Veja vídeos e foto do suspeito: Trump deixa jantar com autoridades e jornalistas em Washington após disparos
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Em um pronunciamento na Casa Branca, após o incidente, Trump disse que o homem que efetuou os disparos “provavelmente era um atirador solitário” e o classificou como “uma pessoa muito doente”. Segundo o presidente, as autoridades realizam buscas no apartamento do suspeito para entender as motivações do crime.
O que aconteceu
Imagens de câmeras de segurança divulgadas por Trump, do hotel Washington Hilton, onde acontecia o jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, mostram uma pessoa passando correndo por seguranças, que então se viram e a perseguem. Citando fontes policiais, a rede americana CBS News afirmou que, pelo menos, cinco a oito tiros foram disparados.
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Momento em que Trump saiu às pressas do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca após relatos de supostos tiros
Reprodução
Dentro do próprio salão de baile, onde mais de 2 mil pessoas estavam reunidas para o evento, imagens mostraram Trump e a primeira-dama, Melania Trump, em seus lugares em um palco na frente do salão conversando com outros convidados, quando fortes estrondos foram ouvidos à distância.
Eles aparentemente perceberam a comoção na sala e foram retirados às pressas do palco pela segurança, enquanto alguns convidados se abrigaram. Vários agentes do Serviço Secreto correram para o palco, portando armas, enquanto os participantes se abaixavam para se esconder sob as mesas redondas.
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A sala foi brevemente isolada, antes de ser anunciado que o evento seria adiado e remarcado. Os participantes foram retirados da sala, e muitos tentaram noticiar os acontecimentos.
Além de Trump e Melania, integrantes da alta cúpula do governo estavam presentes, como o vice-presidente JD Vance e o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que foi visto sendo escoltado por agentes de segurança durante a confusão. Scott Bessent (secretário do Tesouro), Tulsi Gabbard (diretora de inteligência nacional), Sean Duffy (secretário de Transportes) e Karoline Leavitt (secretária de imprensa) também estavam no local.
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O que Trump disse após o tiroteio
Falando da Casa Branca cerca de uma hora após o incidente, o presidente disse que um “homem muito doente” havia sido detido depois de atacar a segurança do hotel Washington Hilton com uma arma “poderosa”.
Trump durante coletiva de imprensa após ataque no jantar com jornalistas correspondentes
KENT NISHIMURA / AFP
— A minha impressão é que é um lobo solitário — disse Trump. — É sempre chocante quando algo como isso acontece. Já aconteceu outras vezes comigo. Eu ouvi um barulho e achei que tinha caído uma bandeja. Provavelmente eu devia ter abaixado mais rapidamente. Fomos retirados muito rapidamente. O desempenho da polícia foi muito bom. Foi muito rápido.
O presidente se referiu a duas tentativas anteriores contra sua vida, incluindo uma durante um comício em Butler, na Pensilvânia, em julho de 2024, e outra enquanto jogava golfe em Palm Beach, em setembro do mesmo ano.
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Trump confirmou que um agente dos Estados Unidos foi baleado, mas ressaltou que “passa bem”. Segundo ele, o policial foi salvo por estar usando colete à prova de balas.
— Não vamos deixar que tomem nossa sociedade, ou cancelar eventos. Vamos lutar como nunca — afirmou Trump, que definiu o ocorrido como como um “momento traumático”.
O presidente também foi questionado por jornalistas se o ataque à tiros está ligado à guerra com o Irã e respondeu que “acha que não”. Trump ressaltou que o atentado não vai impedi-lo de sair vitorioso no embate.
Quem é o suspeito
A mídia americana citou fontes policiais que identificaram o suspeito como Cole Tomas Allen, de Torrance, Califórnia.
Suspeito de ataque durante jantar de Trump foi preso
Reprodução/Redes sociais
Ele disse às autoridades policiais que queria atirar em funcionários do governo Trump, segundo duas fontes ouvidas pela CBS. Em uma coletiva de imprensa, o chefe interino da polícia de Washington, Jeffery Carroll, disse que o suposto atirador era um hóspede do hotel onde o evento estava ocorrendo e que ele estava “armado com uma espingarda, uma pistola e várias facas”.
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Ainda de acordo com as fontes, ele trabalhava para uma empresa de aulas particulares em Torrance chamada C2 Education. Em dezembro de 2024, ele recebeu o prêmio de “Professor do Mês” da empresa.
Jeanine Pirro, procuradora federal pelo estado de Washington, afirmou que o suspeito enfrenta duas acusações: uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a agentes federais com arma perigosa.
Reação internacional
Da Venezuela a Israel, vários líderes internacionais condenaram o incidente. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse estar “chocado pelas cenas de ontem à noite na gala de correspondentes da Casa Branca, em Washington”. “Qualquer ataque às instituições democráticas ou à liberdade de imprensa deve ser condenado com a máxima veemência”, escreveu neste domingo em sua conta no X.
“O ataque armado dirigido ao presidente dos Estados Unidos é inaceitável. A violência nunca tem lugar na democracia. Dirijo a Donald Trump todo o meu apoio”, escreveu no X o presidente francês, Emmanuel Macron.
Presidente francês, Emmanuel Macron, fala com a imprensa durante visita ao Memorial da Guerra da Coreia, em Seul
Ludovic Marin/AFP
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que ele e sua esposa, Sara, estão “chocados com a intenção de assassinato” contra o presidente Trump. “Ficamos aliviados porque o presidente e a primeira-dama [Melania Trump] estão sãos e salvos”, escreveu no X.
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“Rechaçamos a intenção de agressão contra o presidente e sua esposa, Melania, a quem estendemos nossos desejos de boa vontade, assim como aos participantes da gala de correspondentes. A violência nunca será uma opção para quem defendemos as bandeiras da paz”, escreveu em sua conta no X a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que “a violência política não tem lugar na democracia” após o ocorrido em Washington. Ela disse estar “aliviada” por não haver vítimas entre os participantes da gala anual de correspondentes e destacou que “um evento destinado a homenagear a imprensa livre nunca deveria se transformar em cenário de terror”.
Reagan sofreu atentado em 1981
Mais do que um edifício luxuoso na capital dos EUA, o hotel Washington Hilton voltou a ser palco de um evento traumático para um presidente americano neste sábado. Enquanto o presidente Donald Trump precisou ser retirado às pressas pelo serviço secreto, após disparos de arma de fogo serem ouvidos durante um evento com autoridades e membros da imprensa, o local presenciou anos antes um atentado contra outro republicano: Ronald Reagan, em 1981.
Em 30 de março de 1981, após um discurso no mesmo hotel que sediou os acontecimentos deste sábado, Reagan seguia para sua limusine quando foi surpreendido por John Hinckley Jr., que disparou contra o então presidente, provocando-lhe ferimentos. O republicano precisou passar por cirurgia e teve um pulmão perfurado.
Fotografia de Sebastião Salgado do atentado ao presidente americano Ronald Reagan
Reprodução
Hinckley foi detido no local e levado a julgamento. Seu caso ganhou notoriedade e prendeu a atenção do público pelo crime, supostamente, ter sido cometido com a intenção de impressionar a estrela de Hollywood Jodie Foster, que no ano anterior estrelou o filme “Foxes” (“Gatinhas”, na versão brasileira), e já era reconhecida por seu papel no sucesso “Táxi Driver”.
O atirador escapou de uma condenação por tentativa de magnicídio nos tribunais por alegada insanidade. Ele passou mais de 30 anos em um hospital psiquiátrico em Washington, sendo liberado em 2016 para morar com a mãe idosa na Virgínia, sob condições restritas. Após o falecimento da mãe, em 2022, a justiça americana retirou as últimas medidas contra Hinckley — sob protesto da família de Reagan.
Em 2023, aos 68 anos, Hickley foi tema de uma matéria da revista Fortune ao lançar um álbum de música folk. A publicação destacava que o ex-atirador “construiu um canal no YouTube de moderado sucesso”, com mais de 32 mil seguidores e mais de 40 vídeos dele cantando músicas originais e covers de Bob Dylan a Elvis Presley.








