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Quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã no final de fevereiro, alguns opositores iranianos da República Islâmica esperavam que isso pusesse fim a décadas de regime teocrático que consideravam opressivo. Agora, após ataques devastadores e em meio a um cessar-fogo instável, essas esperanças foram frustradas. Sentimentos de desilusão e desespero tomaram o seu lugar, impulsionados por um número estimado de 1.700 civis mortos, destruição em larga escala e um colapso econômico que tornou o cotidiano uma luta. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Quando a Fifa anunciou, em abril, a lista de árbitros escalados para a Copa do Mundo 2026, o nome de Omar Artan foi especialmente celebrado: ele seria o primeiro somaliano a apitar no principal torneio de futebol do planeta. Mas na segunda-feira, o Ministério dos Esportes da Somália disse que Artan, mesmo com um visto válido, foi barrado na imigração dos EUA. A Fifa emitiu nota dizendo que “não se envolve nos processos de imigração dos países-sede, incluindo concessões de vistos, e foi informada pelas autoridades que a situação do Sr. Artan não será alterada no momento”. Esse não foi um caso isolado em uma Copa já marcada por polêmicas antes mesmo do primeiro toque na bola.
— Negar-lhe a entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de arbitrar partidas agendadas prejudica não apenas a sua pessoa, mas também mina o compromisso do futebol com a justiça, o mérito e o espírito do jogo limpo — disse Clise Aden Abshir, conselheiro do Ministério dos Esportes somaliano, à AFP.
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Segundo Abshir, Artan retornou a Istambul, onde obteve o visto, após ter sido barrado. Ele faz parte do quadro da Fifa desde 2018, e no ano passado recebeu o prêmio de melhor árbitro do continente africano. O governo americano não apresentou razões para a decisão. No passado, não se tem registro de problemas semelhantes com outros países-sede.
Outra vítima do sistema migratório americano foi a seleção do Iraque. No fim de semana, um fotógrafo que viajava com a delegação foi barrado em Chicago — segundo o serviço de fronteiras (CBP), Talal Saleh “foi considerado inadmissível e teve sua entrada negada devido a informações confidenciais, de acordo com a legislação dos EUA”. No mesmo voo, o principal atacante da equipe, Aymen Hussein, foi retido por sete horas por agentes da imigração antes de ser liberado.
Na semana passada, o meia haitiano Woodensky Pierre foi recebido com festa no aeroporto internacional de Miami, depois de finalmente conseguir o visto para entrar nos EUA e se juntar a seus colegas em um centro de treinamento na Flórida. Na seleção, ele é o único atleta que atua no Haiti, e percorreu uma verdadeira corrida de obstáculos para obter o documento. De acordo com a federação do país, há outros membros da delegação que ainda não sabem quando ou se receberão os vistos.
Pierre Woodensky, do Haiti
Reprodução / Instagram / @woodensky06
O presidente dos EUA, Donald Trump, encara a Copa do Mundo como um elemento crucial de sua agenda de celebrações dos 250 anos da independência do país, que incluem obras na capital, Washington, e um evento de MMA nos jardins da Casa Branca. E ao mesmo tempo em que promete realizar o maior Mundial de todos os tempos, suas pegadas políticas se confundem com um evento que faz de tudo para ao menos parecer apolítico.
— Vejo a Copa do Mundo de 2026 na interseção de duas realidades muito marcantes — disse Ashleigh Huffman, que foi chefe de diplomacia esportiva do Departamento de Estado, em entrevista à Associated Press..— Tudo o que está acontecendo tem o poder de nos unir, mas também está forçando conversas sobre acessibilidade, direitos humanos, imigração e quem será incluído nesta celebração.
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Agentes da polícia migratória americana, o ICE, participarão da segurança do evento, e muitos temem uma onda de prisões de estrangeiros nos estádios, uma hipótese que não foi descartada pelo Departamento de Segurança Interna. As restrições à emissão de vistos afetam, em graus diferentes, sete países classificados para a Copa — dois deles, Irã e Haiti, estão em uma lista de nações cujos cidadãos têm a entrada nos EUA praticamente proibida.
— Os Estados Unidos estão bem preparados para receber viajantes legítimos de todo o mundo para a maior e melhor Copa do Mundo da FIFA da História — disse um representante do Departamento de Estado ao site The Athletic. — Ao mesmo tempo, o governo não hesitará em defender a lei americana e os mais altos padrões de segurança nacional e pública na condução do nosso processo de vistos.
Nenhum caso é tão extremo como o do Irã. Em fevereiro, Trump lançou, ao lado de Israel, um conflito de grande porte contra o país, que transformou o Oriente Médio e provocou efeitos em escala global.
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AFP
Quando as bombas começaram a cair sobre Teerã, o “Team Melli” já estava classificado, e autoridades chegaram a anunciar que a equipe não viajaria à América do Norte, alegando razões de segurança. Em março, no auge da guerra, o presidente americano disse que a seleção iraniana era bem vinda nos EUA, mas que não acreditava “ser apropriado que eles estejam lá, para a própria segurança e integridade física dos participantes”.
“Os EUA estão privando a seleção nacional do Irã do seu direito de participar da Copa do Mundo em condições normais e sem pressão e estresse desnecessários”, escreveu em comunicado a Embaixada do Irã em Ancara. “Esta é a pior forma possível de interferência política no esporte.”
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De acordo com o Departamento de Estado, os vistos para os jogadores já foram emitidos, mas as regras impostas são, no mínimo, peculiares. A delegação ficará baseada em Tijuana, no México, e viajará para os EUA na véspera (primeiro jogo) e na antevéspera (segundo e terceiro jogos). Todos precisarão sair do país no mesmo dia das partidas, e não está claro se serão submetidos ao mesmo tratamento dispensado aos iraquianos.
— Não sabemos até onde o obstrucionismo dos americanos vai continuar —disse Mehdi Taj, presidente da federação iraniana, à agência semiestatal Isna. —O que os Estados Unidos estão fazendo reflete malícia e falta de igualdade entre as equipes.
Se a chegada aos EUA foi uma corrida de obstáculos para os protagonistas da Copa, para muitos torcedores e profissionais ligados ao esporte, a única opção viável é a televisão. Além das restrições a certos passaportes, o elevado índice de rejeição de vistos, os preços elevados dos ingressos e o temor de ser barrado na fronteira reduziram o interesse externo em acompanhar os jogos in loco.
Na semana passada, a Associação Internacional de Imprensa Esportiva (AIPS) escreveu uma carta à Fifa reclamando da rejeição de vistos para jornalistas do Irã e de países da África. Em resposta, a federação disse que a entrada nos países-sede é “em última análise, uma questão consular e de imigração”.
— O sistema de vistos é o guardião invisível da Copa do Mundo — diz Celine Atallah, advogada especializada em questões migratórias, em entrevista à rede BBC. — A Fifa pode vender um ingresso, mas o governo dos EUA decide quem recebe o visto, e a CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) decide quem de fato entra.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou nesta segunda-feira seu ex-advogado pessoal, Todd Blanche, para o cargo de procurador-geral, elevando um aliado leal e de confiança que, como procurador-geral interino, demonstrou disposição para atender às exigências mais rigorosas do líder republicano. O anúncio, insinuado por funcionários da Casa Branca na semana passada, ocorre em meio ao crescente escrutínio público sobre Blanche devido ao seu papel na iniciativa do governo de aprovar um fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,3 bilhões), com dinheiro dos contribuintes, para indenizar aqueles que alegam ter sido vítimas de perseguição política por parte do governo durante o mandato do ex-presidente Joe Biden, incluindo, muito provavelmente, os manifestantes que atacaram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
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A nomeação foi divulgada em um comunicado publicado na segunda-feira no site da Casa Branca, informando que Trump havia enviado o nome de Blanche ao Senado. Ainda não está claro se o advogado, que promoveu uma visão expansiva do poder Executivo em detrimento do Legislativo, tanto como advogado de defesa de Trump quanto como segundo em comando do Departamento de Justiça, terá apoio suficiente no Senado para ser confirmado, em meio ao aumento das tensões entre a Casa Branca e os republicanos no Congresso.
Uma audiência de confirmação para Blanche pode representar um teste político delicado para os republicanos, enquanto o partido se prepara para as eleições de meio de mandato deste ano. Uma reunião recente a portas fechadas entre Blanche e senadores republicanos foi descrita como tensa, com dezenas de parlamentares criticando duramente o advogado em relação ao fundo de US$ 1,8 bilhão. Os senadores, no entanto, não conseguiram aprovar restrições a tais pagamentos, sugerindo que seu descontentamento com a Casa Branca pode ter diminuído.
Seu caminho para a nomeação permanente que tanto almeja também será complicado pela persistente mágoa — e por perguntas sem resposta — relacionadas à sua gestão da divulgação de milhões de páginas de arquivos investigativos referentes ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Nas últimas semanas, sua antecessora, Pam Bondi — que foi demitida em abril após Trump ter expressado publicamente sua frustração com os esforços dela para processar seus inimigos políticos — atribuiu a principal responsabilidade pela divulgação dos arquivos de Epstein a Blanche durante uma entrevista a uma comissão da Câmara.
Blanche, ex-procurador federal em Manhattan, abandonou sua reputação de voz moderada dentro do departamento ao buscar energicamente um cargo cujo principal pré-requisito, na visão de funcionários atuais e antigos, é nunca dizer não ao chefe.
Uma ampla gama de ex-funcionários da lei criticou duramente o tipo de justiça de Blanche, afirmando que ele usou o poder de acusação para punir os inimigos de Trump e, nesse processo, prejudicou gravemente a reputação do departamento perante os tribunais e o público.
Como procurador-geral interino, Blanche tomou uma série de medidas contra alvos de Trump, incluindo a autorização para indiciar James B. Comey, ex-diretor do FBI, por publicar nas redes sociais uma imagem de conchas dispostas de maneira a formar a frase “86-47”, que Blanche descreveu como uma ameaça crível de violência contra um presidente em exercício. Isso porque a expressão “86” é uma gíria que surgiu no jargão de restaurantes para significar jogar algo fora, e “47” teoricamente se refere a Trump, o 47º presidente dos Estados Unidos.
Blanche chegou a expressar reservas internas sobre o plano bastante incomum de criação do fundo, que também incluía uma ampla proteção contra investigações fiscais para Trump, sua família e seus negócios, que poderiam valer mais de US$ 100 milhões (R$ 520 milhões).
Mas o ex-advogado pessoal do presidente e um de seus principais assessores, Stanley Woodward Jr., aprovaram o plano, ao contrário de alguns nomeados de primeiro mandato de Trump que renunciaram ou ofereceram forte resistência quando confrontados com exigências que consideravam questionáveis. O plano foi imediatamente atacado como um fundo político ilícito por democratas e republicanos.
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Em depoimento perante os parlamentares na semana passada, Blanche disse que o Departamento de Justiça estava desistindo do plano para o fundo, mas manteria a proteção de Trump contra investigações fiscais. Mais tarde, o presidente americano questionou o abandono do fundo, dizendo: “Eu adoro isso”.
— Todd Blanche nunca deixou de agir como advogado pessoal de Donald Trump — disse Stacey Young, fundadora da Justice Connection, uma organização de ex-funcionários do departamento que inclui muitos procuradores de carreira forçados a sair por Blanche, que buscava remodelar o departamento ao gosto de Trump. — Ele usou sua posição de destaque no departamento para fazer um acordo corrupto com o presidente e sua família, promover processos vingativos, demitir ilegalmente funcionários de carreira, difamar denunciantes e atacar o Judiciário.
O fundo foi resultado de negociações secretas entre os advogados particulares de Trump e funcionários que trabalhavam para Blanche, como forma de resolver um processo de US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões) que Trump havia movido contra o governo devido ao vazamento de suas declarações de imposto de renda, e reivindicações não relacionadas de cerca de US$ 230 milhões (R$ 1,19 bilhões) que Trump havia apresentado contra o Departamento de Justiça e o FBI por investigações e processos anteriores.
Blanche e sua equipe buscaram criar um acordo que impedisse o governo de pagar dinheiro dos contribuintes a Trump, o que eles consideravam uma potencial catástrofe ética, legal e política. Em seu depoimento aos senadores na última terça-feira, Blanche insistiu que a proteção de Trump e de sua família contra auditorias ou investigações fiscais não seria afetada pela retirada da proposta do fundo e permaneceria em vigor.
— Então, a imunidade total não é algo que o senhor vai revogar? — perguntou a deputada Rosa DeLauro, democrata de Connecticut, que acusou Blanche de priorizar os interesses financeiros do presidente em detrimento do bem público. — O senhor não deveria estar neste cargo.
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Mas Trump, que afirmou dever sua liberdade aos esforços jurídicos incansáveis ​​de Blanche em seu nome nos processos criminais contra ele, parece acreditar no contrário. Blanche conquistou a confiança do magnata enquanto o republicano estava fora do cargo, enfrentando múltiplas investigações e acusações.
Blanche tornou-se advogado de defesa de Trump em 2023 e o representou quando ele foi a julgamento um ano depois, na cidade de Nova York. Trump foi condenado por falsificação de documentos comerciais.
Desde que assumiu o cargo de vice-procurador-geral no início de 2025, Blanche implementou mudanças drásticas no Departamento de Justiça, onde descreveu com orgulho a demissão de mais de 200 agentes e promotores que trabalharam em casos envolvendo Trump ou seus aliados. Ele também falou sobre estar em guerra com os juízes federais.
O presidente argentino, Javier Milei, deu uma resposta, nesta segunda-feira (8), ao historiador israelense Yuval Noah Harari, que tinha questionado, em declarações ao jornal Financial Times, sua proposta de conceder personalidade jurídica a corporações operadas por inteligência artificial.
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Harari, autor do best-seller “Sapiens – Uma Breve História da Humanidade”, respondeu a Milei, nesta segunda, em uma coluna intitulada “Não devemos outorgar personalidade jurídica a agentes de IA”, na qual alertou para os riscos de se reconhecer como sujeitos de direito corporações controladas por agentes não humanos.
O autor advertiu que conceder status legal a corporações controladas por agentes não humanos equivaleria a dar-lhes “uma chave mestra” para acessar sistemas financeiros, econômicos e políticos de forma perigosa.
“Os países que outorgarem personalidade jurídica às IA correm o risco de se tornarem algo para o qual o registro histórico não oferece analogia: não um Estado empresa, mas um Estado IA, um país cujos habitantes poderiam ser governados por corporações não humanas”, assinalou Harari, que reflete em obras como “Nexus: Uma Breve História das Redes de Informação, da Idade da Pedra à Inteligência Artificial” e “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”, sobre a história da informação e o futuro da humanidade.
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Milei agradeceu ao historiador, nesta segunda-feira, no X, por “participar deste debate fascinante e transcendental” e afirmou que a humanidade precisa construir um marco que lhe permita aproveitar as oportunidades da IA.
“Eu já estou preparando minha resposta para ver se podemos dissipar seus temores sobre o caminho que propus na semana passada!”, acrescentou.
A troca de mensagens começou na última quinta-feira, quando Milei publicou um artigo no jornal britânico, intitulado “A Argentina convida a IA a se liberar”, no qual anunciou que promoverá uma legislação que contemple a criação de “corporações não humanas” operadas por agentes de IA e robôs.
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O presidente ultraliberal argentino prometeu permitir que a IA se desenvolva “sem a mão mortal de uma regulação prematura e mal compreendida”.
No fim de maio, Milei enviou ao Congresso um projeto para uma nova “Lei de Sociedades”, no qual contempla a criação de “sociedades automatizadas”, capazes de operar de forma completamente autônoma mediante algoritmos ou IA, sem a necessidade de trabalhadores humanos.
O projeto de lei também contempla a criação das DAO (Organizações Autônomas Descentralizadas), que podem operar de forma total ou parcialmente autônoma e registrar suas operações em blockchain.
Os oceanos estão em uma “crise crescente” que exige ação global urgente. O alerta foi divulgado nesta segunda-feira num importante relatório da ONU, que destaca o aquecimento e a elevação dos mares ocorrendo mais rapidamente, a cobertura de gelo diminuindo e os ecossistemas marinhos sob crescente pressão. O relatório de 1.352 páginas, resultado de cinco anos de trabalho de 600 cientistas internacionais, detalha o impacto crescente das mudanças climáticas, da poluição e da sobrepesca em nossos oceanos, que cobrem mais de 70% do planeta.
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“O oceano é a base da vida na Terra. Mas sua saúde está em grave risco, à medida que os ecossistemas e habitats se aproximam ou ultrapassam pontos de inflexão críticos”, afirmou a terceira Avaliação Mundial dos Oceanos (WOA, na sigla em inglês) das Nações Unidas.
Os oceanos desempenham um papel fundamental para o planeta, regulando o clima e alimentando bilhões de pessoas. Mas a WOA alertou para “uma crise crescente, à medida que as mudanças climáticas, a poluição, a sobrepesca e a perda de biodiversidade colocam os sistemas oceânicos sob forte pressão”. As conclusões “exigem ação urgente, por meio de uma cooperação multilateral mais forte, maior ambição e decisões baseadas na melhor ciência disponível”.
A WOA saudou a entrada em vigor, em janeiro, de um tratado da ONU para proteger e utilizar de forma sustentável a vida marinha em águas internacionais, afirmando que ele “estabelece um marco histórico para a gestão dos oceanos e a cooperação multilateral”.
“Não podemos continuar tratando o oceano como ilimitado”, disse o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, em um comunicado. “Precisamos construir uma nova relação com o oceano: fundamentada na ciência, enquadrada pelo direito internacional e construída sobre a responsabilidade compartilhada”.
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Aquecimento e elevação acelerados
O relatório, que abrange principalmente o período entre 2018 e 2023, pinta um quadro sombrio do estado dos oceanos. Cerca de 16% do aumento total no conteúdo de calor dos oceanos registrado desde 1955 ocorreu somente desde 2018, constatou a avaliação.
Os oceanos absorveram mais de 90% do excesso de calor e 30% do CO2 liberado na atmosfera pela queima de combustíveis fósseis. Com o aquecimento das águas, elas se expandem, contribuindo para a elevação do nível do mar juntamente com o derretimento de geleiras e calotas polares.
“O nível do mar continua a subir a taxas crescentes”, ressalta o relatório, mais que dobrando de menos de 2,0 milímetros por ano antes de 2015 para 4,3 mm em 2023.
Embora milímetros possam parecer pouco, eles “se multiplicam muito rapidamente”, disse à AFP Ian Butler, ecologista marinho radicado na Austrália e coordenador do grupo de especialistas da WOA.
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Derretimento do gelo
— Estamos considerando seriamente a possibilidade de um Oceano Ártico sem gelo em partes do ano dentro de 10 ou 20 anos — afirmou Butler.
O Oceano Ártico poderá ficar sem gelo em setembro até meados do século, com as condições mais precoces possíveis na década de 2030, considerando todos os cenários de emissões, segundo o relatório.
O derretimento do gelo no Polo Norte também está remodelando a geopolítica, abrindo rotas de navegação antes inacessíveis e intensificando a competição entre as principais potências, incluindo Estados Unidos, Rússia e China. No Polo Sul, o gelo marinho da Antártida, que havia aumentado gradualmente entre 1979 e 2015, “diminuiu rapidamente” desde 2016.
Ecossistemas marinhos
As mudanças climáticas também estão remodelando a vida marinha, com algumas espécies de peixes migrando para águas mais frias ou profundas para sobreviver.
— Algumas não têm futuro algum porque não há para onde ir — alertou Butler.
Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ameaçados. Ondas de calor e tempestades marinhas repetidas “deixam pouco tempo para a recuperação e estão levando os recifes ao colapso”, afirmou o relatório.
Eventos de branqueamento desde 2018 causaram mortalidade generalizada de corais, e a WOA alerta que 90% dos recifes podem desaparecer se o aquecimento ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
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Poluição por plástico
O relatório pediu uma redução na produção de plásticos — uma questão que está paralisada nas negociações internacionais. A cada ano, 52,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos são despejadas no oceano, contribuindo para uma estimativa de 24,4 trilhões de partículas de microplástico. Sabe-se agora que os microplásticos afetam mais de 4.000 espécies marinhas.
Mineração em águas profundas
O relatório destacou ainda as crescentes preocupações com a mineração em águas profundas e pediu uma resposta internacional coordenada. Embora essa exploração esteja bastante avançada, nenhuma empresa ou nação iniciou a produção em escala comercial.
Os críticos temem que isso sufoque a vida marinha com resíduos e que o ruído das máquinas pesadas interrompa as migrações oceânicas.
“Este relatório deve servir como um alerta urgente para que os governos ajam na proteção do oceano”, afirmou o grupo ambientalista Greenpeace em um comunicado.
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Cortes de Trump no oceano
O WOA surge em um momento em que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, se prepara para remover centenas de instrumentos científicos em águas profundas, utilizados há uma década para monitorar os efeitos das mudanças climáticas nos ambientes marinhos.
— O sistema de monitoramento do oceano profundo é uma parte extremamente importante do nosso monitoramento e compreensão global do oceano — ressaltou Butler. — A sua remoção deixaria uma enorme lacuna em nossa ciência oceânica de longo prazo.
Um forte terremoto atingiu, nesta segunda-feira, a costa oeste de Cuba, e jornalistas da AFP em Havana relataram um tremor intenso que durou cerca de 20 segundos e levou moradores a deixar os edifícios. O abalo também foi sentido em áreas do estado americano da Flórida, segundo repórteres da agência no local.
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Trabalhadores verificam seus celulares após tremor causado por um terremoto de magnitude 6,5 em Havana, em 8 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) informou que o terremoto teve magnitude 6,1 e ocorreu a cerca de 100 quilômetros da extremidade oeste da ilha.
Não foram registrados feridos nem danos significativos.
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Pessoas se reuniram no centro de Havana, verificando seus celulares após o tremor, que, segundo as autoridades cubanas, foi sentido “em toda a região oeste do país”.
— No começo, achei que estava apenas tonta; não imaginei que fosse um terremoto, nunca tinha vivido algo assim — conta Carmel Delgado, economista de 47 anos que mora em Havana. — Mas, quando percebemos o que poderia ser, saímos rapidamente.
Trabalhadores descem as escadas correndo após um tremor causado por um terremoto de magnitude 6,1 em Havana, em 8 de junho de 2026
YAMIL LAGE / AFP
O Centro Nacional de Alerta de Tsunamis dos EUA descartou a possibilidade de um tsunami significativo após o terremoto.
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No entanto, o órgão informou que havia uma “possibilidade muito pequena” de formação de ondas de tsunami em áreas costeiras próximas ao epicentro.
Vista de Havana em 8 de junho de 2026 durante um tremor causado por um terremoto de magnitude 6,1
PABLO PORCIUNCULA / AFP
Francis Ruiz, ator de 41 anos, gravava uma radionovela em um estúdio localizado no quinto andar de um prédio no centro histórico de Havana quando sentiu o tremor.
— Estávamos gravando em um escritório e, de repente, a mesa se moveu. Todos nos olhamos — relata Ruiz. — O prédio balançou e, naquele momento, o caos começou. Todo mundo correu pelas escadas.
O estudante americano James “Weston” Higginbotham, de 20 anos, foi encontrado morto em uma área montanhosa nos arredores de Kyoto, no Japão, após dias de buscas iniciadas depois de seu desaparecimento durante uma viagem em família. A confirmação foi feita pela própria mãe, Nancy Higginbotham, em publicação no Facebook neste sábado. Publicações da People e do TMZ nesta segunda-feira afirmam que a causa da morte do jovem não será divulgada, mas que a polícia local não encontrou indícios de homicídio.
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Weston, aluno da Universidade de Auburn e estudante de engenharia de biossistemas, havia sido visto pela última vez em 29 de maio, quando imagens de segurança o registraram saindo de uma estação de trem na região de Yamashina, em Kyoto. Pouco depois, ele se afastou da família durante a viagem e não voltou a ser localizado.
Equipes de busca japonesas compostas por mais de 100 agentes, cães farejadores e helicópteros, voluntários e os próprios familiares participaram das operações ao longo de cerca de uma semana. O corpo foi encontrado por um grupo voluntário de resgate em área de relevo acidentado e vegetação densa na região montanhosa próxima a Kyoto.
As circunstâncias da morte ainda não foram esclarecidas pelas autoridades japonesas. A investigação segue em andamento para determinar o que ocorreu no período entre o desaparecimento e a localização do corpo.
Em comunicado, a mãe do estudante afirmou que a família está devastada e agradeceu o apoio recebido durante as buscas, incluindo mensagens e mobilização de pessoas nos Estados Unidos, no Japão e em outros países.
— Somos eternamente gratos pelo tempo que tivemos com nosso querido e precioso Weston, mas não conseguimos sequer começar a compreender como será a vida sem ele. Somos profundamente gratos às inúmeras pessoas nos Estados Unidos, no Japão e em todo o mundo que compartilharam a história de Weston, oraram por nossa família, ofereceram apoio e ajudaram nos esforços de busca. A demonstração de bondade e apoio nos sustentou durante os dias mais sombrios de nossas vidas — escreveu Nancy.
Weston estava no Japão com os pais e o irmão para uma viagem em família quando desapareceu. Ele cursava engenharia e era descrito por pessoas próximas como alguém com experiência em atividades ao ar livre, o que havia levado inicialmente a família a acreditar que ele poderia ter ido caminhar em trilhas da região.
Antes de se afastar dos familiares, Weston teria tido um desentendimento com a mãe sobre o uso do ChatGPT para planejar a viagem, e decidiu passear sozinho. Usando um aplicativo de rastreamento de localização, os pais viram que Weston pegou um trem e visitou algumas lojas. Eles enviaram mensagens perguntando para onde ele estava indo, e a localização foi desativada pouco depois, o que, segundo a mãe, não era típico de seu comportamento.
Um juiz federal nos EUA declarou que a cobrança de uma taxa de US$ 100 mil (R$ 520 mil) para a obtenção de um visto destinado a profissionais em funções especializadas, o H-1B, é ilegal, em uma derrota para o governo do presidente Donald Trump.
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Na decisão, o juiz Leo Sorokin aponta que a medida viola regras administrativas e a Constituição, uma vez que não se trata da criação de uma multa ou outro tipo de penalidade, como alega o governo, mas sim de uma nova taxa, algo que depende da autorização do Congresso para sair do papel. A ação foi movida por 20 promotores de estados governados por democratas.
A cobrança foi oficializada em setembro, e a Casa Branca alega que ela é necessária para conter o “abuso” na emissão de vistos H-1B, que prejudicaria trabalhadores americanos. A categoria é reservada a profissionais que desempenham funções específicas, com algo grau de conhecimento teórico e prático, e é limitado a 85 mil emissões por ano. Os vistos são concedidos através de um sistema de sorteio, e são válidos por até seis anos.
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Na época em que a taxa foi anunciada, vários setores — desde o Vale do Silício até produtores rurais — alertaram que os valores proibitivos cobrados pelo visto causariam impactos econômicos, inclusive em áreas onde o presidente Trump tem apoio político. Em dezembro do ano passado, uma magistrada de Washington havia declarado que a cobrança era legal.
“A taxa de US$ 100.000 torna os vistos H-1B proibitivos para as empresas, especialmente para as pequenas e médias empresas, que são as que menos podem arcar com esse custo”, disse Daryl Joseffer, vice-presidente executivo e conselheiro-chefe da Câmara de Comércio, em um comunicado em setembro passado.
Até setembro do ano passado, os valores cobrados pelo visto variavam entre US$ 2 mil (R$ 10,3 mil) e US$ 5 mil (R$ 26 mil). E de acordo com o serviço de Imigração, apenas 85 aplicantes pagaram o valor reajustado da taxa até o início de fevereiro. A Casa Branca não se pronunciou sobre a decisão.
A disputa para saber quem será o nono presidente do Peru em uma década continua indefinida na tarde desta segunda-feira, com a apuração dos votos indicando agora uma margem mínima de vantagem para o candidato de esquerda Roberto Sánchez em relação à candidata de direita Keiko Fujimori — filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000). Com pouco mais de 93% das seções eleitorais apuradas, Sánchez, que passou o restante da apuração atrás de Keiko por uma margem pequena de votos, abriu nesta tarde uma vantagem inferior a meio ponto percentual: 50,01% a 49,98% dos votos.
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Com a apuração acirrada, aliados de Sánchez demonstram otimismo com o fato de a apuração ainda estar em andamento em zonas rurais, onde o esquerdista tem sua base eleitoral. Para declarar um vencedor, também será necessário revisar atas impugnadas que contêm quase 400 mil votos, um processo que pode demorar muitos dias.
Milhares de simpatizantes se reuniram em dois pontos da capital peruana no domingo para comemorar antecipadamente os resultados de seus candidatos. Mas, em suas declarações, os candidatos evitaram antecipar anúncios de vitória.
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Em sua quarta tentativa de chegar à Presidência, Keiko pediu paciência a seus apoiadores, afirmando que “teremos dias longos pela frente”. Já Sánchez disse a seus eleitores que a disputa estava em “empate técnico” e que tudo ainda estava em aberto. Pesquisas de boca de urna e contagens rápidas também indicavam ser impossível apontar um vencedor claro.
— O resultado reflete as divisões do país — afirmou à AFP Paulo Vilca, analista político do Instituto de Estudos Peruanos. — Quem vencer terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar.
Banco Central independente: Peru vai às urnas neste domingo com economia estável após década de turbulência política
Muitos eleitores esperam que a eleição acabe com a criminalidade que assola o país e coloque um ponto final em anos de caos político, período em que uma série de presidentes foi presa, destituída ou sofreu impeachment. A votação de domingo, para a qual foram convocados 27 milhões de eleitores, aconteceu sem incidentes, ao contrário do caótico primeiro turno de abril.
Fujimori, uma administradora de 51 anos, apela ao legado ambivalente do pai, que estabilizou a economia, derrotou a insurgência, mas foi acusado de crimes contra a Humanidade.
— Estou feliz porque sei que ela vai fazer um bom governo. Por quê? Porque ela quer limpar a imagem do pai — afirmou Gladys Silva, dona de casa de 56 anos, durante o evento do partido de Fujimori em Lima.
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Sánchez, congressista e ex-ministro de 57 anos, reivindica o legado camponês do ex-mandatário Pedro Castillo, que foi destituído e preso após uma tentativa fracassada de autogolpe de Estado em 2022. Como demonstração de lealdade, usa o chapéu camponês que ganhou do ex-presidente e promete indultá-lo.
— Queremos mudança porque estamos cansados da corrupção, do fujimorismo que administra o país como se fosse sua chácara — disse Marlene Veramendi, de 46 anos.
‘Legitimidade frágil’
Sob a palavra “ordem”, Keiko prometeu prosperidade e advertiu sobre o perigo do “comunismo”. Por sua vez, Sánchez moderou seu discurso, que pregava “mudança radical” no primeiro turno, distanciou-se de ultranacionalistas e disse querer uma relação “respeitosa” com Washington.
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O esquerdista acusa Keiko de integrar uma “ditadura” do Congresso, que tem derrubado presidentes de forma reiterada. O próprio Sánchez observa a perspectiva de ter que travar embates com os deputados peruanos, à sombra de uma denúncia por supostas anomalias financeiras em seu partido. Se eleito, ele terá imunidade, mas ficará vulnerável diante de um Parlamento inclinado à direita.
— O eleito terá metade do país contra si e uma legitimidade frágil, razão pela qual, sem maioria legislativa, deverá construir uma coalizão para governar — disse Vilca.
O vencedor substituirá a partir de 28 de julho o presidente interino José María Balcázar.
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Criminalidade
Apesar da desilusão política, a maior preocupação dos peruanos é a insegurança em um país onde abundam as quadrilhas criminosas e as denúncias de extorsão aumentaram nove vezes em cinco anos.
Para enfrentar a violência, Fujimori sugere uma abordagem linha-dura: militarizar as prisões e as zonas de conflito e expulsar migrantes para acabar com a “criminalidade” com a “mesma força” — segundo ela — com que seu pai venceu a insurgência nos anos 1990. Sánchez propõe enfrentar a corrupção na polícia e na justiça, diante do que denuncia ser uma cumplicidade das elites políticas com os criminosos.
Sua base social está na zona rural empobrecida, onde a insegurança é menor. A base de Fujimori fica em Lima, onde a taxa de homicídios triplicou entre 2020 e 2025, chegando a 23 por 100.000 habitantes.
Fujimori defende propostas neoliberais, o respeito à propriedade privada e a atração de investimentos americanos. Sánchez prometeu aumentos salariais e tentou tranquilizar os investidores, ao dizer que vai manter a abertura econômica e a independência do estratégico banco central. O vencedor das eleições governará um Peru economicamente estável, com crescimento do PIB de 3,4%. Mas sete em cada dez trabalhadores estão na informalidade.
(Com AFP)
Depois de um dos mais tensos fins de semana desde o início da trégua no conflito no Golfo Pérsico, Irã e Israel concordaram em suspender novos ataques, ao menos temporariamente, enquanto um acordo final está sendo costurado. Mas as ações deixaram mais do que estragos de lado a lado. Ao lançar seus mísseis, Teerã exibiu um novo apetite pelo enfrentamento, ligado à mudança no comando do país e ao abandono da doutrina da “paciência estratégica”. Ao agir sob justificativa de apoio ao Hezbollah, os iranianos enviam uma mensagem poderosa aos aliados regionais e pressionam Donald Trump por uma solução que inclua a frente libanesa.
“Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato! As negociações finais sobre a ‘paz’ estão em andamento, sujeitas a que a ignorância ou a estupidez as atrapalhem. O bloqueio permanecerá em vigor, com toda a sua força e efeito, até que um ‘acordo final’ seja alcançado”, escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
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De acordo com o jornal New York Times, Israel decidiu suspender os ataques após o ultimato de Trump, que nos últimos dias vem demonstrando a insatisfação com a resistência israelense a um acordo de paz com o Irã e com a expansão da guerra no Líbano — em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o republicano disse que é ele quem dá as cartas, e que o premier israelense, Benjamin Netanyahu, “não terá escolha” a não ser aceitar um cessar-fogo firmado pelos EUA. Os dois conversaram por telefone no domingo.
Pelo lado iraniano, o fim dos ataques foi anunciado em comunicado, no qual Teerã afirma que a operação ocorreu “em resposta às atrocidades do regime selvagem sionista” no sul do Líbano e no distrito de Dahiyeh, em Beirute, áreas dominadas pelo Hezbollah.
— Na nova onda de operações contra alvos importantes e sensíveis nos territórios ocupados, o inimigo sofreu uma ofensiva bem-sucedida, recebendo golpes pesados, direcionados, inteligentes e custosos das poderosas forças da República Islâmica do Irã — disse Ebrahim Zolfaghari, comandante da Guarda Revolucionária.
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Além de deixarem a trégua firmada em abril por um fio, os ataques do fim de semana confirmaram uma mudança estratégica dentro da República Islâmica: a doutrina da “paciência estratégica”, cunhada por Ruhollah Khomeini, parece ter chegado ao fim.
Por décadas, o Irã evitou enfrentamentos diretos contra Israel e EUA, recorrendo à sua rede de milícias aliadas na região, o Eixo da Resistência, ao mesmo tempo em que ampliava seu arsenal de mísseis e, especialmente, drones. O maior defensor da estratégia era Ali Khamenei, o longevo líder supremo que morreu no primeiro dia do atual conflito.
A “paciência estratégica” começou a mostrar fissuras em 2024, quando Israel atacou o consulado iraniano em Damasco — à época comandada pelo aliado Bashar al-Assad —, e forçou uma resposta militar de Teerã. Os dois conflitos que se seguiam, o de junho de 2025 e a guerra atual, impuseram aos iranianos uma nova realidade, na qual se sentar à margem ou recorrer às armas de aliados não eram mais escolhas viáveis. O “novo” regime, no qual os militares têm mais poder do que os aiatolás, está mais disposto a correr riscos e agir imediatamente, como ficou nítido no fim de semana.
— A falta de reação seria um sinal de fraqueza —disse Ali Vaez, analista sênior do Irã no International Crisis Group, em entrevista ao New York Times.
Outro ponto de virada foi o anúncio de que os ataques contra Israel eram em resposta aos bombardeios contra o sul do Líbano e contra o distrito de Dahiyeh, a “base” do Hezbollah em Beirute. Até agora, eram os aliados que saíam em defesa de Teerã, e não o contrário.
— O ataque do Irã em defesa do Líbano não foi meramente uma resposta militar; foi a declaração formal de uma doutrina estratégica — disse Sadegh Larijani, presidente do poderoso Conselho de Expediência, órgão que assessora o líder supremo. —Se qualquer componente do Eixo da Resistência for atacado, a resposta se estenderá além das fronteiras geográficas e alterará o equilíbrio de poder regional.
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Ao projetar poder além de suas fronteiras, o Irã busca romper o processo liderado por EUA e Israel para remodelar o Oriente Médio — hoje em pausa por causa da guerra —, demonstrar suas capacidades militares mesmo depois de 40 dias de bombardeios e garantir ganhos estratégicos. A pouca disposição de Trump em reiniciar o conflito serve como um incentivo a mais para deixar o comedimento de lado.
— Eles não acham que Trump vá entrar em guerra — disse Farzan Sabet, analista do Irã no Instituto de Altos Estudos Internacionais e de Desenvolvimento de Genebra, ao New York Times. — Mas mesmo que ele entre em guerra, eles estão bastante confiantes de que conseguirão lidar com a situação.
Em termos imediatos, o ataque contra Israel demonstrou em termos militares algo que os diplomatas e políticos iranianos dizem há meses: não haverá solução viável para a guerra sem a inclusão do Líbano (e do Hezbollah) em um acordo ainda a ser finalizado.
— O objetivo do cerco de pressão criado no Líbano não é apenas o Hezbollah, mas sim contra nossas barreiras de proteção e para enfraquecer as nossas atividades regionais — disse o analista político Mostafa Najafi, em comentários na TV estatal iraniana. — Não se pode separar a questão do Hezbollah e do Líbano da questão do Irã, porque eles têm uma ligação ideológica e geopolítica significativa; fazem parte de um mesmo modelo geopolítico.
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Os israelenses, já avessos ao cessar-fogo decretado em abril, sequer cogitam discutir o fim da ofensiva centrada no sul do país árabe. Suas tropas controlam 20% do território libanês, e Netanyahu declarou que a intenção é criar uma “zona tampão” na fronteira, além de derrotar o Hezbollah.
— Em primeiro lugar, [as tropas] estão afastando o inimigo da fronteira — disse o premier em abril, durante uma reunião de Gabinete. — Nós falamos de uma zona de segurança sólida e mais profunda que previne o perigo de invasão e distancia a ameaça dos mísseis antitanque.
Trump tenta separar os dois cenários nas negociações, evitando, por exemplo, impor uma pausa completa nos combates no Líbano como parte de um acordo com Teerã, mas até ele dá sinais de impaciência, como na tensa conversa telefônica com Netanyahu. Desde março, 3,6 mil pessoas morreram e mais de um milhão fugiram para áreas mais seguras no território libanês.
— Ele (Netanyahu) está usando a guerra no Líbano para dificultar ainda mais que Trump chegue a um entendimento com os iranianos —disse Guy Laron, historiador na Universidade Hebraica, ao Washington Post. — É por isso que Trump está tão furioso.

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