O Parlamento Europeu proibiu todos os diplomatas e representantes do Irã de entrarem nas dependências da instituição após a repressão violenta a protestos no país. O anúncio foi feito nesta segunda-feira pela presidente do órgão, Roberta Metsola.
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— Não pode ser como se nada estivesse acontecendo. Enquanto as pessoas corajosas do Irã continuam a lutar por seus direitos e por sua liberdade, hoje tomei a decisão de proibir todo o corpo diplomático e quaisquer outros representantes da República Islâmica do Irã de acessar todas as instalações do Parlamento Europeu — escreveu Metsola na rede social X.
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— Esta Casa não ajudará a legitimar um regime que se sustenta por meio de tortura, repressão e assassinatos — acrescentou.
A proibição valerá para todos os prédios do Parlamento, em Bruxelas e Estrasburgo, onde ocorrem os principais debates, além da secretaria da instituição em Luxemburgo. Na prática, qualquer pessoa portando passaporte iraniano será submetida a verificação na entrada, e aquelas identificadas como ligadas ao regime terão o acesso negado, com efeito imediato.
A decisão ocorre em meio à crescente indignação internacional diante da repressão de Teerã a grandes protestos que se espalharam pelo país nas últimas duas semanas.
Resposta do Irã
O Irã convocou nesta segunda-feira diplomatas que representam França, Alemanha, Itália e Reino Unido em Teerã para protestar contra o que classificou como “apoio desses países aos protestos que abalaram a República Islâmica”, informou o Ministério das Relações Exteriores iraniano.
Segundo a pasta, os diplomatas assistiram a um vídeo com imagens de danos causados por “vândalos” e foram informados de que seus governos deveriam “retirar declarações oficiais de apoio aos manifestantes”. A informação consta de um comunicado citado pela televisão estatal iraniana.
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Em Paris, o Ministério das Relações Exteriores da França confirmou que “embaixadores europeus” foram convocados pelas autoridades iranianas.
A crise
A crise crescente, que começou como um protesto contra problemas econômicos no final do ano passado, representa o que alguns especialistas consideram um dos maiores desafios às autoridades desde a Revolução Islâmica, em 1979, que depôs um monarca pró-EUA. As manifestações rapidamente se transformaram em um movimento de contestação ao regime teocrático que governa o Irã há quase cinco décadas.
As autoridades iranianas afirmam compreender as reivindicações econômicas dos manifestantes, mas criticam os “agitadores”, que, segundo eles, estariam sendo instrumentalizados por potências estrangeiras, lideradas pelos EUA e Israel. Nesta segunda-feira, após inicialmente adotar um tom mais compreensivo frente aos protestos, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, convocou a população a participar de uma “marcha de resistência” em todo o país, para denunciar a violência cometida, segundo ele, por “criminosos terroristas urbanos”.
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A televisão estatal iraniana exibiu imagens de manifestantes aglomerados na Praça Enghelab (Praça da “Revolução Islâmica”), na capital. A emissora classificou a manifestação como um “levante iraniano contra o terrorismo americano-sionista”.
O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, reiterou as ameaças de punição “rápida e severa” para os envolvidos nos protestos, alertando os tribunais para que não mostrem clemência com o que ele chama de “manifestantes violentos”. Na última sexta-feira, Mohseni-Ejei afirmou que “todos os manifestantes violentos” poderiam enfrentar pena de morte.
Cânticos em apoio à monarquia
Um dos fatores que contribuíram para a mobilização em massa nos últimos quatro dias foram os apelos às ruas feitos por alguns grupos ativistas e por Reza Pahlavi, filho do xá deposto na revolução de 1979. Vídeos de diversos protestos mostram que cânticos em apoio aos Pahlavi — algo impensável para os movimentos de protesto iranianos da última década — estão se tornando cada vez mais comuns. Pahlavi, que vive exilado, pediu aos manifestantes, em uma declaração em vídeo, que não abandonassem as ruas.
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No domingo, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu que bases militares e centros navais dos Estados Unidos seriam considerados “alvos legítimos” caso Washington realize um ataque. A declaração reforçou o risco de escalada em uma região já marcada por tensões elevadas, especialmente após confrontos recentes envolvendo Israel, Síria e grupos armados apoiados por Teerã.
Além da incerteza sobre uma nova guerra no Irã, como a de 12 dias que aconteceu em junho do ano passado, muitos países vizinhos temem que o país, com mais de 90 milhões de habitantes, possa mergulhar em uma guerra civil semelhante à da Síria, com levantes separatistas em províncias povoadas por curdos, balúchis e outras minorias, que se espalhariam para além das fronteiras.
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A proibição valerá para todos os prédios do Parlamento, em Bruxelas e Estrasburgo, onde ocorrem os principais debates, além da secretaria da instituição em Luxemburgo. Na prática, qualquer pessoa portando passaporte iraniano será submetida a verificação na entrada, e aquelas identificadas como ligadas ao regime terão o acesso negado, com efeito imediato.
A decisão ocorre em meio à crescente indignação internacional diante da repressão de Teerã a grandes protestos que se espalharam pelo país nas últimas duas semanas.
Resposta do Irã
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Segundo a pasta, os diplomatas assistiram a um vídeo com imagens de danos causados por “vândalos” e foram informados de que seus governos deveriam “retirar declarações oficiais de apoio aos manifestantes”. A informação consta de um comunicado citado pela televisão estatal iraniana.
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