Caso Jeju Air: Ministério dos Transportes sul-coreano é alvo de operação ligada à tragédia aérea que deixou 179 mortos em 2024
Alexander Csergo, de 59 anos, foi condenado na sexta-feira em um tribunal de Sydney. Com a decisão, ele pode enfrentar uma pena de até 15 anos de prisão.
A acusação sustenta que o empresário elaborou relatórios para dois indivíduos identificados apenas como “Ken” e “Evelyn”, que teriam solicitado informações relacionadas à segurança nacional. Para os promotores, o crime não depende de prova de que Csergo soubesse com certeza que estava lidando com agentes de espionagem, mas sim de que agiu de forma imprudente ao continuar colaborando com pessoas que poderiam estar ligadas à inteligência estrangeira.
Segundo as autoridades, o primeiro contato ocorreu enquanto Csergo trabalhava em Xangai, na China.
De acordo com o relato apresentado no Tribunal Distrital de Nova Gales do Sul, em 2021 uma mulher entrou em contato com o empresário afirmando trabalhar para um think tank. Ela organizou um encontro entre Csergo e dois representantes e explicou que seus clientes eram pessoas com negócios na Austrália, na Nova Zelândia e no Canadá.
Posteriormente, Csergo passou a se reunir com duas pessoas identificadas como Ken e Evelyn, a quem entregava os relatórios produzidos. Em troca, recebia pagamentos em dinheiro.
Segundo os promotores, os valores eram entregues em envelopes contendo milhares de dólares durante encontros realizados em cafés e restaurantes. O tribunal também ouviu que esses locais frequentemente estavam completamente vazios, circunstância apontada como suspeita durante o julgamento.
Durante o processo, foi revelado que Ken e Evelyn haviam solicitado relatórios sobre diversos temas estratégicos.
Os assuntos estavam organizados em uma “lista de compras” e incluíam temas como mineração de lítio, minério de ferro, o acordo Aukus e a parceria diplomática Quad.
Essa lista foi encontrada em 2023 durante uma busca na casa de Csergo em Bondi, após ele retornar à Austrália e ser preso pelas autoridades.
Defesa diz que dados eram públicos
A defesa apresentou uma versão diferente dos fatos e argumentou que os relatórios entregues pelo empresário continham apenas informações disponíveis publicamente.
Segundo os advogados, os documentos não incluíam dados secretos ou confidenciais. A defesa também reconheceu problemas nos relatórios, mas afirmou que as irregularidades estavam relacionadas a plágio e citações falsas.
Entre os exemplos mencionados estavam referências a entrevistas que nunca ocorreram, incluindo uma suposta conversa com o ex-primeiro-ministro Kevin Rudd.
De acordo com essa linha de argumentação, os erros cometidos por Csergo seriam comparáveis a fraudes acadêmicas ou jornalísticas, e não a espionagem.
Apesar de as informações fornecidas terem sido consideradas de pouco valor relevante, os promotores argumentaram que o ponto central do caso era outro.
Segundo a acusação, Csergo acreditava que Ken e Evelyn trabalhavam para o Ministério da Segurança do Estado da China e, ainda assim, continuou colaborando com eles.
Para os investigadores, o empresário também acreditava estar sendo preparado como uma possível fonte de informações. O tribunal ouviu ainda que ele mantinha uma relação próxima com Ken, com quem trocou cerca de 2.800 mensagens pelo aplicativo WeChat.
Declarações dadas à polícia
Csergo não testemunhou durante o julgamento e não prestou depoimento em sua própria defesa no tribunal.
Em declarações feitas anteriormente à polícia, no entanto, ele afirmou que acreditava estar sendo vigiado enquanto estava na China. Também disse que os relatórios eram baseados em informações disponíveis gratuitamente na internet e admitiu que algumas entrevistas citadas nos documentos haviam sido inventadas.
O processo também chama atenção pelo contexto legal. Csergo tornou-se apenas o segundo australiano acusado e condenado com base nas leis antiespionagem do país, que foram implementadas em 2018.








