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O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira em uma sessão de emergência, a pedido da Venezuela, para discutir a captura do líder chavista Nicolás Maduro pelos EUA, em uma operação militar em solo venezuelano no sábado. O caso provocou uma série de questionamentos sobre a legalidade da ação americana à luz do direito internacional, e acendeu um sinal de alerta em países aliados de Washington, que se mantêm atentos sobre uma eventual validação à violação de soberania. É a primeira reunião do Conselho de Segurança em 2026, sob a Presidência da Somália.
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Em uma declaração inicial lida pela subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, Rosemary DiCarlo, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, cobrou respeito pela independência política dos Estados, e pelos princípios que regem as relações internacionais.
— Em situações tão confusas e complexas como a que enfrentamos agora, é importante mantermos a fidelidade aos princípios: respeitar a Carta da ONU e todos os outros marcos aplicáveis ​​para salvaguardar a paz e a segurança — pontuou a mensagem de Guterres. — Respeito aos princípios da soberania, da independência política e da integridade territorial dos Estados. A proibição da ameaça ou do uso da força. O poder da lei deve prevalecer. O direito internacional contém instrumentos para abordar questões como o tráfico ilícito de narcóticos, as disputas por recursos e as preocupações com os direitos humanos. Este é o caminho que devemos seguir”.
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A Colômbia condenou a ação militar americana contra a Venezuela, citando bombardeios contra alvos civis e militares no país. A delegação de Bogotá acusou os EUA de violações diretas à Carta da ONU, e classificou a situação como grave.
— Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força, nem para cometer um ato de agressão — disse a representante venezuelana, criticando o uso e a ameaça do uso da força.
Embora as reações à prisão de Maduro tenham sido variadas, boa parte da comunidade internacional manifestou preocupação com possíveis violações da Carta da ONU. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação com o “respeito ao direito internacional”, ao passo que a União Europeia, maior aliada histórica dos EUA, pediu “calma e moderação” a todas as partes.
Embora não seja membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil pretende pedir para se pronunciar. Segundo interlocutores a par do assunto ouvidos pelo GLOBO, a ideia é reforçar a posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou publicamente a ofensiva dos EUA. A participação brasileira, será feita por meio do embaixador brasileiro na ONU, Sergio Danese.
O encontro das representações diplomáticas na sede do principal braço de segurança da ONU ocorre a poucos metros do tribunal federal de Nova York onde Maduro será apresentado a um juiz federal ainda nesta segunda. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, serão apresentados às denúncias e deverão se declarar culpados ou inocentes das acusações. Espera-se que o juiz do caso decrete que os dois aguardem o julgamento na prisão.
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Potências com fortes laços com a Venezuela, como China e Rússia, condenaram rapidamente o ataque dos EUA. Na América Latina, além do Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai rejeitaram “qualquer tentativa de controle” sobre o país sul-americano — algo afirmado pelo presidente americano, Donald Trump, em coletiva de imprensa no sábado.
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Maduro governou a Venezuela com mão de ferro por mais de uma década, por meio de uma série de eleições consideradas fraudulentas. Ele chegou ao poder em 2013, após a morte de seu mentor Hugo Chávez, e passou a liderava com um pequeno grupo de cinco pessoas o chavismo: a esposa, Cilia, a agora presidente interina Delcy Rodríguez, seu irmão Jorge Rodríguez e Diosdado Cabello.
— É como um clube de cinco — disse uma fonte diplomática em Caracas à AFP. — Eles podem falar, têm voz [no governo, mas] Maduro era quem garantia o equilíbrio. Agora que ele se foi, quem sabe. (Com AFP)
O governo brasileiro reforçou a presença militar na fronteira com a Venezuela nesta segunda-feira, dois dias depois de o país vizinho ser atacado pelos Estados Unidos, que levaram o presidente Nicolás Maduro para uma prisão em Nova York. Carros blindados do Exército, além de agentes da Receita Federal e homens da Força Nacional fazem a segurança da única rota de entrada por terra para quem tenta chegar ao Brasil.
Integrantes das forças de segurança relataram ter observado aumento do fluxo migratório nas primeiras horas do dia, embora ainda não saibam se a intensificação está diretamente ligada à crise política agravada pela prisão de Nicolás Maduro. O objetivo da operação é coibir a entrada ilegal de produtos e mercadorias, impedir a circulação de foragidos venezuelanos e ampliar o controle na faixa de fronteira.
Após os ataques, a fronteira com o Brasil chegou a ser fechada no sábado pelo lado venezuelano, mas segundo relataram integrantes do governo brasileiro, foi reaberta no fim do mesmo dia. O fluxo maior é de venezuelanos deixando o país.
Do lado brasileiro, militares montaram uma blitz, como revista minuciosa de todos os carros que entram e identificação de seus ocupantes.
Como mostrou o GLOBO, uma das principais preocupações do governo brasileiro diante dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela é a extensa fronteira terrestre compartilhada pelos dois países, com mais de 2 mil quilômetros de extensão. Avaliações feitas no Palácio do Planalto e em áreas da segurança indicam que a instabilidade no território venezuelano pode gerar impactos diretos sobre a região norte do Brasil.
A apreensão não se limita a um eventual aumento do fluxo de imigrantes venezuelanos em direção ao Brasil, movimento que já ocorre há anos em função da crise econômica e social no país vizinho. Autoridades brasileiras também veem risco de que a intensificação do conflito facilite a entrada, pela fronteira, de pessoas ligadas a organizações criminosas, especialmente ao narcotráfico.
Desde que começou a crise migratória venezuelana, em 2013, ano em que Maduro foi eleito presidente pela primeira vez — já com denúncias de fraude por parte da oposição —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. De acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, a Acnur, a Venezuela tem hoje o maior número de refugiados do mundo (6,3 milhões), superando países como a Síria.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta segunda-feira que estaria disposto a “pegar em armas” diante das ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra seu governo. A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões entre Washington e Bogotá, intensificada após a operação militar americana que resultou na detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana.
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“Jurei não voltar a tocar em uma arma… mas, pela pátria, voltarei a pegar em armas”, escreveu Petro em uma publicação no X. Ex-guerrilheiro do grupo M-19, o presidente colombiano tem sido alvo frequente de ataques verbais de Trump, que voltou a acusá-lo, sem apresentar provas, de envolvimento com o narcotráfico.
No domingo à noite, falando a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One, Trump descreveu a Colômbia como “governada por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado se os EUA poderiam realizar uma operação militar no país, nos moldes da ação na Venezuela, respondeu: “Soa bem para mim”.
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As declarações se somam a outras feitas nos últimos dias. No sábado, poucas horas após a captura de Maduro, Trump afirmou que Petro “está produzindo cocaína e enviando para os Estados Unidos” e disse que o colombiano “deveria cuidar do próprio traseiro”. Em dezembro, o presidente americano já havia dito que Petro deveria “andar com cuidado” por supostamente manter “fábricas de cocaína”.
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A retórica ocorre em meio ao endurecimento da política externa americana. Após a operação na Venezuela, Trump voltou a defender que os EUA assumam o controle da Groenlândia, ameaçou a Colômbia com ações militares e, por meio do secretário de Estado, Marco Rubio, advertiu o governo de Cuba de que estaria “em sérios apuros”. Em sua Estratégia de Segurança Nacional, publicada no mês passado, o governo Trump definiu como objetivo central a restauração da “preeminência americana no Hemisfério Ocidental”.
Na Colômbia, Petro tem reagido às ameaças com críticas duras à operação americana na Venezuela. Em outra publicação no X, afirmou que a captura de Maduro, sem base legal internacional, configura um sequestro. “O que Donald Trump fez é aberrante. Destruíram o Estado de Direito em nível mundial”, escreveu. O presidente colombiano também ordenou que qualquer comandante das forças de segurança que “prefira a bandeira dos Estados Unidos à bandeira da Colômbia” seja imediatamente afastado do cargo e disse ter convocado a população a defender o governo contra “qualquer ato violento ilegítimo”.
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Petro também voltou a negar as acusações de envolvimento com o narcotráfico. “Meu nome não aparece, em 50 anos, em nenhum arquivo judicial sobre narcotráfico, nem do passado nem do presente”, escreveu, pedindo que Trump “pare de caluniá-lo”. Segundo o presidente colombiano, as ameaças seriam uma retaliação a uma manifestação que ele liderou em Nova York, em setembro do ano passado, na qual criticou o apoio americano à ofensiva de Israel em Gaza. Após o protesto, os Estados Unidos revogaram seu visto diplomático.
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A relação entre Petro e Trump, porém, é tensa desde o início de 2025, quando o governo colombiano devolveu um avião com migrantes deportados algemados, levando Washington a ameaçar o país com tarifas comerciais. Embora canais diplomáticos e militares tenham sido mantidos desde então, o governo americano ampliou a pressão direta sobre o presidente colombiano. Em outubro, o Departamento do Tesouro incluiu Petro em uma lista que o associa ao narcotráfico, sem provas.
Durante o governo Petro, levantamentos indicam aumento no número de cultivos de coca na Colômbia — dados que o presidente contesta. Analistas associam o fenômeno sobretudo ao enfraquecimento da política de paz e ao fortalecimento de grupos armados envolvidos no tráfico, e não a uma ligação direta do presidente com o narcotráfico. A Casa Branca, no entanto, tem adotado um discurso cada vez mais agressivo em relação ao governo colombiano. (Com AFP)
Um homem seminu foi preso após protagonizar uma sequência de roubos de veículos e invasões a propriedades privadas em uma cidade do estado da Geórgia, nos Estados Unidos. O suspeito, identificado como Mackienzy Kahl, acabou detido após uma operação policial que mobilizou moradores e resultou em diversas chamadas ao serviço de emergência.
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Segundo o Departamento de Polícia do Condado de Gwinnett, os agentes receberam na sexta-feira um relato de veículo furtado que estaria em posse de um suspeito nu. O carro foi localizado ainda no mesmo dia, mas Kahl não estava no interior.
Testemunhas informaram que ele havia fugido a pé e vestia apenas uma toalha de mesa, e os policiais observaram indícios de que o homem poderia ter sido “exposto a produtos químicos” enquanto estava no veículo. Imagens da ação foram publicadas pela polícia nas redes sociais.
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A substância à qual Kahl teria sido exposto não foi esclarecida. Imagens de câmeras corporais da polícia mostram agentes discutindo a possibilidade de queimaduras por cloro e registram a presença de um caminhão de uma empresa de manutenção de piscinas que havia sido abandonado nas proximidades.
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Enquanto as buscas continuavam, a polícia recebeu várias ligações para o 911 relatando a presença de um homem com a mesma descrição vagando pela região, usando apenas uma toalha de mesa e tentando entrar em diferentes veículos. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelas autoridades mostram o suspeito circulando pela área com óculos, chinelos azuis e uma toalha de mesa bege enrolada de forma improvisada na cintura.
De acordo com a polícia, em determinado momento Kahl teria invadido uma residência ocupada, de onde furtou as chaves de um Mercedes antes de fugir dirigindo o carro. O veículo foi localizado pouco depois, e os agentes realizaram uma abordagem, prendendo o suspeito sob a mira de armas, conforme mostram as gravações da ação.
Kahl foi autuado por uma série de crimes, incluindo furto, roubo em primeiro grau, invasão de veículo com intenção de cometer furto ou outro crime, vadiagem e condução sem carteira de habilitação válida, informaram as autoridades.

Após a surpreendente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no fim de semana, o foco agora se volta para a rapidez com que o país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, conseguirá elevar sua produção. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Os corpos de cinco dos seis italianos mortos no incêndio de um bar em uma estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, serão repatriados, nesta segunda-feira, para a Itália, constatou a AFP. Os caixões foram transportados do centro funerário de Sion até o aeroporto militar da cidade, no Cantão de Valais, sudoeste da Suíça.
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A chegada à Itália estava prevista para o fim da manhã, informaram as autoridades italianas.
Segundo a investigação, o incêndio que destruiu o bar Le Constellation foi provocado por velas pirotécnicas no porão do estabelecimento, deixando 40 mortos e 119 feridos, principalmente jovens.
Na noite de domingo, as autoridades conseguiram identificar as vítimas. Trata-se de 21 suíços, uma franco-suíça e 18 estrangeiros com idades entre 14 e 39 anos, anunciou a polícia de Valais. Resta identificar seis dos 119 feridos.
— Houve vítimas, feridos, que estavam em estado tão grave que a identificação tem sido até agora muito difícil de realizar — declarou nesta segunda-feira o chefe do Executivo de Valais, Mathias Reynard, ao canal francês France Info.
Na Suíça, as autoridades abriram uma investigação penal contra o casal francês proprietário do bar, Jacques e Jessica Moretti, por “homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio culposo”.
A investigação deve esclarecer se as obras realizadas no bar estavam em conformidade com a lei quanto aos materiais utilizados, rotas de evacuação, meios de extinção e, sobretudo, as normas de prevenção de incêndios, segundo as autoridades.
O líder chavista Nicolás Maduro, capturado na madrugada de sábado em uma megaoperação dos EUA em Caracas, será apresentado nesta segunda-feira a um tribunal federal em Manhattan, em Nova York, na primeira etapa de um processo judicial em território americano, que deve se prolongar por meses. O presidente venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, serão formalmente apresentados as acusações que incluem alegações de “narcoterrorismo” e conspiração para importação de cocaína para os EUA — em um caso jurídico que se apresenta complexo à luz do direito internacional e da justiça americana, e que alguns especialistas consideram inconsistente.
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A apresentação perante um juiz federal nesta segunda-feira é uma obrigação perante o sistema legal americano. O caso será formalmente apresentado, e Maduro e a esposa deverão se declarar culpados ou inocentes das acusações. Não haverá espaço para pronunciamentos longos ou discussões sobre o mérito do caso. Ao final, espera-se que o juiz federal Alvin K. Hellerstein, para quem o caso foi atribuído, estabeleça que ambos aguardem o julgamento presos.
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Maduro e Cilia chegaram aos EUA ainda no sábado, a bordo do USS Iwo Jima, parte da frota naval que o presidente americano, Donald Trump, deslocou para o Caribe em sua iniciativa contra o narcotráfico. O líder venezuelano está detido no Centro Metropolitano de Detenções do Brooklyn, única unidade federal da cidade, conhecida por más-condições de funcionamento, e por ter abrigado figuras ilustres, como o rapper Sean “Diddy” Combs e o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin. Imagens dele desembarcando perto do tribunal, escoltado por forças de segurança americanas, vestido com um uniforme cáqui e tênis laranja, foram divulgadas pouco antes das 10h (em Brasília).
O processo contra Maduro deve seguir como qualquer outro procedimento jurídico nos EUA. Espera-se que o caso, por se tratar de acusação criminal, seja levado a um tribunal do júri, formado por cidadãos comuns de Nova York. Apesar disso, especificidades envolvendo a legalidade da captura de Maduro e os limites estabelecidos pelo direito internacional, a posição do acusado como presidente de um país estrangeiro — embora tenha a legitimidade questionada por Washington —, e a acusação montada contra ele tornam as circunstâncias do caso únicas. Entenda os pontos centrais do processo contra Nicolás Maduro nos EUA:
Quais são as acusações contra Maduro e sua esposa?
O Departamento de Justiça dos EUA protocolou no sábado uma acusação formal contra Maduro, Cilia Flores, um filho do casal, duas autoridades venezuelanas e um suposto líder do Tren de Aragua, organização criminosa que Trump designou como terrorista no ano passado. Os crimes citados na peça são narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os EUA.
A acusação tornada pública no sábado concentra-se quase inteiramente no papel da Venezuela, ao longo de décadas, no tráfico de cocaína. Ela acusa Maduro e seus cúmplices de trabalharem em estreita colaboração com alguns dos maiores grupos de narcotráfico da região, na Colômbia e no México. Entre eles, estão grupos também designados pelos EUA como organizações terroristas.
Especialistas afirmam que a Venezuela não é uma grande produtora de drogas, e descrevem o país como uma rota de trânsito de cocaína de menor importância, com a maior parte seguindo para a Europa. Acredita-se que a maior parte da cocaína destinada aos EUA não passe pelo Caribe, mas sim pelo Pacífico, de acordo com dados da Colômbia, dos Estados Unidos e das Nações Unidas.
Em participação no programa BBC Breakfast, da emissora pública britânica, a professora de estudos de jurídicos na Universidade Liverpool John Moores, Julia Buxton, afirmou que a noção da participação venezuelana na exportação de drogas que matam cidadãos americanos nos EUA foi construída sobre “bases muito frágeis”.
— Não há fentanil saindo da Venezuela — disse a professora. — O que o governo Trump teve que fazer foi meio que inventar essa noção de Maduro como um narcoterrorista para poder implementar políticas de mudança de regime.
A extração de Maduro violou o direito internacional?
Tudo indica que viola a Carta das Nações Unidas, um tratado ratificado pelos EUA. Sob o Artigo 2(4) da carta, uma nação não pode usar a força no território soberano de outro país sem o seu consentimento, uma justificativa de autodefesa ou a autorização do Conselho de Segurança da ONU.
Na maioria das vezes, quando os EUA usam a força no exterior sem a aprovação da ONU — como em alguns ataques de drones contra o terrorismo —, o fazem com a permissão do governo anfitrião ou sob alegação de autodefesa.
Prender alguém para que seja julgado, no entanto, é uma operação de aplicação da lei, não de autodefesa. Em 1989, a maioria do Conselho de Segurança da ONU votou pela condenação da invasão do Panamá, embora os EUA tenham vetado a resolução. A Assembleia Geral da ONU votou (75 a 20) por considerar o ato “uma violação flagrante do direito internacional e da independência, soberania e integridade territorial dos estados”.
A proibição da ONU importa sob a lei dos EUA?
É aqui que as coisas ficam mais complicadas. A Constituição americana torna os tratados ratificados parte da lei suprema do país, e também exige que os presidentes “zelem para que sejam fielmente executadas”. No entanto, advogados do Poder Executivo apresentaram teorias de que a Constituição, às vezes, autoriza os presidentes a ignorarem legalmente os limites do direito internacional no uso da força no exterior.
Na intervenção no Panamá, por exemplo, um parecer do Gabinete de Aconselhamento Jurídico (OLC) do Departamento de Justiça alegou que Bush tinha poder constitucional inerente para enviar o FBI ao exterior para prender um fugitivo de acusações criminais dos EUA, mesmo que tal operação violasse o direito internacional. O parecer foi assinado pelo futuro procurador-geral William P. Barr.
O raciocínio de Barr — quando veio a público posteriormente — atraiu críticas significativas de juristas. Brian Finucane, ex-advogado sênior do Departamento de Estado, argumentou em um artigo de 2020 que o memorando de Barr confundiu erroneamente duas questões.
Uma é uma questão mais específica: se e quando um tribunal dos EUA pode aplicar um tratado ratificado, caso o Congresso não tenha promulgado separadamente uma lei que repita seus termos. A outra é se todos os tratados ratificados contam como o tipo de lei que os presidentes são constitucionalmente obrigados a obedecer, “independentemente de os tribunais poderem ou não aplicá-la”, disse Finucane em entrevista.
Ele e outros afirmam que os presidentes estão vinculados à Carta da ONU — e entendia-se que assim estavam no momento em que ela foi ratificada — mesmo que nenhum tribunal possa ordenar que o presidente a obedeça. Mas não há uma decisão definitiva da Suprema Corte sobre a questão da Carta da ONU.
Os tribunais dos EUA se importarão com as circunstâncias da captura?
Provavelmente não. Mesmo que Maduro consiga argumentar que sua prisão foi ilegal sob a Carta da ONU, os tribunais dos EUA ainda parecem ter jurisdição para supervisionar seu processo por acusações de violação da lei doméstica.
Vários casos, incluindo em 1886, 1952 e 1992, rejeitaram contestações de réus criminais que alegavam ter sido levados ilegalmente sob custódia do tribunal onde estavam sendo julgados. O princípio é que o que importa é a presença do réu, não como ele chegou lá.
Maduro tem imunidade como chefe de Estado?
É um princípio de longa data do direito internacional que chefes de Estado possuem imunidade em tribunais estrangeiros. A Suprema Corte reconheceu essa restrição em um parecer de 1812, que afirma que “a pessoa do soberano” está isenta de prisão ou detenção em território estrangeiro.
Se Maduro tem direito a tal imunidade — como seus advogados de defesa certamente argumentarão — pode depender da diferença potencial entre ser apenas o líder de fato de um país e ser seu chefe de Estado politicamente reconhecido — e quem decide qual é qual.
Repetidamente, Rubio declarou que Maduro não é o presidente legítimo da Venezuela, devendo ser visto, em vez disso, como o líder de uma organização de tráfico de drogas disfarçada de governo.
No caso histórico de Noriega, o ditador panamenho invocou a imunidade como chefe de Estado estrangeiro, mas o governo Bush argumentou que ele não tinha direito a ela. Um juiz de um tribunal distrital decidiu contra Noriega, e um tribunal de apelações manteve a decisão.
Esse raciocínio não se baseou apenas no fato de Bush ter se recusado a reconhecer Noriega como chefe de Estado do Panamá. Também se baseou na própria lei do Panamá: sua Constituição estabelecia que o chefe de Estado era um presidente eleito, enquanto Noriega era um líder militar e nunca afirmou ser o presidente.
O status de Maduro é mais complexo. Ex-vice-presidente da Venezuela, ele se tornou presidente interino após a morte de seu antecessor, Hugo Chávez. Maduro venceu então uma eleição apertada em 2013. Os EUA o reconheceram por anos como presidente da Venezuela.
O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela declarou formalmente Maduro vencedor das eleições em 2018 e 2024. Mas os resultados foram amplamente vistos como marcados por fraude e, desde 2019, Washington — tanto sob Trump em seu primeiro mandato quanto sob o Joe Biden — não reconheceram Maduro como líder legítimo.
Citando um precedente da Suprema Corte de 2015 que afirma que os presidentes têm autoridade absoluta para reconhecer governos estrangeiros, a professora Ingber previu que “a Suprema Corte provavelmente decidirá que Trump tem o poder de negar o reconhecimento a Maduro para fins de imunidade de chefe de Estado”. (Com NYT)
A temporada de escalada de 2026 no Aconcágua fez sua primeira vítima. Um alpinista russo, identificado pelas iniciais K.B., morreu a poucos metros do cume enquanto tentava chegar ao topo da montanha. Ele tinha 55 anos.
O incidente ocorreu na tarde deste domingo (4), quando a equipe de resgate não conseguiu reanimar o alpinista, que se encontrava em estado crítico na área conhecida como El Hombro, a mais de 6.800 metros acima do nível do mar. O Aconcágua tem 6.961 metros de altura, o que indica que o homem faleceu a cerca de 150 metros do cume.
Segundo fontes policiais, um guia autorizado que acompanhava o cidadão de Moscou alertou o serviço médico do Parque Provincial do Aconcágua após o cliente desmaiar repentinamente naquela região da montanha. A equipe médica se deslocou até o local e tentou reanimá-lo, mas não obteve sucesso.
“Infelizmente, esta é a primeira morte da temporada. No entanto, estamos trabalhando diligentemente e tudo está bastante tranquilo”, afirmaram fontes da Secretaria Provincial de Segurança ao jornal LA NACIÓN. Em temporadas anteriores, houve até dez mortes, o que levou as autoridades a reforçarem os exames sanitários oficiais dos visitantes e a atenção à limitada experiência em montanhismo de parte dos escaladores.
Confirmação do óbito
A morte do cidadão russo foi confirmada pelos médicos por volta das 14h de domingo, após ele não responder às manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP). Cerca de meia hora depois do início do atendimento, e sem registro de sinais vitais, as equipes decidiram interromper as tentativas de reanimação.
Equipes de resgate e guarda-parques, que chegaram à área de helicóptero, seguem trabalhando para recuperar o corpo do alpinista, embora a descida dependa das condições climáticas. Paralelamente, a Justiça provincial assumiu o caso por meio da promotora María Luz Maturano, da Promotoria nº 11, que emitiu as diretrizes necessárias e destacou que a remoção do corpo também está condicionada ao clima.
A atual temporada de escalada 2025-2026 começou em 1º de novembro, e a atividade no Aconcágua vem aumentando de forma constante desde então, com encerramento previsto para meados de fevereiro. No ano passado, mais de 55 mil pessoas visitaram o pico mais alto do continente, período em que foram registrados 190 resgates e duas mortes ao longo da temporada.
A evolução mais recente da crise na Venezuela, iniciada com o ataque ao país por tropas americanas, e sequestro de Nicolás Maduro e sua mulher, foi o novo tom de vice-presidente, Delcy Rodríguez, agora formalmente presidente interina. Inicialmente ela fez uma declaração muito dura, exigindo a libertação imediata de Nicolás Maduro. Ontem, passou a falar em desenvolvimento compartilhado e em uma relação de respeito. Evidentemente, trata-se de um recuo em relação à fala inicial. Delcy Rodríguez está sob ameaça direta dos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que, se ela não cooperar, poderá sofrer consequências “talvez piores” do que as impostas a Maduro — uma ameaça explícita à dirigente venezuelana. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Um cemitério histórico ligado à Guerra Civil Americana, no condado de Los Angeles, vem sendo alvo de saques recorrentes desde 2023. O Woodlawn Celestial Gardens, localizado em Compton, teve cerca de 1.600 túmulos danificados ou violados por ladrões interessados no cobre e no bronze das lápides, segundo relatos da administração local à emissora ABC.
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No ataque mais recente, registrado no dia de Ano Novo, três homens invadiram o cemitério e deixaram entulho espalhado entre os jardins. O local abriga os túmulos dos fundadores da cidade e de ao menos 18 veteranos da Guerra Civil, conflito travado entre 1861 e 1865 que marcou a história dos Estados Unidos com a vitória da União e a abolição da escravidão.
Celestina Bishop, administradora do Woodlawn Celestial Gardens, afirmou que os vândalos utilizam ferramentas para quebrar lápides e extrair os metais, que seriam posteriormente derretidos e revendidos. Câmeras de vigilância flagraram a ação dos criminosos, mas, segundo ela, a resposta policial tem sido lenta ou inexistente, mesmo após o fornecimento de descrições detalhadas.
Entenda:
Medo, prejuízo e sensação de abandono
Além dos danos materiais, Bishop relatou preocupação com a segurança no local. Segundo a administradora, cães de guarda foram envenenados, aumentando o temor de novos ataques. À ABC, ela disse estar emocionalmente abalada após cinco anos à frente da administração, descrevendo os túmulos como parte de sua própria família.
O impacto também atinge diretamente os parentes dos sepultados. Gina Giannatti contou ter encontrado apenas um buraco no local onde ficava a lápide de sua mãe, instalada em 1972. Em outras áreas do cemitério, diversas lápides foram afrouxadas do solo, o que sugere uma preparação para novos furtos.
Do outro lado da rua, o Cemitério Lincoln Memorial Park também passou a ser alvo de preocupação. Aisha Woods, zeladora voluntária, afirmou ao veículo de comunicação que teme pela segurança das lápides de bronze onde membros de sua própria família estão enterrados. Para ela, os vândalos tratam o crime como se não houvesse vítimas, ignorando o impacto emocional causado às famílias.
Os ataques não se restringem a túmulos comuns. Em janeiro de 2024, ladrões roubaram a placa dedicada ao boxeador Joe Louis em homenagem a soldados da Segunda Guerra Mundial e danificaram um monumento ao presidente Abraham Lincoln ao tentar removê-lo. Segundo Bishop, os criminosos chegaram a testar o material das peças para confirmar se eram de bronze.
O prejuízo total é estimado em mais de US$ 100 mil, valor que, segundo a administração, torna inviável a reposição das lápides, que podem custar até US$ 3.900 cada. Até o momento, a Câmara Municipal de Compton não comentou sobre o caso.

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