Diálogo diplomático: Irã indica avanço em formato para negociação com os EUA e nega ultimato de Trump para acordo nuclear
Veja infográficos: Mobilização militar dos EUA contra Irã mimetiza campanha de pressão feita contra Venezuela
“Um caça F-35C do USS Abraham Lincoln derrubou um drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo”, afirmou em um comunicado o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, que supervisiona as forças americanas no Oriente Médio.
O porta-aviões americano faz parte de uma força naval — deslocada para o Oriente Médio pelos EUA desde o início do ano — maior do que a enviada para o Caribe antes da ação militar que levou à captura de Nicolás Maduro na Venezuela.
Pouco tempo após o anúncio, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as conversas planejadas entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e autoridades iranianas “permanecem agendadas por enquanto”.
— Steve Witkoff tem conversas agendadas com os iranianos ainda esta semana. Elas permanecem agendadas por enquanto, mas o presidente [Donald Trump] obviamente tem várias opções em cima da mesa, e o uso da força militar é uma delas — disse Leavitt à Fox News.
Na segunda-feira, a República Islâmica do Irã anunciou que mediadores estão avançando com a definição de um formato para negociações diplomáticas com os Estados Unidos, sinalizando que o diálogo entre Teerã e Washington poderia começar “nos próximos dias”.
O anúncio ocorreu em meio a ameaças do presidente americano, Donald Trump, sobre um possível ataque ao país se conversas sobre um novo acordo nuclear com a nação persa não avançarem — o que as autoridades iranianas disseram não configurar um ultimato. Fontes do governo iraniano afirmam que o presidente do país, Masoud Pezeshkian, solicitou a abertura de negociações com os americanos.
Trump aumentou a pressão sobre o regime dos aiatolás na semana passada, ao afirmar que o tempo estava “se esgotando” para a abertura de um processo de diálogo sobre as pretensões nucleares do Irã. No domingo, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, fez referência às ameaças do republicano ao discursar para uma multidão de apoiadores.
— Agora, esse senhor [Trump] afirma constantemente que eles trouxeram navios de guerra. Os americanos devem saber que, se eles iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional — afirmou.
Initial plugin text
Reforço da defesa aérea
Numa reportagem publicada no último domingo, o Wall Street Journal revelou que o Departamento de Defesa dos EUA tem reforçado as defesas aéreas de Israel, aliados árabes e forças americanas na região em preparação para uma possível retaliação iraniana em caso de ataque americano ao país persa.
As forças americanas já possuem defesas aéreas na região, incluindo contratorpedeiros capazes de abater ameaças aéreas. Mas o Pentágono está implantando diversos sistemas antimísseis adicionais do tipo THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude) e Patriot em bases onde tropas americanas estão estacionadas no Oriente Médio, como na Jordânia, Kuwait, Bahrein, Arábia Saudita e Catar, de acordo com autoridades de defesa, dados de rastreamento de voos e imagens de satélite.
Os sistemas THAAD podem interceptar mísseis balísticos acima da atmosfera terrestre, enquanto os Patriots defendem territórios contra ameaças de menor altitude e alcance. A importância das defesas aéreas ficou evidente em junho do ano passado, quando os EUA ajudaram a defender Israel contra uma saraivada de mísseis iranianos durante a guerra de 12 dias.
(Com AFP e New York Times)








