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A companhia petrolífera nacional do Kuwait anunciou neste sábado (7) que reduziu “preventivamente” a sua produção de petróleo devido aos ataques e ameaças iranianas ao Estreito de Ormuz, uma passagem crucial para os hidrocarbonetos do Golfo.
“Em vista da contínua agressão da República Islâmica do Irã contra o Estado do Kuwait, incluindo as ameaças iranianas à segurança dos navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, a Kuwait Petroleum Company (KPC) implementou uma redução preventiva na produção de petróleo bruto e no processamento de refino”, afirmou a empresa em comunicado, enfatizando que essa medida será “reavaliada com base no desenvolvimento da situação”.
Ataque contra centro de operações dos EUA
Os primeiros militares americanos a morrer no conflito entre os Estados Unidos e o Irã foram atingidos por um ataque direto iraniano contra um centro de operações improvisado em um porto civil no Kuwait no domingo, disse à CNN uma fonte a par do ocorrido. Na tarde de segunda-feira (2), o número de mortos no ataque ao porto de Shuaiba subiu para seis, anunciou o Comando Central dos EUA, após a recuperação dos restos mortais de outros dois militares.
Inicialmente, o órgão americano havia informado que três militares tinham sido mortos, sem especificar o local do ataque. Também na segunda-feira, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que a ofensiva que matou os oficiais atingiu um “centro de operações táticas fortificado”, mas que “um” projétil conseguiu ultrapassar as defesas aéreas. Antes, a imprensa americana havia informado que o episódio teria ocorrido após um ataque com drone.
A fonte familiarizada com o caso, no entanto, disse que o ataque ocorreu pouco depois das 9h e que houve um impacto direto no centro do edifício, descrito como um trailer triplo adaptado com escritórios no interior. A ofensiva foi feita rapidamente e sem qualquer aviso. Nem mesmo sirenes que pudessem alertar as tropas para evacuar ou se abrigar em um bunker foram acionadas. Horas após o ataque, ainda havia focos de incêndio em partes do prédio.
Uma imagem de satélite feita na manhã de domingo mostrou um prédio no porto em chamas e uma fumaça escura subindo ao céu. O interior do centro de operações improvisado ainda estava enegrecido, e as paredes haviam sido projetadas para fora pela explosão, com algumas partes se desprendendo da estrutura. Como o prédio ainda queimava em alguns pontos horas depois do ataque, a recuperação dos demais militares levou tempo, afirmou a fonte.
Em nota, o Comando Central afirmou que a instalação foi atingida “durante os ataques iniciais do Irã” e confirmou que as forças americanas “recentemente recuperaram os restos mortais de dois militares anteriormente desaparecidos” no local. Os soldados estavam designados ao 1º Comando de Sustentação de Teatro, um quartel-general independente sediado no Kentucky, com tropas de outras unidades designadas para apoio em rotações de nove meses.

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O candidato ultraconservador à presidência do Peru, Rafael López Aliaga, pediu a convocação de novas eleições no país em um prazo de 48 horas, após ameaçar não reconhecer os resultados que o excluíram do segundo turno. O ex-prefeito de Lima liderou uma nova passeata de centenas de pessoas para contestar os resultados da caótica votação de 12 de abril. O candidato de esquerda Roberto Sánchez avançou ao segundo turno e enfrentará a candidata de direita Keiko Fujimori, após alcançar uma vantagem irreversível quando a apuração chegou a 99,98% dos votos.
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Sánchez, candidato da coalizão Juntos pelo Peru recebeu 12% dos votos, contra 11,9% de López Aliaga, a quem supera por cerca de 20.000 votos.
Esta imagem aérea mostra apoiadores do candidato presidencial do Peru pelo partido Renovação Popular, Rafael Lopez Aliaga, participando de uma manifestação para protestar contra supostas irregularidades nas recentes eleições em Lima, em 14 de maio de 2026
Connie FRANCE / AFP
— [O Júri Nacional de Eleições] tem prazo de 48 horas para convocar novas eleições até domingo — disse López Aliaga.
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Dentro do prazo, a autoridade eleitoral pretende proclamar oficialmente os resultados do primeiro turno, que foi marcado por falhas logísticas.
— No dia em que declararem a lista fajuta, vamos contestá-la (…) a única maneira de me derrotar foi com trapaças e um governo ilegítimo não deve ser reconhecido — acrescentou.
Contexto: Chefe da autoridade eleitoral do Peru renuncia após irregularidades nas eleições
Keiko Fujimori, do partido Força Popular, lidera os resultados do primeiro turno com 17,1% dos votos.
— Sabem a tremenda fraude que estão cometendo, atas foram perdidas, que processo é esse, fizeram tudo errado — protestou o líder de extrema direita.
O candidato presidencial do Peru pelo partido Renovação Popular, Rafael Lopez Aliaga, faz um discurso durante uma manifestação para protestar contra supostas irregularidades nas recentes eleições em Lima, em 14 de maio de 2026
Connie FRANCE / AFP
O protesto, o quinto liderado por López Aliaga, percorreu várias ruas e terminou diante da sede do Júri Nacional de Eleições, no centro histórico de Lima.
Durante o primeiro turno, os atrasos no envio do material eleitoral impediram que mais de 50.000 eleitores votassem, o que levou as autoridades a prolongar a votação por mais um dia.
Relembre: Candidato ultraconservador pede às autoridades que declarem ‘nulas’ as eleições presidenciais do Peru
Uma missão de observadores da União Europeia informou que não encontrou elementos que sustentem uma “narrativa de fraude”.
Fujimori e Sánchez disputarão a presidência do Peru em 7 de junho, em um cenário de severa instabilidade política. O país teve oito presidentes desde 2016.
O cessar-fogo entre Israel e o grupo libanês Hezbollah, que expiraria no próximo domingo, será prorrogado por mais 45 dias, anunciou o Departamento de Estado dos Estados Unidos nesta sexta-feira, no segundo dia de conversas entre Israel e Líbano em Washington. O órgão americano classificou as negociações entre os dois países do Oriente Médio como “altamente produtivas” e afirmou que as partes retomarão as negociações nos dias 2 e 3 de junho. Apesar dos ataques, danos e mortes registrados no país, o Líbano não participa do conflito em curso na região, mas foi incluído no campo de batalha pelo Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã que atua em seu território.
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— Esperamos que essas discussões promovam uma paz duradoura entre os dois países, o pleno reconhecimento da soberania e integridade territorial de cada um e o estabelecimento de segurança genuína ao longo de sua fronteira compartilhada — disse o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott.
As conversas desta semana foram o terceiro encontro entre as partes desde que Israel intensificou os ataques aéreos contra o Líbano. A trégua, com duração estabelecida inicialmente de 10 dias, já havia sido prorrogada até o meio de maio.
Apesar do cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril, que conteve em grande parte as hostilidades no sul do Líbano desde então, as Forças Armadas israelenses continuaram atacando alvos que alegam ser ligados ao Hezbollah no Líbano, causando a morte de pelo menos 400 pessoas, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais.
Na quarta-feira, o Ministério da Saúde do Líbano informou que ataques aéreos israelenses mataram 22 pessoas, incluindo oito crianças, no sul do país. Além disso, acusou Israel de atacar civis e paramédicos, o que o Estado judeu nega.
Os militares israelenses afirmam que pretendem criar uma zona de segurança no sul do Líbano para impedir futuros ataques do Hezbollah. Nessas áreas, vilarejos inteiros foram destruídos com táticas semelhantes às empregadas pelas tropas israelenses em Gaza, o que especialistas classificam como “domicídio”, quando regiões civis são atacadas massivamente até que vastas áreas se tornem inabitáveis, impedindo que os deslocados retornassem para casa. Grupos de direitos humanos afirmam que alguns casos podem configurar crimes de guerra, o que Israel nega.
O Hezbollah realizou seus próprios ataques contra tropas israelenses no Líbano e no norte de Israel com foguetes e drones, e Israel respondeu com ataques aéreos generalizados e uma invasão terrestre do sul do Líbano. O conflito começou em 2 de março, dois dias depois de os EUA e Israel lançarem um ataque conjunto contra o Irã.
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A entrada do grupo islâmico no conflito se deu por seu apoio ao regime iraniano, aliado do Hezbollah. Diante da morte do então líder supremo Ali Khamenei, combatentes do grupo lançaram ataques contra Israel em retaliação.
Desde então, pelo menos 2.896 pessoas foram mortas no Líbano desde então, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, mais de um milhão de pessoas foram deslocadas. As autoridades israelenses afirmam que 18 soldados e quatro civis foram mortos durante o mesmo período.
O governo do presidente ultradireitista chileno, José Antonio Kast, busca obrigar centros médicos, escolas e outras instituições públicas no Chile a entregarem informações confidenciais sobre imigrantes irregulares, uma proposta que gerou conflito dentro de seu gabinete nesta sexta-feira. Kast está pressionando o Congresso para aprovar um projeto de lei que acelere o processo de deportação de imigrantes sem documentos que vivem no Chile, uma de suas principais promessas de campanha.
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Durante a tramitação do projeto foi introduzido um artigo que exige que instituições públicas, centros de saúde e escolas informem os endereços, números de telefone e endereços de e-mail de imigrantes irregulares que frequentam essas entidades. A medida é vista como uma forma de impedir que essas pessoas acessem benefícios sociais e forçá-los a deixar o país.
A proposta gerou conflito dentro do governo. A ministra da Saúde, May Chomali, expressou sua oposição à ideia nesta sexta-feira.
— Estamos encarando a medida com muita preocupação, já que essa informação está sendo fornecida no contexto da saúde e é protegida pelo Código de Saúde — disse ela à Rádio Teletrece. — Vamos defender isso [a confidencialidade] com toda a certeza… Não podemos ir contra a lei.
O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, esclareceu que a medida foi mal interpretada e que a instrução só se aplicaria “quando houver um processo de imigração” em andamento, a fim de facilitar “informações que nos permitam localizar essas pessoas”.
O diretor executivo do Centro de Políticas Migratórias explicou à AFP que “ter crianças fora da escola e uma população sem acesso à saúde seria muito prejudicial”. Segundo ele, “isso não reduziria a população sem documentos, apenas a tornaria mais vulnerável”.
Kast prometeu, durante sua campanha, expulsar os 340 mil migrantes que vivem no Chile sem status legal. No entanto, nesta semana, ele suavizou sua posição. O presidente chamou sua promessa de “metáfora”, uma declaração que gerou fortes críticas e que ele posteriormente corrigiu para “hipérbole”.
Desde que assumiu o cargo, há pouco mais de dois meses, o político de ultradireita tem promovido a construção de barreiras contra a entrada de imigrantes em três regiões do norte do país e deportou 80 pessoas em aviões da Força Aérea.
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No fim de março, pouco mais de duas semanas após sua posse, Kast anunciou a suspensão de um processo de regularização que poderia beneficiar cerca de 182 mil migrantes em situação irregular no país. A medida revertia uma iniciativa preparada pela gestão anterior de Gabriel Boric e integrava um pacote mais amplo de ações voltadas ao endurecimento do controle migratório, incluindo novos projetos de lei e reforço na vigilância de fronteiras.
Em declarações à imprensa na época, o presidente afirmou que o país foi “invadido pela imigração ilegal, pelo narcotráfico e pelo crime organizado” nos últimos anos. Apesar disso, dados indicam que o Chile segue entre os países mais seguros da América Latina, com taxa de 5,4 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, ainda que crimes como sequestros tenham registrado aumento e gangues estrangeiras, como o Tren de Aragua, tenham ampliado sua atuação no território.
Uma perseguição policial em alta velocidade terminou com uma cena digna de cinema no Condado de Kenosha, em Wisconsin, nos Estados Unidos, no último sábado (9). Durante a fuga, um motorista lançou o carro no ar, passando por cima de outra pista, às margens da estrada e chegou a “voar” sobre outro veículo antes de ser finalmente preso pelos policiais.
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O caso aconteceu na cidade Found du Lac e foi registrado pelas câmeras instaladas na viatura que fazia a perseguição, segundo publicou o portal britânico The Sun. As imagens divulgadas pela própria polícia local mostram o momento em que policiais perseguem um carro branco pela rodovia I-41, na altura da Military Road, após o motorista fugir de uma abordagem.
Segundo a Patrulha Rodoviária do Estado de Wisconsin, a perseguição começou depois que um policial rodoviário pediu reforço. Havia um mandado de prisão por crime grave relacionado ao veículo no condado.
Durante a tentativa de escapar, o motorista desviou bruscamente para a direita, cruzando duas faixas da estrada antes de sair da pista. O carro atravessou o gramado entre dois cruzamentos e acelerou em direção a uma pequena vala à beira da via.
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Com a alta velocidade, o veículo decolou e passou por cima de outro carro em um momento considerado impressionante pelos policiais. Após o salto, o carro aterrissou bruscamente do outro lado da estrada. Mesmo depois do impacto, o motorista ainda tentou continuar a fuga.
Em seguida, os policiais se aproximaram rapidamente do suspeito. Depois de abandonar o carro danificado, o homem correu por um campo vazio tentando escapar a pé.
Os agentes seguiram a perseguição com armas de choque em mãos até conseguirem alcançá-lo e efetuar a prisão. De acordo com as autoridades, o homem havia fugido após avistar um agente do xerife do condado de Fond du Lac e outro policial rodoviário durante uma abordagem de rotina. As autoridades policiais não informaram, no entanto, quais crimes estariam relacionados ao veículo.
A crise alimentar no Sudão corre o risco de se transformar em uma “tragédia ainda mais grave” sem uma rápida intervenção internacional, alertou a ONU nesta sexta-feira. Segundo estimativas das Nações Unidas, cerca de 20 milhões de pessoas — mais de 40% da população — sofrem fome aguda. A guerra no país, que desde abril de 2023 opõe o Exército às paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR), provocou, segundo a organização, a maior crise alimentar do mundo.
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Em um comunicado conjunto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimaram que cerca de 19,5 milhões de pessoas enfrentam atualmente um nível crítico de fome no país africano.
Estes números procedem do último relatório publicado na quinta-feira pela Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (CIF), organismo da ONU com sede em Roma que avalia a fome e a desnutrição no mundo. Cindy McCain, diretora do PMA, pediu uma ação internacional urgente para “impedir que esta crise se transforme em uma tragédia ainda mais grave” e destacou que “a fome e a desnutrição ameaçam milhões de vidas”.
Quatorze zonas das regiões sudanesas de Darfur do Norte, Darfur do Sul e Cordofão do Sul estão ameaçadas pela fome extrema, enquanto cerca de 135.000 pessoas já sofrem níveis “catastróficos” de fome. Esta avaliação se baseia em “um cenário pessimista, mas plausível”, que contempla uma intensificação dos combates e novas restrições ao acesso humanitário e à circulação de bens e pessoas.
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O número atual de 19,5 milhões de pessoas afetadas pela fome aguda é ligeiramente inferior à estimativa de outubro do ano passado, que superava 21 milhões, quando a fome extrema foi confirmada em El Fasher (oeste) e Kadugli (sul).
A CIF estima que 825.000 crianças menores de cinco anos sofrerão desnutrição aguda severa em 2026, o que representa um aumento de 7% em relação a 2025. As crianças “chegam a centros já exauridas, fracas demais para chorar”, descreveu Catherine Russell, que advertiu que “mais crianças morrerão” se medidas rápidas não forem adotadas.
Agências militares e de inteligência dos Estados Unidos aumentaram, nas últimas semanas, os voos de vigilância ao redor de Cuba, com aeronaves-espiãs e drones, em um momento em que a ilha enfrenta uma crise severa no sistema elétrico. Segundo funcionários americanos, a intensificação da operação de reconhecimento deve ser parte de um reforço militar mais amplo no Caribe nas próximas semanas. Para especialistas, a iniciativa — visível ao público — busca enviar uma mensagem direta às autoridades cubanas: estamos observando vocês.
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De acordo com um funcionário militar americano, os voos de vigilância foram planejados para fornecer aos líderes políticos e militares dos EUA uma compreensão mais ampla da situação em Cuba em um momento considerado crítico.
Há semanas, entusiastas da aviação vêm compartilhando nas redes sociais registros de aeronaves de reconhecimento identificadas em sites públicos de rastreamento enquanto se aproximam de Cuba. Entre elas estão o avião de patrulha marítima P-8, o RC-135 Rivet Joint, usado para interceptação de sinais, e o drone de alta altitude MQ-4, cujos voos aumentaram em frequência desde fevereiro, muitas vezes próximos à costa da ilha.
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A CNN, que revelou o aumento das missões, analisou dados do FlightRadar24 e identificou ao menos 25 voos realizados pela Marinha e pela Força Aérea com aeronaves tripuladas e drones desde o início de fevereiro. A maioria ocorreu nas proximidades das duas maiores cidades do país, Havana, a capital, e Santiago de Cuba, no sudeste.
Dados de rastreamento de voos geralmente não captam drones de agências de espionagem, o que torna desconhecido o número real de missões.
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Especialistas destacam que os EUA historicamente realizam poucos voos de vigilância próximos a Cuba, apesar de décadas de relações tensas entre os dois países, o que torna o aumento recente significativo. Procurados, o Comando Sul dos EUA, responsável pelas operações militares na região, e o governo cubano não responderam aos pedidos de posicionamento.
O presidente americano, Donald Trump, deixou claro que pretende derrubar o governo cubano, afirmando que fará “o que quiser” em relação ao país. Em discurso recente na Flórida, declarou que os EUA assumiriam o controle “quase imediatamente” e, em outras ocasiões, voltou a alertar que Cuba seria “o próximo” alvo.
Segundo um funcionário militar, ao contrário do que ocorreu antes da operação dos EUA que capturou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os voos atuais não indicam uma ação militar iminente. Para ele, o objetivo é reforçar a pressão política e econômica sobre o governo cubano.
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Em meio ao aumento das tensões, o governo Trump interrompeu o envio de petróleo à ilha, aprofundando a crise energética e econômica. Os dois países mantêm negociações reservadas, mas sem avanços, segundo Havana.
Especialistas afirmam que as missões podem interceptar comunicações do governo cubano e monitorar movimentações militares. O governo de Cuba diz estar preparado para defender sua soberania.
Mas esse tipo de missão costuma ser sigiloso. O uso de aeronaves visíveis ao público indica que Washington busca intimidar autoridades cubanas e sugerir a possibilidade de ação militar, dizem analistas.
— Podemos operar completamente no escuro — diz José Adán Gutiérrez, comandante aposentado da Marinha dos EUA especializado em inteligência. — Quando nos preparamos para operações, não ligamos o radar para anunciar nossa chegada. O fato de esses voos serem deliberadamente públicos indica que há uma mensagem.
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O governo venezuelano denunciou voos de inteligência semelhantes nas semanas que antecederam a entrada de forças militares americanas na capital do país e a captura de seu presidente.
Gutiérrez e outros especialistas afirmam que a mensagem provavelmente não se destina apenas a Cuba, mas também a aliados como Rússia e China. Segundo ele, os voos não significam necessariamente que os EUA estejam se preparando para invadir Cuba, mas indicam que autoridades estão atualizando planos de contingência caso Trump decida agir.
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Renee Novakoff, ex-oficial de inteligência dos EUA, afirma que os voos indicam que autoridades podem estar se preparando para tomar decisões estratégicas.
— Normalmente não fazemos muitas coisas como o que estão fazendo agora — explica Novakoff, que se aposentou há três anos como vice-diretora de inteligência de Defesa e atualmente é pesquisadora na Universidade Internacional da Flórida. — Por esse motivo, isso é algo relevante.
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Chris Simmons, ex-oficial de contrainteligência da Agência de Inteligência de Defesa para Cuba, diz que o governo americano não precisaria ir tão longe para espionar um país com tão poucos recursos navais capazes de resistir a uma incursão. Para ele, isso dá às missões uma aparência de demonstração de força.
— Vejo isso mais como uma demonstração de força do que qualquer outra coisa — afirma Simmons, acrescentando, no entanto, que Trump costuma cumprir suas ameaças.
Nas últimas semanas, autoridades cubanas criticaram o reforço militar dos EUA, classificando-o como parte de uma campanha criminosa contra o país.
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“O esforço visível para normalizar a ameaça de agressão militar dos EUA contra Cuba faz parte de uma estratégia de comunicação friamente calculada”, destacou Carlos Fernández de Cossío, vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, em publicação na rede X. “Faz parte do crime, e aqueles que participarem dele serão cúmplices de um eventual banho de sangue.”
No início do governo Trump no ano passado, a CIA intensificou voos de drones sobre o México, ajudando a rastrear laboratórios de fentanil e líderes de cartéis. Um drone de vigilância foi usado para localizar Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração.
A CIA também realizou voos sobre a Venezuela e utilizou um drone para realizar um ataque aéreo contra um cais onde drogas estariam sendo carregadas em embarcações.
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Enquanto aviões militares operam em águas internacionais, agências de inteligência não estão sujeitas às mesmas restrições ao coletar informações. Ainda assim, dada a geografia de Cuba, talvez nem fosse necessário sobrevoar diretamente o país.
Brian Latell, ex-analista da CIA especializado em Cuba, diz não se lembrar de um volume tão grande de voos de reconhecimento nem mesmo durante a Guerra Fria. Para ele, o governo dos EUA também pode estar tentando identificar possíveis locais para uma eventual operação de desembarque.
— O principal objetivo é a coleta de inteligência. Mas, provavelmente, também há um elemento de provocação, para mantê-los sob pressão — ressalta Latell.
Um spaniel francês chamado Lazare, apontado como possível “cachorro mais velho do mundo”, morreu aos 30 anos na quinta-feira (14), segundo informou sua tutora, Ophélie Boudol, nesta sexta-feira (15). O caso chamou atenção internacional pela longevidade do animal, que vivia na França e havia recentemente sido inscrito para avaliação do Guinness World Records, segundo veículos internacionais. A expectativa de vida para esta raça é de 15 anos.
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Após o anúncio da morte de Lazare, a AFP entrou em contato com o Guinness World Records para confirmar a candidatura e se o pequeno animal conseguiu o título. Até o momento, a agência de notícias não teve retorno da marca global.
De acordo com Anne-Sophie Moyon, funcionária de um abrigo de cães, Lazare nasceu em 4 de dezembro de 1995 e era um “spaniel toy” francês com orelhas erguidas semelhantes a asas de borboleta. O cachorro viveu a maior parte da vida com a mesma dona, até que ela morreu. Depois disso, foi acolhido no abrigo Annecy Marlioz Spa, nos Alpes Franceses, lembra o The Telegraph.
Foi nesse abrigo que Lazare acabou sendo adotado por Ophélie Boudol, de 29 anos. Inicialmente, ela buscava um animal de estimação para a mãe, mas decidiu integrar o pequeno cão à própria família.
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Mesmo bastante debilitado pela idade, com 30 anos e cinco meses, Lazare ainda demonstrava uma personalidade considerada cativante por sua tutora. Em entrevista à AFP no início desta semana, Ophélie Boudol afirmou que o cachorro mantinha uma presença “encantadoramente vívida”. O pequeno cão usava fraldas, não conseguia ouvir ou enxergar e dormia quase o dia inteiro.
“Era nosso pequeno bebê vovô”, escreveu Boudol em uma publicação de despedida no Instagram. “Você escolheu fazer seu último voo em meus braços na noite de 14 de maio, para se reunir com sua tutora, que te amava tanto”, disse.
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A responsável pelo abrigo afirmou que ela e seus colegas passaram a acreditar que Lazare poderia ser o cachorro mais velho do mundo depois de verificarem sua data de nascimento em dois registros diferentes. A documentação para tentar oficializar o recorde foi enviada ao Guinness World Records pouco antes da morte do animal, embora a organização ainda não tivesse confirmado oficialmente o reconhecimento até esta sexta-feira.
Anne-Sophie Moyon disse que a inscrição para tentar tal reconhecimento começou como uma espécie de brincadeira entre eles. Lazare morava atualmente com Ophélie Boudol em Villy-le-Pelloux, sudoeste da França.
O atual debate sobre longevidade canina ganhou força após o caso de Bobi, um mastim português que havia sido reconhecido pelo Guinness como o cão mais velho da história ao morrer em 2023, supostamente aos 31 anos. Contudo, em 2024, uma revisão concluiu que não existiam provas suficientes para comprovar a idade atribuída ao animal.
Nesta semana, a atenção do mundo estava voltada para a química entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, em um encontro de alta tensão na China. Mas, nas redes sociais chinesas, o maior destaque foi um encontro constrangedor entre outros dois homens: Elon Musk e seu rival, o bilionário chinês Lei Jun.
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Uma interação breve e tensa entre Musk, há muito tempo um ídolo da tecnologia na China, e Lei, um dos empresários mais proeminentes do país, viralizou com o público transformando poucos segundos de vídeo em um drama pessoal entre dois rivais dos negócios.
Selfie de Elon Musk com bilionário chinês viraliza nas redes sociais da China
Musk estava em Pequim com a delegação de líderes empresariais que acompanhou Trump no Air Force One. Na quinta-feira, ele se juntou a autoridades americanas chinesas em um banquete no Grande Salão do Povo, onde permaneceu sentado sozinho enquanto uma série de executivos se revezava para tirar fotos em um assento vazio ao seu lado.
Ele já fazia caretas e soltava suspiros visíveis quando Lei, o bilionário fundador da Xiaomi, uma das maiores empresas de eletrônicos da China, se aproximou e fez um gesto pedindo uma selfie. Musk fez algumas expressões faciais, lançou um olhar de indiferença e depois exagerou na pose para a câmera antes de voltar ao celular e fingir estar ocupado.
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O vídeo, de apenas alguns segundos, viralizou quase imediatamente. Musk chegou a republicá-lo no X, a plataforma de mídia social que comprou em 2022 e que é proibida na China, onde o governo controla rigidamente a informação. Alguns usuários criticaram Lei por incomodar Musk, outros disseram que ele havia “passado vergonha” ao parecer bajulador, enquanto outros saíram em sua defesa.
Até a tarde desta sexta-feira, a hashtag #leijunelonmuskselfie acumulava 75 milhões de visualizações no Weibo, uma rede social chinesa.
— É como um macaco subindo numa árvore — escreveu Liujishou, influenciador do Weibo com 13 milhões de seguidores, retratando o pedido de Lei como um ato oportunista.
Selfie de trilhões
Musk é amplamente creditado por impulsionar a concorrência acirrada na indústria chinesa de veículos elétricos. Sua empresa, Tesla, produz metade de seus carros na China, mas os concorrentes locais estão alcançando a companhia rapidamente.
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A Xiaomi é um deles. A empresa de Lei começou vendendo produtos domésticos e smartphones baratos antes de entrar no mercado de veículos elétricos nos últimos anos. Em abril, o modelo SU7 da Xiaomi superou o Model Y da Tesla e se tornou o segundo carro mais vendido da China, segundo a Dcar, plataforma de informações e comércio automotivo.
A internet não perdeu tempo em gerar imagens de inteligência artificial da selfie sob todos os ângulos: uma trocava os rostos dos dois homens, deixando Musk sorrindo e Lei com expressão entediada; outra, fotografada por trás, mostrava os dois olhando para o celular de Lei enquanto ele exibia rankings de vendas de veículos elétricos.
Nem todos consideraram justa a enxurrada de críticas a Lei. Li Ji, outro influenciador conhecido nas redes sociais chinesas, escreveu que Lei não precisava idolatrar ninguém.
— Num banquete de Estado desse nível, ele precisava provar alguma coisa — questionou.
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Selfies com Musk, observou ele, já eram rotina para Lei, que havia posado ao lado do empresário em 2013, durante uma visita a uma fábrica da Tesla nos Estados Unidos. “Elon Musk faz coisas incrivelmente legais”, escreveu Lei após a visita em 2013 e ainda descreveu o empresário como “tão impressionante que quase desafia o senso comum.”
Tirar a foto, acrescentou Li Ji, foi uma jogada inteligente para “pegar carona na fama de um dos maiores influenciadores globais” em um momento em que o mundo inteiro estava assistindo.
Agenda dos Estados Unidos na China
O encontro dos empresários ocorreu durante a visita de Donald Trump à China, em meio a um cenário de instabilidade entre os dois países. Foram dois dias de reuniões com Xi Jinping, em conversas que envolveram temas como negócios em agricultura, aviação e inteligência artificial, além de questões geopolíticas como a guerra no Oriente Médio e Taiwan.
Desencontro: Trump diz ter alcançado ‘acordos comerciais fantásticos’ com Xi em viagem à China, que não confirma
Autoridades americanas mencionaram acordos comerciais como um compromisso para a compra de 200 aviões da Boeing pela China e a criação de um conselho para supervisionar a redução das tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em mercadorias. Pelo lado chinês, os comentários foram mais brandos, com Xi fazendo deferências a Trump, chamando a visita de “histórica” e que as partes estabeleceram “uma nova relação bilateral” para uma “relação de estabilidade estratégica construtiva”.
Apesar disso, tópicos centrais ficaram sem uma resposta definitiva. No caminho de volta para os EUA, Trump disse a repórteres a bordo do avião presidencial que tinha “conversado bastante” sobre Taiwan com Xi, mas não se referiu a nenhum acerto entre ambos para o futuro da ilha.
Antes da cúpula, Trump havia dito que discutiria com Xi a venda de armas americanas para Taiwan, declarações que se afastaram da postura histórica de Washington de não consultar Pequim sobre o assunto. Na volta para casa, o presidente disse que tomaria uma decisão “em um período relativamente curto de tempo”.
Em uma entrevista à rede americana NBC na véspera, o secretário de Estado Marco Rubio declarou que “a política dos EUA sobre a questão de Taiwan não mudou”, descrevendo que essa foi a mensagem passada durante os encontros, que não foram interrompidos para aprofundar a questão. Taipé agradeceu a Washington nesta sexta-feira “por expressar repetidamente seu apoio”.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que suas tropas controlam 60% da Faixa de Gaza, o que sugere que avançaram para uma zona do território palestino mais ampla do que previsto no plano de cessar-fogo de outubro. A Faixa de Gaza permanece mergulhada em violência, e os esforços para pôr fim à guerra parecem ter estagnado.
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— Houve quem dissesse: vão embora, vão embora! Não fomos. Hoje controlamos 60%; amanhã veremos — declarou Netanyahu em uma cerimônia por ocasião do Dia de Jerusalém.
Segundo os termos do cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o grupo palestino Hamas, em vigor desde outubro, as forças israelenses deveriam retirar-se até uma chamada “Linha Amarela” em Gaza, o que deixava sob seu controle mais de 50% do território palestino.
No entanto, vários meios de comunicação noticiaram recentemente o avanço das tropas em direção a uma nova “Linha Laranja”. As declarações de Netanyahu parecem corroborar essa informação.
Em meio às tratativas políticas, fontes palestinas e organizações internacionais denunciam agressões reiteradas ao enclave, enquanto militares israelenses estabelecem novas bases e alteram a realidade no terreno — o que ativistas temem ser o indício de uma ocupação permanente.
Análises divulgadas em janeiro a partir de imagens de satélite apontam violações territoriais, tanto observando a localização dos blocos de concreto posicionados por Israel para servir como uma demarcação física da linha, quanto por meio da análise de zonas destruídas desde o cessar-fogo.
Uma das análises, realizada pela iniciativa BBC Verify, da rede britânica, indica que o Exército israelense posicionou um total de 16 blocos de concreto para demarcar a linha e posteriormente voltaram para alterar as posições em Beit Lahia, Jabalyia e al-Tuffah. A análise ainda aponta que cada bloco foi movido em média 300 metros para o interior da faixa.
Em outra averiguação, feita pelo jornal israelense Haaretz, com base em imagens do PlanetLab, observou-se a destruição de infraestrutura em áreas dentro e fora dos limites da linha amarela. As imagens mostram que tanto em Jabalyia quanto no bairro de Shujaiyeh, na Cidade de Gaza, áreas dentro e fora da área de atuação foram atingidas.
Cessar-fogo não interrompe mudanças no terreno
Arte/O GLOBO
Em resposta a um pedido de esclarecimento feito pela publicação israelense, as Forças Armadas de Israel (FDI, na sigla em inglês) disseram seguir o formato estabelecido pelo cessar-fogo e que as operações realizadas na Faixa de Gaza desde então respondem a ações de organizações que classificam como terroristas em Gaza, a quem culparam por “violar repetidamente” o acordo. Não houve menção à mudança de posição dos blocos de concreto ou sobre a destruição de construções dentro e fora da linha amarela. À BBC, as FDI rejeitaram as alegações de que estariam alterando a linha e que “atuavam de acordo com as condições no terreno e a avaliação operacional atualizada”.
A primeira fase da trégua permitiu a libertação dos últimos reféns capturados nos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 em solo israelense, que desencadearam a guerra em Gaza, em troca de palestinos detidos por Israel.
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A segunda fase inclui o desarmamento do Hamas e a retirada gradual do Exército israelense da Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, se o Hamas se recusar a desarmar-se, os militares podem retomar os combates.
Netanyahu tem insinuado repetidamente que Israel concluirá o trabalho se o movimento islâmico palestino não se desarmar. Mais de 850 palestinos foram mortos desde o início do cessar-fogo, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A ONU considera esses números confiáveis. Durante o mesmo período, o Exército israelense relatou a morte de cinco soldados em Gaza.
(Com AFP)
Uma investigação internacional identificou 13 vítimas de ataques realizados pelos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico oriental, em uma operação que já deixou 194 mortos, segundo informações do jornal britânico Guardian. Até então, apenas três nomes haviam sido revelados — todos após ações judiciais movidas por familiares contra a Casa Branca. O levantamento, conduzido ao longo de cinco meses por um grupo de 20 jornalistas liderados pelo Centro Latino-Americano de Investigação Jornalística (CLIP), aponta que parte dos mortos não apresentava indícios claros de envolvimento com o narcotráfico.
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Segundo o relatório, todas as vítimas identificadas até agora eram oriundas de comunidades extremamente pobres da América Latina e do Caribe, incluindo pessoas que, mesmo quando envolvidas no transporte de drogas, recorriam à atividade como forma de sobrevivência.
Os ataques começaram durante o reforço da presença militar dos EUA na região, no ano passado, em meio à escalada de tensões com a Venezuela. Desde então, o governo do presidente Donald Trump sustenta que as ações têm como alvo “narco-terroristas” responsáveis por levar drogas ao território americano.
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Para María Teresa Ronderos, diretora e cofundadora do CLIP, a realidade encontrada pela investigação é diferente.
— O que estamos vendo são jovens em condições extremamente precárias, fazendo qualquer trabalho possível para sustentar suas famílias, sendo alvos — diz. — Os EUA não estão derrubando nenhum Pablo Escobar ou Joaquín “El Chapo” Guzmán.
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Além de mapear as vítimas, a investigação reforça avaliações já feitas por analistas de segurança: as operações não reduziram o fluxo de drogas para os EUA e, em contrapartida, agravaram a vulnerabilidade de comunidades já afetadas pelo crime organizado e pela ausência do Estado.
Em algumas regiões, o impacto foi imediato. Segundo Ronderos, pescadores chegaram a interromper suas atividades por semanas por medo de novos bombardeios, o que comprometeu a subsistência local.
— Se não pescam, as pessoas passam fome — afirma.
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O trabalho também destacou a dificuldade em obter informações. De acordo com a jornalista, familiares, autoridades locais e até promotores evitam falar por receio de represálias ou de prejudicar relações com os EUA.
Entre os 16 mortos agora identificados — incluindo três já conhecidos anteriormente — há oito venezuelanos, três colombianos, dois equatorianos, dois cidadãos de Trinidad e Tobago e um de Santa Lúcia.
Os venezuelanos são Juan Carlos Fuentes, 43; Luis Ramón Amundarain, 36; Eduard Hidalgo, 46; Dushak Milovcic, 24; e Robert Sánchez, Jesús Carreño, Eduardo Jaime e Luis Alí Martínez, com idades desconhecidas. Também foram identificados os colombianos Alejandro Andrés Carranza Medina, 42, Ronald Arregocés e Adrián Lubo, com idades desconhecidas; os equatorianos Pedro Ramón Holguín Holguín, 40, e Carlos Manuel Rodríguez Solórzano, 34; os trinitários Chad Joseph, 26, e Rishi Samaroo, de idade desconhecida; e o cidadão de Santa Lúcia Ricky Joseph, também de idade desconhecida.
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Dois dos casos detalhados pela investigação são os dos venezuelanos Amundarain e Fuentes. Motoristas da cidade de Güiria, eles viajaram até Trinidad e Tobago após promessa de emprego em um lava-jato. Dias depois, aceitaram trabalhar em uma pequena embarcação. O barco foi atingido por um ataque em 3 de outubro.
Familiares afirmam que eles não tinham envolvimento com o tráfico, embora o relatório indique que há indícios de que poderiam participar de uma operação de transporte de carga ilícita. Ainda assim, o trajeto da embarcação levantou dúvidas, já que rotas do tráfico costumam seguir da América do Sul para o norte — e não o contrário.
Em outros casos, as vítimas eram pescadores sem qualquer ligação aparente com o narcotráfico. Há também ações judiciais em curso contra o governo americano movidas por familiares.
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Mesmo após oito meses de operações, os EUA não apresentaram provas públicas de que os 194 mortos estivessem envolvidos com o transporte de drogas.
Em nota, o Comando Sul dos EUA afirmou que os ataques são “deliberados, legais e precisos”, direcionados a “narco-terroristas e seus facilitadores”, e disse confiar nas informações de inteligência utilizadas nas operações.
Para Ronderos, no entanto, a questão vai além do perfil das vítimas.
— Ainda que todos estivessem transportando drogas, não existe pena de morte para esse crime — ressalta. — Eles foram mortos sem qualquer chance de defesa.
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A avaliação é compartilhada por Brian Finucane, conselheiro do International Crisis Group e ex-advogado do Departamento de Estado dos EUA. Para ele, a operação não configura uma política efetiva de combate às drogas.
— Isso tem, em parte, um caráter de espetáculo militar, para passar a impressão de uma ação dura contra o narcotráfico — diz.
Organizações internacionais e a ONU classificam os ataques como execuções extrajudiciais. Ainda assim, as operações continuam.
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Finucane alerta para o risco de normalização das mortes, que podem passar a ser vistas como “ruído de fundo” diante de outros conflitos envolvendo os EUA, como a guerra em curso com o Irã.
Enquanto isso, segundo Ronderos, o impacto recai diretamente sobre as famílias das vítimas.
— Independentemente do que esses homens faziam, havia crianças que dependiam deles para comer — afirma. — E essas famílias já viviam em condições extremamente precárias.

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