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Em Ancara, onde se encontrou com o chanceler turco, Hakan Fidan, Araghchi afirmou que seu governo está “pronto para iniciar negociações se elas ocorrerem em pé de igualdade, baseadas em interesses e respeito mútuos”, se referindo aos americanos. Mensagens têm sido trocadas entre EUA e Irã através de emissários, mas como reiterou o diplomata iraniano, não há planos para uma reunião bilateral.
— Embora os EUA tenham feito repetidos pedidos de negociação por meio de diversos intermediários, as condições prévias e o trabalho preparatório necessários não foram cumpridos — disse Araghchi. — Esperamos chegar em breve a um arcabouço comum que possa conduzir a um processo de negociação honroso e digno.
Antes da chegada do diplomata iraniano, Fidan afirmou à imprensa local que a Turquia deseja o papel de mediador para evitar uma guerra que arrastaria toda a região a um terreno desconhecido. Enquanto apela aos americanos para apostarem na diplomacia e não nas armas neste momento, pressiona Teerã por concessões de peso à Casa Branca.
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O objetivo de Trump é um acordo pelo qual o Irã abandone seu programa nuclear, interrompa a repressão aos protestos, que deixou milhares de mortos desde o fim do ano passado, suspenda a cooperação com uma rede de milícias na região e imponha limites ao desenvolvimento de mísseis. Na quinta-feira, em declarações antes da estreia do documentário sobre a primeira-dama, Melania Trump, o republicano disse que comunicou os iranianos sobre suas demandas, sem explicar de que forma.
Mas Araghchi não deu sinais de que pretenda ceder. Para ele, o programa nuclear — descrito como pacífico e sem fins militares — e o desenvolvimento de mísseis balísticos — citado como essencial à defesa nacional — não serão “objeto de negociação”, e “os resultados de qualquer negociação devem ser determinados à mesa de negociações, e não antecipadamente”.
— Se uma das partes impuser suas exigências antes mesmo do início das negociações, então não se trata mais de uma negociação — disse, em declarações ao lado de Fidan. — A República Islâmica do Irã, assim como está pronta para negociações, também está pronta para a guerra.
Mapa de cenários após um eventual ataque americano ao Irã
Editoria de Arte
Fidan, que na véspera conversou com representantes do governo americano, disse ser contra um ataque, e espera que “os problemas internos do Irã sejam resolvidos pacificamente pelo povo iraniano, sem qualquer intervenção externa”. Ao lado de Araghchi, sugeriu que a longa lista de demandas da Casa Branca seja discutida tópico a tópico, começando pela questão nuclear.
— Apelamos aos Estados Unidos e ao Irã para que se sentem à mesa de negociações a fim de resolver suas divergências — completou.
Presidente dos EUA, Donald Trump, em evento na Casa Branca
ANNABELLE GORDON / AFP
Na Casa Branca, Trump disse que os iranianos “querem firmar um acordo”, e que deu um ultimato a Teerã para que aceite os termos propopstos e evite uma ação militar.
— Temos uma grande armada, flotilha, chame como quiser, a caminho do Irã neste momento — disse Trump, afirmando que as forças em estado de prontidão são “ainda maiores do que as que tínhamos na Venezuela”, se referindo à concentração militar no Caribe que antecedeu a captura do presidente Nicolás Maduro. — Veremos como tudo funciona. Eles precisam se posicionar em algum lugar, então que se posicionem perto do Irã. É uma situação complicada.
Porta-aviões USS Abraham Lincoln, deslocado para o Oriente Médio
Zachary PEARSON / Marinha dos EUA / AFP
No começo do ano, Trump ameaçou atacar o Irã em resposta aos protestos em dezenas de cidades ao redor do país, focados na deterioração das condições de vida mas que se tornaram uma ameaça existencial ao regime. Segundo levantamentos independentes, o número de mortos pode passar de 10 mil, além de dezenas de milhares de pessoas detidas. O presidente americano esteve perto de dar o sinal verde para suas tropas, mas foi dissuadido pela pressão de governos árabes e de Israel, que alertaram para os riscos de atacar um regime acuado e com um arsenal considerável em mãos.
Monarquias árabes, incluindo Arábia Saudita e Emirados Árabes, temem que bombardeios contra bases americanas em seus territórios lhe causem danos colaterais, enquanto Israel sugere que seus sistemas de defesa aérea ainda não estão completamente operacionais, cerca de sete meses após o conflito aéreo com o Irã. A Turquia teme uma crise de refugiados e o fortalecimento de minorias, como os curdos. E todos apontam para problemas ainda maiores, como a segurança da navegação no Golfo Pérsico e Mar Vermelho ou o uso de milícias pró-Teerã contra nações consideradas “hostis”.
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Enquanto Trump não se decide entre a guerra e a diplomacia, os militares americanos trabalham com uma série de opções de ataque. Segundo a agência Reuters, uma das propostas visa debilitar e criar condições para a queda do regime, embora analistas apontem que isso não seria tão simples. Os EUA hoje têm um grupamento de ataque naval, comandado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln, na região, além de forças regulares em bases espalhadas pelo Golfo, com dezenas de milhares de soldados e equipamentos de combate e defesa.
Segundo o New York Times, uma das propostas prevê o envio de militares de elite a instalações nucleares que não tenham sido destruídas pelos bombardeios americanos em junho do ano passado. Contudo, a presença de militares americanos em solo iraniano, além de ser uma operação em tese mais complexa do que a que terminou com a captura de Maduro, no começo do mês, traz memórias nada agradáveis ao Pentágono.
Em abril de 1980, o então presidente Jimmy Carter autorizou uma ação militar para resgatar os 52 americanos detidos na Embaixada dos EUA em Teerã, ocupada no ano anterior por simpatizantes da nova teocracia. A Operação Eagle Claw terminou sem resgates e em uma humilhação histórica, na qual 8 militares morreram. Recentemente, em entrevista ao New York Times, Trump comparou a ação em Caracas contra Maduro com “Jimmy Carter derrubando helicópteros por toda parte”, referência às sete aeronaves perdidas no deserto iraniano.






