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Na guerra na Faixa de Gaza e em seus confrontos recentes com o Irã, Israel passou a utilizar inteligência artificial para aperfeiçoar seu sistema de alerta precoce contra mísseis, tornando os avisos mais precisos e menos abrangentes.
A mudança altera diretamente a rotina da população, que passou a enfrentar menos interrupções, embora o risco continue constante.
Durante o conflito de doze dias com o Irã, em junho do ano passado, sirenes eram acionadas em toda a cidade sempre que um míssil era detectado, obrigando moradores a correr para abrigos várias vezes ao dia.
Agora, os alertas são mais sofisticados e localizados, graças ao uso de IA.
Alertas deixam de ser gerais e passam a ser ultralocalizados
Sarah Chemla, mãe de 32 anos que teve seu segundo filho em um bunker subterrâneo em Tel Aviv durante a guerra de 2025, relata a mudança.
— Passamos menos tempo nos abrigos, embora o estresse continue — afirma.
Segundo ela, o sistema anterior acionava alarmes para toda a cidade, independentemente do ponto de impacto.
— Antes, os alarmes soavam em todo Tel Aviv cada vez que um míssil se dirigia à área — explicou à AFP: — Agora os alertas são ultralocalizados. Se um projétil se dirige ao sul da cidade, recebo apenas um pré-alerta e já não preciso acordar meus filhos.
Desde 28 de fevereiro, quando ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã desencadearam a atual guerra no Oriente Médio, o país voltou a viver sob constante alerta. Ainda assim, segundo moradores, a nova tecnologia permite noites menos interrompidas.
IA analisa milhares de dados para prever impacto
A modernização do sistema foi impulsionada pela capacidade da inteligência artificial de prever onde os projéteis devem cair.
Desde o ataque de 7 de outubro de 2023 do Hamas, mais de 60 mil mísseis, foguetes e drones foram lançados contra Israel, segundo o ex-comandante da defesa aérea Ran Kochav.
“Cada lançamento foi objeto de uma análise completa (…) que incorpora todas as suas características: trajetória, tempo, meteorologia, ângulo de lançamento e assinatura de radar”, afirmou.
Esses dados são processados por sistemas que utilizam IA para estimar o ponto de impacto e acionar alertas apenas nas áreas sob risco.
A empresa Elbit Systems também implementou o sistema SkyEye, segundo a imprensa local.
— A IA coleta milhões de dados e realiza o que se conhece como fusão de dados — explicou Yehoshua Kalisky, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS) de Tel Aviv.
País passou de 25 para 1.700 zonas de alerta
A evolução tecnológica também ampliou a divisão territorial dos alertas.
Durante a guerra de 2006 com o Hezbollah, Israel tinha apenas 25 zonas de alerta. Hoje, esse número chega a 1.700, segundo fonte do Comando da Retaguarda.
As principais cidades foram subdivididas em áreas menores, o que evita que milhões de pessoas precisem buscar abrigo sem necessidade.
App com mais de 4 milhões de usuários envia alertas em tempo real
A principal ferramenta de comunicação com a população é um aplicativo que envia notificações geolocalizadas em tempo real.
A plataforma já foi baixada em mais de quatro milhões de celulares e se tornou essencial na rotina de civis em meio à guerra.
Para especialistas, o uso de inteligência artificial não elimina o risco, mas redefine a forma como a população convive com ele — com mais precisão e menos interrupções, mesmo sob ameaça constante

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O chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS) viaja hoje (9) às Ilhas Canárias, na Espanha, para coordenar a evacuação dos passageiros do cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, cuja chegada ao arquipélago espanhol está prevista para o dia seguinte, informaram as autoridades.
O último boletim da OMS divulgado nesta sexta-feira (8) registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos.
Nele estão incluídos um casal de passageiros holandeses e uma mulher alemã falecidos por causa desta enfermidade pouco comum transmitida principalmente por roedores, para a qual não existe nem vacina nem tratamento.
A única cepa de hantavírus conhecida até agora como transmissível entre humanos — a Andes — foi confirmada entre os passageiros falecidos, o que alimentou a preocupação internacional.
A OMS, que lidera a resposta internacional ao surto, insistiu em que o perigo para a população em geral segue sendo mínimo, enquanto vários países se preparam para repatriar os passageiros do MV Hondius.
“A OMS avalia como baixo o risco que este incidente apresenta para a população mundial”, destacou a agência sanitária da ONU na noite desta sexta-feira.
O MV Hondius, também utilizado para expedições polares, zarpou de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para um cruzeiro através do Atlântico.
Em meio ao frágil cessar-fogo com o Irã que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça romper se não houver a assinatura de um acordo em breve, relatórios e informações de inteligência apontam que as ações militares de Teerã foram mais expressivas do que o admitido em público por Washington até o momento. Bombardeios iranianos destruíram ou danificaram 228 estruturas ou meios militares dos EUA no Oriente Médio desde o início da guerra, apontou uma investigação publicada pelo Washington Post nesta semana — em mais um elemento que demonstra que mesmo em inferioridade, as forças iranianas demonstraram capacidades de resistência. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A decisão da Arábia Saudita de negar aos Estados Unidos o uso de seu espaço aéreo e de bases militares no país levou o presidente americano, Donald Trump, a interromper o “Projeto Liberdade”, operação naval criada para ajudar embarcações presas há semanas — e, em alguns casos, meses — no Estreito de Ormuz a deixarem a região. O episódio expôs um raro atrito entre Washington e um de seus aliados históricos no Oriente Médio, e evidenciou a resistência saudita a uma nova escalada militar contra o Irã. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Uma mancha de petróleo está se expandindo diante da ilha de Kharg, no Irã, um terminal-chave de exportação de petróleo bruto da república islâmica, informou nesta sexta-feira o New York Times, que cita imagens de satélite. Ainda não estava claro o que havia causado o aparente derramamento, localizado diante da costa oeste da ilha.
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Segundo uma estimativa da Orbital EOS, que monitora derramamentos de petróleo, o vazamento parecia cobrir até quinta-feira mais de 52 quilômetros quadrados. Mais de 3.000 barris de petróleo podem ter sido derramados, informou a Orbital EOS. A mancha parecia se estender para o sul, em direção às águas sauditas.
A ilha de Kharg fica ao norte do estratégico Estreito de Ormuz e abriga o coração da indústria de exportação de petróleo do Irã, incluindo oleodutos e tanques de armazenamento.
O governo iraniano também restringiu o tráfego de navios pelo estreito, enquanto as negociações para a reabertura da passagem estão paralisadas. Além disso, embarcações e instalações sofreram danos em ataques americanos e israelenses, tornando-as vulneráveis ​​a vazamentos.
Isso deixou petroleiros encalhados, restringindo as exportações e fazendo com que o Irã ficasse rapidamente sem locais para armazenar seu petróleo, aumentando as preocupações com possíveis vazamentos ou outros acidentes no centro de operações da Ilha de Kharg. Grandes volumes de petróleo bruto estavam armazenados em petroleiros, aumentando o risco de vazamentos, disse Dalga Khatinoglu, que acompanha o setor de energia do Irã no Iran Open Data, uma iniciativa independente de dados.
Uma ruptura em um oleoduto submarino que liga o centro de operações ao campo petrolífero de Abuzar, um importante campo offshore a oeste da Ilha de Kharg, foi outra possível fonte do vazamento, afirmou Khatinoglu. O oleoduto, com décadas de uso e em péssimas condições de manutenção, sofreu diversos vazamentos nos últimos anos, incluindo uma ruptura em outubro de 2024, disse ele.
Outros especularam que o petróleo pode ter sido despejado deliberadamente no mar devido à falta de espaço para armazenamento, embora não haja evidências disso. No geral, “o bloqueio naval provavelmente colocou o sistema petrolífero do Irã em uma situação perigosa”, disse Nima Shokri, professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Técnica de Hamburgo.
Fechar poços de petróleo é complicado, explicou ele, porque isso pode obstruir os poços ou oleodutos, ou danificar o reservatório de petróleo abaixo, tornando a retomada da produção mais lenta e cara.
— Poços de petróleo não são máquinas que podem ser simplesmente desligadas e religadas à vontade — concluiu Shokri.
A mídia estatal iraniana não noticiou o vazamento. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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Keyvan Hosseini, especialista em energia e meio ambiente da Universidade de Southampton, afirmou que o vazamento reflete como as sanções, os conflitos e o subinvestimento crônico dificultaram a modernização, a manutenção e a substituição da infraestrutura petrolífera crítica do Irã.
O Golfo Pérsico, em grande parte raso, está sob crescente pressão devido ao calor, à salinidade, à poluição e ao desenvolvimento costeiro, disse ele. O petróleo pode se depositar nos sedimentos e no litoral, sendo particularmente prejudicial aos manguezais, comunidades de corais, aves marinhas, tartarugas e áreas de desova.
Um vazamento perto da Ilha de Kharg poderia afetar a pesca, as comunidades costeiras, as usinas de dessalinização, os habitats marinhos e os ecossistemas sensíveis do Golfo Pérsico, afirmou Hosseini. “Mesmo um vazamento aparentemente incontrolável pode se transformar em uma grande crise ambiental regional se a resposta for tardia”, concluiu.
O bloqueio da internet no Irã completou 70 dias nesta sexta-feira, com a conectividade nacional permanecendo em apenas 1% a 2% dos níveis normais, de acordo com a NetBlocks, um grupo de monitoramento da internet que acompanha o acesso em todo o mundo. Esta não é a primeira interrupção digital que o país enfrenta, mas especialistas em infraestrutura da internet acreditam que seja quase sem precedentes em sua gravidade e precisão.
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Alp Toker, diretor da NetBlocks, afirmou que a atual interrupção da internet no Irã é a mais grave já registrada pelo grupo, considerando tanto o número de pessoas afetadas quanto a duração do bloqueio em dias consecutivos.
— Vimos que o processo foi totalmente automatizado em um verdadeiro ‘botão de desligamento’ que permite à autoridade cortar a nação inteira, o que é extraordinário — disse Toker em janeiro.
“A conectividade digital é vital em tempos de crise, e limitar o serviço prejudica aqueles que mais precisam: pessoas com deficiência, estudantes, pequenas empresas e o público em geral”, afirmou o grupo.
Em abril, o governo do Irã anunciou que restabeleceria o acesso à internet para um número maior de professores universitários, segundo a mídia estatal iraniana, mesmo enquanto o restante da população entrava no 51º dia de um bloqueio quase total da internet.
O apagão digital, que a República Islâmica alega ter imposto devido a preocupações com a segurança nacional durante a guerra com os Estados Unidos e Israel, cortou o acesso à internet para a maior parte da população do país, de mais de 90 milhões de habitantes.
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Muitos líderes empresariais iranianos e ativistas pela liberdade na internet denunciaram o bloqueio como uma violação dos direitos humanos e uma grave ameaça a uma economia que já se encontrava em profunda crise.
Os iranianos podem se conectar a uma internet doméstica paralela — isolada de sites internacionais e fortemente vigiada pelas autoridades. Apenas alguns funcionários iranianos e um pequeno grupo da elite têm permissão para uma conexão aberta.
Há relatos de que a teocracia recorreu a “jammers” — supostamente de uso militar — para bloquear o acesso ao Starlink, que é proibido no país. Paralelamente, forças de segurança passaram a apreender antenas parabólicas em cidades como Teerã, Sanandaj e Isfahan, além de Marivan, Mahabad e Baneh, noticiou a BBC Persian. Após anos priorizando o bloqueio eletrônico de sinais, o regime indica agora uma mudança de estratégia, com a retomada da retirada física das parabólicas como forma de controle das comunicações.
(Com New York Times)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar, nesta sexta-feira (8), sobre o encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, nesta quinta-feira. Durante evento em que anunciou a renovação de contratos de energia elétrica em 13 estados, Lula afirmou ter dito ao norte-americano que aceita debater qualquer assunto de interesse de ambos os países.

“Foi com essa franqueza que eu fui dizer ao presidente Trump. Quer discutir big techs? Vamos discutir as big techs. Quer discutir as suas plataformas? vamos discutir. Quer discutir crime organizado? Nossa Polícia Federal está preparada para combater o crime organizado aqui e lá fora. Não tem veto para discutir”, afirmou.

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Lula ainda afirmou que os dois líderes têm idade avançada e não têm tempo a perder.

“Ainda disse para o presidente Trump: ‘somos dois homens de 80 anos de idade. E dois homens de 80 anos de idade não brincam em serviço, a natureza é implacável, teoricamente nós temos menos tempo pela frente. Por isso, nós temos que saber o que queremos fazer’. É dessa forma que a gente vai ganhando a respeitabilidade. Ninguém respeita quem não se respeita, ninguém respeita lambe-botas”, afirmou.

Lula reafirmou também a determinação dada para que equipes dos dois governos fechem em 30 dias uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e sobre uma investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil desde o ano passado.

O presidente reforçou ainda a posição do Brasil de estar aberto a negócios com todos os países, desde que garantida a soberania brasileira.

“Nós não temos veto aos EUA, não temos veto à China, não temos veto à Rússia, não temos à França, não temos veto ao México, não temos veto à Alemanha. Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender, estaremos de braços abertos para fazer transferência de tecnologia e receber tecnologia nova”, disse.

Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu “muitos tópicos” com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de “um presidente muito dinâmico”

Nesta quinta-feira, um incêndio atingiu o shopping Plaza Fiesta Las Palmas, localizado na cidade de Los Mochis, no noroeste do México, causando a morte de seis pessoas e deixando mais de 40 feridas, 38 das quais precisaram ser levadas para diversos hospitais da região.
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Segundo informações não oficiais publicadas pelo jornal local Milenio, o incêndio começou por volta das 14h na área da cozinha de uma das lojas do shopping. As autoridades afirmaram que os prejuízos materiais chegam a milhões.
As investigações iniciais determinaram que o fogo se alastrou rapidamente devido à proximidade com as lojas de roupas e brinquedos, que alimentaram as chamas com materiais altamente inflamáveis.
Outro detalhe relatado pela mídia local foi que vários comerciantes e clientes do shopping center relataram que o sistema interno de combate a incêndio não foi acionado.
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O incêndio mobilizou o Corpo de Bombeiros e a Polícia Municipal. Devido à magnitude do fogo, forças estaduais e federais também se uniram aos esforços para conter as chamas.
As autoridades informaram que pelo menos seis pessoas morreram, mais de 40 ficaram feridas e 38 foram hospitalizadas. Segundo testemunhas, a coluna de fumaça podia ser vista de vários pontos da cidade.
O diretor do Instituto de Proteção Civil do Estado de Sinaloa, Roy Navarrete Cuevas, afirmou que, no local, “bombeiros e equipes de emergência continuam as operações de remoção e resfriamento em diversas áreas do shopping center para extinguir completamente o incêndio”.
As autoridades indicaram que, até o momento, não há confirmação de outras pessoas presas dentro do shopping center; no entanto, as buscas continuarão assim que as condições permitirem a entrada de equipes especializadas com total segurança.
Assim, a Procuradoria-Geral da República (FGE) divulgou listas de feridos e os hospitais onde foram atendidos, solicitando o apoio da população para compartilhar as informações a fim de ajudar as famílias a localizar seus entes queridos.
Por fim, a prefeita Claudia Sheinbaum enviou uma missão de ligação e coordenação após o incêndio na loja, liderada pela Coordenação Nacional de Proteção Civil (CNPC).
Dessa forma, o governo federal mexicano mantém a coordenação com as autoridades estaduais e municipais para determinar as causas da tragédia.
A rede de televisão americana ABC acusou a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês) de violar seus direitos de liberdade de expressão, preparando potencialmente o terreno para uma longa e importante batalha judicial entre a emissora e o governo de Donald Trump. A empresa afirmou, em um documento enviado à agência, que os reguladores tiveram um “efeito inibidor” sobre a liberdade de expressão ao tentar punir conteúdos políticos dos quais discordavam. O documento, tornado público na sexta-feira, é a defesa mais agressiva feita por uma rede de televisão desde que o presidente americano iniciou, no ano passado, uma campanha prolongada para enquadrar organizações de mídia.
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Contexto: Comissão reguladora dos EUA antecipa revisão de licença da emissora ABC após críticas de Trump ao apresentador Jimmy Kimmel
A postura representa uma mudança marcante para a ABC. A emissora, controlada pela The Walt Disney Co., adotou inicialmente um tom de conformidade com Trump ao encerrar, em dezembro de 2024, um processo por difamação movido pelo presidente mediante o pagamento de US$ 15 milhões (cerca de R$ 73,4 milhões, na cotação atual). Muitos especialistas jurídicos consideravam improvável que Trump vencesse o caso nos tribunais.
O documento foi protocolado em nome de uma única afiliada da ABC em Houston e envolve uma disputa regulatória considerada menor sobre o programa de entrevistas “The View”. Mas, em sinal da importância do caso, o texto foi assinado por um dos mais experientes advogados de litígios perante a Suprema Corte dos EUA, Paul D. Clement, que atuou como procurador-geral no governo do presidente George W. Bush.
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O documento responde a uma ação tomada pela FCC no início deste ano, questionando se “The View”, tradicional programa matinal da ABC, estaria sujeito a antigas regras federais que exigem que programas de entretenimento da TV aberta concedam espaço equivalente a candidatos que disputam o mesmo cargo. O programa mistura entrevistas com políticos e celebridades, conduzidas por um grupo de apresentadoras frequentemente críticas a Trump.
Brendan Carr, presidente da comissão indicado por Trump, sugeriu publicamente que “The View”, que tecnicamente faz parte da divisão de jornalismo da ABC, não deveria se qualificar para uma exceção prevista pelas regras de “tempo igual”, aplicada a programas reconhecidos oficialmente como jornalísticos pela agência. Mas o documento da ABC revelou pela primeira vez a intensidade dos esforços da agência contra a emissora, incluindo pedidos extensos de documentos e informações sobre suas operações e linha editorial.
A exceção já foi concedida a muitos talk shows ao longo dos anos. No entanto, Carr apresentou uma nova interpretação da regra em janeiro, sugerindo que programas demais passaram a assumir, de forma indevida, que tinham direito à isenção.
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A FCC não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Segundo o documento da ABC, a FCC ordenou que a emissora afiliada da rede em Houston, KTRK-TV, apresentasse um pedido formal perguntando se “The View” se qualificava para a exceção. A agência sugeriu que, caso o programa não estivesse isento, a emissora deveria ter registrado documentos formais exigidos pelas regras de “tempo igual” em fevereiro, quando “The View” recebeu James Talarico, candidato democrata ao Senado pelo Texas.
A ABC afirmou que a exigência representou um excesso regulatório, porque “The View” já havia recebido sua própria isenção jornalística da agência em 2002. Segundo a empresa, a exceção nunca havia sido contestada nos 24 anos desde então, permanecendo válida.
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A emissora classificou a exigência da FCC para que solicitasse novamente a exceção como “sem precedentes, além da autoridade da comissão e contraproducente em relação ao objetivo declarado da comissão de incentivar a liberdade de expressão e o debate político aberto”.
“Algumas pessoas podem não gostar de certos — ou até da maioria — dos pontos de vista expressos em “The View” ou programas semelhantes. Essa discordância, no entanto, não pode justificar o uso de processos regulatórios para restringir essas opiniões”, acrescentou a ABC.
A emissora destacou ainda que a agência questionou talk shows críticos ao presidente, como “The View”, mas não programas de rádio favoráveis ao governo, como os comandados pelos comentaristas conservadores Glenn Beck e Mark Levin. O documento também chama atenção para o momento das investigações, realizadas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA.
Carr assumiu a presidência da FCC em 2025, prometendo aplicar padrões de “interesse público” centenários, incluindo regras como a do “tempo igual”, após um longo período de flexibilização iniciado na era Reagan.
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Essas regras se aplicam principalmente à televisão e ao rádio abertos, têm alcance limitado sobre a TV a cabo e não se estendem à internet. Carr acusou as três redes de televisão mais antigas do país — ABC, NBC e CBS — de exibirem um viés liberal que poderia violar os padrões de interesse público, gerando críticas de advogados, democratas e até alguns republicanos.
A ABC foi o principal alvo das medidas. No início de seu mandato, Carr abriu uma investigação sobre práticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) em afiliadas da ABC, apuração que continua em andamento.
Em setembro, Carr ameaçou impor sanções à emissora por causa de uma piada feita pelo apresentador Jimmy Kimmel sobre o homem acusado de assassinar Charlie Kirk. Os comentários provocaram indignação entre Trump e seus apoiadores. A ABC respondeu suspendendo o programa de Kimmel por alguns dias, mas ele voltou ao ar após uma onda de protestos de fãs e defensores da liberdade de expressão.
Desde então, a pressão aumentou. A FCC passou a investigar “The View” e, há duas semanas, tomou a medida altamente incomum de revisar as licenças das oito emissoras locais pertencentes à ABC anos antes do vencimento.
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A revisão ocorreu após outra piada de Kimmel que irritou o presidente, embora Carr tenha afirmado que a medida se devia ao fato de a ABC estar “enrolando” a agência na investigação sobre DEI e “não sendo totalmente transparente”.
A ABC contestou a descrição feita por Carr em seu documento desta semana. A empresa afirmou ter cumprido todas as exigências da agência dentro dos prazos, fornecendo cerca de 11 mil documentos em resposta a dezenas de solicitações.
O documento, porém, sugere que a ABC considera uma contestação judicial mais ampla às regras históricas, argumentando que elas estão ultrapassadas e são injustas diante da ampla oferta atual de meios de comunicação, a maioria sem qualquer obrigação ligada ao chamado interesse público.
O texto também retomou alertas feitos por republicanos, incluindo os do senador Ted Cruz, do Texas, ao afirmar que “se o governo puder discriminar com base no ponto de vista em uma administração republicana, haverá pouco que impeça que faça o mesmo quando os democratas estiverem no poder”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de três dias entre a Ucrânia e a Rússia, com início neste sábado, dizendo esperar que isso possa levar a um acordo de longo prazo para pôr fim à guerra. A Rússia havia anunciado anteriormente um cessar-fogo unilateral de dois dias para marcar o Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, em 9 de maio, no sábado. A Ucrânia havia declarado anteriormente que também ofereceu uma trégua, mas que esta foi ignorada por Moscou.
“Esperemos que seja o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e difícil”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social, especificando que a trégua incluiria particularmente “uma troca de prisioneiros de 1.000 detidos de cada país”. “Este pedido foi feito diretamente por mim, e agradeço muito a concordância do presidente Vladimir Putin e do presidente Volodymyr Zelensky”, disse o presidente dos EUA.
Pouco depois do anúncio do americano, o presidente ucraniano afirmou que um cessar-fogo entre os dias 9 e 11 de maio “deve ser estabelecido” e que Kiev recebeu sinal verde de Moscou para uma grande troca de prisioneiros. “Durante o período do desfile, a partir das 10h (4h em Brasília), horário de Kiev, do dia 9 de maio de 2026), a área da Praça Vermelha ficará excluída do plano de utilização de armamento ucraniano”, diz um decreto publicado no site da Presidência.
Kiev anteriormente afirmou que Moscou havia ignorado uma proposta ucraniana para interromper os combates no início desta semana — uma contraproposta para um cessar-fogo de curto prazo. Zelensky havia interpretado a proposta como um teste para saber se o Kremlin estava realmente disposto a proporcionar uma breve trégua na guerra que já dura quatro anos.
A Rússia ameaçou lançar um ataque massivo no centro de Kiev caso a Ucrânia interrompesse o desfile do Dia da Vitória, instando repetidamente diplomatas estrangeiros a deixarem a capital ucraniana com antecedência.
Nas ruas de Kiev, antes do anúncio de Trump, alguns minimizaram as ameaças russas.
— Nada de novo vai acontecer — disse Vasyl Kobzar, um funcionário de banco de 40 anos, à AFP. — Estou preocupado, mas infelizmente isso já se tornou rotina.
Combates continuam
Rússia e Ucrânia trocaram ataques nesta sexta-feira, antes do anúncio de Trump. A Força Aérea da Ucrânia afirmou que a Rússia disparou 67 drones durante a noite — o menor número em quase um mês.
“Apesar do cessar-fogo declarado, o inimigo não reduziu a intensidade das operações de ataque”, disse Zelensky, acrescentando que a Ucrânia estava respondendo na mesma moeda.
A Rússia afirmou ter abatido mais de 400 drones ucranianos — 100 deles com alvos em Moscou — desde a meia-noite, e que suas tropas estavam “respondendo simetricamente”. Um drone ucraniano matou um homem de 41 anos e sua filha de 15 anos na parte da região de Kherson, na Ucrânia, ocupada pela Rússia, informou o governo apoiado por Moscou.
Zelensky também elogiou um ataque ucraniano a um depósito de petróleo na região de Yaroslavl, a cerca de 200 quilômetros a nordeste de Moscou.
Cerca de 13 aeroportos no sul da Rússia foram fechados nesta sexta-feira depois que um drone ucraniano atingiu um centro de navegação aérea na cidade de Rostov-on-Don, informou o Ministério dos Transportes de Moscou. Mais tarde, o Ministério afirmou que os voos foram parcialmente restabelecidos.
Putin, por sua vez, convocou uma reunião do conselho de segurança para discutir o ataque, classificando-o como um “ato de natureza terrorista” que poderia colocar em risco a aviação civil.
Em atualização.
A exploração espacial pode estar prestes a vivenciar uma mudança de paradigma sem precedentes, já que uma equipe de pesquisadores, liderada pelo cosmólogo Marcelo de Oliveira Souza, descobriu uma metodologia que permite o uso de dados orbitais preliminares de asteroides próximos da Terra como modelos geométricos para projetar trajetórias interplanetárias de alta velocidade para Marte. De acordo com o estudo publicado na revista científica Acta Astronautica, essa abordagem técnica permitiria que uma missão de ida e volta ao Planeta Vermelho fosse concluída em apenas 153 dias, um tempo significativamente menor do que os três anos normalmente exigidos pelos perfis de missão convencionais.
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A descoberta não sugere que estamos diante de uma iminente limpeza do horizonte marciano, mas sim altera fundamentalmente a forma como os astrônomos interpretam dados orbitais que antes eram descartados. A origem dessa descoberta está no asteroide 2001 CA21. Ao analisar os cálculos orbitais iniciais desse corpo celeste, De Oliveira Souza, pesquisador da Universidade Estadual do Norte do Rio de Janeiro, detectou que suas trajetórias preliminares traçavam uma espécie de portal secreto que se cruzava com as zonas de influência orbital da Terra e de Marte durante a oposição de outubro de 2020. Embora medições subsequentes tenham refinado a órbita do asteroide, o valor científico do estudo reside em demonstrar que essas trajetórias iniciais, frequentemente consideradas ruído na comunidade astronômica, funcionam como um mapa estrutural para identificar corredores de transferência rápida.
A pesquisa analisou três janelas de oposição marciana: 2027, 2029 e 2031. A partir dessa análise, 2031 emergiu como a oportunidade mais promissora para a realização desse tipo de missão. Nessa configuração geométrica, uma espaçonave poderia partir da Terra em 20 de abril de 2031, chegar a Marte em 23 de maio, permanecer na superfície por 30 dias e iniciar sua viagem de retorno em 20 de setembro. Essa jornada total de 153 dias representa um avanço significativo na astrodinâmica. Há também uma opção considerada energeticamente mais viável, que exigiria um total de 226 dias, com velocidades iniciais de 16,5 km/s.
Para validar essas rotas, os cientistas utilizaram um solucionador de problemas de Lambert, uma ferramenta clássica em mecânica orbital, que restringiu a inclinação da espaçonave ao plano de referência do asteroide. O valor dessa técnica reside em sua capacidade de servir como um filtro de seleção antes da realização de simulações complexas de n-corpos. No entanto, os autores do estudo são cautelosos em relação aos desafios tecnológicos atuais. A rota ultrarrápida, que completaria a jornada em apenas 33 dias, exigiria velocidades de partida de 32,5 km/s e uma velocidade de chegada a Marte de 108.000 km/h. Esses números superam em muito as capacidades dos atuais sistemas de pouso e proteção térmica, colocando essa abordagem em um âmbito puramente teórico que exigiria propulsão nuclear térmica ou elétrica avançada.
A pesquisa de De Oliveira Souza conclui que esse método de ancoragem plana é uma ferramenta metodológica valiosa. A equipe acadêmica enfatizou que essa técnica não altera a trajetória física do asteroide nem seu risco de impacto, mas sim aproveita a geometria existente no sistema solar. Esse atalho sugere que Marte não está tão distante quanto calculávamos anteriormente, mas sim que talvez estivéssemos observando o céu com as ferramentas erradas. A possibilidade de reutilizar informações de corpos menores como uma bússola interplanetária poderia acelerar os planos de exploração a longo prazo, desde que a tecnologia de propulsão consiga atingir os marcos energéticos que essas novas trajetórias exigem para garantir a segurança de uma tripulação humana.

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