Entenda: Guerra no Irã ameaça segurança alimentar global e pode deixar mais 45 milhões de pessoas em situação de fome aguda
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Mais de um mês após o início da guerra no Oriente Médio, que já causou milhares de mortos e abalou a economia mundial, Teerã voltou a disparar mísseis e drones contra Israel, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, ampliando o alcance do conflito.
Em Israel, bombeiros informaram ter encontrado dois mortos sob os escombros de um edifício atingido por um míssil iraniano na véspera, em Haifa, no norte do país. Outras duas pessoas seguem desaparecidas. O Exército israelense afirmou ter realizado uma nova série de ataques contra Teerã.
Os Guardiões da Revolução, força de elite do regime iraniano, anunciaram a morte do chefe de inteligência em um bombardeio ao amanhecer. “O general Majid Jademi (…) morreu como mártir no ataque terrorista criminoso do inimigo americano-sionista”, afirmaram em seu canal no Telegram.
Na capital iraniana, uma instalação de gás foi danificada, deixando parte de Teerã sem abastecimento, segundo a televisão estatal Irib. A universidade próxima também sofreu danos. De acordo com meios iranianos, ataques atingiram bairros residenciais, forçando a evacuação de oito hospitais. Em Qom, no centro do país, cinco pessoas morreram após um bombardeio contra uma área residencial, informou a agência Tasnim.
Impacto global
Após declarações de Donald Trump sobre possíveis ataques a infraestruturas civis, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadim, denunciou a possibilidade de “crimes de guerra”. Em resposta, o comando militar iraniano advertiu que “se os ataques contra alvos civis continuarem, as próximas fases de nossas operações ofensivas e de represália serão muito mais devastadoras e extensas”.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã, segue sem sinais de desescalada, com ofensivas diárias e troca de ameaças. “Abram o maldito estreito, bastardos loucos, ou viverão no inferno. VOCÊS VÃO VER!”, escreveu Trump no domingo, na Truth Social, estabelecendo prazo até quarta-feira às 00H00 GMT para a reabertura do estreito de Ormuz.
A via marítima é estratégica para o transporte global de hidrocarbonetos, e seu fechamento fez disparar os preços do petróleo, ampliando a instabilidade econômica. A força naval dos Guardiões da Revolução afirmou preparar uma “nova ordem” no Golfo e declarou que as condições no estreito “nunca voltarão ao seu status anterior, sobretudo para os Estados Unidos e Israel”.
Trump afirmou ter alcançado objetivos militares no Irã e passou a ameaçar infraestruturas civis, como pontes e usinas elétricas. “Toda a nossa região arderá porque insistem em seguir as ordens de [Benjamin] Netanyahu”, declarou o presidente do Parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf.
Os mercados seguem pressionados: os barris de Brent e WTI, principais referências globais, giravam em torno de 110 dólares na segunda-feira. Em paralelo, Rússia, Arábia Saudita e outros seis membros da OPEP+ decidiram aumentar as cotas de produção a partir de maio.
O impacto já é sentido em diferentes países. No Egito, o governo impôs toque de recolher comercial, com fechamento às 21h nos dias úteis e às 22h nos fins de semana. “Parece que estamos revivendo o período da covid”, afirmou o comerciante Ali Haggag.
Segundo avaliação publicada na rede X pelo analista de segurança Danny Citrinowicz, ex-integrante da inteligência israelense, a possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã, “ao menos nas condições atuais, é quase inexistente”.
Nos países do Golfo, o Kuwait relatou ataques com mísseis e drones que deixaram seis feridos. Os Emirados Árabes Unidos informaram um ferido após a queda de destroços de drones interceptados.
No Líbano, outra frente do conflito, o grupo Hezbollah reivindicou novos lançamentos de foguetes contra Israel. No domingo, o Exército israelense bombardeou a periferia sul de Beirute, reduto do grupo. Um ataque próximo a um hospital deixou ao menos cinco mortos, enquanto outro atingiu o leste da capital, matando três pessoas.








