Senadores republicanos derrotaram nesta quinta-feira uma tentativa inicial dos democratas de impedir o presidente dos EUA, Donald Trump, de criar um fundo para indenizar seus aliados políticos, embora novas propostas para incluir tal medida no projeto de lei de imigração do partido fossem esperadas ainda hoje, podendo atrair o apoio dos democratas.
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A primeira votação foi sobre uma moção do senador Chuck Schumer, democrata de Nova York e líder da minoria, para devolver o projeto de lei à comissão e adicionar uma proibição à criação do fundo. A moção foi rejeitada por 50 votos a 49, com três republicanos que buscam a reeleição — os senadores Susan Collins, do Maine, Jon Husted, de Ohio, e Dan Sullivan, do Alasca — juntando-se aos democratas em apoio à proposta.
Embora o Departamento de Justiça tenha declarado que não dará mais prosseguimento ao plano de Trump de criar um fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9 bilhões) para pagar pessoas que ele alega terem sido vítimas do governo, a emenda foi uma tentativa dos democratas de forçar os republicanos a votarem sobre o assunto, o que seria politicamente doloroso.
— Os Estados Unidos nunca viram um caso de corrupção tão flagrante quanto o fundo secreto de Donald Trump — destacou Schumer ao apresentar sua moção.
Mas isso também ofereceu uma oportunidade para os senadores republicanos que expressaram preocupação com o fundo obterem garantias dos líderes do Partido Republicano sobre emendas que poderiam apresentar para acabar de vez com a ideia. Entre eles estão os senadores John Cornyn, do Texas, Bill Cassidy, da Louisiana, Lisa Murkowski, do Alasca, e Thom Tillis, da Carolina do Norte.
Todos eles sugeriram que o Congresso deveria agir decisivamente para bloquear o fundo, mesmo depois de Todd Blanche, o procurador-geral interino, ter declarado sob juramento à Câmara esta semana que o fundo estava morto permanentemente.
O Senado ficou paralisado por horas durante a votação, enquanto os republicanos se aglomeravam no plenário em discussões acaloradas sobre como abordar a questão. Collins votou “sim” logo no início, após se reunir no plenário do Senado com os líderes republicanos. Mas Cassidy, Husted e Sullivan adiaram seus votos por horas. Mais tarde, Cassidy disse a repórteres que estava aguardando o melhor acordo possível.
— Eu só queria otimizar as chances de sucesso — declarou ele após votar contra a medida.
Tillis, que também votou contra, disse a repórteres que ele e outros republicanos estavam trabalhando em diversas propostas que “liberariam o fundo” sem comprometer o projeto de lei.
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O impasse foi exatamente o que Schumer havia previsto por dias, ao ameaçar usar o projeto de lei de imigração para pressionar os republicanos em relação ao fundo, ao salão de baile de Trump na Casa Branca e a uma série de outros aspectos impopulares de sua agenda.
Os democratas apresentaram sua proposta como uma votação para forçar cada republicano a responder a uma pergunta básica: eles defendiam ajudar as famílias americanas que sofrem com a crise de acessibilidade a moradia ou apoiavam a corrupção do presidente?
— Os republicanos estão confiando na palavra de Todd Blanche, que construiu sua carreira mentindo, de que o governo simplesmente vai acabar com esse fundo secreto — disse Schumer.
Os republicanos, por sua vez, disseram que o foco no fundo bilionário — que se tornou um grande obstáculo para a aprovação de seu projeto de lei de imigração de US$ 70 bilhões (R$ 354 bilhões), embora a medida seja omissa sobre o assunto — era uma tentativa dos democratas de desviar a atenção de sua oposição ao financiamento do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e da Patrulha da Fronteira.
O senador John Thune, republicano da Dakota do Sul e líder da maioria, discursou na manhã de quinta-feira para tentar manter o foco no projeto de lei de imigração, que deveria ser um ponto de união para o partido. Esperava-se que o Senado votasse o projeto ainda na quinta-feira.
— Estamos aqui hoje somente porque os democratas se recusam a destinar um único dólar para nossas fronteiras e para a aplicação da lei de imigração — afirmou Thune.
Os republicanos estão usando um processo orçamentário especial para aprovar sua medida de imigração no Senado sem sofrer obstrução, o que significa que podem obtê-la sem um único voto democrata.
Mas antes da votação final, eles enfrentaram uma maratona de votações que durou horas e que deve incluir mais votações sobre o fundo, um acordo com a Receita Federal que protege Trump, seus negócios e sua família de auditorias, seu salão de baile na Casa Branca e outras questões nas quais os democratas tentarão colocar os republicanos em uma situação delicada politicamente a poucos meses das eleições legislativas.