Um incêndio de grandes proporções destruiu, neste sábado, um hotel histórico de Bariloche, conhecido por estar nos primeiros quilômetros da avenida Bustillo, em frente ao lago Nahuel Huapi, na Argentina. O Hotel Huemul é um estabelecimento com mais de 70 anos de história, localizado na avenida Ezequiel Bustillo, 1500. Todas as equipes de bombeiros da cidade trabalharam no local para combater as chamas.
As autoridades locais suspeitam que o fogo teria se originado de uma queima de folhas secas que saiu do controle, mas o caso ainda está sob investigação. Uma mulher e dois bombeiros receberam atendimento médico por inalação de monóxido de carbono. Os brigadistas foram levados ao Hospital de San Carlos de Bariloche e encontram-se estáveis.
Imagens publicadas nas redes sociais mostraram a forma impactante como o fogo, que começou por volta das 15h, consumiu a estrutura do hotel e como, aos poucos, pedaços das janelas e paredes foram se despedaçando e caindo no chão. O responsável pela Defesa Civil de Bariloche afirmou em declarações à televisão que o hotel sofreu danos estruturais significativos em suas duas alas. Além disso, o telhado, o forro e o andar superior sofreram perda total.
— A estrutura da chaminé e da alvenaria colapsou. Já há fissuras nas paredes de concreto — disse ele em entrevista à emissora TN, descrevendo a situação como danos irrecuperáveis.
Vargas destacou que o incêndio exigiu uma grande mobilização de recursos, inclusive da cidade vizinha de Dina Huapi. — É algo que não víamos há muito tempo, dessa magnitude. Infelizmente, o estrago é bastante visível — explicou.
Os moradores da região mostraram como as chamas e a fumaça podiam ser vistas de suas casas, em imagens que permitem observar a rapidez com que o fogo avança quando sai do controle. O estabelecimento foi fundado em 1938 e contava com 98 quartos. Está situado a apenas dois minutos do centro de Bariloche e tem acesso direto ao lago.
Além disso, é cercado por montanhas e árvores, com vista para a Cordilheira dos Andes. Em seu site, o hotel se promove como “um lugar único” que permite “viver a genuína experiência da Patagônia Argentina”. As chamas atingiram diretamente o setor de entrada do hotel, que estava em obras. Em seguida, teriam subido rapidamente para os andares superiores.
Hotel antes do incêndio
Reprodução
Passadas das 20h, bombeiros, agentes do Serviço de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (SPLIF) de Bariloche, a polícia de Río Negro e a Defesa Civil continuavam com um grande esquema de operação, embora as chamas já estivessem controladas. Entre outras medidas, o acesso de pessoas à área do incêndio foi bloqueado e cortes no trânsito foram estabelecidos na avenida Bustillo.
Nelson Leal, chefe do SPLIF, ressaltou que será necessário aguardar a fase de investigação da polícia e do Ministério Público para saber o que causou o incêndio. — Aparentemente, ocorreu devido a uma queima de pastagem na margem do lago, que faz divisa com o terreno do hotel. Mas é preciso aguardar a fase de perícia. Foi uma grande tragédia para um hotel muito antigo de Bariloche — esclareceu à TN.
Paralelamente, Daniel Muñoz, bombeiro que atuou na operação, disse ao mesmo canal que os brigadistas chegaram ao hotel após receberem a denúncia de uma queima “que fugiu do controle”.— Os funcionários do hotel estavam realizando uma queima. A estrutura já estava comprometida.
O prefeito de Bariloche, Walter Cortés, deu detalhes sobre a situação e garantiu que a falta de vento e a baixa temperatura atual, entre 6 e 7°C, ajudaram a combater as chamas. — Para nós, é uma verdadeira pena. São acidentes. Estamos colaborando e vendo como podemos ajudar para que não se propague mais — afirmou em entrevista ao canal.
Em seguida, deixou uma mensagem aos moradores da cidade: — Tranquilidade, estamos todos aqui e vamos apagá-lo. O incêndio será apagado. Nossos caminhões-pipa com bombas estão no local, vamos levar água aonde for possível e fazer de tudo para acabar com o incêndio. Às vezes, quando essas coisas acontecem, a gente sente angústia, mas também é preciso fazer prevenção.
Sobre este último ponto, argumentou que muitos hotéis antigos “às vezes não têm os equipamentos de segurança adequados”. “São hotéis de madeira, seca, que é um combustível para o fogo”, acrescentou.