Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Um navio-tanque carregado com petróleo bruto russo parece estar a caminho de Cuba, enquanto a ilha caribenha, assolada pela escassez de combustível, busca um alívio três meses depois de o governo Trump ter efetivamente interrompido o fluxo de petróleo para o país. Dados de empresa de inteligência marítima Kpler mostram uma potencial chegada de um navio-tanque transportando mais de 700 mil barris de petróleo bruto russo, que deve chegar em Cuba até o final do mês.
EUA: Secretário de Estado nega tentativa destituir presidente de Cuba: ‘Mentirosos’
Leia: Brasil vai enviar painéis solares para ajudar Cuba a enfrentar a crise energética
O petróleo russo seria um teste ao embargo dos EUA à ilha e não está claro se algum navio conseguirá entregar o óleo. Desde dezembro, um bloqueio naval dos EUA no Caribe impediu com sucesso que navios se aproximassem de Cuba, enquanto a ameaça de tarifas sobre os países fornecedores de petróleo ao país levou o México a interromper os embarques no início de fevereiro.
O México havia emergido como principal fornecedor de petróleo de Havana após as forças americanas capturarem o líder venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano e interromperem o fluxo de combustível daquele que era o aliado mais fiel da ilha governada pelos comunistas.
Na terça-feira, o navio Anatoly Kolodkin parecia estar a caminho do porto russo de Primorsk para o porto comercial de Matanzas, em Cuba, transportando 730 mil barris de petróleo russo dos Urais, segundo dados da Kpler. Outro petroleiro que estava, segundo a empresa, transportando petróleo russo para Cuba no mês passado, o Sea Horse, voltou a se mover em direção a Cuba depois de ter o curso desviado no mês passado.
Initial plugin text
A chegada de um deles poderá representar o primeiro grande carregamento de combustível após uma longa paralisação. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse na semana passada que seu país não recebia um carregamento de combustível há três meses. Esse seria o período mais longo que Cuba ficou sem receber combustível em pelo menos 12 anos, afirmou Matt Smith, analista da Kpler.
O envio de petróleo bruto não traria alívio imediato a Cuba. Ele precisa ser refinado antes de ser utilizado, um processo que pode levar de 20 a 30 dias, afirmou Jorge Piñon, pesquisador do Instituto de Energia da Universidade do Texas em Austin, que monitora os carregamentos de combustível para o país. “Por isso, nosso argumento é: não enviem petróleo bruto para Cuba”, disse Piñon. “É preciso enviar produto refinado.”
Ainda assim, 700 mil barris de petróleo bruto russo seriam uma ajuda crucial. Cuba precisa de aproximadamente 100 mil barris de petróleo por dia para funcionar, mas produz apenas dois quintos disso, segundo Piñon. A cada dia sem carregamentos de combustível, o país se aproxima do que Piñon chama de “data crítica” — o dia em que ficará sem combustível.
Trump: presidente americano diz que espera ter ‘a honra de assumir o controle de Cuba’
Desde que os EUA impuseram o bloqueio naval, Cuba tem funcionado com o petróleo recebido nos meses anteriores e com sua pequena produção interna de petróleo bruto pesado, usado como matéria-prima para geração de energia em casos de emergência.
A ilha tem sido assolada por cortes de energia e escassez de combustível devido ao embargo americano. A rede elétrica de Cuba sofreu um colapso total na segunda-feira, deixando os 10 milhões de habitantes da ilha no escuro. A falta de energia para tudo, desde hospitais e caminhões de lixo até geladeiras, desencadeou uma crise humanitária cada vez mais profunda em todo o país.
Enquanto a rede elétrica do país estava fora do ar, Trump fez um novo alerta a Cuba, dizendo a repórteres na segunda-feira que acredita que em breve terá “a honra de tomar Cuba”, afirmando que poderia “libertá-la, tomá-la — posso fazer o que quiser”. Havana, por sua vez, anunciou que abrirá sua economia para a diáspora cubana, uma antiga reivindicação da comunidade de exilados em Miami.

Veja outras postagens

As equipes de resgate da Indonésia recuperaram neste domingo os dois últimos corpos dos três excursionistas que morreram durante a erupção do vulcão Dukono, no leste do país, encerrando oficialmente as buscas na região.
O monte Dukono, localizado na ilha de Halmahera, nas Molucas, entrou em erupção na sexta-feira, provocando a morte de dois cidadãos de Singapura e de uma indonésia.
As vítimas faziam parte de um grupo de 20 pessoas acompanhado por um guia. Os outros 17 alpinistas, entre eles sete singapurenses, conseguiram ser evacuados sãos e salvos.
Os corpos dos dois excursionistas de Singapura foram localizados neste domingo perto da área onde, no sábado, os socorristas haviam recuperado os restos mortais da terceira vítima, informou Abdul Muhari, porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres.
Segundo ele, as operações de busca foram oficialmente encerradas.
Initial plugin text
A retirada dos corpos exigiu uma operação complexa. Eles estavam “sepultados sob materiais vulcânicos de espessura considerável”, explicou Muhari.
No sábado, socorristas já haviam informado que os dois corpos estavam entre 20 e 30 metros da borda da cratera.
O Dukono é um dos vulcões mais ativos da Indonésia e permanece no nível dois do sistema nacional de alerta vulcânico, que tem quatro níveis, desde 2008.
Desde dezembro de 2024, as autoridades mantêm uma zona de exclusão de quatro quilômetros ao redor da cratera.
Segundo a polícia, os excursionistas ignoraram avisos divulgados nas redes sociais e placas de advertência instaladas na entrada da trilha para mantê-los afastados da área de risco.
Pelo menos quatro trabalhadores ficaram presos após uma explosão em uma mina de carvão no centro da Colômbia, em mais um acidente grave em uma região marcada por recorrentes tragédias na atividade mineradora.
A explosão ocorreu no fim da tarde de sábado na mina Las Quintas, localizada no povoado de Pueblo Viejo, no município de Cucunubá, no departamento de Cundinamarca, cuja capital é Bogotá.
“Por enquanto, há o registro de quatro trabalhadores presos”, informou Jorge Emilio Rey, governador de Cundinamarca, na rede social X, por volta da meia-noite de sábado para domingo.
O escritório de Gestão de Risco de Cundinamarca também confirmou a emergência.
“Estamos atendendo a emergência”, informou o órgão, acrescentando que “preliminarmente há o registro de quatro pessoas presas”.
Segundo a imprensa local, os trabalhadores estariam a cerca de 500 metros de profundidade.
Região acumula tragédias em minas
Acidentes em minas são frequentes nessa área da Colômbia, muitas vezes associados à má ventilação nos túneis subterrâneos — problema comum sobretudo em explorações ilegais ou artesanais.
Há apenas uma semana, uma explosão em outra mina subterrânea de carvão, no município de Sutatausa, também em Cundinamarca, deixou nove mortos e seis sobreviventes resgatados.
Em fevereiro, outro acidente em uma mina ilegal de carvão em Guachetá, no mesmo município, matou seis trabalhadores.
Além das operações regularizadas, Cundinamarca também concentra minas sem licença, frequentemente alvo de denúncias por descumprimento de normas básicas de segurança.
Pallegama Hemarathana Thero, descrito como um dos monges budistas de mais alta hierarquia do Sri Lanka e uma das figuras religiosas mais reverenciadas do país, foi preso e colocado em prisão preventiva sob acusação de estupro e abuso sexual contra uma adolescente de 15 anos.
Guardião de oito locais sagrados no Sri Lanka, Hemarathana ocupa uma das posições de maior prestígio no budismo do país. Sua prisão representa um episódio raro e de grande repercussão em uma sociedade onde monges budistas exercem influência religiosa, social e política significativa.
A detenção ocorreu após uma representação da autoridade de proteção à criança do Sri Lanka, que criticou a polícia por não ter prendido anteriormente o religioso, apesar de ele já ter sido citado como suspeito no caso.
Segundo reportagem da BBC, Pallegama Hemarathana não comentou publicamente as acusações.
No momento da prisão, realizada no sábado, o monge recebia tratamento em um hospital privado em Colombo. Após audiência inicial, um magistrado determinou sua transferência para o hospital da prisão de Colombo e expediu uma ordem às autoridades de imigração para impedir qualquer tentativa de saída do país.
A mãe da suposta vítima também foi presa e colocada em custódia preventiva. Segundo o conteúdo, ela é acusada de auxiliar e facilitar o abuso.
Pallegama Hemarathana deverá comparecer ao tribunal em 12 de maio.
O caso provoca forte comoção no Sri Lanka não apenas pela gravidade das acusações, mas pelo peso simbólico da queda de uma autoridade religiosa de altíssima hierarquia em um país onde o budismo ocupa lugar central na vida pública.
Israel deportou neste domingo dois ativistas estrangeiros — o brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek — que haviam sido detidos ao tentar chegar à Faixa de Gaza a bordo de uma flotilha humanitária com o objetivo de romper o bloqueio israelense ao território palestino.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
‘Conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Thiago Ávila e Saif Abu Keshek, ativista de origem palestina com nacionalidade espanhola, estavam entre dezenas de participantes da chamada Flotilha Global Sumud, interceptada pelo Exército israelense em 30 de abril, em águas internacionais diante da costa da Grécia.
Os dois foram detidos pelas forças israelenses e levados a Israel para interrogatório. Os demais ativistas foram conduzidos à ilha grega de Creta, onde acabaram libertados.
“Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel” após investigação, informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel na rede X.
Israel “não permitirá nenhuma violação” do bloqueio sobre Gaza, acrescentou a chancelaria israelense.
Críticas à detenção
A prisão dos ativistas provocou reação internacional. Espanha, Brasil e Nações Unidas haviam pedido a libertação rápida da dupla.
Na quarta-feira, no entanto, um tribunal israelense rejeitou um recurso apresentado contra a detenção.
Após a deportação, a ONG israelense Adalah, que representou legalmente os dois ativistas, acusou Israel de agir de forma arbitrária.
“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, afirmou a organização.
“O uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”, acrescentou.
Missão buscava romper bloqueio
A flotilha havia partido da França, da Espanha e da Itália com a proposta de levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio imposto por Israel ao enclave palestino.
Não foi a primeira tentativa.
No ano passado, a primeira viagem da Flotilha Global Sumud também foi interceptada por forças israelenses diante das costas do Egito e de Gaza.
Israel controla todos os pontos de entrada em Gaza, território submetido a bloqueio desde 2007.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, a crise humanitária se agravou fortemente, com escassez severa de alimentos, medicamentos e combustíveis. Em alguns momentos do conflito, Israel interrompeu completamente a entrada de ajuda humanitária no território.
O último voo de repatriação para passageiros e tripulantes do cruzeiro Hondius, afetado pelo surto de hantavírus, partirá na segunda-feira (11), anunciou a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, no porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife, onde o navio atracou.
“O último voo de todo o processo está previsto para amanhã, que é o voo da Austrália”, disse García em uma coletiva de imprensa no porto onde ocorrerá o desembarque dos mais de 100 passageiros e tripulantes do Hondius.
A ministra indicou que, após a operação de ancoragem do navio, que foi “um sucesso”, a equipe médica está avaliando os passageiros. “O que nos informaram é que todos os passageiros permanecem assintomáticos”, disse a ministra. O primeiro grupo a desembarcar é o dos quatorze cidadãos espanhóis, explicou ela.
Os passageiros desembarcarão do navio em barcos que os levarão ao porto, e de lá seguirão em ônibus seguros até o Aeroporto de Tenerife Sul, a 10 minutos de distância, diretamente para os aviões que os levarão de volta aos seus países de origem, sem passar por nenhum outro espaço fechado.
“O próximo país a ser evacuado será a Holanda, que receberá cidadãos da Alemanha, Bélgica, Grécia e parte da tripulação”, e então os diversos voos programados para hoje, domingo (11), começarão a partir, indicou ele.
Os voos seguirão para o Canadá, Turquia, França, Grã-Bretanha, Irlanda e Estados Unidos, antes do voo para a Austrália, que partirá na segunda-feira, acrescentou García.
Edith Eva Eger, psicóloga clínica e autora best-seller cujas experiências traumáticas como prisioneira em campos de concentração nazistas — incluindo ter sido forçada a dançar para Josef Mengele, o notório médico conhecido como o “Anjo da Morte” — permitiram que ela se identificasse com pacientes emocionalmente perturbados e os tratasse, morreu em em sua casa, em San Diego. Ela tinha 98 anos. Sua filha, Audrey Thompson, confirmou a morte.
Saiba mais: Líbano diz que ataque aéreo israelense no sul do país matou oito pessoas
Anitta: ‘Antigamente, eu não tinha dinheiro para nada, só investia no trabalho. Hoje, eu ganho dinheiro para poder ser feliz’
Eger tornou-se psicóloga já na casa dos 50 anos, depois de imigrar para Baltimore, trabalhar em uma fábrica de roupas, criar os filhos e voltar à faculdade. Sua recuperação emocional levou tempo: durante duas décadas após a guerra, ela não falou sobre as privações que sofreu nem sobre as atrocidades que testemunhou. As memórias enterradas assombravam seus pesadelos.
Ela aprendeu que precisava perdoar a si mesma por ter sobrevivido — algo que quase não aconteceu. Quando soldados americanos libertaram Gunskirchen, um subcampo de Mauthausen, na Áustria, em maio de 1945, ela estava quase imóvel em meio a uma pilha de cadáveres, pesando pouco mais de 30 quilos e sofrendo de pneumonia, febre tifoide e pleurisia.
— Eu os liberto — disse ela à Fundação Shoah da USC nos anos 1990, referindo-se a seus captores nazistas. — Não se trata de eu perdoá-los pelo que fizeram comigo. Acho que é principalmente libertar a mim mesma, para investir minha energia no futuro.
Um passo decisivo em sua capacidade de seguir em frente foi ler “Man’s Search for Meaning”, memórias de 1946 do psiquiatra austríaco e sobrevivente de campo de concentração Viktor Frankl. Ele escreveu sobre as escolhas feitas por alguns prisioneiros.
“Nós que vivemos em campos de concentração conseguimos nos lembrar dos homens que caminhavam pelos barracões confortando os outros, entregando seu último pedaço de pão”, escreveu ele. “Talvez fossem poucos, mas oferecem prova suficiente de que tudo pode ser tirado de um homem, exceto uma coisa: a última das liberdades humanas — escolher sua atitude diante de qualquer conjunto de circunstâncias, escolher seu próprio caminho.”
Edith Eva Eger nos anos 1950, em El Paso
Acervo da família Eger/via The New York Times
Edith Eva Eger
Acervo da família Eger/via The New York Times
‘A liberdade é uma escolha’
Eger descrevia seu próprio estilo de terapia — para pacientes que incluíam pessoas com câncer e militares com transtorno de estresse pós-traumático e lesões cerebrais traumáticas — como uma escolha de encontrar liberdade em relação ao sofrimento, uma jornada psicológica em que compaixão, humor, otimismo, curiosidade e autoexpressão eram fundamentais.
“Essas são as ferramentas que meus pacientes usam para se libertar das expectativas impostas pelos papéis sociais, para serem pais gentis e amorosos consigo mesmos, para parar de transmitir crenças e comportamentos aprisionadores, para descobrir que o amor surge como resposta no fim”, escreveu ela em sua autobiografia, “The Choice: Embrace the Possible” (2017, com Esmé Schwall Weigand), best-seller de bolso do New York Times sobre o qual ela foi entrevistada por Oprah Winfrey. No Brasil, o livro ganhou o título “A liberdade é uma escolha: Lições práticas e inspiradoras para ajudar você a se libertar de suas prisões mentais”.
No livro, ela descreveu o tratamento de um garoto de 14 anos que fazia comentários preconceituosos. “Eu lutava contra a inclinação de apontar o dedo, cerrar o punho, fazê-lo sentir-se responsável por seu ódio — sem assumir responsabilidade pelo meu próprio”, escreveu ela. “Esse garoto não matou meus pais. Negar meu amor a ele não venceria seu preconceito.”
Entenda: Irã confirma presença na Copa do Mundo, mas faz 10 exigências aos anfitriões
Gradualmente, ao longo da primeira sessão entre eles, “ele já não falava mais sobre matar”, escreveu. “Ele me mostrou seu sorriso gentil. E eu assumi a responsabilidade de não perpetuar hostilidade e culpa, de não me curvar ao ódio e dizer: ‘Você é demais para mim.’”
A história de Edith
Edith Eva Eger nasceu Edith Eva Elefánt em 29 de setembro de 1927, em Kosice, Tchecoslováquia — atualmente parte da Eslováquia e anteriormente integrante do Império Austro-Húngaro. Seu pai, Lajos, era alfaiate e estilista de alta-costura, e sua mãe, Ilona (Klein) Elefánt, cuidava da casa.
A jovem Edith era bailarina e ginasta. À medida que o antissemitismo crescia na Hungria, ela foi expulsa da equipe húngara de treinamento olímpico por ser judia. (Os Jogos Olímpicos de Verão de 1940 e 1944 já haviam sido cancelados por causa da Segunda Guerra Mundial, mas ainda havia esperança de competir nos Jogos de 1948.)
Mas seu treinador insistiu para que ela treinasse sua substituta, o que ela fez, determinada a tornar a outra garota o melhor possível.
Logo depois de a Alemanha invadir a Hungria em março de 1944, a casa da família Elefánt foi invadida. Edith, sua irmã Magda e seus pais foram enviados para Auschwitz; Lajos e Ilona foram para as câmaras de gás no mesmo dia em que chegaram. A irmã de Edith, Klara, uma violinista prodígio ainda criança, sobreviveu à guerra escondida na casa de sua professora em Budapeste.
Naquela noite, depois que Josef Mengele soube que Edith era bailarina, exigiu que ela dançasse para ele. Enquanto se apresentava nos barracões ao som da valsa “Blue Danube”, tocada por uma orquestra de prisioneiros, ela imaginava estar se apresentando na casa de ópera de Budapeste, embora, como escreveu mais tarde, soubesse que estava “dançando no inferno”.
Como recompensa, Mengele jogou para ela um pão, que dividiu com a irmã e os outros prisioneiros. Ao longo do ano seguinte, ela, a irmã e outros prisioneiros deixaram Auschwitz foram forçados a viajar sobre vagões de trem usando vestidos listrados para desencorajar bombardeios aliados e trabalharam em fábricas. Depois de algum tempo em Mauthausen, foram obrigados a marchar 27 milhas até Gunskirchen, libertado pelo Exército dos EUA no início de maio de 1945.
Durante sua recuperação, Eger conheceu Albert Bela Eger, combatente da resistência cuja família possuía um negócio atacadista de alimentos em um hospital para tuberculose. (Ele tinha a infecção; ela sofria com líquido nos pulmões.)
Eles se casaram em novembro de 1946; a primeira filha do casal, Marianne, nasceu no ano seguinte. A família imigrou para os Estados Unidos em 1949, vivendo primeiro em Baltimore e depois em El Paso, onde morava um primo dele.
A psicologia
Albert tornou-se contador público certificado. Edith acabou retornando à faculdade, obtendo um diploma de bacharel em 1969 e um mestrado em 1974, ambos em psicologia, pela University of Texas at El Paso, além de ter lecionado psicologia no ensino médio por alguns anos.
Saiba mais: Chefe da OMS desembarca na Espanha para acompanhar chegada de cruzeiro com hantavírus às Ilhas Canárias, que se preparam para operação inédita
Ela treinou no departamento de psiquiatria do William Beaumont Army Medical Center, em El Paso, localizado nas instalações de Fort Bliss, e obteve seu doutorado em psicologia clínica pela Saybrook University, em Oakland, Califórnia, em 1978. Atendeu pacientes em consultório particular em El Paso antes de se mudar para San Diego em 1987.
Ela estudou psicologia porque “gostava de conversar com as pessoas sobre suas vidas emocionais”, disse sua filha Marianne Engle, psicóloga clínica e esportiva, em entrevista:
— Ela queria que você conversasse com ela para poder descobrir algo em si mesmo que ainda não tinha percebido.
Edith e Esmé Schwall Weigand também escreveram “The Gift: 14 Lessons to Save Your Life” (2020) e “The Ballerina of Auschwitz” (2024), uma versão para jovens adultos de “The Choice: Embrace the Possible”.
Além das filhas, Engle e Audrey Thompson, Eger também deixa um filho, John; cinco netos; e 12 bisnetos. Albert, de quem Edith se divorciou em 1969 e com quem voltou a se casar em 1971, morreu em 1993. Um breve casamento com Mort Winski terminou com a morte dele, em 2003.
O retorno à Auschwitz
Em 1981, Edith foi convidada para falar a um grupo de 600 capelães do Exército em um local que havia sido ponto de encontro de oficiais da SS em Berchtesgaden, refúgio de Hitler nos Alpes da Baviera.
Ela já havia falado para públicos militares antes, mas aquilo era diferente. Perguntava-se se a viagem desencadearia flashbacks. Depois de inicialmente decidir que não queria ir, seu então marido lhe disse:
— Se você não for para a Alemanha, então Hitler venceu a guerra.
Ela fez a viagem — durante a qual ela e o marido dormiram em um quarto que havia sido destinado a Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler — e depois seguiu para Auschwitz.
— Ela estava caminhando por lá e viu um homem de uniforme, então começou a entrar em pânico — disse a filha Engle. — Então percebeu que estava com uma bolsa Prada e um passaporte americano, e que era livre para ir embora, enquanto o homem que trabalhava ali não podia. Meu pai dizia que o mais incrível é que ela saiu de Auschwitz chutando e dançando. Ela estava feliz.
Ela acrescentou:
— Minha mãe era linda, mas sempre havia tristeza em seus olhos. Quando voltou dessa viagem, toda a tristeza tinha desaparecido.
O cruzeiro Hondius chegou neste domingo (10) escoltado por um barco da Guarda Civil às imediações do porto de Granadilha, no sul da ilha espanhola de Tenerife, informaram a jornalistas da AFP.
A expectativa é de que a embarcação, onde foi causada a morte de três pessoas e que tem mantido em alerta as autoridades sanitárias, irá ancorar nas próximas horas no porto para evacuar os passageiros e parte da tripulação— sem informação de novos casos— antes de prosseguir para sua base na Holanda.
O último balanço da OMS registra um total de seis casos confirmados entre oito suspeitos, que incluem um casal de passageiros holandeses e uma alemã que morreram em função do vírus – conhecido, mas pouco frequente e para o qual não há vacina ou tratamento.
Militantes detonaram um carro-bomba em um posto de controle no noroeste do Paquistão e abriram fogo contra a polícia, matando pelo menos 12 pessoas e ferindo cinco, disseram autoridades neste domingo (10).
“Na noite passada, na área de Fateh Khel, em Bannu, um homem-bomba lançou um veículo carregado de explosivos contra um posto de controle policial, após o que vários militantes entrarem no local”, disse à AFP o policial de Bannu, Muhammad Sajjad Khan, acrescentando que 12 policiais foram confirmados mortos e um está desaparecido.
A Rússia vem transferindo ao Irã componentes para drones através do Mar Cáspio, e assim tem ajudado Teerã a reconstruir suas capacidades ofensivas após perder cerca de 60% desses equipamentos desde o início da guerra com os Estados Unidos e Israel, em fevereiro. Segundo fontes, que falaram de forma reservada, Moscou também tem enviado ao aliado mercadorias, que normalmente passariam pelo Estreito de Ormuz, a fim de contornar o bloqueio naval dos EUA.
‘Planejamento rigoroso’: Reino Unido anuncia envio de destróier ao Oriente Médio e diz se preparar para missão no Estreito de Ormuz
Mesmo ferido e isolado: líder supremo do Irã influencia estratégia da guerra e negociações com EUA, diz CNN
O Mar Cáspio, antes negligenciado, assumiu nova importância como rota comercial que liga a Rússia ao Irã. Para os dois países, que estiveram envolvidos em diversas guerras e são os que mais enfrentam sanções ocidentais, a hidrovia oferece uma passagem tanto para o comércio aberto quanto para o clandestino — remessas que ajudaram Teerã a persistir como um adversário real dos EUA, apesar da esmagadora superioridade militar americana.
Autoridades iranianas afirmaram que os esforços para abrir rotas comerciais alternativas estão “progredindo rapidamente”, com quatro portos iranianos ao longo do Mar Cáspio “operando ininterruptamente” para importar trigo, milho, ração animal, óleo de girassol e outros suprimentos.
Em entrevista à emissora estatal iraniana IRIB, Mohammad Reza Mortazavi, presidente da Associação das Indústrias Alimentícias do país, afirmou que o Irã está ativamente redirecionando as importações de alimentos essenciais através do Mar Cáspio.
Tanto as declarações de toridades comerciais russas quanto as estatísticas portuárias indicam um rápido aumento no transporte marítimo pelo Mar Cáspio nos últimos meses. Vitaly Chernov, chefe de análise do PortNews Media Group, que monitora o setor marítimo russo, registrou 2 milhões de toneladas de trigo russo transportadas pelo Mar Cáspio este ano. Ates, elas eram enviadas ao Irã pelo Mar Negro, agora sob ameaça de ataques ucranianos.
— Diante da instabilidade no Oriente Médio, as rotas pelo Mar Cáspio para o Irã parecem muito mais atraentes — afirmou Chernov.
Com uma ‘conta’ de US$ 270 bilhões: demandas do Irã por reparações de guerra são impasse em negociações com os EUA
Alexander Sharov, diretor da RusIranExpo, organização que auxilia exportadores russos a encontrar compradores iranianos, estima que o volume de carga transportada pelo Cáspio poderá dobrar este ano. Para ele, embora as sanções ocidentais tenham deixado algumas grandes empresas relutantes em enviar mercadorias pelo Mar Cáspio, a crise de Ormuz poderá ajudar a superar esse obstáculo.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
Maior que o Japão, o Mar Cáspio é considerado o maior lago do mundo. Grande parte do comércio que passa por ele é opaco. Monitorá-lo à distância tem se mostrado difícil, pois os navios que navegam na rota entre portos russos e iranianos costumam desligar os transponders que permitem rastreamento por satélite, revelam grupos de monitoramento marítimo. Diferentemente do Golfo Pérsico, os EUA não conseguem interceptar facilmente navios no Mar Cáspio, pois apenas os cinco países que o margeiam (além de Rússia e Irã, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão) têm acesso a ele.
— Se você pensar no lugar ideal para burlar sanções e realizar entregas militares [sem alarde], esse lugar é o Mar Cáspio — afirma Nicole Grajewski, professora especializada em Irã e Rússia no Sciences Po, em Paris.
Os envios de drones demonstram a estreita parceria de defesa entre Moscou e Teerã. Embora seja improvável que as peças russas desempenhem um papel decisivo na guerra, elas ajudam a reforçar o arsenal de drones de Teerã. Se os envios continuarem, de acordo com autoridades americanas, ajudarão o Irã a reconstruir rapidamente esse arsenal.
Importância estratégica
Para a Rússia e o Irã, a importância estratégica do Mar Cáspio é evidente há muito tempo. Há duas décadas, eles vêm desenvolvendo planos para construir um corredor comercial ligando o Mar Báltico ao Oceano Índico, com 7.200 quilômetros de extensão, atravessando o oeste da Rússia e, em seguida, a bacia do Cáspio, a fim de evitar as rotas comerciais ocidentais. Essas ambições existem principalmente no papel, mas incluem a substituição da frota mercante obsoleta e a construção de novas instalações portuárias e uma nova linha férrea.
Especialistas questionam se os conflitos que envolvem ambas as nações não teriam consumido os consideráveis ​​recursos necessários para construir a infraestrutura desses projetos. Entre outros problemas, trechos rasos do Mar Cáspio podem limitar a navegação.
O comércio no Mar Cáspio representa um delicado equilíbrio para o presidente russo, Vladimir Putin. Com um número cada vez menor de aliados no Oriente Médio, Putin deseja apoiar o Irã, mas a ajuda militar escancarada corre o risco de antagonizar o presidente americano, Donald Trump, bem como países árabes importantes para o comércio energético da Rússia.
Aliança em desgaste: Arábia Saudita barra operação de Trump no Estreito de Ormuz ao negar uso de bases e espaço aéreo
O Mar Cáspio continua sendo um desafio significativo também para os EUA, em parte por representar algo como um “ponto cego diplomático”.
— Para os formuladores de políticas americanas, o Mar Cáspio é um buraco negro geopolítico; é quase como se não existisse — afirma Luke Coffey, pesquisador sênior do Hudson Institute.
A importância potencial do Mar Cáspio tornou-se mais evidente para os planejadores nos EUA e na Europa Ocidental após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Moscou voltou a usar navios no Mar Cáspio para disparar mísseis contra alvos na Ucrânia, como já havia feito na Síria.
Em janeiro de 2025, a Rússia e o Irã assinaram um amplo tratado de cooperação. Autoridades europeias afirmaram que, desde então, os dois países continuaram compartilhando tecnologia e táticas militares. Ao longo da guerra, a Rússia aprimorou o projeto e o desempenho de seus drones e começou a produzi-los internamente. Avanços que, segundo especialistas, foram compartilhados com o Irã.
— A Rússia e o Irã encontraram maneiras de contornar o regime de sanções — sintetizou Anna Borshchevskaya, especialista em política russa para o Oriente Médio no Instituto de Washington. — Por meio dessa pequena, porém importantíssima rota comercial, a Rússia pode fornecer muita ajuda ao Irã.
Em um dos eventos mais aguardados do calendário do Kremlin, a parada do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial na Europa, o presidente russo, Vladimir Putin, fez mais um de seus aguerridos discursos contra o Ocidente e em defesa da guerra na Ucrânia, no qual chamou as tropas de Kiev de “força agressiva” apoiada pela Otan. Mas o desfile foi marcado pela ameaça de um ataque ucraniano e pela redução de seu tamanho, um movimento interpretado por alguns como sinal de fraqueza. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress