuía um negócio atacadista de alimentos em um hospital para tuberculose. (Ele tinha a infecção; ela sofria com líquido nos pulmões.)
Eles se casaram em novembro de 1946; a primeira filha do casal, Marianne, nasceu no ano seguinte. A família imigrou para os Estados Unidos em 1949, vivendo primeiro em Baltimore e depois em El Paso, onde morava um primo dele.
A psicologia
Albert tornou-se contador público certificado. Edith acabou retornando à faculdade, obtendo um diploma de bacharel em 1969 e um mestrado em 1974, ambos em psicologia, pela University of Texas at El Paso, além de ter lecionado psicologia no ensino médio por alguns anos.
Saiba mais: Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita
Ela treinou no departamento de psiquiatria do William Beaumont Army Medical Center, em El Paso, localizado nas instalações de Fort Bliss, e obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Saybrook University, em Oakland, Califórnia, em 1978. Atendeu pacientes em consultório particular em El Paso antes de se mudar para San Diego em 1987.
Ela estudou psicologia porque “gostava de conversar com as pessoas sobre suas vidas emocionais”, disse sua filha Marianne Engle, psicóloga clínica e esportiva, em entrevista:
— Ela queria que você conversasse com ela para poder descobrir algo em si mesmo que ainda não tinha percebido.
Edith e Esmé Schwall Weigand também escreveram “The Gift: 14 Lessons to Save Your Life” (2020) e “The Ballerina of Auschwitz” (2024), uma versão para jovens adultos de “The Choice: Embrace the Possible”.
Além das filhas, Engle e Audrey Thompson, Eger também deixa um filho, John; cinco netos; e 12 bisnetos. Albert, de quem Edith se divorciou em 1969 e com quem voltou a se casar em 1971, morreu em 1993. Um breve casamento com Mort Winski terminou com a morte dele, em 2003.
O retorno à Auschwitz
Em 1981, Edith foi convidada para falar a um grupo de 600 capelães do Exército em um local que havia sido ponto de encontro de oficiais da SS em Berchtesgaden, refúgio de Hitler nos Alpes da Baviera.
Ela já havia falado para públicos militares antes, mas aquilo era diferente. Perguntava-se se a viagem desencadearia flashbacks. Depois de inicialmente decidir que não queria ir, seu então marido lhe disse:
— Se você não for para a Alemanha, então Hitler venceu a guerra.
Ela fez a viagem — durante a qual ela e o marido dormiram em um quarto que havia sido destinado a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler — e depois seguiu para Auschwitz.
— Ela estava caminhando por lá e viu um homem de uniforme, então começou a entrar em pânico — disse a filha Engle. — Então percebeu que estava com uma bolsa Prada e um passaporte americano, e que era livre para ir embora, enquanto o homem que trabalhava ali não podia. Meu pai dizia que o mais incrível é que ela saiu de Auschwitz chutando e dançando. Ela estava feliz.
Ela acrescentou:
— Minha mãe era linda, mas sempre havia tristeza em seus olhos. Quando voltou dessa viagem, toda a tristeza tinha desaparecido.









