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As Forças Armadas do Irã afirmaram nesta quarta-feira que não permitirão que “nem um único litro de petróleo” transite pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o escoamento de 20% do petróleo produzido no mundo, reiterando o já anunciado fechamento da via navegável, que o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica ordenou após o início da guerra com EUA e Israel. O controle da passagem tem importância estratégica tanto na tática de resistência iraniana quanto nos planos israelense e americano, com seu impacto sendo sentido ao redor do globo.
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O Estreito de Ormuz é o acidente geográfico que divide o Golfo Pérsico do Golfo de Omã. A costa norte é controlada em sua totalidade pelo Irã, enquanto o sultanato de Omã controla a margem sul, quase na fronteira com os Emirados Árabes Unidos. As águas por onde navegam os petroleiros e cargueiros que costumam transitar pela rota — antes do conflito, a média diária era de 129 navios (ver gráfico abaixo) — são consideradas internacionais pelo Direito Internacional e pela ONU. O status confere uma série de proteções à livre navegação e vedações a ações unilaterais — que têm sido violadas.
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A Guarda Revolucionária iraniana confirmou nesta quarta-feira o bombardeio a duas embarcações — um navio-graneleiro de bandeira da Tailândia e um navio de bandeira da Libéria, que acusaram ser de propriedade de Israel. Há relatos de ao menos quatro navios atingidos por projéteis nesta quarta. As forças iranianas afirmaram que qualquer embarcação que pretenda passar pela via marítima deve pedir autorização, sob risco de afundamento.
A agência britânica UK Maritime Trade Operations (UKMTO) apresentou um balanço nesta quarta-feira, em que contabiliza 14 incidentes contra navios na região desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Trânsito diário de navios pelo Estreito de Ormuz
Arte/O GLOBO
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Um corredor ainda mais curto
Embora tenha mais de 30 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre as margens norte e sul, a parte transitável para os gigantescos petroleiros e navios de carga que cruzam diariamente Ormuz é consideravelmente menor. As embarcações percorrem dois corredores marítimos definidos, chamados de canais de tráfego, estabelecidos internacionalmente para organizar o fluxo e evitar acidentes.
Cada um dos canais tem apenas três quilômetros de largura, com uma faixa de separação de outros três quilômetros entre eles. Um corredor é usado para entrada e outro para saída do Golfo Pérsico, em um sistema de mão dupla semelhante a uma estrada. Ou seja, todo o tráfego comercial global fica ali, naquele trecho, comprimido em seis quilômetros.
A área reduzida e a previsibilidade sobre o trânsito das embarcações torna toda a região vulnerável às ações iranianas, cujos mísseis e drones são capazes de cortar toda a extensão do Golfo, e que tem a capacidade de instalar minas navais, capazes de avariar severamente e afundar embarcações de uso militar e civil.
Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz
Arte O Globo
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Como o Irã bloqueia a rota naval?
Há décadas o regime iraniano se prepara para uma eventual guerra com seus adversários regionais. O país investiu em um extenso programa de mísseis balísticos ao fim da guerra com o Iraque (1980-88), e evoluiu nos últimos anos a produção de drones de baixo custo, usados sobretudo para ataques nos chamados “enxames”. Teerã também conta com um volumoso arsenal de minas navais, que poderiam transformar a região em um campo minado.
O Irã conta com um estoque de minas navais que varia de 2 mil a 6 mil unidades, segundo avaliação do Soufan Center, uma organização sediada em Nova York especializada em questões de segurança. Os apetrechos são considerados pequenos, silenciosos e difíceis de detectar, e podem ser posicionadas por meio de submarinos, navios ou até helicópteros. O Pentágono afirmou ter afundado 16 navios da Marinha iraniana especializados na instalação das minas, na terça-feira.
O regime iraniano não parece ter recorrido à tática — o que significaria uma escalada de difícil reversão — até o momento. Uma fonte militar ouvida pelo jornal americano Wall Street Journal afirmou que as estimativas são de que apenas cerca de 10 dispositivos tenham sido instalados.
Imagens divulgadas pelo Comando Central dos EUA mostra disparo de mísseis Tomahawk contra navios lançadores de mina do Irã
Reprodução/CENTCOM/X
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A indicação da Guarda Revolucionária nesta quarta-feira também parece ser a de uma estratégia de “controle reversível” — uma vez que ao menos sinaliza que, com autorização, o trânsito poderia ser liberado. A medida pode indicar uma tentativa de controlar a tensão já elevada com países produtores de petróleo Golfo, alvos de ataques constantes nos últimos 12 dias.
Para os ataques direcionados, Teerã dispõe de um amplo arsenal de mísseis e drones, que desde a guerra de 12 dias, em junho do ano passado, mostraram ter capacidade de alcance para atingir os mais variados alvos na região. O Irã mantém ao longo da costa baterias móveis de mísseis antinavio — incluindo modelos como o Noor e o Khalij Fars, com capacidade de atingir alvos durante a navegação. Com uma topografia costeira montanhosa, essas plataformas podem ser deslocadas e escondidas com facilidade, dificultando a neutralização
Forças americanas e israelenses afirmam ter explodido grande parte do arsenal de mísseis e drones iranianos desde o início da guerra, mas os ataques mais recentes mostram que Teerã ainda dispõe de formas de provocar dano. Analistas apontam uma estratégia de disparos “com parcimônia”, a fim de fazer durarem os estoques em um ritmo que mantenha os movimentos ofensivos.
Relação entre preço do petróleo e dos alimentos
Arte/ O GLOBO
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Outras táticas também são possíveis. Embora os EUA tenham declarado como um objetivo central de sua ofensiva a destruição da Marinha iraniana, com o afundamento confirmado de embarcações de importância estratégica na Armada persa, a Guarda Revolucionária é famosa por sua frota de lanchas rápidas, que têm capacidade de cercar embarcações maiores, intimidar e até executar ataques em coordenação com drones.
A tática é sobretudo preocupante quando os alvos são navios comerciais, com capacidades restritas para resistir a ataques com equipamentos militares.
Foto de arquivo mostra navio da Marinha iraniana em exercício naval na região do Estreito de Ormuz
EBRA​HIM NOROOZI /JAMEJAMONLINE/ AFP PHOTO
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Gargalo estratégico
A importância econômica da passagem estratégica é um aspecto central na tática de resistência do Irã. Ciente da incapacidade prática de vencer uma guerra convencional contra uma sociedade militar formada por EUA e Israel, a coerção econômica por meio da perturbação do mercado internacional de hidrocarbonetos é a melhor chance que o regime iraniano vislumbra de impor pressão sobre os governos rivais e forçar um fim das hostilidades contra o seu território.
Parte dos maiores produtores de petróleo e gás natural liquefeito do mundo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Kuwait e o próprio Irã. Em menos de duas semanas de conflito, a instabilidade já afetou o preço do petróleo, com o barril de petróleo chegando a ser negociado em um patamar próximo a US$ 120 em alguns mercados asiáticos na segunda-feira. O preço registrou queda, mas o patamar segue elevado nas principais bolsas do mundo.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã
Reprodução/Nasa
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— A estratégia do Irã é pressionar Washington provocando a ira dos Estados do Golfo e elevando os preços do petróleo, gás e outras matérias-primas — explicou Burcu Özçelik, especialista em segurança do centro britânico RUSI.
A comunidade internacional está mobilizada e discute formas de diminuir o impacto das ações militares no comércio global de petróleo. Alemanha e Japão anunciaram que liberariam reservas estratégicas para aumentar a demanda e controlar os preços, enquanto os países do G7 discutem fazer o mesmo. Trump anunciou que estaria disposto a “escoltar” com navios da Marinha americana os navios mercantes na região — uma solução que do ponto de vista militar e de custos é alvo de questionamentos. (Com AFP e NYT)

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Os Estados Unidos estão tomando medidas para indiciar Raúl Castro, o ex-presidente de Cuba, de 94 anos, segundo fontes revelaram em anonimato à rede americana CBS e à agência Reuters. Irmão de Fidel Castro, o suposto indiciamento do líder revolucionário seria motivado por uma queda de aviões ocorrida há 30 anos, disseram as autoridades americanas.
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O possível indiciamento — que precisaria ser aprovado por um júri popular — deve se concentrar na queda fatal de aviões operados pelo grupo humanitário Irmãos ao Resgate em 1996. Um porta-voz do Departamento de Justiça procurado pela CBS se recusou a comentar a notícia.
Ainda que não ocupe nenhum cargo oficial há cinco anos, Raúl Castro é o patriarca da opaca estrutura de poder de Cuba, ainda que sua idade lhe configure uma certa imagem de fragilidade. Sua última aparição pública foi em meados de janeiro, em uma cerimônia para receber os restos mortais de 32 soldados cubanos mortos por militares americanos durante a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, em 3 de janeiro.
Em meio à escalada de tensão entre Washington e Havana desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou suas atenções à ilha comunista após a captura de Maduro, o governo americano já intensificou as sanções contra Cuba e impôs um bloqueio energético ao território, agravando a crise no país.
Apesar das mais recentes trocas de farpas, uma delegação americana liderada pelo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, viajou nesta quinta-feira a Havana, onde se reuniu com altos funcionários cubanos, anunciou o governo comunista em um comunicado.
Trump assinou no fim de janeiro um decreto presidencial que estabelece que Cuba, situada a 150 km da costa da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, com o objetivo de justificar o endurecimento das sanções contra Havana e, em particular, o bloqueio petrolífero contra a ilha. Ele também ameaçou com represálias qualquer país que deseje fornecer ou vender petróleo a Havana.
Na quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUA se disse pronto para oferecer US$ 100 milhões em ajuda a Cuba, sob bloqueio naval americano desde o início do ano, desde que a distribuição ocorra através da Igreja Católica. Antes da oficialização da oferta, Washington e Havana trocaram acusações ligadas ao pacote, e o presidente americano voltou a dizer que o país caribenho é “uma nação fracassada”.
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Em meio à crise econômica mais grave já enfrentada por Cuba desde o colapso da União Soviética, agravada pelo bloqueio americano de petróleo à ilha, as gerações mais jovens da família dos revolucionários irmãos Fidel Castro e Raúl Castro têm assumido posições de destaque na liderança do país.
Segundo fontes do jornal americano Wall Street Journal, o filho de Raúl Castro, Alejandro Castro Espín, e o neto mais velho do ex-mandatário, Raúl Rodríguez Castro, têm participado ativamente das negociações entre Havana e Washington, se reunindo com autoridades americanas para discutir a situação na ilha comunista e uma possível diminuição nas tensões com os Estados Unidos diante das reiteradas ameaçadas feitas por Trump desde que retomou o comando da Casa Branca em 2025.
Os intensos ataques russos desta quinta-feira, com centenas de drones e dezenas de mísseis contra Kiev, deixaram pelo menos 21 mortos, informaram equipes de resgate na sexta-feira (horário local), diminuindo ainda mais as esperanças de um fim para o conflito. A Força Aérea Ucraniana afirmou que a Rússia lançou 675 drones de ataque e 56 projéteis, visando principalmente a capital, e acrescentou que suas unidades de defesa aérea abateram 652 drones e 41 foguetes. Jornalistas da AFP em Kiev ouviram sirenes de alerta aéreo antes de uma série de fortes explosões obrigarem os moradores a buscar refúgio em estações de metrô.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, declarou que mais de 20 locais na capital foram danificados, incluindo prédios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.
— O trabalho continua em Kiev no local do impacto no prédio, um ataque de míssil russo que literalmente arrasou um bloco de apartamentos, do primeiro ao nono andar — afirmou Zelensky.
Vinte e uma pessoas, incluindo três crianças, morreram nos ataques, informou o serviço de emergência ucraniano na manhã de sexta-feira, atualizando o número de mortos divulgado anteriormente, que era de 16.
“As equipes de resgate continuam incansavelmente buscando pessoas nos escombros do prédio que desabou no distrito de Darnitskii”, afirmou a agência no Telegram.
Na quinta-feira, jornalistas da AFP testemunharam cenas caóticas enquanto as equipes de resgate removiam os escombros, prestavam assistência aos feridos e recuperavam os corpos das vítimas.
— Tudo estava em chamas. As pessoas gritavam e pediam socorro — relatou Andrii, um morador de Kiev ainda de roupão e com manchas de sangue na camisa, perto de um prédio residencial da era soviética que desabou.
Vários corpos foram recuperados dos escombros de um único prédio residencial destruído: três homens, três mulheres e uma menina, informou a polícia. As autoridades relataram 45 feridos.
— Estas certamente não são as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim. É importante que os aliados não permaneçam em silêncio diante deste ataque — declarou Zelensky. Diversos aliados da Ucrânia condenaram o ataque. “A Rússia está zombando abertamente” dos esforços diplomáticos pela paz, denunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
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Novo revés para os esforços de paz
Os ataques russos também deixaram feridos nas regiões de Odessa e Kherson, no sul do país, bem como em Kharkiv, no nordeste. A ofensiva russa representa um novo revés para as tentativas de pôr fim ao conflito, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, renovou as esperanças de paz ao intermediar um cessar-fogo de três dias entre os dois países na semana passada.
Esse cessar-fogo, que começou coincidindo com as comemorações da vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945, foi marcado por acusações de violações de ambos os lados. Tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques com drones de longo alcance imediatamente após o término do cessar-fogo.
Apesar da ofensiva, o presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu no fim de semana que a guerra poderia terminar em breve. O Kremlin minimiza a possibilidade de que os comentários vagos de Putin no sábado sobre um possível fim da guerra signifiquem uma mudança na posição de Moscou.
A Rússia reiterou na quarta-feira sua exigência de que a Ucrânia se retire completamente da região leste de Donbas antes que um cessar-fogo e negociações de paz em larga escala possam ocorrer. Kiev rejeita a exigência, considerando-a equivalente à capitulação.
Um alto funcionário da presidência ucraniana disse à AFP que a escala dos ataques de quinta-feira foi tão grande devido a uma trégua anterior e relacionou o momento da ofensiva ao encontro entre os presidentes dos EUA e da China em Pequim.
Uma delegação americana liderada pelo diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, viajou nesta quinta-feira a Havana, onde se reuniu com altos funcionários cubanos, anunciou o governo comunista em um comunicado. O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou no fim de janeiro um decreto presidencial que estabelece que Cuba, situada a 150 km da costa da Flórida, representa uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, com o objetivo de justificar o endurecimento das sanções contra Havana e, em particular, o bloqueio petrolífero contra a ilha. Ele também ameaçou com represálias qualquer país que deseje fornecer ou vender petróleo a Havana.
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“Após a solicitação apresentada pelo governo dos Estados Unidos para que fosse recebida em Havana uma delegação presidida pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, a direção da Revolução aprovou a realização desta visita”, indicou o governo cubano.
Procurada pela AFP para confirmar esse encontro de caráter excepcional, a CIA não respondeu imediatamente.
As autoridades cubanas especificaram que essa reunião, que ocorreu “em um contexto caracterizado pela complexidade das relações bilaterais”, deve permitir o “diálogo político entre ambas as nações”. Havana afirmou que “os elementos apresentados pela parte cubana e as trocas mantidas com a delegação americana permitiram demonstrar categoricamente que Cuba não constitui uma ameaça para a segurança nacional dos EUA”.
Segundo o governo cubano, a reunião também permitiu demonstrar que não existem “razões legítimas” que justifiquem a permanência da ilha na lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”.
Cuba afirma igualmente ter conseguido demonstrar que não existem “bases militares ou de inteligência estrangeira em seu território”, em referência às declarações dos Estados Unidos sobre a presença de bases de escuta chinesas na ilha.
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As relações entre os dois inimigos ideológicos atravessaram um novo pico de tensão nos últimos meses. Os Estados Unidos endureceram ainda mais as sanções contra a ilha, o que provocou uma crise energética e econômica sem precedentes no país de 9,6 milhões de habitantes.
Além do embargo americano em vigor desde 1962, Washington, que não esconde seu desejo de ver uma mudança de regime em Havana, impõe desde janeiro a Cuba um bloqueio petrolífero. Desde então, autorizou apenas a chegada de um petroleiro russo ao país para abastecimento emergencial.
Ainda assim, os dois países mantêm conversas. Uma reunião de alto nível diplomático ocorreu em Havana em 10 de abril. Foi a primeira vez que um avião governamental americano pousou na capital cubana desde 2016.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que os vínculos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes financeiras, é um caso de polícia. A declaração foi feita em resposta ao questionamento de uma jornalista durante visita do presidente à fábrica de fertilizantes nitrogenados na Bahia, a Fafen, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador.  

“Eu não vou comentar, é um caso de polícia, não meu. Eu não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia”, afirmou o presidente. 

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Lula se referia ao escândalo envolvendo o senador pelo Rio de Janeiro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao Palácio do Planalto, revelado em reportagem do portal The Intercept Brasil

De acordo com a publicação, Flávio articulou repasses de R$ 134 milhões do banqueiro supostamente para financiar a realização de um filme sobre a trajetória política do pai, que governou o país entre 2019 e 2022.    

O banqueiro Daniel Vorcaro está preso suspeito de liderar uma organização criminosa que praticava fraudes financeiras por meio do Banco Master, que teve sua liquidação decretada no fim do ano passado, por decisão do Banco Central (BC), após a constatação da incapacidade da instituição em honrar com os depósitos e aplicações de clientes.

Ao revelar o envolvimento entre Flávio e Vorcaro, a reportagem do Intercept divulgou um áudio do próprio senador que menciona a importância do filme sobre o pai e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

A reportagem revela também, com base em outras mensagens de WhatsApp vazadas, bem como em documentos e comprovantes bancários, que parte do valor teria sido pago entre fevereiro e maio de 2025.


São Paulo (SP), 04/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Ex-banqueiro Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master e o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro – Foto: Banco Master/Divulgação e Lula Marques/Agência Brasil

Prisão

As últimas conversas entre ambos, mostradas pela reportagem, datam do início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master e Vorcaro. 

Pouco mais de uma semana depois dessa troca de mensagens, o Banco Central decretou a liquidação do Master e a Polícia Federal (PF) prendeu o banqueiro em um dos desdobramentos da operação sobre fraudes financeiras.

Vorcaro está preso na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada.

O filme estaria sendo realizado por uma produtora no exterior, com atores e equipes estrangeiros, e tem previsão de ser lançado ainda este ano. 

Ainda segundo a matéria, o apoio envolve transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro a um fundo dos Estados Unidos gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. 

Deputados federais da base no governo apresentaram uma denúncia à PF e à Receita Federal para que apurem se houve ilegalidades nas transações e se os recursos podem estar relacionados a algum tipo de propina.

Outro lado

Horas após a publicação da reportagem, nesta quarta-feira (13), Flávio Bolsonaro, que inicialmente negou a situação, acabou admitindo ter pedido o recurso e ter mantido relação com Vorcaro, mas destacou tratar-se de uma questão privada.  

“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, esclarece Flávio. 

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, acrescentou o parlamentar na manifestação, horas após a publicação da matéria.

Ainda na nota, Flávio Bolsonaro negou ter combinado qualquer vantagem indevida no trato com o banqueiro.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do Master já”, completou.

Pouco depois de divulgar a nota, um vídeo de Flávio repetindo os mesmos argumentos também foi compartilhado nas redes sociais. Na gravação, ele disse que Vorcaro parou de honrar com as parcelas pendentes do patrocínio e informa que havia um contrato assinado a respeito desses repasses prometidos. Ele não deu informações a respeito do suposto contrato.

Uma embarcação suspeita de atuar como um “arsenal flutuante” no Golfo de Omã teria sido apreendida por militares iranianos nesta quinta-feira, segundo a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard. De acordo com a organização Operações de Comércio Marítimo (UKMTO), ligada ao comércio marítimo do Reino Unido, o navio agora segue em direção às águas territoriais do Irã. O caso ocorre após um navio de bandeira indiana ter sido atacado na quarta-feira na costa de Omã, naufragando em seguida.
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Dados de rastreamento analisados pela rede britânica BBC e pela plataforma MarineTraffic indicam que a embarcação, identificada como Hui Chuan e com bandeira de Honduras, transmitiu sua localização pela última vez a cerca de 70 km ao nordeste de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, na quarta-feira. Os dados de localização mostram ainda que a embarcação passou o último mês na costa nordeste de Omã e dos EAU.
Segundo os operadores, o navio funcionava como um depósito flutuante de armas usadas por empresas de segurança marítima para proteger embarcações contra ataques de piratas. A BBC afirmou, no entanto, que não conseguiu confirmar o que havia a bordo nem quem utilizava o material armazenado.
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O caso ocorre após um ataque a uma outra embarcação, essa com bandeira indiana, na costa de Omã, na quarta-feira. Dados da MarineTraffic mostram que a embarcação havia saído do porto de Berbera, na Somália, em 6 de maio, com destino a Sharjah, nos EAU. O navio transportava gado no momento do incidente.
Segundo autoridades indianas, o navio Haji Ali teria afundado após uma explosão possivelmente causada por um drone ou míssil. De acordo com a Vanguard, um incêndio começou a bordo, obrigando a tripulação de 14 membros a abandonar a embarcação antes do naufrágio.
“O ataque a um navio de bandeira indiana na costa de Omã ontem é inaceitável, e deploramos o fato de que a navegação comercial e os marinheiros civis continuem sendo alvos”, disse o Ministério das Relações Exteriores da Índia em um comunicado. “Todos os tripulantes indianos a bordo estão seguros, e agradecemos às autoridades omanitas por resgatá-los”.
Vários navios foram atacados no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, onde o Irã e os Estados Unidos se enfrentam por meio de bloqueios cruzados.
Desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o Irã bloqueou a passagem pelo Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Os EUA impuseram um bloqueio aos portos iranianos, apesar do frágil cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
No início deste mês, Teerã anunciou uma zona de controle mais ampla em Ormuz, que se estende da fronteira iraniana até Fujairah e Umm al-Quwain, nos EAU. Dez navios transportando petróleo, combustível e gás conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz desde domingo, um aumento em relação às últimas semanas, apesar do impasse nas negociações para a abertura total do estreito e o fim da guerra, que já dura três meses. Ainda assim, o número de trânsitos está muito abaixo dos níveis pré-conflito.
Na semana passada, o Irã apreendeu um petroleiro no Golfo de Omã que aparentava ser uma embarcação sancionada transportando barris de petróleo do próprio país. A mídia estatal afirmou que o navio buscava “explorar as condições regionais”, sem dar mais detalhes. Também ocorreram outros ataques no Golfo Pérsico, incluindo um navio cargueiro atingido por um drone perto do Catar, que causou um pequeno incêndio.
Com agências internacionais.
Em depoimento à Comissão de Forças Armadas do Senado americano nesta quinta-feira, o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), que lidera a ofensiva dos Estados Unidos no Oriente Médio, questionou informações publicadas pelo New York Times e pelo Washington Post de que o Irã conserva aproximadamente 70% de seu estoque de mísseis anterior à guerra. Segundo Cooper, a campanha militar do governo do presidente americano, Donald Trump, contra a Marinha e o programa de mísseis balísticos do Irã “degradou drasticamente” a capacidade de Teerã de atingir os EUA ou seus aliados no Golfo Pérsico, mas algumas capacidades residuais ainda existem, afirmou ele em testemunho. Questionado sobre a reportagem do NYT publicada na terça-feira, durante a audiência no Senado, Cooper se recusou a discutir avaliações específicas de inteligência, mas classificou os números citados como “imprecisos”.
Entenda: Contrariando Trump, inteligência dos EUA mostra que Irã mantém cerca de 70% do arsenal de mísseis pré-guerra
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As informações divulgadas pela imprensa americana foram reveladas a partir de avaliações confidenciais da inteligência americana do início deste mês. Os documentos mostram que o Irã recuperou o acesso à maioria de seus locais de mísseis, lançadores e instalações subterrâneas, contrariando as declarações públicas de Trump e outras autoridades dos EUA de que as Forças Armadas iranianas estavam “dizimadas”.
Segundo as análises, Teerã ainda mantém cerca de 70% de seus lançadores móveis em operação em todo o país e conserva aproximadamente 70% de seu arsenal de mísseis pré-guerra. Esse arsenal inclui tanto mísseis balísticos, capazes de atingir outros países da região, quanto um suprimento menor de mísseis de cruzeiro, que podem ser usados ​​contra alvos de curto alcance em terra ou no mar.
— Os ataques em larga escala que vimos nos últimos dois anos, o Irã não é mais capaz de executar — disse o almirante Cooper ao Congresso hoje, em seu primeiro depoimento diante dos parlamentares desde o início da guerra.
O chefe do Centcom afirmou à Comissão que as Forças Armadas americanas “cumpriram todos os objetivos militares” da guerra no Irã, apesar das reiteradas declarações de autoridades da Casa Branca e do Pentágono — incluindo o presidente Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth — de que a principal motivação para a ofensiva conjunta com Israel é impedir que o regime dos aiatolás tenha acesso a armas nucleares, missão que ainda não foi declarada como cumprida por nenhuma das partes.
Apesar das garantias otimistas, Cooper também não abordou em seu depoimento a capacidade iraniana de bloquear o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do suprimento mundial de petróleo e gás.
— Principalmente, reduzimos a capacidade do Irã de projetar poder além de suas fronteiras, ameaçar a região e nossos interesses — acrescentou, fazendo referência à suposta cessação do envio de recursos iranianos e financiamento para aliados do regime na região, incluindo os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.
Segundo a publicação do NYT, há evidências de que o Irã restabeleceu o acesso operacional a 30 dos 33 locais de mísseis que mantém ao longo do estreito. Pessoas com conhecimento das avaliações de inteligência disseram que elas mostram — em graus variados, dependendo do nível de danos sofridos nos diferentes locais — que os iranianos podem usar lançadores móveis localizados dentro das instalações para transportar mísseis para outros pontos. Em alguns casos, eles podem lançar mísseis diretamente de plataformas de lançamento que fazem parte dessas estruturas.
Cooper também procurou dissipar os temores de que a ofensiva militar contra a República Islâmica tivesse esgotado grande parte do estoque global de munições das Forças Armadas americanas. Os Estados Unidos utilizaram milhares de mísseis de cruzeiro furtivos de longo alcance, mísseis Tomahawk e mísseis interceptores Patriot no conflito — recursos que, especialistas garantem, precisarão de anos para serem repostos.
— Tenho todas as munições necessárias tanto para defender nossas forças quanto para conduzir uma ampla gama de contingências — declarou o almirante no Senado.
A guerra obrigou o Pentágono a enviar bombas, mísseis e outros equipamentos com urgência para o Oriente Médio, vindos de comandos na Ásia e na Europa. A redução dos estoques deixou esses comandos regionais menos preparados para enfrentar potenciais adversários como a Rússia e a China. Além disso, forçou os EUA a encontrarem maneiras de aumentar a produção para suprir a escassez, segundo declarações de autoridades do governo Trump e do Congresso.
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Mortes de civis
Cooper ainda disse ao Senado que a destruição de uma escola iraniana, que, segundo autoridades do país, matou 155 pessoas, incluindo 120 crianças, pode ter sido causada por uma bomba americana e foi o único incidente com vítimas civis de que ele tinha conhecimento em uma campanha de mais de 13.600 ataques. Os militares dos EUA ainda não assumiram a responsabilidade pelo ataque à escola feminina em Minab, no sul do Irã, que, segundo o almirante, continua sob investigação.
O depoimento do militar sugeriu que ele acredita que o desempenho das Forças Armadas americanas desde os ataques de 28 de fevereiro havia sido quase perfeito, um fato desmentido por investigações de grupos de direitos humanos e veículos de comunicação. Senadores receberam as afirmações com profundo ceticismo, e um grupo de direitos humanos que investiga baixas civis em guerras as classificou como “ridículas”.
O New York Times confirmou danos em 22 escolas e 17 instalações de saúde. A Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, principal organização humanitária do país, afirmou em 2 de abril que pelo menos 763 escolas e 316 instalações de saúde foram danificadas ou destruídas na guerra. Além disso, pelo menos 1.700 civis iranianos foram mortos no conflito, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês).
— Como explicar a informação disponível publicamente de que 22 escolas e vários hospitais foram atingidos? — questionou a senadora Kirsten Gillibrand, democrata de Nova York, citando a reportagem do Times.
— Não há como corroborarmos isso — respondeu o almirante. — Nenhum indício disso.
Em seu depoimento, ele descreveu a prevenção de mortes de civis no campo de batalha como um assunto pelo qual é “apaixonado”. Mas ele também admitiu que sua equipe não havia investigado nenhum dos incidentes documentados pelo NYT ou por grupos de direitos humanos.
(Com New York Times)

Há mais de um mês, oficiais de justiça tentam cumprir uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) a prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares a empresas da produtora artística responsável pelo filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, a obra Dark Horse.

Em 21 de março, o ministro Flávio Dino deu cinco dias para o parlamentar responder à denúncia da também deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Tabata acusa Frias de ter destinado ao menos R$ 2 milhões à organização não governamental (ONG) Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama.

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Karina também está à frente de outras entidades e empresas, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Go Up Entertainment, responsável por produzir o filme biográfico sobre Bolsonaro, previsto para estrear nos cinemas brasileiros em meados de setembro, semanas antes do primeiro turno das eleições.

Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, a oficial de Justiça Federal encarregada de intimar Frias esteve no gabinete do deputado, na Câmara dos Deputados, em Brasília, em ao menos três ocasiões entre março e abril. Em todas as vezes, foi atendida por assessores parlamentares que informaram que Frias estaria em São Paulo, em compromissos de campanha, e que não demonstraram “interesse em informar a agenda do parlamentar”.

Emendas

A denúncia apresentada por Tabata Amaral foi motivada por uma reportagem de dezembro de 2025, do site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura foi contemplada com R$ 2,6 milhões oriundos de emendas parlamentares destinadas por deputados federais filiados ao Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Bolsonaro. Além de Frias, são citados os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon.

A partir da reportagem, Tabata sugere a formação de um grupo econômico composto por diferentes empresas e entidades atuando sob um comando único. Ela defende que isso poderia dificultar a rastreabilidade da execução da verba pública e estar indiretamente financiando produções cinematográficas de cunho ideológico.

Também intimados por Dino, Bia e Pollon entregaram ao ministro seus esclarecimentos dentro do prazo estipulado. O deputado admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo viabilizar, por intermédio da Go Up Entertainment, “a produção da série documental intitulada Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”.

Contudo, segundo o deputado, devido à “incapacidade da entidade beneficiária de cumprir requisito técnico essencial”, o projeto não avançou e ele redirecionou os recursos para a área da saúde, “especificamente em favor do Hospital de Amor de Barretos” (SP).

“A inexistência de execução afasta, por completo, qualquer hipótese de desvio de finalidade ou irregularidade material na aplicação de recursos públicos”, sustenta Pollon.

Decisão política 

Bia Kicis também admitiu ter destinado R$ 150 mil em recursos públicos para a realização da série Heróis Nacionais, citada por Pollon. E, assim como o deputado, pondera que a indicação não foi executada

A deputada classifica a petição de Tabata Amaral como “maldosa” por, “indevidamente”, associar sua emenda “a supostas irregularidades e desvios de finalidade”, não havendo “qualquer conexão entre a emenda [parlamentar] e a obra cinematográfica Dark Horse”.

“A tentativa de realizar uma amálgama entre projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas de espectro conservador, constitui um erro metodológico e jurídico grave”, argumenta a deputada.

Bia Kicis refuta a “leviana alegação” de que ajudou a custear, com dinheiro público, um filme sobre Jair Bolsonaro.

“A despeito da tentativa de criminalizar a indicação orçamentária realizada por esta parlamentar, é fundamental que este Supremo Tribunal Federal analise o mérito social e econômico do projeto beneficiado, o qual reflete o compromisso deste mandato com a promoção da cultura e da história nacional brasileira”, alega a deputada, reconhecendo que, com sua emenda, além de fomentar o setor audiovisual, tomou “uma decisão política pautada pela potencialidade de geração de valor para a sociedade, especialmente no campo da educação e da economia criativa”.

Provocada pelo ministro Flávio Dino, a Advocacia da Câmara dos Deputados atestou que, do ponto de vista processual, não identificou irregularidades nas duas emendas de Mario Frias – as únicas que Tabata Amaral elencou em sua representação.

Master

Nesta quarta-feira (13), reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro que destinasse cerca de R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse. Deste total, Vorcaro teria liberado ao menos R$ 61 milhões.

Áudios divulgados revelam que o senador e o banqueiro trocaram mensagens sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme às vésperas de Vorcaro ser preso pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance Zero. Deflagrada em novembro de 2025, a operação aprofunda as investigações de supostos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre os bancos Master e de Brasília (BRB).

Em um dos áudios, Flávio menciona a importância do filme e a necessidade do envio dos recursos para pagar “parcelas para trás”.  

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, em áudio. 

 

 

Superprodução

Roteirista e produtor executivo do filme, o deputado Mário Frias afirmou, nesta quarta-feira (13), que o senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer participação societária no filme ou na produtora Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama. Segundo Frias, a obra não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Vorcaro.

“E ainda que houvesse [recebido], não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco”, sustentou Frias.

Ele foi secretário especial de cultura (2020/2022) da gestão de Jair Bolsonaro.

Na mesma nota, Frias tenta justificar os custos da produção – superiores, por exemplo, aos valores do filme Ainda Estou Aqui, ganhador do Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025, que totalizaram R$ 45 milhões.

“Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional — com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido”, acrescentou Frias.

Dezenas de milhares de nacionalistas israelenses tomaram as ruas de Jerusalém nesta quinta-feira durante o feriado do Dia de Jerusalém, que marca a anexação total da cidade em 1967, e é marcado por atos de vandalismo, agressões contra árabes e, neste ano, contra a imprensa do país.
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No começo do dia, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, um dos mais radicais membros do Gabinete do premier Benjamin Netanyahu, entrou com um grupo de aliados no complexo da Mesquita do Domo da Rocha, sagrado para os muçulmanos e também para os judeus, que o conhecem como Monte do Templo.
Além de orações, Ben-Gvir estendeu ali uma bandeira de Israel, ato considerado pelo governo da Jordânia como uma “violação flagrante do direito internacional, uma provocação inaceitável e uma quebra flagrante do status quo histórico e jurídico”. Uma autoridade religiosa ligada ao governo jordaniano, o Waqf de Jerusalém, é responsável por supervisionar o local.
— Ben-Gvir não é um palhaço. Ele é Israel: 2026 — afirmou Aviv Tatarsky, pesquisador do grupo ativista Ir Amim, que prega a coexistência pacífica em Jerusalém, à rede al-Jazeera. — Ele faz parte de um governo e de uma sociedade que, apesar das guerras com o Irã e o Líbano, ainda prioriza a remoção dos palestinos, onde quer que estejam, acima de tudo.
Ministro da Segurança de Israel, Itamar Ben-Gvir, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
Nas estreitas ruas da Cidade Velha, dezenas de milhares de pessoas, incluindo muitos jovens e adolescentes, se aglomeravam para a chamada “Marcha da Bandeira”, organizada por grupos de extrema direita e conhecida pela violência extrema.
Moradores do Bairro Muçulmano, em sua maioria palestinos, fecharam as portas das lojas no começo do dia, e os que foram vistos em público foram agredidos com chutes, cadeiradas e cuspes. Palavras de cunho homofóbico foram ouvidas em quantidade, assim como gritos de “morte aos árabes”, “Maomé está morto” e “espero que seu vilarejo queime”.
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Ativistas de esquerda não escaparam dos ataques, e uma repórter do jornal Haaretz, que usava a devida identificação de imprensa, foi atingida por copos de café. Um outro jornalista teve o telefone celular roubado. Segundo a polícia, 13 pessoas, incluindo israelenses e palestinos, foram presas.
— A chamada Marcha da Bandeira sempre foi um evento violento — disse à al-Jazeera Ofer Cassif, do partido de esquerda Hadash, acusando o governo “fascista” de Netanyahu por incitar os ataques. — [A polícia não impediu] a violência, os linchamentos, a destruição de lojas, a agressão e os ataques contra palestinos na Cidade Velha e em toda a cidade.
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O chefe da polícia local, contudo, disse que a preparação para o evento foi “exemplar”, e que, com poucas exceções “tudo aconteceu em relativa calma”.
— O lado muçulmano continuará a viver no bairro e a fazer parte do seu tecido social. E quando isto terminar, a coexistência continuará, judeus e muçulmanos — acrescentou.
Nacionalistas israelenses perto do Portão de Damasco, na entrada da Cidade Velha de Jerusalém
Ilia YEFIMOVICH / AFP
O Dia de Jerusalém marca a anexação de Jerusalém Oriental por Israel, no contexto da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e é um feriado nacional desde 1968. Mas nos últimos anos, os eventos na cidade sagrada para as três maiores religiões monoteístas do planeta se tornaram sinônimo de violência.
Os confrontos nas ruas estreitas da Cidade Velha são acompanhados pelas ofensas racistas dirigidas aos árabes, com menções a guerras nos Territórios Palestinos e episódios sangrentos. Há alguns anos, gritos de “Shuafat está em chamas” ecoaram pelas ruas, em uma referência ao adolescente palestino Mohammed Abu Khdeir, queimado vivo por colonos israelenses na cidade, em 2014.
Desde os ataques de outubro de 2023, o início da guerra em Gaza e no Líbano e, agora, a guerra suspensa contra o Irã, dizem especialistas, o evento ganhou uma camada adicional de agressividade.
— No ano passado, vimos muita violência, muita violência verbal, canções racistas, cusparadas, assédio a meninas voltando da escola — disse Nati, ativista de uma organização judaico-árabe que participou de uma espécie de cordão humano para proteger civis palestinos e suas propriedades durante a marcha, ao Haaretz. — A situação piorou. A cada ano fica pior. No ano passado, houve alguns episódios realmente assustadores.
Um caso de fuga que terminou mal chamou a atenção na última terça-feira (12), na cidade argentina de Rosário. Um homem se pendura na sacada de um prédio e acaba caindo do quarto andar, em cima de uma viatura que estava no local para buscá-lo. O carro amorteceu a queda e pode ter salvado a vida do fugitivo. Segundo o jornal The Sun, a polícia estava no local para resolver uma ocorrência de briga e discussão que o homem de 31 anos estaria envolvido.
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Ainda de acordo com a publicação, ele foi levado para o Hospital de Emergência Clemente Álvarez, onde está em unidade de tratamento intensivo e respirando com o auxílio de um ventilador mecânico. Os médicos confirmaram que ele sofreu múltiplos ferimentos, incluindo um traumatismo craniano e uma fratura no braço.
Homem cai de prédio na Argentina em tentativa de fuga
Reprodução | X | Jorge Diaz
Nas imagens, suas mãos escorregam pela sacada e ele atinge ainda dois guarda-corpos de outras varandas, girando 180º antes de atingir o carro. O homem não teve o seu nome divulgado, mas seria morador daquele mesmo prédio, de onde tentava fugir.
Moradores afirmaram que o estrondo foi tão grande, que pensaram ser uma colisão de ônibus na rua.
Assista o vídeo abaixo:
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (14) medidas para restringir o uso de inteligência artificial durante o período das eleições. Durante o lançamento de unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em Camaçarí (BA), ele avaliou que a manipulação de imagens e vozes, por exemplo, pode favorecer “mentirosos”.

“Eu estava na posse do presidente do Tribunal Superior Eleitoral [ministro Nunes Marques] e ele disse assim: ‘Vou proibir inteligência artificial dois dias antes das eleições’. E eu achei maravilhoso”, contou Lula.

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“O que é inteligência artificial? É a maior evolução desse mundo digital. Posso colocar a cara do Wagner, posso colocar a voz do Wagner, mas não é o Wagner”, disse. “Posso colocar a sua cara, mas não é você. Posso colocar a sua voz, mas não é você. Posso colocar você fazendo uma coisa boa ou fazendo uma coisa ruim”, completou.

No evento, o presidente avaliou que a inteligência artificial ajuda muito em áreas como saúde, educação, ciência e tecnologia.

“Tem uma importância muito grande. Mas, na eleição, será que é necessário inteligência artificial? Na eleição, as pessoas têm que votar numa coisa verdadeira, de carne e osso. As pessoas não podem votar em uma mentira”.

“Você escolheria um padrinho para o seu filho pela inteligência artificial? Ou você quer conhecer uma pessoa que você gosta, que sabe que é decente, que é honesta para dar o seu filho para ser batizado?”, questionou.

“Fiquei pensando o que a gente pode fazer para proibir, em época de eleição, sobre eleição, falar de inteligência artificial na política. Isso vai servir aos mentirosos. Como é mentira, posso falar todo bonitão. E a política é o templo da verdade. O cara que mente na política, deveria cair a língua dele.”

Lula lembrou que o candidato, quando vence o pleito, foi eleito para representar o povo e “não pode mentir”. “É melhor dizer que não pode fazer do que dizer que vai fazer e não fazer”, avaliou. “É importante que a gente tenha em conta o que pode ser feito, do ponto de vista Legislativo, pra gente discutir com verdade esse negócio de inteligência artificial”.

“Se a gente quiser, a gente poder fazer o Lula artificial. Fazer comício em 27 estados no mesmo dia e no mesmo horário. Eu estou lá, mas não estou. Confesso a vocês: um cidadão que aprendeu a ter caráter com a dona Lindu [mãe de Lula] não aceitará inteligência artificial para fazer campanha política”, disse.

“Se tem uma coisa que um político tem que fazer é olhar nos olhos do povo e permitir que o povo olhe nos olhos dele para saber quem está mentindo. Vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: Mentira tem perna curta. Pode causar prejuízo”, concluiu.

 

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