A polícia turca lançou gás lacrimogêneo e prendeu dezenas de pessoas que participavam de manifestações do Dia do Trabalho em Istambul, nesta sexta-feira, enquanto milhares se reuniam em diferentes partes do país.
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Segundo a Associação de Advogados CHD, quase 200 pessoas foram presas em Istambul, onde a polícia disparou gás lacrimogêneo de veículos antimotim contra a multidão, conforme observaram jornalistas da AFP.
Imagens exibidas pelo canal de oposição HALK TV também mostraram o presidente do Partido dos Trabalhadores da Turquia, Erkan Bas, envolto em spray de pimenta.
— Quem está no poder já fala 365 dias por ano, então que os trabalhadores falem sobre as dificuldades que enfrentam pelo menos um dia por ano — disse ele.
Dois grupos foram especialmente identificados no lado europeu da cidade após sinalizarem a intenção de marchar até a Praça Taksim — palco de diversos protestos antigovernamentais no passado —, que foi isolada pela polícia durante a noite.
Um dirigente sindical, Basaran Aksu, foi preso logo após denunciar o bloqueio de Taksim.
— Não se pode fechar uma praça para os trabalhadores da Turquia. Todos usam a Praça Taksim para cerimônias oficiais, para comemorações. Só os operários, os trabalhadores, os pobres encontram a praça fechada para eles — esbravejou.
No dia 1º de maio, data que celebra os trabalhadores e a classe trabalhadora, a Turquia mobiliza todos os anos um grande contingente policial, com o isolamento de uma vasta área no centro de Istambul, ao redor da Praça Taksim.
No ano passado, os protestos foram deslocados para a região de Kadikoy, e mais de 400 pessoas foram presas.
Nesta sexta-feira, um grande contingente policial, com muitos agentes equipados para controle de distúrbios, além de barricadas metálicas, foi visto bloqueando o acesso aos bairros centrais de Istambul.
Confrontos e tensão durante os protestos
No distrito de Mecidiyekoy, a AFP viu a polícia usar gás lacrimogêneo contra a multidão, que incluía integrantes de um partido marxista, o HKP, que tentavam avançar enquanto gritavam: “Assassino dos EUA, cúmplice do AKP (partido governista da Turquia)”.
A polícia que cercava o bairro de Besiktas intervinha — por vezes de forma violenta — sempre que os manifestantes entoavam algum cântico. A AFP viu vários manifestantes sendo jogados ao chão.
Sindicatos e associações da sociedade civil convocaram as manifestações de 1º de maio sob o lema “Pão. Paz. Liberdade”.
A inflação na Turquia está oficialmente fixada em 30%, mas, segundo estimativas independentes, estaria mais próxima de 40%.
Em Ancara, cerca de 100 mineiros de carvão, que realizaram uma greve de fome de nove dias para exigir o pagamento de salários atrasados, foram ovacionados ao se juntarem à marcha do Dia do Trabalho, que foi especialmente numerosa e formada por muitos jovens, além de contar com forte presença policial, segundo um jornalista da AFP.
No início desta semana, as autoridades turcas emitiram mandados de prisão e de busca contra 62 pessoas, das quais consideraram 46 — entre jornalistas, sindicalistas e figuras da oposição — como “prováveis autoras de ataques”.