Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Em um sinal de intensificação da ofensiva militar de Israel no Líbano, as forças do Estado judeu realizaram uma série de ataques aéreos que atingiram não apenas os subúrbios ao sul de Beirute, reduto do Hezbollah, mas também áreas centrais da capital antes consideradas seguras. Os bombardeios, realizados ao longo desta quarta-feira, destruíram edifícios, deixaram pelo menos 20 mortos e mais de 40 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês, e forçaram o deslocamento de moradores em meio à ampliação da ofensiva. Ao mesmo tempo, apesar da forte pressão, o grupo conseguiu manter uma resistência significativa na linha de frente do sul do Líbano, utilizando uma combinação de mísseis antitanque guiados, drones e artilharia.
‘Uma população traumatizada, vulnerável e com medo’: O retrato da guerra no Líbano pelo olhar de quem está na linha de frente
Contexto: Israel anuncia ‘operações terrestres limitadas’ contra o Hezbollah; número de deslocados no Líbano ultrapassa 1 milhão
A maior parte dos bombardeios israelenses teve como alvo Dahiya, uma área densamente povoada nos subúrbios ao sul de Beirute onde o Hezbollah exerce influência, além de regiões no leste e no sul do país. No entanto, Israel passou a também atingir o centro da capital, muitas vezes sem emitir aviso prévio, como vinha fazendo antes de outros ataques. Autoridades israelenses afirmam que os alvos são infraestrutura e integrantes do grupo xiita, apoiado pelo Irã.
Nas primeiras horas desta quarta, ataques aéreos atingiram pelo menos quatro prédios no centro da capital, provocando o colapso de um deles. Foi a primeira vez desde o início da guerra que Israel destruiu completamente um edifício na região central da cidade. A ofensiva foi feita horas após o Estado judeu emitir um alerta aos moradores do sul do Líbano informando que realizaria ataques massivos contra alvos do Hezbollah, marcando a mais ampla ordem de evacuação na região desde a guerra entre Israel e o grupo em 2006.
— Você viu o que aconteceu em Gaza? Vai ser o mesmo aqui — disse Hassan Jawad, 40, que mora em um apartamento próximo ao prédio que desabou, no bairro de Bachoura, no centro de Beirute. — Acho que esta guerra vai durar mais do que a anterior. Meu pai [e] meu avô viveram tempos assim. Nada muda, isso acontece repetidamente.
Um bombardeio sem aviso prévio no bairro central de Zuqaq al-Blat, também na madrugada desta quarta, incendiou os andares superiores de um prédio, lançando densas colunas de fumaça no céu. Ambulâncias correram ao local para retirar e socorrer feridos. Já em Fathallah, na capital, membros do Hezbollah isolaram a rua onde outro edifício havia sido atingido. Carros esmagados e queimados estavam à beira da via, ao lado de pedaços de colchões, pneus de bicicleta e fragmentos de roupas.
— Fiquei com muito medo, aconteceu bem na nossa frente — disse Abu Hussein, 67, explicando que acordou durante a madrugada com o estrondo do ataque. — É diferente de lugar na rua, o perigo vem de repente, do céu. Beirute não é mais segura de jeito nenhum.
Autoridades: Ataques de Israel mataram 31 profissionais de saúde no Líbano em 12 dias
A emissora al-Manar, afiliada ao Hezbollah, anunciou nesta quarta-feira que o diretor de seus programas políticos foi morto junto da esposa em um ataque israelense na capital. Em nota, o canal afirmou que “Mohammad Shari e sua esposa” morreram “no ataque sionista”. Os filhos e netos de Shari ficaram feridos e foram hospitalizados após a ofensiva, condenada pelo ministro da Informação do Líbano, Paul Marcos, como “uma flagrante violação do direito internacional”. O Hezbollah, por sua vez, descreveu o ataque como “deliberado”.
‘Combates intensificados’
Grande parte dos combates também foi concentrada na estratégica cidade montanhosa de Khiam, com o Exército Israel conduzindo uma campanha aérea e de artilharia contra membros do Hezbollah entrincheirados na cidade. Os confrontos se intensificaram após dias de enfrentamentos, com um porta-voz do grupo xiita reconhecendo “combates intensificados” nas periferias leste e norte da cidade. Ao mesmo tempo, tropas israelenses tentavam avançar sobre cidades fronteiriças nos setores central e oeste do sul do Líbano.
Ao jornal britânico The Guardian, um morador da vila fronteiriça de Aita al-Chaab afirmou que os combates eram intensos entre soldados israelenses e membros do Hezbollah no local. Uma fonte de segurança libanesa disse que a vila era uma entre “várias” cidades de fronteira que se tornaram palco de combates pesados, enquanto Israel tentava infiltrar o sul do Líbano por diversos pontos ao longo da fronteira compartilhada.
Guga Chacra: A história do conflito Israel-Hezbollah
Os confrontos ocorrem enquanto o Estado judeu concentra suas tropas ao longo da fronteira, mobilizando quatro brigadas e colunas de tanques antes da expansão da invasão terrestre. Em nota, o Exército de Israel afirmou ter iniciado uma “operação terrestre limitada” enquanto o escalão político discutia a ampliação da campanha. Nesse meio tempo, avaliam especialistas, os combates terrestres se concentram em eixos estratégicos, especialmente em Khiam, que pode determinar a capacidade do Hezbollah de resistir à invasão israelense.
— Khiam está situada em um planalto elevado com vista para o vale de Hula e ao longo de rotas-chave que levam a oeste, em direção à fronteira israelense — disse Ahmad Beydoun, especialista em investigação de conflitos armados com base em fontes abertas, ao Guardian, indicando que o controle da cidade cortaria as linhas de suprimento do Hezbollah no sul do país. — Controlar Khiam divide os setores central e oriental ao sul do Litani [rio], interrompendo a conexão com o Vale do Bekaa.
Ao mesmo tempo, Israel estaria explorando as colinas sob seu controle do lado israelense para bombardear o território libanês, enquanto seus soldados tentavam cercar os combatentes. O objetivo imediato da campanha militar, segundo ex-oficiais das Forças Armadas de Israel, é criar uma zona-tampão no sul do Líbano que afaste o Hezbollah da fronteira. O Estado judeu estaria criando “zonas seguras” na fronteira libanesa, onde moradores poderiam permanecer desde que se responsabilizassem por impedir a infiltração do Hezbollah.
‘Está cada vez pior’: Sob bombardeios, iranianos e libaneses relatam medo, exaustão e incerteza sobre o rumo da guerra
Um morador de Kafr Shouba, cuja casa fica na região fronteiriça, disse que, na noite de segunda-feira, forças israelenses invadiram sua residência e outras três casas na região. Ele afirmou ter sido encostado contra a parede por soldados enquanto eles procuravam por armas. Ao deixarem o local, disse, levaram um morador para interrogatório.
Se Israel conseguir empurrar o Hezbollah para longe do Litani, passará então a focar na presença do grupo ao norte do rio. A maior parte dos foguetes e drones disparados pelo Hezbollah contra Israel parte dessa região, enquanto seus combatentes ao sul concentram esforços em enfrentar soldados israelenses. No entanto, analistas alertam que a criação de uma zona-tampão no sul do Líbano exigiria uma ocupação de longo prazo, o que poderia reacender o apoio popular ao Hezbollah.
Não está claro como o grupo conseguiu preservar sua presença ao sul do Litani, apesar de mais de um ano de tentativas do Exército libanês de desarmá-lo, além de ataques quase diários de Israel contra combatentes e depósitos de armas. Apesar da pressão, o Hezbollah conseguiu manter uma resistência significativa na linha de frente do sul do Líbano, utilizando mísseis antitanque guiados, drones e artilharia.
Entenda: Ministro da Defesa de Israel ameaça capturar território do Líbano
Em meio a escalada, aviões de guerra israelenses atingiram pontes sobre o rio Litani — que conecta o sul do Líbano ao restante do país — destruindo ao menos duas delas, segundo a mídia estatal libanesa. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, confirmou os ataques às pontes, enquanto o Exército israelense disse ter as construções como alvo para “impedir que o Hezbollah transfira combatentes e armas”. O órgão reiterou o alerta para que moradores deixem a área.
Vista como uma importante linha de referência diplomática, a região ao norte do rio Litani teve papel central nas operações de Israel no Líbano há 20 anos. Ao Wall Street Journal, Orna Mizrahi, pesquisadora do Instituto de Estudos de Segurança da Universidade de Tel Aviv, disse que esta representa a maior área de atuação do Exército israelense desde então. Ela relembrou que houve incursões na região em 2024, mas disse que “não houve uma manobra terrestre ali desde 2006”.
Situação ‘preocupante’
Diante da intensificação dos ataques israelenses e do aumento do deslocamento de civis em todo o país, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, convocou uma reunião de alto nível de segurança nesta quarta-feira. A Presidência informou que, no encontro, foram analisadas a situação de segurança em nível nacional, incluindo o aumento de vítimas e o deslocamento da população. Ao todo, segundo autoridades libanesas, ao menos 968 pessoas morreram, 2,4 mil ficaram feridas e mais de um milhão foram forçadas a deixar suas casas desde 2 de março.
Israel expande ordem de retirada no Líbano
Editoria de Arte/O Globo
Na terça-feira, segundo a al-Jazeera, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, apresentou condições para o fim da guerra, incluindo a interrupção dos ataques por Israel, o retorno dos deslocados às suas casas, a libertação de pessoas detidas por Israel nos últimos dois anos e a retirada do Exército israelense. Já nesta quarta, o enviado especial da França para o Líbano disse que seria “irracional” esperar que o governo libanês desarme o Hezbollah enquanto o país está sendo bombardeado por Israel, citando negociações como solução.
— Israel ocupou o Líbano por muito tempo e não conseguiu erradicar a capacidade militar do Hezbollah. Portanto, não pode agora pedir ao governo libanês que faça esse trabalho em três dias sob bombardeio — disse Jean-Yves Le Drian à rádio France Info.
A Espanha, por sua vez, condenou o apelo de Israel para que a população evacue todas as áreas no sul do Líbano ao sul do rio Zahrani, afirmando que a situação no país é “extremamente preocupante”. O chanceler alemão Friedrich Merz, aliado de Israel, também expressou preocupação crescente, advertindo que a ofensiva terrestre israelense no Líbano é um “erro” que pode agravar uma situação humanitária já considerada crítica.
A guerra no Líbano começou em 2 de março, quando o Hezbollah lançou mísseis contra Israel em apoio ao Irã no atual conflito regional. Israel respondeu com bombardeios e, em seguida, com o envio de tropas ao sul do Líbano. O Estado judeu afirma que tem como alvo não apenas combatentes e líderes do Hezbollah, mas também empresas que, segundo o país, estão ligadas ao grupo e ajudam a financiar suas operações militares. (Com AFP e New York Times)

Veja outras postagens

Pallegama Hemarathana Thero, descrito como um dos monges budistas de mais alta hierarquia do Sri Lanka e uma das figuras religiosas mais reverenciadas do país, foi preso e colocado em prisão preventiva sob acusação de estupro e abuso sexual contra uma adolescente de 15 anos.
Guardião de oito locais sagrados no Sri Lanka, Hemarathana ocupa uma das posições de maior prestígio no budismo do país. Sua prisão representa um episódio raro e de grande repercussão em uma sociedade onde monges budistas exercem influência religiosa, social e política significativa.
A detenção ocorreu após uma representação da autoridade de proteção à criança do Sri Lanka, que criticou a polícia por não ter prendido anteriormente o religioso, apesar de ele já ter sido citado como suspeito no caso.
Segundo reportagem da BBC, Pallegama Hemarathana não comentou publicamente as acusações.
No momento da prisão, realizada no sábado, o monge recebia tratamento em um hospital privado em Colombo. Após audiência inicial, um magistrado determinou sua transferência para o hospital da prisão de Colombo e expediu uma ordem às autoridades de imigração para impedir qualquer tentativa de saída do país.
A mãe da suposta vítima também foi presa e colocada em custódia preventiva. Segundo o conteúdo, ela é acusada de auxiliar e facilitar o abuso.
Pallegama Hemarathana deverá comparecer ao tribunal em 12 de maio.
O caso provoca forte comoção no Sri Lanka não apenas pela gravidade das acusações, mas pelo peso simbólico da queda de uma autoridade religiosa de altíssima hierarquia em um país onde o budismo ocupa lugar central na vida pública.
Israel deportou neste domingo dois ativistas estrangeiros — o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek — que haviam sido detidos ao tentar chegar à Faixa de Gaza a bordo de uma flotilha humanitária com o objetivo de romper o bloqueio israelense ao território palestino.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
‘Conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, ativista de origem palestina com nacionalidade espanhola, estavam entre dezenas de participantes da chamada Flotilha Global Sumud, interceptada pelo Exército israelense em 30 de abril, em águas internacionais diante da costa da Grécia.
Os dois foram detidos pelas forças israelenses e levados a Israel para interrogatório. Os demais ativistas foram conduzidos à ilha grega de Creta, onde acabaram libertados.
“Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel” após investigação, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel na rede X.
Israel “não permitirá nenhuma violação” do bloqueio sobre Gaza, acrescentou a chancelaria israelense.
Críticas à detenção
A prisão dos ativistas provocou reação internacional. Espanha, Brasil e Nações Unidas haviam pedido a libertação rápida da dupla.
Na quarta-feira, no entanto, um tribunal israelense rejeitou um recurso apresentado contra a detenção.
Após a deportação, a ONG israelense Adalah, que representou legalmente os dois ativistas, acusou Israel de agir de forma arbitrária.
“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, afirmou a organização.
“O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, acrescentou.
Missão buscava romper bloqueio
A flotilha havia partido da França, da Espanha e da Itália com a proposta de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestino.
Não foi a primeira tentativa.
No ano passado, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud também foi interceptada por forças israelenses diante das costas do Egito e de Gaza.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, território submetido a bloqueio desde 2007.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a crise humanitária se agravou fortemente, com escassez severa de alimentos, medicamentos e combustíveis. Em alguns momentos do conflito, Israel interrompeu completamente a entrada de ajuda humanitária no território.
O último voo de repatriação para passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetado pelo surto de hantavírus, partirá na segunda-feira (11), anunciou a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, no porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife, onde o navio atracou.
“O último voo de todo o processo está previsto para amanhã, que é o voo da Austrália”, disse García em uma coletiva de imprensa no porto onde ocorrerá o desembarque dos mais de 100 passageiros e tripulantes do Hondius.
A ministra indicou que, após a operação de ancoragem do navio, que foi “um sucesso”, a equipe médica está avaliando os passageiros. “O que nos informaram é que todos os passageiros permanecem assintomáticos”, disse a ministra. O primeiro grupo a desembarcar é o dos quatorze cidadãos espanhóis, explicou ela.
Os passageiros desembarcarão do navio em barcos que os levarão ao porto, e de lá seguirão em ônibus seguros até o Aeroporto de Tenerife Sul, a 10 minutos de distância, diretamente para os aviões que os levarão de volta aos seus países de origem, sem passar por nenhum outro espaço fechado.
“O próximo país a ser evacuado será a Holanda, que receberá cidadãos da Alemanha, Bélgica, Grécia e parte da tripulação”, e então os diversos voos programados para hoje, domingo (11), começarão a partir, indicou ele.
Os voos seguirão para o Canadá, Turquia, França, Grã-Bretanha, Irlanda e Estados Unidos, antes do voo para a Austrália, que partirá na segunda-feira, acrescentou García.
Edith Eva Eger, psicóloga clínica e autora best-seller cujas experiências traumáticas como prisioneira em campos de concentração nazistas — incluindo ter sido forçada a dançar para Josef Mengele, o notório médico conhecido como o “Anjo da Morte” — permitiram que ela se identificasse com pacientes emocionalmente perturbados e os tratasse, morreu em em sua casa, em San Diego. Ela tinha 98 anos. Sua filha, Audrey Thompson, confirmou a morte.
Saiba mais: Líbano diz que ataque aéreo israelense no sul do país matou oito pessoas
Anitta: ‘Antigamente, eu não tinha dinheiro para nada, só investia no trabalho. Hoje, eu ganho dinheiro para poder ser feliz’
Eger tornou-se psicóloga já na casa dos 50 anos, depois de imigrar para Baltimore, trabalhar em uma fábrica de roupas, criar os filhos e voltar à faculdade. Sua recuperação emocional levou tempo: durante duas décadas após a guerra, ela não falou sobre as privações que sofreu nem sobre as atrocidades que testemunhou. As memórias enterradas assombravam seus pesadelos.
Ela aprendeu que precisava perdoar a si mesma por ter sobrevivido — algo que quase não aconteceu. Quando soldados americanos libertaram Gunskirchen, um subcampo de Mauthausen, na Áustria, em maio de 1945, ela estava quase imóvel em meio a uma pilha de cadáveres, pesando pouco mais de 30 quilos e sofrendo de pneumonia, febre tifoide e pleurisia.
— Eu os liberto — disse ela à Fundação Shoah da USC nos anos 1990, referindo-se a seus captores nazistas. — Não se trata de eu perdoá-los pelo que fizeram comigo. Acho que é principalmente libertar a mim mesma, para investir minha energia no futuro.
Um passo decisivo em sua capacidade de seguir em frente foi ler “Man’s Search for Meaning”, memórias de 1946 do psiquiatra austríaco e sobrevivente de campo de concentração Viktor Frankl. Ele escreveu sobre as escolhas feitas por alguns prisioneiros.
“Nós que vivemos em campos de concentração conseguimos nos lembrar dos homens que caminhavam pelos barracões confortando os outros, entregando seu último pedaço de pão”, escreveu ele. “Talvez fossem poucos, mas oferecem prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho.”
Edith Eva Eger nos anos 1950, em El Paso
Acervo da família Eger/via The New York Times
Edith Eva Eger
Acervo da família Eger/via The New York Times
‘A liberdade é uma escolha’
Eger descrevia seu próprio estilo de terapia — para pacientes que incluíam pessoas com câncer e militares com transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais traumáticas — como uma escolha de encontrar liberdade em relação ao sofrimento, uma jornada psicológica em que compaixão, humor, otimismo, curiosidade e autoexpressão eram fundamentais.
“Essas são as ferramentas que meus pacientes usam para se libertar das expectativas impostas pelos papéis sociais, para serem pais gentis e amorosos consigo mesmos, para parar de transmitir crenças e comportamentos aprisionadores, para descobrir que o amor surge como resposta no fim”, escreveu ela em sua autobiografia, “The Choice: Embrace the Possible” (2017, com Esmé Schwall Weigand), best-seller de bolso do New York Times sobre o qual ela foi entrevistada por Oprah Winfrey. No Brasil, o livro ganhou o título “A liberdade é uma escolha: Lições práticas e inspiradoras para ajudar você a se libertar de suas prisões mentais”.
No livro, ela descreveu o tratamento de um garoto de 14 anos que fazia comentários preconceituosos. “Eu lutava contra a inclinação de apontar o dedo, cerrar o punho, fazê-lo sentir-se responsável por seu ódio — sem assumir responsabilidade pelo meu próprio”, escreveu ela. “Esse garoto não matou meus pais. Negar meu amor a ele não venceria seu preconceito.”
Entenda: Irã confirma presença na Copa do Mundo, mas faz 10 exigências aos anfitriões
Gradualmente, ao longo da primeira sessão entre eles, “ele já não falava mais sobre matar”, escreveu. “Ele me mostrou seu sorriso gentil. E eu assumi a responsabilidade de não perpetuar hostilidade e culpa, de não me curvar ao ódio e dizer: ‘Você é demais para mim.’”
A história de Edith
Edith Eva Eger nasceu Edith Eva Elefánt em 29 de setembro de 1927, em Kosice, Tchecoslováquia — atualmente parte da Eslováquia e anteriormente integrante do Império Austro-Húngaro. Seu pai, Lajos, era alfaiate e estilista de alta-costura, e sua mãe, Ilona (Klein) Elefánt, cuidava da casa.
A jovem Edith era bailarina e ginasta. À medida que o antissemitismo crescia na Hungria, ela foi expulsa da equipe húngara de treinamento olímpico por ser judia. (Os Jogos Olímpicos de Verão de 1940 e 1944 já haviam sido cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial, mas ainda havia esperança de competir nos Jogos de 1948.)
Mas seu treinador insistiu para que ela treinasse sua substituta, o que ela fez, determinada a tornar a outra garota o melhor possível.
Logo depois de a Alemanha invadir a Hungria em março de 1944, a casa da família Elefánt foi invadida. Edith, sua irmã Magda e seus pais foram enviados para Auschwitz; Lajos e Ilona foram para as câmaras de gás no mesmo dia em que chegaram. A irmã de Edith, Klara, uma violinista prodígio ainda criança, sobreviveu à guerra escondida na casa de sua professora em Budapeste.
Naquela noite, depois que Josef Mengele soube que Edith era bailarina, exigiu que ela dançasse para ele. Enquanto se apresentava nos barracões ao som da valsa “Blue Danube”, tocada por uma orquestra de prisioneiros, ela imaginava estar se apresentando na casa de ópera de Budapeste, embora, como escreveu mais tarde, soubesse que estava “dançando no inferno”.
Como recompensa, Mengele jogou para ela um pão, que dividiu com a irmã e os outros prisioneiros. Ao longo do ano seguinte, ela, a irmã e outros prisioneiros deixaram Auschwitz foram forçados a viajar sobre vagões de trem usando vestidos listrados para desencorajar bombardeios aliados e trabalharam em fábricas. Depois de algum tempo em Mauthausen, foram obrigados a marchar 27 milhas até Gunskirchen, libertado pelo Exército dos EUA no início de maio de 1945.
Durante sua recuperação, Eger conheceu Albert Bela Eger, combatente da resistência cuja família possuía um negócio atacadista de alimentos em um hospital para tuberculose. (Ele tinha a infecção; ela sofria com líquido nos pulmões.)
Eles se casaram em novembro de 1946; a primeira filha do casal, Marianne, nasceu no ano seguinte. A família imigrou para os Estados Unidos em 1949, vivendo primeiro em Baltimore e depois em El Paso, onde morava um primo dele.
A psicologia
Albert tornou-se contador público certificado. Edith acabou retornando à faculdade, obtendo um diploma de bacharel em 1969 e um mestrado em 1974, ambos em psicologia, pela University of Texas at El Paso, além de ter lecionado psicologia no ensino médio por alguns anos.
Saiba mais: Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita
Ela treinou no departamento de psiquiatria do William Beaumont Army Medical Center, em El Paso, localizado nas instalações de Fort Bliss, e obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Saybrook University, em Oakland, Califórnia, em 1978. Atendeu pacientes em consultório particular em El Paso antes de se mudar para San Diego em 1987.
Ela estudou psicologia porque “gostava de conversar com as pessoas sobre suas vidas emocionais”, disse sua filha Marianne Engle, psicóloga clínica e esportiva, em entrevista:
— Ela queria que você conversasse com ela para poder descobrir algo em si mesmo que ainda não tinha percebido.
Edith e Esmé Schwall Weigand também escreveram “The Gift: 14 Lessons to Save Your Life” (2020) e “The Ballerina of Auschwitz” (2024), uma versão para jovens adultos de “The Choice: Embrace the Possible”.
Além das filhas, Engle e Audrey Thompson, Eger também deixa um filho, John; cinco netos; e 12 bisnetos. Albert, de quem Edith se divorciou em 1969 e com quem voltou a se casar em 1971, morreu em 1993. Um breve casamento com Mort Winski terminou com a morte dele, em 2003.
O retorno à Auschwitz
Em 1981, Edith foi convidada para falar a um grupo de 600 capelães do Exército em um local que havia sido ponto de encontro de oficiais da SS em Berchtesgaden, refúgio de Hitler nos Alpes da Baviera.
Ela já havia falado para públicos militares antes, mas aquilo era diferente. Perguntava-se se a viagem desencadearia flashbacks. Depois de inicialmente decidir que não queria ir, seu então marido lhe disse:
— Se você não for para a Alemanha, então Hitler venceu a guerra.
Ela fez a viagem — durante a qual ela e o marido dormiram em um quarto que havia sido destinado a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler — e depois seguiu para Auschwitz.
— Ela estava caminhando por lá e viu um homem de uniforme, então começou a entrar em pânico — disse a filha Engle. — Então percebeu que estava com uma bolsa Prada e um passaporte americano, e que era livre para ir embora, enquanto o homem que trabalhava ali não podia. Meu pai dizia que o mais incrível é que ela saiu de Auschwitz chutando e dançando. Ela estava feliz.
Ela acrescentou:
— Minha mãe era linda, mas sempre havia tristeza em seus olhos. Quando voltou dessa viagem, toda a tristeza tinha desaparecido.
O cruzeiro Hondius chegou neste domingo (10) escoltado por um barco da Guarda Civil às imediações do porto de Granadilha, no sul da ilha espanhola de Tenerife, informaram a jornalistas da AFP.
A expectativa é de que a embarcação, onde foi causada a morte de três pessoas e que tem mantido em alerta as autoridades sanitárias, irá ancorar nas próximas horas no porto para evacuar os passageiros e parte da tripulação— sem informação de novos casos— antes de prosseguir para sua base na Holanda.
O último balanço da OMS registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, que incluem um casal de passageiros holandeses e uma alemã que morreram em função do vírus – conhecido, mas pouco frequente e para o qual não há vacina ou tratamento.
Militantes detonaram um carro-bomba em um posto de controle no noroeste do Paquistão e abriram fogo contra a polícia, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo cinco, disseram autoridades neste domingo (10).
“Na noite passada, na área de Fateh Khel, em Bannu, um homem-bomba lançou um veículo carregado de explosivos contra um posto de controle policial, após o que vários militantes entrarem no local”, disse à AFP o policial de Bannu, Muhammad Sajjad Khan, acrescentando que 12 policiais foram confirmados mortos e um está desaparecido.
A Rússia vem transferindo ao Irã componentes para drones através do Mar Cáspio, e assim tem ajudado Teerã a reconstruir suas capacidades ofensivas após perder cerca de 60% desses equipamentos desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em fevereiro. Segundo fontes, que falaram de forma reservada, Moscou também tem enviado ao aliado mercadorias, que normalmente passariam pelo Estreito de Ormuz, a fim de contornar o bloqueio naval dos EUA.
‘Planejamento rigoroso’: Reino Unido anuncia envio de destróier ao Oriente Médio e diz se preparar para missão no Estreito de Ormuz
Mesmo ferido e isolado: líder supremo do Irã influencia estratégia da guerra e negociações com EUA, diz CNN
O Mar Cáspio, antes negligenciado, assumiu nova importância como rota comercial que liga a Rússia ao Irã. Para os dois países, que estiveram envolvidos em diversas guerras e são os que mais enfrentam sanções ocidentais, a hidrovia oferece uma passagem tanto para o comércio aberto quanto para o clandestino — remessas que ajudaram Teerã a persistir como um adversário real dos EUA, apesar da esmagadora superioridade militar americana.
Autoridades iranianas afirmaram que os esforços para abrir rotas comerciais alternativas estão “progredindo rapidamente”, com quatro portos iranianos ao longo do Mar Cáspio “operando ininterruptamente” para importar trigo, milho, ração animal, óleo de girassol e outros suprimentos.
Em entrevista à emissora estatal iraniana IRIB, Mohammad Reza Mortazavi, presidente da Associação das Indústrias Alimentícias do país, afirmou que o Irã está ativamente redirecionando as importações de alimentos essenciais através do Mar Cáspio.
Tanto as declarações de toridades comerciais russas quanto as estatísticas portuárias indicam um rápido aumento no transporte marítimo pelo Mar Cáspio nos últimos meses. Vitaly Chernov, chefe de análise do PortNews Media Group, que monitora o setor marítimo russo, registrou 2 milhões de toneladas de trigo russo transportadas pelo Mar Cáspio este ano. Ates, elas eram enviadas ao Irã pelo Mar Negro, agora sob ameaça de ataques ucranianos.
— Diante da instabilidade no Oriente Médio, as rotas pelo Mar Cáspio para o Irã parecem muito mais atraentes — afirmou Chernov.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Alexander Sharov, diretor da RusIranExpo, organização que auxilia exportadores russos a encontrar compradores iranianos, estima que o volume de carga transportada pelo Cáspio poderá dobrar este ano. Para ele, embora as sanções ocidentais tenham deixado algumas grandes empresas relutantes em enviar mercadorias pelo Mar Cáspio, a crise de Ormuz poderá ajudar a superar esse obstáculo.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
Maior que o Japão, o Mar Cáspio é considerado o maior lago do mundo. Grande parte do comércio que passa por ele é opaco. Monitorá-lo à distância tem se mostrado difícil, pois os navios que navegam na rota entre portos russos e iranianos costumam desligar os transponders que permitem rastreamento por satélite, revelam grupos de monitoramento marítimo. Diferentemente do Golfo Pérsico, os EUA não conseguem interceptar facilmente navios no Mar Cáspio, pois apenas os cinco países que o margeiam (além de Rússia e Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão) têm acesso a ele.
— Se você pensar no lugar ideal para burlar sanções e realizar entregas militares [sem alarde], esse lugar é o Mar Cáspio — afirma Nicole Grajewski, professora especializada em Irã e Rússia no Sciences Po, em Paris.
Os envios de drones demonstram a estreita parceria de defesa entre Moscou e Teerã. Embora seja improvável que as peças russas desempenhem um papel decisivo na guerra, elas ajudam a reforçar o arsenal de drones de Teerã. Se os envios continuarem, de acordo com autoridades americanas, ajudarão o Irã a reconstruir rapidamente esse arsenal.
Importância estratégica
Para a Rússia e o Irã, a importância estratégica do Mar Cáspio é evidente há muito tempo. Há duas décadas, eles vêm desenvolvendo planos para construir um corredor comercial ligando o Mar Báltico ao Oceano Índico, com 7.200 quilômetros de extensão, atravessando o oeste da Rússia e, em seguida, a bacia do Cáspio, a fim de evitar as rotas comerciais ocidentais. Essas ambições existem principalmente no papel, mas incluem a substituição da frota mercante obsoleta e a construção de novas instalações portuárias e uma nova linha férrea.
Especialistas questionam se os conflitos que envolvem ambas as nações não teriam consumido os consideráveis ​​recursos necessários para construir a infraestrutura desses projetos. Entre outros problemas, trechos rasos do Mar Cáspio podem limitar a navegação.
O comércio no Mar Cáspio representa um delicado equilíbrio para o presidente russo, Vladimir Putin. Com um número cada vez menor de aliados no Oriente Médio, Putin deseja apoiar o Irã, mas a ajuda militar escancarada corre o risco de antagonizar o presidente americano, Donald Trump, bem como países árabes importantes para o comércio energético da Rússia.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
O Mar Cáspio continua sendo um desafio significativo também para os EUA, em parte por representar algo como um “ponto cego diplomático”.
— Para os formuladores de políticas americanas, o Mar Cáspio é um buraco negro geopolítico; é quase como se não existisse — afirma Luke Coffey, pesquisador sênior do Hudson Institute.
A importância potencial do Mar Cáspio tornou-se mais evidente para os planejadores nos EUA e na Europa Ocidental após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Moscou voltou a usar navios no Mar Cáspio para disparar mísseis contra alvos na Ucrânia, como já havia feito na Síria.
Em janeiro de 2025, a Rússia e o Irã assinaram um amplo tratado de cooperação. Autoridades europeias afirmaram que, desde então, os dois países continuaram compartilhando tecnologia e táticas militares. Ao longo da guerra, a Rússia aprimorou o projeto e o desempenho de seus drones e começou a produzi-los internamente. Avanços que, segundo especialistas, foram compartilhados com o Irã.
— A Rússia e o Irã encontraram maneiras de contornar o regime de sanções — sintetizou Anna Borshchevskaya, especialista em política russa para o Oriente Médio no Instituto de Washington. — Por meio dessa pequena, porém importantíssima rota comercial, a Rússia pode fornecer muita ajuda ao Irã.
Em um dos eventos mais aguardados do calendário do Kremlin, a parada do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial na Europa, o presidente russo, Vladimir Putin, fez mais um de seus aguerridos discursos contra o Ocidente e em defesa da guerra na Ucrânia, no qual chamou as tropas de Kiev de “força agressiva” apoiada pela Otan. Mas o desfile foi marcado pela ameaça de um ataque ucraniano e pela redução de seu tamanho, um movimento interpretado por alguns como sinal de fraqueza. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Prestes a ser aposentado após mais de meio século de serviço, o porta-aviões movido a energia nuclear USS Nimitz (CVN-68) iniciou há dois meses o que deve ser sua viagem final: uma circunavegação pela América do Sul, com escalas e exercícios conjuntos no âmbito da Operação Southern Seas 2026, conduzida pelas Forças Navais do Comando Sul dos Estados Unidos (4ª Frota). Mas essa não é, exatamente, sua despedida. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Com 112 páginas, “O livreiro de Gaza” é tão curto quanto ambicioso. Em seu veloz romance, Rachid Benzine defende o direito de permanência e investiga os significados de uma cultura ameaçada pelo desaparecimento. O livro parte do encontro fortuito entre o jovem fotógrafo francês Julien e o personagem que nomeia a obra, Nabil, cuja trajetória se confunde com a do próprio enclave. Na primeira obra do franco-marroquino lançada no Brasil, pela Intrínseca, o fotojornalista traduz a Faixa de Gaza como um “teatro de miséria e loucura”, “um baile grotesco, em que os vivos não estão completamente vivos, embora não cheguem a estar de fato mortos”, “um cemitério, onde até as sombras parecem perdidas, as vidas o são em parênteses, e todos temem o ponto final”. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress