Uma mancha de petróleo está se expandindo diante da ilha de Kharg, no Irã, um terminal-chave de exportação de petróleo bruto da república islâmica, informou nesta sexta-feira o New York Times, que cita imagens de satélite. Ainda não estava claro o que havia causado o aparente derramamento, localizado diante da costa oeste da ilha.
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Segundo uma estimativa da Orbital EOS, que monitora derramamentos de petróleo, o vazamento parecia cobrir até quinta-feira mais de 52 quilômetros quadrados. Mais de 3.000 barris de petróleo podem ter sido derramados, informou a Orbital EOS. A mancha parecia se estender para o sul, em direção às águas sauditas.
A ilha de Kharg fica ao norte do estratégico Estreito de Ormuz e abriga o coração da indústria de exportação de petróleo do Irã, incluindo oleodutos e tanques de armazenamento.
O governo iraniano também restringiu o tráfego de navios pelo estreito, enquanto as negociações para a reabertura da passagem estão paralisadas. Além disso, embarcações e instalações sofreram danos em ataques americanos e israelenses, tornando-as vulneráveis a vazamentos.
Isso deixou petroleiros encalhados, restringindo as exportações e fazendo com que o Irã ficasse rapidamente sem locais para armazenar seu petróleo, aumentando as preocupações com possíveis vazamentos ou outros acidentes no centro de operações da Ilha de Kharg. Grandes volumes de petróleo bruto estavam armazenados em petroleiros, aumentando o risco de vazamentos, disse Dalga Khatinoglu, que acompanha o setor de energia do Irã no Iran Open Data, uma iniciativa independente de dados.
Uma ruptura em um oleoduto submarino que liga o centro de operações ao campo petrolífero de Abuzar, um importante campo offshore a oeste da Ilha de Kharg, foi outra possível fonte do vazamento, afirmou Khatinoglu. O oleoduto, com décadas de uso e em péssimas condições de manutenção, sofreu diversos vazamentos nos últimos anos, incluindo uma ruptura em outubro de 2024, disse ele.
Outros especularam que o petróleo pode ter sido despejado deliberadamente no mar devido à falta de espaço para armazenamento, embora não haja evidências disso. No geral, “o bloqueio naval provavelmente colocou o sistema petrolífero do Irã em uma situação perigosa”, disse Nima Shokri, professor da Escola de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade Técnica de Hamburgo.
Fechar poços de petróleo é complicado, explicou ele, porque isso pode obstruir os poços ou oleodutos, ou danificar o reservatório de petróleo abaixo, tornando a retomada da produção mais lenta e cara.
— Poços de petróleo não são máquinas que podem ser simplesmente desligadas e religadas à vontade — concluiu Shokri.
A mídia estatal iraniana não noticiou o vazamento. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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Keyvan Hosseini, especialista em energia e meio ambiente da Universidade de Southampton, afirmou que o vazamento reflete como as sanções, os conflitos e o subinvestimento crônico dificultaram a modernização, a manutenção e a substituição da infraestrutura petrolífera crítica do Irã.
O Golfo Pérsico, em grande parte raso, está sob crescente pressão devido ao calor, à salinidade, à poluição e ao desenvolvimento costeiro, disse ele. O petróleo pode se depositar nos sedimentos e no litoral, sendo particularmente prejudicial aos manguezais, comunidades de corais, aves marinhas, tartarugas e áreas de desova.
Um vazamento perto da Ilha de Kharg poderia afetar a pesca, as comunidades costeiras, as usinas de dessalinização, os habitats marinhos e os ecossistemas sensíveis do Golfo Pérsico, afirmou Hosseini. “Mesmo um vazamento aparentemente incontrolável pode se transformar em uma grande crise ambiental regional se a resposta for tardia”, concluiu.