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Um tribunal dos Países Baixos declarou inválido o matrimônio de um casal porque os votos, gerados por inteligência artificial (IA), não incluíam as fórmulas legais obrigatórias. O casamento foi realizado em abril do ano passado em Zwolle, no norte do país. Como queria uma cerimônia civil, o casal pediu a um amigo que a celebrasse. O amigo recorreu ao ChatGPT para redigir os votos.
No entanto, segundo uma sentença proferida na terça-feira (6) pelo tribunal de Zwolle, um requisito essencial foi ignorado: a inclusão de uma declaração legal na qual os contratantes afirmam que cumprirão todas as obrigações legais decorrentes do casamento.
“A declaração acima mencionada mostra que o homem e a mulher não fizeram referência ao artigo 1:67, nº 1, do Código Civil holandês”, destacou o tribunal.
O artigo diz, em tradução livre: “Os futuros cônjuges devem declarar perante o Oficial do Registro Civil e na presença de testemunhas que se aceitam mutuamente como marido e mulher e que cumprirão fielmente todos os deveres que a lei lhes impõe em seu estado civil”.
O texto, gerado por IA, incluía alusões a “rir juntos, crescer juntos e se amar, aconteça o que acontecer”, entre outras expressões, mas omitia a declaração legal obrigatória, razão pela qual o tribunal decidiu anular o matrimônio.
“Isso significa que a certidão de casamento foi registrada erroneamente no registro civil”, indicou o tribunal.
De acordo com o Dutch News, um portal do pais, o casal argumentou que o oficial civil presente na cerimônia não apontou o descumprimento na ocasião, enquanto o casamento era realizado. Os dois ainda negaram terem a intenção de cometer esse erro.
Apesar disso, o tribunal permitiu que o casal mantivesse a data inicial do casamento como a do seu matrimônio legal.
O interesse manifesto do presidente dos EUA, Donald Trump, em anexar a Groenlândia, embora possa parecer absurdo, revive antigas ambições de Washington, que já tentou anexar esse território estratégico nos séculos XIX e XX. Para o republicano, o controle da maior ilha do mundo é uma questão estratégica para o seu país, tendo insinuado inúmeras vezes que poderia apelar ao poder militar para tomar à força o território autônomo e pouco povoado, sob soberania da Dinamarca, país-membro da Otan(a Organização do Tratado do Atlântico Norte).
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Diante disso, o flerte expansionista de Trump, seja ele real ou bravata, esbarra mais uma vez em algo maior e mais complexo: a própria Otan. Fundada em 1949, a organização conta hoje com 32 membros, que desde a Segunda Guerra Mundial nunca se enfrentaram militarmente — em 2020, Grécia e Turquia tiveram uma tensa disputa de fronteira, mas a questão foi resolvida no âmbito diplomático. A postura de Trump traz um cenário inédito para o grupo transatlântico.
De acordo com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, não restam dúvidas, um ataque dos Estados Unidos a um país da Otan seria o fim da aliança militar do Ocidente. Os dinamarqueses estabeleceram controle colonial sobre a região no século XVIII e concedeu autonomia ao território no século XX.
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Na segunda-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse a parlamentares que o presidente americano pretende comprar a Groenlândia, e não invadir o território, mesmo que este não esteja à venda. A declaração foi feita em uma reunião de esclarecimento com integrantes das principais comissões de serviços armados e de política externa da Câmara e do Senado, segundo relatos de autoridades americanas. No mesmo dia, Trump pediu que seus auxiliares apresentassem uma versão atualizada de um plano para adquirir a ilha. Rubio, porém, não entrou em detalhes sobre o que quis dizer com a compra.
O magnata o cobiça a Groenlândia desde o primeiro mandato, também por causa de seu potencial de riqueza em minerais críticos. Conhecida como “tesouro do Ártico” por suas riquezas naturais e posição geoestratégica, a ilha contém abundantes recursos naturais ainda inexplorados (como hidrocarbonetos e terras raras). Com uma área de quase 2,2 milhões de quilômetros quadrados — equivalente a quatro vezes o tamanho da Espanha —, dos quais cerca de 80% estão cobertos por uma camada de gelo, esse vasto território situado entre o Atlântico e o Ártico tem apenas 57 mil habitantes, sendo uma das regiões menos densamente povoadas do planeta.
O Serviço Geológico dos EUA estima que a região do Ártico abrigue até 90 bilhões de barris de petróleo, 47,2 bilhões de metros cúbicos de gás natural e 44 bilhões de barris de gás natural liquefeito (GNL). Também é rica em terras raras, que podem ser aproveitadas na fabricação de chips de última geração, um mercado hoje dominado pela China.
O que diz o estatuto da Otan?
O Artigo 5 da Otan determina que um ataque contra um de seus integrantes deve ser considerado uma ofensiva contra toda a aliança, o que pressupõe uma reação conjunta. O dispositivo não faz referência direta a situações nas quais a agressão parte de um próprio membro, nem estabelece distinção clara entre ameaças internas e externas. Na prática, o tratado não inclui uma previsão específica para conflitos entre aliados, deixando esse cenário aberto a leituras e interpretações.
Segundo especialistas, como o Tratado do Atlântico Norte não traz disposições explícitas sobre a condução de um conflito entre países-membros, as consequências de uma escalada desse tipo não são totalmente claras. Eles afirmam, porém, que o próprio texto do acordo oferece diretrizes que poderiam embasar uma resposta possível — ainda que passível de controvérsia.
Avalia-se que, em um cenário hipotético no qual um país da Otan ataque outro membro da aliança, haveria a possibilidade de o Artigo 5 ser acionado. Ainda assim, os desdobramentos dependeriam de qual Estado fosse identificado como o “agressor”, isto é, o responsável por iniciar o confronto. Eles destacam que, na prática, atribuir com precisão quem deu o primeiro passo em uma escalada militar costuma ser um processo complexo — inclusive para os próprios atores envolvidos.
A aliança militar transatlântica
Editoria de Arte
Trump expressou dúvidas nesta terça-feira de que seus parceiros do tratado de defesa do Atlântico Norte apoiem os Estados Unidos caso precisem deles, de acordo com uma publicação na quarta-feira em sua rede Truth Social.
“Estaremos sempre lá para a OTAN, mesmo que eles não estejam lá para nós”, escreveu ele, um dia depois de a Casa Branca garantir que a via militar está entre as formas possíveis de conseguir a anexação da Groenlândia.
Ele repete em sua mensagem que os gastos militares de muitos membros da OTAN eram insuficientes até que ele interveio. “Os Estados Unidos pagavam tolamente por eles! Com todo o respeito, eu os fiz chegar a 5% do PIB” destinado ao orçamento de defesa, afirmou.
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Há anos, Trump é crítico à Otan. Ele reclamava, antes, da falta de investimento em defesa por parte do Canadá e dos países europeus, e durante o seu primeiro mandato ameaçou se retirar da aliança se os demais membros não aumentassem os gastos militares. Também disse durante a campanha presidencial de 2024 que não seguiria a cláusula de defesa coletiva se os sócios da aliança militar ocidental não cumprissem as metas de desembolso, afirmando que incentivaria a Rússia a fazer “o que diabos quiser” com a Ucrânia.
Ao longo da História, os Estados Unidos têm arcado com mais de 60% do orçamento da Otan. Durante muitos anos, poucos integrantes cumpriram a meta de destinar 2% do PIB à defesa — em 2014, apenas três países atingiam esse patamar. Esse quadro mudou em 2024: após dois anos de guerra na Ucrânia, 23 membros passaram a cumprir o objetivo.
Os defensores da aliança reconhecem que a Europa se beneficiou de décadas de gastos militares reduzidos, o que permitiu priorizar políticas de bem-estar social em vários países. Ao mesmo tempo, argumentam que Washington também foi favorecido pelo compartilhamento do esforço de segurança, pela queda nos custos de vigilância em meio ao mais longo período de paz do continente e pelo fortalecimento de sua posição como principal potência na Europa.
Um helicóptero privado caiu nesta quarta-feira em um centro recreativo de esqui na região de Perm, na Rússia, deixando duas pessoas mortas, segundo autoridades russas e imagens divulgadas pelas equipes de resgate.
O acidente ocorreu no Ashatli Park, no distrito de Bardymsky, quando a aeronave, ao tentar decolar sobre uma área com cabos de teleférico, ficou presa nos cabos e caiu violentamente na neve, quebrando sua estrutura. Equipes de emergência foram enviadas ao local, mas os ocupantes do helicóptero não sobreviveram ao impacto. Imagens que circulam nas redes sociais mostram momento da queda.
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As vítimas foram identificadas, em relatos da imprensa local, como Ilyas Gimadutdinov, 41 anos, fundador da transportadora Tattranskom, e Elmir Konrad, 40 anos, executivo da mesma empresa, que visitavam o resort no momento da tragédia.
Autoridades russas afirmaram que não houve danos relatados no solo e que as causas do acidente ainda estão sob investigação pelas equipes de segurança aérea, que trabalharão para determinar se fatores como condições climáticas ou autorização de voo influenciaram o episódio. O resort de esqui foi temporariamente fechado após o acidente.
O caso segue sob apuração, em meio à mobilização de equipes locais para coleta de provas e depoimentos enquanto familiares e colegas das vítimas começam a ser informados e assistidos pelas autoridades.
A França afirmou que está coordenando com aliados europeus uma resposta a um eventual movimento dos EUA para invadir ou tomar o controle da Groenlândia, em meio à escalada de tensões provocada por declarações do presidente Donald Trump sobre o território ártico, que integra o reino da Dinamarca. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, disse que o tema será tratado em reunião nesta quarta-feira com os chanceleres da Alemanha e da Polônia. Segundo ele, a intenção é agir de forma coordenada no âmbito europeu.
Plano atualizado: Secretário de Estado dos EUA diz a parlamentares que Trump quer comprar a Groenlândia
Entenda: Groenlândia e Dinamarca querem reunião com Rubio após ameaças de Trump
— Queremos agir, mas queremos fazê-lo junto com nossos parceiros europeus — afirmou Barrot à rádio France Inter.
As movimentações ocorrem após um dos principais assessores de Trump sugerir, na terça-feira, que Washington poderia estar disposta a assumir o controle da Groenlândia pela força. A fala levou líderes europeus a se mobilizarem publicamente em apoio à Dinamarca e à Groenlândia, numa rara reprimenda à Casa Branca. Em nota conjunta, ressaltaram que a ilha “pertence ao seu povo”. A Dinamarca, por sua vez, declarou que uma invasão ou apreensão da Groenlândia pelos EUA — país que, assim como Copenhague, integra a Otan — significaria o fim da aliança militar e da arquitetura de segurança construída no pós-Segunda Guerra.
Apesar disso, ainda na noite de terça-feira, o governo americano afirmou que Trump e sua equipe analisavam “uma série de opções” para adquirir a Groenlândia, incluindo o uso das Forças Armadas americanas — descrito pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, como algo que “é sempre uma opção”. Barrot, no entanto, disse que recebeu do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, uma sinalização diferente. Em ligação telefônica na terça-feira, Rubio teria afirmado que a possibilidade de uma invasão estava descartada.
— Eu mesmo estive ontem ao telefone com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que confirmou que essa não era a abordagem adotada — disse o chanceler francês.
Contexto: Trump estuda ‘várias opções’ para Groenlândia, inclusive a militar, diz Casa Branca
Rubio teria dito a parlamentares que o presidente republicano pretende comprar a Groenlândia, e não invadir o território. A declaração foi feita em reunião de esclarecimento com integrantes das principais comissões de serviços armados e de política externa da Câmara e do Senado na segunda-feira, segundo relatos de autoridades americanas. No mesmo dia, Trump pediu que seus auxiliares apresentassem uma versão atualizada de um plano para adquirir a ilha, segundo fontes com conhecimento do assunto ouvidas pelo New York Times.
Trump manifesta há anos interesse em adquirir a Groenlândia, em especial devido ao seu potencial de riqueza em minerais críticos. Nos últimos dias, porém, o tom do americano se intensificou, especialmente após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela no sábado, que resultou na deposição de Nicolás Maduro do poder. A mudança de retórica elevou as tensões internacionais e passou a levantar questionamentos sobre a própria sobrevivência da Otan.
Diante do cenário, o Parlamento dinamarquês realizou, na noite de terça, uma reunião extraordinária para discutir o que classificou como uma situação sem precedentes. Ao mesmo tempo, o chanceler da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, buscam uma reunião urgente com Rubio. Segundo Rasmussen, o objetivo é reduzir a escalada verbal.
“Gostaríamos de acrescentar alguma nuance à conversa. A troca de gritos precisa ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora”, escreveu.
Cenário inédito: Entenda como a ameaça expansionista de Trump sobre a Groenlândia põe Otan em xeque
No domingo, Trump afirmou afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que a Groenlândia estaria “cheia de navios chineses e russos” e que a Dinamarca não teria capacidade de defender o território, considerado pelo republicano vital para a segurança nacional americana. Atualmente, no entanto, são os EUA que mantêm uma base militar no território. O vice-presidente americano, JD Vance, visitou a base no ano passado, acompanhado da esposa, Usha.
— A imagem que está sendo pintada, de navios russos e chineses bem dentro do fiorde de Nuuk e de investimentos chineses maciços, não está correta — disse Rasmussen após a reunião extraordinária, avaliando que a situação atual se baseia em uma leitura equivocada da situação. — Isso se baseia em uma interpretação errada do que está acontecendo. Estamos cuidando do reino — disse.
A Estratégia de Segurança Nacional do segundo governo Trump afirma que a dominação do Hemisfério Ocidental é uma prioridade máxima. Isso ficou ainda mais evidente com a campanha de pressão militar de meses conduzida por Trump contra a Venezuela e a captura, no sábado, por tropas americanas, de Nicolás Maduro, líder do país, e de sua esposa, Cilia Flores, durante um ataque letal. Trump também disse no início do ano passado que planejava adquirir o Canadá.
No domingo, após a captura de Maduro, a esposa de Stephen Miller, Katie, publicou um mapa com o contorno da Groenlândia coberto com a bandeira americana, e os dizeres “em breve”, sugerindo que o território seria o próximo alvo. A postagem levou o chefe do governo groenlandês, Jens Frederik Nielsen, a escrever: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.
Protestos contra o governo eclodiram em ao menos 17 das 31 províncias do Irã, configurando o maior desafio ao establishment clerical do país desde as manifestações de 2022, segundo análise do BBC Verify e da BBC Persian. Com base apenas em vídeos verificados, o levantamento indica que a dimensão real da mobilização é ainda maior, com relatos de atos em outras 11 províncias.
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A onda de protestos ganhou força a partir de 28 de dezembro, quando a insatisfação explodiu em Teerã após uma nova e brusca desvalorização da moeda iraniana frente ao dólar. Imagens confirmadas dos últimos dez dias mostram manifestações antigoverno em mais de 50 cidades, inclusive em áreas historicamente consideradas leais ao regime.
Mais de cem vídeos, geolocalizados e checados quanto à data de publicação, revelam a extensão da instabilidade, com pessoas ocupando ruas de grandes centros urbanos. Trata-se, segundo a BBC, do maior teste ao Estado iraniano desde os protestos “Mulher, Vida e Liberdade”, deflagrados em 2022.
Os registros incluem atos em Qom, no centro do país, e Mashhad, no nordeste — cidades tradicionalmente associadas a forte apoio à República Islâmica. Para especialistas, a presença de protestos nessas localidades é reveladora e indica que até a base de sustentação do governo sofre os efeitos da crise econômica.
Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde sábado.
A BBC Persian confirmou até agora a identidade de ao menos 11 mortos desde 28 de dezembro, com base em vídeos de funerais e entrevistas com familiares. Já a ONG HRANA, sediada no exterior, estima pelo menos 35 mortos, incluindo dois integrantes das forças de segurança, enquanto a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, reportou ao menos 27 manifestantes, incluindo cinco menores de idade, mortos em balanço divulgado nesta terça-feira.
A agência de notícias Fars reportou, nesta quarta-feira, duas mortes e cerca de 30 feridos. Segundo o comunicado, os comerciantes participavam de um ato na cidade de Lordegan, a 455 quilômetros ao sul de Teerã, quando “arruaceiros começaram a lançar pedras contra as forças da ordem”, entre os quais havia alguns com armas militares e de caça que “abriram fogo repentinamente contra a polícia”. A Fars não detalhou se os mortos eram policiais ou manifestantes.
Ordens de não repressão
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ordenou, nesta quarta-feira, às forças de segurança que não reprimam os protestos e distinguiu entre os manifestantes e aqueles que chamou de “vândalos”.
Pezeshkian não é a figura mais importante do governo da república islâmica, representada pelo líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, mas o fato de Pezeshkian ter se sentido obrigado a ordenar que as forças de segurança mostrem moderação é interpretado como um sinal de que o governo está preocupado.
Manifestante arremessa pedra contra prédio do governo em Fasa, no sul do Irã, durante protesto
UGC / AFP
Em um vídeo publicado pela agência de notícias Mehr após uma reunião do gabinete, o vice-presidente Mohammad Jafar Ghaempanah disse que Pezeshkian “ordenou que não fossem adotadas medidas de segurança contra os manifestantes”. “Quem porta arma de fogo, facas, facões e ataca delegacias e locais militares são vândalos, e é preciso distinguir entre manifestantes e vândalos”, acrescentou Ghaempanah.
O general Amir Hatami, comandante do exército iraniano, alertou que Teerã não tolerará ameaças externas.
Segundo a agência de notícias Fars, Hatami disse que “se o inimigo cometer um erro”, a resposta do Irã seria mais contundente do que durante a guerra de 12 dias com Israel, em junho de 2025.
Falas de Trump
Nos últimos dias, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou intervir no Irã “se começar a matar pessoas como fez no passado” e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, expressou seu apoio aos protestos.
O regime iraniano respondeu, afirmando que a segurança local era uma “linha vermelha”. Não se sabe até que ponto Trump está disposto a usar seu poderio militar — como quer um de seus maiores aliados , Israel — mas o resultado final pode não ser o esperado pela Casa Branca.
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A mensagem publicada por Trump na rede Truth Social foi publicada na última sexta-feira em tom enigmático: se o regime matasse manifestantes, “como é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu auxílio”, e que seu governo está “pronto para agir”. Ele não deu detalhes sobre o que poderia fazer, ou qual seria o limiar para uma ação.
Em Teerã, o regime reagiu com declarações inflamadas e ameaças. Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, disse que Trump “deveria saber que a interferência americana nessa questão interna equivale ao caos em toda a região e à destruição dos interesses americanos”. Abbas Araghchi, chanceler, chamou o comportamento do americano de “inconsequente e perigoso”. Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo, Ali Khamenei, declarou que a segurança do Irã é uma “linha vermelha, e não é material para postagens aventureiras”, e que “qualquer tentativa de interferência na segurança do Irã sob pretextos será interrompida com uma resposta lamentável”.
A explosão que abriu um enorme buraco na fachada de um prédio residencial em La Guaira, estado costeiro vizinho a Caracas, matou a advogada aposentada Rosa González, de 78 anos, e deixou dezenas de famílias em choque após bombardeios dos Estados Unidos à Venezuela. Os ataques, que atingiram ao menos três estados e culminaram na captura do presidente Nicolás Maduro, transformaram um conjunto habitacional popular em cenário de guerra, com apartamentos destruídos, moradores feridos e denúncias de falta de assistência das autoridades. 
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Foi pela abertura do buraco na fachada do prédio que, na madrugada de sábado, Wilman González retirou a tia, Rosa González, gravemente ferida após os bombardeios norte-americanos. A mulher morava com o sobrinho no prédio atingido em La Guaira, um dos estados bombardeados pelos Estados Unidos. 
— Ela não morreu aqui, morreu no hospital — contou Wilman à AFP.  
O braço “doía”, e Rosa havia sofrido um impacto no peito que a impedia de respirar. Wilman, aposentado de 62 anos, lembra que estava olhando o celular quando ocorreu a explosão e foi arremessado pelos ares.  
— Foi tão imensa que a porta principal voou, a de madeira voou e me jogou contra a parede — relata, ainda em estado de choque.  
Ele apresenta hematomas no olho direito e pontos de sutura. No momento do ataque, o homem afirma que a tia estava dormindo dentro de seu quarto.  
— Nós a levamos até o hospital e colocaram oxigênio. Mas ela não aguentou a dor — disse o homem, em meio às ruínas do prédio. 
“Muito simples, amável” 
O corpo de Rosa González foi levado pela polícia para autópsia. Na segunda-feira seguinte, ela foi velada em uma capelinha, em um caixão de madeira com a tampa semiaberta. Familiares e conhecidos acompanharam o velório em silêncio. José Luis González, de 82 anos, irmão da vítima, afirma que soube da morte por uma ligação do sobrinho Wilman. Agora, de todos os irmãos de Rosa, apenas ele continua vivo. 
— Era uma mulher muito simples, muito amável, tinha muitas amizades. Não deveria ter acontecido na Venezuela uma tragédia como essa, em um povo tão tranquilo — lamentou o homem. 
Prédio perfurado por míssil 
Wilman voltou ao conjunto habitacional onde morava, o Bloco 12, de fachada azul desbotada pelo sol e agora perfurada por um míssil. Portas e paredes foram demolidas, vidros se espalharam pelo chão. E a imagem danificada de uma santa, colocada sobre um pequeno altar, permanece no local. 
Na sala do apartamento, vizinhos recolhem pequenos fragmentos do projétil. As autoridades levaram os pedaços maiores. Após a explosão, Wilman lembra ter pensado que estava morto e critica a pouca assistência recebida do governo desde o ataque. 
— Deus, perdoa os meus pecados — recorda.  
Hoje, circula entre os restos do que foi sua casa. Recolhe pedaços de madeira, observa e os lança novamente ao chão. Com uma chave de fenda, tenta avaliar se é possível salvar um guarda-roupa. Tudo está inutilizável. Os vizinhos tentam resgatar o que restou: panelas, liquidificadores, documentos, molduras de janelas. 
— Isso eu já vi pela televisão. Palestina, Iraque, toda essa gente. Aqui, não — afirma Wilman. 
“Resgatar a mim mesmo” 
A explosão causou danos irreparáveis em oito dos 16 apartamentos do prédio. No imóvel que pertencia à mãe, César Díaz, de 59 anos, junta documentos e os guarda em uma bolsa de tecido suja. Segundo ele, o episódio deixará marcas profundas. 
— Uau! Tão grande que é tudo e justamente aqui, na casa da minha mãe. Isso vai criar um trauma. Para mim é duro chegar aqui e não vê-la sentada ali na poltrona — confessou, à beira de lágrimas. 
O bombeiro Jesús Linares, de 48 anos, contou como resgatou uma vizinha, Tibisay, de 80 anos, em meio ao caos. Ele mostrou o lençol desbotado usado para conter o sangramento na cabeça da idosa antes de levá-la ao hospital. 
— Esses eram os sapatinhos dela — disse, incrédulo, apontando para uma sandália de plástico solitária. 
Linares também retirou a própria mãe, de 85 anos, e a filha, de 16, do prédio em meio ao bombardeio.  
— Tentei agir como se fosse um terremoto: manter a calma e focar em salvar vidas — contou. 
Apesar de a polícia ter recolhido o projétil, moradores afirmam que as autoridades ainda não apareceram para prestar assistência. Após três décadas de serviço dedicadas a salvar outras pessoas, Linares conta em poucas palavras o drama vivido.  
— Desta vez, o que me coube foi resgatar a mim mesmo e à minha família — conclui.
Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela capturado em uma operação militar dos Estados Unidos no último fim de semana, contratou o advogado constitucionalista americano Bruce Fein, que ocupou cargos no governo do republicano Ronald Reagan, nos anos 1980, para representá-lo no processo criminal que enfrenta junto ao Tribunal Distrital do Sul de Nova York. Maduro é acusado de ligações com o narcotráfico e de uso de armas para apoiar o tráfico.
Bruce Fein passou a fazer parte da equipe legal que defenderá Maduro nos EUA na terça-feira. Ele se junta ao criminalista Barry Pollack, de 61 anos, que também atua como defensor do fundador do Wikileaks, Julian Assange, em casos nos Estados Unidos. Inicialmente, o advogado David Wikstrom havia sido nomeado pelo tribunal de Nova York para atender Maduro e a esposa, Cilia Flores, na fase inicial do processo, etapa em que ocorrem a leitura formal de acusações, a verificação de direitos legais e as primeiras decisões processuais. A tendência é que Wikstrom deixe o caso.
Bruce Fein tem 78 anos e uma longa carreira como advogado constitucionalista, atuando também em casos de Direito Internacional. Mais recentemente, ele atuou como advogado de defesa de Lon Snowden, pai de Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da agência de inteligência americana, a CIA, que revelou detalhes de programas de vigilância global dos Estados Unidos. O jornal americano Washington Post o descreve como um “obcecado pela defesa dos direitos individuais e do devido processo legal”.
Formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e advogado pela Universidade Harvard, Fein ocupou, nos anos 1980, postos de confiança no governo do republicano Ronald Reagan, considerado um expoente do liberalismo econômico e do conservadorismo nos costumes.
Na gestão de Reagan, Fein foi Associate Deputy Attorney General (subprocurador-geral adjunto, em tradução livre) no Departamento de Justiça, entre 1981 e 1982. Ainda no governo do republicano, Fein foi nomeado conselheiro jurídico-geral da Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora americana para os setores de telecomunicações. Na época, a FCC promoveu uma desregulamentação do setor.
Nas décadas seguintes, Fein tornou-se um colaborador assíduo de jornais e revistas nos Estados Unidos. Em seus textos, foi crítico das gestões dos democratas Bill Clinton e Barack Obama e do republicano George W. Bush. O advogado defendeu publicamente o impeachment de Bush devido ao que chamou de violações à Constituição americana perpetradas pelo sistema de vigilância contra o terrorismo implementado pelo republicano.
Fein também é crítico da gestão de Donald Trump e da intervenção militar na Venezuela ordenada pelo republicano. Dias antes de assumir a defesa de Maduro, o advogado publicou um artigo no jornal Baltimore Sun, no qual afirmava que a operação militar seria a Batalha de Waterloo de Trump, em referência ao conflito em que Napoleão Bonaparte foi derrotado.
Em 2012, Fein foi assessor do parlamentar republicano Ron Paul em sua campanha eleitoral à presidência. Na ocasião, Paul disputou e perdeu a nomeação republicana para Mitt Romney.
Um grave erro médico ocorrido em agosto de 2020, no estado de Michigan, nos Estados Unidos, resultou em um acordo judicial de US$ 3,25 milhões (R$ 17,5 milhões, na cotação atual) entre a cidade de Southfield e a família de Timesha Beauchamp, jovem de 20 anos declarada morta enquanto ainda apresentava sinais vitais.
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Em uma madrugada daquele mês, Timesha, que vivia com a família em Southfield, subúrbio de Detroit, passou a apresentar sérios problemas respiratórios. Diante da gravidade do quadro, familiares acionaram o serviço de emergência pelo número 911. Ao chegarem à residência, paramédicos constataram que a jovem não estava respirando e iniciaram manobras de reanimação, que se estenderam por cerca de 30 minutos.
Sem sucesso, a equipe entrou em contato por telefone com um médico do pronto-socorro para relatar a situação. Com base exclusivamente nas informações fornecidas, e sem examinar a paciente pessoalmente, o médico declarou Timesha morta. Ainda no mesmo dia, o corpo foi encaminhado à funerária James H. Cole Home for Funerals, em Detroit.
Respiração e olhos abertos
No momento em que um funcionário se preparava para iniciar o processo de embalsamamento, foram identificados sinais claros de vida: Timesha estava respirando e mantinha os olhos abertos. Diante da constatação, equipes de emergência foram imediatamente acionadas, e a jovem foi levada com urgência a um hospital.
Os médicos conseguiram mantê-la viva com o auxílio de um ventilador mecânico. No entanto, o período prolongado sem oxigenação adequada causou danos cerebrais hipóxicos graves, caracterizados por lesões irreversíveis no cérebro. O estado de saúde de Timesha não apresentou recuperação, e, cerca de oito semanas depois, em outubro de 2020, ela morreu no Children’s Hospital of Michigan.
A família ingressou com uma ação judicial contra a cidade de Southfield, responsabilizando o município pelo erro que levou à declaração equivocada de morte e às consequências fatais.
Após anos de disputa judicial, a cidade concordou em pagar US$ 3,25 milhões para encerrar o processo. Em comunicado oficial, Southfield reconheceu a tragédia, ressaltando que o episódio ocorreu em um contexto extremamente complexo, durante a pandemia de Covid-19.
“Reconhecemos que nenhuma resolução pode desfazer a profunda tragédia que ocorreu em 23 de agosto de 2020 ou aliviar a dor vivenciada pela família da sra. Beauchamp”, afirmou a cidade de Southfield no comunicado. “Este caso envolveu circunstâncias extraordinariamente difíceis que surgiram no complexo contexto de uma pandemia global”.
O advogado da família afirmou que nenhuma compensação financeira seria capaz de reparar o dano causado, mas avaliou o acordo como uma forma parcial de justiça.
“Finalmente, Timesha e sua família puderam obter parte da justiça que merecem”, afirmou.
Os familiares optaram por não comentar publicamente o desfecho, e o órgão responsável por supervisionar os serviços médicos da região não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
De imagens falsas criadas com inteligência artificial (IA) a fotos antigas reaproveitadas, um fluxo de desinformação envolve a recente captura do presidente venezuelano deposto Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Estes registros, vistos milhões de vezes na internet, são ratificam como conteúdos falsos podem se beneficiar — ante os verdadeiros — ao tornarem-se virais nas redes sociais.
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Pouco depois da captura de Maduro, em Caracas, durante uma operação relâmpago ordenada por Donald Trump, no sábado, a equipe de verificação digital da AFP comprovou a existência de mentiras em muitas publicações que afirmavam compartilhar a primeira imagem dele em solo norte-americano.
Uma das imagens falsas sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, fabricada por IA, que viralizou nas redes sociais
Reprodução / X
Há, inclusive, uma suposta foto na qual se via um Maduro mais jovem, que havia sido gerada por IA: a ferramenta Gemini, do Google, detectou nela uma marca d’água característica desse tipo de conteúdo.
Nas redes sociais, usuários divulgaram outra imagem que supostamente mostrava um soldado americano posando ao lado de Maduro, que aparentemente usava um saco na cabeça. No entanto, tratava-se de uma foto da captura do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein pelos Estados Unidos, em 2003, segundo artigos da época.
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A agência de monitoramento da desinformação NewsGuard afirmou ter identificado sete imagens e vídeos totalmente fabricados ou apresentados de forma enganosa em relação à operação americana na Venezuela. Esses conteúdos somaram mais de 14 milhões de visualizações em menos de dois dias na plataforma X — antigo Twitter.
Os grandes números evidenciam como a combinação de criações em massa por IA e imagens distorcidas pode contribuir para borrar a fronteira entre ficção e realidade.
‘Próximas da realidade’
— Embora muitas dessas imagens não distorçam radicalmente os fatos no terreno, o uso de IA e de vídeos espetaculares retirados de contexto representa mais uma tática no arsenal dos desinformadores —, afirma Chiara Vercellone, analista da NewsGuard.
Segundo a especialista, trata-se de uma fraude “mais difícil de ser revelada pelos verificadores, porque as imagens costumam ser próximas da realidade”.
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O próprio presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alimentou a desinformação em torno da captura de Maduro ao compartilhar em sua plataforma Truth Social um vídeo que supostamente mostrava venezuelanos de roupa íntima comemorando sua queda nas ruas.
O serviço de verificação digital da AFP descobriu que esse vídeo, publicado inicialmente no TikTok, no mês passado, era de estudantes durante a “corrida em roupa íntima da UCLA”, uma tradição da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
E os fatos não competem apenas com imagens autênticas, porém distorcidas. Conteúdos fictícios e humorísticos, também gerados por IA, inundaram as plataformas, abafando ainda mais a informação.
Nas redes sociais, é possível ver Donald Trump e Nicolás Maduro dançando juntos no Salão Oval, ou o presidente venezuelano deposto vestido com o uniforme laranja dos presidiários americanos ao lado de outros detentos.
Levado à força aos Estados Unidos para responder a várias acusações, Nicolás Maduro declarou-se inocente, na segunda-feira, diante de um tribunal de Nova York, das acusações de tráfico de drogas e “narcoterrorismo”.
A polícia do Texas solucionou, mais de cinco décadas depois, o caso de pessoa desaparecida mais antigo do estado e trouxe um desfecho aguardado por 52 anos pelo irmão de uma das vítimas. Norman Prater, que tinha 16 anos, foi dado como desaparecido em 16 de janeiro de 1973, após sair à noite com amigos em Dallas e não retornar para casa. À época, as investigações não encontraram pistas relevantes.
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O Departamento de Polícia de Dallas anunciou na sexta-feira que conseguiu identificar positivamente Norman como um adolescente não identificado que morreu em um atropelamento em 9 de julho de 1973. O jovem foi vítima de um acidente na rodovia Highway 35, na cidade de Rockport, cerca de 380 quilômetros ao sul de Dallas. Naquele momento, autoridades do condado de Aransas e a imprensa local não conseguiram confirmar a identidade da vítima, e o caso acabou caindo no esquecimento.
A reviravolta ocorreu quando o detetive Ryan Dalby, da Unidade de Pessoas Desaparecidas da polícia de Dallas, foi procurado por um médico-legista do condado de Aransas. Ao revisar arquivos antigos, o legista encontrou o registro do atropelamento de 1973 e levantou a hipótese de uma ligação com o desaparecimento de Norman.
“Eu abro o arquivo e olho para aquilo e penso: ‘Você só pode estar brincando?!’” contou Dalby à emissora local NBC Dallas-Fort Worth.
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O médico-legista reuniu o dossiê completo do caso, e, com o apoio de um analista forense, a equipe passou a comparar “pontos de referência no rosto” da vítima, o que indicou “uma alta probabilidade de a pessoa encontrada lá ser Norman Prater”, segundo o detetive.
“Eu fico olhando as fotos lado a lado e penso: ‘Sim, concordo com eles. Há uma grande probabilidade de ser quem estamos procurando’”, afirmou Dalby.
Mesmo assim, o detetive decidiu não correr o risco de uma identificação equivocada, especialmente porque o adolescente morto não teve um enterro adequado por mais de meio século. Dalby então entrou em contato com Isaac Prater, irmão mais velho de Norman, na esperança de esclarecer os últimos detalhes.
“Ele atende o telefone e pergunta: ‘Quem é?’ Eu digo: ‘É o detetive Dalby, do Departamento de Polícia de Dallas’. Ele responde: ‘Esperei 52 anos por essa ligação. Por favor, diga que você tem alguma coisa’”, relembrou o investigador.
No dia seguinte, Isaac esteve na sede da polícia em Dallas. Ao ver as imagens e os resultados do software de reconhecimento facial utilizado na investigação, não teve dúvidas.
“Mostrei a ele o sistema de reconhecimento que foi usado, e ele apenas olha para mim e diz: ‘Você pode encerrar o caso. Esse é meu irmão. Caso encerrado’”, contou Dalby. “Ele finalmente teve um desfecho. Teve um desfecho depois de 52 anos se perguntando onde estava o irmão”, acrescentou.
Em entrevista à Fox 4, Dalby afirmou que Isaac conseguiu identificar cada detalhe do rosto do caçula, incluindo uma cicatriz no lábio, causada por um ataque de cachorro, e outra na sobrancelha, resultado de uma briga.
Ainda não se sabe exatamente o que Norman fez nos cerca de seis meses entre o desaparecimento e a morte, nem como acabou tão longe de casa. Segundo Dalby, uma das hipóteses é que o adolescente tenha viajado de carona pelo estado — uma prática comum nos Estados Unidos durante a década de 1970.

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