Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Numa noite de primavera no Salão Oval, o presidente Donald Trump perguntou ao secretário de Estado, Marco Rubio, como poderia endurecer a postura em relação à Venezuela.
Era pouco antes do Memorial Day, e parlamentares cubano-americanos antiesquerdistas, cujos votos Trump precisava para aprovar seu principal projeto de política doméstica, pressionavam para que ele apertasse o cerco à Venezuela interrompendo as operações petrolíferas da Chevron no país. Mas Trump não queria perder o único ponto de apoio dos Estados Unidos na indústria de petróleo venezuelana, onde a China é o maior ator estrangeiro.
Acompanhe ao vivo: Trump confirma ataque à Venezuela e diz que Maduro foi capturado e retirado do país
Maduro capturado: Vice-presidente exige ‘prova de vida’; ‘tropa de elite’ americana teria conduzido ação contra líder venezuelano
O presidente considerava permitir que a Chevron continuasse. Mas disse a Rubio, um crítico histórico da Venezuela e de Cuba, que era preciso mostrar aos parlamentares e a outros céticos que o governo poderia “baixar o martelo” sobre Nicolás Maduro, o líder autocrático de esquerda da Venezuela, a quem Trump tentou derrubar em seu primeiro mandato.
Outro assessor presente na sala, Stephen Miller, disse que tinha ideias. Como conselheiro de segurança interna de Trump, ele vinha conversando com outros funcionários sobre a promessa de campanha do republicano de bombardear laboratórios de fentanil. Por vários motivos, essa ideia perdeu força e, nas últimas semanas, Miller passou a explorar ataques a barcos suspeitos de transportar drogas pela América Central.
Contexto: Mesmo com captura de Maduro, futuro da Venezuela ainda é incerto
As deliberações de Miller não estavam focadas na Venezuela, que não produz fentanil. Mas três objetivos distintos de política pública começaram a se fundir naquela noite: enfraquecer Maduro, usar força militar contra cartéis de drogas e garantir acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela para empresas dos Estados Unidos.
Dois meses depois, Trump assinou uma diretriz secreta ordenando ao Pentágono que realizasse operações militares contra cartéis de drogas na América Latina, mencionando especificamente ataques marítimos. Embora a justificativa fosse o combate às drogas de forma geral, a operação concentraria um enorme poder naval ao largo da costa venezuelana.
Initial plugin text
O resultado tem sido uma campanha de pressão cada vez mais militarizada com o objetivo de remover Maduro do poder.
Ela tem sido marcada por ataques dos Estados Unidos que mataram ao menos 105 pessoas em barcos no Caribe e no Pacífico oriental, um quase bloqueio de petroleiros que entram e saem de portos venezuelanos e, agora, o ataque ao país com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
“Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos”, escreveu Trump em declaração na sua plataforma Truth Social neste sábado.
EUA atacam Venezuela, capturam Maduro e retiram líder chavista do país
Alvos americanos: Além de ataque à base da Força Aérea e forte militar em Caracas, outros três estados foram alvos das explosões, diz Venezuela
Isso reflete impulsos convergentes de Rubio e Miller, que têm atuado em conjunto nas políticas contra Maduro. Cada um chega a isso com foco em objetivos antigos: para Rubio, filho de imigrantes cubanos e que também atua como conselheiro de segurança nacional de Trump, a chance de derrubar ou enfraquecer os governos da Venezuela e de sua aliada, Cuba; e para Miller, arquiteto das políticas anti-imigração de Trump, a oportunidade de avançar em seu objetivo de deportações em massa e de atingir grupos criminosos na América Latina.
Este relato de como a Venezuela passou ao centro da agenda de política externa do governo neste ano — a ponto de um possível conflito — baseia-se em entrevistas com autoridades americanas atuais e antigas, quase todas falando sob condição de anonimato devido a sensibilidades de segurança nacional. Entre as conclusões:
Miller disse a autoridades da Casa Branca na primavera para explorarem formas de atacar cartéis de drogas em seus países de origem na América Latina. Ele queria ataques que chamassem ampla atenção para criar um efeito dissuasório.
O foco na Venezuela se intensificou após o fim de maio, quando Trump se irritou com negociações difíceis envolvendo a Chevron. O petróleo venezuelano teve papel mais central nas deliberações de Trump do que se sabia até então.
Em reuniões no início do verão, Rubio e Miller falaram com Trump sobre atacar a Venezuela. O presidente pareceu convencido pelo argumento de Rubio de que Maduro deveria ser visto como um narcotraficante de alto escalão.
Miller disse a autoridades que, se os Estados Unidos e a Venezuela estivessem em guerra, o governo poderia voltar a invocar a Lei dos Inimigos Estrangeiros, uma lei do século XVIII, para acelerar a deportação de centenas de milhares de venezuelanos a quem o governo retirou o status de proteção temporária. Ele e Rubio haviam usado essa lei no início do ano para deportar sumariamente centenas de venezuelanos para uma prisão notória em El Salvador, até serem barrados por decisões judiciais.
A ordem secreta para ação militar contra cartéis, assinada por Trump em 25 de julho e prevendo ataques marítimos, é a primeira diretriz escrita conhecida do presidente sobre esse tipo de ataque. Autoridades do governo chamaram os ataques a barcos de “Fase Um”, com a liderança da SEAL Team Six. Eles discutiram uma vaga “Fase Dois”, possivelmente com unidades da Força Delta do Exército realizando operações terrestres.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, manteve muitos militares de carreira e advogados afastados da elaboração da “ordem de execução” que orienta os ataques a barcos. Como resultado, a ordem apresentou lacunas problemáticas, incluindo a ausência de linguagem sobre como lidar com sobreviventes.
Rubio, Miller e outros principais assessores supervisionaram um processo frequentemente improvisado e envolto em sigilo. A capacidade de manter o planejamento restrito a um círculo fechado foi facilitada pelo esvaziamento, ao longo do ano, de partes da burocracia federal, incluindo o Conselho de Segurança Nacional, que coordena discussões interagências.
Em setembro, o governo avançou para o que até agora é a fase mais sangrenta de sua campanha contra Maduro. Isso já soma 29 ataques letais a barcos nos últimos quatro meses, operações que muitos especialistas jurídicos classificam como assassinatos ou crimes de guerra. O governo diz ter inteligência que liga os barcos ao tráfico de drogas, mas não apresentou publicamente provas dessa afirmação.
Veja a repercussão: Presidentes de Cuba e Colômbia condenam ataque dos EUA à Venezuela, e Milei comemora
Anna Kelly, porta-voz da Casa Branca, afirmou em nota que o governo estava trabalhando “para cumprir a agenda do presidente de manter esse veneno fora de nossas comunidades”.
Rubio disse a repórteres em 19 de dezembro que o objetivo dos ataques a barcos era garantir que “ninguém mais queira entrar em barcos de drogas”, incutindo neles um “medo da morte”.
Ele também reiterou que o Departamento de Justiça obteve, em 2020, uma acusação de um grande júri contra Maduro por trabalhar com produtores colombianos de cocaína, que às vezes enviam seus produtos pela Venezuela. O governo de Maduro, disse ele, é “um regime ilegítimo que coopera abertamente com elementos terroristas”.
‘Invasão’ na primavera
As sementes da militarização da abordagem em relação a Maduro e aos venezuelanos foram plantadas em fevereiro, quando Rubio fechou um acordo com Nayib Bukele, o líder autoritário de El Salvador, em sua vila à beira de um lago: os Estados Unidos pagariam quase US$ 5 milhões para enviar cerca de 300 venezuelanos acusados de serem membros de gangues para o Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), em El Salvador.
Pouco depois de sua visita a Bukele, Rubio designou oito grupos criminosos latino-americanos como organizações terroristas estrangeiras. A gangue venezuelana Tren de Aragua liderou a lista.
Miller já havia identificado uma ferramenta legal para contornar o devido processo legal: a Lei dos Inimigos Estrangeiros, do século XVIII, que permite a detenção e deportação imediatas de cidadãos de um país que tenha invadido os Estados Unidos ou esteja em guerra com eles.
Trump assinou uma ordem executiva em março invocando a lei, com um título que alertava para “a invasão dos Estados Unidos pelo Tren de Aragua”. Em retrospecto, a ordem foi uma importante abertura de hostilidades contra Maduro: foi o primeiro enquadramento formal do governo de que Maduro e os Estados Unidos estariam em algum tipo de guerra. Em contraste com uma avaliação secreta da inteligência americana, o texto dizia que o Tren de Aragua era um instrumento de Maduro.
Muitos dos mais de 250 venezuelanos enviados a El Salvador não tinham vínculos com o Tren de Aragua nem antecedentes criminais relevantes, e alguns relataram tortura e abusos generalizados na prisão do CECOT.
Tribunais logo decidiram que imigração ilegal não se enquadra no tipo de invasão que justificaria o uso da lei de deportação em tempos de guerra. Mas Miller depois falou em reviver o uso da Lei dos Inimigos Estrangeiros se os Estados Unidos estivessem em uma guerra real com a Venezuela, disse um ex-funcionário americano.
Ao mesmo tempo, Miller explorava políticas não relacionadas à Venezuela que, assim como as deportações, tinham raízes na chamada guerra dos EUA ao terror. Ele analisou a ideia de bombardear laboratórios de fentanil no México. Mas ficou claro que líderes mexicanos não consentiriam, e o governo temia perder cooperação em temas de drogas e migração. O Washington Post havia noticiado anteriormente as discussões de Miller sobre ataques a cartéis no México.
No início de maio, a equipe de Miller começou a pedir mais opções para o uso da força contra cartéis de drogas.
Autoridades da Casa Branca e outros cogitaram ideias mais limitadas, incluindo o uso da CIA para realizar ataques encobertos a barcos atracados sem pessoas a bordo. Mas a equipe de Miller queria divulgar os ataques. Também se discutiu explodir barcos de drogas falsos para incutir medo nos traficantes. Mas os assessores de Miller queriam o “produto real”, disseram autoridades.
Em junho, um pedido para explorar uma possível operação marítima começou a circular no Pentágono. Ainda não estava focado na Venezuela, mas isso mudaria em breve — impulsionado pelo interesse antigo de Trump no recurso mais valioso do país.
Confronto pelo petróleo
Por anos, a Chevron manteve um prêmio singular no mundo corporativo americano: autorização dos governos dos Estados Unidos e da Venezuela para produzir e exportar petróleo em joint ventures.
Por causa disso, a empresa se tornou uma moeda de troca este ano em conjuntos secretos de negociações entre Trump, Maduro e parlamentares americanos — e se entrelaçou com um movimento decisivo de Trump em direção à ação militar.
Tudo começou quando parlamentares cubano-americanos pressionaram Trump no início do ano para encerrar a licença confidencial concedida à Chevron na era Biden. Depois que Trump e Rubio anunciaram, no fim de fevereiro, que fariam isso, Maduro parou de aceitar voos de deportação de venezuelanos. Maduro havia concordado com esses voos em 31 de janeiro com Richard Grenell, enviado especial de Trump.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, pressionou o governo por uma extensão da licença, falando com Trump várias vezes nos meses seguintes.
Os parlamentares cubano-americanos souberam que a licença poderia ser estendida e ameaçaram reter seus votos para a principal legislação de Trump, a “One Big Beautiful Bill”.
Na reunião no Salão Oval no fim de maio, Trump disse a Rubio e Miller que precisava aprovar o projeto. Mas afirmou ter ouvido sobre as desvantagens de encerrar a licença, incluindo o risco de empresas chinesas assumirem as participações da Chevron, disse uma autoridade.
O presidente exigiu opções. Foi quando Miller se ofereceu para ajudar. Ele vinha amadurecendo suas ideias sobre deportações em massa e ataques a barcos.
Trump não renovou a licença da Chevron quando ela expirou em 27 de maio. Seu projeto de política doméstica foi aprovado no Congresso cinco semanas depois.
O presidente realizou uma série de reuniões na Casa Branca sobre a possibilidade de atacar a Venezuela. Em uma delas, no início do verão, que incluiu Rubio, Miller e Grenell, Rubio argumentou que Maduro era um narcotraficante, uma caracterização que pareceu ficar na mente de Trump, disse uma autoridade.
No fim de julho, Trump mudou de posição sobre a licença da Chevron. Ele ordenou ao Departamento do Tesouro que emitisse uma nova licença com termos revisados. Isso ocorreu por volta do momento em que Maduro libertou 10 prisioneiros americanos em troca dos mais de 250 venezuelanos enviados pelo governo Trump ao CECOT, a prisão salvadorenha. Trump também foi influenciado pelo argumento de Wirth de que a Chevron era um contrapeso à China.
Mas, nos bastidores, Trump traçou um rumo de confronto. Em 25 de julho, assinou uma ordem secreta instruindo o Pentágono a agir contra grupos de tráfico de drogas, colocando em marcha a mira sobre venezuelanos.
Verão de sigilo
Essa diretriz secreta de Trump foi mantida em segredo até o The New York Times noticiar sua existência no início de agosto.
A ordem de duas páginas continha uma proposta escrita, até então não divulgada, para ataques a barcos. Ela instruía Hegseth a atingir embarcações em águas internacionais transportando drogas para qualquer um de 24 grupos “narcoterroristas” latino-americanos. A lista anexada incluía grupos da Venezuela.
Em governos anteriores, muitos advogados militares e especialistas operacionais do Pentágono teriam sido convidados para discutir a diretriz. O Conselho de Segurança Nacional teria coordenado discussões entre agências. Nada disso aconteceu.
Embora a ordem militar tenha permanecido secreta inicialmente, as ações públicas do governo apontavam Maduro como o alvo final da campanha.
A lista secreta de 24 grupos incluía grandes cartéis e grupos formalmente designados como terroristas pelo governo Trump, além de numerosas gangues mexicanas relativamente obscuras. No mesmo dia em que Trump assinou a diretriz, o Departamento do Tesouro anunciou sanções contra o “Cartel de los Soles”, um termo coloquial para a corrupção ligada ao tráfico dentro das Forças Armadas venezuelanas, declarando-o uma organização terrorista liderada por Maduro. O nome estava no fim da lista secreta de Trump.
Em 27 de julho, Rubio declarou que Maduro havia roubado uma eleição um ano antes e que era o chefe de um cartel, e não um presidente legítimo. Pouco mais de uma semana depois, ele e a procuradora-geral Pam Bondi anunciaram a duplicação da recompensa por informações que levassem à prisão ou condenação de Maduro, para US$ 50 milhões.
Por volta do mesmo período, um indicado de Trump, com pouca experiência em direito de segurança nacional, redigia um memorando do Departamento de Justiça afirmando que ataques a barcos seriam legais com base nos poderes de guerra de Trump. O aval jurídico foi desenvolvido até o fim de julho, quando o Senado confirmou os dois principais advogados responsáveis por revisar tal operação — T. Elliot Gaiser, chefe do Escritório de Assessoria Jurídica, e Earl G. Matthews, conselheiro-geral do Pentágono. Eles foram, na prática, apresentados a um fato consumado.
Autoridades do Escritório de Assessoria Jurídica aconselharam oralmente o governo de que a operação seria legal e finalizaram o memorando escrito em 5 de setembro. Quando advogados de outras agências levantaram preocupações, foram informados de que não havia o que debater porque o Departamento de Justiça já havia dado sinal verde.
No Pentágono, um pequeno círculo de autoridades mergulhou no planejamento operacional secreto dos ataques a barcos.
Hegseth assinou uma ordem de execução que criou a estrutura operacional dos ataques. Datada de 5 de agosto e redigida sem a contribuição de muitos funcionários de carreira do Pentágono, ela reutilizou linguagem de ordens anteriores desenvolvidas para ataques de drones contra alvos da Al-Qaeda em lugares como o interior do Iêmen.
Faltavam elementos cruciais para operações marítimas — incluindo qualquer menção ao que fazer com sobreviventes de um ataque, disseram autoridades.
Durante o planejamento, um assessor de Miller, Anthony Salisbury, pressionou o Pentágono por formas de ampliar o escopo das operações, incluindo flexibilizar padrões — como o nível de confiança necessário para que autoridades militares considerem que um alvo atende aos critérios. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, aconselhou que os militares estabelecessem critérios de seleção com base em lições aprendidas nas guerras pós-11 de Setembro. Kelly, a porta-voz da Casa Branca, disse que o relato sobre o papel de Salisbury é “inventado”.
Hegseth manteve em grande medida fora do processo o almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul, responsável pelas forças na região. Holsey havia começado a levantar questionamentos sobre os planos. Por vários meses, Hegseth sustentou que o almirante não estava perseguindo a missão antidrogas com agressividade suficiente. Holsey anunciou abruptamente em outubro que deixaria o cargo mais cedo, no fim do ano. Seus motivos permanecem pouco claros.
O Pentágono também contornou um processo chamado Maritime Operational Threat Response, usado para obter contribuições de várias agências ao propor uma ação marítima com implicações internacionais, disse William D. Baumgartner, contra-almirante da Guarda Costeira aposentado e advogado que supervisionou operações no Caribe.
Em 2 de setembro, quando forças americanas detectaram uma lancha com 11 pessoas a bordo, Hegseth deu a ordem para atacar. Trump publicou um vídeo editado mostrando um único ataque destruindo a embarcação.
Entre os destroços
Na verdade, após o primeiro míssil atingir o alvo, dois homens emergiram da água e subiram no casco virado, acenando, disseram pessoas que viram o vídeo completo do ataque.
Frank M. Bradley, comandante de três estrelas do Comando Conjunto de Operações Especiais, a força que realizou o ataque, havia ensaiado em agosto cenários em que poderia haver sobreviventes. Ele ordenou ataques adicionais, afundando os destroços e matando os sobreviventes iniciais.
Outros ataques logo se seguiram. Enquanto Rubio se tornou o principal defensor público das ações, Miller passou a atuar como supervisor da Casa Branca — convocando reuniões regulares que incluíam o Pentágono e outras agências. O Guardian noticiou anteriormente seu papel.
Em 16 de outubro, após um ataque no Mar do Caribe, autoridades militares avistaram dois sobreviventes.
Desta vez, um helicóptero recolheu os homens e os levou a bordo do USS Iwo Jima. O governo dos Estados Unidos logo os enviou de volta a seus países de origem, Colômbia e Equador. Eles não foram acusados em seus países.
O episódio desencadeou uma corrida secreta — e tardia — no Pentágono sobre a questão dos sobreviventes. Em chamadas separadas com o Departamento de Estado, autoridades do Pentágono chegaram a propor enviá-los ao CECOT, a prisão salvadorenha, ou repatriá-los ou enviá-los a um terceiro país.
Advogados militares revisaram várias vezes a ordem de execução, inicialmente enxuta, para incluir linguagem sobre sobreviventes, disseram autoridades. Alguns outros disseram que as mudanças refletiam planejamento anterior. As revisões afirmavam que os militares deveriam tratar detidos de acordo com o direito internacional.
Mas autoridades de alto escalão deixaram claro em conversas internas que a melhor opção, se sobreviventes fossem avistados na água, seria pedir a um governo próximo que os recolhesse, em vez de fazê-lo com forças americanas, disse uma autoridade.
O Pentágono se recusou a comentar, seguindo sua prática padrão sobre ordens de execução.
À medida que os ataques continuam, Trump, Rubio e Miller avançaram para a próxima etapa da campanha contra Maduro: apreender petroleiros para privar a Venezuela de receitas. Eles dizem que Maduro deve devolver petróleo e outros ativos “roubados” dos Estados Unidos antes que levantem o que Trump se referiu como um bloqueio.
Nas primeiras semanas, a tática abalou a economia venezuelana ao paralisar sua indústria petrolífera. Críticos chamam isso de diplomacia das canhoneiras ou, como Maduro diz, “um pretexto belicista e colonialista”.

Veja outras postagens

Uma onda de calor precoce que atinge partes da Europa Ocidental levou o chefe climático da ONU, Simon Stiell, a classificar nesta quarta-feira os eventos como “um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática”. França e Reino Unido registraram nesta semana os dias mais quentes já observados no mês de maio, enquanto temperaturas escaldantes, normalmente associadas ao auge do verão, se espalharam por países da região.
Contexto: Recorde no Reino Unido, alerta na França e onda de calor na Espanha: Europa enfrenta altas temperaturas
Alerta no clima: Cientistas projetam Super El Niño em 2026 e acendem alerta global para pobreza, desnutrição e conflitos
Com temperaturas persistentemente acima dos 30°C em grande parte do norte da Europa e previsão de nova alta na quinta-feira, Stiell, que é secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, afirmou que o “principal culpado” pelas ondas de calor extremas é a queima de carvão, petróleo e gás — amplamente reconhecidos como os principais motores das mudanças climáticas.
“A ciência é clara ao mostrar que as mudanças climáticas causadas pela ação humana estão tornando essas ondas de calor mais frequentes e extremas”, afirmou ele em nota, destacando as condições extremas que a atingem a Índia, onde equipes combatem incêndios florestais e autoridades locais relataram mortes por insolação.
A plataforma de monitoramento de qualidade do ar AQI registrou que as 45 cidades mais quentes do mundo nesta quarta estavam todas na Índia — e todas acima de 43°C.
“Proteger vidas humanas, empresas e economias do calor extremo e dos muitos outros custos crescentes das mudanças climáticas é uma tarefa central para todas as nações”, continuou Stiell, enfatizando, ainda, que a guerra no Irã expôs os custos da dependência de combustíveis fósseis e a necessidade de migrar para fontes de energia mais limpas.
Temperaturas elevadas
Na Europa, as temperaturas permaneceram acima de 30°C em grande parte do norte do continente, com previsão de nova alta na quinta-feira. França, Espanha e Reino Unido enfrentaram temperaturas normalmente registradas em julho ou agosto.
Assembleia Geral: ONU adota resolução que obriga países a cumprirem metas climáticas; EUA, Irã, Israel e Rússia se opõem
Na França, o serviço meteorológico Météo-France informou que uma “cúpula de calor” — fenômeno em que uma massa de alta pressão aprisiona o ar quente — estava produzindo temperaturas entre 10°C e 13°C acima do normal para esta época do ano. A previsão era de máximas de até 39°C no sul do país nesta quinta-feira.
Treze dos 96 departamentos administrativos franceses foram colocados sob alerta laranja para altas temperaturas, o segundo nível mais elevado, enquanto outros 29 ficaram sob alerta amarelo.
O país também registrou nesta semana a maior temperatura média nacional já observada para o mês de maio. Na terça, o índice térmico médio nacional atingiu 24,9°C, superando os 24,6°C registrados na segunda, que já tinham estabelecido um recorde.
As autoridades francesas relataram ao menos sete mortes relacionadas à onda de calor. Cinco delas ocorreram por afogamento, enquanto muitas pessoas buscavam alívio em áreas de banho. Outras duas mortes foram de participantes de eventos esportivos.
Níveis recordes: Centro de clima europeu teme que o retorno do El Niño faça de 2027 o ano mais quente já registrado
No Reino Unido, uma temperatura de 35,1°C foi registrada em Kew Gardens, em Londres, na terça-feira, segundo o Met Office, o serviço meteorológico britânico. O número superou o recorde de 34,8°C registrado um dia antes e ultrapassou com folga a marca anterior de 32,8°C, observada em 1922 e igualada em 1944.
O país ainda teve outra “noite tropical” recordista na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra, onde a temperatura durante a madrugada não caiu abaixo de 21,4°C. Pelo menos quatro adolescentes morreram afogados desde domingo.
Na Espanha, onde as temperaturas podem chegar a 40°C nesta semana, foi emitido um alerta laranja para o País Basco diante da previsão de máximas de até 37°C na região norte nesta quarta-feira. Temperaturas entre 36°C e 38°C também eram esperadas em regiões do sul do país.
A agência meteorológica estatal espanhola, Aemet, disse que temperaturas normalmente observadas em julho já haviam sido registradas em diversas partes do país e que o calor era “mais característico da canícula, o período mais quente do ano”.
— Tanto este episódio quanto o padrão atmosférico que o está provocando fazem parte das mudanças climáticas e do que vem sendo observado nos últimos anos — afirmou o porta-voz da Aemet, Rubén del Campo.
Relatório: Terra acumulou calor recorde em 2025, e consequências podem durar milhares de anos
A Irlanda também registrou temperaturas recordes para maio, incluindo uma máxima de 28,8°C na segunda-feira.
Recordes ‘impressionantes’
Cientistas afirmam que, à medida que a Terra aquece, eventos de calor extremo historicamente restritos ao auge do verão estão se tornando mais frequentes e intensos, além de ocorrerem mais cedo e mais tarde ao longo do ano, colocando mais pessoas em risco.
O diretor de pesquisa climática da Universidade Maynooth, Peter Thorne, afirmou que os recordes observados no Reino Unido e na França eram “absurdamente impressionantes”.
— Sabemos, sem qualquer sombra de dúvida, que eventos como este se tornaram mais prováveis e mais severos devido às mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases de efeito estufa que retêm calor — disse ele ao jornal britânico The Guardian. — Ainda assim, muitos dos recordes que estão sendo estabelecidos, particularmente no Reino Unido e na França, são absurdamente impressionantes. (Com AFP)
Em um momento em que equipes de negociadores de EUA e Irã estão envolvidos em tratativas de um acordo para por fim à guerra no Oriente Médio, a TV estatal iraniana divulgou a versão de uma suposta minuta do memorando de entendimento entre os dois países, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de 30 dias após a assinatura, e a retirada das forças navais americanas da região. A versão, que a própria emissora afirmou se tratar de um texto não-oficial, elevou a expectativa em torno de um acordo e afetou imediatamente o preço do petróleo. A Casa Branca se manifestou horas após a divulgação, afirmando se tratar de uma “total invenção”.
Contexto: Trump reúne gabinete em Washington em meio a negociações com o Irã e disputa sobre Ormuz
Em meio a disputa por inclusão em cessar-fogo: Israel e Hezbollah entram em confronto além de zona no sul do Líbano
O canal IRIB News apresentou a versão da minuta nesta quarta. De acordo com os termos descritos, o Irã se comprometeria em garantir a retomada do fluxo naval por Ormuz ao patamar anterior à guerra — quando circulava pelo estreito o equivalente a 1/5 da produção de petróleo e gás do mundo. Os EUA, por sua vez, retirariam suas forças navais da região, encerrando o bloqueio aos portos iranianos, que Washington manteve em vigor mesmo com a trégua entre os dois países.
Initial plugin text
Ainda segundo o descrito no documento, o trânsito de embarcações militares não estaria incluído nos termos. A gestão da navegação pela rota ficaria compartilhada entre Irã e Omã, que negociam a parte um formato de co-gestão. EUA, Israel e países do Golfo Pérsico, incluindo o Catar, manifestaram-se anteriormente contra a ideia de Teerã ter reconhecidamente poder sobre o trânsito naval.
O preço do petróleo caiu após a divulgação da notícia, com o barril Brent — uma das referências do mercado internacional — recuando quase 4%, para menos de US$ 96. Horas mais tarde, a Casa Branca classificou a versão iraniana como “total invenção”, com um comunicado emitido via redes sociais acusando a “mídia controlada pelo Irã” de mentir, aconselhando que ninguém acredite “no que a mídia estatal iraniana está publicando”.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou no fim de semana contra comentários sobre os supostos elementos de um acordo, afirmando que um texto final ainda não estava pronto. O diálogo entre Teerã e Washington acontece de forma indireta, mediado pelo Paquistão. Em momentos anteriores, essas tratativas foram descritas como um envio de proposições — sem necessariamente incluir nos termos apenas as questões pré-aprovados pelos dois lados.
O cenário de um acordo amplo, porém, permanece incerto. Embora Trump tenha sinalizado progressos no fim de semana, e uma reunião de gabinete nesta quarta-feira tenha elevado as expectativas de uma definição sobre o Oriente Médio, o Comando Central dos EUA (Centcom) voltou a atacar posições no Irã no começo da semana — levando a Guarda Revolucionária iraniana a prometer retaliações.
Em paralelo, Teerã também deu sinais de algum tipo de normalização. Autoridades iranianas disseram nesta quarta-feira que 25 embarcações, incluindo navios petroleiros e cargueiros, cruzaram Ormuz nas últimas 24 horas, após aceitarem coordenar a passagem com os organismos responsáveis do país. A Guarda Revolucionária afirmou que embarcações de “países hostis” continuam proibidas de passar por Ormuz. (Com NYT e AFP)

Parlamentares da oposição criticaram a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil e reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. A sessão da Comissão da Câmara pode votar a PEC ocorre nesta quarta-feira (27).

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) defendeu que a jornada de trabalho deveria ser definida pela negociação entre patrões e trabalhadores, e não por Emenda Constitucional.

Notícias relacionadas:

“É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, mas é óbvio que estamos preocupados também se o custo que vai aumentar na mão de obra não vai recair sobre aquele povo já tão sofrido que reclama que o dinheiro dele não dá para nada”, comentou a parlamentar.

Estudos divergem sobre os impactos econômicos da redução da jornada de trabalho na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB), a depender das premissas usadas pelos pesquisadores. Em países da Europa, a redução das jornadas não reduziu o PIB, nem teve efeitos negativos sobre os salários ou nível de emprego.

O deputado Gilson Marques (Novo-SC), que apresentou pedido para adiar a votação, reconheceu que a escala 6×1 é exaustiva, mas argumentou que a mudança “na marra” prejudicaria os trabalhadores.  

“Tentar acabar com isto na marra, na força da lei, pode piorar ainda mais para quem trabalha. Sabem o que sufoca realmente o cidadão? É o Estado. Este é o verdadeiro problema”, afirmou.

Para Marques, a redução para escala 5×2 prejudica “o pequeno empreendedor, o consumidor e o próprio trabalhador”.

Ao mesmo tempo em que criticava o fim da 6×1, a deputada do PL Júlia Zanatta repetiu fala do líder do Partido Liberal (PL), deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que anunciou que o partido apresentaria destaque no Plenário da Câmara para reduzir a escala para 4×3. “Vamos ver como que vão se posicionar”, provocou Zanatta.

Manobra da oposição

Como o PL foi contrário à redução da jornada de trabalho durante a tramitação da proposta, a fala do líder do partido representa uma suposta mudança de posição da legenda diante da expectativa de que a PEC será aprovada na Câmara.

A deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das PEC que estabelece o fim da escala 6×1, afirmou que o discurso do principal partido da oposição é uma “manobra” para evitar o fim da escala 6×1.  

“Para tentar prejudicar o processo de votação, desenterram isso para enganar o trabalhador brasileiro porque sabem que, daqui para amanhã, nós não temos condições de refazer aquilo que já está acordado”, disse a parlamentar.

O fim da escala 6×1 para a 5×2 e a redução das atuais 44 horas semanais para 40 horas foi um acordo costurado pelo governo e lideranças da Câmara dos Deputados

Ao mesmo tempo, Erika defendeu que, no futuro, seja votado a redução da jornada para 36 horas com escala de 4×3, rebatendo a oposição.

“Propuseram 10 anos de transição, falaram em 52 horas semanais e, da noite para o dia, porque viram que a coisa também estava ficando puxada para o lado de lá — por que como é que vão explicar para o trabalhador que são contra um tempo de dignidade?”, completou.

A escala 4×3 é adotada, de forma espontânea, por algumas empresas. Estudo em Portugal revelou que maioria das companhias que adotaram escala reduzida por conta própria pretendem manter a mudança.

O deputado Carlos Zarratini (PT-SP) defendeu que a PEC não proíbe jornadas maiores de 40 horas, bastando que os empregadores paguem horas-extras. Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) defendeu que a mudança favorece as famílias brasileiras.

“É, sobretudo, uma conquista das famílias brasileiras, que terão, obviamente, mais saúde física e mental, mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, mais qualidade de vida, redução do estresse, menor exaustão, mais produtividade no trabalho, mais qualificação profissional, mais tempo para estudar, para a vida comunitária e para viver”, justificou.

Se aprovada a mudança, o Brasil se une a outros países latino-americanos que reduziram a jornada de trabalho nos últimos anos, como Colômbia, Chile e México. 

Entenda a PEC do fim da 6×1

O texto em discussão na Comissão Especial prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial. Pela proposta, o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

Após prazo de 60 dias, a jornada será reduzida para 42 horas semanais, chegando a 40 horas 14 meses após promulgação da Emenda Constitucional.

Contudo, duas emendas apresentadas por partidos do centrão, grupo que reúne partidos da direita tradicional, busca derrubar a regra de transição proposta pelo relator Leo Prates (Republicanos-BA) após ele não acolher sugestão de criar uma regra de transição de 10 anos. 

O relator ainda modifica Artigo 7º da Constituição Federal, determinando que a duração do trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, “facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.”

O parecer da PEC permite que o trabalhador faça a escala 6×1, desde que o segundo dia de folga obrigatória por semana seja compensada dentro do mesmo mês.

A legislação ainda traz restrições para trabalhadores que recebem salário igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS, ou seja, R$ 21.188,87 nos valores atuais. Os empregados com recebem esse valor, ou mais, ficariam dispensados de cumprir a jornada prevista na proposta.

A PEC ainda prevê uma regra de transição maior para os terceirizados da Administração Pública. Nesse caso, as empresas teriam 12 meses para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho.

 

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados adiou, mais uma vez, a análise da admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos.

A reunião deliberativa começou por volta das 11h, no plenário 1, mas foi interrompida após pedido de vista dos deputados Sâmia Bomfim (PSOL-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Orlando Silva (PCdoB-SP).

Notícias relacionadas:

Na semana passada, a análise da admissibilidade da proposta foi adiada por causa do início da Ordem do Dia no Plenário. Com isso, as demais votações na Casa, como em comissões, são interrompidas.

Entenda

A proposta é de autoria do ex-deputado Gonzaga Patriota (PE). O parecer apresentado pelo relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), é favorável à admissibilidade da PEC na CCJ, com emendas.

De acordo com o texto, jovens com 16 anos passariam a responder criminalmente por seus atos como adultos, tendo de cumprir pena em presídios.

Atualmente, jovens que cometem infrações graves cumprem medidas socioeducativas pelo limite de três anos, estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Números

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o país tem cerca de 12 mil adolescentes em unidades de internação ou em privação de liberdade. 

Esse número corresponde a menos de 1% do total de jovens no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

*Com informações da Agência Câmara

 

Em um momento em que equipes de negociadores de EUA e Irã estão envolvidos em tratativas de um acordo para por fim à guerra no Oriente Médio, a TV estatal iraniana divulgou a versão de uma minuta do memorando de entendimento entre os dois países, prevendo a reabertura do Estreito de Ormuz em um prazo de 30 dias após a assinatura, e a retirada das forças navais americanas da região. A versão, que a própria emissora afirmou se tratar de um texto não-oficial, elevou a expectativa em torno de um acordo e afetou imediatamente o preço do petróleo.
Contexto: Trump reúne gabinete em Washington em meio a negociações com o Irã e disputa sobre Ormuz
Em meio a disputa por inclusão em cessar-fogo: Israel e Hezbollah entram em confronto além de zona no sul do Líbano
O canal IRIB News apresentou a versão da minuta nesta quarta. De acordo com os termos descritos, o Irã se comprometeria em garantir a retomada do fluxo naval por Ormuz ao patamar anterior à guerra — quando circulava pelo estreito o equivalente a 1/5 da produção de petróleo e gás do mundo. Os EUA, por sua vez, retirariam suas forças navais da região, encerrando o bloqueio aos portos iranianos, que Washington manteve em vigor mesmo com a trégua entre os dois países.
Initial plugin text
Ainda segundo o descrito no documento, o trânsito de embarcações militares não estaria incluído nos termos. A gestão da navegação pela rota ficaria compartilhada entre Irã e Omã, que negociam a parte um formato de co-gestão. EUA, Israel e países do Golfo Pérsico, incluindo o Catar, manifestaram-se anteriormente contra a ideia de Teerã ter reconhecidamente poder sobre o trânsito naval.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou no fim de semana contra comentários sobre os supostos elementos de um acordo, afirmando que um texto final ainda não estava pronto. O diálogo entre Teerã e Washington acontece de forma indireta, mediado pelo Paquistão. Em momentos anteriores, essas tratativas foram descritas como um envio de proposições — sem necessariamente incluir nos termos apenas as questões pré-aprovados pelos dois lados.
Apesar disso, o preço do petróleo caiu após a divulgação da notícia. O preço do barril Brent, uma das referências internacionais, recuou quase 4%, para menos de US$ 96.
O cenário de um acordo amplo, porém, permanece incerto. Embora Trump tenha sinalizado progressos no fim de semana, e uma reunião de gabinete nesta quarta-feira tenha elevado as expectativas de uma definição sobre o Oriente Médio, o Comando Central dos EUA (Centcom) voltou a atacar posições no Irã no começo da semana — levando a Guarda Revolucionária iraniana a prometer retaliações.
Em paralelo, Teerã também deu sinais de algum tipo de normalização. Autoridades iranianas disseram nesta quarta-feira que 25 embarcações, incluindo navios petroleiros e cargueiros, cruzaram Ormuz nas últimas 24 horas, após aceitarem coordenar a passagem com os organismos responsáveis do país. A Guarda Revolucionária afirmou que embarcações de “países hostis” continuam proibidas de passar por Ormuz. (Com NYT e AFP)

Os partidos do chamado centrão, que reúne coligações da direita tradicional, tentam derrubar a transição de 60 dias para iniciar a implementação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil e reduz a jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais. Um outro destaque para limitar a extensão do fim da escala 6×1 foi retirado após acordo.

A sessão da Comissão Especial que trata do assunto na Câmara dos Deputados começou na manhã desta quarta-feira (27). Os parlamentares debatem ainda quatro destaques que tentam mudar o texto do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA).

Notícias relacionadas:

O bloco partidário que reúne União, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos apresentou quatro destaques, mas aceitou retirar um deles após acordo para que todos possam falar durante a sessão. Há mais de 30 deputados inscritos.

Dois destaques apresentados pelo centrão preveem a exclusão da regra de transição proposta pelo relator, que estabelece a entrada em vigor do fim da escala 6×1, assim como a redução da jornada de 44 para 42 horas, em 60 dias após a promulgação da proposta.

A redução para as 40 horas está prevista para ocorrer 14 meses após a publicação do texto no Diário Oficial. 

O pedido de supressão da regra de transição ocorre após o relator Leo Prates não acolher as emendas apresentadas por mais de 170 parlamentares do centrão e da oposição que pretendiam estabelecer uma regra de transição de 10 anos a partir da promulgação da Emenda Constitucional.

Destaque retirado

Um dos destaques apresentados pelo centrão foi retirado, no início da sessão, após acordo com o presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP).

O destaque pedia a exclusão dos dois dias de repouso obrigatório por semana para os casos em que, por Lei, sejam estabelecidos regimes de trabalho diferenciados. Se esse destaque fosse aprovado, o fim da escala 6×1 poderia ser limitado por lei posterior que tratasse de categorias específicas.

Transição 

Um outro destaque, apresentado pelo Psol e pela Rede, pede a exclusão do artigo que impõe uma regra de transição maior – de um ano em vez de 60 dias – para o fim da escala 6×1 dos terceirizados vinculados à administração pública.

Na mesa da Comissão, havia ainda dois pedidos de retirada da PEC da pauta e dois pedidos para adiar a votação, todos apresentados pelo deputado Gilson Marques (Novo-SC), que acabou retirando os pedidos de adiamento de votação, após acordo para que todos tenham direito de falar na sessão.

Com amplo apoio popular, a PEC é apoiada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e criticada pela oposição. Na última sessão, a votação foi adiada por pedido de vista apresentado pelo deputado Maurício Macron (PL-RS).

Entenda 

O texto da PEC prevê a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.

Pela proposta, o fim da escala 6×1, com garantia de ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

Após os primeiros 60 dias, a jornada será reduzida para 42 horas semanais, chegando a 40 horas 14 meses após promulgação da Emenda Constitucional.

O relator ainda modifica o Artigo 7º da Constituição Federal, determinando que a duração do trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, “facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.”

A PEC também permite que o trabalhador faça a escala 6×1, desde que o segundo dia de folga obrigatória por semana seja compensado dentro do mesmo mês.

A legislação traz ainda restrições para trabalhadores que recebem salário igual ou superior a duas vezes e meia o teto do INSS (R$ 21.188,87 em valores atuais). Os empregados que recebem esse valor ou mais ficariam dispensados de cumprir a jornada prevista na proposta.

A PEC prevê uma regra de transição maior para os terceirizados da Administração Pública. Nesse caso, as empresas teriam 12 meses para acabar com a escala 6×1 e reduzir a jornada de trabalho.

 

No encontro que teve com Flávio Bolsonaro na terça-feira (26), Donald Trump citou que recebeu o presidente Lula há poucas semanas e voltou a chamar o brasileiro de “dinâmico”. O elogio já tinha sido feito por Trump a Lula em uma rede social, após os dois chefes de Estado se reunirem em Washington. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
A vitória do procurador-geral do Texas, Ken Paxton, nas primárias republicanas para o Senado transformou o estado — tradicional reduto conservador — em um novo campo de batalha político nos Estados Unidos. O resultado amplia o mapa eleitoral da disputa pelo controle do Senado, antecipa as linhas de ataque de democratas e republicanos e servirá como um teste da influência do presidente Donald Trump na eleição geral de novembro.
Contexto: Candidato apoiado por Trump vence primárias republicanas no Texas
Aposta dobrada: Maga se afasta de Trump e defende pautas ainda mais antidemocráticas para 2028
Os democratas ainda enfrentam um cenário difícil para tentar transformar o Texas em um estado competitivo. Ainda assim, o partido vê uma oportunidade com a candidatura de James Talarico, deputado estadual e estudante de seminário que tem defendido uma plataforma política inclusiva. Ao mesmo tempo, a ascensão de Paxton — um procurador-geral cercado de escândalos — após derrotar o senador John Cornyn com o apoio “completo e total” de Trump promete uma disputa de grandes proporções no estado.
Ampliando o mapa eleitoral
Democratas e até parte dos republicanos avaliam que a indicação de Paxton pode colocar o Texas entre os estados decisivos para definir o controle do Senado. Hoje, os republicanos ocupam 53 cadeiras na Casa. Para retomar a maioria, os democratas precisam manter todos os assentos que já controlam e conquistar mais quatro em novembro. Até então, o foco do partido estava em estados como Alaska, Maine, Carolina do Norte e Ohio. A queda na popularidade de Trump, porém, levou estrategistas a enxergar no Texas um novo caminho possível.
Ao mesmo tempo, aliados republicanos já demonstram preocupação com o impacto da atuação de Trump nas primárias. O presidente também apoiou candidatos que derrotaram senadores republicanos considerados pouco leais, como Bill Cassidy, na Louisiana, levantando dúvidas sobre possíveis dificuldades para a agenda do partido no Congresso.
Entenda: Com rara oposição republicana, Trump sofre revés no Senado em meio a críticas por fundo de US$ 1,8 bilhão
Abrindo a disputa com ataques
Na noite da vitória, Paxton e Talarico adotaram discursos duros e trataram a disputa como decisiva para o futuro político do estado. Enquanto Paxton classificou Talarico como um liberal “esquisito”, o democrata afirmou que o rival representa interesses de doadores bilionários que roubam recursos públicos das pessoas trabalhadoras comuns.
— Sem sombra de dúvida, serei o alvo número 1 dos democratas em novembro — declarou Paxton diante de apoiadores.
Pouco antes de o republicano subir ao palco em Plano, no Texas, a campanha de Talarico divulgou um vídeo chamando Paxton de “o político mais corrupto da América”.
— Por 50 anos, megadoadores e seus políticos fantoches, como Ken Paxton, roubaram de nós com subornos, resgates financeiros e cortes de impostos para bilionários — disse Talarico. — Isso acaba este ano. Neste estado. Nesta disputa.
Entrevista: ‘Casa Branca tentará interferir na eleição brasileira’, diz escritora Anne Applebaum
Os democratas finalmente podem colocar o Texas em jogo?
Nenhum democrata vence uma eleição estadual no Texas desde 1994. Ainda assim, integrantes do partido acreditam que a candidatura de Paxton — marcada por controvérsias — oferece a melhor chance de vitória em anos. O apoio tardio de Trump ajudou Paxton a vencer com folga uma primária republicana de baixa participação. Mas ainda há dúvidas sobre o impacto desse respaldo em uma eleição geral, em meio à queda de popularidade do presidente, à impopularidade da guerra contra o Irã e à alta no preço dos combustíveis.
— Paxton não sabe ampliar seu apelo — afirmou Matt Mackowiak, assessor sênior de Cornyn. — Ele disputa eleições gerais como se fossem primárias.
O ex-deputado Beto O’Rourke, que quase derrotou o senador Ted Cruz em 2018, avalia que a força de Paxton entre republicanos mais ideológicos pode não se repetir em novembro, já que o procurador é “extremo demais e ligado demais a Trump, cuja popularidade continua caindo”. A avaliação é semelhante a do cantor texano Bobby Pulido, vencedor do Grammy Latino e candidato democrata ao Congresso, que também vê uma disputa competitiva.
— O Vale do Rio Grande tem eleitores conservadores que não são necessariamente MAGA — afirmou. — E Paxton é claramente um candidato MAGA.
Projeção de imagem: Trump personaliza memória oficial dos EUA às vésperas dos 250 anos da independência do país
Na noite da eleição, Talarico tentou se aproximar dos eleitores moderados de Cornyn. Em uma publicação nas redes sociais, agradeceu ao senador pelo serviço prestado ao estado e afirmou que seus apoiadores “têm lugar” em sua campanha.
Disputa promete bater recordes de gastos
Depois da primária para o Senado mais cara da história recente dos EUA — com US$ 128 milhões em anúncios apenas na disputa republicana — os dois lados já se preparam para uma campanha que, segundo estrategistas, pode custar milhões de dólares adicionais.
Talarico arrecadou cerca de US$ 40,2 milhões entre setembro e março. Paxton, por outro lado, enfrentou dificuldades para atingir suas metas financeiras e ficou bem abaixo dos US$ 20 milhões que dizia precisar para derrotar Cornyn. Mesmo assim, venceu com facilidade.
Entenda: Eleições legislativas nos EUA podem impor dura derrota a Trump
Republicanos aliados de Cornyn alertaram que a candidatura de Paxton obrigará o partido a investir milhões extras para defender uma cadeira antes considerada segura — desviando recursos de outras disputas competitivas pelo país.
Talarico tenta ampliar apoio entre eleitores negros
Os eleitores negros, base historicamente fiel aos democratas, apoiaram majoritariamente a deputada Jasmine Crockett nas primárias de março. Desde então, Talarico intensificou esforços para se aproximar desse eleitorado. Participou do funeral do reverendo Jesse Jackson em Chicago, encontrou-se com o ex-presidente Barack Obama em Austin, discursou na formatura da Paul Quinn College — faculdade historicamente negra em Dallas — e se reuniu com Opal Lee, ativista que liderou a campanha para tornar o Juneteenth um feriado federal.
Mesmo assim, Crockett avalia que Talarico tem priorizado republicanos moderados decepcionados com Trump e Paxton em detrimento de parte do eleitorado negro democrata.
— Ele está enfrentando dificuldades com alguns de nossos eleitores negros mais consistentes — afirmou. — Tenho muitas dúvidas de que eleitores negros que votam esporadicamente se sintam motivados, porque não estou convencida de que sejam um alvo. O alvo aparentemente tem sido os MAGA desiludidos.
Talarico também tem bagagem…
Nas últimas semanas, republicanos passaram a atacar Talarico como alguém culturalmente desconectado dos valores tradicionais do Texas. Vídeos divulgados em podcasts, redes sociais e veículos conservadores mostram declarações do democrata usando a história da concepção de Jesus Cristo para defender o direito ao aborto, dizendo que “Deus é não binário”, apoiando direitos transgênero e alertando sobre “homens brancos radicalizados”.
Um grupo ligado ao conservador Club for Growth lançou um anúncio classificando Talarico como um “esquisitão woke para o Senado”. Em seu discurso de vitória, Paxton também tentou criar apelidos para o rival, em um estilo semelhante ao de Trump, chamando Talarico de “Tofu Talarico” e “Jimmy James dos seis gêneros”.
A estratégia busca apresentar Talarico — que fez da fé um dos pilares da campanha — como liberal demais para um estado onde o eleitorado evangélico tem peso relevante. Assessores do democrata, por outro lado, afirmam que algumas falas estão sendo retiradas de contexto. O próprio Talarico disse continuar defendendo os princípios por trás das declarações, embora reconheça que hoje se expressaria de forma diferente.
… mas Paxton também
O histórico de Paxton já é amplamente conhecido no Texas. Ele foi indiciado por fraude financeira, sofreu impeachment, foi acusado de roubar uma caneta de US$ 1 mil e enfrenta um processo de divórcio movido pela esposa, que cita “motivos bíblicos”. Além disso, teve papel ativo na tentativa de reverter o resultado da eleição presidencial de 2020 vencida por Trump e discursou no ato de 6 de janeiro de 2021, antes da invasão do Capitólio.
Paxton e sua esposa, a senadora estadual Angela Paxton, iniciaram um processo de mediação para dissolver o casamento. O casal tentou manter o caso sob sigilo, mas voltou atrás após questionamentos de veículos de imprensa. Caso não haja acordo, o julgamento está marcado para o fim de junho. Uma exposição pública do fim do casamento durante a campanha eleitoral seria vista como um problema adicional para Paxton diante de Talarico, que construiu sua candidatura em torno de uma imagem de integridade e religiosidade.
Horas antes da vitória de Paxton nas primárias, Angela Paxton divulgou sua lista de apoios políticos. O marido, de quem está separada, não foi mencionado.
Enquanto equipes de negociadores de EUA e Irã seguem imersas em diálogos indiretos em busca de um acordo definitivo para encerrar o conflito no Oriente Médio, o presidente americano, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete para esta quarta-feira, aumentando a expectativa de uma possível definição. A tensão entre os países escalou nos últimos dias, após novas ações militares americanas serem acusadas de violações ao cessar-fogo por parte de Teerã — cujas autoridades mantêm certo ceticismo sobre as negociações.
Em meio a disputa por inclusão em cessar-fogo: Israel e Hezbollah entram em confronto além de zona no sul do Líbano
Com ‘ingresso’ a US$ 1 bilhão: Conselho da Paz de Trump não recebeu um único dólar, diz jornal
A reunião de gabinete ocorre dias depois de Trump enviar sinais trocados sobre as negociações. Ainda no sábado, o presidente afirmou que “grande parte” de um acordo havia sido fechado com o Irã — com fontes citadas pela imprensa internacional se referindo a um memorando de 14 pontos que serviria de ponto de partida para outras fases de implementação, incluindo definições sobre o Estreito de Ormuz e o programa nuclear iraniano. A declaração do presidente atraiu críticas de republicanos e democratas, e forçou um recuo à maneira de Trump: que disse que os termos ainda não tinham sido finalizados e alertou que não iria “precipitar” um acordo, chamando os críticos de “perdedores”.
Initial plugin text
Os sinais sobre as negociações não dissiparam as tensões bélicas. Os EUA atacaram entre a noite de segunda-feira e a madrugada de terça instalações iranianas, incluindo bases de lançamento de míssil e embarcações que acusaram como suspeitas de instalar minas navais. O Comando Central dos EUA (Centcom) classificou as medidas como “autodefesa”. A Guarda Revolucionária do Irã prometeu retaliar ações ofensivas.
— A possibilidade de guerra é baixa devido à fraqueza do inimigo. As Forças Armadas estão em alerta, com os carregadores cheios — declarou Mohamad Akbarzadeh, vice-chefe político da Marinha iraniana nesta quarta-feira, citado pela agência de notícias Tasnim. — Não duvidem de que transformaremos a área de Chabahar até Mahshahr em um cemitério para os agressores.
Em declarações à imprensa à margem de uma cúpula de segurança em Moscou, o vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Bagheri, afirmou que o governo em Teerã ainda não considera ter obtido qualquer acordo, citando particularmente o gargalo representado pelas divergências sobre Ormuz.
— Até que cheguemos a um acordo sobre todas as questões, consideramos que não chegamos a um acordo sobre nada — disse Bagheri, citado pela agência russa Ria Novosti.
Embora os EUA tenham anunciado que manteriam o bloqueio naval a portos iranianos até um acerto final entre as partes, Teerã afirma ter o controle da passagem vital para o mercado mundial de petróleo e gás. Autoridades da nação persa afirmaram que 25 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, citando petroleiros e navios-cargueiros, que supostamente teriam aceitado coordenar a passagem com as forças iranianas. O país negocia diretamente com Omã uma nova estrutura para regular o trânsito de embarcações pela passagem.
A Guarda Revolucionária, porém, afirmou que embarcações de “países hostis” continuam proibidas de passar por Ormuz.
Em meio às trocas de ameaça entre EUA e Irã, não está claro como pontos centrais serão negociados. Em uma das disputas que excede a capacidade de decisão das duas partes, Teerã exige que a trégua entre ambos se estenda ao Líbano, onde Israel e Hezbollah travam combates no terreno — os aliados de Washington pressionam para que, em sentido contrário, seja garantida liberdade operacional contra o movimento aliado ao Irã.
Em uma nota divulgada nesta quarta-feira, o Ministério da Inteligência do Irã indicou que o objetivo dos EUA e de Israel continuava sendo derrubar a República Islâmica e desmembrar o país, em um sinal da extensão da desconfiança. A nota diz que “o inimigo agora persegue, por outros meios, o objetivo de derrubar e fragmentar o país. (Com AFP e NYT)
O chamado Conselho da Paz criado por Donald Trump para reconstruir Gaza e resolver conflitos está mergulhado em uma série de problemas legais e sua conta bancária tem saldo zero, apesar das promessas bilionárias de financiamento, segundo o jornal Financial Times (FT).
Criado em janeiro por Trump, que supostamente deverá dirigi-lo pessoalmente mesmo após deixar a Casa Branca, o Conselho não recebeu um único dólar, segundo o jornal britânico, que cita quatro fontes próximas ao processo.
Em vez de utilizar um fundo administrado pelo Banco Mundial e aprovado pela ONU, o Conselho recebeu doações diretamente em uma conta do banco JPMorgan, declarou um porta-voz da iniciativa.
De acordo com o FT, “não existe nenhum mecanismo independente de transparência”.
Trump concebeu de forma discricionária o mecanismo para reconstruir Gaza, onde Israel e o Hamas concluíram em outubro um cessar-fogo sob pressão dos Estados Unidos.
Os países da União Europeia se distanciaram do fórum, que concede amplo espaço a parceiros históricos dos Estados Unidos no Oriente Médio, a aliados ideológicos de Donald Trump e a pequenos países interessados em atrair sua atenção.
Dois presidentes sul-americanos, o argentino Javier Milei e o paraguaio Santiago Peña, apoiaram com entusiasmo a iniciativa de Trump.
No entanto, o entusiasmo diminuiu quando veio à tona que um assento permanente no Conselho custava US$ 1 bilhão (R$ 5,63 bilhões), a serem administrados exclusivamente por Trump.
O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, por exemplo, descartou que seu país pagasse o valor exigido.
Até agora, há depósitos no valor de “zero dólar” na conta, afirmou uma fonte ao FT.
O jornal informou que pequenos desembolsos na conta do JPMorgan permitiram pagar o escritório do “Alto Representante” do Conselho, Nikolai Mladenov.
O Conselho da Paz “prestará contas sobre suas finanças” ao próprio conselho diretor, integrado por integrantes do governo Trump e outros assessores, “quando for considerado oportuno”, acrescentou a fonte da iniciativa.
Os Emirados Árabes Unidos destinaram US$ 100 milhões (R$ 563 milhões) para formar uma nova força policial em Gaza, mas os recursos permanecem congelados.
Em abril, as Nações Unidas e a União Europeia estimaram em US$ 71,4 bilhões (R$ 402 bilhões) os recursos necessários para a reconstrução de Gaza nos próximos dez anos, segundo um estudo realizado em conjunto com o Banco Mundial.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress