A União Europeia deve incluir a Guarda Revolucionária do Irã — braço armado e ideológico do regime teocrático de Teerã — em sua lista de organizações terroristas nesta quinta-feira, após o anúncio da França de que apoiaria o projeto. A medida repercute na prática como um reconhecimento de que o órgão oficial do aparelho repressor iraniano está no mesmo patamar de organizações como a al-Qaeda e o Estado Islâmico, o que chancelaria ações mais truculentas contra sua infraestrutura e seus integrantes, em um momento em que o país é alvo de ameaças militares dos EUA. Em contrapartida, Rússia e Turquia fizeram acenos à diplomacia, em uma tentativa de desescalar as tensões.
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— Espero que também concordemos em adicionar a Guarda Revolucionária Iraniana à lista de organizações terroristas da UE — disse a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pouco antes de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores do bloco. — Quem age como terrorista deve ser tratado como tal.
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O reconhecimento europeu avançou após a França anunciar apoio a uma iniciativa da Itália para a inclusão da Guarda Revolucionária no classificação terrorista, na quarta-feira. Em uma publicação on-line, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que a posição de Paris — antes relutante em acatar a medida — mudou diante da “repressão insuportável ao levante pacífico do povo iraniano”, em referência aos protestos iniciados no ano passado. “Não pode ficar impune”, disse Barrot.
A Guarda Revolucionária é acusada por organizações de direitos humanos de orquestrar a repressão ao vasto movimento de protesto que abalou o país nas últimas semanas e deixou milhares de mortos. A organização já é considerada um grupo terrorista pela Austrália, Canadá e Estados Unidos. Na Europa, o grupo já enfrenta sanções, e cerca de 21 novos embargos direcionados a indivíduos e entidades, incluindo membros de alto escalão da Guarda, incluindo a proibição de entrada na Europa e o congelamento de seus bens na UE, serão votados na quinta.
Teerã alertou sobre “consequências destrutivas” caso grupo, diretamente subordinado ao aiatolá Ali Khamenei, fosse incluída na lista europeia, e convocou o embaixador italiano devido aos esforços de Roma. A liderança do regime está em alerta máximo devido as pressões do presidente americano, Donald Trump, por um novo acordo nuclear — com uso de uma retórica militarizada.
Na quarta-feira, Trump afirmou que o tempo para um acordo estava acabando, e sugeriu que poderia atacar o território iraniano se não houvesse uma negociação imediata. Autoridades iranianas reagiram prometendo uma forte retaliação, embora tenham sinalizado estar dispostos à diplomacia, desde que livre de ameaças e coações. Nesta quinta, o Exército iraniano anunciou a entrega de mil drones aos seus regimentos de combate — com o comandante Amir Hatami, citado pela televisão estatal, falando em uma “resposta esmagadora a qualquer invasão”.
Mesmo países aliados dos EUA na região, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, mostraram contrariedade com uma possível ação americana no Irã. Lideranças das duas nações árabes disseram que não liberariam seus espaços aéreos para uso tático americano. O maior temor é pela instabilidade que uma queda do regime poderia provocar — algo que o próprio secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, admitiu publicamente. Apesar disso, o Pentágono teria uma série de opções de ataque, caso a decisão seja tomada.
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Arte/O GLOBO
Em meio à escalada ocidental, alguns países tentam intervir. A Turquia se ofereceu nesta quinta-feira para mediar o diálogo entre Washington e Teerã, a fim de desescalar as tensões. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, aceitou participar de uma rodada de conversa com o chanceler turco, Hakan Fidan, na sexta-feira. A parte turca deve reiterar a oposição a qualquer intervenção militar.
O Kremlin também se posicionou nesta quinta-feira, afirmando que ainda há espaço para negociações no impasse entre Teerã e Washington. Em uma coletiva de imprensa diária, o principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou ser “evidente que o potencial para negociações não se esgotou”.
— Qualquer uso da força só pode criar caos na região e levar a consequências muito perigosas — disse.
Em Ancara, apesar da oferta de mediação, a preparação é para para qualquer cenário. Turquia e Irã tem uma fronteira compartilhada de 550 km de extensão. Um alto funcionário ouvido pela AFP na quinta-feira disse que o país estuda maneiras de reforçar sua fronteira em caso de queda do regime iraniano.
— Se os Estados Unidos atacarem o Irã e o regime cair, a Turquia planeja medidas adicionais para fortalecer a segurança de sua fronteira — disse o funcionário, que pediu anonimato (Com AFP)
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O reconhecimento europeu avançou após a França anunciar apoio a uma iniciativa da Itália para a inclusão da Guarda Revolucionária no classificação terrorista, na quarta-feira. Em uma publicação on-line, o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que a posição de Paris — antes relutante em acatar a medida — mudou diante da “repressão insuportável ao levante pacífico do povo iraniano”, em referência aos protestos iniciados no ano passado. “Não pode ficar impune”, disse Barrot.
A Guarda Revolucionária é acusada por organizações de direitos humanos de orquestrar a repressão ao vasto movimento de protesto que abalou o país nas últimas semanas e deixou milhares de mortos. A organização já é considerada um grupo terrorista pela Austrália, Canadá e Estados Unidos. Na Europa, o grupo já enfrenta sanções, e cerca de 21 novos embargos direcionados a indivíduos e entidades, incluindo membros de alto escalão da Guarda, incluindo a proibição de entrada na Europa e o congelamento de seus bens na UE, serão votados na quinta.
Teerã alertou sobre “consequências destrutivas” caso grupo, diretamente subordinado ao aiatolá Ali Khamenei, fosse incluída na lista europeia, e convocou o embaixador italiano devido aos esforços de Roma. A liderança do regime está em alerta máximo devido as pressões do presidente americano, Donald Trump, por um novo acordo nuclear — com uso de uma retórica militarizada.
Na quarta-feira, Trump afirmou que o tempo para um acordo estava acabando, e sugeriu que poderia atacar o território iraniano se não houvesse uma negociação imediata. Autoridades iranianas reagiram prometendo uma forte retaliação, embora tenham sinalizado estar dispostos à diplomacia, desde que livre de ameaças e coações. Nesta quinta, o Exército iraniano anunciou a entrega de mil drones aos seus regimentos de combate — com o comandante Amir Hatami, citado pela televisão estatal, falando em uma “resposta esmagadora a qualquer invasão”.
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O Kremlin também se posicionou nesta quinta-feira, afirmando que ainda há espaço para negociações no impasse entre Teerã e Washington. Em uma coletiva de imprensa diária, o principal porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, afirmou ser “evidente que o potencial para negociações não se esgotou”.
— Qualquer uso da força só pode criar caos na região e levar a consequências muito perigosas — disse.
Em Ancara, apesar da oferta de mediação, a preparação é para para qualquer cenário. Turquia e Irã tem uma fronteira compartilhada de 550 km de extensão. Um alto funcionário ouvido pela AFP na quinta-feira disse que o país estuda maneiras de reforçar sua fronteira em caso de queda do regime iraniano.
— Se os Estados Unidos atacarem o Irã e o regime cair, a Turquia planeja medidas adicionais para fortalecer a segurança de sua fronteira — disse o funcionário, que pediu anonimato (Com AFP)










