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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres no domingo que não é um “grande fã” do Papa Leão XIV, depois que o líder da Igreja Católica fez um apelo pela paz no domingo.
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“Não sou um grande fã do Papa Leão. Ele é uma pessoa muito liberal e não acredita em acabar com o crime”, disse Trump na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland. Trump acusou o pontífice de “brincar com um país que quer uma arma nuclear”.
No sábado, o papa americano de 70 anos implorou publicamente aos líderes mundiais que acabassem com a violência, dizendo: “Parem com a idolatria do ego e do dinheiro! Parem com as demonstrações de poder! Parem com a guerra!”.
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Já neste domingo, o Papa expressou sua proximidade com o povo libanês, afirmando haver uma “obrigação moral” de protegê-lo e apelando às partes em conflito para que busquem a paz. O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no mês passado, em meio às operações militares de Israel contra o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã.
As autoridades libanesas relataram mais de 2.000 mortos em ataques israelenses no conflito, com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fazendo um apelo especial à proteção das crianças e adolescentes do país.
— Estou mais próximo do que nunca, nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus, do amado povo libanês — disse o Papa à multidão na Praça de São Pedro após a oração do Regina Coeli, acrescentando: — O princípio da humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido pelo direito internacional, implica a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra.
Como já fez no passado, sem citar nomes, o Papa americano apelou às partes envolvidas para que busquem uma solução pacífica.
Em uma jornada eleitoral que já se desenhava imprevisível pela quantidade de candidatos na disputa, as eleições presidenciais no Peru deste domingo foram marcadas por graves falhas de organização e atrasos prolongados que impediram ao menos 63 mil eleitores de depositarem seus votos nas urnas — muitas das quais sequer chegaram a ser abertas até o fechamento das seções eleitorais às 18h (20h em Brasília). Pesquisas boca de urna apontam que a candidata Keiko Fujimori, filha do ex-ditador condenado por violações de direitos humanos, Alberto Fujimori, venceu o primeiro turno — embora a expectativa seja de que a apuração não seja concluída antes da madrugada de segunda-feira.
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A eleição de domingo marcou o retorno precoce dos peruanos às urnas após as destituições de Dina Boluarte e de seu sucessor interino, José Jerí. Em meio à crise política que fez o país atingir a marca de oito presidentes em 10 anos, 35 candidatos apresentaram seus nomes como opção. Além da escolha do novo chefe do Executivo, os eleitores também votaram pela primeira vez em mais de três décadas para duas Casas Legislativas, com o restabelecimento do sistema bicameral.
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A imprevisível jornada se tornou ainda mais incerta quando grandes filas começaram a se formar em frente a locais de votação previamente designados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE, na sigla em espanhol) e pela Justiça Nacional Eleitoral (JNE), sem que os eleitores pudessem votar no horário estabelecido. Autoridades eleitorais justificaram que os atrasos ocorreram porque uma empresa contratada para fornecer cédulas de votação não apareceu a tempo. A informação oficial foi de que até às 13h (15h em Brasília), até 30% dos locais de votação não haviam sido abertos.
Em uma tentativa de remediar os atrasos, o chefe do JNE, Roberto Burneo, anunciou que as urnas ficariam abertas além do previsto inicialmente, em uma tentativa de garantir o direito ao voto dos eleitores das seções afetadas. Policiais e funcionários do Ministério Público peruano chegaram a realizar diligências na sede da ONPE e na empresa que teria o encargo de distribuir as cédulas. Mas, ao fim do dia, o chefe da ONPE, Piero Corvetto, admitiu que 211 mesas eleitorais não chegaram a ser abertas, comprometendo o direito ao voto de cerca de 63 mil pessoas.
O caos no dia da votação levou a uma reação colérica entre os candidatos. César Acuña, candidato pelo APP, pediu que Corvetto fosse denunciado criminalmente por omissão de funções, enquanto Roberto Chiabra, candidato do Unidad Nacional, afirmou que “nem na época da subversão tantos peruanos ficaram sem exercer seu direito ao voto”. O partido de Keiko pediu a extensão da votação até segunda-feira, enquanto Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, afirmou que o colapso do sistema eleitoral teria prejudicado até 1 milhão de eleitores.
— Nossos observadores relatam atrasos muito graves em algumas mesas de votação devido à falta de material eleitoral em Lima — disse Álvaro Henzler, chefe da organização de monitoramento eleitoral Transparencia, em entrevista coletiva. — Pedimos às autoridades que expliquem essa situação, que é inédita.
Pessoas aguardam em fila do lado de fora de uma seção eleitoral em Lima, em 12 de abril de 2026
Luis Robayo/AFP
Impacto imprevisível
Embora a quantidade de candidatos na disputa presidencial tornasse quase certa a necessidade de um segundo turno em junho, não está claro o quanto as perturbações do dia de votação impactarão nas eleições de deputados e senadores — ou mesmo na própria definição dos presidenciáveis que chegarão à disputa direta. Cerca de 27 milhões de pessoas estavam aptas a votar no domingo.
Pesquisas boca de urna apontam uma margem curta entre os candidatos à Presidência: Keiko, candidata do Força Popular que já aparecia como favorita em levantamentos prévios, teria obtido 16,5% dos votos, segundo pesquisa da Datum/América TV. Em segundo lugar aparece López Aliaga, com 12,8%, seguido por Jorge Nieto, do Partido do Bom Governo, com 11,6% dos votos, e Ricardo Belmont, do Partido das Obras Cívicas, com 10,5%.
A expectativa é de que o avançar das apurações apresente um cenário mais preciso por volta da meia-noite desta segunda-feira (2h em Brasília), quando as autoridades eleitorais disseram que pretendem ter ao menos 60% dos votos apurados.
Não está claro que medidas jurídicas os candidatos que eventualmente se sentirem prejudicados pelo impedimento dos eleitores poderia apresentar. Em um pronunciamento público, Corvetto se limitou a dizer que medidas seriam tomadas para que os eleitores que não conseguiram votar não fossem punidos. Parte do eleitorado protestou ainda no domingo contra supostas irregularidades no processo eleitoral.
— Disseram que as cédulas estavam atrasadas. Como não tinham mais fornecedores? Como não conseguiram se organizar melhor para evitar algo assim? — questionou Katia Burneo, que votava em uma escola no distrito de Miraflores, em Lima. (Com Bloomberg, AFP e El Comercio)
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, na sigla em inglês), unidade responsável por operações no Oriente Médio, afirmou, neste domingo, que vai iniciar o bloqueio de todo o tráfego marítimo de portos iranianos pelo Estreito de Ormuz a partir de amanhã, segunda-feira, às 11h (horário de Brasília).
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“O bloqueio será aplicado de forma imparcial a embarcações de todas as nações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras do Irã, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, disse em nota.
O Centcom afirmou ainda que informações adicionais serão fornecidas aos navegantes comerciais por meio de um aviso formal antes do início do bloqueio, e que todos os navegantes são aconselhados a monitorar os avisos e a contatar as forças navais dos EUA ao operar no Golfo de Omã e nas aproximações do Estreito de Ormuz.
Mais cedo, o comando da Marinha da Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, advertiu que “qualquer erro de cálculo ou movimento hostil” prenderão os EUA “em redemoinhos mortais no Estreito [de Ormuz]”, segundo a agência de notícias Tasnim, afiliada à força de elite.
‘É o último alerta’: Por rádio, Irã adverte navios de guerra dos EUA que testaram controle iraniano sobre Estreito de Ormuz
A afirmação foi feita depois de a mídia estatal do Irã anunciar a mobilização de Forças Especiais Navais ao longo da costa sul do país, finalizando sua preparação para uma potencial invasão por terra de forças americanas. Segundo o jornal Wall Street Journal, a rede estatal iraniana Student News Network publicou fotos de soldados com uniformes camuflados perto de uma costa arenosa para “conter qualquer possível infiltração inimiga no território do país”.
As declarações surgiram logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, publicar uma mensagem nas redes sociais, dizendo que a Marinha dos EUA começaria a bloquear “todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, uma via navegável crucial por onde passam 20% do petróleo e gás mundial, após o Teerã não ter alcançado com Washington no Paquistão um acordo para pôr fim à guerra.
Depois do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã fechou a passagem, fazendo os preços globais do petróleo dispararem mais de 50%. O republicano acrescentou que quaisquer iranianos que atacarem embarcações americanas ou outros navios pacíficos “serão EXPLODIDOS PARA O INFERNO!”.
Veja mapa: Com mais tropas americanas a caminho, Irã fortalece defesas no Golfo e se prepara para invasão em terra
Um bloqueio naval pode ser considerado um ato de guerra pelo Irã. Seis dias depois de Washington e Teerã terem concordado com um cessar-fogo temporário de duas semanas para permitir negociações para um acordo de paz, o republicano também afirmou que o Exército dos EUA vai “acabar com o pouco que resta do Irã”.
Trump condicionou o cessar-fogo de duas semanas ao fim do controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, mas os líderes iranianos não deram qualquer indicação de que pretendem relaxar o controle sobre a hidrovia, que consideram uma moeda de troca crucial. Na prática, apenas alguns navios transitaram pela via desde o início da trégua. Em uma postagem desafiadora nas redes sociais no início deste domingo, Ali Akbar Velayati, membro da equipe de negociação do Irã, afirmou que “a chave” para o Estreito de Ormuz “está firmemente em nossas mãos”.
Suposta operação no estreito
No sábado, o Pentágono afirmou que dois navios de guerra dos EUA cruzaram o Estreito de Ormuz para iniciar uma operação de remoção de minas terrestres dessa importante via navegável. O Irã negou a alegação e, neste domingo, alertou que qualquer tentativa de navios militares de atravessar a passagem seria recebida com uma “resposta firme e enérgica”, segundo a emissora estatal do país.
Neste domingo, Trump afirmou que a Marinha dos EUA “buscaria e interceptaria” qualquer embarcação que pagasse um pedágio ao Irã para conseguir atravessar a passagem. Em entrevista à Fox News, ele disse que os aumentos nos preços do petróleo e do gás não foram tão ruins quanto ele esperava antes de iniciar a guerra e que sentia que a economia dos EUA era forte o suficiente para suportar os efeitos do conflito. Também afirmou que diz a seus conselheiros econômicos: “Desculpe, pessoal, estamos em ótima situação. Temos que fazer uma pequena viagem ao Irã e impedi-los de obter uma arma nuclear.”
— Não precisamos do estreito, mas outros países precisam — disse ele. — Acreditamos que vários países também nos ajudarão com isso, mas estamos impondo um bloqueio total. Não vamos deixar o Irã lucrar com a venda de petróleo.
Washington ordenou o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas para o Oriente Médio, com novos destacamentos previstos após o início do cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Embora o presidente dos EUA não tenha afirmado que pretende enviar tropas terrestres, esses destacamentos dariam aos EUA mais opções para ataques ou incursões por terra e desencadearam preparativos no Irã, que nas últimas semanas reforçou suas defesas aéreas, instalou minas e preparou bunkers nas ilhas ao longo de sua costa.
E grande parte da frota de embarcações ágeis da Guarda Revolucionária Iraniana, projetada para controlar o Estreito de Ormuz, permanece intacta, representando uma ameaça mesmo após os EUA terem destruído a maior parte da Marinha iraniana.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Negociações no Paquistão
Mediadas pelo Paquistão, as negociações deste fim de semana representaram o encontro presencial de mais alto nível entre líderes americanos e iranianos desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.
Veja foto: Avião que levou delegação do Irã para negociação com os EUA no Paquistão fez homenagem a crianças mortas em escola
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA durante a maratona de negociações no Paquistão, afirmou que os dois lados não chegaram a um acordo porque Teerã se recusou a abandonar seu programa de armas nucleares. Ele partiu para os EUA no início da manhã deste domingo.
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que Washington não conseguiu conquistar sua confiança, enquanto a emissora estatal iraniana atribuiu o fracasso às “exigências descabidas” dos EUA em relação à questão nuclear e ao Estreito de Ormuz. Teerã afirmou que nenhuma nova rodada de negociações foi agendada.
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Analistas afirmaram que as questões que dividiam os dois países eram tão complexas — e suas diferenças tão arraigadas — que fechar um acordo em uma única rodada de negociações era altamente improvável. Mas nem o Vance nem Ghalibaf descartaram outra rodada de negociações antes do término do cessar-fogo de duas semanas, em 21 de abril.
Ghalibaf afirmou nas redes sociais que a profunda desconfiança entre os dois lados representava um obstáculo para se chegar a um acordo. Os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações, disse ele. “Agora é hora de decidir se eles podem ou não ganhar nossa confiança.”
Trump, que assistia a uma luta do UFC na Flórida durante as negociações, declarou o cessar-fogo na semana passada em parte para amenizar o impacto da perda de acesso a 20% do suprimento mundial de petróleo. Os outros dois pontos-chave eram o destino de quase 408 kg de urânio altamente enriquecido e a exigência do Irã de que cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas e mantidas no exterior fossem liberados, disseram as autoridades.
Com New York Times
O primeiro-ministro da Hungria e líder da extrema direita global, Viktor Orbán, de 62 anos, reconheceu ter sido derrotado pelo advogado Péter Magyar, de 45 anos, na eleição deste domingo, que teve comparecimento recorde no país. A vitória abre caminho para a transição de poder após 16 anos de um governo que marcou a Europa com um modelo que ficou conhecido como “democracia iliberal”.
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Péter Magyar é um antigo aliado de Orbán que se tornou o principal oponente do líder nacionalista nos últimos anos. Pouco antes de ganhar destaque, em 2024, após um escândalo envolvendo o perdão de abusos contra crianças, o advogado disse à AFP que era chamado de “eterno opositor” dentro do partido do atual primeiro-ministro.
Hábil comunicador, tanto nas redes sociais quanto em campanhas, o conservador agora promete mudança, desmontando “tijolo por tijolo” todo o sistema político de Orbán. Quem conhece Magyar afirma que ele é temperamental e um perfeccionista que exige o melhor de todos, mas que aceita pedir desculpas.
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O futuro primeiro-ministro percorreu o país quase sem parar nos últimos dois anos, com a promessa de combater a corrupção e melhorar os serviços públicos, o que levou seu partido a liderar as pesquisas. Sua condição de antiga figura do governo ajudou a ascensão meteórica, segundo Andrzej Sadecki, analista do Centro de Estudos Orientais, de Varsóvia:
— Soa mais convincente para alguns ex-eleitores do Fidesz quando afirma que o sistema está podre por dentro. De certa forma, Magyar é como Orbán há 20 anos, sem toda a bagagem, a corrupção e os erros no poder.
Nascido em uma família de conservadores de destaque, Magyar foi atraído pela política desde muito jovem. Em seus anos universitários, fez amizade com Gergely Gulyas, atual chefe de gabinete de Orbán, e conheceu Judit Varga, com quem se casou em 2006 e que viria a ser ministra da Justiça no governo do líder nacionalista.
Após servir como diplomata junto à União Europeia, Magyar liderou o órgão estatal de empréstimos para a educação e foi parte da diretoria de outras entidades sociais também do governo de Orbán. O casal, que têm três filhos, se divorciou em 2023.
Destaque após escândalo de abuso de crianças
A figura do Magyar ganhou destaque quando um escândalo pelo perdão de um caso de abuso infantil abalou o governo no início de 2024, provocando a renúncia da presidente Katalin Novak e de Varga, sua ex-esposa, como ministra da Justiça. O opositor denunciou a corrupção do governo de Orbán e também renunciou a seus cargos públicos.
Naquele momento, ele descartou ter aspirações políticas, mas foi considerado “corajoso, orientado para a ação e disposto a correr riscos”, diz Veronika Kovesdi, especialista em mídia da Universidade ELTE de Budapeste.
Suas mensagens nas redes sociais “ressoaram emocionalmente” junto dos seus seguidores, muitos dos quais o veem como um “herói que luta incansavelmente” por eles. O advogado assumiu o controle do desconhecido partido TISZA para poder disputar a eleição europeia de 2024, alcançando o segundo lugar, atrás da coalizão governante.
À medida que sua popularidade crescia, Magyar enfrentou um “tsunami de ódio e mentiras”, como ele o chamou. Ele ridicularizou algumas acusações e negou outras, como as de um suposto abuso doméstico contra Varga. Os ataques “o ajudaram a se legitimar como um líder realmente capaz de gerar mudança”, segundo Kovesdi.
Magyar prometeu combater a corrupção, melhorar serviços públicos como a saúde e impulsionar reformas para desbloquear bilhões de euros em fundos da União Europeia para a Hungria. No plano internacional, prometeu transformar o país em um sócio confiável da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e da UE e ser crítico em relação à Rússia, ao contrário de Orbán, que é próximo de Moscou.
Assim como Orbán, Magyar se recusa a enviar armas à Ucrânia e se opõe a uma integração acelerada na UE, mas rejeita a retórica hostil da Rússia em relação a Kiev.
Em relação à pauta anti-imigração, sua postura é mais rígida que a de Orbán ao prometer encerrar o programa governamental de trabalhadores convidados. No entanto, sua visão sobre os direitos da população LGBTQIA+ tem sido vaga, embora defenda a igualdade perante a lei.
O primeiro-ministro da Hungria e líder da extrema direita global, Viktor Orbán, admitiu ter sido superado pela oposição nas eleições realizadas neste domingo e abriu caminho para uma transição de poder no país, que por 16 anos enfraqueceu instituições democráticas e transformou Budapeste em uma frente de resistência aos valores liberais dentro da União Europeia com seu modelo de “democracia iliberal”. O líder húngaro concedeu a derrota em um discurso à nação poucas horas após o fim do pleito, que registrou recorde de comparecimento, quando as parciais da apuração já apontavam ampla vantagem para o Tisza (Respeito e Liberdade), do líder da oposição, Péter Magyar, que deve ser apontado como novo premier após a posse do novo Parlamento.
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— A responsabilidade e a oportunidade de governar não nos foram dadas — afirmou Orbán em um discurso, em que descreveu o resultado como “doloroso para nós, mas claro” e prometeu manter-se ativo na vida política. — Serviremos nosso país e a nação húngara na oposição.
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As primeiras parciais foram divulgadas pouco mais de uma hora após o fechamento das seções eleitorais, às 19h (14h em Brasília). Com 45,71% dos votos apurados, as projeções apontavam que o Tisza conquistaria 135 cadeiras – confirmando a desejada maioria de dois terços no Parlamento – contra 57 do Fidesz (União Cívica Húngara), de Orbán, e 7 do Mi Hazank, sigla ainda mais à direita. Além dos candidatos eleitos pelo voto direto depositado em 106 distritos eleitorais, uma contagem paralela define 93 parlamentares, escolhidos a partir de listas partidárias sob um sistema proporcional complexo. Se nenhum partido obtiver maioria clara na votação direta, é possível que o vencedor só seja conhecido em dias.
Em uma declaração à imprensa após o fechamento das urnas, Magyar disse estar “cautelosamente otimista” quanto à vitória. À medida que a apuração avançou e os números projetados confirmavam maioria para a oposição, o líder disse ter recebido uma ligação de Orbán, que o teria parabenizado pela vitória.
O candidato fez campanha sob as promessas de rever a orientação pró-Moscou e anti-UE dos anos Orbán, além de melhorar a economia, combater a corrupção e restaurar a independência da mídia e do Judiciário — que passou por uma ampla nomeação de juízes leais.
Além das pesquisas favoráveis, a participação recorde dos eleitores é vista com otimismo pela oposição. A Comissão Eleitoral húngara informou que meia hora antes do fechamento das urnas, a participação já era de 77,8% — acima da máxima histórica de 70,5% registrada nas eleições de 2002. Analistas apontam que a participação ampla pode favorecer ao candidato de oposição.
Orbán votou em Budapeste. Ao deixar a seção eleitoral, o premier voltou a atacar a UE, afirmando que não permitiria que a política de Bruxelas privasse a Hungria de “seu futuro e sua soberania”.
— Felizmente, temos muitos amigos no mundo. Da América à China, passando pela Rússia e o mundo turco — declarou o premier.
Ao deixar a seção eleitoral, Orbán foi recebido por manifestantes que zombavam de seus laços com a Rússia — embora tenha recebido apoio expresso do presidente americano, Donald Trump, durante a campanha eleitoral, o líder húngaro é apontado como um grande aliado do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na Europa.
— Imprimimos uma passagem de embarque para o primeiro-ministro Viktor Orbán para Moscou. Se ele perder esta noite, ainda poderá ir para Moscou — disse o manifestante Eniko Toth, de 32 anos, ouvido pela AFP. (Com NYT e AFP)
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anunciar um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás mundial, pode ampliar as tensões não apenas com o Irã, mas também com outras potências, como a China, grande compradora do petróleo iraniano. O termo “bloqueio”, empregado por Trump para descrever a medida, é uma expressão com forte peso jurídico e militar, geralmente associada a atos de guerra, segundo o Wall Street Journal.
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O anúncio foi feito por Trump neste domingo, em publicações na rede Truth Social, um dia após os EUA informarem que dois navios de guerra entraram na região do estreito e as negociações com o Irã terminarem sem um acordo definitivo no Paquistão.
Especialistas em direito internacional apontam que países tendem a evitar o uso da classificação de ‘bloqueio’ por suas implicações, preferindo termos como “embargo”, voltado a restringir bens específicos, ou “quarentena”, usada para conter ameaças sem caracterizar formalmente um conflito.
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O uso da palavra não é inédito. Trump já havia falado em “bloqueio” ao mencionar planos para interromper exportações de petróleo da Venezuela, pouco antes de ordenar ações militares no país.
Historicamente, líderes buscaram alternativas semânticas para evitar a escalada formal de conflitos. Em 1962, durante a crise dos mísseis em Cuba, o então presidente John F. Kennedy optou por classificar como “quarentena” a tentativa de impedir o envio de armamentos soviéticos à ilha. Analistas apontam que a China poderia adotar estratégia semelhante em relação a Taiwan, evitando o termo “bloqueio” para não sinalizar o início de uma guerra.
De acordo com definição da Oxford University Press, um bloqueio é uma operação militar destinada a impedir a entrada ou saída de embarcações e aeronaves — tanto de países inimigos quanto neutros — de áreas sob controle de uma nação adversária.
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Nos EUA, a iniciativa também enfrenta questionamentos no campo político. O senador Mark Warner, principal democrata no Comitê de Inteligência do Senado, criticou a lógica da medida e disse não ver como ela poderia levar o Irã a reabrir o estreito.
— Não entendo como bloquear o estreito vai, de alguma forma, pressionar os iranianos a reabri-lo — afirmou, em entrevista à CNN.
Warner destacou ainda que o Irã mantém uma frota de centenas de pequenas embarcações de ataque capazes de operar na região, o que, segundo ele, limita a eficácia da estratégia americana. O senador acrescentou que relatórios de inteligência indicam que a atual liderança iraniana é mais radical do que a anterior.
— A ideia de que o presidente age como se estivesse surpreso com o fechamento do estreito ou com ataques a aliados no Golfo mostra que ele ou não está sendo devidamente informado, ou não está acompanhando os relatórios — disse.
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Segundo ele, esse cenário ajuda a explicar por que nenhum outro presidente americano adotou uma medida semelhante ao longo de décadas.
O comando da Marinha da Guarda Revolucionária, exército ideológico do Irã, advertiu neste domingo que “qualquer erro de cálculo ou movimento hostil” prenderão os EUA “em redemoinhos mortais no Estreito [de Ormuz]”, segundo a agência de notícias Tasnim, afiliada à força de elite. A afirmação foi feita depois de a mídia estatal do Irã anunciar a mobilização de Forças Especiais Navais ao longo da costa sul do país, finalizando sua preparação para uma potencial invasão por terra de forças americanas. Segundo o jornal Wall Street Journal, a rede estatal iraniana Student News Network publicou fotos de soldados com uniformes camuflados perto de uma costa arenosa para “conter qualquer possível infiltração inimiga no território do país”.
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As declarações surgiram logo após o presidente dos EUA, Donald Trump, publicar uma mensagem nas redes sociais, dizendo que a Marinha dos EUA começaria a bloquear “todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, uma via navegável crucial por onde passam 20% do petróleo e gás mundial, após o Teerã não ter alcançado com Washington no Paquistão um acordo para pôr fim à guerra. Depois do início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã fechou a passagem, fazendo os preços globais do petróleo dispararem mais de 50%. O republicano acrescentou que quaisquer iranianos que atacarem embarcações americanas ou outros navios pacíficos “serão EXPLODIDOS PARA O INFERNO!”.
Um bloqueio naval pode ser considerado um ato de guerra pelo Irã. Seis dias depois de Washington e Teerã terem concordado com um cessar-fogo temporário de duas semanas para permitir negociações para um acordo de paz, o republicano também afirmou que o Exército dos EUA vai “acabar com o pouco que resta do Irã”.
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Trump condicionou o cessar-fogo de duas semanas ao fim do controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, mas os líderes iranianos não deram qualquer indicação de que pretendem relaxar o controle sobre a hidrovia, que consideram uma moeda de troca crucial. Na prática, apenas alguns navios transitaram pela via desde o início da trégua. Em uma postagem desafiadora nas redes sociais no início deste domingo, Ali Akbar Velayati, membro da equipe de negociação do Irã, afirmou que “a chave” para o Estreito de Ormuz “está firmemente em nossas mãos”.
Suposta operação no estreito
No sábado, o Pentágono afirmou que dois navios de guerra dos EUA cruzaram o Estreito de Ormuz para iniciar uma operação de remoção de minas terrestres dessa importante via navegável. O Irã negou a alegação e, neste domingo, alertou que qualquer tentativa de navios militares de atravessar a passagem seria recebida com uma “resposta firme e enérgica”, segundo a emissora estatal do país.
Neste domingo, Trump afirmou que a Marinha dos EUA “buscaria e interceptaria” qualquer embarcação que pagasse um pedágio ao Irã para conseguir atravessar a passagem. Em entrevista à Fox News, ele disse que os aumentos nos preços do petróleo e do gás não foram tão ruins quanto ele esperava antes de iniciar a guerra e que sentia que a economia dos EUA era forte o suficiente para suportar os efeitos do conflito. Também afirmou que diz a seus conselheiros econômicos: “Desculpe, pessoal, estamos em ótima situação. Temos que fazer uma pequena viagem ao Irã e impedi-los de obter uma arma nuclear.”
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— Não precisamos do estreito, mas outros países precisam — disse ele. — Acreditamos que vários países também nos ajudarão com isso, mas estamos impondo um bloqueio total. Não vamos deixar o Irã lucrar com a venda de petróleo.
Washington ordenou o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas para o Oriente Médio, com novos destacamentos previstos após o início do cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Embora o presidente dos EUA não tenha afirmado que pretende enviar tropas terrestres, esses destacamentos dariam aos EUA mais opções para ataques ou incursões por terra e desencadearam preparativos no Irã, que nas últimas semanas reforçou suas defesas aéreas, instalou minas e preparou bunkers nas ilhas ao longo de sua costa.
E grande parte da frota de embarcações ágeis da Guarda Revolucionária Iraniana, projetada para controlar o Estreito de Ormuz, permanece intacta, representando uma ameaça mesmo após os EUA terem destruído a maior parte da Marinha iraniana.
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Editoria de Arte/O Globo
Negociações no Paquistão
Mediadas pelo Paquistão, as negociações deste fim de semana representaram o encontro presencial de mais alto nível entre líderes americanos e iranianos desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.
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O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA durante a maratona de negociações no Paquistão, afirmou que os dois lados não chegaram a um acordo porque Teerã se recusou a abandonar seu programa de armas nucleares. Ele partiu para os EUA no início da manhã deste domingo.
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Analistas afirmaram que as questões que dividiam os dois países eram tão complexas — e suas diferenças tão arraigadas — que fechar um acordo em uma única rodada de negociações era altamente improvável. Mas nem o Vance nem Ghalibaf descartaram outra rodada de negociações antes do término do cessar-fogo de duas semanas, em 21 de abril.
Ghalibaf afirmou nas redes sociais que a profunda desconfiança entre os dois lados representava um obstáculo para se chegar a um acordo. Os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações, disse ele. “Agora é hora de decidir se eles podem ou não ganhar nossa confiança.”
Trump, que assistia a uma luta do UFC na Flórida durante as negociações, declarou o cessar-fogo na semana passada em parte para amenizar o impacto da perda de acesso a 20% do suprimento mundial de petróleo. Os outros dois pontos-chave eram o destino de quase 408 kg de urânio altamente enriquecido e a exigência do Irã de que cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas e mantidas no exterior fossem liberados, disseram as autoridades.
Com New York Times
A mídia estatal do Irã anunciou neste domingo a mobilização de Forças Especiais Navais ao longo da costa sul do país, finalizando sua preparação para uma potencial invasão por terra de forças americanas, depois de o país não ter alcançado com os EUA no Paquistão um acordo para pôr fim à guerra. Segundo o jornal Wall Street Journal, a rede estatal iraniana Student News Network publicou fotos de soldados com uniformes camuflados perto de uma costa arenosa para “conter qualquer possível infiltração inimiga no território do país”.
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O anúncio ocorreu paralelamente à declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, em sua plataforma Truth Social, de que a Marinha americana vai começar a bloquear “todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, uma via navegável crucial por onde passam 20% do petróleo e gás mundial. Um bloqueio naval pode ser considerado um ato de guerra pelo Irã. Seis dias depois de Washington e Teerã terem concordado com um cessar-fogo temporário de duas semanas para permitir negociações para um acordo de paz, o republicano também afirmou que o Exército dos EUA vai “acabar com o pouco que resta do Irã”.
Trump condicionou o cessar-fogo de duas semanas ao fim do controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, cujo bloqueio fez com que os preços globais do petróleo disparassem mais de 50% durante o conflito de um mês, que começou no final de fevereiro. No sábado, o Pentágono afirmou que dois navios de guerra dos EUA cruzaram o Estreito de Ormuz para iniciar uma operação de remoção de minas terrestres dessa importante via navegável. O Irã negou a alegação. Na prática, apenas alguns navios transitaram pela via desde o início da trégua. Trump afirmou que a Marinha dos EUA “buscaria e interceptaria” qualquer embarcação que pagasse um pedágio ao Irã para conseguir atravessar a passagem.
‘É o último alerta’: Por rádio, Irã adverte navios de guerra dos EUA que testaram controle iraniano sobre Estreito de Ormuz
Em entrevista à Fox News neste domingo, Trump disse que o Irã estava “extorquindo o mundo” e que os EUA poderiam se beneficiar com a venda de petróleo.
— Não precisamos do estreito, mas outros países precisam — disse ele. — Acreditamos que vários países também nos ajudarão com isso, mas estamos impondo um bloqueio total. Não vamos deixar o Irã lucrar com a venda de petróleo.
Os líderes iranianos não deram qualquer indicação de que pretendem relaxar o controle sobre a hidrovia, que consideram uma moeda de troca crucial. Em uma postagem desafiadora nas redes sociais no início deste domingo, Ali Akbar Velayati, membro da equipe de negociação do Irã, afirmou que “a chave” para o Estreito de Ormuz “está firmemente em nossas mãos”.
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Washington ordenou o envio de milhares de fuzileiros navais e tropas aerotransportadas para o Oriente Médio, com novos destacamentos previstos após o início do cessar-fogo de duas semanas com o Irã. Embora o presidente dos EUA não tenha afirmado que pretende enviar tropas terrestres, esses destacamentos dariam aos EUA mais opções para ataques ou incursões por terra e desencadearam preparativos no Irã, que nas últimas semanas reforçou suas defesas aéreas, instalou minas e preparou bunkers nas ilhas ao longo de sua costa.
E grande parte da frota de embarcações ágeis da Guarda Revolucionária Iraniana, projetada para controlar o Estreito de Ormuz, permanece intacta, representando uma ameaça mesmo após os EUA terem destruído a maior parte da Marinha iraniana.
Irã aperta controle sobre Estreito de Ormuz e impõe vitória estratégica no conflito contra os EUA e Israel
Editoria de Arte/O Globo
Negociações no Paquistão
Mediadas pelo Paquistão, as negociações deste fim de semana representaram o encontro presencial de mais alto nível entre líderes americanos e iranianos desde a Revolução Islâmica do Irã, em 1979.
Veja foto: Avião que levou delegação do Irã para negociação com os EUA no Paquistão fez homenagem a crianças mortas em escola
O vice-presidente JD Vance, que liderou a delegação dos EUA durante a maratona de negociações no Paquistão, afirmou que os dois lados não chegaram a um acordo porque Teerã se recusou a abandonar seu programa de armas nucleares. Ele partiu para os EUA no início da manhã deste domingo.
O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse que Washington não conseguiu conquistar sua confiança, enquanto a emissora estatal iraniana atribuiu o fracasso às “exigências descabidas” dos EUA em relação à questão nuclear e ao Estreito de Ormuz. Teerã afirmou que nenhuma nova rodada de negociações foi agendada.
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Analistas afirmaram que as questões que dividiam os dois países eram tão complexas — e suas diferenças tão arraigadas — que fechar um acordo em uma única rodada de negociações era altamente improvável. Mas nem o Vance nem Ghalibaf descartaram outra rodada de negociações antes do término do cessar-fogo de duas semanas, em 21 de abril.
Ghalibaf afirmou nas redes sociais que a profunda desconfiança entre os dois lados representava um obstáculo para se chegar a um acordo. Os Estados Unidos não conseguiram conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações, disse ele. “Agora é hora de decidir se eles podem ou não ganhar nossa confiança.”
Trump, que assistia a uma luta do UFC na Flórida durante as negociações, declarou o cessar-fogo na semana passada em parte para amenizar o impacto da perda de acesso a 20% do suprimento mundial de petróleo. Os outros dois pontos-chave eram o destino de quase 408 kg de urânio altamente enriquecido e a exigência do Irã de que cerca de US$ 27 bilhões em receitas congeladas e mantidas no exterior fossem liberados, disseram as autoridades.
Com New York Times
O presidente dos EUA, Donald Trump ameaçou a China, neste domingo (12), com novas tarifas “assombrosas” se o país fornecer apoio militar ao Irã. Washington está em guerra com Teerã desde 28 de fevereiro quando, junto com Israel, lançou bombardeios contra o território iraniano.
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A declaração ocorre um dia após a rede americana CNN veicular, segundo três fontes familiarizadas com o assunto, que a inteligência americana apura informações de que Pequim está se preparando para entregar novos sistemas de mísseis portáteis de defesa aérea (MANPADS) ao Irã, o que a China nega.
— Se descobrirmos que eles estão fazendo isso, eles terão uma tarifa de 50%, o que é impressionante, um número impressionante — disse Trump à Fox News.
O MANPADS podem ser disparados por indivíduos e são capazes de abater aviões e helicópteros, explicaram as fontes. Os americanos afirmam que esses sistemas representam uma ameaça ao transporte aéreo de passageiros, à aviação comercial e às aeronaves militares.
‘É o último alerta’: Por rádio, Irã adverte navios de guerra dos EUA que testaram controle iraniano sobre Estreito de Ormuz
Além da ajuda militar, fontes afirmaram à rede CNN de que há indícios de que Pequim também estaria trabalhando para desviar os carregamentos por meio de outros países, com objetivo de mascarar sua origem. Apontam ainda que Pequim continua vendendo tecnologia de dupla utilização ao Irã, o que permitiria a Teerã continuar construindo armas — o que é alvo de sanções.
Um porta-voz da Embaixada chinesa em Washington disse à CNN que a informação “é falsa” e instou os EUA a “se absterem de fazer alegações infundadas, estabelecer conexões maliciosas e se envolver em sensacionalismo; esperamos que as partes relevantes façam mais para ajudar a reduzir as tensões.”
O presidente dos EUA viajará a Pequim no próximo mês para se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, depois de adiar uma cúpula anterior devido à guerra no Oriente Médio.
Esta não é a primeira vez que Trump ameaça impor tarifas de 50% a países que fornecerem armas ao Irã. Na quarta-feira (8), o republicano disse que iria aplicar a penalidade “sobre todos os produtos que [o país] vender aos Estados Unidos, com efeito imediato. Não haverá exclusões ou isenções.”
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O Papa Leão XIV expressou, neste domingo (dia 12), sua proximidade com o povo libanês, afirmando haver uma “obrigação moral” de protegê-lo e apelando às partes em conflito para que busquem a paz. O país foi arrastado para a guerra no Oriente Médio no mês passado, em meio às operações militares de Israel contra o movimento xiita Hezbollah, apoiado pelo Irã.
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As autoridades libanesas relataram mais de 2.000 mortos em ataques israelenses no conflito, com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) fazendo um apelo especial à proteção das crianças e adolescentes do país.
— Estou mais próximo do que nunca, nestes dias de tristeza, medo e esperança inabalável em Deus, do amado povo libanês — disse o Papa à multidão na Praça de São Pedro após a oração do Regina Coeli, acrescentando: — O princípio da humanidade, inscrito na consciência de cada pessoa e reconhecido pelo direito internacional, implica a obrigação moral de proteger a população civil dos efeitos atrozes da guerra.
Como já fez no passado, sem citar nomes, o Papa americano apelou às partes envolvidas para que busquem uma solução pacífica.
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Ainda assim, a declaração foi feita em meio à uma polêmica envolvendo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Pontífice. Uma informação afirmava que um alto funcionário do Pentágono teria repreendido a ao representante diplomático da Santa Sé nos EUA por comentários considerados críticos ao republicano, o que foi negado pelo Vaticano.
Israel aproveitou a guerra iniciada, ao lado dos EUA, contra o Irã para continuar seus ataques no Líbano, que, afirma, miram o Hezbollah. Teerã, que financia o movimento xiita libanês, incluiu em suas reivindicações para um acordo o fim da guerra entre Israel e Hezbollah, o que foi recusado por Tel Aviv.
O Líbano não foi incluído no acordo de cessar-fogo entre Irã e EUA. Mas, na quinta-feira (9), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou que ordenou a abertura de negociações diretas com o Líbano para discutir o “desarmamento do Hezbollah e o estabelecimento de relações pacíficas” entre os dois países, mas sem cessar os ataques contra o país.
Outro front da guerra regional
Os comentários do pontífice de 70 anos foram feitos em meio ao fracasso das negociações, sediadas no Paquistão, entre Irã e Estados Unidos para pôr fim à guerra no Oriente Médio. As partes não chegara a um acordo, e o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o bloqueio da entrada e saída “de todos os navios” no Estreito de Ormuz, rota por onde passam 20% de todo petróleo e gás mundial.
‘É o último alerta’: Por rádio, Irã adverte navios de guerra dos EUA que testaram controle iraniano sobre Estreito de Ormuz
No sábado, durante uma oração pela paz, o discreto Leão XVI fez uma de suas críticas mais contundentes à guerra, implorando aos líderes que cessem a violência.
— Parem! É hora de paz! Sentem-se à mesa do diálogo e da mediação, não à mesa onde se planeja o rearme e se decidem ações mortais! Basta da idolatria do ego e do dinheiro! Basta da demonstração de poder! Basta da guerra! — declarou.
O líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo tem reiteradamente pedido a redução da escalada na atual guerra entre EUA e Israel contra o Irã e a necessidade de uma solução diplomática.
Na segunda-feira, o Papa segue para a Argélia para o início de uma viagem de 11 dias pela África, onde levará uma mensagem de construção de pontes com o mundo islâmico.

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