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A visita de Estado do Rei Charles III e da Rainha Camilla aos Estados Unidos começou com um momento inesperado na Casa Branca. Mal haviam chegado na segunda-feira quando o presidente Donald Trump mencionou o atentado recente e também o presidente russo Vladimir Putin durante a conversa inicial.
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Em entrevista ao site New York Post, a especialista em leitura labial Nicola Hickling explicou que Trump iniciou a conversa dizendo: “Esse tiroteio…”. Ao que o rei teria respondido com certo desconforto: “Prefiro não ficar aqui por muito tempo” e “Sinto que não deveria estar aqui”.
De acordo com a mesma fonte, Trump perguntou se ele estava bem antes de acrescentar: “Não é uma coisa boa”. Ele então continuou: “Eu não estava preparado, mas agora estou”, antes de se referir diretamente à Rússia.
“Estou falando com Putin agora”, disse o presidente. “Ele quer guerra”. Charles tentou encerrar a conversa dizendo: “Falaremos sobre isso mais tarde”; no entanto, Trump teria insistido: “Tenho a impressão de que… se ele fizer o que disse, vai dizimar a população.” O rei teve que reiterar: “Em outra ocasião.”
A conversa acabou se voltando para assuntos mais formais, como um projeto de salão de baile na Casa Branca. “Dá para ver através dali”, comentou Trump. “Direto para o salão de baile. Gostaria de ver?” Ao que Charles respondeu: “Tenho certeza de que o senhor nos mostrará.” O presidente respondeu: “É verdade, o senhor tem razão.”
Em seguida, os dois casais entraram na residência oficial. “Por onde vamos?”, perguntou o rei, e Trump indicou: “Por aqui.” Lá dentro, eles compartilharam um tradicional chá da tarde britânico com pequenos sanduíches e sobremesas.
Mais tarde, os monarcas participaram de uma grande recepção na residência do embaixador britânico, onde várias figuras públicas estavam presentes.
O mergulhador olímpico Tom Daley comentou: “Tricotar é a minha forma de expressar toda a minha criatividade, atenção plena e meditação, e o Rei já experimentou muitas vezes.”
Daley acrescentou: “Ele disse que tentou tricotar quando tinha oito anos e não era muito bom nisso, mas que poderia retomar a prática; ele sabe que é muito benéfico para a saúde mental. Mas eu quero tentar reinseri-la no currículo escolar, e talvez ele possa me ajudar a conseguir isso.”
A visita oficial de Carlos III e Camilla durará quatro dias e inclui eventos importantes, como um discurso ao Congresso e um jantar de estado na Casa Branca. Eles também visitarão o Memorial do 11 de Setembro em Nova York, como parte de sua agenda.
O sargento das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos Gannon Ken Van Dyke se declarou inocente nesta terça-feira, durante audiência em um tribunal federal de Nova York, das acusações de ter lucrado mais de US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões) com apostas baseadas em informações confidenciais sobre a operação que levou à captura de Nicolás Maduro. A apresentação diante da Justiça marca um novo capítulo do caso, que investiga o uso indevido de dados sigilosos por um militar diretamente envolvido na missão.
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Van Dyke, de 38 anos, compareceu ao tribunal vestindo roupas civis e respondeu às acusações diante da juíza Margaret Garnett. Segundo a acusação, ele utilizou conhecimento privilegiado sobre a operação militar para realizar apostas em um mercado de previsões, obtendo ganhos expressivos pouco antes da captura de Maduro.
O militar teria investido cerca de US$ 32 mil (R$ 160 mil) em apostas relacionadas à situação política da Venezuela, incluindo previsões sobre a saída de Maduro do poder até o fim de janeiro. As apostas foram feitas entre o fim de dezembro e o início de janeiro, dias antes da operação militar que resultou na retirada do líder venezuelano do palácio presidencial em Caracas.
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Os promotores afirmam que Van Dyke participou do planejamento e da execução da operação, realizada na madrugada de 3 de janeiro sob intenso confronto armado. A ação resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que posteriormente foram levados para custódia sob autoridade dos Estados Unidos.
Nicolás Maduro após captura do líder venezuelano no dia 4 de janeiro de 2026
Reprodução
Segundo a acusação, o militar teria feito pelo menos 13 apostas utilizando informações às quais teve acesso por meio de seu trabalho nas Forças Especiais. Após o sucesso da operação, os valores apostados se multiplicaram, gerando um lucro superior a US$ 400 mil (cerca de R$ 2 milhões).
O caso é considerado inédito pelas autoridades americanas por envolver, pela primeira vez, acusações criminais relacionadas ao uso de informações privilegiadas em mercados de previsão, plataformas onde usuários apostam em resultados de eventos políticos, econômicos e até culturais.
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Após receber os ganhos, Van Dyke teria transferido o dinheiro para um cofre de criptomoedas no exterior e, posteriormente, movimentado os valores para uma conta em uma corretora online recém-criada. Ainda segundo os investigadores, ele teria solicitado à plataforma a exclusão de sua conta após a repercussão do caso na imprensa.
A acusação também menciona uma fotografia publicada pelo militar logo após a operação. Na imagem, segundo os promotores, ele aparece no que parece ser o convés de um navio, ao amanhecer, vestindo uniforme militar e carregando um rifle, ao lado de outros integrantes das forças armadas — o que reforçaria sua participação direta na missão.
Van Dyke foi preso na última semana e responde a uma série de acusações, incluindo uso indevido de informações governamentais confidenciais para ganho pessoal, roubo de dados não públicos, fraude eletrônica, fraude de commodities e realização de transações financeiras ilegais. Ele chegou a comparecer anteriormente a um tribunal na Carolina do Norte e foi liberado após pagamento de fiança de US$ 250 mil (R$ 1,25 milhão).
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O caso também levantou preocupações em Washington sobre o crescimento das apostas envolvendo eventos geopolíticos. Após a prisão do militar, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a prática e afirmou que o mundo estaria se tornando “um cassino”, demonstrando preocupação com o uso desse tipo de plataforma.
Além disso, investigações paralelas apontam que outras movimentações suspeitas em mercados financeiros ocorreram antes de anúncios importantes relacionados a conflitos internacionais, ampliando o debate sobre o uso de informações privilegiadas por agentes públicos.
O embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Christian Turner, afirmou que a chamada “relação especial” de Washington não é com Londres, mas “provavelmente com Israel”. A declaração foi feita em fevereiro, durante uma conversa com estudantes britânicos em visita aos EUA, e veio à tona nesta semana, segundo a BBC.
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— Acho que há provavelmente um país que tem uma relação especial com os EUA, e esse país é provavelmente Israel — disse o diplomata, segundo um áudio vazado do encontro.
As falas ganharam repercussão no momento em que o Rei Charles III realiza uma visita de Estado aos EUA, em meio ao aumento das tensões internacionais envolvendo o Irã. O conteúdo foi revelado inicialmente pelo Financial Times.
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Apesar da declaração, Turner destacou que britânicos e americanos mantêm laços profundos. Segundo ele, os dois países compartilham “uma história profunda e afinidade”, sobretudo nas áreas de segurança e defesa, além de economias “muito próximas”.
— Há coisas que fazemos juntos que nenhum outro par de países faz — afirmou.
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Ainda assim, o embaixador indicou que a relação atravessa um momento de transformação.
— Certamente estamos no fim de uma era, e essa era está mudando — disse.
Para ele, a Europa precisará rever sua dependência estratégica dos EUA.
— Nós, na Europa, não podemos simplesmente depender de um guarda-chuva de segurança dos EUA — destacou.
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Turner também relatou ter feito um alerta direto ao governo britânico.
— Meu conselho ao meu primeiro-ministro é: “Não posso simplesmente tapar os ouvidos e dizer que é especial, que vai ficar tudo bem”. Precisamos trabalhar de forma muito clara para entender o que nós, Reino Unido, trazemos à mesa — ressaltou.
O diplomata demonstrou ainda desconforto com o próprio uso da expressão “relação especial”, tradicionalmente associada aos laços entre Londres e Washington.
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— “Relação especial” é uma expressão que tento não usar porque é bastante nostálgica, voltada para o passado, e carrega uma série de conotações — afirmou. Segundo ele, o termo tem sido cada vez menos utilizado por diplomatas, por ser considerado ultrapassado.
Em outro momento da conversa, Turner comentou o caso envolvendo o financista Jeffrey Epstein, classificando como “extraordinário” que o escândalo “não tenha atingido ninguém” nos EUA. Ele comparou a situação com o impacto no Reino Unido, onde a controvérsia “derrubou” Andrew Mountbatten-Windsor e o ex-diplomata Peter Mandelson.
Andrew nega qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Já Mandelson pediu desculpas por manter contato com o financista e afirmou que só soube “a verdade sobre ele” após sua morte.
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Diante da repercussão, o Ministério das Relações Exteriores britânico (FCDO) afirmou que as declarações foram feitas em caráter privado e não representam a posição oficial do governo.
“Foram comentários informais feitos a um grupo de estudantes britânicos no início de fevereiro e certamente não refletem a posição do governo do Reino Unido”, disse a pasta em nota.
Diplomata de carreira, Turner assumiu o posto de embaixador em Washington em dezembro.
No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável” e de “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
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Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência americana.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma parte do discurso, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com uma menção ao derretimento do gelo no Ártico.
— Nossa geração precisa decidir como lidar com o colapso de sistemas naturais críticos, que ameaça muito mais do que a harmonia e a diversidade essencial da natureza — disse, tratando a crise do clima como uma questão de segurança nacional e global.
O segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, da qual o republicano com frequência ameaça sair, especialmente depois da recusa dos países da organização em se juntarem à sua guerra contra o Irã.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que se expressa mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais.
— Que nossos dois países se dediquem novamente um ao outro no serviço altruísta aos nossos povos e a todos os povos do mundo — afirmou, antes de exclamar que o caminho compartilhado por EUA e Reino Unido é de “reconciliação, renovação e parceria notável”, que fomentou “uma das alianças mais importantes da História da humanidade”.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação.
O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista. Os crimes não foram mencionados explicitamente no discurso desta terça, mas talvez nas entrelinhas.
— Em ambos os nossos países, é justamente o fato de termos sociedades vibrantes, diversas e livres que nos dá força coletiva, inclusive para apoiar as vítimas de alguns dos males que, tão tragicamente, existem em nossas sociedades hoje — disse o monarca.
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Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.
No primeiro discurso de um monarca britânico ao Congresso dos EUA no Século XXI, o rei Charles III defendeu a união entre dois aliados históricos, classificada de aliança “insubstituível e inquebrável”, pesar das recentes discordâncias entre os dois lados do Oceano Atlântico. Foi um dos pontos altos de uma viagem cercada de polêmicas, que tem entre seus objetivos aparar as muitas arestas entre Londres e Washington neste segundo mandato do presidente Donald Trump.
— Nos encontramos em tempos de grande incerteza; em tempos de conflito da Europa ao Oriente Médio, que representam imensos desafios para a comunidade internacional e cujo impacto se faz sentir em comunidades por toda a extensão dos nossos próprios países. — afirmou Charles III, sob aplausos de uma plateia que reuniu parlamentares, integrantes do governo federal, das Forças Armadas, da Suprema Corte e de outros campos da sociedade dos EUA. — Quaisquer que sejam nossas diferenças, quaisquer que sejam as nossas divergências, permanecemos unidos em nosso compromisso de defender a democracia e proteger todo o nosso povo de qualquer mal.
‘Relação especial’: Charles III leva diplomacia real a Washington com discurso de união ao Congresso dos EUA e reunião a portas fechadas com Trump
De cenouras minúsculas a canteiros exclusivos: Ex-jardineiro da realeza britânica revela preferências do Rei Charles
Segundo o monarca, a relação entre EUA e Reino Unido “foi nascida da disputa, mas nem por isso é menos forte”, referência ao passado colonial e à luta pela independência.
— Assim, talvez, com este exemplo, possamos entender que nossas nações são, de fato, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns nas quais nossa governança está enraizada até hoje — afirmou. — O vínculo de parentesco e identidade entre os Estados Unidos e o Reino Unido é inestimável e eterno; é insubstituível e inquebrável.
Em uma mesma frase, Charles III levantou dois temas frequentes nas queixas públicas de Trump: o primeiro, a crise climática (o monarca é um defensor de ações para conter o aquecimento global, negado pelo líder americano), com a menção ao derretimento do gelo no Ártico; o segundo, a Otan, a principal aliança militar do Ocidente, a qual o republicano com frequência ameaça abandonar.
— O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados são a essência da Otan, comprometidas com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, e mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. — declarou.
Em outro um tópico delicado, pediu que o mesmo apoio global dado aos EUA após os ataques de 11 de Setembro de 2001 seja oferecido “para a defesa da Ucrânia e do seu povo corajoso — para garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura”. Trump, ao contrário de seu antecessor, Joe Biden, jamais foi um entusiasta do apoio irrestrito a Kiev.
À maneira da realeza britânica, que fala mais nas entrelinhas do que nas aspas, Charles III citou uma fala do novelista irlandês Oscar Wilde — “Hoje em dia, temos praticamente tudo em comum com os Estados Unidos, exceto, é claro, o idioma!” —, e fez referência à tentativa de ataque contra um jantar de correspondentes na Casa Branca, no sábado, que teria Trump como alvo principal.
— Encontramo-nos também na sequência do incidente ocorrido não muito longe deste magnífico edifício, que procurou prejudicar a liderança da sua nação e fomentar um medo e uma discórdia ainda maiores. Permitam-me afirmar com uma resolução inabalável: tais atos de violência nunca terão sucesso — declarou.
Mas ele também disse que “as palavras dos Estados Unidos têm peso”, quiçá uma menção indireta à verborragia trumpista em discursos, entrevistas, reuniões e redes sociais. Ao final da fala, uma esperada salva de palmas, alguns apertos de mãos protocolares e nenhum sinal de divergências.
Chá e problemas na relação
Charles III chegou aos EUA na segunda-feira, acompanhado pela rainha britânica, Camila, e foram recebidos por Trump e pela primeira-dama americana, Melania, em um chá privado na Casa Branca, seguido por uma visita ao apiário da sede do Poder Executivo do país.
Mais tarde, uma segunda cerimônia regada a chá, desta vez nos jardins da Embaixada do Reino Unido, que contou com a presença de vários integrantes do Gabinete de Trump. Mas além de um cardápio recheado de itens clássicos da hora do chá da sociedade britânica, como sanduíches de pepino e tortas de frutas, o mal-estar entre os dois países estava exposto aos comensais e aos que não foram convidados.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, sua relação com o premier britânico, Keir Starmer, passou por muitos altos e baixos, com desavenças claras sobre a defesa coletiva da Europa, o futuro da guerra na Ucrânia e, mais recentemente, o conflito lançado por EUA e Israel contra o Irã. O republicano jamais escondeu sua insatisfação com a falta de apoio europeu para a guerra, e mesmo as concessões feitas por Londres, como a permissão do uso de bases militares, não melhoraram a situação. O caso Epstein, que atinge politicamente Trump e o premier britânico, além da própria família real, jogou ainda mais gasolina na fogueira, e houve cobranças para que Charles III se reunisse com as vítimas do financista.
Compra de propriedade: Rei Charles III investe R$ 26 milhões em gesto para Camilla e chama atenção
Por isso, a visita de Charles III soa como uma iniciativa de peso para tirar o elefante da sala. Trump tem uma fascinação herdada da mãe, Mary Anne (uma imigrante vinda da Escócia), pela família real britânica. Em fevereiro do ano passado, quando Starmer levou ao presidente americano uma carta do monarca, o republicano não escondeu a satisfação com as palavras e com o convite para uma visita de Estado. Para analistas, uma jogada de mestre em meio ao já caótico segundo mandato trumpista.
Horas antes de falar ao Congresso, Charles III e Camila foram recebidos por Trump com uma cerimônia formal na Casa Branca, com tropas em revista, disparos de canhão e uma banda marcial. Em rápidas declarações, o presidente evitou temas políticos, e disse que se sua mãe estivesse viva, “estaria colada na televisão”, antes de fazer uma revelação íntima.
— Também me lembro dela dizendo muito claramente: “Charles… olha, o pequeno Charles, ele é tão fofo”. Minha mãe tinha uma queda por Charles. Dá para acreditar? — afirmou o presidente.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o rei britânico, Charles III, entreolham-se durante recepção na Casa Branca
Aaron Chown/AFP
Em entrevista à rede CNN, o embaixador britânico nos EUA, Christian Turner, lembrou que esta não é a primeira visita de um monarca aos Estados Unidos em tempos de crise transatlântica. Ele citou a viagem de Elizabeth II em meio à Crise de Suez, nos anos 1950, e o encontro entre George VI e Franklin Roosevelt em Washington pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial, quando Londres queria convencer os americanos a se juntarem contra o regime da Alemanha nazista.
— Nossos dois países já tiveram momentos em que as abordagens a questões internacionais foram diferentes — disse Turner. — Mas o rei está acima disso e é exatamente por isso que este é um momento para nos lembrarmos de que essa relação é profunda. Ela perdurará.
Em um discurso inicial que enalteceu o legado britânico nos Estados Unidos e a relação próxima entre as potências desde a independência americana, o presidente Donald Trump sugeriu haver um laço de admiração pessoal entre sua família e a família real britânica: nas palavras do republicano, sua mãe, de origem escocesa, tinha um “crush” em Charles III. O comentário foi feito ao monarca durante a visita à Casa Branca nesta terça-feira.
Aproximação: Charles III leva diplomacia real a Washington com discurso de união ao Congresso dos EUA e reunião a portas fechadas com Trump
Contexto: Rei Charles III chega aos EUA em meio a crise com Trump por guerra contra o Irã
— Toda vez que a rainha [Elizabeth II, mãe de Charles] estava envolvida em uma cerimônia (…) minha mãe ficava vidrada na televisão e dizia: ‘Donald, olhe como tudo isso é bonito’ — afirmou o presidente, antes de acrescentar. — Ela verdadeiramente amava a família, mas eu também lembro dela dizer muito claramente: ‘Charles… ele é tão bonito… minha mãe tinha um ‘crush’ em Charles. Acreditam nisso?
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Charles III acompanhou o discurso de Trump acompanhado da rainha Camilla, que cumpre a agenda oficial aos EUA com ele. Autoridades do governo Trump estavam presentes na plateia, decorada com bandeiras britânicas e americanas, incluindo o vice-presidente JD Vance.
Fontes britânicas afirmaram a jornais ingleses que o monarca britânico pretendia utilizar o fascínio de Trump pela família real como um trunfo para abrir portas, em um momento em que a relação entre os dois governos atravessa uma turbulência, com o presidente americano e o premier britânico, Keir Starmer, trocando críticas públicas relacionadas à guerra no Irã, a qual Londres se negou a apoiar.
‘EUA não têm amigos mais próximos do que os britânicos’, diz Trump a Charles
O presidente americano fez acenos positivos à relação com o Reino Unido. Em uma parte do discurso, o republicano destacou a parceria Londres-Washington, afirmando que “não tem amigos mais próximos que os britânicos”. Também se referiu à origem americana a partir da colonização britânica, afirmando que “antes de uma nação”, os EUA já “tinham uma cultura”. Trump já foi criticado por ignorar a influência cultural de nativo-americanos, escravizados e imigrantes na formação cultural do país.
— Antes de os americanos terem uma nação ou uma constituição, primeiro tínhamos uma cultura, um caráter e um credo. Antes mesmo de proclamarmos nossa independência, os americanos carregavam dentro de si o mais raro dos dons, a coragem moral, e ela vinha de um pequeno, mas poderoso reino do outro lado do mar — afirmou Trump. (Com AFP)
O então jovem príncipe Charles, ao lado da sua então esposa, princesa Diana
Acervo
Socorristas alemães conseguiram nesta terça-feira colocar em uma embarcação especial a baleia-jubarte que estava encalhada havia semanas e que agora será levada para águas mais profundas.
‘Icefall doctors’: Everest tem rota de subida reaberta por alpinistas do Nepal contornando enorme bloco de gelo na Cascata de Khumbu
Explicação: Jimmy Kimmel nega incitação à violência com piada sobre Melania Trump, afirmando que abordava ‘diferença de idade’
A baleia, apelidada de “Timmy” pela imprensa alemã, mobilizou o país desde que ficou presa em um banco de areia próximo à cidade de Lübeck, longe de seu habitat natural, no fim de março.
A mais recente operação de resgate, financiada por dois empresários, prevê o transporte do mamífero marinho em uma barcaça com compartimento cheio de água, normalmente usada para levar outras embarcações, da costa alemã do Mar Báltico até áreas mais profundas.
Baleia jubarte estava encalhada na Alemanha
AFP
Desde as primeiras horas desta terça-feira, equipes de resgate colocaram cintas ao redor da baleia e a conduziram por um canal escavado especialmente na areia para permitir sua chegada à embarcação, perto da ilha de Poel.
Após percorrer parte do trajeto, a baleia — acompanhada por socorristas que nadavam ao seu lado — acelerou e finalmente entrou na embarcação, provocando gritos de comemoração entre integrantes da operação e pessoas que acompanhavam da costa.
O plano agora é levar a barcaça até o Mar do Norte e, se o animal estiver forte o suficiente, libertá-lo no local. Uma rede verde será usada para fechar a entrada da embarcação e impedir que o mamífero saia nadando antes do momento previsto.
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“Timmy” foi vista presa em um banco de areia pela primeira vez em 23 de março. Depois, conseguiu se soltar sozinha, mas voltou a encalhar em várias ocasiões. Diversas tentativas de salvamento foram feitas, entre elas a escavação de canais para facilitar sua saída, mas todas fracassaram.
No início de abril, as autoridades encerraram a operação ao concluir que não seria possível salvá-la. A decisão provocou indignação popular e, posteriormente, empresários receberam autorização para apresentar um novo plano de resgate.
Alguns cientistas criticaram duramente a liberação de novas tentativas, por considerá-las arriscadas para a baleia e avaliarem como baixas as chances de sucesso.
Um grupo de alpinistas nepaleses desobstruiu, nesta terça-feira (28), a rota que leva ao cume do Everest, que estava bloqueada, há duas semanas, por um enorme bloco de gelo que poderia atrasar e pôr em perigo as subidas.
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Um grupo de alpinistas do mais alto nível, conhecidos como “icefall doctors” (especialistas em cascatas de gelo), começou, em meados de maio, a equipar as encostas do “teto do mundo” com cordas, como é habitual antes de cada temporada.
Mas o seu avanço estava bloqueado há duas semanas pela presença de um serac — um enorme bloco de gelo — na temível Cascata de Gelo de Khumbu, que abre a rota nepalesa para o cume do Himalaia.
— Uma equipe de 21 pessoas, incluindo oito especialistas em cascata de gelo, subiu, esta manhã, abrindo a rota até o acampamento 1 — declarou Lakpa Sherpa, da 8K Expeditions, que coordenava a operação, à AFP.
— O serac continua lá, então o risco continua… Esperamos que derreta em breve — prosseguiu.
Em 2023, três alpinistas nepaleses morreram após serem atingidos por um bloco de gelo enquanto estavam na cascata de Khumbu.
O Nepal concedeu mais de 900 permissões de escalada para diferentes picos, incluindo 425 para o Everest, para a temporada de primavera (abril-junho).
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Um mar de barracas, capaz de abrigar mais de mil de pessoas — entre alpinistas estrangeiros e seus guias —, foi instalado ao pé do Everest para servir de ponto de partida para a subida ao pico de 8.849 metros.
A rota nepalense mais utilizada para alcançar o cube do Himalaia começa pela temida Cascata de Gelo do Khumbu, uma geleira cortada por fendas e seracs cujo movimento constante, intensificado ainda mais pelo aquecimento global, torna sua travessia muito perigosa para os alpinistas.
— No entanto, não estamos enviando pessoas lá para cima — indicou Lukas Furtenbach, da Furtenbach Adventures, dizendo que espera a luz verde do comitê que enviou os especialistas.
Escalado pela primeira vez em 1953, o Everest atrai, a cada temporada, um número crescente de alpinistas, sejam eles montanhistas experientes ou iniciantes em busca de fortes emoções, a ponto de que algumas passagens estreitas acabam bloqueadas por engarrafamentos humanos que colocam em perigos a segurança das expedições.
Cerca de 700 pessoas alcançaram o cume do Everest, no ano passado, pela vertente nepalesa, segundo o Ministério de Turismo do Nepal, e cerca de 100 a mais pela vertente norte, através da China.
O Irã propôs compartilhar suas capacidades defensivas com “países independentes”, citando as “experiências que levaram à derrota dos Estados Unidos” no conflito iniciado em fevereiro e que se encontra em pausa, em meio a negociações inconclusivas e a um bloqueio naval do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita durante reunião da Organização de Cooperação de Xangai (SCO), um grupo que reúne alguns conhecidos aliados de Teerã, como China e Rússia.
— Os Estados Unidos não conseguem mais impor suas políticas a países independentes, e isso ficou evidente para o mundo inteiro por meio da resiliência do povo iraniano e de suas Forças Armadas — disse Reza Talaei-Nik, vice-ministro de Defesa do Irã, durante reunião da SCO em Bishkek, no Quirguistão, citado pela agência estatal Irna.
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O Irã não figura entre os principais vendedores de armas do planeta — em 2025, o país respondia por 0,3% do total de exportações militares, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri) —, mas vinha incrementando sua produção nos anos que antecederam a guerra lançada por EUA e Israel. E um dos itens do portfólio de Teerã ganhou notoriedade no passado recente: os drones de ataque Shahed, usados à exaustão pela Rússia na guerra lançada em 2022 contra a Ucrânia. De acordo com o Sipri, 73% das exportações militares iranianas vão para clientes russos.
Mas Reza Talaei-Nik não queria falar apenas de negócios com seus parceiros na SCO reunidos em Bishkek. Ali, o vice-ministro buscava transmitir a narrativa iraniana do que vê como sucesso na contenção da maior potência militar do planeta. Ao longo de dois meses, o país manteve boa parte de suas capacidades defensivas e de ataque, e é capaz de manter um dos maiores bloqueios navais da História recente, no Estreito de Ormuz — uma estratégia baseada em armas mais simples e baratas, como os drones, minas navais e barcos rápidos.
— Estamos prontos para compartilhar as experiências que levaram à derrota dos Estados Unidos com outros membros da organização— declarou o iraniano.
Aos homólogos no Quirguistão, o vice-ministro não mencionou a extensão dos estragos da guerra, cuja reconstrução custará centenas de bilhões de dólares, tampouco as mortes de integrantes da cúpula do regime, como o líder supremo, Ali Khamenei.
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Formada por nove países — Irã, China, Rússia, Índia, Paquistão, Quirguistão, Cazaquistão, Tajiquistão e Uzbequistão — a Organização de Cooperação de Xangai foi a mais recente parada da blitz diplomática iraniana, lançada em paralelo às negociações até agora infrutíferas com os EUA, pediadas pelos paquistaneses. Em Bishkek, Talaei-Nik se encontrou com o ministro da Defesa russo, Andrei Belousov, e esteve recentemente na Bielorrússia para discussões focadas na “situação no Oriente Médio”.
Na segunda-feira, Abbas Araghchi, chanceler iraniano que também está em meio a um “tour diplomático”, se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, e dele ouviu que Moscou fará “tudo a seu alcance” para ajudar o Irã. Em editorial também na segunda-feira, o jornal iraniano Shargh, reformista, considerou que a sequência de viagens demonstra “sinais claros de um impasse nas negociações com Washington”.
De acordo com veículos de imprensa americanos, Teerã fez, no fim de semana, uma nova proposta de acordo para encerrar a guerra, centrada na reabertura do Estreito de Ormuz, mas deixando para um segundo momento o status do programa nuclear do país, acusado de ter fins militares (os iranianos negam). Mas o presidente Donald Trump, afirmou o New York Times, não ficou satisfeito com o plano, apontando que retirar da mesa a pressão sobre as atividades atômicas faria com que os EUA perdessem poder de barganha. Trump exige garantias de que o Irã jamais terá uma bomba nuclear.
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Nesta terça-feira, Trump disse em sua rede social, o Truth Social, que Teerã “acabou de nos informar que está em um ‘Estado de Colapso’”.
“Eles querem que ‘Abramos o Estreito de Ormuz’ o mais rápido possível, enquanto tentam resolver sua situação de liderança (o que acredito que conseguirão fazer)”, completou o presidente, sem explicar o que significa, na prática, o “estado de colapso”, ou qual autoridade iraniana teria lhe comunicado tal situação.
Na semana passada, quando anunciou a extensão do cessar-fogo por tempo indeterminado, o presidente americano sugeriu a existência de fissuras no regime — algo que analistas apontam há algum tempo — e disse esperar uma proposta unificada de Teerã. Desde então, autoridades militares e civis vieram a público declarar que a República Islâmica segue concisa e sem disputas internas.
Um homem foi preso na Irlanda do Norte após uma bomba detonar dentro de um carro roubado em frente a uma delegacia em Dunmurry, nos arredores de Belfast. O episódio ocorreu neste sábado, e a detenção ocorreu após buscas nesta terça-feira.
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A prisão foi realizada com base na legislação antiterrorismo britânica, enquanto agentes fazem buscas no leste e no oeste da capital norte-irlandesa.
Segundo as autoridades, um motorista de entregas teve o veículo sequestrado na região de Twinbrook, no oeste de Belfast, e foi forçado a dirigir até a delegacia com um artefato explosivo instalado no carro. A explosão aconteceu enquanto moradores da área eram retirados do local. Ninguém ficou ferido.
A polícia trata o caso como tentativa de homicídio. O grupo republicano dissidente New IRA assumiu a responsabilidade pelo atentado em comunicado enviado ao jornal Irish News. Segundo a publicação, a organização afirmou que o objetivo era matar policiais ao deixarem o prédio.
Após o atentado, a polícia anunciou reforço do policiamento ostensivo em toda a Irlanda do Norte, com aumento de patrulhas e barreiras de controle, diante do risco de novas ações de grupos extremistas.
A explosão reacendeu temores sobre a atividade de facções dissidentes republicanas, que rejeitam o acordo de paz de 1998 e continuam promovendo ataques esporádicos na região.

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