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Um funcionário do Palácio do Eliseu, residência oficial do presidente da França, foi detido após ser acusado de roubar peças valiosas de prata e porcelana do local e vendê-las em uma plataforma de comércio online de usados. Elas foram avaliadas entre 15 e 40 mil euros (R$ 97 mil e R$ 259 mil).
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A prisão ocorre em mais um episódio de escândalo envolvendo patrimônios culturais do país, após o roubo de oito joias da realeza francesa, avaliadas em mais de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 554 milhões, na cotação atual). Elas foram levadas do Museu do Louvre em 19 de outubro, em uma ação espetacular que durou sete minutos.
De acordo com as investigações, o suspeito teria aproveitado o acesso privilegiado às dependências do palácio para furtar artigos de alto valor histórico e artístico, incluindo talheres de prata e louças finas, que posteriormente colocou à venda em um site de compra e venda de segunda mão. As autoridades identificaram diversas transações que teriam ligação com os objetos desaparecidos da coleção do Eliseu.
Parte das peças subtraídas é considerada patrimônio nacional e integra o acervo histórico utilizado em jantares de Estado, recepções oficiais e outros eventos diplomáticos realizados no palácio.
A prisão do funcionário aconteceu depois que os investigadores rastrearam os itens até os perfis de venda, o que levou à apreensão de diversas peças suspeitas de terem sido subtraídas. Fontes policiais também indicam que dois comparsas estariam envolvidos no esquema e devem responder no processo judicial em andamento.
Durante a investigação, os agentes localizaram mais de 100 objetos em posse dos suspeitos. Entre os itens recuperados estão panelas de cobre, taças de champanhe da marca Baccarat e porcelanas produzidas pela tradicional Fábrica de Sèvres, um dos principais e mais antigos fornecedores do Palácio do Eliseu e símbolo do luxo e da tradição da manufatura francesa.
O caso causou surpresa na França e levantou questionamentos sobre os mecanismos de controle interno no palácio, sede do governo francês e símbolo da República. Autoridades afirmaram que reforçarão as medidas de segurança para prevenir ocorrências semelhantes no futuro.
O suspeito será levado a julgamento por acusações que incluem furto qualificado e associação criminosa, em um processo que promete revelar detalhes sobre como o esquema se desenvolveu dentro de uma das instituições mais importantes do país. As peças recuperadas estão sendo examinadas para confirmar sua origem no acervo do Palácio do Eliseu.
Centenas de soldados colombianos foram atraídos à sangrenta guerra civil no Sudão, com a promessa de salários elevados. Mas muitos encontraram a morte no campo de batalha, e os que sobreviveram podem ser processados por crimes de guerra. Eles fazem parte de uma rede de mercenários que se estende dos Andes até a região sudanesa de Darfur.
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Desde 2023, o Sudão vive uma guerra entre as Forças de Ação Rápida (FAR) e o Exército comandado pelo governo de fato, que envolve interesses dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Irã e outros países. Neste contexto, os mercenários de países como Eritreia e Chade lutam dos dois lados, mas os colombianos, conhecidos por sua experiência com drones e artilharia, são os mais “cobiçados” pelos beligerantes: segundo um ex-militar, eles recebem salários de até US$ 4 mil, seis vezes mais do que no Exército do país.
De acordo com os EUA, o apoio deles foi crucial para que as FAR tomassem a cidade de El Fasher, em outubro, em meio a relatos de execuções sumárias, sequestros e outros tipos de abusos.
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Vídeos obtidos pela AFP mostram colombianos dentro e os arredores da cidade, atravessando as ruas em um veículo blindado e mostrando um campo de refugiados, destruído pelos milicianos. Mais de 400 mil moradores da cidade fugiram, e estima-se que mil tenham sido mortos. Outras imagens mostram um homem com sotaque colombiano posando ao lado de crianças com fuzis de assalto. Em outras, seus companheiros ensinam um combatente a disparar um lançados de foguetes. O homem morreu pouco depois, e fotos mostram seu corpo ensanguentado e identificado como “comandante”.
O governo sudanês afirma que 80 colombianos participaram do ataque a El Fasher, e ao menos 43 morreram. A Chancelaria da Colômbia diz que muitos foram enganados por “redes de tráfico humano”.
‘Interessado em trabalhar?’
A um ano de se aposentar, um oficial colombiano especialista em drones recebeu uma mensagem inesperada no Whatsapp:
“Algum veterano interessado em trabalhar? Buscamos reservistas de qualquer Força.”
Segundo o militar, que não quis se identificar, a mensagem vinha de uma pessoa que se identificava como ex-coronel da Força Aérea, oferecendo uma posição em Dubai com salário de US$ 4,2 mil. Ele aceitou, mas depois ficou sabendo que a passagem por Dubai seria apenas para um treinamento de dois meses, e que depois seria mandado à África para missões de reconhecimento com drones. Um amigo lhe disse que provavelmente terminaria no Sudão, e ele depois desistiu da proposta.
Muitos compatriotas, por sua vez, aceitaram e chegaram a publicar fotos de suas jornadas em redes sociais. Um deles, Cristian Lombana, documentou a viagem ao Sudão passando por França e Emirados, permitindo que o grupo de análise de dados Bellingcat determinasse que ele estava no sudeste da Líbia, área controlada pelas FAR. Dias depois de publicar um vídeo no TikTok, ele sofreu uma emboscada em Darfur, e sua morte nunca foi confirmada pelo governo colombiano.
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Documentos e testemunhos apontam para o ex-coronel colombiano Álvaro Quijano como o chefe do esquema. Segundo um antigo sócio, ouvido pela AFP, o major reformado Omar Rodríguez, Quijano “suspendeu” a operação em 2024, mas a retomou pouco depois, com modificações. Os mercenários, por exemplo, começaram a transitar por Bosaso, na Somália, cujo aeroporto tem uma base militar gerida pelos Emirados Árabes. Moradores da área dizem ter visto pelotões de estrangeiros uniformizados ali.
Em novembro, um vazamento de dados do sistema de vistos da Somália revelou que alguns colombianos deixaram o país rumo ao Sudão, e o ministro da Defesa somaliano afirmou que aviões deixaram Bosaso em direção “ao Chade, ao Níger e ao oeste do Sudão”. Imagens de satélite revelam uma atividade constante de aeronaves Ilyushin Il-76D, similares às vistas em aeroportos da Líbia e dos Emirados.
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Na semana passada, os EUA sancionaram Quijano e sua mulher, Cláudia Oliveros, os acusando de serem figuras centrais em uma rede transnacional que recruta colombianos para “lutar ao lado do grupo paramilitar sudanês”.
“Desde setembro de 2024, centenas de ex-militares colombianos viajaram para o Sudão para lutar ao lado das FAR”, afirmou o Departamento do Tesouro americano, especificando ainda que alguns treinaram menores para o combate.
Contrato confidencial
A empresa militar privada de Quijano foi fundada por Omar Rodríguez, em 2017, como uma agência de empregos. A associação com Quijano ocorreu depois, devido às conexões dele com os emiradentes. Afogado em dívidas, Rodríguez vendeu sua participação à mulher de Quijano em 2022, que hoje aparece como responsável pela companhia.
A AFP teve acesso a 26 documentos assinados por colombianos na Líbia, que autorizam a empresa emiradense GSSG a pagar seus salários através de uma firma registrada no Panamá. O contrato como “guarda de segurança” alerta sobre consequências civis e penais caso os termos de confidencialidade sejam violados. Em seu site, a GSSG se descreve como “o único provedor de serviços de segurança privada armada para o governo dos Emirados Árabes”. Nenhuma das empresas citadas quis se pronunciar.
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O governo dos Emirados nega sua participação na guerra através de grupos paramilitares, apesar de especialistas da ONU, congressistas americanos e organizações internacionais dizerem o contrário. Segundo diplomatas e analistas, o país tem interesses nas minas de ouro, em terras para a agricultura e na posição estratégica do Sudão, no Mar Vermelho.
O Congresso da Colômbia aprovou recentemente uma lei proibindo o recrutamento de mercenários, depois de décadas de relatos sobre a participação de ex-militares em conflitos no Haiti, Afeganistão e Colômbia.
Uma mulher morreu depois de passar por uma cirurgia feita um homem que fingia ser médico. Ele realizou o procedimento assistindo a um vídeo do YouTube em uma clínica sem licença, na cidade de Barabanki, no estado de Uttar Pradesh, na Índia. O caso, que chocou a região, expõe os perigos de procedimentos médicos realizados por pessoas sem qualificação ou credenciamento profissional.
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Segundo o marido da vítima, identificada como Munishra Rawat, de 50 anos, o proprietário da clínica, Gyan Prakash Mishra, afirmou que a dor abdominal da mulher se devia a “pedras”, e iniciou o procedimento enquanto assistia a um tutorial no YouTube, mesmo sob efeito de álcool. Durante a cirurgia, Mishra e o sobrinho cortaram várias artérias e veias importantes, levando a complicações graves. A mulher morreu na noite seguinte, em 6 de dezembro, no hospital para onde foi levada depois que seu estado piorou.
Familiares e testemunhas relataram que Mishra aparentava estar embriagado quando começou o procedimento e que a tentativa de seguir um vídeo online para realizar uma operação complexa foi um dos fatores que agravaram o quadro da paciente. A Polícia de Uttar Pradesh abriu investigação e registrou um caso de homicídio culposo por negligência médica, além de acusações com base na Lei de Prevenção de Atrocidades (SC/ST Act), já que a vítima pertencia a uma casta protegida sob a legislação indiana.
O sobrinho de Mishra, que também participou do procedimento, está entre os procurados pela polícia. As autoridades encerraram as atividades da clínica, que operava sem licença sanitária ou credenciais médicas válidas, ressaltando que procedimentos cirúrgicos exigem profissionais qualificados e infraestrutura adequada para garantir a segurança dos pacientes.
O caso gerou reação em redes sociais e entre especialistas em saúde pública na Índia, que alertam para os riscos de clínicas clandestinas e práticas médicas improvisadas, especialmente em áreas rurais ou periurbanas onde o acesso a serviços de saúde credenciados pode ser limitado.
A Guarda Costeira dos EUA tenta abordar um petroleiro na costa da Venezuela neste domingo, no que seria a terceira apreensão (ou tentativa de apreensão) de navios que transitam perto das águas do país em menos de duas semanas. Segundo a agência Bloomberg, o alvo é um navio de bandeira venezuelana, incluído na lista de sanções dos EUA, e que segue para um porto na Venezuela. Na véspera, um outro petroleiro, que não é alvo de sanções, foi apreendido pela Guarda Costeira, no que sugere uma ampliação do bloqueio naval imposto pelo presidente Donald Trump há alguns dias.
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O petroleiro Bella 1, que navega sob bandeira panamenha e está sob sanções dos EUA, segue em direção à Venezuela para carregar petróleo, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg que falou sob condição de anonimato. De acordo com essa fonte, o Bella 1 navega sob bandeira falsa, e tem uma ordem judicial pendente. Mais cedo, a agência afirmou que a embarcação já havia sido abordada, o que não se confirmou posteriormente.
Na véspera, o navio Centuries foi abordado em águas internacionais pela Guarda Costeira dos EUA, com o apoio de militares do país — segundo a agência Associated Press, não houve resistência por parte da tripulação. A embarcação, porém, não está na lista de sanções do Departamento do Tesouro e transportava petróleo venezuelano em direção à Ásia. Caracas chamou a apreensão de “terrorismo internacional” e recebeu apoio do Irã, outro país na mira dos Estados Unidos.
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Em paralelo à pressão militar contra o regime de Maduro, na forma de uma mobilização de 15 mil soldados, navios de guerra e aeronaves de combate, o governo Trump busca asfixiar a principal fonte de receita de Caracas. Caso a Venezuela seja impedida de exportar petróleo, os tanques de armazenamento podem atingir rapidamente a capacidade máxima, forçando a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) a reduzir ou até interromper a produção em diversos poços.
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No último dia 10, militares americanos apreenderam o Skipper, presente na lista de sanções do Departamento do Tesouro por transportar, no passado, petróleo do Irã, outro alvo do embargo energético americano.
Dias depois, Trump decretou um bloqueio naval à Venezuela, prometendo interceptar e levar para portos americanos qualquer embarcação sob sanções que se aproximasse do país — desde a adoção da ordem, o Centuries foi o primeiro petroleiro interceptado, mesmo sem aparecer na lista de restrições de Washington. O bloqueio foi chamado de “irracional” por Caracas.
Após o anúncio do bloqueio, o governo da Venezuela ordenou que sua Marinha escolte navios que transportam derivados de petróleo, aumentando o risco de um confronto com os EUA, segundo fontes do New York Times. Entre a noite da última terça e a manhã de quarta-feira, por exemplo, diversos navios partiram da costa leste da Venezuela com escolta naval.
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No começo da semana, Trump disse que os venezuelanos “tomaram todo o nosso petróleo”, e que os EUA “agora querem tudo de volta”. Ele parecia se referir ao processo de nacionalização dos campos do país, iniciado nos anos 1970 e consolidado por Hugo Chávez, antecessor de Maduro. Até então, as empresas americanas eram as principais operadoras do setor de energia local, e hoje resta apenas uma delas, a Chevron, que opera sob licença especial de Washington.
Trump também afirmou que a Venezuela está “completamente cercada pela maior frota já reunida na história da América do Sul” e que o contingente militar americano no Caribe “só vai aumentar” até que a Venezuela devolva “aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros ativos que nos roubaram anteriormente”.
Primeiro petroleiro apreendido
O petroleiro Skipper, apreendido no último dia 10, fazia parte da frota clandestina há anos e já era bem conhecido pelas autoridades americanas por seu papel no comércio de petróleo iraniano. Além disso, segundo uma análise do New York Times baseada em imagens de satélite e fotografias, o navio falsificou sua localização nos últimos meses, divulgando dados falsos antes da apreensão.
Entre o final de outubro e o último dia 4, o radar da embarcação indicava que ela estava ancorada no Oceano Atlântico, perto da Guiana e do Suriname. No entanto, o New York Times descobriu que o navio estava, na verdade, a centenas de quilômetros de distância, próximo à Venezuela. Esta seria a primeira viagem do navio para o país sul-americano desde 2023.
Dados fornecidos pela TankerTrackers.com sugerem que o navio transportou petróleo frequentemente de países sob sanções dos EUA. O rastreamento da embarcação mostra múltiplas viagens ao Irã e à Venezuela nos últimos dois anos. A embarcação, segundo Samir Madani, cofundador do TankerTrackers.com, entregou petróleo iraniano à Síria em 2024, quando o país estava sob o controle de Bashar al-Assad, ajudando seu governo a prolongar a guerra civil.
(Com Bloomberg e The New York Times)
A Guarda Costeira dos Estados Unidos apreendeu o terceiro petroleiro perto da costa da Venezuela neste domingo, um dia depois de uma outra interceptação na região. As abordagens ocorrem no contexto do bloqueio imposto pelo presidente americano, Donald Trump, a embarcações sob sanções que entram e saem do país sul-americano, como parte da estratégia de Washington para pressionar economicamente o governo de Nicolás Maduro, em meio a uma ampla mobilização militar no Caribe. A interceptação foi revelada pela Bloomberg.
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O petroleiro Bella 1, que navega sob bandeira panamenha e está sob sanções dos EUA, seguia em direção à Venezuela para carregar petróleo, segundo uma fonte ouvida pela Bloomberg que falou sob condição de anonimato. A interceptação sucede a abordagem do superpetroleiro Centuries, no início da manhã de sábado, além da apreensão do Skipper, ocorrida em 10 de dezembro. Assim como o Bella 1, o Centuries também operava sob bandeira do Panamá.
De acordo com integrantes do governo americano e da indústria petroleira dos EUA, citados pela imprensa americana, o navio Centuries foi abordado em águas internacionais pela Guarda Costeira dos EUA, com o apoio de militares do país — segundo a agência Associated Press, não houve resistência por parte da tripulação. A embarcação, porém, não está na lista de sanções do Departamento do Tesouro e transportava petróleo venezuelano em direção à Ásia. Caracas chamou a apreensão de “terrorismo internacional” e recebeu apoio do Irã, outro país na mira dos Estados Unidos.
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Em paralelo à pressão militar contra o regime de Maduro, na forma de uma mobilização de 15 mil soldados, navios de guerra e aeronaves de combate, o governo Trump busca asfixiar a principal fonte de receita de Caracas. Caso a Venezuela seja impedida de exportar petróleo, os tanques de armazenamento podem atingir rapidamente a capacidade máxima, forçando a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) a reduzir ou até interromper a produção em diversos poços.
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No último dia 10, militares americanos apreenderam o Skipper, presente na lista de sanções do Departamento do Tesouro por transportar, no passado, petróleo do Irã, outro alvo do embargo energético americano.
Dias depois, Trump decretou um bloqueio naval à Venezuela, prometendo interceptar e levar para portos americanos qualquer embarcação sob sanções que se aproximasse do país — desde a adoção da ordem, o Centuries foi o primeiro petroleiro interceptado, mesmo sem aparecer na lista de restrições de Washington. O bloqueio foi chamado de “irracional” por Caracas.
Após o anúncio do bloqueio, o governo da Venezuela ordenou que sua Marinha escolte navios que transportam derivados de petróleo, aumentando o risco de um confronto com os EUA, segundo fontes do New York Times. Entre a noite da última terça e a manhã de quarta-feira, por exemplo, diversos navios partiram da costa leste da Venezuela com escolta naval.
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No começo da semana, Trump disse que os venezuelanos “tomaram todo o nosso petróleo”, e que os EUA “agora querem tudo de volta”. Ele parecia se referir ao processo de nacionalização dos campos do país, iniciado nos anos 1970 e consolidado por Hugo Chávez, antecessor de Maduro. Até então, as empresas americanas eram as principais operadoras do setor de energia local, e hoje resta apenas uma delas, a Chevron, que opera sob licença especial de Washington.
Trump também afirmou que a Venezuela está “completamente cercada pela maior frota já reunida na história da América do Sul” e que o contingente militar americano no Caribe “só vai aumentar” até que a Venezuela devolva “aos Estados Unidos da América todo o petróleo, terras e outros ativos que nos roubaram anteriormente”.
Primeiro petroleiro apreendido
O petroleiro Skipper, apreendido no último dia 10, fazia parte da frota clandestina há anos e já era bem conhecido pelas autoridades americanas por seu papel no comércio de petróleo iraniano. Além disso, segundo uma análise do New York Times baseada em imagens de satélite e fotografias, o navio falsificou sua localização nos últimos meses, divulgando dados falsos antes da apreensão.
Entre o final de outubro e o último dia 4, o radar da embarcação indicava que ela estava ancorada no Oceano Atlântico, perto da Guiana e do Suriname. No entanto, o New York Times descobriu que o navio estava, na verdade, a centenas de quilômetros de distância, próximo à Venezuela. Esta seria a primeira viagem do navio para o país sul-americano desde 2023.
Dados fornecidos pela TankerTrackers.com sugerem que o navio transportou petróleo frequentemente de países sob sanções dos EUA. O rastreamento da embarcação mostra múltiplas viagens ao Irã e à Venezuela nos últimos dois anos. A embarcação, segundo Samir Madani, cofundador do TankerTrackers.com, entregou petróleo iraniano à Síria em 2024, quando o país estava sob o controle de Bashar al-Assad, ajudando seu governo a prolongar a guerra civil.
(Com Bloomberg e The New York Times)
Mais de um ano após a passagem devastadora do furacão Helene, que deixou pelo menos 250 mortos nos EUA, a gata Gabby foi reencontrada, na Carolina do Norte. Ela ficou 443 dias desaparecida, até que foi resgatada por uma ONG de causa animal, e então um microchip implantada em seu corpo indicou sua origem.
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A gata já foi devolvida para a família. A história foi revelada pela ONG Avery há uma semana, em uma publicação no facebook, que destacava a importância do microchip
“É por isso que colocar microchip nos seus animais de estimação é importante. Ontem, uma gatinha adorável foi trazida para nós como um animal de rua. Quando a examinamos, descobrimos que ela tinha um microchip. Com um pouco de pesquisa, descobrimos que ela havia desaparecido após o furacão Helene — há 443 dias. Hoje, depois de todo esse tempo, ela finalmente está de volta ao seu lugar — reunida com sua família”, dizia a publicação.
‘Milagre’
A ONG definiu microchips como “tábua de salvação”, pois podem ser a única salvação em episódios de desastres naturais, como furacões.
“Após 443 dias separados, esta família teve seu milagre — e tudo começou com um microchip.”, terminou o texto.
Dois homens ficaram presos a mais de 30 metros de altura por cerca de meia hora após uma falha técnica em uma nova montanha-russa “inclinável” no Texas. O incidente ocorreu na quarta-feira (17), no parque temático COTALAND, localizado no Circuito das Américas, em Austin, no Texas (EUA).
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Matthew Cantu, de 24 anos, e Nicholas Sanchez, de 20, estavam entre os primeiros visitantes a testar a atração “Circuit Breaker”, projetada para levar os passageiros ao topo e, em seguida, incliná-los para a frente antes de uma descida abrupta que pode atingir até 96 km/h. O problema ocorreu antes da primeira queda, quando o brinquedo parou subitamente.
Com a interrupção, os dois ficaram suspensos de frente para o chão, em um ângulo de 90 graus, a cerca de 40 metros de altura. Segundo relatos à CBS Austin, a dupla permaneceu nessa posição por quase uma hora, aguardando o resgate por equipes de emergência.
Assista:
Relatos de medo e falhas na comunicação
Um dos homens afirmou à emissora que não havia “nenhuma sensação de conforto ou segurança” durante a espera. “Quando chegamos ao ângulo de 90 graus e o tempo começou a passar, percebemos que algo sério estava errado. Nessa posição, a única coisa entre você e o chão é o arnês”, disse. Ele relatou ainda que, após cerca de 30 minutos, passou a ter pensamentos “nos lugares mais sombrios”.
O passageiro também criticou a postura dos funcionários do parque, alegando que o incidente não foi tratado com a gravidade necessária. “Os funcionários minimizaram o ocorrido com risinhos e piadas”, afirmou à CBS Austin. Um familiar de um dos jovens disse que nunca imaginou viver uma situação semelhante.
Imagens da montanha-russa
Captura de tela/Redes sociais
De acordo com um porta-voz dos passageiros, ouvido pela emissora KXAN, os familiares não receberam informações claras enquanto a atração estava parada. Testemunhas teriam ouvido explicações contraditórias, incluindo comentários de que os passageiros “não estavam presos corretamente”, o que aumentou a apreensão no local.
Após 36 minutos sem a chegada de socorro, um parente ligou para o serviço de emergência 911. Segundo o porta-voz, equipes médicas chegaram por volta das 21h40, seguidas pelo Corpo de Bombeiros do Condado de Travis e pelo serviço de emergência de Austin, que questionaram a demora na notificação.
Ainda suspenso, Cantu apresentou tontura e sintomas compatíveis com acúmulo de sangue, enquanto Sanchez relatou dormência na parte superior da perna. Apesar disso, nenhum dos dois precisou de atendimento médico após ser retirado da atração.
Em nota à Fox News, um porta-voz do parque afirmou que “um sensor acionou o atraso da atração” e que o problema foi resolvido, permitindo a retomada do funcionamento sem novos incidentes. A empresa lamentou o transtorno e destacou que, entre cerca de 25 mil visitantes que já usaram a montanha-russa, apenas dois passaram pela situação, elogiando a “coragem” da dupla.
A “vaquinha” para Ahmed al-Ahmed, que enfrentou um dos autores do ataque terrorista que matou 15 pessoas durante uma celebração judaica em Bondi Beach, na Austrália, já arrecadou quase R$15 millhões. Neste domingo, o saldo era de 2,64 milhões de dólares, o equivalente a 14,63 milhões de reais na cotação atual. Houve 45 mil doações na campanha.
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Os criadores da “vaquinha” online, no site GoFundMe, escreveram que Ahmed al-Ahmed teve ações “inegavelmente heroicas”:
“Em um momento de caos e perigo, Ahmed al-Ahmed se apresentou sem hesitar. Suas ações foram altruístas, instintivas e inegavelmente heroicas, realizadas sem qualquer consideração por sua própria segurança. Os primeiros relatos indicam que ele foi baleado duas vezes enquanto protegia outras pessoas”, diz o texto.
Nessa semana, ele recebeu a visita do primeiro ministro da Austrália, Anthony Albanese, quem o chamou de “heroi australiano”.
— Você se colocou em risco para salvar outros, correndo perigo em Bondi Beach e desarmando um terrorista. No pior dos momentos, nós vemos o melhor dos australianos. E isso é exatamente o que vimos no domingo à noite. Em nome de todos australianos, eu digo obrigado — escreveu o primeiro ministro, na rede social X.
‘Eu mereço tudo isso?’
Na sexta-feira (19), um cheque de mais de US$ 1,65 milhão (cerca de R$ 9 milhões, na cotação atual), foi entregue a Ahmed, no hospital, onde está internado. Surpreso com o valor, o comerciante reagiu ao receber o cheque: “Eu mereço isso?”. Mais de 40 pessoas ficaram feridas no atentado, incluindo ele.
Muçulmano e proprietário de uma frutaria na Austrália e pai de dois filhos, Ahmed recebeu o cheque milionário em sua cama no hospital St. George das mãos de Zachery Dereniowski, influenciador e coorganizador da página GoFundMe.
— Eu mereço isso? — reagiu Ahmed ao receber o cheque.
Ao que Dereniowski respondeu:
— [Sim, merece] cada centavo.
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Mais de 43 mil pessoas de todo o mundo contribuíram para a arrecadação de fundos, incluindo o multimilionário gestor de fundos de hedge Bill Ackman, que doou 99.999 dólares australianos e compartilhou a arrecadação em sua conta X. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, visitou Ahmed no hospital para elogiar sua coragem.
Quando o influenciador perguntou o que ele diria às pessoas que doaram, Ahmed escolheu, mais uma vez, enaltecer a paz:
— Que se apoiem mutuamente, todos os seres humanos. Que esqueçam tudo de ruim… e sigam em frente para salvar vidas.
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Ahmed se escondeu atrás de carros estacionados no domingo passado antes de atacar pelas costas um dos agressores que abriram fogo contra civis em uma das praias mais populares do país. Ele arrancou a arma e o jogou no chão para neutralizá-lo.
Pelo gesto de bravura, o homem de 43 anos sofreu ferimentos a bala após ter sido aparentemente atacado pelo outro agressor. Agora, ele permanece hospitalizado até se recuperar dos ferimentos.
— Quando salvei as pessoas, fiz isso de coração porque era um bom dia, todos comemorando, com seus filhos, mulheres, homens, adolescentes; todos estavam felizes e merecem isso, merecem aproveitar — disse Ahmed, levantando o punho ileso da cama do hospital. — Este país é o melhor do mundo, mas não vamos ficar de braços cruzados; já basta. Que Deus proteja a Austrália.
Ele não revelou o que planejava fazer com o dinheiro.
Sobrevivente do Holocausto, rabinos e criança de 10 anos: o que se sabe sobre as vítimas do ataque terrorista na Austrália
Ahmed, de 43 anos, deixou sua cidade natal na província de Idlib, no noroeste da Síria, há quase 20 anos para procurar trabalho na Austrália, de onde é cidadão.
Uma gravação feita durante o atentado mostra o momento em que um dos atiradores é desarmado. No vídeo, ele avança sobre um dos atirados por trás e retira a arma de suas mãos. Veja abaixo:
Atirador é desarmado por homem em ataque que deixou 11 mortos na Austrália
Um pai e seu filho, Sajid e Naveed Akram, são acusados de abrir fogo no domingo passado em Bondi Beach contra uma multidão que celebrava o feriado judaico de Hanukkah, em um ataque que deixou 15 mortos. As autoridades consideram que os terroristas agiram motivados pela ideologia do grupo jihadista Estado Islâmico.
O mais velho dos supostos agressores, Sajid, de 50 anos, morreu num tiroteio com a polícia, mas o seu filho Naveed, de 24 anos, sobreviveu. O pedreiro foi acusado de 15 homicídios, um “ato de terrorismo” e dezenas de outros crimes graves.
A polícia australiana investiga se os dois se reuniram com extremistas islâmicos durante uma visita às Filipinas semanas antes do tiroteio.
(Com La Nación)
Pelo menos 16 fotos — incluindo uma do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — foram removidas do grande conjunto de arquivos relacionados às investigações do caso do falecido financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, que o Departamento de Justiça divulgou na última sexta-feira. As imagens foram retiradas, sem explicação, do site criado pelo departamento para armazenar os documentos do caso no sábado.
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Entre as fotos que sumiram, estava uma de Trump. Trata-se de uma imagem de um aparador na casa de Epstein em Manhattan, com uma gaveta aberta contendo outras fotos, incluindo pelo menos uma do presidente americano ao lado do financista, Melania Trump e Ghislaine Maxwell, associada de longa data de Epstein e condenada por facilitar seus crimes.
Os democratas do Comitê de Supervisão da Câmara aproveitaram a foto desaparecida, republicando-a nas redes sociais e perguntando à secretária de Justiça americana, Pam Bondi, se era verdade que a imagem havia sido removida. “O que mais está sendo acobertado?”, escreveram os políticos. “Precisamos de transparência para o público americano”.
Doze das outras fotos desaparecidas mostravam a infame sala de massagem no terceiro andar da mansão de Epstein em Nova York. A sala, que ficava no mesmo corredor do quarto do financista, era onde, segundo as investigações, muitos de seus abusos sexuais ocorreram — alguns deles contra adolescentes. As prateleiras da sala continham lubrificantes e uma bola de prata com corrente, entre outros itens.
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As imagens da sala de massagem que foram removidas mostravam pinturas e fotografias de mulheres nuas, algumas com os rostos ocultados. Mas outras imagens e obras de arte com mulheres nuas permaneceram no site. E algumas fotos da sala de massagem — incluindo as imagens de nudez — também permaneceram.
As fotos desaparecidas faziam parte de uma vasta coleção de materiais que o governo Trump foi obrigado a divulgar após a aprovação, no mês passado, de uma lei que determina que o Departamento de Justiça divulgue todos os arquivos em sua posse relacionados a Epstein.
O Departamento de Justiça não respondeu às perguntas sobre o motivo do desaparecimento dos arquivos, mas afirmou, em uma publicação no X, que “fotos e outros materiais continuarão sendo revisados ​​e editados de acordo com a lei, por precaução, à medida que recebermos informações adicionais”.
Apesar das crescentes expectativas, os arquivos divulgados, que incluíam milhares de fotografias e documentos de investigação, foram uma espécie de anticlímax. Eles pouco acrescentaram à compreensão pública da conduta de Epstein e também não forneceram muitas informações adicionais sobre suas ligações com empresários e políticos ricos e poderosos que se associavam a ele.
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Trump não disse nada sobre os arquivos, que continham muito mais material sobre um de seus adversários políticos, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, do que sobre ele próprio. Mesmo assim, o Departamento de Justiça afirmou que mais arquivos serão divulgadas nas próximas semanas.
Reação foi moderada
Tradicionalmente, os apoiadores de Trump estão entre os defensores mais ardentes da divulgação dos arquivos de Epstein. Eles há muito estão convencidos de que os documentos conteriam evidências de que um grupo de homens proeminentes — em sua narrativa, principalmente democratas — teria se juntado a Epstein para abusar de meninas, além de encobrir seus crimes.
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Mas esses mesmos apoiadores ficaram em silêncio com a divulgação dos arquivos, talvez em resposta à escassez de novas informações incriminatórias. Na sexta-feira, Trump evitou comentar a divulgação do material, embora o caso o assombre politicamente.
Clinton x Trump
Muitas das fotografias incluídas nos arquivos eram de Clinton. Uma imagem mostrava o ex-presidente reclinado em uma banheira de hidromassagem com uma pessoa cujo rosto havia sido apagado. Em muitas das fotos de Clinton, ele era a única pessoa cuja identidade podia ser reconhecida.
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Com a amplo amplo destaque de Clinton nos documentos, a Casa Branca, por sua vez, tentou capitalizar politicamente a divulgação das fotos de Clinton após a divulgação.
“Sim, nós vimos algo”, escreveu Abigail Jackson, porta-voz da Casa Branca, em um comentário nas redes sociais, acima da imagem de Clinton na banheira de hidromassagem. “Só não foi o que você queria”.
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Angel Ureña, o porta-voz de Clinton, sugeriu que a Casa Branca orquestrou a divulgação das fotos para desviar a atenção do próprio relacionamento de Trump com Epstein.
— A Casa Branca não escondeu esses arquivos por meses apenas para liberá-los numa sexta-feira à noite para proteger Bill Clinton — disse Ureña. — Isso é sobre proteger a si mesmos do que vem a seguir, ou do que tentarão esconder para sempre.
Poucas menções a Trump
Por meses, Trump lutou ativamente contra a divulgação dos arquivos de Epstein, chamando-os de “fraude” democrata e ameaçando punir membros do Congresso que votassem para permitir sua divulgação pública. Mas seu nome foi raramente mencionado nos materiais divulgados na sexta-feira. Permaneceu incerto, no entanto, se ele figuraria mais na divulgação dos arquivos ainda por vir e se o Departamento de Justiça selecionou o lote inicial com política em mente.
Trump e Epstein foram amigos próximos por anos, e a relutância inicial do ex-presidente em liberar os arquivos alimentou especulações sobre se os arquivos o destacavam.
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A maioria das fotos de Trump divulgadas nos documentos já havia sido tornada pública, incluindo imagens dele e de sua esposa, Melania, com Epstein e Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de prisão federal por ajudar Epstein a traficar mulheres menores de idade.
Referências escritas a Trump apareceram na agenda de endereços e nos registros de voo de Epstein, bem como em um livro de recados onde os assistentes de Epstein o informavam sobre ligações perdidas. Versões desses documentos também já eram públicas.
O sorriso de Augusto Pinochet voltou às ruas de Santiago no último domingo. Eleitores de José Antonio Kast exibiram retratos do ditador para comemorar a vitória do ultradireitista na eleição do Chile.
O novo presidente nunca disfarçou a admiração pelo velho general. Votou contra o retorno à democracia no plebiscito de 1988 e prometeu tirar da cadeia militares condenados por crimes contra a humanidade.
“Se estivesse vivo, Pinochet votaria em mim”, garantiu Kast, na primeira campanha ao Palácio de La Moneda. Na terceira tentativa, ele chegou lá. Foi eleito com 58% dos votos em disputa com a comunista Jeannette Jara, apoiada pelo atual presidente Gabriel Boric.
Desde o fim da ditadura, o Chile alternava entre governos de centro-esquerda e centro-direita. Agora terá o primeiro líder que defende e cultua o passado autoritário.
Ultraconservador e pai de nove filhos, Kast se apresenta como um católico fervoroso. Já prometeu proibir a pílula do dia seguinte e limitar as hipóteses de aborto permitidas por lei. Na economia, reza pela cartilha do mercado: privatizações, corte de gastos e flexibilização de leis trabalhistas e ambientais.
O presidente eleito é filho de um alemão que pertenceu ao Partido Nazista e lutou no Exército de Hitler. Seu irmão mais velho foi ministro e comandou o Banco Central na ditadura pinochetista.
Há seis anos, Kast fundou o Partido Republicano, com logotipo copiado da sigla de extrema direita francesa Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen. Depois adotou um novo símbolo inspirado no escudo do Capitão América.
Para vencer em 2025, o chileno suavizou a retórica conservadora e evitou temas como aborto e casamento homoafetivo. Preferiu apostar no discurso linha dura sobre imigração e segurança pública. Inspirado em Donald Trump e Nayib Bukele, prometeu militarizar as fronteiras, deportar estrangeiros sem documentos e endurecer regras nos presídios.
No segundo turno, recebeu a visita do ministro de Segurança Pública e Justiça de El Salvador, cujo governo é acusado de desrespeitar direitos humanos, perseguir opositores e fazer acordo com gangues para reduzir as taxas de homicídios.
A vitória de Kast era esperada, mas não deixou de ser má notícia para o governo brasileiro. O chileno já atacou Lula e mantém laços com a família Bolsonaro. Seu triunfo reforça a guinada da América do Sul à ultradireita, iniciada na Argentina, e amplia a influência de Trump na região.
Na primeira viagem após a eleição, Kast visitou a Casa Rosada e segurou a motosserra dourada de Javier Milei. Depois disse apoiar uma intervenção militar dos Estados Unidos no continente, a pretexto de derrubar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
A semana indicou que o tom menos beligerante da campanha foi só estratégia de marketing. Mas quem comprou a tese do Kast moderado não deve se incomodar com a volta das fotos de Pinochet.
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