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O presidente americano, Donald Trump recebeu o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky neste domingo em Mar-a-Lago, Flórida, para conversas sobre uma nova proposta de paz destinada a encerrar o conflito de quase quatro anos da Ucrânia com a Rússia. O ucraniano disse antes da reunião a portas fechadas que as conversas já avançaram “em 90% dos pontos” da proposta, e Trump garantiu que as negociações continuarão com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
O plano, de 20 pontos, foi articulado após semanas de negociações entre Washington e Kiev, mas ainda não recebeu o aval de Moscou e ganha peso após um ataque maciço de mísseis e drones russos contra Kiev. Elaborado por equipes dos dois países, o documento aborda desde mecanismos de segurança para prevenir novas agressões até impasses sensíveis — entre eles, o futuro da região de Donbass e o controle da usina nuclear atualmente sob ocupação russa.
Alta tensão: Terceira maior cidade da Ucrânia enfrenta falta de energia, água e aquecimento em meio a ataques russos
Perspectivas 2026: Menores ucranianos são deixados em segundo plano pela diplomacia na guerra
— Muitas pessoas estão morrendo e queremos fechar um acordo de paz. Acredito que em breve teremos um acordo que seja bom para todos. Já consegui acabar com oito guerras e essa é a mais difícil de todas — disse Trump ao receber o ucraniano. — Zelensky trabalhou muito duro. Temos um encontro importante hoje. E após o encontro vamos continuar as negociações (com Putin). Não tenho um prazo final, mas quero acabar com a guerra.
A reunião ocorreu em sua residência em Mar-a-Lago, Palm Beach, às 13h no horário local (15h no horário de Brasília), sendo o primeiro encontro entre os dois desde outubro, quando o republicano recusou o pedido de Zelensky por mísseis Tomahawk de longo alcance. A Ucrânia vinha pressionando por essa reunião há semanas, desde que os Estados Unidos retomaram seus esforços diplomáticos para intermediar um acordo.
“Acabei de ter uma conversa telefônica muito boa e produtiva com o presidente da Rússia, [Vladimir] Putin”, disse Trump em sua plataforma Truth Social, poucas horas antes do encontro com Zelensky.
Zelensky disse durante uma escala no Canadá no sábado que esperava que as negociações fossem “muito construtivas”. Ao mesmo tempo, ele questionou repetidamente se Moscou estava realmente empenhada em buscar a paz ou simplesmente ganhando tempo. Os ataques da Rússia contra alvos civis, incluindo uma enorme barragem disparada contra a capital da Ucrânia no sábado, provaram, segundo Zelensky, que o Kremlin não tinha interesse real em acabar com a guerra.
“A Rússia continua atormentando nossas cidades e nosso povo. Moscou rejeitou até mesmo as propostas de um cessar-fogo no Natal e está intensificando a brutalidade de seus ataques com mísseis e drones”, disse ele nas redes sociais enquanto estava a caminho da Flórida. “Este é um sinal claro de como eles realmente encaram a diplomacia lá. Até agora, não com a seriedade necessária.”
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Analistas afirmam que Putin, encorajado pelos avanços lentos, mas constantes, de suas forças no campo de batalha, provavelmente não aceitará a proposta de paz e, em vez disso, manterá suas exigências maiores. Entre elas, a cessão de uma parte significativa do território ucraniano e a redução das Forças Armadas da Ucrânia.
‘Meios militares’
A Rússia acusou a Ucrânia e seus aliados europeus de tentarem “sabotar” um plano anterior mediado pelos EUA para interromper os combates. Aumentando a pressão no campo de batalha, o Kremlin anunciou no sábado que havia tomado mais duas cidades no leste do país vizinho, Myrnograd e Guliaipole.
— Se as autoridades em Kiev não quiserem resolver este assunto pacificamente, resolveremos todos os problemas que temos pela frente por meios militares — disse Putin no sábado.
Ele também foi citado pela agência de notícias estatal Tass dizendo que “os líderes do regime de Kiev não têm pressa em resolver este conflito pacificamente”.
Os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e António Costa, que participaram da reunião virtual de Zelensky, garantiram que o apoio da União Europeia à Ucrânia nunca vacilará e prometeram manter a pressão sobre o Kremlin para que chegue a um acordo.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, rejeitou no domingo a ideia de enviar forças de paz europeias para a Ucrânia, uma possibilidade levantada anteriormente por alguns apoiadores ucranianos. Tropas da UE na Ucrânia seriam um “alvo legítimo” para as Forças Armadas russas, disse Lavrov em entrevista à agência de notícias Tass. Ele insistiu que “não havia motivo para temer” que a Rússia atacasse a Europa.
— Após a mudança de governo nos EUA, a Europa e a União Europeia se tornaram o principal obstáculo à paz — acusou Lavrov no sábado à agência. — Eles não escondem seus planos de se preparar para a guerra com a Rússia, as ambições dos políticos europeus estão literalmente cegando-os. Não só não se importam com os ucranianos, como também parecem não se importar com sua própria população.
Trump evasivo
Trump tem se mantido evasivo sobre a nova proposta de paz até o momento, dizendo ao jornal Politico na sexta-feira que Zelensky “não tem nada até que eu aprove”.
As negociações abordarão um plano que interromperia a guerra ao longo das linhas de frente atuais e poderia exigir que a Ucrânia retirasse suas tropas do leste, permitindo a criação de zonas tampão desmilitarizadas. Como tal, contém o reconhecimento mais explícito de Kiev até agora de possíveis concessões territoriais. No entanto, não prevê a retirada da Ucrânia dos 20% da região oriental de Donetsk que ainda controla — a principal exigência territorial da Rússia.
Trump fez do fim das guerras na Ucrânia e em Gaza o ponto central de seu segundo mandato como autoproclamado “presidente da paz”. Mas a guerra na Ucrânia, segundo ele mesmo admitiu, provou ser muito mais difícil do que ele esperava.
Zelensky tem se empenhado em mostrar que está totalmente comprometido com a iniciativa de paz de Trump, sendo flexível e disposto a fazer concessões. Nos últimos dias, ele também pareceu, em alguns momentos, estar tentando desafiar o blefe do Kremlin.
Ele disse aos repórteres na terça-feira que estava disposto a retirar as tropas ucranianas das áreas da região de Donbas ainda sob controle de Kiev e transformar essas áreas em uma zona desmilitarizada — desde que a Rússia retire suas forças de uma área equivalente. A Rússia tem insistido em manter todas as terras que conquistou desde sua invasão em grande escala há quase quatro anos e também exigiu as partes de Donbas que a Ucrânia ainda controla.
Zelensky também se mostrou aberto a realizar as primeiras eleições gerais de seu país desde 2019 — uma exigência russa que Trump abraçou — desde que a segurança possa ser garantida. Isso transferiu a responsabilidade dele de volta para a Casa Branca e a Rússia.
Enquanto isso, o Kremlin parece ter tomado cuidado para não rejeitar abertamente a proposta de paz, talvez para evitar irritar Trump. Em vez disso, as autoridades russas pediram mais discussões e diálogo.
Garantias de segurança
Zelensky disse a repórteres no Canadá que as garantias de segurança seriam o foco das negociações na Flórida. “Elas devem ser simultâneas ao fim da guerra, porque precisamos ter certeza de que a Rússia não iniciará uma nova agressão”, afirmou.
— Precisamos de garantias de segurança sólidas. Discutiremos isso e discutiremos os termos.
A Ucrânia insiste que precisa de mais financiamento e armas da Europa e dos Estados Unidos, especialmente drones.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney, que se reuniu com Zelensky no sábado, anunciou US$ 1,82 bilhão de dólares (cerca de R$ 10 bilhões, na cotação atual) em nova assistência econômica para ajudar a Ucrânia a se reconstruir após o fim da guerra.
O último ataque russo, no qual 500 drones e 40 mísseis bombardearam Kiev, deixou centenas de milhares de residentes sem energia elétrica e aquecimento durante temperaturas congelantes. Desde então, a energia foi restaurada “em todas as casas da capital”, disse a DTEK, o maior investidor privado do setor de energia da Ucrânia, no domingo.
A administração militar da cidade de Kherson, ao sul de Kiev, disse que a Rússia lançou um ataque durante a noite que também deixou parte da cidade sem eletricidade.
Com AFP e New York Times.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou ter tido uma conversa “produtiva” com seu homólogo russo, Vladimir Putin, horas antes de um encontro com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. Zelensky viajou para Miami, nos EUA, em busca de garantias americanas para uma nova proposta de paz destinada a encerrar o conflito de quase quatro anos com a Rússia. O plano, de 20 pontos, foi articulado após semanas de negociações entre Washington e Kiev, mas ainda não recebeu o aval de Moscou e ganha peso após um ataque maciço de mísseis e drones russos contra Kiev. Elaborado por equipes dos dois países, o documento aborda desde mecanismos de segurança para prevenir novas agressões até impasses sensíveis — entre eles, o futuro da região de Donbass e o controle da usina nuclear atualmente sob ocupação russa.
Alta tensão: Terceira maior cidade da Ucrânia enfrenta falta de energia, água e aquecimento em meio a ataques russos
Perspectivas 2026: Menores ucranianos são deixados em segundo plano pela diplomacia na guerra
“Acabei de ter uma conversa telefônica muito boa e produtiva com o presidente da Rússia, Putin”, disse Trump em sua plataforma Truth Social.
A reunião, que será organizada por Trump em sua residência em Mar-a-Lago, Palm Beach, às 13h no horário local (15h no horário de Brasília), de acordo com a Casa Branca, será o primeiro encontro entre os dois desde outubro, quando o republicano recusou o pedido de Zelensky por mísseis Tomahawk de longo alcance. A Ucrânia vem pressionando por essa reunião há semanas, desde que os Estados Unidos retomaram seus esforços diplomáticos para intermediar um acordo.
Zelensky disse durante uma escala no Canadá no sábado que esperava que as negociações fossem “muito construtivas”. Ao mesmo tempo, ele questionou repetidamente se Moscou estava realmente empenhada em buscar a paz ou simplesmente ganhando tempo. Os ataques da Rússia contra alvos civis, incluindo uma enorme barragem disparada contra a capital da Ucrânia no sábado, provaram, segundo Zelensky, que o Kremlin não tinha interesse real em acabar com a guerra.
“A Rússia continua atormentando nossas cidades e nosso povo. Moscou rejeitou até mesmo as propostas de um cessar-fogo no Natal e está intensificando a brutalidade de seus ataques com mísseis e drones”, disse ele nas redes sociais enquanto estava a caminho da Flórida. “Este é um sinal claro de como eles realmente encaram a diplomacia lá. Até agora, não com a seriedade necessária.”
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Analistas afirmam que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, encorajado pelos avanços lentos, mas constantes, de suas forças no campo de batalha, provavelmente não aceitará a proposta de paz e, em vez disso, manterá suas exigências maiores. Entre elas, a cessão de uma parte significativa do território ucraniano, a redução das forças armadas
Os líderes dos EUA e da Ucrânia ligarão para líderes europeus após reunião na Flórida, informou o porta-voz de Zelensky. O presidente realizou uma videoconferência enquanto estava no Canadá com líderes europeus que, de acordo com o chanceler alemão Friedrich Merz, prometeram seu total apoio aos seus esforços de paz.
A Rússia acusou a Ucrânia e seus aliados europeus de tentarem “sabotar” um plano anterior mediado pelos EUA para interromper os combates. Aumentando a pressão no campo de batalha, o Kremlin anunciou no sábado que havia tomado mais duas cidades no leste do país vizinho, Myrnograd e Guliaipole.
— Se as autoridades em Kiev não quiserem resolver este assunto pacificamente, resolveremos todos os problemas que temos pela frente por meios militares — disse Putin no sábado.
Ele também foi citado pela agência de notícias estatal TASS dizendo que “os líderes do regime de Kiev não têm pressa em resolver este conflito pacificamente”.
Os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e Antonio Costa, que participaram da reunião virtual de Zelensky, garantiram que o apoio da União Europeia à Ucrânia nunca vacilará e prometeram manter a pressão sobre o Kremlin para que chegue a um acordo.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse à TASS que Moscou continuará seu “engajamento com os negociadores americanos” e “abordará as causas profundas do conflito”, mas criticou os europeus.
— Após a mudança de governo nos EUA, a Europa e a União Europeia se tornaram o principal obstáculo à paz — acusou Lavrov. — Eles não escondem seus planos de se preparar para a guerra com a Rússia, as ambições dos políticos europeus estão literalmente cegando-os. Não só não se importam com os ucranianos, como também parecem não se importar com sua própria população.
Trump tem se mantido evasivo sobre a nova proposta de paz até o momento, dizendo ao jornal Politico na sexta-feira que Zelensky “não tem nada até que eu aprove”.
As negociações abordarão um plano que interromperia a guerra ao longo das linhas de frente atuais e poderia exigir que a Ucrânia retirasse suas tropas do leste, permitindo a criação de zonas tampão desmilitarizadas. Como tal, contém o reconhecimento mais explícito de Kiev até agora de possíveis concessões territoriais. No entanto, não prevê a retirada da Ucrânia dos 20% da região oriental de Donetsk que ainda controla — a principal exigência territorial da Rússia.
Trump fez do fim das guerras na Ucrânia e em Gaza o ponto central de seu segundo mandato como autoproclamado “presidente da paz”. Mas a guerra na Ucrânia, segundo ele mesmo admitiu, provou ser muito mais difícil do que ele esperava.
Zelensky tem se empenhado em mostrar que está totalmente comprometido com a iniciativa de paz de Trump, sendo flexível e disposto a fazer concessões. Nos últimos dias, ele também pareceu, em alguns momentos, estar tentando desafiar o blefe do Kremlin.
Ele disse aos repórteres na terça-feira que estava disposto a retirar as tropas ucranianas das áreas da região de Donbas ainda sob controle de Kiev e transformar essas áreas em uma zona desmilitarizada — desde que a Rússia retire suas forças de uma área equivalente. A Rússia tem insistido em manter todas as terras que conquistou desde sua invasão em grande escala há quase quatro anos e também exigiu as partes de Donbas que a Ucrânia ainda controla.
Zelensky também se mostrou aberto a realizar as primeiras eleições gerais de seu país desde 2019 — uma exigência russa que Trump abraçou — desde que a segurança possa ser garantida. Isso transferiu a responsabilidade dele de volta para a Casa Branca e a Rússia.
Enquanto isso, o Kremlin parece ter tomado cuidado para não rejeitar abertamente a proposta de paz, talvez para evitar irritar Trump. Em vez disso, as autoridades russas pediram mais discussões e diálogo.
Garantias de segurança
Zelensky disse a repórteres no Canadá que as garantias de segurança seriam o foco das negociações na Flórida. “Elas devem ser simultâneas ao fim da guerra, porque precisamos ter certeza de que a Rússia não iniciará uma nova agressão”, afirmou.
— Precisamos de garantias de segurança sólidas. Discutiremos isso e discutiremos os termos.
A Ucrânia insiste que precisa de mais financiamento e armas da Europa e dos Estados Unidos, especialmente drones.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney, que se reuniu com Zelensky no sábado, anunciou US$ 1,82 bilhão de dólares (cerca de R$ 10 bilhões, na cotação atual) em nova assistência econômica para ajudar a Ucrânia a se reconstruir após o fim da guerra.
O último ataque russo, no qual 500 drones e 40 mísseis bombardearam Kiev, deixou centenas de milhares de residentes sem energia elétrica e aquecimento durante temperaturas congelantes. Desde então, a energia foi restaurada “em todas as casas da capital”, disse a DTEK, o maior investidor privado do setor de energia da Ucrânia, no domingo.
A administração militar da cidade de Kherson, ao sul de Kiev, disse que a Rússia lançou um ataque durante a noite que também deixou parte da cidade sem eletricidade. (Com AFP e New York Times)
As urnas fecharam neste domingo no primeiro turno das eleições conduzidas pela junta militar de Mianmar, conforme apurou um jornalista da agência AFP, encerrando a fase inicial de uma votação que durou um mês e que, segundo observadores da democracia, foi uma manobra para reformular o regime militar. O correspondente do veículo viu uma seção eleitoral fazer um último apelo aos eleitores por meio de alto-falantes antes de fechar às 16h na hora local (6h no horário de Brasília) no centro de Yangon, perto do local de enormes protestos pró-democracia em 2021, após os militares tomarem o poder em um golpe de Estado.
Ataque militar: Pelo menos 31 pessoas morrem em bombardeio a hospital em Mianmar
Veja também: Um em cada quatro jornalistas mortos em 2025 trabalhava na América Latina, afirma ONG Repórteres Sem Fronteiras
A junta militar birmanesa organizou eleições legislativas que apresenta como uma etapa rumo à reconciliação, quase cinco anos após tomar o poder com um golpe que desencadeou uma guerra civil em Mianmar. A ex-chefe do governo civil e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi, está presa desde o golpe militar de fevereiro de 2021, que pôs fim a uma década de democracia no país asiático. A ONU e vários países criticaram o processo eleitoral, que consideram uma tentativa da junta de limpar sua imagem.
As eleições, em três turnos, ocorrerão ao longo de um mês e foram precedidas por uma onda de repressão contra qualquer indício de oposição. Mianmar, com cerca de 50 milhões de habitantes, está mergulhada em uma sangrenta guerra civil, e a votação não será realizada nas zonas controladas pelos rebeldes.
— Os militares estão apenas tentando legalizar o poder que tomaram pela força — declarou um habitante da cidade de Myitkyina, no norte. — Quase ninguém se interessa por esta eleição. Mas alguns temem ter problemas caso se abstenham.
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O chefe da junta, Min Aung Hlaing, não respondeu aos pedidos de entrevista da agência de notícias AFP. No entanto, nos meios de comunicação estatais, ele apresenta as votações como uma oportunidade de reconciliação, ao mesmo tempo que admite que o exército “continuará desempenhando um papel na condução política do país”.
Ex-chefe de governo civil presa
O exército governa Mianmar desde a sua independência, exceto durante um período democrático entre 2011 e 2021, que gerou uma onda de reformas e otimismo quanto ao futuro do país. Porém, quando a Liga Nacional para a Democracia (LND), de Aung San Suu Kyi, superou amplamente os candidatos próximos aos militares nas eleições de 2020, o general Min Aung Hlaing tomou o poder alegando uma fraude eleitoral generalizada.
Aung San Suu Kyi cumpre uma pena de 27 anos de prisão por várias condenações, que vão de corrupção até violação das normas anticovid.
— Não acredito que ela considere estas eleições significativas, de modo algum — declarou seu filho, Kim Aris, do Reino Unido.
A legenda comandada pela opositora ao regime foi dissolvida, assim como a maioria das siglas que participaram das eleições de 2020. Enquanto isso, o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), favorável aos militares, representa mais de 20% dos candidatos, segundo a rede ‘Asian Network for Free Elections’.
A junta anunciou que está processando mais de 200 pessoas por “tentarem sabotar o processo eleitoral”, mirando qualquer manifestação ou crítica contra as eleições, em um país com cerca de 22 mil presos políticos, informou uma associação birmanesa de assistência a estes detidos.
Votação questionada
Após o golpe de Estado, muitos opositores pró-democracia uniram-se a guerrilhas para combater ao lado de grupos étnicos armados. Há vários meses, a junta trava uma ofensiva militar para conquistar mais território antes das eleições, mas reconhece que a votação não será possível em uma de cada sete circunscrições.
— Existem muitas maneiras de alcançar a paz no país, mas não as escolheram. Preferiram organizar eleições — observou Zaw Tun, da pró-democracia Força de Defesa do Povo na região de Sagaing — Continuaremos lutando.
Segundo o grupo ‘Armed Conflict Location & Data’ (Acled), que registra os atos de violência reportados pela imprensa, 90 mil pessoas morreram em Mianmar de todos os lados. A guerra civil também provocou 3,6 milhões de deslocados, de acordo com dados das Nações Unidas, e metade da população vive abaixo da linha da pobreza.
— Não creio que alguém acredite que estas eleições contribuirão para resolver os problemas de Mianmar — afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reúne-se neste domingo, na Flórida, com o presidente dos EUA, Donald Trump, em busca de garantias americanas para uma nova proposta de paz destinada a encerrar o conflito de quase quatro anos com a Rússia. O plano, de 20 pontos, foi articulado após semanas de negociações entre Washington e Kiev, mas ainda não recebeu o aval de Moscou e ganha peso após um ataque maciço de mísseis e drones russos contra Kiev. Elaborado por equipes dos dois países, o documento aborda desde mecanismos de segurança para prevenir novas agressões até impasses sensíveis — entre eles, o futuro da região de Donbas e o controle da usina nuclear atualmente sob ocupação russa.
Alta tensão: Terceira maior cidade da Ucrânia enfrenta falta de energia, água e aquecimento em meio a ataques russos
Perspectivas 2026: Menores ucranianos são deixados em segundo plano pela diplomacia na guerra
A reunião, que será organizada por Trump em sua residência em Mar-a-Lago, Palm Beach, às 13h no horário local (15h no horário de Brasília), de acordo com a Casa Branca, será o primeiro encontro entre os dois desde outubro, quando o republicano recusou o pedido de Zelensky por mísseis Tomahawk de longo alcance. A Ucrânia vem pressionando por essa reunião há semanas, desde que os Estados Unidos retomaram seus esforços diplomáticos para intermediar um acordo.
Zelensky disse durante uma escala no Canadá no sábado que esperava que as negociações fossem “muito construtivas”. Ao mesmo tempo, ele questionou repetidamente se Moscou estava realmente empenhada em buscar a paz ou simplesmente ganhando tempo. Os ataques da Rússia contra alvos civis, incluindo uma enorme barragem disparada contra a capital da Ucrânia no sábado, provaram, segundo Zelensky, que o Kremlin não tinha interesse real em acabar com a guerra.
“A Rússia continua atormentando nossas cidades e nosso povo. Moscou rejeitou até mesmo as propostas de um cessar-fogo no Natal e está intensificando a brutalidade de seus ataques com mísseis e drones”, disse ele nas redes sociais enquanto estava a caminho da Flórida. “Este é um sinal claro de como eles realmente encaram a diplomacia lá. Até agora, não com a seriedade necessária.”
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Analistas afirmam que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, encorajado pelos avanços lentos, mas constantes, de suas forças no campo de batalha, provavelmente não aceitará a proposta de paz e, em vez disso, manterá suas exigências maiores. Entre elas, a cessão de uma parte significativa do território ucraniano, a redução das forças armadas
Zelensky realizou uma videoconferência enquanto estava no Canadá com líderes europeus que, de acordo com o chanceler alemão Friedrich Merz, prometeram seu total apoio aos seus esforços de paz.
A Rússia acusou a Ucrânia e seus aliados europeus de tentarem “sabotar” um plano anterior mediado pelos EUA para interromper os combates. Aumentando a pressão no campo de batalha, o Kremlin anunciou no sábado que havia tomado mais duas cidades no leste do país vizinho, Myrnograd e Guliaipole.
— Se as autoridades em Kiev não quiserem resolver este assunto pacificamente, resolveremos todos os problemas que temos pela frente por meios militares — disse Putin no sábado.
Ele também foi citado pela agência de notícias estatal TASS dizendo que “os líderes do regime de Kiev não têm pressa em resolver este conflito pacificamente”.
Os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen e Antonio Costa, que participaram da reunião virtual de Zelensky, garantiram que o apoio da União Europeia à Ucrânia nunca vacilará e prometeram manter a pressão sobre o Kremlin para que chegue a um acordo.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse à TASS que Moscou continuará seu “engajamento com os negociadores americanos” e “abordará as causas profundas do conflito”, mas criticou os europeus.
— Após a mudança de governo nos EUA, a Europa e a União Europeia se tornaram o principal obstáculo à paz — acusou Lavrov. — Eles não escondem seus planos de se preparar para a guerra com a Rússia, as ambições dos políticos europeus estão literalmente cegando-os. Não só não se importam com os ucranianos, como também parecem não se importar com sua própria população.
Trump tem se mantido evasivo sobre a nova proposta de paz até o momento, dizendo ao jornal Politico na sexta-feira que Zelensky “não tem nada até que eu aprove”.
As negociações abordarão um plano que interromperia a guerra ao longo das linhas de frente atuais e poderia exigir que a Ucrânia retirasse suas tropas do leste, permitindo a criação de zonas tampão desmilitarizadas. Como tal, contém o reconhecimento mais explícito de Kiev até agora de possíveis concessões territoriais. No entanto, não prevê a retirada da Ucrânia dos 20% da região oriental de Donetsk que ainda controla — a principal exigência territorial da Rússia.
Trump fez do fim das guerras na Ucrânia e em Gaza o ponto central de seu segundo mandato como autoproclamado “presidente da paz”. Mas a guerra na Ucrânia, segundo ele mesmo admitiu, provou ser muito mais difícil do que ele esperava.
Zelensky tem se empenhado em mostrar que está totalmente comprometido com a iniciativa de paz de Trump, sendo flexível e disposto a fazer concessões. Nos últimos dias, ele também pareceu, em alguns momentos, estar tentando desafiar o blefe do Kremlin.
Ele disse aos repórteres na terça-feira que estava disposto a retirar as tropas ucranianas das áreas da região de Donbas ainda sob controle de Kiev e transformar essas áreas em uma zona desmilitarizada — desde que a Rússia retire suas forças de uma área equivalente. A Rússia tem insistido em manter todas as terras que conquistou desde sua invasão em grande escala há quase quatro anos e também exigiu as partes de Donbas que a Ucrânia ainda controla.
Zelensky também se mostrou aberto a realizar as primeiras eleições gerais de seu país desde 2019 — uma exigência russa que Trump abraçou — desde que a segurança possa ser garantida. Isso transferiu a responsabilidade dele de volta para a Casa Branca e a Rússia.
Enquanto isso, o Kremlin parece ter tomado cuidado para não rejeitar abertamente a proposta de paz, talvez para evitar irritar Trump. Em vez disso, as autoridades russas pediram mais discussões e diálogo.
Garantias de segurança
Zelensky disse a repórteres no Canadá que as garantias de segurança seriam o foco das negociações na Flórida. “Elas devem ser simultâneas ao fim da guerra, porque precisamos ter certeza de que a Rússia não iniciará uma nova agressão”, afirmou.
— Precisamos de garantias de segurança sólidas. Discutiremos isso e discutiremos os termos.
A Ucrânia insiste que precisa de mais financiamento e armas da Europa e dos Estados Unidos, especialmente drones.
O primeiro-ministro canadense Mark Carney, que se reuniu com Zelensky no sábado, anunciou US$ 1,82 bilhão de dólares (cerca de R$ 10 bilhões, na cotação atual) em nova assistência econômica para ajudar a Ucrânia a se reconstruir após o fim da guerra.
O último ataque russo, no qual 500 drones e 40 mísseis bombardearam Kiev, deixou centenas de milhares de residentes sem energia elétrica e aquecimento durante temperaturas congelantes. Desde então, a energia foi restaurada “em todas as casas da capital”, disse a DTEK, o maior investidor privado do setor de energia da Ucrânia, no domingo.
A administração militar da cidade de Kherson, ao sul de Kiev, disse que a Rússia lançou um ataque durante a noite que também deixou parte da cidade sem eletricidade. (Com AFP e New York Times)
Um ano após o pior acidente aéreo em solo sul-coreano, que deixou 179 mortos em 28 de dezembro de 2024, familiares de algumas das vítimas continuam acampados em barracas no segundo andar do Aeroporto Internacional de Muan. O protesto, mantido apesar das múltiplas investigações em curso, reflete a frustração com a falta de respostas conclusivas sobre as causas da tragédia.
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Entenda: O que se sabe sobre o acidente com o avião que caiu na Coreia do Sul
Representante das famílias das vítimas, Kim Yu-hin perdeu os pais e o irmão no acidente.
— Eu me pergunto por que continuamos enfrentando as mesmas perguntas, sentindo a mesma tristeza e a mesma raiva repetidas vezes — disse em entrevista coletiva recente na cidade vizinha de Gwangju.
Em 29 de dezembro de 2024, o voo 2216 da Jeju Air, procedente de Bangcoc, saiu da pista ao aterrissar em Muan, colidiu com um muro e explodiu. Apenas duas pessoas sobreviveram. Até hoje, contudo, permanecem lacunas relevantes na apuração do que provocou o desastre.
As informações preliminares indicam que a aeronave colidiu com um bando de pássaros e realizou uma manobra de emergência antes de tocar o solo com a fuselagem, deslizando pela pista até atingir um talude de concreto.
Avião explodiu com 181 pessoas a bordo em aeroporto na Coreia do Sul
AFP
O Conselho de Investigação de Acidentes Aéreos e Ferroviários — órgão governamental vinculado ao Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes e responsável pela principal apuração — divulgou poucos detalhes sobre suas conclusões. Tentativas de realizar coletivas de imprensa foram interrompidas por familiares das vítimas, que defendem a reestruturação do órgão, alegando falta de independência em relação ao ministério responsável pela aviação civil.
Alertas ignorados
Reportagens do The New York Times revelaram que autoridades ignoraram alertas prévios sobre os riscos representados por bandos de pássaros na região do aeroporto e sobre o perigo do muro de concreto ao final da pista.
Após o acidente, o Ministério dos Transportes prometeu uma ampla revisão da segurança aérea, incluindo melhorias na infraestrutura de pistas em quase metade dos 15 aeroportos comerciais do país e o reforço das práticas de segurança de nove companhias aéreas de baixo custo.
Segundo o ministério, parte das medidas foi implementada, como a ampliação das equipes de controle de vida selvagem e o uso de câmeras para detectar aves nas rotas de voo. Outras promessas, porém, seguem pendentes — entre elas a remoção e reconstrução, até o fim deste ano, dos taludes de concreto que abrigam equipamentos de navegação em pistas de sete aeroportos.
Até quarta-feira, apenas os aeroportos de Pohang Gyeongju e Gwangju haviam concluído as obras. Em terminais com dois taludes, a previsão é que as reformas sejam finalizadas apenas no próximo ano, informou o ministério.
No Aeroporto de Muan, as obras ainda não começaram. Um porta-voz do Ministério dos Transportes afirmou que a relação delicada entre a administração do aeroporto e as famílias das vítimas contribuiu para o atraso.
Parentes dos passageiros mortos protestam há meses pela criação de um conselho independente, contratado e financiado pelo gabinete do primeiro-ministro, para conduzir a investigação.
Segundo familiares e especialistas em segurança aérea, a medida aumentaria a credibilidade do relatório final e reduziria a percepção de conflito de interesses, já que as atuais autoridades investigam um acidente ocorrido em um sistema sob sua própria supervisão.
Nas últimas semanas, o governo começou a atender parte das reivindicações.
No início de dezembro, familiares acamparam em frente ao gabinete presidencial, em Seul, contra uma audiência prevista pelo conselho atual para divulgar conclusões preliminares. O evento acabou cancelado.
Parentes de vítimas do acidente com avião da Jeju Air, na Coreia do Sul, diante dos destroços da aeronave
YONHAP / AFP
Ainda em dezembro, uma comissão permanente da Assembleia Nacional aprovou um projeto para criar o novo painel de investigação. A proposta precisa agora ser votada em plenário.
— A independência é fundamental para investigações de acidentes — diz Kim, representante das famílias: — Esperamos que isso melhore a transparência na determinação da causa do acidente e a eficácia das recomendações de segurança para evitar que incidentes semelhantes voltem a acontecer.
Especialistas dos Estados Unidos citam o exemplo do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB), que se tornou uma agência independente por lei em 1974, após inicialmente integrar o Departamento de Transportes.
— Isso é absolutamente um passo à frente para melhorar a segurança de seus cidadãos e, de fato, do mundo como um todo — afirma Christopher Freeze, ex-investigador do NTSB.
A eventual transição institucional pode deixar pontos da investigação temporariamente indefinidos, embora o trabalho técnico não tenha sido interrompido, segundo Kim Gihun, diretor-geral do conselho sul-coreano, que pode perder o cargo caso a nova lei seja aprovada.
— No momento, há realmente coisas demais que são incertas — diz Kim.
A Bulgária se tornará, a partir de 1º de janeiro de 2026, o 21º país a adotar o euro como moeda oficial. A decisão, no entanto, desperta preocupações em parte da população, que teme aumentos de preços e maior instabilidade no país mais pobre da União Europeia (UE).
Neste ano, ganhou força uma campanha de protesto para “manter o lev búlgaro”, explorando o receio popular de uma alta no custo de vida e a visão amplamente negativa sobre a moeda única europeia. Ainda assim, sucessivos governos impulsionaram a adesão à zona do euro, enquanto defensores da medida afirmam que ela fortalecerá a economia, estreitará os laços com o Ocidente e oferecerá maior proteção contra a influência da Rússia.
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O euro foi introduzido em 12 países em 1º de janeiro de 2002 e, desde então, expandiu sua área de circulação. A Croácia foi o último país a ingressar na zona do euro, em 2023. A Bulgária será a próxima, enfrentando desafios específicos.
O país se prepara para sua oitava eleição em apenas cinco anos, após uma série de protestos anticorrupção que recentemente derrubaram um governo conservador. Segundo Boryana Dimitrova, do instituto de pesquisas Alpha Research, qualquer dificuldade ligada à adoção do euro tende a ser explorada politicamente por forças contrárias à União Europeia.
— Qualquer problema se tornará parte da campanha política, criando as bases para uma retórica direcionada contra a UE — afirmou Dimitrova à AFP.
Embora partidos de extrema direita e grupos pró-Rússia estejam por trás de vários protestos contra o euro, a preocupação vai além desse espectro político. Em especial nas regiões rurais mais pobres, muitos temem o impacto da nova moeda no bolso.
— Os preços vão subir. É isso que me dizem meus amigos que vivem na Europa Ocidental — disse à AFP Bilyana Nikolova, de 53 anos, dona de uma mercearia na vila de Chuprene, no noroeste da Bulgária.
Vantagens “substanciais”
Segundo a pesquisa mais recente do Eurobarômetro, 49% dos búlgaros se opõem à adoção do euro. Após a hiperinflação dos anos 1990, a Bulgária atrelou sua moeda primeiro ao marco alemão e depois ao euro, o que já a tornou fortemente dependente do Banco Central Europeu (BCE).
— Agora poderemos participar da tomada de decisões dentro dessa união monetária — afirmou à AFP o economista Georgi Angelov, do Open Society Institute, em Sófia.
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Membro da UE desde 2007, a Bulgária ingressou apenas em 2020 no chamado “mecanismo de espera” para adoção do euro, ao mesmo tempo que a Croácia.
A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou no mês passado, em Sófia, que os benefícios da adesão são “substanciais”, citando “comércio mais fluido, menores custos de financiamento e preços mais estáveis”. Segundo ela, pequenas e médias empresas poderiam economizar cerca de 500 milhões de euros (aproximadamente US$ 580 milhões) por ano em taxas de câmbio.
O setor de turismo, responsável por cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, também espera se beneficiar da mudança.
Estabilidade em jogo
Lagarde avaliou que o impacto da adoção do euro nos preços ao consumidor deve ser “modesto e temporário”, lembrando que, em transições anteriores, o aumento variou entre 0,2 e 0,4 ponto percentual.
Ainda assim, consumidores que já enfrentam dificuldades para fechar as contas do mês permanecem apreensivos, segundo Dimitrova. Em novembro, os preços dos alimentos subiram 5% em relação ao ano anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, mais que o dobro da média da zona do euro.
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Diante desse cenário, o Parlamento aprovou neste ano a criação de órgãos de supervisão com poder para investigar aumentos expressivos de preços e coibir reajustes considerados “injustificados” relacionados à transição para o euro.
Analistas, porém, alertam que a prolongada instabilidade política pode atrasar reformas anticorrupção necessárias, com efeitos negativos para toda a economia.
— O sucesso dependerá de um governo estável por pelo menos um ou dois anos, para que possamos aproveitar plenamente os benefícios da entrada na zona do euro — concluiu Angelov.
Há muito tempo se acredita que os empréstimos estudantis são impossíveis de serem cancelados em caso de falência. Poucos mutuários sequer se atrevem a tentar. Para isso, os devedores precisam entrar com um processo judicial separado, enfrentando um processo caro e estressante, sem qualquer garantia de sucesso. Em algumas partes do país, eles tiveram que provar que suas vidas financeiras eram “sem esperança” para que um juiz se dispusesse a perdoar suas dívidas estudantis.
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Mas uma análise recente revelou uma mudança significativa: a grande maioria dos estudantes devedores que buscam a quitação de suas dívidas por meio de falência estão conseguindo, em grande parte devido a um processo legal mais simples que foi introduzido há três anos.
Segundo um estudo de Jason Iuliano, professor da Faculdade de Direito SJ Quinney da Universidade de Utah, os devedores têm uma taxa de sucesso de 87% em conseguir a quitação da maioria ou da totalidade de seus empréstimos por meio de falência. Esse número representa um aumento em relação aos 61% registrados em 2017 e é mais que o dobro da taxa de quase duas décadas atrás.
Embora as taxas de sucesso tenham melhorado gradualmente em relação aos anos anteriores, o aumento mais recente pode ser atribuído, em grande parte, a uma mudança adotada pelos Departamentos de Justiça e Educação durante a era Biden, que forneceu diretrizes mais claras sobre os tipos de casos que resultariam na anulação do empréstimo.
Empréstimos estudantis não são perdoados em casos de falência tão facilmente quanto outros empréstimos ao consumidor, como cartões de crédito ou dívidas médicas. Os devedores precisam entrar com uma ação judicial separada, conhecida como ação incidental, que muitos advogados não estão dispostos a aceitar.
Em um processo contencioso tradicional, os mutuários devem demonstrar que os seus empréstimos estudantis representam uma “dificuldade excessiva”, um padrão legal que o Congresso nunca definiu e que os tribunais em todo o país têm interpretado de forma diferente. Muitas jurisdições definem dificuldades excessivas usando uma estrutura rígida conhecida como teste de Brunner.
Segundo o critério Brunner, os devedores devem responder a três perguntas antes que suas dívidas possam ser perdoadas: Eles conseguem pagar os empréstimos atualmente e manter um padrão de vida mínimo? É provável que sua situação persista por uma parte significativa do período de pagamento? E eles fizeram um esforço de boa-fé para pagar os empréstimos?
Com a nova abordagem, cada etapa do teste torna-se mais fácil de ser cumprida se o devedor puder atender a determinados requisitos. Por exemplo, se as despesas permitidas do devedor forem iguais ou superiores à sua renda, isso pode satisfazer a primeira exigência. Ter mais de 65 anos ou ter empréstimos em fase de pagamento há pelo menos 10 anos, por exemplo, atenderia à segunda exigência.
Se 2025 fosse uma temporada de série, até “The Big Bang Theory” teria garantido mais um o roteiro: teve pé fossilizado que ameaçou tirar Lucy do papel de “mãe da humanidade”, tubarão alaranjado surgido do nada nas águas da Costa Rica, revisões históricas que reposicionaram Cabral no mapa e até um alerta de que o formato do bumbum pode dar pistas sobre a saúde metabólica. No meio disso, pesquisadores mostraram que correr na rua poluída pode anular parte do esforço e que artistas famosos vivem menos — quem diria que o preço do bis poderia ser tão alto?
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Entre descobertas curiosas, avanços biomédicos e reviravoltas climáticas, o ano também trouxe estudos que afetaram diretamente a vida do brasileiro. Da queda nas taxas de pobreza às novas evidências sobre o impacto da elevação do nível do mar em Copacabana, passando pela constatação de que 62% dos alimentos lançados no país são ultraprocessados, o planeta virou laboratório — e o Brasil, objeto e autor de algumas das pesquisas mais relevantes.
A seguir, listamos algumas das 20 descobertas científicas, arqueológicas e históricas que marcaram 2025 e ajudaram a decifrar mais um pedaço do mundo em que vivemos:
1. Parcela de brasileiros na pobreza cai para 25%
Publicado pela FGV Social em maio.
O estudo do economista Marcelo Neri mostra que a queda acumulada desde 2022 chega a 21% e, em 2024, foi impulsionada principalmente pela melhora do mercado de trabalho.
2. 1 em cada 23 adolescentes se torna mãe por ano no Brasil
Publicado em julho pela UFPel em parceria com a Umane.
Entre 2020 e 2022, o país registrou mais de 1 milhão de nascimentos de mães entre 15 e 19 anos e mais de 49 mil gestações de meninas entre 10 e 14 anos.
3. Copacabana já perdeu 10% da faixa de areia
Publicado pela UFRJ em julho.
A análise avaliou o impacto da elevação do nível do mar desde o Porto do Rio até o Leblon e aponta redução acelerada da faixa de areia e risco de desaparecimento de manguezais em Guapimirim.
4. Tubarão alaranjado é registrado pela primeira vez
Publicado em agosto na Springer Nature.
O tubarão-lixa de olhos brancos e pele alaranjada, registrado na Costa Rica, apresentou combinação inédita de xantismo e albinismo. O estudo teve participação de pesquisadores da FURG e instituições da Venezuela e Costa Rica.
5. Nanoplásticos chegam a partes comestíveis dos vegetais
Publicado em setembro na revista Environmental Research.
A equipe demonstrou que nanoplásticos conseguem entrar nas raízes e se acumular nas partes comestíveis. O grupo já havia usado métodos semelhantes para detectar partículas em moluscos e peixes.
6. Ilhas brasileiras têm o maior endemismo marinho do planeta
Publicado em 10 de setembro na revista Peer Community Journal.
A pesquisa analisou mais de 7 mil espécies em 87 ilhas e revelou a relevância de Noronha, São Pedro e São Paulo e Trindade para o endemismo marinho, destacando espécies exclusivas dessas regiões.
7. Novas simulações indicam que Cabral chegou ao RN, não à Bahia
Publicado em setembro no Journal of Navigation, da Universidade de Cambridge.
O trabalho sugere que o primeiro desembarque ocorreu no litoral do Rio Grande do Norte, entre Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso, com base em simulações e dados da carta de Caminha.
8. Pessoas mais velhas lideram consumo de remédios psiquiátricos
Publicado pela Funcional em setembro.
O levantamento indica que esse grupo concentra 30,6% do consumo e apresenta maior adesão ao tratamento, com quase 10 meses de continuidade — bem acima da média de 6 meses dos demais grupos.
9. Alergias a amendoim caíram drasticamente em crianças
Publicado em 20 de outubro no periódico Pediatrics.
A análise mostra queda de 36% nas alergias alimentares entre 2017 e 2020, após diretrizes de introdução precoce de amendoim para bebês. As alergias a amendoim caíram 43% no período.
10. Brasil desperdiça água suficiente para 3 bilhões de piscinas olímpicas
Publicado em outubro pelo Instituto Trata Brasil.
O estudo “Demanda Futura por Água em 2050” indica perdas de 40,3% na distribuição em 2023, totalizando 7,257 bilhões de m³ desperdiçados — volume que supriria toda a demanda adicional projetada para as próximas décadas.
11. 62% dos novos alimentos lançados no Brasil são ultraprocessados
Publicado em outubro pelo Ministério da Saúde, Anvisa, Opas e USP.
O relatório acompanha composição e rotulagem de 39 mil produtos lançados no período e monitora também gorduras trans.
12. Paracetamol na gestação não causa autismo
Publicado em 10 de novembro no BMJ.
A “revisão guarda-chuva” analisou os principais trabalhos sobre o tema e concluiu que não há evidência suficiente para estabelecer relação causal entre o uso de paracetamol na gravidez e o desenvolvimento de TEA nas crianças.
13. Fóssil de pé pode reescrever a história de Lucy
Publicado na revista Nature em novembro.
O recém-analisado pé fossilizado encontrado em 2009 em Burtele não pertence à espécie de Lucy e sugere a presença do Australopithecus deyiremeda, que pode ter convivido com o Australopithecus afarensis há mais de três milhões de anos.
14. Leite de foca é um dos mais complexos do mundo
Publicado pela Universidade de St. Andrews em novembro.
Pesquisadores identificaram mais de 300 açúcares no leite de focas-cinzentas da Escócia, superando a complexidade do leite humano. O trabalho exigiu coleta cuidadosa de amostras e desafia antigas ideias sobre composição do leite entre mamíferos.
15. Forma do bumbum pode indicar risco de diabetes
Apresentado na reunião anual da RSNA em novembro.
A pesquisa mostra que alterações no glúteo máximo — redução do volume em homens e aumento por infiltração de gordura em mulheres — podem indicar diabetes e outros marcadores metabólicos. O estudo avalia como envelhecimento, estilo de vida e fragilidade afetam o músculo.
16. Exercício sob poluição perde parte do efeito
Publicado em novembro na revista BMC Medicine.
A pesquisa analisou dados de mais de 1,5 milhão de adultos acompanhados por mais de uma década no Reino Unido, Taiwan, China, Dinamarca e EUA. O estudo revela que a exposição prolongada à poluição reduz — mas não elimina — o efeito protetor do exercício contra mortalidade geral, câncer e doenças cardíacas.
17. Cientistas brasileiros desenvolvem molécula promissora contra Alzheimer
Publicado na revista ACS Chemical Neuroscience em novembro.
O composto teve resultados promissores em testes pré-clínicos e agora depende de parceria com a indústria para avançar a estudos em humanos.
18. Estudo britânico aponta 32 anos como fim da adolescência
Publicado em 25 de novembro na revista Nature Communications.
Pesquisadores de Cambridge analisaram ressonâncias de 3.802 pessoas entre 0 e 90 anos e identificaram cinco eras de reorganização cerebral ao longo da vida. O estudo redefine a adolescência e mostra que essa fase se estende até aproximadamente 32 anos, quando ocorre o último grande ponto de virada das conexões neurais.
19. Artistas famosos vivem, em média, quatro anos a menos
Publicado em 25 de novembro no Journal of Epidemiology and Community Health.
A análise comparou 648 músicos entre 1950 e 1990 e mostrou que artistas mundialmente famosos morrem quatro anos antes de colegas menos conhecidos, com impacto na saúde comparável ao tabagismo.
20. Estudo revela baixa continuidade da perda de peso sem Mounjaro
Publicado em dezembro no JAMA Internal Medicine.
O estudo mostra que os benefícios da tirzepatida desaparecem após a suspensão do tratamento. Pessoas com obesidade que perderam peso com o uso do medicamento recuperaram pelo menos 25% da perda em até um ano após parar de tomar o remédio, além de perderem avanços em circunferência da cintura, pressão arterial, lipídios e glicemia.
As praias de Punta del Este se transformaram em um cenário luminoso nas noites da última semana. Ao caminhar pela areia ou com o simples quebrar das ondas, o mar passou a brilhar em tons azulados, em um fenômeno conhecido como bioluminescência, provocado pela presença de Noctiluca scintillans.
Imagens e vídeos registrados por moradores e turistas rapidamente se espalharam pelas redes sociais, mostrando o efeito visual que surge quando a água é agitada pelo movimento das ondas, do vento ou pelo contato humano.
As noctilucas são organismos marinhos microscópicos pertencentes ao grupo dos dinoflagelados. Elas têm a capacidade de emitir luz quando sofrem algum tipo de estímulo mecânico. O brilho é resultado de uma reação química natural que funciona como mecanismo de defesa, já que a luz pode atrair predadores maiores, afastando aqueles que tentam se alimentar delas.
Especialistas explicam que esse tipo de fenômeno costuma ocorrer quando há temperaturas mais elevadas da água, mar relativamente calmo e alta concentração de microrganismos.
Segundo autoridades e especialistas, as noctilucas não representam perigo para a saúde humana. No início de outubro, a Divisão de Meio Ambiente da Intendência de Maldonado coletou amostras após o surgimento de uma mancha alaranjada no porto de Punta del Este, associada à presença desses organismos.
Na ocasião, a prefeitura explicou que a floração das noctilucas é mais comum em determinadas épocas do ano, especialmente no outono e na primavera, devido às condições sazonais. A baixa circulação da água em áreas como o porto favorece a concentração dos microrganismos, tornando o fenômeno mais visível.
A Intendência reforçou que as noctilucas não oferecem risco à saúde e que o brilho tende a se intensificar em locais onde a infraestrutura limita a dispersão natural pelas correntes marítimas, permitindo a observação clara das manchas luminosas na superfície do mar.
Sem ter lugares bons para construir telescópios gigantes (como o Chile) e sem orçamentos de ciência bilionários (como os EUA), o Brasil pode buscar um papel de destaque na astronomia adotando numa estratégia diferente: digitalizando o céu para estudá-lo em computadores. Essa é a aposta do astrônomo Luiz Nicolaci, pesquisador titular do Observatório Nacional e coordenador do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (Linea). Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

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