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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (17), com 17 votos favoráveis e sete contrários, o Projeto de Lei (PL) 2.162/2023, o PL da Dosimetria. A proposta prevê a redução de penas de condenados pelos atentados na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O texto foi incluído na ordem do dia no Senado, e a expectativa é que ele seja votado ainda nesta quarta-feira pelo plenário.

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Os senadores aprovaram o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que, entre outros pontos, reduz as penas de condenados por atos golpistas. Entre os beneficiados pelo projeto está o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF, como líder da trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022 para se manter no poder.

A sessão da CCJ para analisar o parecer foi iniciada nesta manhã. Após a apresentação do parecer, houve um pedido de vista coletiva de apenas quatro horas para analisar o texto. Com isso, a votação foi retomada pouco depois das 15h.

Em geral, o prazo concedido aos pedidos de vista é de até cinco dias, o que poderia adiar sua apreciação, pela comissão, para 2026, uma vez que o ano legislativo termina nesta quinta-feira (18), e não há mais reuniões da CCJ agendadas.

Amin acatou uma emenda ao texto para determinar que a redução das penas seja aplicada apenas aos condenados pelos atos golpistas. O senador considerou a emenda como apenas um ajuste de redação e não de mérito, para que, caso o projeto seja aprovado pelo plenário do Senado, não precise retornar à Câmara dos Deputados, que aprovou a matéria na madrugada do dia 10 de dezembro.

O líder da federação PT, PCdoB e PV na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), disse em uma rede social que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o texto seja novamente analisado pela Câmara.

“A assessoria jurídica já está mobilizada. Se insistirem na manobra de dissimular emenda de mérito como emenda de redação, para impedir o retorno do projeto à Câmara, vamos reagir. O objetivo é claro: ganhar tempo, garantir o devido processo legislativo e levar o debate para o próximo ano. Se avançarem hoje, vamos acionar o STF ainda hoje. Democracia não se negocia!”, disse Farias.

Tramitação

No dia 10, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), enviou o PL da Dosimetria à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, tendo, como relator, o senador Esperidião Amim (PP-SC) – apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No dia seguinte, ao ser perguntado sobre o projeto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que só decidirá se vai sancionar o chamado Projeto de Lei da Dosimetria quando o texto chegar ao Poder Executivo.

“Não gosto de dar palpite numa coisa que não diz respeito ao Poder Executivo. É uma coisa pertinente ao Poder Legislativo. Eles estão discutindo. Tem gente que concorda, tem gente que não concorda”, disse Lula.

Manifestações

Diante do avanço da matéria no Congresso Nacional, manifestantes de diversas cidades brasileiras foram às ruas no domingo (14), em atos contrários à aprovação do PL da Dosimetria. Os atos são promovidos pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, movimentos de esquerda que se mobilizaram contra a aprovação do projeto.

 


São Paulo (SP), 14/12/2025 -Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, na região central da capital paulista, neste domingo (14), para protestar contra o Congresso Nacional por causa da aprovação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Manifestantes ocupam a Avenida Paulista, na região central da capital paulista, neste domingo (14), para protestar contra o Congresso Nacional por causa da aprovação do Projeto de Lei (PL) da Dosimetria. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O que é o PL?

O texto do PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de abolir com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

O foco do PL é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”.

O projeto também propõe a redução do tempo para progressão do regime de prisão de fechado para semiaberto ou aberto.

Tais mudanças poderão beneficiar réus como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou nesta quinta-feira o “povo colombiano” pelo “processo democrático e soberano” que levou à eleição de à eleição de Abelardo de la Espriella à Presidência da Colômbia. Em publicação na rede social X, Lula destacou a importância da relação bilateral entre os dois países e defendeu cooperação em temas como meio ambiente, combate à pobreza e segurança pública.
“Parabenizo o povo colombiano pelo processo democrático e soberano, expresso por sua vontade nas urnas, da escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella nas eleições do último domingo. A amizade entre o Brasil e a Colômbia, que transcende ideologias, é fundamental para a superação de desafios comuns como a preservação da Amazônia, o enfrentamento da pobreza e o combate ao crime organizado. Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos”, escreveu o petista.
A manifestação ocorre após a confirmação da vitória de Espriella em uma das eleições mais apertadas da história recente da Colômbia. O adversário derrotado, o senador Iván Cepeda, reconheceu o resultado após dias de questionamentos sobre a apuração e afirmou que fará oposição ao novo governo.
A contagem preliminar da Registradoria Nacional, órgão responsável pela logística das eleições no dia da votação, apontou Espriella com 49,66% dos votos e Cepeda com 48,70%. A diferença entre os dois ultrapassa 250,8 mil votos, mas, na disputa, representa menos de um ponto percentual. O pleito foi marcado por forte polarização política.
Durante a campanha, o novo presidente eleito Abelardo de la Espriella recebeu apoio de lideranças internacionais da direita, entre elas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e foi associado a uma agenda de guinada conservadora e endurecimento em temas de segurança.
Apesar da vitória apertada da direita, o resultado também evidenciou um país dividido quase ao meio, com diferenças mínimas entre os dois principais candidatos e forte disputa narrativa sobre o processo eleitoral.
Com 12,7 milhões de votos no segundo turno, Cepeda alcançou a maior votação já obtida pela esquerda na história da Colômbia. Apesar da derrota presidencial, o Pacto Histórico garantiu nas eleições legislativas de março 25 das 102 cadeiras do Senado e 42 das 182 vagas da Câmara dos Representantes.
Terremoto na Venezuela deixa 164 mortos e quase mil feridos Comunidade internacional mobilizou equipes de resgate, ajuda humanitária, recursos médicos e apoio logístico
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, em conjunto com a Embaixada do Brasil em Caracas, medidas de assistência à Venezuela após o terremoto que atingiu o país.
Em publicação nas redes sociais, Lula disse ter recebido a notícia do desastre “com grande preocupação e consternação” e informou que o governo brasileiro acompanha a situação para verificar como pode contribuir com o país vizinho.
“Instrui o Ministério das Relações Exteriores que avalie, juntamente com a Embaixada do Brasil em Caracas, a situação no país e as medidas de assistência que o Brasil possa adotar”, escreveu.
O presidente também manifestou solidariedade ao governo venezuelano e afirmou que o Brasil está disposto a colaborar na recuperação das áreas atingidas. “Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades”, declarou.
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Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de intervalo, com epicentros a oeste de Caracas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os abalos são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Desde então, cerca de 20 réplicas foram registradas.
O governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e mantém equipes de resgate mobilizadas em busca de sobreviventes. Dezenas de edifícios desabaram ou sofreram graves avarias, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira, apontado pelas autoridades como uma das regiões mais atingidas.
Os tremores também foram sentidos em países vizinhos, incluindo a Colômbia e cidades do Norte do Brasil, como Belém, Manaus, Santarém, Macapá e Cutias do Araguari.
Diversos países já anunciaram ajuda à Venezuela. Os Estados Unidos informaram o envio de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. Países da América Latina, além de Espanha, Itália, China, Índia e da União Europeia, também manifestaram solidariedade e ofereceram apoio à Venezuela.
Até o momento, o governo brasileiro não detalhou quais medidas de ajuda poderão ser oferecidas e aguarda uma avaliação mais precisa da dimensão dos danos e das necessidades apresentadas pelo governo venezuelano.
A Alemanha colocou à disposição da Venezuela até seis aeronaves militares A400M para apoiar as operações de resgate após os terremotos que atingiram o país nesta quarta-feira e deixaram ao menos 164 mortos e cerca de 971 feridos. Projetado para missões de transporte estratégico e tático, o modelo é capaz de levar grandes equipes, veículos, equipamentos pesados e pacientes, o que o torna uma das principais aeronaves de transporte militar em operação na Europa.
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O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, que afirmou que os aviões poderão ser enviados assim que houver um pedido oficial do governo venezuelano.
— As Forças Armadas alemãs estão preparadas e podem disponibilizar até seis aeronaves de transporte A400M em curto prazo, assim que nos for solicitado apoio.
Capacidade para até 116 pessoas e 37 toneladas de carga
Fabricado pela Airbus Defence and Space, o A400M possui asa alta, quatro motores turboélice, cabine pressurizada e uma rampa traseira que facilita o embarque e desembarque de cargas e veículos.
Alemanha oferece seis aviões militares para reforçar resgate após terremotos na Venezuela
Reprodução/Fprças Armadas da Alemanha
A aeronave pode transportar até 116 pessoas ou uma carga útil máxima de 37 toneladas. Seu compartimento de carga tem capacidade para 340 metros cúbicos e permite levar desde helicópteros e veículos blindados até equipamentos utilizados em operações de resgate e ajuda humanitária.
O modelo também pode lançar equipes e equipamentos por via aérea, ampliando sua capacidade de atuação em regiões de difícil acesso.
Também pode funcionar como hospital aéreo
Além das missões de transporte, o Airbus A400M pode ser configurado para evacuação aeromédica. Para isso, recebe módulos destinados ao transporte de pacientes, permitindo atendimento médico durante o voo, inclusive para pessoas que necessitam de terapia intensiva.
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Outra função da aeronave é o reabastecimento em voo. O A400M pode fornecer combustível para outras aeronaves durante a operação, a velocidades superiores a 500 km/h, aumentando a autonomia e o tempo de permanência delas em missão.
Velocidade e autonomia
O Airbus A400M mede 45,1 metros de comprimento, 14,7 metros de altura e tem 42,36 metros de envergadura. A velocidade máxima chega a 750 km/h em altitude e 555 km/h ao nível do mar.
A autonomia varia conforme a carga transportada. Com a capacidade máxima de carga, pode percorrer cerca de 3.300 quilômetros. Em voos de traslado, esse alcance pode chegar a 8.700 quilômetros.
O primeiro voo do modelo ocorreu em dezembro de 2009. A Alemanha recebeu sua primeira unidade em dezembro de 2014 e atualmente, segundo o site das Forças Armadas, opera 42 aeronaves do tipo.
Equipes de resgate de pelo menos cinco países devem chegar à Venezuela nas próximas horas para reforçar as operações de busca e salvamento após os dois terremotos que atingiram a região central do país na quarta-feira. Estados Unidos, El Salvador, República Dominicana, França e México anunciaram o envio de socorristas, enquanto a Alemanha colocou à disposição até seis aeronaves militares para apoiar a resposta à tragédia.
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Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, deixaram ao menos 164 mortos e 971 feridos, segundo o balanço mais recente divulgado pela presidente interina, Delcy Rodríguez. Equipes seguem procurando desaparecidos sob os escombros em diferentes regiões do país.
Estados Unidos lideram mobilização
Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar assistência. O secretário de Estado, Marco Rubio, informou que o governo americano mobilizará equipes especializadas, recursos médicos e ajuda humanitária.
— Por determinação do presidente Trump, o Departamento de Estado está mobilizando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela.
El Salvador também confirmou o envio de uma força-tarefa composta por 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos técnicos, medicamentos e itens de primeira necessidade destinados às áreas afetadas.
A República Dominicana anunciou o deslocamento de equipes especializadas em busca, resgate e atendimento a emergências pertencentes às Forças Armadas do país.
— Nossos pensamentos estão com as famílias das vítimas, os feridos e todo o povo venezuelano nestas horas tão difíceis — afirmou o presidente Luis Abinader.
Europa anuncia apoio
O presidente francês, Emmanuel Macron, informou que enviará 85 socorristas especializados em operações de busca e resgate em estruturas colapsadas. Antes do anúncio, ele conversou com Delcy Rodríguez para manifestar solidariedade e oferecer apoio.
— Uma equipe de socorristas franceses especializada em operações de busca e resgate em estruturas colapsadas será mobilizada imediatamente.
A Alemanha colocou à disposição da Venezuela até seis aeronaves militares de transporte A400M para apoiar as operações de resgate. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, os aviões poderão ser enviados caso o governo venezuelano formalize o pedido.
— As Forças Armadas alemãs estão preparadas e podem disponibilizar até seis aeronaves de transporte A400M em curto prazo, assim que nos for solicitado apoio.
A Itália também declarou estar pronta para prestar assistência. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, o governo italiano solicitará à União Europeia a ativação do Mecanismo de Proteção Civil, responsável por coordenar e financiar ações de emergência.
— A Itália está disposta a prestar assistência.
Ele acrescentou:
— Solicitaremos à União Europeia que ative o Mecanismo de Proteção Civil, que coordena e financia intervenções de emergência em situações como esta.
América Latina e China também oferecem ajuda
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo venezuelano solicitou apoio com equipes de resgate e atendimento médico.
— Até o momento, solicitaram nosso apoio com pessoal especializado em resgate e atendimento médico. O México sempre foi e sempre será solidário.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, informou que determinou o envio imediato de ajuda humanitária.
— Toda a minha solidariedade ao povo irmão da Venezuela. Determinei o envio imediato de ajuda humanitária para atender a esta emergência. O Equador responderá com a rapidez e o compromisso que este momento exige porque, apesar das enormes diferenças, a humanidade deve sempre orientar a atuação de um governante.
A China também informou estar preparada para ajudar a Venezuela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou que o apoio será prestado de acordo com as necessidades apresentadas pelo governo venezuelano.
— A China deseja oferecer toda a ajuda possível, de maneira adequada, de acordo com as necessidades da Venezuela.
“Foi terrível. Tudo, tudo desabou”, lamenta Yilsmaris Blanco, de 39 anos, enquanto observa a destruição em que se transformou Catia la Mar, uma das cidades mais atingidas pelos dois terremotos que devastaram o estado venezuelano de La Guaira. Enquanto equipes de resgate tentam localizar sobreviventes, moradores seguem procurando parentes presos sob os escombros e fazem apelos por reforço nas operações de salvamento.
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— Há gente viva ali e ninguém vem salvar — desabafa uma mulher cuja filha ficou soterrada sob um edifício de 12 andares que desabou. O relato resume o desespero de famílias que aguardam a chegada de equipamentos e mais equipes para retirar sobreviventes.
Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira e provocaram a morte de pelo menos 164 pessoas e deixaram 971 feridos, segundo a presidente interina, Delcy Rodríguez. As equipes de resgate continuam as buscas por desaparecidos sob os escombros em diferentes regiões do país.
No norte da Venezuela, às margens do Caribe, La Guaira foi a região mais atingida. O governo a declarou “zona de desastre”. Em Catia la Mar, uma equipe da AFP encontrou edifícios reduzidos a montes de concreto, ruas sem energia elétrica e moradores que passaram a noite ao relento, temendo novas réplicas após mais de 20 tremores secundários.
— Agradecemos a Deus porque estamos vivos, mas há pessoas que neste momento estão sofrendo com familiares soterrados, com parentes presos sob os escombros que não conseguem retirar — disse Yilsmaris Blanco.
Moradores fazem buscas por conta própria
Larry Rojas, de 49 anos, vive em uma área formada por cerca de 200 torres residenciais. Alguns prédios permanecem de pé apenas parcialmente, com grandes rachaduras e paredes abertas. Outros desabaram completamente.
— Não temos nada, neste momento não temos nada, nem força, nem coragem para entrar ali, imagine só.
Grande parte da região continua sem energia elétrica, e dezenas de moradores passaram a noite nas ruas. Em meio à escuridão, muitos temem novos tremores enquanto aguardam notícias de parentes desaparecidos.
— Há sobreviventes lá embaixo — afirma Lisbeth Vasquez, que conseguiu deixar um dos edifícios junto com a família.
Durante a noite, equipes de resgate trabalharam entre os escombros enquanto familiares tentavam localizar parentes por conta própria, gritando seus nomes. Jornalistas da AFP presenciaram moradores retirando os corpos de um homem e de uma mulher e colocando-os no porta-malas de uma caminhonete.
A reportagem também encontrou uma farmácia de Catia la Mar com as portas de vidro destruídas e as prateleiras vazias. As autoridades ainda não confirmaram se houve saques após a emergência.
José Pacheco, chefe de operações do Grupo de Resgate Unido da Venezuela, afirma que a prioridade agora é ampliar a estrutura de resgate.
— O que falta é ajuda, principalmente com equipamentos técnicos, os equipamentos que estão em Caracas, pessoas que sabem quais ferramentas usar e que podem vir ajudar aqui em La Guaira. Que venham.
Segundo ele, cerca de 14 edifícios foram atingidos apenas na área onde atua.
— Você pode ver como estão as estruturas, como esta aqui, totalmente desabada, e o que falta é ajuda.
Com 30 anos de experiência em operações de resgate, Pacheco afirma nunca ter visto um desastre semelhante.
‘O prédio começou a descer’
Antonio Bermúdez, de 45 anos, estava na sala de casa quando os tremores começaram.
— Comecei a ser sacudido, procurei abrigo debaixo de uma coluna. Eu estava entre o meu quarto e o banheiro. Tremia cada vez mais forte, tremia cada vez mais forte.
Ele conta que tentou se proteger enquanto o edifício cedia.
— Eu me agarrei à parede, me agarrei à parede, me agarrei à parede e o prédio começou a descer.
Sentado na rua, Bermúdez tenta acomodar uma das pernas, que ficou ferida depois que uma laje caiu sobre ele durante a fuga.
Sem energia elétrica, muitos moradores percorrem as ruas com lanternas e enfrentam também a falta de água.
— Também não temos água, estamos morrendo de sede. Entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe — relata Larry Rojas.
Ao lado de outros moradores, ele reforça o apelo às autoridades.
— De verdade, que alguém nos ajude, que enviem máquinas. É disso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram.
Os terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira repercutiram amplamente na imprensa internacional, que descreveu o desastre como uma tragédia de grandes proporções e ressaltou tanto a destruição provocada pelos abalos quanto o temor de que o número de vítimas aumente à medida que as equipes de resgate avancem nas áreas atingidas.
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No Reino Unido, o The Guardian destacou o clima de “medo e destruição” instalado em Caracas após o colapso de edifícios e os fortes tremores. A publicação relatou que milhares de moradores passaram a noite do lado de fora de suas casas por receio de réplicas, enquanto equipes de emergência trabalham entre montanhas de concreto na tentativa de localizar sobreviventes.
The Guardian destacou os terremotos na Venezuela com chamada para o risco de um elevado número de mortos após o colapso de edifícios em Caracas
Reprodução
Na França, o Le Monde classificou o episódio como o “terremoto duplo mais mortal em 126 anos” na Venezuela, enfatizando que o país enfrenta um de seus desastres naturais mais severos da história recente. O jornal também ressaltou o estado de emergência decretado pelas autoridades e a mobilização nacional diante da dimensão da tragédia.
O francês Le Monde classificou os abalos como o “terremoto duplo mais mortal em 126 anos” na Venezuela em sua manchete principal
Reprodução
A agência Reuters concentrou sua cobertura na devastação registrada na capital venezuelana e nas projeções preocupantes sobre o número de vítimas. A reportagem cita uma moradora que comparou a situação a um “filme de terror” e destaca avaliações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) segundo as quais o total de mortos pode crescer significativamente conforme as buscas avancem sob os escombros.
A Reuters enfatizou os alertas de cientistas para um possível aumento no número de vítimas e para a destruição generalizada causada pelos terremotos
Reprodução
Também dos Estados Unidos, a Associated Press (AP) descreveu os terremotos como alguns dos mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século. A agência ressaltou o colapso de prédios residenciais, os danos à infraestrutura urbana e o início da chegada de ajuda internacional para apoiar as operações de resgate e assistência humanitária.
A Associated Press repercutiu a atualização do balanço oficial de mortos e feridos após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela
Reprodução
O Washington Post deu destaque ao número inicial de mortos e publicou que os terremotos derrubaram edifícios na capital venezuelana, ressaltando que autoridades ainda buscavam desaparecidos e que havia expectativa de agravamento do balanço oficial. O jornal enfatizou a rapidez com que o desastre se transformou em uma crise humanitária.
O Washington Post destacou a expectativa de aumento no número de mortos após o desabamento de edifios provocado pelos terremotos em Caracas
Reprodução
O número de pessoas mortas após os dois terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta-feira chegou a 164, segundo a presidente interina do país, Delcy Rodríguez. Segundo ela, ao menos 971 ficaram feridas.
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Além disso, dezenas de edifícios desabaram. O governo decretou estado de emergência, fechou o principal aeroporto do país e mantém equipes em busca de sobreviventes.
Os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de intervalo e, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), configuram o maior terremoto registrado na Venezuela em mais de um século. Desde então, cerca de 20 réplicas foram registradas e diversos países anunciaram ajuda às autoridades venezuelanas.
Como foram os terremotos?
O primeiro tremor, de magnitude 7,2, ocorreu às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), com epicentro a 21 quilômetros a oeste de Morón e cerca de 200 quilômetros a oeste de Caracas, segundo o USGS.
Menos de um minuto depois, um segundo terremoto, de magnitude 7,5, atingiu uma área próxima ao primeiro epicentro. Desde então, foram registradas cerca de 20 réplicas.
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Segundo dados históricos do USGS, o tremor de magnitude 7,5 foi o mais forte a atingir a Venezuela em mais de um século. O último terremoto de intensidade superior ocorreu em 1900, quando um abalo de magnitude estimada em 7,7 provocou “danos consideráveis” na costa nordeste do país.
O órgão classificou o desastre como uma “catástrofe que deverá ter consequências consideráveis”.
Equipes da AFP encontraram dezenas de edifícios desabados ou gravemente danificados em La Guaira. Sem energia elétrica, moradores passaram a noite nas ruas ou procuraram familiares entre os escombros.
Terremotos na Venezuela: país registra 10 réplicas após abalos que deixaram ao menos 164 mortos
AFP
Em Caracas, um edifício de 22 andares desabou completamente em Chacao. Diversas regiões também registraram falta de energia e ruas cobertas por cacos de vidro.
O Aeroporto Internacional de Maiquetía sofreu danos estruturais e foi fechado.
— O Aeroporto de Maiquetía está fechado devido aos graves danos em sua infraestrutura — afirmou Delcy Rodríguez.
O governo interino decretou estado de emergência em todo o país e declarou La Guaira como “zona de desastre”.
Segundo Delcy Rodríguez, dezenas de edifícios desabaram e as equipes seguem trabalhando na busca por sobreviventes.
— Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar.
Resgates
Equipes de emergência continuam procurando pessoas soterradas em edifícios e casas que desabaram. Em Chacao, moradores e voluntários também participam das buscas.
— Precisamos de lanternas — pediu uma pessoa que ajudava a procurar sobreviventes entre os escombros.
Sim. Os abalos foram percebidos na Colômbia, onde jornalistas da AFP relataram luminárias balançando, alarmes disparando e moradores deixando edifícios em Bogotá.
Terremoto na Venezuela tem reflexos no Brasil
Reprodução
No Brasil, houve registros de tremores em Belém, Manaus, Santarém (PA), Macapá e Cutias do Araguari (AP).
Que ajuda internacional foi oferecida?
Os Estados Unidos anunciaram o envio de equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária. O presidente Donald Trump afirmou que o país está “pronto, disposto e apto a ajudar”.
A Alemanha também se colocou à disposição para apoiar as operações de resgate. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, o país poderá mobilizar até seis aeronaves militares de transporte A400M, caso o governo venezuelano solicite oficialmente a ajuda.
Países da América Latina, além de Espanha, Itália, China, Índia e da União Europeia, também manifestaram solidariedade e ofereceram apoio à Venezuela.
O que ainda falta saber?
As autoridades ainda trabalham para dimensionar o impacto dos terremotos, especialmente em La Guaira, estado apontado pelo governo como o mais atingido e que ainda não foi incluído no balanço oficial de mortos e feridos.
Também não há, até o momento, um levantamento consolidado sobre o número de desaparecidos, pessoas soterradas, desabrigados e edifícios destruídos. Equipes de resgate seguem mobilizadas nas áreas afetadas, enquanto novas informações devem ser divulgadas à medida que os trabalhos avançarem.
A sequência de terremotos registrada nas últimas horas em diferentes regiões do planeta — da Venezuela ao Norte da Califórnia, passando pela Península de Kamchatka, na Rússia, e pela costa do Japão — reacendeu a atenção para uma das áreas geologicamente mais instáveis do mundo: o chamado Círculo de Fogo do Pacífico.
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A expressão designa uma longa cadeia de vulcões, fossas oceânicas e zonas de intensa atividade sísmica ao redor das bordas do Oceano Pacífico. Apesar do nome, o Círculo de Fogo não forma exatamente um círculo: tem o formato de uma ferradura de cerca de 40 mil quilômetros, que se estende do extremo sul da América do Sul, sobe pela costa oeste das Américas, cruza o Estreito de Bering, desce por Japão e Sudeste Asiático e chega à Nova Zelândia. Vulcões ativos e adormecidos na Antártica completam a região.
É nessa faixa que ocorrem cerca de 90% de todos os terremotos do planeta. A região também concentra aproximadamente 75% dos vulcões ativos da Terra, segundo dados geológicos citados pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Ao todo, uma cadeia de 452 vulcões se distribui ao longo da área.
Equipes de resgate buscam vítimas em um prédio que desabou após um terremoto em Caracas
MANAURE QUINTERO/AFP
A explicação está no movimento das placas tectônicas. Essas placas são grandes blocos da crosta terrestre que se encaixam como peças de um quebra-cabeça, mas não permanecem paradas: elas se deslocam sobre o manto, uma camada formada por rochas sólidas e material parcialmente fundido. Quando essas placas colidem, se afastam ou deslizam lateralmente umas em relação às outras, podem provocar terremotos, formar vulcões ou abrir fossas profundas no fundo dos oceanos.
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No Círculo de Fogo, boa parte da atividade ocorre em zonas de convergência, quando uma placa tectônica mergulha sob outra em um processo chamado subducção. Esse movimento forma fossas oceânicas profundas e favorece a produção de magma, que sobe até a superfície e cria arcos vulcânicos. É o caso das Ilhas Aleutas, no Alasca, que acompanham a Fossa Aleuta, onde a Placa do Pacífico mergulha sob a Placa Norte-Americana. A fossa chega a 7.679 metros de profundidade, e as ilhas concentram 27 dos 65 vulcões historicamente ativos dos Estados Unidos.
Processo semelhante ocorre na Cordilheira dos Andes, na América do Sul, paralela à Fossa Peru-Chile. Ali, a Placa de Nazca mergulha sob a Placa Sul-Americana. A região abriga o Nevados Ojos del Salado, na fronteira entre Chile e Argentina, considerado o vulcão ativo mais alto do mundo, com 6.879 metros.
Há também zonas divergentes, onde as placas se afastam. Nesses pontos, o magma sobe, esfria em contato com a água do mar e cria nova crosta oceânica. Um exemplo é a Elevação do Pacífico Leste, uma área de expansão do assoalho oceânico associada às placas do Pacífico, de Cocos, de Nazca e Antártica. A região também reúne fontes hidrotermais no fundo do mar.
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Outro tipo de limite entre placas é o transformante, quando elas deslizam horizontalmente uma ao lado da outra. O atrito faz com que trechos fiquem presos até que a tensão acumulada rompa as rochas, provocando terremotos. A Falha de San Andreas, na Califórnia, é uma das mais conhecidas do Círculo de Fogo. Com cerca de 1.287 quilômetros de extensão e 16 quilômetros de profundidade, ela marca o limite entre a Placa Norte-Americana, que se move para o sul, e a Placa do Pacífico, que se desloca para o norte. O movimento nessa falha causou o terremoto de San Francisco de 1906, que destruiu quase 500 quarteirões, matou cerca de 3 mil pessoas e deixou metade da população da cidade desabrigada.
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MANAURE QUINTERO / AFP
Tremores na Venezuela
Nesta quarta-feira, dois fortes terremotos atingiram a Venzuela, provocando desabamentos em Caracas e deixando moradores assustados. O primeiro tremor, de magnitude 7,1, teve epicentro a oeste de Morón, comunidade na costa caribenha venezuelana, a cerca de 168 quilômetros da capital. O abalo ocorreu a 22 quilômetros de profundidade. Um minuto depois, o Serviço Geológico dos Estados Unidos registrou um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, com epicentro 16 quilômetros a sudoeste de Morón e profundidade de 10 quilômetros.
Os tremores estão entre os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. Em Caracas, moradores deixaram prédios que balançavam e permaneceram nas ruas após o anoitecer. Paredes inteiras ruíram em alguns pontos da cidade, deixando móveis visíveis da rua. Colunas de poeira foram vistas em dois bairros da capital, em áreas normalmente movimentadas por restaurantes e comércios. Algumas pessoas se sentaram no chão abraçadas a seus animais de estimação enquanto a poeira se acumulava ao redor.
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“Começou de leve e depois foi crescendo gradualmente, e no fim todos tivemos que sair de casa, ir para a rua e nos reunir”, disse o morador de Caracas Hector Ricci.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o terremoto foi sentido em vários estados. Segundo ele, o bairro de Altamira, em Caracas, registrou “situações alarmantes”, com casas e edifícios desabados. Cabello sugeriu que havia pessoas feridas e pediu que motoristas dessem passagem a ambulâncias e equipes de emergência.
“Entendemos que algumas pessoas possam estar desesperadas, mas estamos agindo de acordo com os protocolos para ativar os esforços de ajuda e resgate para atender aqueles que mais precisam”, disse Cabello na televisão estatal. “Tenham muito cuidado com crianças e idosos; liguem uns para os outros e verifiquem se ninguém se feriu.”
O ministro também orientou a população a permanecer fora de imóveis, diante do risco de réplicas agravarem danos estruturais. “O prédio realmente balançou de um lado para o outro. Irreal. A força foi incrivelmente forte”, relatou o morador Roberto Gamas. “Nós estávamos andando e ele nos jogava de um lado para o outro. Tudo no apartamento caiu. Bem, graças a Deus conseguimos sair.”
Mais tremores
Outro terremoto também foi sentido no norte da Califórnia, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. O tremor ocorreu às 8h10, no horário local, a cerca de 11 quilômetros ao norte de Redwood Valley. Moradores de áreas distantes, como Eureka, ao norte, e Sacramento, a sudeste, relataram ter sentido o abalo. Em Mendocino County, cerca de 7.400 imóveis ficaram sem energia.
O sistema ShakeAlert, operado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos e integrado ao aplicativo MyShake, enviou notificações a celulares no Norte da Califórnia e em partes do Oregon. “O MyShake absolutamente funcionou neste evento e alertou um grande número de pessoas em um curto período de tempo”, disse Suresh Raman, gerente do aplicativo no Laboratório de Sismologia da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Segundo ele, cerca de 650 mil pessoas receberam o aviso. Dados preliminares indicaram que 99% dos alertados receberam a notificação antes de sentir o tremor, caso o tenham sentido. Em San Francisco, o aviso teria chegado cerca de 35 segundos antes da chegada das ondas sísmicas.
Após o tremor principal, foram registrados abalos secundários na mesma área. Esses eventos, conhecidos como réplicas, ocorrem quando há ajustes ao longo da porção da falha que se rompeu no terremoto inicial. Podem acontecer dias, semanas ou até anos depois, e em alguns casos têm magnitude igual ou superior à do primeiro tremor.
Na Rússia, a Península de Kamchatka, uma das áreas mais ativas do planeta por estar localizada no Círculo de Fogo, também registrou atividade sísmica. Um terremoto de magnitude 5,0 ocorreu nesta quarta-feira na costa leste da península, segundo o serviço geofísico da Academia Russa de Ciências. O epicentro foi localizado no Golfo de Kronotsky, a cerca de 161 quilômetros de Petropavlovsk-Kamchatsky, a uma profundidade de 15 quilômetros. Tremores fracos, entre 2 e 3 na escala de intensidade, foram sentidos em partes da cidade, sem relatos imediatos de danos ou vítimas.
A região já vinha registrando uma sequência de abalos. Em 19 de junho, sismólogos identificaram 25 terremotos na costa da península, alguns com magnitude de até 6,9. Três deles foram sentidos por moradores, com intensidade de até 4 em algumas áreas.
No Japão, outro país situado no Círculo de Fogo e entre os mais sujeitos a terremotos no mundo, um forte abalo atingiu a costa norte nesta quinta-feira. A Agência Meteorológica do Japão informou que o terremoto teve magnitude 7,2 e ocorreu ao largo da costa leste de Iwate, a cerca de 50 quilômetros de profundidade. A leitura inicial era de 6,9, a mesma magnitude registrada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Não houve alerta de tsunami.
O tremor atingiu a região nordeste do Japão durante o horário de pico da manhã e também foi sentido levemente em Tóquio. Não havia relatos imediatos de feridos ou danos, segundo o principal porta-voz do governo, Minoru Kihara. A primeira-ministra Sanae Takaichi afirmou a jornalistas, em Tóquio, que a equipe de emergência do governo está “colocando a vida das pessoas em primeiro lugar”, enquanto avalia informações e prepara operações de socorro, se necessário. Ela pediu que moradores das áreas afetadas tenham cautela diante da possibilidade de réplicas.
Tomoko Nagane, diretora de uma escola primária na cidade de Hashikami, na província de Aomori, contou à emissora estatal NHK que dirigia quando o alerta de terremoto disparou e que sentiu um balanço lateral moderado. Segundo ela, as crianças que já estavam na escola ficaram em segurança, embora algumas tenham chorado de medo. As aulas foram canceladas, e os alunos voltaram para casa em segurança.
Imagens da TV pública mostraram jornalistas em cidades fortemente atingidas, como Sendai e Morioka, relatando que sentiram o tremor por alguns minutos, mas não observaram danos. O transporte, no entanto, sofreu impacto: a East Japan Railway Co. suspendeu alguns trens-bala e linhas locais para checagens de segurança. Usinas e instalações nucleares, incluindo a Fukushima Daiichi, danificada pelo terremoto e tsunami de 2011, e uma instalação de reprocessamento de combustível nuclear em Aomori, não relataram anormalidades, informou Kihara.
O Centro de Alerta de Tsunami do Pacífico dos Estados Unidos chegou a emitir um alerta para as Ilhas Virgens. Autoridades da República Dominicana também emitiram um aviso para a ilha. Outro alerta para Porto Rico foi rapidamente suspenso.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, classificou como “uma verdadeira tragédia” a situação em La Guaira, estado apontado pelo governo como o mais afetado pelos dois terremotos que atingiram o país na quarta-feira. Até o momento, as autoridades confirmaram 32 mortos e mais de 700 feridos, mas o balanço oficial ainda não inclui as vítimas da região, onde equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre edifícios destruídos.
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Os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorreram com menos de um minuto de intervalo e, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), foram os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século. O governo decretou estado de emergência, fechou o Aeroporto Internacional de Maiquetía devido aos danos estruturais e recebeu ofertas de ajuda internacional, incluindo dos Estados Unidos e da Alemanha.
Em pronunciamento transmitido pela emissora estatal VTV, Rodríguez afirmou que La Guaira vive “uma verdadeira tragédia”. O estado, que abriga cerca de 500 mil habitantes, ainda não teve seus dados incorporados ao balanço oficial de vítimas.
— Neste momento, temos relatos de 32 mortos.
Ela acrescentou que há “mais de 700 feridos”, mas ressaltou que os números ainda não refletem a situação em La Guaira.
Segundo a presidente interina, dezenas de edifícios desabaram e as equipes seguem trabalhando para localizar sobreviventes.
— Há dezenas de prédios desabados e estamos empenhados em árduos esforços de resgate para salvar as vidas que Deus nos permitir salvar.
O governo interino decretou estado de emergência em todo o território nacional e declarou La Guaira como “zona de desastre”. Rodríguez também informou que o Aeroporto Internacional de Maiquetía permanecerá fechado.
— O Aeroporto de Maiquetía está fechado devido aos graves danos em sua infraestrutura.
Ela acrescentou que, desde os dois principais tremores, foram registradas cerca de 20 réplicas e classificou o episódio como “um evento grave”.
Maior terremoto em mais de um século
Segundo dados históricos do USGS, o terremoto de magnitude 7,5 registrado na quarta-feira foi o mais forte a atingir a Venezuela em mais de um século. O último abalo de intensidade superior ocorreu em 29 de outubro de 1900, quando um terremoto de magnitude estimada em 7,7 provocou “danos consideráveis” na costa nordeste do país.
Os terremotos ocorreram com menos de um minuto de intervalo. O primeiro, de magnitude 7,2, foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), com epicentro a 21 quilômetros a oeste de Morón e cerca de 200 quilômetros a oeste de Caracas. Pouco depois, um segundo tremor, de magnitude 7,5, atingiu uma área próxima ao primeiro epicentro. O USGS classificou o desastre como uma “catástrofe que deverá ter consequências consideráveis”.
La Guaira vive cenário de devastação
Equipes da AFP encontraram dezenas de edifícios desabados ou gravemente danificados em uma região próxima a Caracas. Sem energia elétrica, moradores passaram a noite nas ruas ou procuraram familiares entre os escombros.
— Não temos nada, neste momento não temos nada, nem força, nem coragem para entrar ali, imagine só — disse Larry Rojas, de 49 anos, diante de um prédio desabado sob o qual sua família está presa.
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AFP
A moradora Yilsmaris Blanco, de 39 anos, descreveu o momento dos tremores.
— Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou, tudo, tudo.
Ela acrescentou:
— Agradecemos a Deus porque estamos vivos, mas há pessoas que neste momento estão sofrendo com familiares soterrados, com parentes presos sob os escombros que não conseguem retirar.
Na capital Caracas, jornalistas da AFP relataram cenas de destruição e pânico. Um edifício de 22 andares desabou completamente em Chacao, na zona leste da cidade, enquanto moradores gritavam os nomes de familiares e voluntários escalavam os escombros em busca de sobreviventes.
— Precisamos de lanternas — pediu uma das pessoas que participavam das buscas.
A comerciante Heidi Romero, de 42 anos, contou que estava no último andar do shopping Sambil quando o terremoto começou.
— Nem sei quanto tempo durou. Eu estava no último andar. Muitas coisas caíram de algumas lojas. Saímos pelas escadas de emergência; foi assim que nos tiraram de lá.
Já a funcionária de banco Odalis Escalona, de 54 anos, descreveu os danos em um edifício.
— A escada cedeu, a parede inteira rachou. Coisas caíram do teto. Foi horrível.
Além dos desabamentos, diversas regiões ficaram sem energia elétrica e várias ruas foram cobertas por cacos de vidro.
Os tremores também foram sentidos na Colômbia, onde jornalistas da AFP relataram luminárias balançando, alarmes disparando e moradores deixando edifícios em Bogotá. No Brasil, houve registros de tremores em Belém, Manaus, Santarém (PA), Macapá e Cutias do Araguari (AP).
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo está preparado para auxiliar a Venezuela.
— Os Estados Unidos estão prontos, dispostos e aptos a ajudar! Ordenei a todas as agências do nosso governo que se preparem para agir rapidamente.
Ele acrescentou:
— Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons.
A Alemanha também anunciou que está pronta para apoiar as operações de resgate. Segundo o ministro da Defesa, Boris Pistorius, o país poderá mobilizar até seis aeronaves militares de transporte A400M, caso o governo venezuelano solicite oficialmente a ajuda.
— As Forças Armadas alemãs estão preparadas e podem disponibilizar até seis aeronaves de transporte A400M em curto prazo, assim que nos for solicitado apoio.
Além de Estados Unidos e Alemanha, países da América Latina, Espanha, Itália, China, Índia e a União Europeia manifestaram solidariedade e ofereceram apoio ao governo venezuelano.

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