Eleições no Peru: Ultradireitista pede anulação enquanto candidato de esquerda se encaminha para segundo turno
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— O senhor Balcázar está colocando nosso país em risco, fazendo-o perder credibilidade e nos transformando em um parceiro em quem não se pode confiar em um processo de negociação — declarou o chanceler Hugo de Zela à rádio RPP, na qual anunciou sua renúncia.
O chefe da diplomacia afirmou que os “contratos foram assinados na segunda-feira” e que um primeiro pagamento deveria ser efetuado nesta quarta-feira. O ministro da Defesa, Carlos Díaz, indicou igualmente que sua renúncia se deve à sua total discordância com a suspensão da compra.
— Isso não responde a uma situação política, mas a uma necessidade estratégica de segurança e defesa da nação — declarou à rádio RPP.
Em outubro de 2024, o Peru anunciou que renovaria, após quase três décadas, sua frota de defesa aérea com a compra de 24 caças de última geração por 3,5 bilhões de dólares (R$ 17,61 bilhões). Entre as propostas recebidas pelo Ministério da Defesa para a operação estavam os modelos Rafale (França), Gripen (Suécia) e F-16 Block 70 (Estados Unidos).
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Em fevereiro passado, um comitê estatal de avaliação optou pela proposta dos F-16, alegando critérios técnicos e geopolíticos. O Peru possui uma frota de 12 aviões Mirage 2000, segundo publicações militares especializadas. A frota aérea de combate do Peru inclui, ainda, aviões russos MiG-29 e bielorrussos Sukhoi-27, adquiridos em 1997. A maioria deles está inoperante ou na reserva.
As renúncias ocorrem enquanto o país se dirige a um segundo turno na eleição presidencial em junho, em meio a uma crônica instabilidade política. O episódio desta quarta-feira ocorre um dia após a renúncia de outra figura importante do país.
O chefe do órgão eleitoral que organizou as recentes eleições gerais no Peru, Piero Corvetto, renunciou ontem, poucas horas antes de comparecer perante o Ministério Público para prestar depoimento sobre falhas no processo. Além da lenta apuração, que já dura mais de uma semana, o pleito de 12 de abril também enfrentou diversos problemas logísticos, o que provocou a desconfiança do eleitorado e reações públicas de candidatos.
Ele descreveu as irregularidades registradas na distribuição de material eleitoral em Lima durante o dia 12 de abril como “problemas técnicos e operacionais” causados por empresa terceirizada que não entregou as cédulas a tempo — mesma justificativa dada pela Junta Nacional Eleitoral (JNE), a mais alta autoridade eleitoral do país.
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Os entraves causaram atrasos na abertura das seções eleitorais na capital peruana e impediram que mais de 50 mil pessoas votassem, forçando uma prorrogação de 24 horas do horário de votação — medida sem precedentes. Além disso, cédulas encontradas em um contêiner de lixo, registros eleitorais contestados e acusações de fraude lançaram uma sombra sobre o dia da eleição, alimentando a desconfiança em instituições já fragilizadas.
A missão de observação eleitoral da União Europeia (UE) mencionou “sérias deficiências”, mas esclareceu que não encontrou “nenhuma evidência objetiva” de fraude, como alegado pelo candidato ultraconservador Rafael López Aliaga. A JNE estima que os resultados finais não serão conhecidos antes do dia 15 de maio devido aos atrasos na apuração dos votos realizada pelo ONPE.








