Contexto: Rei Charles III chega aos EUA em meio a crise com Trump por guerra contra o Irã
Estreia como monarca: Charles III discursará no Congresso dos EUA em primeira visita ao país depois de subir ao trono
Grande parte do dia será dedicada a pompa e cerimônia. Charles III e a rainha Camilla retornam à Casa Branca — após uma visita de caráter mais informal na segunda-feira, na qual comeram bolos e chás na companhia de Trump e da primeira-dama, Melania, nos jardins da residência oficial, onde os britânicos foram convidados a conhecer as colmeias mantidas no gramado. O rei terá um encontro bilateral com o presidente republicano no Salão Oval, com acesso restrito à imprensa.
Trump recebe Rei Charles III na Casa Branca em meio a crise sobre guerra contra o Irã
O formato longe das câmeras foi um arranjo pelo qual autoridades britânicas pressionaram, segundo fontes citadas sob condição de anonimato pela imprensa inglesa. O acerto teria sido costurado sob o argumento de que os líderes precisariam conversar reservadamente, embora a parte britânica tivesse como objetivo impedir a exposição de Charles III a qualquer situação vexatória — como as vividas pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e pelo líder da África do Sul, Cyril Ramaphosa, encurralados por Trump diante das câmeras.
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A primeira viagem de Charles III como monarca aos EUA pretende dar continuidade a uma tradição de diplomacia real que teve sua mãe, a rainha Elizabeth II, como grande expoente. Elizabeth foi a última ocupante do trono britânico a discursar para o Congresso americano, em 1991, e também fez a última visita de Estado ao país, em 2007, no governo de George W. Bush. Ao todo, a rainha falecida em 2022 visitou 14 administrações americanas diferentes, segundo a Associação Histórica da Casa Branca, em seu reinado de 70 anos.
— O rei não terá o mesmo tipo de conversa com o presidente ou com senadores importantes que o primeiro-ministro teria, mas ele é extremamente bem informado, e isso proporciona uma oportunidade para conversas privadas sobre algumas questões realmente importantes — disse o ex-embaixador britânico nos EUA Peter Westmacott, em entrevista à rede americana CNN. — Do ponto de vista do Reino Unido, obviamente esperamos que essas conversas privadas tenham algum impacto.
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Discurso no Congresso
O encontro com Trump é apenas parte da agenda prevista para a terça-feira. Em um momento de particular importância, o rei britânico discursará por cerca de 20 minutos a congressistas americanos. Comentários antecipados sobre o discurso apontam que Charles III deve fazer um apelo em termos cautelosos ao presidente, com a mensagem de que defender ideais democráticos comuns é “crucial para a liberdade e a igualdade” em um momento de desafios internacionais.
O pronunciamento do rei também deve destacar os laços transatlânticos e a relação construída entre os dois países apesar do histórico de disputas do período colonial — em um paralelo ao momento extremamente delicado, após duras críticas de Trump à recusa de Londres em ajudar a ofensiva contra o Irã.
Charles III e Camila, monarcas britânicos, com Donald Trump e Melania nos jardins da Casa Branca
Suzanne Plunkett/AFP
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É esperado que Charles enfatize o histórico de “reconciliação e renovação” entre Reino Unido e EUA ao longo de 250 anos, que deram origem a “uma das maiores alianças da história humana”. Uma aspa antecipada pela agência de notícias francesa AFP aponta que o monarca deve afirmar que “Vez após vez, nossos dois países sempre encontraram maneiras de se unir”.
O Congresso americano tem sido um campo de batalha quanto à abordagem de política externa de Trump, com a maioria dos representantes democratas aderindo a iniciativas para restringir o uso de militares pelo Executivo sem autorização prévia. A aparição de Charles III perante o legislativo entrou na pauta da oposição.
O líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, disse na segunda-feira que, embora o relacionamento continue especial, “políticas tóxicas dos republicanos nos últimos 15 meses estão corroendo-o”, acrescentando esperar que a visita do rei “contribua para reparar os danos” que o governo Trump teria causado a um dos “aliados mais importantes”.
O rei britânico retorna à Casa Branca à noite para um jantar de Estado, no qual é esperado que faça um discurso mais curto. O casal real ainda visitará Nova York na quarta-feira, quando visitarão o memorial às vítimas do 11 de setembro e uma organização comunitária que oferece apoio a crianças afetadas pela insegurança alimentar, além de participarem de um evento com importantes líderes empresariais. A dupla viajará então para a Virgínia. Na quinta-feira, seguem para o arquipélago de Bermudas. (Com AFP, Bloomberg e NYT)







