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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (11) que só decidirá se vai sancionar o chamado Projeto de Lei da Dosimetria quando o texto, aprovado pela Câmara dos Deputados, chegar ao Poder Executivo.

O projeto de lei prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado e pode beneficiar pessoas envolvidas nos atos – inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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“Não gosto de dar palpite numa coisa que não diz respeito ao Poder Executivo. É uma coisa pertinente ao Poder Legislativo. Eles estão discutindo. Tem gente que concorda, tem gente que não concorda”, disse Lula.

Em entrevista ao programa EM Minas em parceria com o jornal Estado de Minas e o Portal Uai, o presidente avaliou que Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão “porque tentou fazer uma coisa muito grave”.

“Ele não fez brincadeira. Ele tinha um plano arquitetado para matar a mim, matar o Alckmin, matar o Alexandre de Moraes. Ele tinha um plano para explodir um caminhão no aeroporto de Brasília. E ele tinha um plano de sequestrar o Poder, já que ele perdeu as eleições.”

Lula lembrou que, após passar pela Câmara, o PL da Dosimetria agora segue para análise do Senado.

“Vamos ver o que vai acontecer. Quando chegar à minha mesa, eu tomarei a decisão. Eu e Deus. Sentado na minha mesa, eu tomarei a decisão”.

“Farei aquilo que eu entender que deve ser feito. Porque ele [Bolsonaro] tem que pagar pela tentativa de golpe, pela tentativa de destruir a democracia que ele fez nesse país. Ele sabe disso. Não adianta ficar choramingando agora”, disse.

“Se ele tivesse a postura que eu tive quando perdi três eleições, se ele tivesse a postura que teve o PSDB quando perdeu três eleições, se ele tivesse a postura de todo mundo que é democrático e que respeita as instituições, ele não estaria preso. Poderia estar concorrendo agora às eleições,” afirmou Lula.

“Mas ele tentou encurtar o caminho. Tentou convencer alguns militares, que também estão presos. E deu nisso que deu. Então, agora, é o seguinte: deixa o Poder Legislativo se manifestar. Quando chegar na mesa do Poder Executivo, eu vou tomar a minha decisão”, concluiu o presidente.

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Os Estados Unidos e diversos países ao redor do mundo, especialmente na América Latina, ofereceram assistência à Venezuela após os dois fortes terremotos que deixaram pelo menos 188 mortos e cerca de 1000 feridos. Em comunicado, o chefe de operações humanitárias da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização está “totalmente mobilizada” após o abalo duplo, afirmando que os próximos dias exigirão um “esforço coletivo massivo para apoiar a resposta liderada pelo governo e auxiliar as comunidades afetadas”. Fletcher também observou que, já antes da tragédia, “quase oito milhões de pessoas na Venezuela precisavam de assistência humanitária”.
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“Este desastre corre o risco de agravar as vulnerabilidades existentes”, portanto “o apoio internacional contínuo às organizações humanitárias que atuam no terreno é essencial e urgente”, disse Fletcher. Equipes de resgate especializadas coordenadas pela ONU já foram enviadas para participar das buscas por pessoas presas sob os escombros.
Veja os principais apoios anunciados até agora:
Estados Unidos
Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar assistência. Na rede Truth Social, o presidente americano, Donald Trump, escreveu que sua administração está “pronta, disposta e apta” a ajudar, indicando que ordenou “a todas as agências do governo que se preparem para agir rapidamente”: “Estaremos lá para nossos novos e grandes amigos”, disse, acrescentando que “os primeiros relatos não são bons”.
Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam enviando “imediatamente” equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária. Enquanto isso, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, agradeceu a Trump em uma publicação no X, escrevendo que seu país “jamais esquecerá a mão estendida” pelos Estados Unidos.
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Em janeiro, forças americanas invadiram, capturaram e depuseram o presidente Nicolás Maduro, levando-o para os EUA para responder a acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Trump escolheu Delcy como sucessora e prometeu que a mudança “desencadearia prosperidade” ao revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.
Ainda assim, a Venezuela enfrenta anos de crise econômica e sanções severas impostas pelos Estados Unidos, e os terremotos representam um desafio imediato para a presidente.
Brasil
No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter tomado conhecimento, “com grande preocupação e consternação”, dos “impactos causados pelo terremoto que atingiu a Venezuela”.
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Lula afirmou que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, medidas de assistência à Venezuela: “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou.
Guiana
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, país que mantém uma disputa diplomática com a Venezuela pelo território de Essequibo, também expressou sua solidariedade.
Vaticano
O Papa Leão XIV enviou uma ajuda emergencial de €100 mil (R$ 591 mil). A quantia, desembolsada pela Esmolaria Apostólica — responsável pelas obras de caridade do Papa e pela assistência a populações em situação de dificuldade — constitui “uma primeira contribuição” para apoiar os trabalhos de socorro, informou o Vatican News.
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América Latina
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, anunciou o envio de uma equipe militar de resgatistas e profissionais médicos e acrescentou que, se necessário, enviaria assistência adicional posteriormente: “O México sempre é e será solidário”, publicou no X.
Em Cuba, o chanceler Bruno Rodríguez expressou sua “solidariedade com o governo e o povo irmão” da Venezuela, escrevendo no X: “Os colaboradores da saúde de Cuba presentes no país estão totalmente mobilizados e prestando serviços médicos à população afetada”.
Já em El Salvador, o presidente Nayib Bukele afirmou no X que tinha prontos para enviar a Caracas 300 resgatistas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e insumos de primeira necessidade. No Equador, o presidente Daniel Noboa também afirmou que determinou “o envio imediato” de ajuda humanitária:
“O Equador responderá com a rapidez e o compromisso que este momento exige porque, apesar das enormes diferenças, a humanidade sempre deve reger a atuação de um governante”, declarou Noboa.
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A Argentina informou que acompanhava de perto a situação e expressou “sua disposição de colaborar com a assistência humanitária”. Em nota, o governo afirmou que, “além das diferenças que possam existir” entre os países, “o presidente Javier G. Milei estende sua mão”.
O presidente do Chile, José Antonio Kast, disse no X estar “providenciando o envio de ajuda humanitária urgente e o deslocamento de equipes de resgate para enfrentar a emergência” na Venezuela. O Chile, onde vivem cerca de 700 mil venezuelanos, não tem relações diplomáticas com a Venezuela desde 2024.
No Uruguai, o presidente Yamandú Orsi expressou solidariedade “às autoridades e ao povo venezuelano” e disse acompanhar “com atenção a evolução da situação”. Ele também destacou a “disposição de colaborar no que o governo venezuelano considerar necessário”.
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Editoria de Arte/O Globo
O presidente panamenho, José Raúl Mulino, prestou “profunda solidariedade e apoio à Venezuela após o terremoto e suas consequências”, afirmando que o Panamá, “mais uma vez, oferece sua ajuda humanitária às nossas nações irmãs”. Em comunicado, a Costa Rica também disse se solidarizar “de coração com o povo venezuelano”.
Na República Dominicana, o presidente Luis Abinader disse que “equipes especializadas de busca, resgate e resposta a emergências de nossas Forças Armadas partirão para a Venezuela para apoiar o trabalho que está sendo realizado pelas autoridades venezuelanas”.
Europa
A comissária de Gestão de Crises da União Europeia, Hadja Lahbib, afirmou que o sistema europeu Copernicus de detecção por satélite foi ativado para apoiar as operações de resgate na Venezuela: “Estamos preparados para reforçar nossa ajuda”, declarou no X.
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A Alemanha ofereceu seis aviões militares para ajudar a Venezuela, enquanto o presidente espanhol, Pedro Sánchez, ofereceu seu “total apoio” ao povo venezuelano. A Espanha tem 54 integrantes da Unidade Militar de Emergências “preparados” para participar dos trabalhos de resgate, informou posteriormente o Ministério da Defesa espanhol.
Na França, país cuja embaixada em Caracas foi danificada, o presidente Emmanuel Macron expressou solidariedade e anunciou o envio de 85 resgatistas franceses “especializados em operações de busca e resgate em estruturas colapsadas”. Por sua vez, a Suíça anunciou que enviará 80 socorristas e 18 toneladas de equipamentos de resgate para ajudar.
Os Países Baixos também anunciaram o envio à Venezuela de uma equipe de resgatistas, além de cães de busca e equipamentos, enquanto, na Itália, Giorgia Meloni afirmou que acompanhava com preocupação as consequências do terremoto. O Ministério das Relações Exteriores italiano informou que o país está pronto para prestar assistência.
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Em Portugal, o ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel, anunciou que cerca de 50 resgatistas se preparavam para enviar uma missão de emergência.
Rússia, China, Irã
Em carta, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu a Delcy que transmitisse “sinceras palavras de solidariedade às famílias e amigos das vítimas, assim como nossos votos de rápida recuperação a todos os afetados por este desastre natural”.
Na China, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse desejar oferecer “toda a ajuda possível de maneira adequada, de acordo com as necessidades da Venezuela”.
Apesar das consequências da guerra em seu próprio território, o Ministério das Relações Exteriores do anunciou que a República Islâmica “está preparada para fornecer toda a ajuda necessária nas operações de resgate e salvamento” na Venezuela.
Cruz Vermelha
A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) informou que liberou US$ 2,5 milhões para apoiar os trabalhos de recuperação.
Cenas do rastro de destruição deixado por dois terremotos que abalaram a Venezuela estão sendo compartilhadas ao redor do mundo na quinta-feira (25). Já era fim do dia quando o país foi surpreendido pelos tremores consecutivos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocasionando a queda de prédios inteiros, deixando vítimas, incluindo fatais. Um dos registros feitos por uma pessoa que participava dos resgates em uma das áreas afetadas em La Guaira mostra a retirada dramática de três irmãos com vida de escombros.
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Grupos formados por moradores e socorristas corriam contra o tempo na busca de sobreviventes e desaparecidos. À beira do Caribe, La Guaira, a 40 minutos de Caracas e onde se encontra o aeroporto internacional de Maiquetía, foi a região mais afetada. O vídeo das crianças mostra adultos tentando acalmá-las enquanto as retiram do imóvel desabado.
“Acabamos de salvar um bebê. Vem cá, meu filho, vem cá”, diz o homem que filma a cena.
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Momentos depois, aparece uma segunda menina, seguida imediatamente por uma terceira. Quando alguém lhes pergunta se são irmãos, um dos meninos responde: “Sim, somos três”.
Os socorristas pedem que eles permaneçam juntos e os tranquilizam enquanto o trabalho continua ao redor do prédio que desabou.
“Fiquem aí. Vocês estão bem, graças a Deus”, diz um deles.
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Pouco depois, o mesmo homem tenta tranquilizar um adulto que procura um parente entre os destroços.
“Meu Senhor, o Senhor é misericordioso. Seu filho também está aqui. Estamos chegando lá aos poucos, meus filhos. A ajuda está chegando. Devemos ter fé”, diz ele.
Três irmãos são resgatados com vida dos escombros após terremotos na Venezuela
Reprodução / X
A cena reflete a atmosfera que prevalece em La Guaira desde os terremotos. Com o passar das horas, mais vídeos gravados por moradores e equipes de resgate vêm à tona. Em muitos deles, gritos podem ser ouvidos sob os escombros, enquanto familiares e socorristas tentam localizar pessoas presas após o desabamento dos prédios.
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Localizado na costa centro-norte da Venezuela, o estado de La Guaira tem grande importância econômica por abrigar um dos principais portos do país e o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía.
O número de mortos nos terremotos na Venezuela subiu para 188, com 1.520 feridos e 157 desaparecidos, afirmou o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, no início da tarde desta quinta-feira (horário do Brasil).
Mais de 200 pessoas estão sob os escombros de cerca de 250 prédios que desabaram ou foram danificados. Rodríguez acrescentou que cerca de 3.000 famílias foram afetadas.
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Ajuda na localização de desaparecidos e sobreviventes
O site desaparecidosterremotovenezuela.com entrou no ar diante das falhas de comunicação provocadas pelos abalos e busca ajudar famílias que ainda não conseguiram contato com parentes e amigos.
A plataforma permite cadastrar pessoas desaparecidas e informar quando elas forem encontradas em segurança. Na página inicial, os organizadores fazem um apelo aos usuários:
“Após o terremoto, muitas famílias ainda não têm notícias de seus entes queridos. Se você não consegue entrar em contato com alguém, registre essa pessoa aqui. E, se já a encontrou, avise-nos para que seu nome traga tranquilidade, e não angústia”.
(Com La Nacion, Reuters, AP e AFP.)
Em meio aos esforços de resposta aos fortes terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, os principais provedores de serviços de internet do país passaram a liberar, nesta quinta-feira, o acesso à rede social X, bloqueada no país desde 2024, enquanto a estatal de telecomunicações Cantv afirmou que oferecerá seus serviços de internet, telefonia e televisão gratuitamente pelas próximas 48 horas. As medidas, confirmadas pela ONG Venezuela Sin Filtro, dedicada ao monitoramento da censura digital, foram apresentadas como parte das ações para facilitar a comunicação entre familiares e a coordenação das operações de emergência, em meio à pressão de organizações internacionais e especialistas em direitos humanos pela circulação de informações em um momento crítico.
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Pouco após os tremores, inúmeros relatos de falhas de comunicação e interrupções nos serviços de telefonia e internet aumentaram a preocupação com a capacidade dos venezuelanos de receber alertas, buscar ajuda e informar familiares sobre sua situação.
Mais tarde, porém, as principais operadoras de telecomunicações do país, como a Cantv, Thundernet, Digitel e Movistar, suspenderam seus bloqueios às redes sociais, permitindo o acesso direto sem necessidade do uso de VPN. Porém, segundo a Venezuela Sin Filtro, alguns domínios ainda estão inacessíveis. “É crítico que os cidadãos possam permanecer informados e conectados durante esta emergência nacional”, escreveu a ONG no X.
Segundo o comunicado da Cantv, a gratuidade temporária dos serviços busca manter a população conectada após os tremores e permitir que os cidadãos obtenham notícias sobre parentes e amigos. A empresa afirmou ainda que a iniciativa pretende “reduzir a ansiedade da população afetada” e garantiu estar mobilizando recursos técnicos e operacionais para preservar a conectividade em todo o território nacional.
As medidas ocorrem após especialistas ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) pressionarem o governo venezuelano a remover restrições ao acesso à informação. Nesta quinta-feira, integrantes da Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela defenderam que as autoridades desbloqueassem imediatamente as redes sociais e meios de comunicação.
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“Como primeiro passo fundamental, é vital que a Conatel, órgão regulador das telecomunicações do país, desbloqueie completamente o acesso às redes sociais e a todos os meios de comunicação”, afirmaram.
Os especialistas, que foram designados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas não falam em nome das Nações Unidas, disseram que, após os terremotos, esse acesso seria “uma questão de vida ou morte”. “Não há desculpa possível para não fazer isso imediatamente”.
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Antes mesmo dos terremotos, a Venezuela enfrentava críticas relacionadas ao bloqueio de plataformas digitais e sites de notícias. A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirma que o ambiente para a imprensa venezuelana se deteriorou nos últimos anos, dificultando o acesso da população a informações independentes.
“Após anos de repressão e controle rígido da informação sob o governo de Nicolás Maduro, as restrições à imprensa e ao acesso à informação pioraram ainda mais após a intervenção militar ilegal dos EUA em 2026”, observa a RSF em seu site. “O país mergulhou em profunda incerteza quanto à proteção da liberdade de imprensa, apesar da libertação de jornalistas detidos no início de 2026”.
Moradores procuram sobreviventes de terremoto e tentam recuperar pertences entre os escombros de um prédio destruído em Catia La Mar, no estado de La Guaira, na Venezuela
Federico Parra / AFP
Especialistas apontam que as características dos terremotos aumentam seu potencial destrutivo. O primeiro tremor teve magnitude 7,2, e o segundo, ocorrido apenas 39 segundos depois, atingiu magnitude 7,5 — o mais forte registrado na Venezuela desde 1900. Ambos ocorreram a menos de 25 km de profundidade, o que significa que foram terremotos rasos, capazes de provocar tremores mais intensos na superfície. Eles foram provocados pelo atrito entre as placas tectônicas do Caribe e da América do Sul.
Dois terremotos menores foram registrados posteriormente nas proximidades de Caracas, e sismólogos avaliaram que há grande probabilidade de ocorrer pelo menos uma réplica de magnitude 5,0 ou superior ao longo da próxima semana.
Epicentros dos terremotos
Arte / O Globo
Equipes de emergência
Autoridades venezuelanas mobilizaram centenas de agentes de emergência para procurar sobreviventes. A presidente interina, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência, convocou médicos e enfermeiros a se apresentarem ao trabalho para atender os feridos e afirmou que hotéis e abrigos seriam disponibilizados para os desabrigados.
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Os Estados Unidos e vários países da América Latina anunciaram o envio de ajuda humanitária e equipes de resgate. Delcy afirmou que parte desses grupos, além de equipes da República Dominicana, El Salvador, México e Catar, começaria a chegar ao país já nesta quinta-feira.
“Estaremos ao lado de nossos novos e grandes amigos”, escreveu o presidente americano, Donald Trump, na Truth Social. Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA estavam enviando “imediatamente” equipes de busca e resgate, recursos médicos e ajuda humanitária. Delcy agradeceu a Trump em uma publicação no X, escrevendo que seu país “jamais esquecerá a mão estendida” pelos Estados Unidos.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou que seu país preparou 50 toneladas de equipamentos e suprimentos, além de 300 socorristas que estão “prontos para partir rumo a Caracas”. Os presidentes do Equador e do México também anunciaram o envio de ajuda, enquanto o brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o Brasil avaliará que tipo de assistência poderá oferecer ao que chamou de sua “nação irmã”.
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O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, afirmou que a organização está “totalmente mobilizada” para apoiar a população venezuelana, incluindo o envio rápido de equipes de busca e resgate e o reforço de sua missão humanitária no país. Por sua vez, a União Europeia (UE) ativou seu sistema de vigilância por satélite para auxiliar nos trabalhos de recuperação e está pronta para “ampliar a assistência”, afirmou a comissária europeia para Gestão de Crises, Hadja Lahbib.
Crise econômica e política
A Venezuela enfrenta anos de crise econômica e sanções severas impostas pelos Estados Unidos, e os terremotos representam um desafio imediato para a presidente.
Em janeiro, forças americanas invadiram, capturaram e depuseram Maduro, levando-o para os EUA para responder a acusações federais relacionadas ao tráfico de drogas. Trump escolheu Delcy como sucessora e prometeu que a mudança “desencadearia prosperidade” ao revitalizar a indústria petrolífera venezuelana.
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Seis meses depois, há poucos sinais de uma recuperação econômica significativa sob o governo de Delcy, cuja taxa de aprovação caiu para 25% em maio. Os cofres públicos continuam praticamente vazios, deixando o governo sem condições para financiar serviços básicos.
Embora o governo Trump tenha concedido isenções especiais às sanções para empresas interessadas em fazer negócios na Venezuela, nenhuma anunciou publicamente investimentos significativos no país. A inflação anual está em queda, mas continua sendo a mais alta do mundo; a moeda segue se desvalorizando e, embora os salários tenham aumentado, permanecem insuficientes para tirar a população da pobreza extrema.
Um voo da Air Canada que seguia de Newark, em Nova Jersey, para Halifax, na província canadense da Nova Escócia, precisou mudar de rota após o comandante sofrer uma emergência médica em pleno voo. Durante o incidente, passageiros relataram que a aeronave passou a apresentar solavancos e mudanças bruscas de direção, provocando momentos de pânico a bordo. O copiloto assumiu o comando do avião e realizou um pouso de emergência em Boston, nos Estados Unidos, segundo a emissora americana ABC News.
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O incidente ocorreu na última quarta-feira (24) com o voo AC7664, operado pela companhia regional PAL Airlines em parceria com a Air Canada. A aeronave transportava 61 passageiros e fazia a rota entre o Aeroporto Internacional Newark Liberty e o Aeroporto Internacional Halifax Stanfield.
Segundo a Air Canada, o comandante sofreu uma emergência médica que o deixou incapacitado durante o voo. A empresa informou que ele foi retirado da cabine de comando de acordo com os protocolos de segurança e levado a um hospital após o pouso. O estado de saúde do piloto não foi divulgado. Os passageiros descreveram o episódio como semelhante a uma convulsão.
O passageiro Rodney McDonald, que viajava com a esposa e os dois filhos, afirmou à ABC que percebeu que havia algo errado quando o avião começou a sofrer movimentos incomuns.
— No momento em que o avião desviou a rota, soube que algo estava errado, pois não era turbulência. Parecia mesmo que alguém tinha dado um puxão brusco nos controles, e isso aconteceu repetidamente. E, sabe, todo tipo de pensamento passa pela sua cabeça; você começa a rezar. Meus filhos começaram a rezar imediatamente — relatou ele.
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Segundo McDonald, um dos comissários correu até a cabine de comando e, pouco depois, apareceu no corredor retirando um dos pilotos do local, em direção ao corredor do avião. O passageiro disse que ele e outros viajantes ajudaram a conter o comandante enquanto o copiloto conduzia a aeronave até Boston.
— Foi realmente aterrorizante. Eu estava sentado na primeira fileira e minha família estava mais atrás. Voltei para onde eles estavam e percebi que o piloto estava fisicamente fora de controle, não de forma violenta, mas estava claro que ele não tinha domínio sobre suas faculdades mentais e precisava ser contido — afirmou.
McDonald relatou que cerca de cinco passageiros ajudaram a imobilizar o piloto durante aproximadamente 40 minutos.
— Foram 40 minutos bastante exaustivos tentando mantê-lo imobilizado e usando o máximo possível de cintos de segurança para prender suas pernas, braços e tronco — disse ele, que elogiou a atuação da tripulação: — Os comissários de bordo foram fantásticos. Mantiveram a calma. Somos muito gratos, gratos pela forma como tudo terminou.
Um enfermeiro que estava a bordo auxiliou nos primeiros socorros e orientou os passageiros durante a emergência. Equipes de emergência já aguardavam a aeronave no Aeroporto Logan, em Boston, quando o avião pousou em segurança. O comandante foi encaminhado para atendimento médico, enquanto os passageiros desembarcaram sem ferimentos.
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O pastor americano Tony Spell, de 48 anos, foi preso sob acusação de agressão após atacar o filho de um vizinho em Central, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos. Segundo o religioso, o jovem de 20 anos havia ameaçado estuprar sua mulher, abusar de seus netos e matar membros de sua família. O caso ocorreu na terça-feira e foi registrado por câmeras de segurança.
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De acordo com as autoridades, Spell foi detido por lesão corporal de segundo grau após uma briga em frente à igreja que lidera, a Life Tabernacle Church. Imagens divulgadas pela imprensa local mostram o pastor correndo em direção ao jovem, iniciando uma luta física e desferindo diversos golpes. O rapaz sofreu um corte no queixo e precisou levar pontos.
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Em entrevista coletiva após deixar a prisão mediante pagamento de fiança, Spell alegou que reagiu depois de ouvir ameaças contra sua esposa, netos e fiéis da igreja. Segundo ele, o jovem teria dito que cometeria violência sexual contra seus familiares e os mataria quando ele estivesse fora da cidade. O pastor afirmou que tinha o dever de proteger sua família e sua congregação.
A família do jovem nega as acusações e afirma que as alegações do pastor são falsas. O caso ocorre em meio a uma disputa antiga entre os dois lados, que já envolveram processos judiciais e outros confrontos nos últimos anos.
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Durante um culto após ser liberado, Spell justificou sua atitude com uma referência bíblica. Em declarações reproduzidas pela imprensa local, ele afirmou ter “cumprido as Escrituras” ao reagir às supostas ameaças. O pastor ficou conhecido nacionalmente durante a pandemia de Covid-19 por desafiar restrições sanitárias e manter cultos presenciais. Se condenado, ele poderá enfrentar até oito anos de prisão.
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Um homem de 38 anos foi detido após ser flagrado dirigindo um carro esportivo a 264 km/h na rodovia Costanera Norte, na comuna de Vitacura, no Chile. Apesar da prisão por direção perigosa, a Justiça determinou que ele responda ao processo em liberdade, manteve sua carteira de habilitação e proibiu a divulgação de sua identidade.
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O motorista foi abordado por policiais durante uma operação de fiscalização preventiva. A velocidade registrada era 164 km/h acima do limite permitido na via, de 100 km/h.
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Segundo o jornal chileno El Mercurio Online, o homem responde a três processos anteriores, é investigado por dirigir sob efeito de álcool, também responde por violação da legislação antidrogas do Chile e possui uma condenação registrada em 2009.
Caso ganhou repercussão política
O episódio ganhou repercussão após o jornal El País Chile informar que o motorista é primo da esposa do ministro da Segurança do Chile, Martín Arrau. A revelação provocou críticas de pessoas que questionaram um possível tratamento diferenciado ao suspeito.
A prefeita de Vitacura, Camila Merino, classificou o caso como inaceitável.
— A realidade supera a ficção. No domingo à tarde, os Carabineros prenderam um motorista que trafegava a nada menos que 264 quilômetros por hora. Com isso, ele colocou em risco a própria vida e a de todos que circulavam pela Costanera Norte. Isso é indignante.
Vídeo: motorista é detido após dirigir a 264 km/h em rodovia no Chile e tem carteira de habilitação mantida
Reprodução/X/@agenciaunochile
Após a divulgação do parentesco, o ministro Martín Arrau afirmou que não mantém relação próxima com o acusado e defendeu punição rigorosa.
— Assim como todos os chilenos, condeno categoricamente a conduta irresponsável, temerária e nefasta do acusado, com quem não mantenho qualquer relação de amizade ou proximidade.
Ele acrescentou:
— Condutas como a desse indivíduo devem ser punidas com todo o rigor da lei. Quem coloca em risco a vida de terceiros com total desprezo deve assumir as consequências de seus atos.
Ministério Público pediu prisão domiciliar
Durante a audiência, o Ministério Público pediu que o acusado permanecesse em prisão domiciliar integral enquanto o processo prosseguisse.
A promotora de flagrantes da Zona Leste, Andrea Contreras, afirmou que a velocidade registrada representava risco extremo para quem utilizava a rodovia.
— É particularmente grave e perigoso que uma pessoa dirija a uma velocidade de 264 quilômetros por hora, sobretudo em um domingo, às 16h, quando muitas famílias e outras pessoas podem estar circulando — declarou: — Trata-se claramente de uma conduta temerária que coloca em risco a grande maioria das pessoas que trafegam pela rodovia Costanera Norte, que, além disso, é uma via com intenso movimento.
A juíza Ximena Rivera, porém, rejeitou o pedido de prisão domiciliar. A magistrada determinou que o motorista responda ao processo em liberdade, com comparecimento mensal à Justiça, proibiu que ele deixe o país e manteve sua carteira de habilitação. A decisão também impediu a divulgação da identidade do acusado.
A Suprema Corte dos Estados Unidos concedeu nesta quinta-feira duas vitórias ao governo do presidente americano, Donald Trump, em sua política migratória. Primeiro, o órgão permitiu que a administração encerre proteções humanitárias que permitiam centenas de milhares de haitianos e sírios viver e trabalhar legalmente no país. Depois, decidiu que o governo pode barrar migrantes que buscam asilo na fronteira com o México, impedindo fisicamente que eles entrem em território americano enquanto procuram proteção contra perseguições.
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O governo havia solicitado à Corte autorização para restabelecer uma política adotada pela primeira vez em 2016 como parte da ofensiva migratória de Trump. Sob a política de bloqueio na fronteira, o governo impedia que solicitantes de asilo pisassem em solo americano, onde a legislação lhes garantia o direito de solicitar asilo e receber proteção.
A lei em questão estabelece que qualquer estrangeiro que esteja “fisicamente presente nos EUA” pode solicitar asilo. Migrantes que manifestam essa intenção são encaminhados para uma entrevista destinada a avaliar seus pedidos. Agora, em decisão por 6 votos a 3, a Corte concluiu que estrangeiros precisam cruzar completamente a fronteira para adquirir o direito de solicitar asilo, afirmando que migrantes que permanecem em território mexicano não “chegam” aos EUA ao apenas “tentar, sem sucesso, colocar os pés neste país”.
Pedidos de asilo
Em outra decisão, também por 6 votos a 3, a Corte também respaldou uma medida do governo Trump para retirar as proteções contra deportação de cerca de 350 mil haitianos e 6 mil sírios, além de beneficiários de cerca de uma dúzia de outros países. O republicano tem buscado encerrar o chamado Status de Proteção Temporária (TPS) como parte de sua política mais ampla de repressão à imigração.
Trabalhadores em falta: Como ficariam os EUA com política de imigração zero?
O TPS foi criado pelo Congresso com apoio bipartidário em 1990 para conceder status legal temporário a pessoas cujos países de origem fossem considerados inseguros devido a guerras, desastres naturais ou outras crises. Desde que retornou à Presidência, Trump tentou encerrar o TPS para pessoas de 13 dos 17 países que possuíam a designação quando seu antecessor, o democrata Joe Biden, deixou o cargo.
Separadamente, o governo interrompeu o reassentamento de refugiados e reduziu drasticamente a análise de pedidos de asilo. Em conjunto, essas mudanças tornaram muito mais difícil para pessoas provenientes de países em crise ou devastados por guerras encontrar refúgio nos EUA. Hoje, cabe ao secretário de Segurança Interna determinar quando o TPS deve ser disponibilizado a migrantes, e a designação pode durar de seis a 18 meses, sem limite para o número de renovações.
A lei permite que o secretário revise periodicamente essas proteções, encerrando-as ou prorrogando-as para determinados países. No entanto, a legislação exige que o secretário consulte órgãos federais relevantes, incluindo o Departamento de Estado, sobre as condições no país em questão e tome uma decisão com base nessas avaliações.
Ações discriminatórias
O programa foi renovado repetidamente, tornando-se praticamente permanente para beneficiários do Haiti, da Síria e de vários outros países onde as crises se estendem há muitos anos. No ano passado, Kristi Noem, então secretária de Segurança Interna, tornou medidas para retirar as proteções de diversos países.
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Embora ambos os lados do processo concordem que a lei permite ao governo remover países do programa, defensores dos direitos dos imigrantes argumentam que o Departamento de Segurança Interna não avaliou adequadamente as condições dos países, como exige a lei. No caso dos haitianos, eles afirmaram que o governo foi motivado por racismo e xenofobia, em violação às proibições constitucionais contra ações governamentais discriminatórias.
Ações coletivas foram apresentadas por beneficiários do TPS, incluindo engenheiros, estudantes, médicos e cuidadores, que desejam continuar vivendo e trabalhando nos EUA porque, segundo seus advogados, poderiam ser mortos caso fossem forçados a retornar à Síria ou ao Haiti.
Durante as sustentações orais em abril, ministros liberais da Suprema Corte pressionaram o advogado do governo sobre a possibilidade de a decisão de encerrar o programa para haitianos ter sido motivada por questões raciais. Na ocasião, eles citaram as falsas acusações feitas pelo presidente durante a campanha de 2024 de que haitianos em Ohio comiam os animais de estimação de seus vizinhos, além de comentários feitos por Trump em dezembro, quando afirmou que imigrantes haitianos eram indesejáveis por virem de um país “imundo”.
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D. John Sauer, procurador-geral responsável pela representação do governo perante a Corte, afirmou que essas declarações “não esclarecem a questão” e que se referiam à pobreza e à criminalidade, e não à raça. Segundo ele, a legislação federal deixa claro que os tribunais não podem revisar a decisão do governo de estender ou encerrar essas proteções.
Decisões anteriores
Juízes de instâncias inferiores, no entanto, decidiram a favor dos haitianos e sírios, concluindo que o processo estava sujeito à revisão judicial e que suas decisões já estavam previamente determinadas, sem se basearem em uma análise substancial. Esses juízes suspenderam o fim das proteções, levando os advogados do governo a pedir a intervenção da Suprema Corte.
Em um caso separado, a Suprema Corte permitiu no ano passado que o governo Trump avançasse com seus planos de retirar as proteções de mais de 300 mil venezuelanos que viviam nos Estados Unidos. Na ocasião, os ministros emitiram duas decisões de caráter emergencial, concedendo autorização temporária para revogar o status protegido enquanto o processo seguia tramitando nos tribunais.
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O governo Trump vem adotando medidas mais amplas para desmontar o sistema de asilo para migrantes e informou à Suprema Corte que deseja manter a flexibilidade de restabelecer essa política caso seja necessário lidar com um aumento do fluxo migratório na fronteira. Em processos separados, um juiz de Rhode Island rejeitou neste mês a suspensão por tempo indeterminado dos pedidos de asilo promovida pelo governo, e um tribunal de apelações em Washington decidiu, em abril, que a administração não poderia negar de forma categórica pedidos de asilo de pessoas que cruzam do México para os Estados Unidos.
A maioria conservadora da Suprema Corte tem, de modo geral, se mostrado receptiva às alegações do governo Trump sobre os poderes presidenciais e vem emitindo uma série de decisões provisórias que permitem ao presidente implementar suas políticas enquanto os processos seguem tramitando em instâncias inferiores.
Uma cerimônia na manhã desta quinta em Pequim (noite de quarta no Brasil) marcou a entrega da carta de intenções do Tesouro Nacional para a futura emissão de títulos soberanos brasileiros no mercado doméstico chinês, os chamados “panda bonds”. O evento contou com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que destacou o momento como um gesto de confiança do Brasil na China. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um dos mais fortes terremotos da história recente da Venezuela atingiu o país nesta quarta-feira, justamente no Dia da Batalha de Carabobo, um dos feriados nacionais mais importantes do calendário venezuelano. Como a data é celebrada com folga em todo o país, muitas pessoas estavam em casa no momento dos tremores, que deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos, segundo o balanço mais recente divulgado pelas autoridades nesta quinta-feira.
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A tragédia ocorreu durante as comemorações que marcam os 205 anos da vitória das forças independentistas lideradas por Simón Bolívar sobre o exército espanhol. Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com apenas 39 segundos de diferença e provocaram o colapso de edifícios, danos severos à infraestrutura e cenas de pânico em Caracas e em outras regiões do país.
Óleo sobre tela da Batalha de Carabobo, de mural localizado no Capitólio Nacional da Venezuela
Martín Tovar y Tovar | Domínio Público
O governo declarou estado de emergência. A região de La Guaira está entre as mais afetadas, enquanto equipes de resgate seguem procurando sobreviventes sob os escombros. O aeroporto internacional de Maiquetía foi fechado devido aos danos, e serviços de metrô e trens foram suspensos. Autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar nos próximos dias.
Os tremores foram sentidos em praticamente todo o território venezuelano e também em países vizinhos. Em várias cidades, moradores deixaram edifícios às pressas e passaram a noite nas ruas por medo de novos abalos.
Data histórica
O dia 24 de junho tem forte valor simbólico para os venezuelanos. O feriado homenageia a Batalha de Carabobo, travada em 1821 e considerada o confronto militar decisivo para consolidar a independência da Venezuela em relação à Espanha.
Segundo registros históricos, o Exército Libertador comandado por Simón Bolívar enfrentou as tropas realistas espanholas nos campos de Carabobo. A vitória abriu caminho para a libertação definitiva do território venezuelano e se transformou em um dos marcos fundadores da nação. A batalha também teve repercussão internacional na época e foi noticiada em diversos países, dada sua importância para os movimentos de independência na América do Sul.
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O confronto reuniu diferentes divisões do Exército Libertador e contou com a participação de combatentes venezuelanos e estrangeiros. A derrota das forças espanholas enfraqueceu de forma decisiva o domínio colonial na região e consolidou a liderança política e militar de Bolívar no processo emancipatório.
Por causa desse significado histórico, o dia 24 de junho tornou-se uma das principais datas cívicas da Venezuela. Além do feriado nacional, a data é tradicionalmente marcada por cerimônias oficiais, atos militares e homenagens aos protagonistas da independência. Neste ano, a presidente em exercício da República e comandante-em-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), Delcy Rodríguez, acompanhada pelo Alto Comando Político e Militar, presidiu a cerimônia central em homenagem aos 205 anos da Batalha de Carabobo e ao Dia do Exército Bolivariano, na Comandância-Geral do Exército Venezuelano. À noite, porém, as comemorações deram lugar às operações de resgate e ao luto provocado pelo terremoto que atingiu o país.

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