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Militares israelenses afirmaram, sem apresentar provas, que integrantes do Hezbollah estavam operando no local. No X, o porta-voz em língua árabe das Forças Armadas de Israel, Avichai Adraee, disse que, diante das “ações de agentes do Hezbollah dentro do bairro cristão da cidade”, o Exército seria “obrigado a agir contra suas atividades terroristas na área em um futuro próximo”. O órgão militar já havia ameaçado atacar o bairro na semana passada, levando autoridades libanesas a visitarem a região para tranquilizar os moradores.
Situada na costa do Mediterrâneo, Tiro é a maior cidade localizada ao sul do rio Litani, uma linha de demarcação importante nos conflitos entre Israel e o Hezbollah. Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial, a cidade abriga sítios arqueológicos preservados, incluindo ruínas da época romana, e tinha cerca de 100 mil habitantes antes do início da guerra atual. A cidade possui maioria muçulmana xiita, além de comunidades sunitas e cristãs. Três campos oficiais administrados pela agência das ONU para refugiados palestinos (UNRWA) ficam próximos à cidade, assim como outras áreas com grande população palestina.
Nos últimos meses, Tiro serviu como refúgio para moradores que deixavam áreas mais próximas da fronteira com Israel. Ao mesmo tempo, a cidade passou a ser alvo recorrente de ataques aéreos, levando parte da população a buscar segurança em regiões mais ao norte do Líbano. Com a nova ordem de evacuação, abrigos de emergência ficaram rapidamente lotados, enquanto equipes de resgate atuavam para retirar moradores idosos da área.
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Nesta terça, líderes de várias igrejas de Tiro fizeram um apelo ao presidente do Líbano, Joseph Aoun, e ao comandante das Forças Armadas libanesas, Rodolphe Haykal, para que salvem a Cidade Antiga.
“Qualquer ataque contra ela seria uma catástrofe nacional”, diz o comunicado, acrescentando que a área abriga civis inocentes e um patrimônio cultural e religioso com séculos de história. “Pedimos esforços políticos e de segurança imediatos para preservar a capacidade de permanecer firmes, e conclamamos a comunidade internacional e as agências da ONU a cumprir sua responsabilidade moral de proteger a população de acordo com o direito humanitário internacional”.
Citado pelo jornal israelense Haaretz, Georges Iskandar, arcebispo melquita de Tiro, afirmou que permanecerá ao lado de sua comunidade apesar da ordem de evacuação:
— Permanecemos na cidade de Tiro, entre nosso povo. Assim como nossos pais e avós fizeram antes de nós, e assim como os perseverantes filhos do sul permanecem hoje em sua terra, em suas aldeias e cidades.
Aumento das tensões
O agravamento da situação ocorre em meio ao aumento das tensões entre Israel e Irã. No domingo, um ataque israelense ao bairro de Dahiyeh, na periferia sul de Beirute, onde o Hezbollah exerce forte influência, desencadeou uma troca direta de ataques entre os dois países pela primeira vez desde a entrada em vigor de uma trégua em abril.
Na segunda-feira, o comando conjunto das Forças Armadas iranianas anunciou a suspensão de ataques ofensivos, mas advertiu que novas “agressões e atos hostis” de Israel e de seus aliados, incluindo no sul do Líbano, seriam respondidos com medidas “muito mais severas e devastadoras do que antes”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que Israel continuará suas operações contra o Hezbollah no território libanês e declarou que o país exercerá seu direito à autodefesa “em toda a extensão necessária”. O ministro da Defesa, Israel Katz, rejeitou as ameaças iranianas e afirmou que qualquer tentativa de Teerã de atacar Israel será respondida “com grande força”.
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Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça que Israel e Irã concordaram em interromper os ataques mútuos e disse acreditar que um acordo entre Washington e Teerã poderá ser concluído nos próximos dias. Autoridades iranianas não responderam às declarações. Os mais recentes bombardeios evidenciaram como o Líbano se tornou um dos principais pontos de divergência nas negociações para encerrar a guerra travada entre os EUA, Israel e Irã.
Teerã tem insistido que qualquer acordo de paz inclua garantias de segurança para o Líbano, enquanto Israel rejeita essa vinculação e afirma que continuará realizando ataques no país para atingir o Hezbollah. O grupo, por sua vez, rejeitou qualquer cessar-fogo com Israel e continua lançando ataques contra território israelense a partir de suas posições no sul do Líbano. Israel ocupa amplas áreas da região, argumentando que a medida é necessária para se defender dos ataques do grupo.
Trump tem afirmado repetidamente que Estados Unidos e Irã estão próximos de um acordo para encerrar a guerra, resolver o impasse em torno do programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz. Em meio aos esforços diplomáticos, o embaixador dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, declarou à emissora al-Jadeed que o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, concordou com um cessar-fogo. Segundo ele, as negociações entre Israel e Líbano deverão ser retomadas em 22 de junho, em Washington.
Segundo dados apresentados pelo Ministério da Defesa do Líbano, entre 17 de abril e 7 de junho, Israel realizou 3.491 ataques aéreos considerados violações do cessar-fogo. O relatório registra ainda 407 bombardeios, seis operações com tratores e máquinas de remoção e seis incursões terrestres de tropas israelenses. Pelo menos 3.526 pessoas foram mortas no país, enquanto outras 10.733 ficaram feridas.
(Com AFP e New York Times)









