Contexto: Senado da Argentina dá aval à reforma trabalhista de Javier Milei
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“Atacar o Congresso da Nação e agredir as forças de segurança é um crime grave contra a ordem constitucional”, escreveu Adorni no X, acrescentando: “O governo nacional denunciou por terrorismo os responsáveis pelos ataques”.
Na quarta-feira, milhares de pessoas convocadas pela principal central sindical do país, a CGT, se manifestaram pacificamente em frente ao Congresso em rejeição ao projeto de lei que estende a jornada de trabalho para 12 horas, reduz indenizações, permite pagamentos em espécie e limita o direito de greve, entre outras mudanças propostas pelo governo e consideradas “regressivas” pelos sindicatos.
Um grupo isolado, porém, se posicionou atrás de uma barricada improvisada, a poucos metros da barreira policial, e lancou projéteis e coquetéis molotov contra os agentes.
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Após esses incidentes, a polícia avançou sobre os manifestantes com gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha para esvaziar completamente a praça, em meio a pânico e correria. Mais de 20 pessoas foram detidas, a maioria liberada no dia seguinte. Algumas prisões ocorreram enquanto os manifestantes deixavam o local, a mais de dez quadras da Praça do Congresso. A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, afirmou que os episódios ultrapassaram o âmbito de uma manifestação tradicional e caracterizaram uma ação organizada.
— Pessoas com galões de gasolina e bombas molotov na mochila, parafusos para lançar com estilingue, mastros de bandeira transformados em lanças. Como se chama isso? Isso é violência extrema com a intenção de desestabilizar — disse Alejandra à rádio Mitre. — Vamos denunciar por terrorismo, porque uma bomba molotov é uma bomba. É uma arma, com toda a intenção de gerar não apenas morte, mas caos.
Na Argentina, a Lei Antiterrorista (nº 26.734) prevê penas agravadas para quem cometer crimes com o objetivo de semear terror na população ou obrigar autoridades públicas a tomar decisões. A classificação como terrorismo implica investigação federal, detenções sem libertação imediata e penas mais severas, marcando uma mudança drástica em relação à tipificação habitual desses crimes como simples danos ou atentados contra a autoridade.
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Alejandra confirmou que já há 17 pessoas identificadas, acrescentando que o processo inclui análise de imagens captadas por câmeras das forças federais, da Cidade e por transmissões da imprensa. Ela mencionou o uso do Sistema Luna, que permite comparar rostos com bases de dados policiais, e do sistema Jessie, empregado para análise de antecedentes e registros biométricos. Disse, ainda, que o governo continuará identificando os envolvidos.
— Há pessoas de 20 anos e outras com mais de 60; a maioria é da província de Buenos Aires e alguns são da Cidade de Buenos Aires, Tucumán e Salta — disse, acrescentando que nem todos têm antecedentes criminais, mas que há casos com histórico delituoso extenso, além da possível vinculação de envolvidos a torcidas organizadas e grupos de esquerda ou anarquistas.
A ministra defendeu a atuação das forças de segurança e disse que os protocolos foram seguidos para evitar danos maiores. Segundo ela, a intenção inicial era “dispersar para desconcentrar o conflito que havia se concentrado em dois ou três pontos”. Ela também respondeu às críticas sobre a atuação dos agentes que protegiam as grades de contenção e rejeitou os rumores a respeito da presença de policiais infiltrados entre os manifestantes violentos.
— Cada grade pesa cem quilos, não é uma latinha. O esforço e a técnica para fixá-la são fundamentais, porque, se caírem, podem provocar um efeito dominó perigoso para todos — afirmou Alejandra. — Dizer que é um policial ou um ex-policial, não sei de onde tiram isso. É um disparate pensar que o governo geraria esse tipo de situação. Só faltaria dizerem que, a qualquer momento, eu mesma estava ali com o estilingue.
Ainda na noite de quarta-feira, já sem manifestantes em frente ao Congresso, o Senado aprovou o projeto de reforma trabalhista. A proposta deverá ser analisada pela Câmara dos Deputados nas próximas semanas. (Com AFP)








