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Nesta sexta-feira, Bondi afirmou que os detidos teriam participado de uma ação organizada contra a Igreja Cities, onde ocorria um culto no momento do protesto. Segundo ela, a conduta dos manifestantes ultrapassou os limites da liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda.
Lemon afirmou que estava apenas atuando como jornalista quando entrou na igreja Cities Church, em 18 de janeiro, para acompanhar uma manifestação contra o endurecimento das políticas de imigração na região.
Os manifestantes interromperam um culto na igreja, onde um funcionário do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE, na sigla em inglês) atua como pastor, e entoaram gritos de “ICE fora”. Depois disso, o governo Trump tentou apresentar acusações contra oito pessoas envolvidas no episódio, incluindo Lemon, com base em uma lei que protege pessoas que buscam participar de um culto em um local religioso.
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No entanto, o juiz magistrado que analisou as provas autorizou acusações contra apenas três pessoas, rejeitando os indícios contra Lemon e os demais por considerá-los insuficientes. O Departamento de Justiça então recorreu a um tribunal federal de apelação para obrigar o juiz a expedir os mandados adicionais, mas teve o pedido negado.
Agora que foi preso, Lemon deve contestar o caso da promotoria alegando que não estava protestando, mas sim cobrindo o evento como jornalista.
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De acordo com Abbe Lowell, advogado de Lemon, o jornalista foi preso durante a noite em Los Angeles. A defesa afirmou que sua atuação durante os protestos “não foi diferente do que ele sempre fez” ao longo da carreira, reforçando que ele estava no local exclusivamente para fins jornalísticos.
— Quando o protesto começou dentro da igreja, fizemos um trabalho jornalístico, que foi reportar o que estava acontecendo e conversar com as pessoas envolvidas, incluindo o pastor, membros da igreja e integrantes da organização — disse Lemon em um vídeo recente.
— Só isso. Isso se chama jornalismo — acrescentou.
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O advogado de Lemon prometeu combater qualquer acusação. Se o Departamento de Justiça continuar com “um esforço chocante e preocupante para silenciar e punir um jornalista por fazer o seu trabalho”, afirmou em comunicado antes da prisão, “Don vai denunciar esse mais recente ataque ao Estado de Direito e lutar contra todas as acusações de forma vigorosa e completa na Justiça”.
Atualmente, Lemon trabalha como jornalista independente e mantém um programa próprio no YouTube. Ele deixou a CNN em 2023, após 17 anos na emissora, em meio a críticas por comentários considerados sexistas sobre mulheres e envelhecimento.
Lemon é um crítico de longa data do presidente Donald Trump desde seu primeiro mandato e chama frequentemente o presidente de mentiroso.
Autoridades do Departamento de Justiça afirmaram que irão processar manifestantes que, segundo eles, ultrapassaram os limites das atividades protegidas pela Primeira Emenda e passaram a obstruir a atuação das forças de segurança ou, no caso do protesto na igreja, violar os direitos de terceiros.
Por outro lado, manifestantes que têm se mobilizado em grande número em Minneapolis afirmam que seus direitos estão sendo violados ao tentarem se manifestar contra a ofensiva migratória.
As tensões seguem especialmente elevadas em Minneapolis após agentes federais de imigração matarem a tiros dois manifestantes. Renee Good, mãe de três filhos, estava ao volante de seu carro quando um agente do ICE disparou à queima-roupa. Autoridades do governo a classificaram como terrorista e alegaram que ela colocou em risco a vida do agente.
Em um episódio separado, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, na sigla em inglês) mataram a tiros, no sábado, Alex Pretti, enfermeiro de terapia intensiva. Vídeos do local contradizem as primeiras alegações do governo de que Pretti teria se aproximado dos agentes empunhando uma arma.
Trump sugeriu na quarta-feira que estaria disposto a “reduzir a escalada” da situação em Minneapolis, sem fornecer detalhes. Ele substituiu o chefe da Patrulha de Fronteiras que vinha sendo o rosto público das ações migratórias agressivas na cidade, Gregory Bovino, pelo seu “czar da fronteira”, Tom Homan.
Homan sinalizou disposição para chegar a um acordo com autoridades locais e reduzir o contingente de milhares de agentes federais enviados à região.
As acusações contra Lemon ocorrem em meio a um cenário de turbulência interna no gabinete do procurador federal em Minneapolis.
Em uma reunião tensa no início desta semana, vários promotores questionaram o chefe do escritório sobre a decisão do governo de não levar adiante investigações sobre os incidentes com tiro cometidos por agentes federais, segundo pessoas a par das discussões internas. Pelo menos meia dúzia de promotores pediram demissão e novas saídas são esperadas.
Pam Bondi pediu que outros escritórios de promotores federais no Meio-Oeste enviem reforços temporários para auxiliar na investigação e no processamento dos casos.
(Com The New York Times e AFP)






