O acordo de cessar-fogo obtido por EUA e Irã com mediação do Paquistão, a poucas horas do fim do prazo dado pelo presidente americano, Donald Trump, para um ataque que prometeu fulminar a nação persa em uma noite, começou a ser aplicado nesta quarta-feira, com a passagem dos primeiros navios pelo Estreito de Ormuz. A reabertura da rota por onde passa 20% da produção mundial de petróleo era um aspecto central das negociações entre Teerã e Washington, realizadas sob pressões e ameaças de aprofundamento do conflito. Apesar das partes citarem uma trégua temporária, novos ataques foram registrados na região nesta quarta — em um lembrete de que a instabilidade regional ainda não está resolvida.
Contexto: Cessar-fogo oferece a EUA e Irã uma declaração de vitória, mas fim do conflito está mais distante do que ambos desejam
Em tom de vitória: Secretário de Defesa dos EUA diz que Irã ‘implorou pela trégua’ e que Forças Armadas foram dizimadas
O presidente americano anunciou na noite de terça-feira, em uma publicação na Truth Social, que havia concordado com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, em troca de uma reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz. O prazo da trégua, acrescentou Trump, deverá ser usado para concluir negociações de um acordo mais amplo para encerrar as hostilidades — o que possivelmente se estenda para questões estratégicas como o programa nuclear iraniano.
Initial plugin text
Autoridades do Irã também confirmaram a trégua, com o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi detalhando que se os ataques ao país parassem, seria concedida passagem segura aos navios em Ormuz, em coordenação com as Forças Armadas iranianas. Estimativas apontam que cerca de mil navios estão retidos na região.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou que a trégua começaria imediatamente nesta quarta. Apesar disso, novas ações militares foram registradas pela região. Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait denunciaram ter sido atacados por drones iranianos, enquanto a mídia estatal iraniana denunciou que uma refinaria do país na Ilha de Lavan teria sido atacada horas após o anúncio do cessar-fogo. O Iraque também registrou novos ataques ao seu território após o começo da trégua, mas não houve informação imediata sobre a autoria.
Líderes internacionais e regionais, incluindo o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediram cautela e restrição de todas as partes envolvidas para que nenhum gesto de provocação rompesse o processo de paz.
Vídeo mostra explosão em Bagdá durante cessar-fogo e pessoas correm em meio ao caos
Análise: Como Trump foi de ‘presidente da paz’ às ameaças de crimes de guerra em pouco mais de um ano
Incertezas no processo
Apesar do tímido começo da implementação, uma série de inconsistências sobre os termos tratados em público se revelam. As Forças Armadas de Israel lançaram novas ondas de ataque contra o Líbano, descritas como as mais poderosas dos últimos tempos, após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmar que Beirute não estaria no escopo do acordo sobre o Irã. A versão apresentada pelo governo israelense contradiz o anúncio do premier do Paquistão, que citou nominalmente o “Líbano e outras regiões” como área de extensão da trégua. Os EUA garantiram que Israel concordou com os termos discutidos sob mediação paquistanesa.
Initial plugin text
A situação do Líbano foi abordada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira, que disse que o conflito no país deveria parar imediatamente. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que esperava que as negociações levassem ao fim das hostilidades — oficialmente, o governo libanês não entrou em guerra com Israel, que afirma atacar apenas o movimento Hezbollah, contudo, estima-se que mais de 1,5 mil pessoas tenham morrido no país desde o início do conflito.
Cobertura ao vivo: Trump e Irã confirmam acordo de cessar-fogo e suspendem ataques por duas semanas; acompanhe
Próximos passos
O premier do Paquistão convocou EUA e Irã a enviarem delegações diplomáticas a Islamabad já nesta sexta-feira, a fim de dar continuidade às negociações. Fontes iranianas afirmaram que houve um sinal positivo por parte do governo em Teerã para prosseguir. A Casa Branca não confirmou oficialmente o comparecimento, mas o vice-presidente JD Vance anunciou, durante viagem à Hungria, que Trump estaria “impaciente” para avançar com as negociações — embora tenha destacado que o acordo ainda é frágil.
Antes do início da guerra entre a coalizão EUA-Israel contra o Irã, há 40 dias, negociadores de Teerã e de Washington participavam de tratativas diplomáticas mediadas por Omã, com foco na limitação dos programas de mísseis, nuclear e de alianças regionais do Irã. As conversas foram interrompidas após os primeiros bombardeios.
Ainda não está claro até que ponto as conversas pré-guerra serão retomadas e quanto os termos em discussão poderão avançar para superar antigas divergências — que voltaram a aparecer, em meio às declarações públicas desde o anúncio do cessar-fogo.
Em seu anúncio inicial, Trump afirmou ter recebido por meio dos mediadores um plano com 10 pontos do Irã, que chamou de “base viável para negociação”. Na manhã desta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que os “princípios gerais” apresentados pelo país para continuidade das negociações foram aceitos.
Contudo, a mídia estatal iraniana descreveu termos distantes daqueles apresentados por Trump. Entre eles, estariam o reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio — embora não mencione se a limites restritos a uso civil —, o fim das hostilidades no Irã, Iraque, Líbano e Iêmen, além do levantamento de sanções sobre o país e o descongelamento de fundos no país.
Em uma mensagem na Truth Social, Trump disse que “não haverá nenhum enriquecimento de urânio” na nação persa e que os dois países retirariam os estoques de material radioativo enriquecido do país, em troca de alívios de sanções e tarifários. (Com NYT e AFP)
Contexto: Cessar-fogo oferece a EUA e Irã uma declaração de vitória, mas fim do conflito está mais distante do que ambos desejam
Em tom de vitória: Secretário de Defesa dos EUA diz que Irã ‘implorou pela trégua’ e que Forças Armadas foram dizimadas
O presidente americano anunciou na noite de terça-feira, em uma publicação na Truth Social, que havia concordado com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, em troca de uma reabertura “completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz. O prazo da trégua, acrescentou Trump, deverá ser usado para concluir negociações de um acordo mais amplo para encerrar as hostilidades — o que possivelmente se estenda para questões estratégicas como o programa nuclear iraniano.
Initial plugin text
Autoridades do Irã também confirmaram a trégua, com o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi detalhando que se os ataques ao país parassem, seria concedida passagem segura aos navios em Ormuz, em coordenação com as Forças Armadas iranianas. Estimativas apontam que cerca de mil navios estão retidos na região.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, anunciou que a trégua começaria imediatamente nesta quarta. Apesar disso, novas ações militares foram registradas pela região. Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait denunciaram ter sido atacados por drones iranianos, enquanto a mídia estatal iraniana denunciou que uma refinaria do país na Ilha de Lavan teria sido atacada horas após o anúncio do cessar-fogo. O Iraque também registrou novos ataques ao seu território após o começo da trégua, mas não houve informação imediata sobre a autoria.
Líderes internacionais e regionais, incluindo o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediram cautela e restrição de todas as partes envolvidas para que nenhum gesto de provocação rompesse o processo de paz.
Vídeo mostra explosão em Bagdá durante cessar-fogo e pessoas correm em meio ao caos
Análise: Como Trump foi de ‘presidente da paz’ às ameaças de crimes de guerra em pouco mais de um ano
Incertezas no processo
Apesar do tímido começo da implementação, uma série de inconsistências sobre os termos tratados em público se revelam. As Forças Armadas de Israel lançaram novas ondas de ataque contra o Líbano, descritas como as mais poderosas dos últimos tempos, após o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmar que Beirute não estaria no escopo do acordo sobre o Irã. A versão apresentada pelo governo israelense contradiz o anúncio do premier do Paquistão, que citou nominalmente o “Líbano e outras regiões” como área de extensão da trégua. Os EUA garantiram que Israel concordou com os termos discutidos sob mediação paquistanesa.
Initial plugin text
A situação do Líbano foi abordada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, nesta quarta-feira, que disse que o conflito no país deveria parar imediatamente. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que esperava que as negociações levassem ao fim das hostilidades — oficialmente, o governo libanês não entrou em guerra com Israel, que afirma atacar apenas o movimento Hezbollah, contudo, estima-se que mais de 1,5 mil pessoas tenham morrido no país desde o início do conflito.
Cobertura ao vivo: Trump e Irã confirmam acordo de cessar-fogo e suspendem ataques por duas semanas; acompanhe
Próximos passos
O premier do Paquistão convocou EUA e Irã a enviarem delegações diplomáticas a Islamabad já nesta sexta-feira, a fim de dar continuidade às negociações. Fontes iranianas afirmaram que houve um sinal positivo por parte do governo em Teerã para prosseguir. A Casa Branca não confirmou oficialmente o comparecimento, mas o vice-presidente JD Vance anunciou, durante viagem à Hungria, que Trump estaria “impaciente” para avançar com as negociações — embora tenha destacado que o acordo ainda é frágil.
Antes do início da guerra entre a coalizão EUA-Israel contra o Irã, há 40 dias, negociadores de Teerã e de Washington participavam de tratativas diplomáticas mediadas por Omã, com foco na limitação dos programas de mísseis, nuclear e de alianças regionais do Irã. As conversas foram interrompidas após os primeiros bombardeios.
Ainda não está claro até que ponto as conversas pré-guerra serão retomadas e quanto os termos em discussão poderão avançar para superar antigas divergências — que voltaram a aparecer, em meio às declarações públicas desde o anúncio do cessar-fogo.
Em seu anúncio inicial, Trump afirmou ter recebido por meio dos mediadores um plano com 10 pontos do Irã, que chamou de “base viável para negociação”. Na manhã desta quarta-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que os “princípios gerais” apresentados pelo país para continuidade das negociações foram aceitos.
Contudo, a mídia estatal iraniana descreveu termos distantes daqueles apresentados por Trump. Entre eles, estariam o reconhecimento do direito iraniano de enriquecer urânio — embora não mencione se a limites restritos a uso civil —, o fim das hostilidades no Irã, Iraque, Líbano e Iêmen, além do levantamento de sanções sobre o país e o descongelamento de fundos no país.
Em uma mensagem na Truth Social, Trump disse que “não haverá nenhum enriquecimento de urânio” na nação persa e que os dois países retirariam os estoques de material radioativo enriquecido do país, em troca de alívios de sanções e tarifários. (Com NYT e AFP)










