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Um jovem de 21 anos foi encontrado morto no fim de semana em Lake Lanier, na Geórgia, nos Estados Unidos, depois de desaparecer enquanto nadava com amigos. A vítima foi identificada por autoridades e familiares como Terrell Shelton, morador de Pendergrass.
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Segundo o Gabinete do Xerife do Condado de Hall, Shelton desapareceu nas águas do lago, nas proximidades de Robinson Park, por volta das 14h40 de sábado, 13 de junho, no horário local. De acordo com a investigação inicial, o jovem nadava com amigos em direção a uma ilha quando sumiu.
“De acordo com a investigação inicial, o homem de 21 anos estava nadando até uma ilha com amigos”, informou o departamento. “Quando os amigos olharam para trás, não conseguiram mais vê-lo e acreditaram que ele havia afundado e não voltou à superfície.”
O Lago Lanier, no estado americano da Georgia
Reprodução: Explore Georgia
Equipes do Gabinete do Xerife do Condado de Hall, do Corpo de Bombeiros e Resgate do condado e do Departamento de Recursos Naturais da Geórgia foram acionadas para a ocorrência. Unidades marítimas, barcos de resgate e equipes de mergulho fizeram buscas durante a tarde e a noite. Segundo as autoridades, a área onde o jovem foi visto pela última vez tem cerca de 30 pés de profundidade, o equivalente a aproximadamente nove metros.
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As operações de mergulho continuaram até cerca de 21h de sábado, quando foram suspensas por causa da escuridão. As buscas foram retomadas na manhã de domingo. O corpo de Shelton foi localizado por volta de 23h30, a cerca de 14 pés de profundidade, aproximadamente quatro metros, e recuperado com o auxílio de um veículo operado remotamente. A morte de Shelton segue sob investigação.
“Honestamente, eu estava tremendo, estava em pânico”, disse Calista Shelton, irmã de Terrell, à afiliada ABC WSB. “Meu irmão é um bom nadador. Como isso pôde acontecer? Eu não sei o que pode ter acontecido no intervalo em que ele estava indo para aquela ilha.”
Calista organizou uma campanha no GoFundMe em memória do irmão. “Nossa família está devastada por essa perda repentina e inimaginável”, escreveu. “Ele era profundamente amado por sua família, amigos e por todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Sua bondade, sua risada e sua presença traziam tanta alegria para aqueles ao seu redor, e o vazio deixado para trás é impossível de colocar em palavras.”
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Em uma homenagem separada publicada no Facebook, ela também lamentou a morte do irmão. “Terrell, eu queria ter tido mais tempo com você”, escreveu. “Queria que pudéssemos ter mais uma conversa, mais uma risada, mais uma lembrança. Você sempre será meu irmão, e eu vou carregá-lo comigo pelo resto da minha vida.”
“Por favor, mantenham nossa família, o namorado dele e todos que o amavam em seus pensamentos e orações enquanto atravessamos essa perda devastadora”, acrescentou.
Lake Lanier é um dos lagos recreativos mais movimentados dos Estados Unidos. Segundo o site do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, o local tem mais de 690 milhas de margem, o equivalente a mais de 1.100 quilômetros, e 76 áreas recreativas. O lago é aberto a atividades como piqueniques, camping, navegação, natação, trilhas e pesca.
A morte de Shelton é a sétima por afogamento registrada em Lake Lanier neste ano. Entre 1994 e outubro de 2020, houve 203 mortes relacionadas a natação e navegação no local, segundo o Departamento de Recursos Naturais da Geórgia.
O lago também é cercado por lendas e relatos que o descrevem como “assombrado” ou “amaldiçoado”, conforme já relataram CNN, The Guardian e Yahoo News. Ao longo dos anos, discussões na internet passaram a apontar a história complexa da região, incluindo restos de estradas, construções e cemitérios que foram inundados quando o reservatório foi criado, na década de 1950.
Muitos também mencionam Oscarville, uma comunidade majoritariamente negra cujos moradores foram expulsos violentamente do condado de Forsyth em 1912, antes de a área ser submersa pelo lago décadas depois. Essa história alimentou teorias, documentários, podcasts e publicações nas redes sociais que retratam Lake Lanier como um lugar amaldiçoado ou assombrado.
Autoridades de segurança pública, no entanto, apontam explicações mais práticas para a reputação do lago. Milhões de pessoas visitam Lake Lanier todos os anos, e as equipes de emergência atendem regularmente acidentes com barcos, afogamentos e resgates na água. Destroços submersos, quedas repentinas de profundidade, baixa visibilidade e tráfego recreativo intenso podem criar condições perigosas para nadadores e navegadores.

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O veterano político trabalhista Andy Burnham venceu nesta sexta-feira uma eleição suplementar considerada crucial no Reino Unido, garantindo uma cadeira no Parlamento britânico e abrindo caminho para uma possível disputa pela liderança do Partido Trabalhista contra o primeiro-ministro Keir Starmer. Burnham, prefeito da Grande Manchester e figura de destaque dentro da legenda, derrotou com folga o candidato do partido de extrema direita Reform UK no distrito eleitoral de Makerfield, no noroeste da Inglaterra.
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Ex-ministro da Saúde, o político de 56 anos havia afirmado que pretendia desafiar Starmer pelo comando do partido e precisava vencer a votação para poder iniciar essa movimentação. Segundo as regras trabalhistas, candidatos à liderança precisam ocupar uma cadeira na Câmara dos Comuns. Em discurso após a vitória, Burnham afirmou que o resultado representa uma oportunidade para mudanças dentro da legenda.
— Digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar — declarou após conquistar quase 55% dos votos e superar Robert Kenyon, do Reform UK, por mais de 9 mil votos. — Foi isso que as pessoas me disseram diretamente nas centenas de portas em que bati. Precisamos ouvi-las, agir de acordo com o que dizem e fazer isso da maneira certa. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.
Starmer parabenizou Burnham pela vitória em uma publicação no X: “Os eleitores votaram na campanha trabalhista em favor da esperança e do otimismo, em vez da divisão e do ódio”, escreveu o premier. No cargo desde julho de 2024, Starmer enfrenta crescente pressão após o Partido Trabalhista sofrer uma derrota expressiva em eleições realizadas na Inglaterra, Escócia e País de Gales no mês passado.
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O líder britânico também foi alvo de críticas após sucessivas mudanças de posição em políticas de governo e por causa da nomeação de Peter Mandelson, ex-sócio do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, para o cargo de embaixador em Washington. Dezenas de parlamentares trabalhistas pediram sua renúncia e vários ministros deixaram seus cargos. Starmer insiste que pretende permanecer no cargo, afirmando que a vitória eleitoral de 2024 lhe garantiu um mandato de cinco anos.
‘Rei do Norte’
A candidatura de Burnham foi viabilizada após o deputado trabalhista Josh Simons renunciar ao assento de Makerfield para permitir o retorno do prefeito ao Parlamento. A medida chamou atenção para o distrito eleitoral, que possui cerca de 77 mil eleitores.
Pesquisas citadas durante a campanha apontam Burnham, apelidado de “rei do norte” após conquistar três mandatos consecutivos como prefeito, como o político trabalhista mais popular do país e indicam que ele venceria uma disputa direta contra Starmer. A eleição suplementar também foi vista como um teste para medir a capacidade de Burnham de derrotar o Reform UK de Nigel Farage. A região de Makerfield é predominantemente branca e de classe trabalhadora, perfil considerado favorável à legenda de extrema direita.
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A campanha de Robert Kenyon foi prejudicada por comentários ofensivos feitos por ele nas redes sociais sobre mulheres. Além disso, o pequeno partido de extrema direita Restore Britain acabou dividindo votos com o Reform UK. A participação eleitoral foi de 59%, a mais alta registrada em uma eleição suplementar nos últimos sete anos, com mais de 45 mil votos contabilizados.
Burnham, deputado entre 2001 e 2017, integra a ala moderadamente à esquerda do Partido Trabalhista e é um crítico frequente da orientação mais centrista adotada por Starmer. Ele tomará posse como parlamentar na segunda-feira. Para iniciar formalmente uma disputa pela liderança do partido, precisará reunir o apoio de pelo menos 81 dos mais de 400 deputados trabalhistas, número considerado alcançável por seus aliados.
Na quarta, Starmer afirmou estar disposto a oferecer a Burnham um “papel importante” no governo para evitar uma disputa interna. Segundo a imprensa britânica, a proposta foi rejeitada pela equipe do então prefeito. Horas após a vitória de Burnham, Starmer voltou a afirmar que pretende enfrentar qualquer tentativa de destituí-lo da liderança.
— Se houver uma disputa, então sim, eu concorrerei, eu permanecerei na disputa. Já disse repetidamente que não vou simplesmente me afastar disso — declarou a jornalistas em Londres.
(Com AFP)
Uma mulher viveu por mais de um ano com o corpo da mãe dentro de casa antes de tirar a própria vida na cidade da Trofa, ao norte de Portugal. Os corpos de Adelaide Sousa, de 80 anos, e da filha, Ângela Pinho, de 60, foram encontrados em avançado estado de decomposição durante buscas realizadas na manhã desta quinta-feira.
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De acordo com as autoridades, Adelaide Sousa morreu em 2024. A filha, que apresentava transtornos mentais, manteve o corpo da mãe na residência até tirar a própria vida em 2025. As duas moravam sozinhas no imóvel.
Os corpos foram localizados pela Polícia Judiciária do Porto.
Segundo o Jornal de Notícias, a Polícia Judiciária acionou os Bombeiros Voluntários da Trofa por volta das 10h30 para abrir a porta da residência. Durante a entrada no imóvel, os bombeiros encontraram os dois corpos já sem vida.
Ainda conforme o jornal, havia indícios de que as mortes haviam ocorrido havia bastante tempo.
Vizinhos não viam mãe e filha desde 2025
O portal Notícias da Trofa informou que Adelaide Sousa estava acamada e era cuidada pela filha. Ainda de acordo com o veículo, mãe e filha não eram vistas pelos vizinhos desde outubro do ano passado.
A descoberta provocou perplexidade entre moradores da região.
— Isto é macabro — afirmou Isabel Araújo, sobrinha de uma vizinha de Adelaide Sousa e Ângela Pinho.
Maria das Dores Silva, que mora ao lado da residência localizada na Avenida de Mosteirô, no centro da Trofa, disse ter ficado em choque ao saber da morte das vizinhas, encontradas após cerca de nove meses sem serem vistas em público.
— Nem quero acreditar. Passei tantos meses aqui ao lado de duas pessoas mortas — declarou.
O bombardeio de Israel ao sul do Líbano foi o fator que provocou o revés nas negociações entre Estados Unidos e Irã, levando ao cancelamento da reunião desta sexta-feira, na Suíça, na qual se discutiria detalhes dos termos do acordo entre os dois países. Um dos pontos centrais da negociação era justamente a interrupção dos ataques ao Líbano. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um caderno de composição de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) — um manuscrito que inclui sete peças para harpa e flauta — foi encontrado por um curador da Biblioteca Nacional da França (BnF), em Paris, conforme anunciou a instituição nesta sexta-feira (19).
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“É uma grande descoberta, reconhecida pelos especialistas”, afirmou Gilles Pécout, diretor da BnF, acrescentando que a peça revela informações “sobre o jovem professor Mozart” e documenta “a última estadia parisiense” do músico em 1778.
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O caderno contém uma dúzia de “lições de composição” do músico austríaco (1756-1791). O compositor deu aulas diariamente em Paris, de maio a julho de 1778, “a Marie-Louise-Philippine de Bonnières de Guînes, filha do duque de Guînes, excelente harpista”, como explica François-Pierre Goy, curador do departamento de música da BnF e responsável pela descoberta extraordinária.
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O caderno foi encontrado em 2 de fevereiro na BnF, quando Goy examinava um pacote de quase 20 manuscritos anônimos, que o especialista pretendia analisar antes da aposentadoria.
Manuscrito com composições inéditas de Mozart é encontrado na França
Kenzo Tribouillard/AFP
“Nem de longe poderia imaginar o que encontraria”, confessou Goy. Ao observar as notas e os pentagramas, alguns elementos “característicos” da escrita chamaram sua atenção, como “as claves de sol bastante arredondadas, levemente inclinadas para a frente” ou “a clave de fá” traçada no sentido inverso à maneira que é representada na França.
Ao compará-lo com outros manuscritos digitalizados, o papel utilizado, francês, e o fato de o caderno ter os mesmos selos que uma cópia francesa do “Concerto para flauta e harpa” de Mozart, encomendada pelo duque de Guînes, reforçaram a ideia de que se tratava do compositor austríaco.
O documento foi submetido a uma perícia e sua atribuição foi validada no fim de abril pela Biblioteca Mozartiana da fundação Mozarteum de Salzburgo, cidade natal do músico.
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As 44 páginas incluem também “sete peças para flauta e harpa”, das quais a última está inacabada, como afirma Goy ao apresentar o caderno, muito bem conservado. As peças “partem sempre de uma ideia proposta por Mozart”, segundo a BnF. Ao final, “as mãos do mestre e da aluna” se misturam nelas “em proporções variáveis”.
Por exemplo, “ele escreve a parte da harpa” e pede à duquesa “que escreva a parte da flauta”. Depois, eles trocam”, disse Goy. No próximo domingo (21), dia da Festa da Música na França, as sete peças inéditas, com duração total de 20 minutos, serão interpretadas, pela primeira vez, pela Orquestra Filarmônica da ‘Radio France’.
Pelo menos 16 pessoas foram mortas no sul do Líbano após uma série de ataques realizados por Israel na madrugada desta sexta-feira. Forças Armadas israelenses disseram ter atingido integrantes e infraestrutura do Hezbollah em várias áreas do país e justificaram as operações como uma resposta a repetidas violações do cessar-fogo pelo grupo. As ofensivas fizeram com que a delegação iraniana adiasse sua chegada à Suíça para discutir a implementação do acordo firmado nesta semana entre Washington e Teerã para encerrar a guerra.
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Segundo uma fonte diplomática ouvida pelo jornal israelense Haaretz, o cancelamento das negociações não foi uma surpresa. O Irã, disse, tentou “impor” às demais partes negociadoras sua interpretação do memorando de entendimento, que, uma vez assinado, determina o fim imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Na madrugada, a Suíça confirmou o adiamento das conversas, sem apresentar uma nova data. Horas antes, a Casa Branca já havia antecipado que o vice-presidente americano, JD Vance, havia cancelado a viagem que faria ao país para participar do início das negociações. Um porta-voz afirmou que a logística das conversas “nunca foi simples nem previsível”, mas que espera iniciar as discussões “o quanto antes”.
Citando “violações de cessar-fogo”, Israel afirmou ter atacado mais de 80 alvos do Hezbollah durante a noite, incluindo centros de comando, posições de lançamento e outras estruturas que classificaram como “terroristas”. Em nota, militares disseram que dezenas de integrantes do grupo foram mortos nos ataques. Quatro soldados israelenses também morreram em combate no sul do Líbano, nas primeiras baixas registradas desde a assinatura do acordo entre Estados Unidos e Irã.
“Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar. Todo o Líbano deve arder em chamas”, disse o ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, no X, acrescentando: “Com todo o respeito aos americanos, Israel deve deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à mercê. No Oriente Médio, não se vence com respostas comedidas e contenção”.
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A escalada levou a França a pedir que Israel respeite os termos do entendimento firmado entre Washington e Teerã. O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que o acordo prevê a cessação das hostilidades e defendeu que os EUA exerçam pressão sobre o governo israelense para garantir seu cumprimento.
— Esse acordo prevê a cessação das hostilidades. O governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para garantir que isso aconteça — declarou o ministro à rádio FranceInfo.
Implementação do acordo
As conversas previstas para esta sexta tinham como objetivo iniciar a fase de implementação do acordo assinado na quarta pelos presidentes americano, Donald Trump, e iraniano, Masoud Pezeshkian. Segundo informações divulgadas pelos dois governos, o memorando estabelece um prazo de 60 dias para negociações mais detalhadas e prevê a diluição dos estoques iranianos de urânio altamente enriquecido, além da suspensão de sanções apoiadas por Washington, permitindo ao Irã retomar livremente as exportações de petróleo.
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O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na rede X que Teerã responderá a qualquer descumprimento do acordo. Em caso de “má-fé, quebra de acordo ou exigências excessivas” por parte dos EUA, escreveu, o Irã “não hesitará em impor uma resposta esmagadora ao inimigo”. Em outro post, disse que as negociações com Washington continuarão limitadas pelas “linhas vermelhas” de Teerã.
— Como demonstramos em negociações anteriores, somos firmes no cumprimento das condições e das linhas vermelhas estabelecidas, assim como na defesa dos interesses da nação iraniana — disse, citado pela agência IRNA. — Se o inimigo busca ser excessivo, nós demonstramos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitamos em dar uma resposta.
Já o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, declarou na quinta-feira que, apesar de ter aprovado o acordo, tem divergências em relação ao documento. Ele afirmou que futuras negociações presenciais com os Estados Unidos não significam aceitar a posição americana e disse que autorizou o entendimento com base no compromisso assumido por autoridades iranianas de proteger os interesses do país.
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No mesmo dia, o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que “a luta não terminou”. Ele, que não comentou diretamente o acordo, pediu para preservar a “relação vital” com os EUA, mas, ao mesmo tempo, reafirmou que as forças israelenses permanecerão no sul do Líbano “enquanto as necessidades de segurança exigirem”. O vice americano, por sua vez, fez um apelo para que o governo israelense “tome consciência da realidade”.
— Se eu estivesse no governo israelense, talvez não atacasse o único aliado poderoso que me resta no planeta — disse Vance.
Enquanto isso, o tráfego começou a ser retomado no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo que foi afetada durante o conflito. Segundo JD Vance, as forças americanas permitiram a passagem de mais de uma dezena de embarcações. Trump celebrou a queda dos preços internacionais do petróleo e classificou o movimento como um resultado positivo do acordo alcançado.
— A única forma de eu me mostrar mais duro seria se eu entrasse lá por mais duas ou três semanas e continuasse os bombardeando sem piedade. Certo? Mas o que ganhamos com isso? O Estreito de Ormuz não seria reaberto — disse o presidente.
(Com AFP)
Os advogados de Luigi Mangione desistiram de apresentar uma defesa baseada em questões psiquiátricas no julgamento estadual em que ele responde por homicídio pela morte de Brian Thompson, diretor-presidente da UnitedHealthcare. A mudança de estratégia ocorreu um dia após a equipe informar ao juiz que pretendia sustentar que o réu sofria de “extrema perturbação emocional no momento dos fatos”.
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Segundo o processo, a estratégia foi abandonada antes do prazo estabelecido para esta quinta-feira, data em que a defesa deveria entregar aos promotores do gabinete do promotor distrital de Manhattan as informações que fundamentariam a alegação psiquiátrica.
Mangione, de 28 anos, declarou-se inocente tanto no processo estadual quanto no processo federal. Ambos os casos estão relacionados ao assassinato de Brian Thompson, ocorrido no fim de 2024, no centro de Manhattan.
O gabinete do promotor distrital de Manhattan recusou-se a comentar o caso, segundo a BBC.
Defesa poderia reduzir eventual condenação
Caso a estratégia fosse mantida e aceita pelo júri, Mangione poderia receber uma pena menor, com condenação por homicídio culposo em vez de homicídio doloso.
Em entrevista à CBS, o especialista jurídico Richard Schoenstein afirmou que uma defesa baseada em questões psiquiátricas representaria, na prática, uma admissão de que Mangione matou Brian Thompson, acompanhada da alegação de circunstâncias atenuantes.
Segundo a BBC, essa estratégia é diferente da alegação de inimputabilidade por insanidade, que normalmente busca a absolvição ou a aplicação de uma medida de internação em instituição psiquiátrica em substituição à prisão.
Mangione compareceu ao tribunal na quarta-feira, quando o juiz tratou da defesa psiquiátrica que, naquele momento, ainda fazia parte da estratégia da equipe jurídica.
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A próxima audiência do processo estadual está marcada para 11 de agosto, e o julgamento está previsto para começar em 8 de setembro.
Mangione responde a processos estadual e federal
Além da ação estadual, Mangione também responde a acusações federais de perseguição. Segundo o processo, esses crimes podem resultar em prisão perpétua.
De acordo com a acusação, Mangione foi preso poucos dias após a morte de Brian Thompson, de 50 anos, pai de dois filhos e diretor-presidente da UnitedHealthcare.
Segundo os promotores, Thompson foi morto em 4 de dezembro de 2024, após ser atingido por tiros nas costas disparados por um homem mascarado. O executivo caminhava em direção a um hotel em Manhattan, onde participaria de uma conferência anual de investidores.
Os pais do adolescente responsável pelo ataque que matou dez pessoas em uma escola de Belgrado, na Sérvia, em 2023, foram condenados à prisão em um novo julgamento. Vladimir Kecmanović recebeu pena de 14 anos e seis meses de prisão, enquanto Miljana Kecmanović foi condenada a dois anos e 11 meses. Segundo o tribunal, tanto a defesa quanto a acusação recorreram das sentenças.
O ataque ocorreu na escola de ensino fundamental Vladislav Ribnikar. O autor dos disparos tinha 13 anos na época do crime e matou sete meninas, um menino e um segurança da escola. Outra menina morreu posteriormente no hospital. Além das mortes, cinco crianças e uma professora de história ficaram feridas.
Como tinha menos da idade de responsabilização criminal, o adolescente foi internado em uma instituição psiquiátrica.
Vladimir Kecmanović foi condenado por negligência, maus-tratos contra um menor e grave crime contra a segurança pública. Miljana Kecmanović respondeu por negligência e maus-tratos contra um menor.
A advogada Zora Dobričanin, que representa famílias das vítimas, afirmou que a decisão marca apenas o início de “uma longa batalha”. Segundo ela, o caso continuará sendo discutido no tribunal de apelação.
Ataque levou a mudanças na legislação
Segundo a investigação, o adolescente retirou duas pistolas do cofre do pai, colocou as armas na mochila e foi até a escola. Ele abriu fogo no saguão e, em seguida, entrou em uma sala de aula, onde continuou os disparos.
Ao detalhar o crime, o juiz afirmou que o adolescente efetuou 66 disparos em dois minutos e um segundo. Segundo a imprensa sérvia citada no processo, muitos dos tiros atingiram as vítimas.
Dois dias após o ataque à escola, um homem armado matou nove pessoas nos arredores de Belgrado. Segundo o processo, os disparos foram feitos de dentro de um veículo.
Os dois episódios provocaram protestos que reuniram dezenas de milhares de pessoas. Em resposta, o governo sérvio lançou uma campanha de anistia para entrega de armas e endureceu a legislação sobre armamentos.
Primeiro julgamento havia sido anulado
O primeiro julgamento dos pais teve início em 2024. Na ocasião, o tribunal ouviu o filho do casal em sessão fechada.
Na primeira sentença, Vladimir Kecmanović foi condenado por ensinar o filho a manusear armas de fogo e por não armazená-las de forma segura. Miljana Kecmanović foi absolvida da acusação de posse ilegal de armas, mas condenada por negligência. Um instrutor do clube de tiro frequentado pelo adolescente foi considerado culpado por prestar falso testemunho.
Em novembro de 2025, o Tribunal de Apelação de Belgrado anulou a decisão e determinou a realização de um novo julgamento, ao considerar que as justificativas da sentença eram pouco claras e contraditórias.
Após a anulação, Vladimir Kecmanović permaneceu preso, enquanto Miljana Kecmanović respondeu ao processo em liberdade até o novo julgamento, iniciado em janeiro.
Segundo a BBC, o procurador-geral sustentou que uma condenação dos pais ajudaria a responder como a sociedade sérvia deveria reagir a um dos acontecimentos mais trágicos da história do país em tempos de paz.
Durante o novo julgamento, os advogados do casal afirmaram que a condenação por negligência não diferia da sentença inicial, posteriormente anulada. A defesa também sustentou que as acusações não foram comprovadas e que não foi apresentado laudo pericial demonstrando que o adolescente havia sido vítima de negligência.
Um tribunal da Tailândia condenou um homem a 18 meses de prisão por difamação da monarquia em razão de um comentário publicado em um grupo do Facebook dedicado a debates sobre a família real. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pela organização Advogados Tailandeses pelos Direitos Humanos.
A rigorosa lei de lesa-majestade da Tailândia protege a família real contra críticas e prevê penas de até 15 anos de prisão para cada infração. Segundo opositores, a legislação é utilizada para sufocar a dissidência.
No caso mais recente, o Tribunal Criminal condenou um homem de 43 anos por um comentário publicado no grupo privado “Royalist Marketplace”, que reúne mais de 2,2 milhões de membros.
A comunidade virtual foi criada pelo acadêmico e crítico da monarquia Pavin Chachavalpongpun, que vive no exílio, como um fórum para debater a monarquia.
Pena foi reduzida após confissão
— O tribunal o condenou inicialmente a três anos, mas, como ele se declarou culpado, a pena foi reduzida pela metade — explicou à AFP Noppol Achamas, assessor de comunicação da organização Advogados Tailandeses pelos Direitos Humanos.
A identidade do condenado não foi divulgada para preservar sua privacidade.
Segundo Noppol, o homem obteve liberdade mediante pagamento de fiança de 100 mil baht (cerca de R$ 15,7 mil) e aguardará em liberdade o julgamento do recurso.
O grupo “Royalist Marketplace” ganhou notoriedade durante os protestos liderados por jovens em 2020 e 2021, quando manifestantes passaram a defender reformas na monarquia e mudanças na lei de difamação da família real.
Tanto o lado dos EUA quanto o do Irã confirmaram a assinatura do acordo para encerrar a guerra iniciada pelos americanos com apoio de Israel, mas nenhum analista que acompanhe a economia global e o setor de energia se arrisca a dizer que, a partir de hoje, tudo voltou ao que era antes de as primeiras bombas serem lançadas sobre Teerã, na virada de fevereiro para março.
Isso mesmo após os primeiros petroleiros terem voltado a passar pelo Estreito de Ormuz.
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Em primeiro lugar, levará tempo para os problemas econômicos causados pelo conflito se dissolverem; em segundo, tudo indica que a guerra provocará, ou consolidará, mudanças estruturais na economia mundial, como um reforço na busca por reduzir a dependência do petróleo e do Oriente Médio como fontes de energia. Os impactos ainda são difíceis de estimar, segundo especialistas.
Canal será termômetro da tensão
Ormuz, a passagem que dá acesso ao Golfo Pérsico, será o termômetro da volta à normalidade, porque é — ou, pelo menos, era — via essencial da indústria de petróleo e gás. Antes da guerra, passavam por lá cerca de 20% da produção global de petróleo e gás.
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AFP
E a previsão de um novo quadro a partir do conflito se mantém mesmo que a cotação do petróleo retorne ao patamar anterior a 28 de fevereiro, na faixa de US$ 60 a US$ 70. Ontem, o barril do tipo Brent fechou cotado a US$ 79,85, com alta de 0,38%. Analistas ainda tentam avaliar a quantidade de petróleo disponível no mercado.
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O economista Lívio Ribeiro, sócio da consultoria BRCG, destacou que a retomada plena do fluxo de navios pelo estreito levará tempo. Apenas a retirada das minas marítimas da via poderá levar de três a quatro semanas, disse o economista, citando analistas militares. Além disso, quando e se isso ocorrer, a possibilidade de o Irã voltar a bloquear a passagem estará sempre no radar.
— As pessoas não sabiam que era possível fechar Ormuz até que o Irã fechou Ormuz — disse Ribeiro.
Frete mais caro
Para analistas do banco de investimentos americano Goldman Sachs, o tráfego não voltará ao que era antes em Ormuz. Um relatório do banco divulgado na quarta-feira estima que a retomada do fluxo de navios por lá poderá ser concluída no fim de julho, o que permitiria que a produção de petróleo e gás na região do Golfo Pérsico voltasse ao normal por volta de outubro — mas o tráfego ficaria em 70% das quantidades de carga de antes da guerra.
Frame de vídeo disponibilizado em 18 de junho de 2026 na conta da rede X de Dan Scavino, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, mostra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (ao centro), ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron (à direita), de sua esposa, Brigitte Macron (à esquerda), do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e do ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, durante a assinatura de um acordo com o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio, no interior do Palácio de Versailles, em Versalhes, nos arredores de Paris, na noite anterior
@Scavino47 / AFP
O relatório do Goldman foi intitulado “70% dos fluxos pré-guerra de Ormuz podem se tornar os novos 100%”, em tradução livre.
De qualquer forma, o fantasma do fechamento do estreito pelo Irã tenderá a elevar, estruturalmente, os preços de seguro das cargas que passam por ali, lembrou Ribeiro. O resultado serão fretes permanentemente mais caros.
Livre navegação sob ameaça constante
O relatório do Goldman Sachs ressalta que alguns operadores de transporte marítimo podem preferir evitar a rota do estreito. Segundo a consultoria especializada em energia e commodities Argus, enquanto os fretes do Golfo de Omã e do Mar Vermelho — alternativas a Ormuz — para o nordeste da Ásia custavam US$ 4,94 e US$ 5,58 por barril, respectivamente, na quarta-feira, o trecho entre o Golfo Pérsico e o nordeste da Ásia estava em US$ 15,19 por barril.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, próximo a Bandar Abbas, no sul do Irã, no auge do conflito
Amirhossein Khorgooei/ISNA/AFP
— Penso que o estreito nunca mais voltará ao grau de certeza de livre navegação ao qual estávamos acostumados — afirmou ao jornal The New York Times Maurice Obstfeld, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Longa transição à normalidade
A produção de derivados nas refinarias da região, ou em unidades abastecidas pelo petróleo e gás que saem do Oriente Médio, levará tempo para voltar ao normal, lembrou a superintendente de Pesquisa Econômica do Bradesco, Myriã Bast. Haverá ajuste de estoques mundo afora.
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Por isso, vai demorar para que o principal efeito da assinatura do acordo EUA-Irã, o alívio na inflação global, possa de fato ser percebido. No médio prazo, o mais importante é que o risco de faltar petróleo para as refinarias mundo afora será reduzido, disse Myriã:
— O risco maior era a Europa e os EUA registrarem escassez de petróleo, mas os efeitos sobre os preços já estão aí. A inflação global já mostra isso.
É um quadro melhor do que o prolongamento do conflito, mas o alívio poderá ficar mesmo para 2027. Com a produção e os estoques reequilibrados, será preciso esperar que a normalização dos preços de insumos se espalhe pelas cadeias industriais que usam derivados de petróleo, lembrou a economista do Bradesco.
Mudanças permanentes
E há sinais de mudanças que vieram para ficar. Para Ribeiro, da consultoria BRCG, a economia mundial não será mais a mesma porque a correlação de forças na geopolítica do Oriente Médio mudou, com o fortalecimento relativo do Irã, pela resiliência para “sustentar a guerra” e negociar condições para o fim do conflito.
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AFP
Isso atingirá em cheio o estabelecimento dos hubs aéreos na região, a projeção internacional dos bilionários fundos de investimento árabes e as companhias aéreas desses países.
— O dinamismo das economias do Golfo pode ser prejudicado pela vulnerabilidade que demonstraram — disse Obstfeld ao New York Times.
Brasil pode se beneficiar
Ribeiro chamou a atenção para o fato de que a China acompanhou o conflito no Oriente Médio de maneira mais distante. Procurou não se colocar contra ninguém. Mesmo assim, Pequim e a Ásia em geral deverão acelerar um movimento de fuga da dependência das importações de insumos energéticos do Oriente Médio, diz o economista.
Num movimento de diversificação de fornecedores, o Brasil até pode exportar mais petróleo bruto para a China, mas Pequim também busca depender menos das vias marítimas, com a construção de novos gasodutos a partir da Rússia.
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TINGSHU WANG / POOL / AFP
Para Myriã, do Bradesco, é no setor de energia que um cenário de mudança estrutural está mais claro. A agenda de redução da dependência do Oriente Médio tenderá a favorecer investimentos fora da região, inclusive no Brasil.
— Outros produtores de petróleo no mundo aproveitarão para, aí sim, fazer o “drill, baby, drill” que o (presidente Donald) Trump queria (“perfure, querida, perfure”, em tradução livre, numa alusão à ampliação da produção de petróleo nos EUA, um dos motes de campanha do republicano, em 2024). Aqui no Brasil foi o “pump, baby, pump” (“bombeie, querida, bombeie”, alusão ao aumento da produção nos poços em alto-mar). Os produtores do resto do mundo aceleraram muito a sua produção — disse Myriã.
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Segundo João Scheller, responsável por preços de petróleo da América do Sul da Argus, no médio prazo, há uma perspectiva de “mudança de posicionamento e dependência de determinadas regiões como provedoras de energia”.
— O Brasil se beneficiaria desse cenário, considerando o crescimento da produção nos próximos anos. Além disso, a qualidade do petróleo do pré-sal é similar à de parte da produção do Oriente Médio. Isso contribui para o posicionamento do Brasil como um possível supridor substituto — disse o analista ao GLOBO.
Alívio na inflação
No curto prazo, tanto Ribeiro, da BRCG, quanto Myriã, do Bradesco, concordaram com a avaliação de que uma baixa nas cotações globais do petróleo — cuja elevação vinha beneficiando tanto a balança comercial quanto a arrecadação dos governos, por causa dos royalties — tirará uma vantagem do Brasil.
Segundo Ribeiro, um mundo sem guerra é melhor para todos, mas o Brasil, agora exportador de petróleo, perderá o impulso de curto prazo provocado pela disparada das cotações do barril e poderá sair perdendo com uma economia global mais instável no médio prazo, já que nem a guerra nem seu fim parecem alterar a disposição dos EUA para o conflito, incluindo aí o tarifaço no comércio.
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Bing Guan/Bloomberg
Por outro lado, um barril menos caro — o Bradesco agora vê as cotações entre US$ 70 e US$ 75 — poderá aliviar a inflação por aqui, nem que apenas em 2027, já que “a piora da inflação por aqui já aconteceu”, pois “os combustíveis estão mais caros”, afirmou Myriã. Ela lembra que a inflação, até o fim do ano, seguirá pressionada pelo fantasma do El Niño, que poderá atrapalhar a produção de alimentos:
— Para 2027, o cenário está mais interessante. As cotações do barril num nível mais baixo tiram pressão da cadeia de derivados de petróleo como um todo, de plástico a fertilizantes.
(Com New York Times e agências internacionais)

Um estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science desafia a hipótese tradicional de que os primeiros animais aquáticos a viver em terra possuíam características anfíbias e passaram por uma metamorfose semelhante à dos sapos para se adaptar. O estudo analisa fósseis raros que, segundo os cientistas, complementam nossa compreensão do desenvolvimento das criaturas que deram origem aos primeiros vertebrados terrestres.
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A pesquisa se concentra em espécimes extraídos de depósitos fossilíferos em Mazon Creek, no norte do estado americano de Illinois. O foco central do estudo foi um espécime que provavelmente era um juvenil de um animal semelhante a um crocodilo, conhecido como embolômero, que vivia principalmente na água, mas desenvolvia pequenas pernas.
Acreditava-se que ele apresentasse características semelhantes às de girinos, como brânquias externas, explicou Jason Pardo, pesquisador associado do Field Museum em Chicago e coautor principal do estudo. Mas esse não era o caso.
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O corpo do filhote, aproximadamente do tamanho de um macarrão curto e estreito, apresentava sinais de desenvolvimento direto. Isso significa que tinha uma estrutura semelhante à da sua forma adulta. Não é o que se esperaria ver em anfíbios, cuja metamorfose envolve reorganização e desenvolvimento muito mais drásticos de órgãos e membros.
Agora há evidências de que “essa metamorfose, esse ciclo de vida semelhante ao dos anfíbios, que por 150 anos acreditamos fazer parte da nossa história, na verdade não fez parte dela”, disse Pardo à AFP. John Long, um paleontólogo australiano com experiência nessa área de pesquisa, afirmou que o estudo é “bastante extraordinário”.
“Este trabalho detalhado sobre um conjunto de fósseis excepcionais deixa claro que eles passaram diretamente para a fase juvenil, sem precisar passar pela fase de girino”, explicou ele à AFP.

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