Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Serhii Tyschenko, um médico de combate ucraniano, passou 472 dias seguidos em um bunker, sob fogo inimigo. Seu caso parece ser um exemplo extremo de um problema que há muito assola as forças armadas de Kiev. Longas rotações têm sido constantes na luta da Ucrânia contra as forças russas, já que Kiev enfrenta dificuldades com a escassez de tropas. A onipresença de drones piorou a situação, pois é quase impossível para os soldados mudarem de posição sem serem detectados. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
“Não houve necessidade de usar essas armas… e espero que não seja necessário”, afirmou, no começo do ano, o presidente russo, Vladimir Putin, em mais uma tensa menção ao maior arsenal nuclear do planeta, que por mais de uma vez esteve sobre a mesa quando o assunto foi o conflito na Ucrânia. Mas, em 2025, Putin não foi o único a levantar a carta nuclear. Potências deram sinais de que poderão quebrar uma longa sequência de décadas sem testes, como os EUA, ou aceleraram o ritmo de modernização de seus arsenais, como a China, no momento em que um importante acordo de controle de armamentos nucleares está prestes a expirar, sem um substituto à vista.
Minuteman III, Burevestnik ou Poseidon: Mais de 30 anos depois da Guerra Fria, EUA e Rússia ameaçam reacender corrida nuclear
‘Mão Morta’: Conheça ‘Máquina do Juízo Final’ que a Rússia usa como ameaça aos EUA
Em sua última atualização, o chamado Relógio do Juízo Final, que traduz em um modelo de horário a proximidade de uma catástrofe nuclear, estava a 89 segundos da meia-noite, a menor distância já registrada desde seu lançamento, em 1947. A próxima atualização será feita no final de janeiro.
— Oitenta anos após o início da Era Nuclear, estamos realmente em um ponto de inflexão — afirmou ao GLOBO Alexandra Bell, presidente do Boletim de Cientistas Atômicos, responsável pelo Relógio do Juízo Final. — As escolhas sendo feitas agora, e as que serão feitas nos próximos meses e anos, determinarão se continuaremos a gerenciar e reduzir as ameaças nucleares ou se as veremos aumentar, minando todo o bom trabalho realizado para reduzi-las desde meados da década de 1960.
Arsenais nucleares no mundo
Editoria de Arte
Um protagonista desse momento de inflexão é a Rússia, detentora de 5.580 ogivas operacionais, armazenadas em arsenais ou que aguardam desmantelamento. Desde o início da invasão na Ucrânia, a Rússia mudou sua doutrina nuclear, permitindo seu uso para defesa territorial mesmo contra armas convencionais, colocou suas forças em prontidão e em mais de uma ocasião sugeriu que não hesitaria em usar suas bombas nucleares.
Trump adverte Putin após teste de míssil: ‘Temos o melhor submarino nuclear na costa deles’
No ano passado, um míssil balístico com capacidade de levar ogivas foi lançado contra Dniéper, e os mísseis Kinjal, também aptos a ataques nucleares, são empregados com frequência contra cidades e posições militares ucranianas. Mesmo sem uma detonação — como nos ataques americanos contra Hiroshima e Nagasaki, em 1945 — Putin conseguiu o que queria ao apostar na retórica nuclear.
— Essa foi uma circunstância em que vimos o uso da dissuasão nuclear, quando se ameaça recorrer à força nuclear se um curso de ação for tomado. Neste contexto, Putin foi bem-sucedido — apontou ao GLOBO Layla Dawood, professora de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). — Embora os países da Otan tenham conferido apoio à Ucrânia, o apoio direto, que entendemos como o envio de tropas, não aconteceu. Esse foi um resultado indireto da [dissuasão das] armas nucleares.
‘Armas do Armagedom’
Além do Kinjal e do míssil Oreshnik, usado contra Dniéper, Putin celebrou recentemente outras de suas chamadas “superarmas”, todas com capacidade nuclear e, segundo o Kremlin, impossíveis de serem interceptadas. Um drone submarino e um míssil de cruzeiro, testados em outubro, foram chamadas pelo escritor Mark Galeotti de “armas do Armagedom”, que são “poderosas demais para ser usadas, a menos que você esteja disposto a destruir o mundo”.
Na mesma época em que o Kremlin anunciou seus testes, o presidente Donald Trump pediu ao Departamento de Defesa que “começasse a testar armas nucleares” em termos similares aos de outros países. Signatários do Tratado de Não Proliferação (NPT) e do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT), os EUA não fazem uma detonação desde 1992.
— Muitos pensaram que ele falava de testes de mísseis, de sistemas de lançamento. Mas ele mesmo trouxe a conversa de volta para testes de detonação, embora não tenhamos visto uma política concreta — diz Bell. — O problema reside na imprecisão com que abordou esses tema, no fato de a comunidade internacional, a mídia e o povo americano terem que adivinhar o que quis dizer. Isso é inaceitável vindo de uma das poucas pessoas no mundo com capacidade de usar armas nucleares.
‘Domo de Ouro’: Além dos EUA, veja outros países que já dominam a tecnologia de defesa antimíssil
Se Trump e Putin parecem interessados em mostrar ao mundo suas novas armas — no caso de Trump, sua joia da coroa é o Domo de Ouro, um sistema de defesa aérea contra praticamente todos os tipos de mísseis, ainda em planejamento —, o mesmo não se pode dizer de acordos de controle de arsenais. O último ainda em vigor entre os dois países, o Novo Start, firmado em 2010, expira em fevereiro, sem um substituto à vista. A Rússia propôs uma extensão de um ano, mas os EUA ainda não responderam.
O acordo limita o número de ogivas operacionais em 1.550, assim como os meios usados para seu uso, incluindo bombardeiros, mísseis intercontinentais e lançadores terrestres. Outro trecho determina que os dois lados poderão realizar inspeções mútuas, mas em 2023 Putin anunciou que não participaria mais do mecanismo, embora tenha se comprometido a seguir seus limites enquanto o texto estiver em vigor.
— O acordo não buscava apenas diminuir, do ponto de vista numérico, os armamentos, mas criar canais de confiança entre as duas partes. E, sem esses acordos, o mundo fica menos seguro — explica Dawood. — E há algo a ser notado que é o incremento qualitativo dos arsenais. Os países podem manter os limites numéricos, mas a Rússia, por exemplo, ao criar mísseis hipersônicos, faz com que seja mais difícil se defender deles.
Acordo com China?
Em seu primeiro mandato, uma das obsessões de Trump nas conversas nucleares era incluir a China em um futuro acordo. O país tem o terceiro maior arsenal, com 600 ogivas, e um programa vigoroso de aperfeiçoamento militar, cercado de sigilo. Em setembro, Pequim exibiu alguns de seus mísseis balísticos na parada de 80 anos da vitória na Segunda Guerra, todos capazes de atingir os EUA. Segundo o Pentágono, o país deve chegar a mil ogivas até 2030, mas, por enquanto, ninguém dentro do Partido Comunista parece disposto a embarcar em um acordo trilateral com EUA e Rússia.
— Precisamos encontrar uma maneira de levar Pequim à mesa de negociações, para deixar claro que a estabilidade estratégica é de seu interesse de segurança, que não tem carta branca para se esquivar simplesmente porque, no momento, possuem menos armas nucleares, e que não há asteriscos no NPT que permitam à China recorrer a essas medidas quando bem entender — afirma Bell.
Imagem de satélite com antes e depois da instalação de Fordow após os ataques dos EUA
AFP PHOTO/ SATELLITE IMAGE ©2025 MAXAR TECHNOLOGIES
s riscos nucleares não vêm apenas de arsenais existentes. Em junho, ao final de uma guerra de 12 dias entre Israel e Irã, o governo Trump atacou instalações de enriquecimento de urânio em solo iraniano. A Casa Branca e os israelenses diziam que era uma ação para “obliterar” o programa atômico de Teerã, acusado de ter fins militares, o que o país nega. Na ocasião, a Agência Internacional de Energia Atômica apontou o risco de vazamento radioativo, mas sem condenar o bombardeio (o que enfureceu as autoridades iranianas).
Após o ataque, ficou no ar o temor de que Teerã decidisse buscar suas próprias ogivas, e também um debate sobre o status de instalações nucleares em um contexto militar. Além do bombardeio deliberado no Irã, as usinas de Zaporíjia e, mais recentemente, Chernobyl, na Ucrânia, sofreram danos por drones e projéteis.
— Já passou da hora de discutirmos (…) a legitimidade de atacar instalações nucleares, o perigo que isso representa, que vai além da destruição da própria instalação, mas também sobre o que poderia acontecer com a população ao seu redor — disse Bell.
Em abril, ocorre uma conferência de revisão do NPT. Para Bell, embora os países signatários saibam que o texto não é o ideal, o momento é de trabalhar para aprimorá-lo e, mais importante, defendê-lo
— É um tratado imperfeito, como todos os tratados são imperfeitos, mas é a melhor estrutura que temos agora para estabilizar as ameaças nucleares em todo o mundo — afirma. — Os 191 países que comparecerem a essa conferência devem se comprometer pública e veementemente com os princípios do TNP e aceitar que existem pontos com os quais não concordamos, os quais precisamos administrar de forma lenta, meticulosa, paciente, mas persistente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu o Irã sobre novos ataques, e disse que o Hamas “vai pagar caro” caso não se desarme, ao apresentar nesta segunda-feira (29) uma frente unida com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Ao lado de Netanyahu, Trump deixa definição sobre Gaza em aberto
Durante uma entrevista coletiva com Netanyahu após reunião no estado da Flórida, Trump ameaçou “erradicar” qualquer tentativa de Teerã de reconstruir seu programa nuclear ou seu arsenal de mísseis balísticos após os ataques dos Estados Unidos a Israel, em meados do ano. Também minimizou as informações sobre um clima de tensão com Netanyahu em relação à segunda etapa do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
O presidente americano afirmou que Israel havia “cumprido” seus compromissos, e que a responsabilidade recaía sobre o grupo palestino Hamas. – Se não se desarmarem como concordaram, vão pagar caro – declarou. Mais cedo, o braço armado do Hamas havia reiterado que não entregaria suas armas.
Netanyahu destacou que o encontro com Trump foi “muito produtivo”, e anunciou que Israel vai conceder a ele a mais alta honraria civil do país.
Trump, que se autoproclama “presidente da paz”, quer avançar para a próxima fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza, que prevê a instauração de um governo palestino tecnocrático e o envio de uma força internacional de estabilização.
A questão Irã
Apesar de alguns na Casa Branca temerem que Netanyahu esteja atrasando o processo, Trump disse ter “muito poucas diferenças” com o primeiro-ministro israelense: – Não estou preocupado com nada que Israel esteja fazendo. Cumpriram o plano.
Durante a reunião, a quinta entre os dois líderes realizada nos Estados Unidos neste ano, o Irã esteve na pauta. Funcionários e veículos israelenses temem que Teerã esteja reconstruindo seu arsenal de mísseis balísticos, após uma guerra de 12 dias com Israel, em junho.
Trump indicou que o Irã poderia “estar se portando mal” e que Teerã buscava novos sítios nucleares para substituir aqueles atacados pelos Estados Unidos em junho, além de recuperar seus mísseis.
– Espero que não estejam tentando voltar a acumular armas, porque, caso estejam, não teremos outra opção a não ser erradicar muito rapidamente esse acúmulo – disse Trump, ressaltando que a resposta americana “poderia ser mais potente do que da última vez”.
No entanto, o presidente americano disse acreditar que o Irã segue interessado em um acordo com Washington sobre seu programa nuclear e de mísseis.
Teerã nega querer se dotar de armas nucleares. “A capacidade balística e a defesa do Irã não podem ser contidas nem submetidas a autorização. Qualquer agressão vai enfrentar uma resposta severa imediata”, publicou no X o assessor Ali Shamkhani.
‘Operação psicológica’
O Irã denunciou hoje que essas ameaças não passavam de uma “operação psicológica” contra o país. Teerã enfatizou que está preparada para se defender, e que uma nova agressão como a de junho teria “consequências mais graves” para Israel.
As conversas entre Trump e Netanyahu também se concentraram em outros focos de tensão no Oriente Médio, como a Síria e o movimento libanês Hezbollah. O presidente americano ressaltou sua esperança de que Netanyahu tenha uma boa relação com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, um ex-comandante rebelde islamita próximo da Casa Branca, que liderou a queda de Bashar al-Assad no ano passado.
A visita de Netanyahu aconteceu na sequência de dias frenéticos de diplomacia internacional em Palm Beach, onde Trump recebeu na segunda-feira seu colega ucraniano, Volodymyr Zelensky, para discutir o fim da guerra desencadeada pela invasão russa.
O cessar-fogo na Faixa de Gaza foi uma das principais conquistas do primeiro ano do novo mandato de Trump. O site Axios destacou que ele deseja fazer anúncios em janeiro sobre um governo interino e uma força internacional.
O presidente americano, no entanto, deu poucos detalhes, além de dizer que espera que “a reconstrução” possa começar em breve no território palestino. Já o desarmamento do Hamas segue sendo um ponto de atrito.
“Nosso povo se defende e não abrirá mão de suas armas enquanto a ocupação perdurar. Não se renderá, ainda que tenha que lutar com as mãos vazias”, disse o porta-voz das Brigadas Ezzedine al-Qassam, em mensagem de vídeo.
Um homem e seu filho, acusados do ataque a tiros que matou 15 pessoas na praia australiana de Bondi, em Sydney, teriam agido sozinhos e não integram uma célula terrorista mais ampla, informou a polícia nesta terça-feira (30, data local).
Sajid Akram e seu filho Naveed mataram a tiros 15 pessoas e feriram dezenas mais em um ataque inspirado na ideologia do grupo jihadista Estado Islâmico, contra judeus que comemoravam a festividade do Hanukkah, em 14 de dezembro.
Suspeito do ataque em Bondi é transferido do hospital para prisão na Austrália
‘Eu mereço isso?’: herói de ataque terrorista na Austrália se surpreende ao receber doação milionária; vídeo
Os homens viajaram para o sul das Filipinas nas semanas anteriores ao ataque, o que gerou suspeita de que teriam contatos com extremistas nessa região com histórico de insurgência islamista.
– A alegação é de que estes indivíduos agiram sozinhos – declarou aos jornalistas a comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett.
Ataque terrorista na Austrália
– Não há evidência que sugira que esses supostos agressores fossem parte de uma célula terrorista mais ampla, ou que tivessem sido instruídos por outros a realizar o ataque – acrescentou Barrett.
A comissária indicou que a polícia continuará investigando as razões de os dois terem viajado a Davao, na ilha filipina de Mindanao, onde imagens de segurança mostram que eles raramente saíram do hotel.
– Quero deixar bem claro, não estou sugerindo que eles foram lá [às Filipinas] por turismo – destacou.
A polícia considera que os dois homens “planejaram meticulosamente” o ataque durante meses, e divulgaram fotos que os mostram treinando com escopetas em um campo australiano.
Sajid Akram, de 50 anos e nacionalidade indiana, morreu após ser alvejado pela polícia durante o ataque.
Seu filho Naveed, de 24 anos e nacionalidade australiana, permanece detido e responde a 15 acusações de assassinato e outros crimes.
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira que realizaram mais um ataque contra um barco no Pacífico pontado pelo Pentágono como suspeito de narcotráfico. Segundo as autoridades, a ação provocou duas mortes. As dezenas de ataques americanos na região, iniciados em setembro, já provocaram pelo menos 107 mortes. Os ataques fazem parte de uma ofensiva militar do governo americano que mobiliza ativos militares de guerra para a região desde agosto sob o argumento de combate ao narcotráfico.
Em uma publicação no X, o Comando Sul dos EUA afirmou que “informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava navegando por rotas conhecidas de narcotráfico no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de narcotráfico”, acrescentando que dois homens foram mortos. No post, as autoridades não especificaram o local exato do ataque.
O tema é tratado como assunto de segurança nacional pelo presidente dos EUA, Donald Trump, desde que assumiu seu segundo mandato, em janeiro de 2025. Segundo as autoridades americanas, todos os barcos atacados até então no Caribe e no Pacífico transportavam drogas e eram tripulados por “narcoterroristas”, mas Washington nunca apresentou evidências que comprovassem as acusações.
Mais cedo, Trump comentou sobre uma operação que, segundo ele, destruiu uma “grande instalação” na Venezuela na semana passada. O republicano ofereceu poucos detalhes sobre a ação, mas afirmou que “houve uma grande explosão na área do cais onde os barcos são carregados com drogas”. Em entrevista à rádio americana WABC na última sexta-feira, Trump havia anunciado o ataque, sem identificar explicitamente o alvo ou sua localização. No entanto, não houve nenhum relato público de ataque por parte do governo venezuelano ou de quaisquer outras autoridades da região.
Se a alegação de Trump for confirmada, será o primeiro ataque terrestre conhecido desde o início da campanha militar dos EUA contra a Venezuela. As autoridades americanas, apesar de afirmarem que a instalação era ligada ao narcotráfico, se recusaram a especificar qualquer detalhe sobre o local ou como o ataque foi realizado.
*Matéria em atualização
Após uma intensa e até agora inconclusiva semana voltada à guerra na Ucrânia, o presidente dos EUA, Donald Trump, recebeu em sua residência de Mar-a-Lago o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, com uma pauta liderada pelo claudicante cessar-fogo na Faixa de Gaza, mas que também inclui o Hezbollah no Líbano, ameaças de nova guerra com o Irã e as próximas eleições israelenses.
— Vou repetir isso várias e várias vezes. Nunca tivemos um amigo como o presidente Trump na Casa Branca. Nem se compara — disse Netanyahu a repórteres, ao lado de Trump, em sua sexta visita aos EUA em 2025. — Acho que Israel é muito abençoado por ter o presidente Trump liderando os EUA e, eu diria, liderando o mundo livre neste momento.
Perspectivas 2026: Diplomacia frágil, eleições e ocupação israelense em expansão dificultam avanço na questão palestina
‘Sinto a morte todos os dias’: Criança com doença celíaca grave enfrentou fome e meses sem tratamento antes de morrer em Gaza
Pouco antes, Netanyahu havia se encontrado com os secretários de Estado, Marco Rubio, e da Guerra (ou Defesa), Pete Hegseth.
— Já fizemos muitos progressos. Tivemos uma reunião de cerca de cinco minutos e já resolvemos cerca de três das dificuldades — disse Trump aos jornalistas, antecipando que havia cinco grandes tópicos na pauta de discussões.
A começar por Gaza. Trump, que pressionou pela assinatura da primeira fase do cessar-fogo firmado por Israel e por Hamas em outubro, não esconde a impaciência com a demora na implementação da segunda etapa do plano, já voltada à governança futura do enclave e ao estabelecimento das bases para a reconstrução.
Desde a assinatura do acordo, longe de ser o ideal para Netanyahu, Israel manteve operações militares no enclave, deixando dezenas de mortos, e ampliou a demolição de estruturas dentro da área que ainda ocupa no território, algo confirmado por imagens de satélite, alegando que são ações para garantir a segurança do país contra novos ataques.
O Hamas, por sua vez, rejeita o desarmamento completo, previsto no plano, e exige manter armas leves, como pistolas e alguns rifles. Ao ser perguntado sobre quando a segunda fase do plano seria implementada, o tema foi levantado por Trump.
— Muito rapidamente, o mais rápido possível, mas tem de haver um desarmamento, temos de desarmar o Hamas — disse Trump. — Essa é uma das coisas sobre as quais falaremos, certamente, mas é preciso haver um desarmamento do Hamas.
Retorno de Trump, cessar-fogo em Gaza, novo Papa e ofensiva dos EUA no Caribe: Os dez principais acontecimentos de 2025
O futuro Estado palestino, tratado de maneira rasa na proposta, sequer é tratado como uma possibilidade concreta pelo premier.
O eventual fracasso do plano de paz de Trump para Gaza replicaria o desfecho de um cessar-fogo firmado dias antes de sua posse, em janeiro, e que desmoronou semanas depois diante de um impasse sobre a implementação de sua segunda fase, além de constantes violações dos dois lados. Mais do que isso: seria um golpe na narrativa de que “encerrou” oito guerras em seu governo, sendo que o “fim” do conflito no território palestino é apresentado como uma jóia da coroa.
— Acho que nenhum dos dois confia no outro. Nem sequer tenho certeza se gostam um do outro. Mas a realidade é que precisam um do outro — disse Aaron David Miller, do Fundo Carnegie para a Paz Internacional, à CNN.
Para muitos israelenses, a questão não é se a guerra em Gaza será retomada, mas quando. No começo do mês, uma pesquisa do Instituto da Democracia de Israel mostrou que 53% dos entrevistados acreditam que o conflito com o Hamas será retomado em 2026.
Válida até 2027: Israel prorroga lei que permite censura a veículos de comunicação estrangeiros considerados ‘perigosos’ pelo país
Se Trump parece reticente e até preocupado com a retomada do conflito em Gaza, o mesmo não pode ser dito do Irã, que travou uma guerra aérea de 12 dias com Israel em junho e cujas instalações nucleares foram bombardeadas pelos EUA. Antes de chegar a Mar-a-Lago, Netanyahu e aliados em Washington apostaram no argumento sobre uma nova intervenção, agora contra o programa de mísseis balísticos do país.
Mísseis disparados do Irã são fotografados no céu noturno sobre Jerusalém em 14 de junho de 2025
Menahem Kahana / AFP
Os israelenses afirmam que Teerã conseguiu recuperar parte de sua capacidade de construção de mísseis, o que, em sua visão, seria uma ameaça existencial. Na pesquisa do Instituto da Democracia de Israel, 69% dos entrevistados disseram que um novo conflito com o Irã acontecerá em 2026.
— Ouvi dizer que o Irã está tentando se reconstruir, e se estiver, teremos que derrubá-los. Vamos derrubá-los. Vamos acabar com eles — disse Trump, antes do início da reunião.
Sob sanções da ONU: Irã fecha acordo de R$ 130 bilhões com a Rússia para construção de novos reatores nucleares
O republicano ainda disse que seria “mais inteligente” para o Irã buscar um novo acordo sobre seu programa nuclear, e que “eles poderiam ter feito um acordo da última vez, antes de lançarmos um grande ataque contra eles”. A Casa Branca insiste que destruiu as capacidades nucleares iranianas com os bombardeios de junho, mas Teerã pôs em xeque as alegações.
O último acordo, firmado em 2015 com o apoio dos EUA e rasgado por Trump em 2018, previa o controle das atividades de enriquecimento de urânio e da quantidade de material armazenado, em troca de medidas de alívio econômico, posteriormente revertidas. Em setembro, países europeus aprovaram no Conselho de Segurança da ONU a retomada completa das sanções contra os iranianos, alegando descumprimento das obrigações nucleares. No sábado, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, comparou a pressão diplomática sobre seu país a uma “guerra total”, e reafirma que não busca armas nucleares.
Contrastando com a imagem de “homem da paz” vendida por Trump, Netanyahu levou a Mar-a-Lago outras demandas de cunho militar. A primeira no Líbano, onde o processo de desarmamento do Hezbollah está estagnado, apesar da pressão da Casa Branca sobre Beirute — pelo acordo que encerrou a ofensiva israelense em solo libanês, no ano passado, o grupo deveria entregar suas armas e abandonar posições militares em uma faixa próxima à fronteira com Israel, mas o Hezbollah não parece disposto a tal. Ataques por terra e ar contra o grupo se intensificaram, e uma nova ofensiva terrestre israelense não está fora dos planos.
Outro ponto é a Síria. Netanyahu quer estabelecer uma zona tampão na fronteira, e aproveitou o caos após a queda de Bashar al-Assad no ano passado para avançar por terra nas Colinas de Golã. O novo presidente, Ahmed al-Sharaa, o ex-jihadista que tem cultivado bons laços com Trump, diz que isso coloca seu país em uma “posição perigosa”. A insistência israelense também pode ameaçar os planos do republicano para incluir os sírios nos Acordos de Abraão, criando laços formais com Israel.
— Eu sei que ele (Al-Sharaa) é um sujeito durão, e você não vai conseguir um santo para liderar a Síria — disse Trump. — Espero que eles se deem bem.
Por fim, Netanyahu leva à mesa uma agenda pessoal. Em outubro do ano que vem (ou antes, dependendo dos humores políticos), Israel irá às urnas, e as pesquisas mostram a coalizão do premier em desvantagem. Em paralelo, os casos de corrupção contra ele, que se arrastam há anos, voltaram a caminhar, apesar do pedido de Trump para que o presidente israelense, Isaac Herzog, conceda perdão a seu aliado político. Antes da reunião, o republicano sugeriu que o indulto “já estava a caminho”, mas um porta-voz disse que não era bem assim.
“Não houve nenhuma conversa entre o presidente Herzog e o presidente Trump desde que o pedido de indulto foi submetido”, afirmou o Gabinete do presidente, em comunicado nesta segunda-feira. “Herzog conversou com um representante de Trump que perguntou sobre o pedido e recebeu uma explicação sobre o processo, bem como a garantia de que qualquer decisão seguiria os procedimentos padrão”.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, acusou nesta segunda-feira a Ucrânia de ter tentado atacar a residência do presidente Vladimir Putin na região de Novgorod, entre Moscou e São Petersburgo, afirmando que, devido à ação, o Kremlin está revisando sua posição nas atuais negociações de paz lideradas pelos EUA. Segundo o chanceler russo, o ataque foi lançado entre o domingo e esta segunda-feira com 91 drones de longo alcance, destruídos pelas defesas aéreas do país.
— Tais ações inconsequentes não ficarão sem resposta — disse Lavrov, acrescentando que já foram escolhidos alvos para retaliar ao que classificou como “terrorismo de Estado”.
Trump após encontro com Zelensky: ‘Estamos muito perto e nos aproximando da paz’
Território e usina nuclear: Entenda quais são os impasses que ainda travam o acordo de paz entre Ucrânia e Rússia
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, classificou a acusação de mentira, afirmando que Moscou se prepara para atacar prédios governamentais em Kiev.
As declarações de Lavrov foram feitas um dia após Zelensky se reunir com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Flórida, onde afirmaram que o acordo para encerrar o conflito estava próximo. O presidente americano disse que, após falar com líderes europeus, 95% dos pontos estavam resolvidos, acrescentando que uma ou duas questões sensíveis continuavam em aberto. Uma delas diz respeito à cessão territorial à Rússia.
Em um breve comentário à imprensa nesta segunda-feira, o principal porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o governo russo confirmava a fala de Trump de que o acordo de paz estava “mais perto do que nunca”. A parte russa não detalhou o que impede uma trégua imediata, mas o governo russo já deixou claro que não concorda com a presença de tropas internacionais no território ucraniano e exige a entrega do Donbass.
Garantias de segurança
Nesta segunda-feira, o líder ucraniano afirmou que Kiev suspenderá a lei marcial em vigor desde o início da guerra com a Rússia assim que o conflito terminar e os aliados do país confirmarem sólidas garantias de segurança, apontando que o presidente dos EUA, Donald Trump, propôs uma de 15 anos — o que foi considerado insuficiente pelo ucraniano.
— Realmente queria que essas garantias fossem maiores. E disse a ele [a Trump] que realmente queremos considerar a possibilidade de 30, 40, 50 anos — disse Zelensky em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, acrescentando que a proposta original do presidente americano oferecia possibilidade de prorrogação aos 15 anos propostos.
Initial plugin text
Ainda conforme o presidente ucraniano, as garantias de segurança são uma condição para que a Ucrânia suspenda a lei marcial — legislação que proíbe homens de 25 a 60 anos deixem o país, já que podem ser recrutados. Também apontou como essencial o fim do conflito.
— Em primeiro lugar, todos queremos que a guerra termine, e só então a lei marcial será suspensa. Este é o único caminho. No entanto, o fim da lei marcial acontecerá quando a Ucrânia obtiver garantias de segurança — disse Zelensky. — Sem elas, não se pode considerar que essa guerra tenha realmente terminado. Não podemos aceitar que tenha terminado porque, com um vizinho assim, continua existindo o risco de outra agressão.
Zelensky e Trump se cumprimentam após reunião nos EUA neste domingo
AFP
Aos jornalistas, Zelensky ainda afirmou que qualquer acordo para pôr fim à guerra deveria ser assinado por quatro partes, EUA, Ucrânia, Europa e Rússia, e reiterou a presença de tropas estrangeiras no país como uma garantia básica de segurança.
Tanto Zelensky quanto autoridades do Kremlin afirmaram que novas reuniões com representantes americanos são esperadas para os próximos dias. O presidente francês, Emmanuel Macron, também anunciou nesta segunda que aliados europeus da Ucrânia se reunirão em Paris para discutir garantias de segurança em janeiro — incluindo os integrantes da chamada “Coalizão dos Voluntários”, grupo de países que se colocam como principais apoiadores de Kiev no continente.
Não há confirmação sobre um encontro direto entre Zelensky e Putin — algo que Trump disse achar possível no domingo.
— Por um lado, ele [Putin] diz ao presidente dos EUA que quer acabar com a guerra e que esse é o seu desejo — disse Zelensky aos jornalistas — E, por outro lado, fala abertamente sobre estar pronto e querer continuar a guerra. Ele nos ataca com mísseis, fala abertamente sobre isso, comemora a destruição da infraestrutura civil, dá instruções aos seus generais sobre onde avançar e o que tomar, e assim por diante. Na minha opinião, essas ações não correspondem à retórica supostamente pacífica que ele usa nos diálogos com o presidente dos EUA. (Com AFP)
Em entrevista à rádio americana WABC na última sexta-feira, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram “uma grande instalação”, sem indicar onde ficava ou identificar explicitamente o alvo. Autoridades americanas disseram que Trump se referia a uma suposta instalação de produção de drogas na Venezuela, mas não apresentaram detalhes. Oficiais militares disseram não ter informações para compartilhar, a Agência Central de Inteligência (CIA) se recusou a comentar e a Casa Branca também não se manifestou. Além disso, não houve nenhum relato público de ataque por parte do governo venezuelano ou de quaisquer outras autoridades da região.
Perspectivas 2026: Sob a égide da ‘Doutrina Donroe’, conflito entre Trump e Maduro ameaça pairar sobre a América Latina
Veja: Especialistas da ONU criticam bloqueio naval dos Estados Unidos contra Venezuela
Durante a entrevista concedida a John Catsimatidis, um bilionário apoiador do presidente e proprietário da WABC, Trump discutiu sua campanha militar para interromper o tráfico de drogas da América Latina, atacando embarcações no Caribe, que Washington afirma serem suspeitas de transportar drogas.
Initial plugin text
— Eles têm uma grande fábrica ou uma grande instalação de onde vêm os navios — disse Trump, sem apresentar provas, especificar a localização ou confirmar a Venezuela como alvo do ataque. — Há duas noites, acabamos com isso.
Se a alegação de Trump for confirmada, será o primeiro ataque terrestre conhecido desde o início da campanha militar dos EUA contra a Venezuela. As autoridades americanas, apesar de afirmarem que a instalação era ligada ao narcotráfico, se recusaram a especificar qualquer detalhe sobre o local ou como o ataque foi realizado.
Interceptações, fugas e sanções: O que se sabe sobre a ofensiva dos EUA contra petroleiros ligados à Venezuela
Embora algumas autoridades tenham classificado a instalação como um possível local de produção de drogas, não está claro qual o papel que ela desempenhava no narcotráfico. A Venezuela é, de fato, conhecida por seu envolvimento no tráfico de drogas, especialmente cocaína produzida na Colômbia, mas não é um grande produtor de narcóticos.
Trump vem prometendo ataques terrestres na Venezuela há semanas, como parte de uma campanha de pressão cada vez maior sobre o governo de Nicolás Maduro, que está sendo processado nos Estados Unidos por seu envolvimento com o narcotráfico. O presidente americano, inclusive, autorizou a CIA a iniciar o planejamento de operações secretas dentro da Venezuela.
Initial plugin text
Desde setembro, Washington vêm realizando ataques mortais contra embarcações no Caribe e no Pacífico. O governo Trump alega que os navios transportam cocaína. As operações já causaram a morte de, pelo menos, 105 pessoas.
Esses ataques a barcos foram originalmente planejados como parte de uma operação em duas fases. A segunda fase, que ainda não foi anunciada oficialmente, incluiria ataques terrestres a instalações de narcotráfico na Venezuela. Em paralelo, Trump anunciou um bloqueio total a “navios petroleiros sancionados” que saem ou se dirigem à Venezuela, numa escalada adicional da sua campanha de pressão sobre Caracas. A medida aumenta a pressão sobre Maduro, uma vez que visa sufocar a economia do país sul-americano, extremamente dependente das exportações de petróleo.
Uma águia que mira uma ilha com olhar biônico — e que se transforma em um drone. Um tubarão-branco ganha forma de um submarino. Um lobo que se converte em um drone terrestre se junta a uma alcateia mecanizada, e segue correndo por uma floresta. A série de imagens fantasiosas geradas por IA (veja abaixo), foram divulgadas nesta segunda-feira pelo Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação da China. Intitulada como “Operações conjuntas para frustrar tentativas de ‘independência de Taiwan'”, a peça de propaganda foi publicada pouco após o início das extensas manobras militares nos arredores da ilha — apontada por autoridades chinesas como um “alerta” a forças independentistas e estrangeiras na região.
Crise diplomática: EUA e Japão realizam voos militares conjuntos após patrulhas chinesas e russas
Perspectivas 2026: No vácuo de Trump, Pequim busca ocupar espaço aberto por decisões imprevisíveis do presidente americano
O vídeo tem pouco mais de um minuto. Ao longo da exibição, diversos animais — incluindo peixes e abelhas — ganham forma de equipamentos militares de última geração, que se lançam em direção à ilha. Robôs humanoides e diversos outros equipamentos se multiplicam, e então disparam, passando uma imagem de força.
Em vídeo de IA, Ministério da Defesa da China transforma animais em equipamentos militares
Em uma análise publicada pouco depois da divulgação do vídeo, o Global Times — jornal chinês com fortes laços estatais — afirmou que o vídeo tinha por objetivo demonstrar as capacidades de Pequim de combater uma guerra automatizada, sem a presença de soldados no front, com uso de veículos de guerra não-tripulados.
“Este vídeo produzido por IA apresenta um logotipo notável que não apenas denota a propriedade dos sistemas não tripulados, mas também sinaliza o lançamento formal da iniciativa de guerra não tripulada do ELP [Exército de Libertação Popular]. O vídeo entusiasmou os aficcionados militares”, diz o texto do Global Times.
Initial plugin text
A publicação chinesa ainda discute em detalhes cada um dos elementos que aparecem no vídeo. A águia que se transforma em um enxame de drones, afirma, demonstra “capacidades de inteligência, vigilância e reconhecimento do ELP em todas as condições climáticas”, enquanto o “enxame de tubarões”, que se transformam em veículos subaquáticos não tripulados (UUVs), seria uma representação das “capacidades de guerra antissubmarino e reconhecimento subaquático de baixo custo, alta eficiência e furtividade”.
“Isso marca a evolução do ELP em conceitos e doutrinas operacionais, enfatizaram analistas. Operações integradas no ar, terra, mar e espaço, aliadas a capacidades coordenadas de sistemas tripulados e não tripulados, permitem ataques devastadores que não deixam aos adversários meios de fuga ou ocultação”, diz o texto do Global Times. “Os analistas acrescentaram que o uso de IA pelo Comando do Teatro Oriental para demonstrar conceitos de guerra não-tripulada serve como uma forte resposta às tentativas das forças separatistas pró-independência de Taiwan de armar a ilha com fundos públicos desperdiçados. Tal ‘estratégia de porco-espinho’ não tem chance contra as crescentes e inovadoras capacidades de combate do ELP”.
A China, que reivindica Taiwan como parte integral de seu território, lançou exercícios militares com uso de munição real no entorno da ilha nesta segunda-feira, em meio à uma crescente tensão com EUA e Japão, que são apoiadores históricos das forças pró-democracia em Taipé. Exército, Marinha, Força Aérea e Unidades de Mísseis chinesas participam das manobras, apontadas por autoridades do país como advertências a “forças separatistas pela independência de Taiwan” e uma ação “legítima e necessária para salvaguardar a soberania e a unidade nacional”.
A televisão estatal chinesa CCTV informou que um tema central nos exercícios em andamento em volta de Taiwan é o “bloqueio” de portos taiwaneses, incluindo Keelung, no norte, e Kaohsiung, no sul. As manobras, chamadas de “Missão Justiça 2025”, envolvem contratorpedeiros, fragatas, soldados, bombardeiros e drones, segundo um comunicado emitido pelas Forças Armadas da China.
Autoridades de Taiwan afirmaram que algumas zonas ficam a menos de 12 milhas náuticas (cerca de 22 km) de sua costa e afetam rotas internacionais de transporte marítimo e aéreo. A principal porta-voz da Presidência de Taiwan, Karen Kuo, condenou as manobras, que chamou de “intimidação militar”, enquanto o Ministério da Defesa do país anunciou ter detectado 89 aeronaves militares chinesas e 28 navios de guerra e embarcações da guarda costeira nesta segunda-feira — o que configuraria o maior número de aeronaves chinesas detectadas em um único dia desde 15 de outubro de 2014. (Com AFP)
Mais de 3 mil migrantes perderam a vida tentando chegar à Espanha em 2025, segundo um relatório publicado nesta segunda-feira (29) pela ONG “Caminando Fronteras”, uma queda acentuada em comparação com 2024 devido à redução das tentativas de travessia.
Em escalada de repressão, EUA convocam migrantes afegãos a se apresentarem na alfândega durante as festas de fim de ano
Cerco do governo: Na Flórida, migrantes concedem tutela de filhos a ativistas por medo de deportação
A maioria das 3.090 mortes registradas até 15 de dezembro ocorreu na rota atlântica da África para o arquipélago espanhol das ilhas Canárias, considerada uma das mais perigosas do mundo, segundo a organização que defende os direitos dos migrantes.
O relatório da “Caminando Fronteras”, compilado a partir de chamadas de socorro dos próprios migrantes, relatos de familiares e estatísticas oficiais de resgate, confirma a tendência indicada pelos dados mais recentes do governo.
De acordo com o Ministério do Interior, a Espanha recebeu 35.935 migrantes irregulares entre 1º de janeiro e 15 de dezembro deste ano, uma queda de 40,4% em comparação com o mesmo período do ano passado (60.311).
Quase metade dessas chegadas ocorreu pela rota atlântica até as ilhas Canárias.
Apesar de um “retrocesso significativo” no número de chegadas ao arquipélago, uma “nova rota migratória, mais distante e perigosa, foi aberta”, com partidas de Guiné-Conacri, observou a organização.
Entre os que morreram em tragédias migratórias este ano, a “Caminando Fronteras” inclui 192 mulheres e 437 crianças. A ONG também destaca o aumento da migração irregular entre a Argélia e as ilhas turísticas de Ibiza e Formentera, no Mediterrâneo espanhol.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress