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Em junho de 1926, um homem idoso foi atropelado por um bonde ao atravessar uma rua de Barcelona — e, vestido com roupas consideradas “desalinhadas”, morreu dias depois em um hospital para indigentes. Era, no entanto, Antoni Gaudí, o arquiteto que havia dedicado os últimos doze anos de vida exclusivamente a uma obra: a Sagrada Família. Exatos 100 anos depois de sua morte, nesta quarta-feira, o Papa Leão XIV celebra uma missa na basílica e abençoa a Torre de Jesus Cristo, estrutura que transformou o templo na igreja mais alta do mundo. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
Logo após a derrubada de um helicóptero americano pelo Irã na região do Estreito de Ormuz — que levou a um ataque de retaliação ordenado por Donald Trump —, os militares dos EUA revelaram que o resgate foi feito por um drone naval, uma operação (ao menos ao público) inédita e que dá pistas sobre os planos do país para a guerra do futuro.
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De acordo com a empresa Saronic Technologies, o Corsair, drone usado na operação desta terça-feira, tem 7 metros de comprimento, é capaz de levar cerca de meia tonelada de carga, autonomia de 1,8 mil km e velocidade máxima de 64 km/h. Não foram divulgados detalhes sobre como ele foi operado durante o resgate dos aviadores no Golfo, e não se sabe quantos estão em operação.
“O Corsair pode receber uma missão, sozinho ou como parte de um enxame colaborativo, e executá-la com mínima interação humana para deter ou neutralizar ameaças adversárias em um alcance de 1.000 milhas náuticas”, disse a Saronic em um comunicado à imprensa. “Empregando comunicações redundantes e capacidades de percepção passiva, o Corsair pode identificar, rastrear, seguir e interceptar alvos de forma autônoma em ambientes contestados e com comunicação negada.”
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No final do ano passado, a Marinha anunciou um contrato de US$ 392 milhões para a produção do modelo. Após uma bem-sucedida rodada de financiamento, finalizada em março, a Saronic anunciou que seu valor de mercado chegou a US$ 9,25 bilhões, e que poderia ampliar sua capacidade de produção para milhares de unidades por ano.
Em uma apresentação do Corsair, em 2024, o presidente da Saronic, Tim Mavrookas, disse ao portal Axios que “no fim das contas, a mudança no campo de batalha marítimo depende da escala”, e que “tudo o que fazemos é pensando: ‘Podemos chegar a milhares [de unidades]?'”. Mavrookas é eterano da Marinha e ex-integrante do SEAL Team Six, uma das unidades mais especializadas das Forças Armadas dos EUA. A empresa espera disponibilizar ao menos três novas embarcações não tripuladas — a maior delas, o Marauder, tem 45 metros de comprimento e autonomia de até 10 mil km.
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Ao mesmo tempo em que países como Irã, Ucrânia, Rússia e China ostentam sua indústria de drones como orgulho nacional, os EUA — país pioneiro no uso de equipamentos não tripulados em ambientes de guerra — os trata com ares de sigilo.
Uma das iniciativas do Pentágono para tentar diminuir a distância em relação a outros países no campo dos drones foi anunciada em 2021. Baseada no Bahrein, a Força Tarefa 59 recebeu a missão de operar equipamentos existentes, desenhar modelos e formatos de uso na região do Golfo Pérsico e explorar novos conceitos de operações navais e aéreas.
Na ocasião, o hoje chefe do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, disse à agência Associated Press que os drones navais eram prioridade da Força Tarefa 59. Os equipamentos hoje são usados em missões para encontrar minas navais, vigilância e monitorar potenciais ameaças. Alguns já foram adaptados para funções de combate.
— Queremos instalar mais sistemas no domínio marítimo, acima, na superfície e abaixo do mar — afirmou Cooper. — Queremos mais pessoas observando o que está acontecendo lá fora.
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A primeira vez que o Pentágono confirmou o emprego de drones navais em um conflito foi em março, através da agência Reuters, durante operações de patrulha. Essa ação, assim como o resgate desta terça-feira, foram coordenados pela Força Tarefa 59.
“As forças americanas continuam a empregar sistemas não tripulados na região do Oriente Médio, incluindo drones de superfície como o GARC. Esta plataforma, em particular, registrou com sucesso mais de 450 horas de operação e mais de 2.200 milhas náuticas durante patrulhas marítimas em apoio à Operação Fúria Épica”, disse Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, em comunicado à Reuters em março.
Citado por Hawkins, o GARC, sigla em inglês para Embarcação de Reconhecimento Autônoma Global, é um drone naval que enfrentou uma série de problemas na fase de testes e operação, e é tratado pelo Pentágono como um equipamento em desenvolvimento.
Poucas vezes uma seleção em uma Copa do Mundo acumulou tantas polêmicas antes mesmo do apito inicial como a do Irã no Mundial que começa nesta quinta-feira. Além da guerra contra um dos anfitriões, os EUA, houve ameaças aos atletas, ingressos revogados, problemas com os vistos, regras migratórias restritivas e o veto a um antigo símbolo nacional, hoje associado à oposição no exílio: a bandeira tricolor que tem no centro um leão e um sol, abandonada após a Revolução Islâmica de 1979.
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Na última Copa, no Catar em 2022, torcedores que tentavam entrar nos estádios com essa bandeira foram abordados por seguranças e não raro obrigados a abandoná-las. Em maio, a Fifa decidiu que a regra seria repetida em 2026, invocando seu Código de Conduta à torcida. Ali, a federação afirma que estarão proibidos materiais “que sejam de natureza política, ofensiva e/ou discriminatória”.
Oficialmente, a Fifa não classificou a bandeira pré-revolucionária como item político, mas nas entrelinhas disse exatamente isso. No mesmo encontro de maio, foi decidido que a bandeira da Palestina — alvo de recentes entreveros no futebol europeu — estava liberada, já que representa um membro da entidade.
“A bandeira do Leão e do Sol é um símbolo de paz abraçado por milhões de iranianos que acreditam na liberdade, na democracia e no direito de expressar sua identidade sem medo ou censura”, disse, em comunicado, o Instituto para as Vozes da Liberdade, uma organização de oposição ao regime em Teerã, e que entrou com uma ação na Justiça dos EUA para garantir o direito de levar as bandeiras aos jogos.
Iranianos com a antiga bandeira do Irã no jogo com a Inglaterra: Fifa proibiu a entrada desta bandeira nos estádios
Reprodução/Twitter
Para o Instituto, o veto é resultado da pressão do governo iraniano sobre a Fifa: em maio, quando a federação iraniana ameaçou se retirar do torneio devido à guerra contra EUA e Israel, uma das condições para participar era o “respeito à bandeira iraniana”.
“A liberdade de expressão é protegida nos Estados Unidos — e nenhuma organização deve silenciar uma voz enquanto favorece outra. Estamos preparados para buscar todos os recursos legais necessários para defender esse direito e garantir que a liberdade de expressão seja respeitada durante a Copa do Mundo”, acrescentou.
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Embora as cores da bandeira — verde, branco e vermelho — e as faixas horizontais sigam um padrão similar desde o início do Século XX, o que está no centro dela é a causa da discórdia. Até 1979, a bandeira trazia o leão e o sol, um símbolo originado na Pérsia Antiga e com milhares de anos de história. Após a instauração da República Islâmica, em fevereiro de 1979, o leão e o sol permaneceram temporariamente (mas sem uma coroa que representava o regime comandado pela dinastia Pahlevi). Em 1980, foi adotado o modelo atual, com o novo brasão da República e o takbir islâmico (“Allah é Grande”) escrito 22 vezes nas faixas.
Saman Ghodos, meia do Irã após partida contra o Uzbequistão em Teerã
AFP
É essa a bandeira usada em competições oficiais há quase 50 anos, e é a única reconhecida pela Fifa. Mas para a diáspora iraniana — são mais de 750 mil nos EUA —, ela é o símbolo de um regime que reprime sua população, mata seus dissidentes e que, hoje, não os representa. Por isso, a antiga bandeira dos tempos de Reza Pahlevi predomina nos atos contra a República Islâmica no exterior, e foi vista nos protestos de janeiro, quando dezenas de milhares de pessoas foram mortas.
— Meu primo foi assassinado e minha mãe foi presa. Não há paz entre mim e este regime — disse à rede BBC Roozbeh Farahanipour, empresário, ativista e que deixou o Irã no ano 2000, durante um protesto pela liberação da bandeira pré-revolucionária em Los Angeles.
Esse não é o único dilema da diáspora. Muitos veem o “Team Melli” (“Seleção Nacional”, em persa) como mais uma ferramenta de promoção do regime, e torcer pelo próprio país se torna uma escolha, acima de tudo, política.
— Não é fácil para nós protestar contra o nosso povo, são os nossos filhos. Mas eles se aliaram à República Islâmica — diz Tannaz Parsi, uma das manifestantes no ato contra a Fifa em Los Angeles, à BBC.
Para outros, é necessário separar o futebol do regime.
—Existe essa narrativa de que, ah, não é a seleção iraniana; é a seleção da República Islâmica — afirmou Niki Akhavan, professora da Universidade Católica dos EUA, em Washington, à rádio pública NPR. — Meu argumento é que você não pode ceder ao Estado e dizer: “OK, bem, sabe, é o seu time”. Não, é uma seleção nacional, e é por isso que você quer apoiar essa seleção.
Iranianos nos EUA fazem protesto diante do estádio onde a seleção iraniana fará sua estreia na Copa do Mundo, em Los Angeles
Sarah LAI / AFP
Das três partidas do Irã na primeira fase, duas acontecerão em Los Angeles, cidade que tem a maior quantidade de iranianos nos EUA, cerca de 250 mil, e que foi apelidada de “Tehrangeles”. Nesta segunda-feira, a federação do país disse que sua cota de ingressos foi revogada, sem explicação, e afirmou que a decisão levanta questões “sobre a interferência de considerações políticas e não esportivas na organização do maior evento de futebol do mundo”. Pelas regras, cada federação tem direito a 8% dos ingressos de cada partida, e tem o poder de decidir como distribuí-los. A Fifa não se pronunciou.
“Negar aos torcedores iranianos o acesso à sua cota legal e oficial de ingressos é uma ação contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”, afirmou a federação iraniana.
O impasse sobre os ingressos se junta à longa lista de problemas pré-Copa do Irã, que se vê na rara situação de participar do Mundial ao mesmo tempo em que trava uma guerra contra os EUA. As autoridades em Teerã chegaram a questionar a presença da equipe, e o processo de concessão de vistos foi árduo e cheio de entraves. Na última hora, a equipe transferiu sua base para o México, alegando questões de segurança, e será obrigada a deixar os EUA logo após o final das partidas por ordem das autoridades migratórias.
Em novembro de 2024, o professor Todd Humphreys, chefe do Laboratório de Radionavegação da Universidade do Texas, recebeu uma dica anônima que alterou o curso de uma investigação que já durava cinco anos. Através do monitoramento de sinais de navegação por satélite coletados desde 2019, o cientista consegue demonstrar que satélites russos são responsáveis por interferências não regulares e precisas sobre receptores de GPS espalhados pela Europa, Groenlândia e Canadá.
O resultado do trabalho inédito foi publicado recentemente no estudo “Chasing lightning” (“À caça do relâmpago”, em tradução livre), ainda em fase de revisão científica. As interferências, ele explica, funcionam na prática como uma queda abrupta no sinal de GPS, como se algo, em algum lugar do espaço, estivesse “afogando” a transmissão.
— Estou convicto de que é jamming deliberado da Rússia — afirmou Humphreys ao GLOBO.
Para dimensionar a gravidade da descoberta, é preciso levar em conta que os sinais de navegação por satélite (GPS americano, Galileo europeu e BeiDou chinês) chegam à Terra extremamente fracos, na ordem de um décimo de quadrilhão de watts. Basta emitir ruído na mesma faixa de frequência para “engolir” o sinal legítimo. Isso é o que os especialistas chamam de jamming.
Estação de satélites construída pelos EUA na Guerra Fria, conhecida como ‘Mickey Mouse’, em colina perto de Kangerlussuaq, no oeste da Groenlândia, em junho de 2025
Ivor Prickett/The New York Times
O que torna o caso russo tão singular não é o jamming em si, já que a técnica é conhecida e amplamente usada em zonas de conflito, como, por exemplo, na Ucrânia, mas, sim, a origem espacial da interferência e sua escala continental.
A curvatura da Terra impede que qualquer transmissor em solo cubra simultaneamente regiões da Polônia, da Espanha e do Canadá, como visto nas análises. Ou seja, Humphreys descobriu que a fonte precisava estar a pelo menos 1.200 quilômetros de altitude.
— Fazer jamming de GPS do espaço exige muita potência. Com o uso dual do GPS (civil e militar), a estratégia é realmente atrapalhar. Não é à toa que os Estados Unidos têm feito licitações para novos sistemas de GPS, mais robustos, para evitar esse problema — afirmou ao GLOBO Pedro Palotta, especialista em astronáutica do canal Space Orbit.
Os pesquisadores identificaram o Cosmos 2546 por meio de uma técnica que mede a diferença de tempo de chegada do sinal de interferência em duas estações — uma em Amsterdã e outra em Trondheim, na Noruega. A diferença, medida em microssegundos, definiu uma superfície geométrica no espaço onde a fonte deveria estar. Ao comparar com o catálogo de satélites conhecidos, apenas um se encaixava: o Cosmos 2546, com margem de erro de apenas 200 metros. O satélite integra uma constelação de seis unidades em órbitas elípticas e altas que compõem o sistema de detecção de mísseis balísticos da Rússia.
Sinal de teste ou arma pronta?
O padrão temporal das interferências foi o que convenceu os pesquisadores a descartar possível falha técnica. Os eventos se concentram em dias úteis (de terças a quintas) e no horário comercial europeu.
— Me digam que amplificador costuma falhar durante o expediente comercial nas quartas-feiras — ironiza Humphreys.
O espectro do sinal também dá dicas sobre a intenção do país por trás dos ataques. A interferência está centrada em uma faixa dois megahertz acima da frequência central do GPS, não exatamente sobre ela. Para o cientista Lucas Fonseca, empreendedor espacial e pesquisador do setor, trata-se de uma lógica estratégica: testar a capacidade sem revelar todo o potencial destrutivo.
Satélite GPS
Freepik
Os EUA, destaca o especialista, fizeram algo semelhante no passado, quando incorporaram a degradação controlada ao próprio sinal do GPS. A prática, no entanto, foi proibida por lei desde o segundo mandato de Bill Clinton, do Partido Democrata (1997-2001).
— Se os sinais fossem calibrados para coincidir exatamente com a frequência central do GPS e transmitidos de forma contínua, o impacto sobre a aviação, a navegação marítima, os sistemas bancários e as redes elétricas provocaria uma escalada massiva em uma guerra eletrônica — alertou Humphreys.
Há ainda uma segunda frequência de interferência registrada em uma faixa usada pelo sistema de navegação por satélite chinês, o BeiDou. Os dois sinais nunca aparecem ativos ao mesmo tempo, o que sugere um sistema capaz de atingir múltiplas constelações de forma sequencial.
Por trás do sinal
Mauricio Santoro, pesquisador colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, analisa que a descoberta pode se encaixar em um quadro ainda mais amplo de preparação russa para um eventual conflito direto com países-membros da Otan.
— A Europa está em pré-guerra com a Rússia. Não há soldados atirando uns nos outros, mas um cenário de tensão, de preparação militar, de disputa por novos domínios do campo de batalha — disse Santoro. — Essa interferência, diretamente do espaço, provavelmente é um balão de ensaio, um teste para depois se ampliar em eventual conflito direto.
Santoro lembra que o GPS já foi usado como arma de precisão no Oriente Médio. Em 2024, mísseis iranianos erraram alvos depois que americanos e israelenses interferiram em seus sistemas de navegação. No ano seguinte, a eficácia dos mísseis iranianos melhorou expressivamente, hipótese associada à substituição do GPS pelo BeiDou chinês, em razão da proximidade militar entre Teerã e Pequim.
Representação visual do congestionamento de satélite na órbita da Terra
Reprodução/satellitemap.space
Após quase sete anos de investigações para encontrar a “agulha no palheiro”, a dificuldade de atribuição pode ser vista, segundo os especialistas, como um recurso estratégico em si mesmo. Sem uma prova técnica incontestável, qualquer resposta diplomática ou militar fica fragilizada. Dentro da ONU, a União Internacional de Telecomunicações é o fórum competente para tratar do tema, mas Santoro é cético quanto à velocidade das respostas institucionais.
— A maioria dos sistemas de localização foram afetados. No momento, isso é um incômodo. Mas, se os sinais de interferência fossem sintonizados para coincidir exatamente com os do GPS/Galileo/BDS, teríamos um problema significativo. É necessário confrontar a Rússia sobre essa interferência e preparar sistemas de backup que sejam totalmente independentes [para lidar com o fato] — afirma Humphreys.
As ameaças de violência contra congressistas dos Estados Unidos dispararam no Facebook depois que a Meta reverteu políticas-chave de moderação de conteúdo, no ano passado, apontou nesta terça-feira um grupo de monitoramento. O relatório do Centro de Combate ao Ódio Digital (CCDH, sigla em inglês) analisou quase 8 milhões de comentários no Facebook direcionados a 100 membros do Congresso nos seis meses anteriores e posteriores ao afrouxamento das medidas de proteção por parte da Meta, algo apresentado como uma tentativa de proteger a liberdade de expressão.
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As ameaças contra os congressistas, inclusive de morte, quadruplicaram. O assédio mais que dobrou, enquanto as agressões racistas e de gênero aumentaram, segundo o relatório. O CCDH também revelou que os comentários que incitam à violência contra o presidente Donald Trump dispararam após as mudanças de política, incluindo um que afirma que ele “merece uma bala na cabeça”.
“Quando as plataformas deixam de aplicar suas próprias normas contra ameaças, ódio e assédio, tornam-se cúmplices da normalização da intimidação e do assédio a autoridades eleitas”, afirmou Imran Ahmed, diretor-executivo do CCDH.
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Em comunicado, um porta-voz da Meta disse que a empresa publica regularmente relatórios que rastreiam o “conteúdo que infringe as normas” em suas plataformas, e que “a incidência de condutas de ódio não aumentou ao longo de 2025”.
A AFP mostrou o relatório do CCDH à gigante do setor de tecnologia, mas o porta-voz se recusou a comentar suas conclusões, “porque ele não foi fornecido [à empresa] antes da publicação”. Nos últimos anos, tanto políticos quanto funcionários eleitorais dos Estados Unidos têm denunciado um aumento de ameaças, intimidação e assédio.
A Meta dispensou verificadores de fatos americanos em janeiro de 2025 e deixou a tarefa de desmentir informações falsas a cargo dos usuários, um modelo conhecido como “notas da comunidade”. A decisão foi vista como uma tentativa de agradar ao governo Trump, cuja base de apoio reclama que a checagem de fatos restringe a liberdade de expressão e censura conteúdo de direita.
Vários países ocidentais, incluindo Reino Unido e França anunciaram nesta terça-feira novas sanções contra colonos e organizações israelenses ligados à violência e à expansão ilegal dos assentamentos na Cisjordânia ocupada, medidas classificadas como “vergonhosas” por Israel.
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— Agimos de forma coordenada para impor sanções e outras medidas a fim de que os colonos extremistas prestem contas pela terrível violência que cometem contra civis palestinos — afirmam Austrália, Canadá, França, Noruega e o Reino Unido em um comunicado conjunto.
— Há tempo demais, os colonos atuam quase com total impunidade, enquanto a expansão dos assentamentos e a criação de postos avançados continuam com o apoio e a ajuda do governo israelense — acrescentam.
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Estes países pedem a Israel que aja “rapidamente” para garantir que “os autores da violência na Cisjordânia prestem realmente contas” e não descartam “novas medidas”.
O governo israelense denunciou imediatamente “medidas vergonhosas”, tomadas em uma “tentativa de impor uma posição política sobre o direito dos judeus de se instalar na terra de Israel e sobre o conflito israelense-palestino”, reagiu o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Oren Marmorstein.
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As medidas variam de um país para outro. Londres anunciou sanções contra “seis entidades e uma pessoa envolvidas no financiamento, facilitação e perpetração de atos de violência de colonos na Cisjordânia ocupada”.
As sanções canadenses contemplam “duas pessoas e cinco entidades”, enquanto a França, além de sancionar “quatro responsáveis por organizações de colonos e 21 colonos violentos”, proibiu a entrada do ministro de Finanças israelense, Bezalel Smotrich, em seu território.
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No fim de maio, adotou uma medida semelhante contra o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, outra figura da extrema direita.
Apesar dos protestos de vários países, Israel, que ocupa a Cisjordânia desde 1967, não tomou nenhuma medida concreta para conter a violência.
As forças dos Estados Unidos realizaram ataques “proporcionais” contra o Irã nesta terça-feira em resposta ao fato de a República Islâmica ter derrubado um helicóptero de ataque Apache no dia anterior, informou o Exército americano.
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As forças americanas “começaram a lançar ataques de autodefesa contra o Irã às 17h (horário da costa leste dos EUA) de hoje, por ordem do comandante em chefe, em resposta à derrubada ontem de um helicóptero Apache do Exército dos EUA”, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos em uma publicação no X. “A missão é uma resposta proporcional à agressão injustificada iraniana”, acrescenta a nota.
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Em atualização
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, colocou em dúvida, nesta terça-feira, sua presença no fan fest da Copa do Mundo de 2026 na Praça da Constituição (Zócalo), na Cidade do México, em meio a protestos de milhares de professores que bloqueiam ruas, mantêm um acampamento no centro da capital e prometem novas mobilizações a dois dias da abertura do torneio. A mandatária classificou as manifestações como uma “provocação”, mas afirmou que o início da competição está garantido.
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— Vamos ver como se desenvolve o que está acontecendo com os professores e alguns outros grupos. Tenho que estar atenta a isso — disse Sheinbaum durante sua entrevista coletiva diária.
A presidente, que não comparecerá à cerimônia de abertura no Estádio Azteca após decidir doar seu ingresso a uma menina, havia anunciado que assistiria à partida no Zócalo, principal praça da capital mexicana e sede do maior fan fest organizado pela Fifa no país, onde torcedores podem acompanhar os jogos em telões. O local abriga ainda o Palácio Nacional, residência e local de trabalho de Sheinbaum. No entanto, a área está cercada por um acampamento montado pela Coordenadora Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), grupo dissidente do sindicato dos professores que está em greve desde a semana passada.
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As manifestações ganharam força nesta terça-feira, quando milhares de integrantes da CNTE bloquearam uma das principais avenidas que levam ao Azteca, palco da abertura da Copa do Mundo, marcada para quinta-feira. O protesto ocorreu a menos de 48 horas da cerimônia inaugural.
As autoridades também mobilizaram milhares de agentes e instalaram barreiras de concreto a um quilômetro do estádio para impedir o avanço dos manifestantes, que ainda não haviam chegado ao local.
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— Pretendemos chegar ao estádio — disse Ángel Villalobos, um dos professores que participavam do protesto. — O governo deu algumas respostas, mas elas não são nem favoráveis nem satisfatórias.
— Vamos continuar nossa luta aqui — disse Austreberto Flores, que também participava da manifestação.
— Nós vemos isso como uma provocação, como se fosse para dizer: “olhem como está ruim a situação no México” — afirmou Sheinbaum. — No México há muitos problemas, mas nós os enfrentamos. Não há uma questão relacionada a um descontentamento social.
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A presidente reiterou que a abertura do torneio não corre risco.
— Não há problema, a abertura vai acontecer e não vamos cair em nenhuma provocação. A Copa será aproveitada da mesma forma — declarou, descartando o uso da polícia para reprimir os manifestantes.
É a terceira vez que o México organiza uma Copa do Mundo, desta vez em conjunto com Estados Unidos e Canadá. O torneio começa em 11 de junho e terminará em 19 de julho.
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A CNTE, formada principalmente por professores dos estados de Oaxaca, Guerrero, Michoacán e Chiapas, reivindica o retorno do sistema público de aposentadorias para a categoria e aumentos salariais. Desde o fim da década de 1990, o México substituiu o modelo solidário de previdência por um sistema baseado em contas individuais de poupança privada, mudança que o governo considera inviável de reverter.
O governo afirma que melhorou as condições dos professores, destaca aumentos salariais recentes e defende a continuidade das negociações.
Como forma de pressão, os professores vêm realizando bloqueios diários na capital. Nesta semana, manifestantes chegaram a derrubar um conjunto de esculturas alusivas à Copa do Mundo instalado na avenida Paseo de la Reforma. Em uma marcha realizada nesta terça-feira em direção ao Estádio Azteca, também exibiram uma faixa com a mensagem “Boicote à Copa do Mundo da Fifa 2026”.
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Na tarde de segunda-feira, segundo informações do jornal El País, policiais da Secretaria de Segurança da Cidade do México apreenderam 59 explosivos em um ônibus vindo de Ayotzinapa, no estado de Guerrero, que transportava estudantes e professores para apoiar as manifestações da CNTE.
Segundo o sindicato, cerca de 10 mil pessoas participam do acampamento instalado no centro histórico da Cidade do México. O governo estima a presença de aproximadamente 3 mil manifestantes.
A CNTE ainda não descartou novas ações durante a abertura do Mundial e convocou manifestações para quinta-feira, quando o México enfrentará a África do Sul na partida inaugural. Familiares de pessoas desaparecidas também anunciaram protestos para a mesma data com o objetivo de chamar atenção para os casos de desaparecimento forçado no país.
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Apesar da mobilização, Sheinbaum insistiu que os protestos não refletem um cenário de crise social generalizada.
— Querem fazer parecer que no México temos uma ebulição social muito grande, e isso não é verdade — afirmou.
(Com AFP)
O papa Leão XIV presidiu na tarde de terça-feira uma vigília de oração diante de milhares de pessoas no Estádio Olímpico de Barcelona, onde abordou a saúde mental e os feminicídios, no quarto dia de sua viagem à Espanha.
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Após ouvir o testemunho de uma mulher que havia tentado suicídio, o papa pediu aos sistemas públicos de saúde que transformem o combate à depressão — esse “mal-estar invisível e generalizado” — em uma prioridade.
— É importante tomar consciência de como a saúde mental está cada vez mais ameaçada no contexto de sociedades que se consideram avançadas — afirmou Leão XIV.
— Há algo profundamente errado em uma certa ideia de crescimento que submete as pessoas a pressões, expectativas e tensões que comprometem equilíbrios fundamentais — acrescentou.
Papa Leão XIV acena ao chegar à Catedral de Barcelona para a oração do meio-dia, durante visita à Espanha que inclui Madri, Barcelona e Canárias
LLUIS GENE / AFP.
Durante a vigília, que começou com animadas apresentações musicais e com a multidão entoando cânticos para o pontífice enquanto ele dava uma volta pelo local no papamóvel, Leão XIV também respondeu à preocupação de outra mulher, que contou que seu pai havia tentado matar sua mãe, que depois acabou se envolvendo com drogas.
— Tantas ocorrências policiais, ainda hoje, refletem um clima envenenado nas relações familiares, marcado por abusos e opressões, e particularmente pela violência contra as mulheres, que muitas vezes infelizmente também termina em feminicídios — lamentou Leão XIV, incentivando as sociedades a enfrentarem essa “realidade dramática”.
O papa também pediu aos jovens que aprendam “a parar, a dar valor às coisas importantes” para desenvolver “um pensamento crítico em relação a um sistema social que não coloca a pessoa no centro e provoca situações de injustiça e pobreza existencial”.
Missa na Sagrada Família
Leão XIV chegou a Barcelona pouco depois do meio-dia e participou de um primeiro compromisso na Catedral da cidade, onde, assim como ocorreu durante a tarde, alternou trechos em espanhol e catalão.
O pontífice iniciou assim a segunda etapa de sua viagem à Espanha, que começou no sábado em Madri. Durante sua intensa passagem pela capital, Leão XIV celebrou no domingo uma missa diante de mais de um milhão e meio de fiéis, enquanto na segunda-feira se tornou o primeiro pontífice a discursar no Parlamento espanhol.
Na quarta-feira, o papa terá um breve encontro com presos em uma penitenciária próxima de Barcelona e depois visitará a abadia de Montserrat, antes de celebrar à tarde uma missa na basílica da Sagrada Família, coincidindo com o centenário da morte de seu famoso arquiteto, Antoni Gaudí.
O sumo pontífice encerrará sua viagem à Espanha na quinta e sexta-feira com sua visita às Ilhas Canárias, principal porta de entrada no país para migrantes em situação irregular.
A população de cavalos selvagens no Parque Nacional Kosciuszko, nos Alpes australianos, voltou a crescer após uma pausa no programa de abate aéreo, aumentando a preocupação de autoridades e cientistas com os impactos ambientais causados pelos animais em uma das áreas de conservação mais importantes da Austrália. A operação que reunia atiradores em helicópteros aconteceu entre 2023 e 2024, segundo o site The Conversation, e reduziu a população de 17 mil animais para 3 mil. No entanto, sem o abate em 2025, a estimativa de cavalos no local já estaria entre 6.476 e 16.411. De acordo com o site britânico The Guardian, o governo local retomará os abates aéreos ainda em junho. As medidas, no entanto, encontram forte resistência de grupos de proteção dos animais.
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De acordo com uma pesquisa divulgada pelo governo de Nova Gales do Sul, o número de cavalos selvagens no parque aumentou significativamente em relação ao levantamento anterior. O abate aéreo vinha sendo utilizado para reduzir a população dos chamados “brumbies”, como os cavalos selvagens são conhecidos no país.
A ministra do Meio Ambiente de Nova Gales do Sul, Penny Sharpe, declarou que há a necessidade de “gestão contínua” para atingir a meta e reduzir o número de brumbies até meados de 2027. Ela destacou que outras opções para o controle a população foram estudadas, incluindo a contratação de um especialista independente para elaborar um estudo de controle reprodutivo, evitando que aconteça o mesmo que ocorreu depois dos últimos abates.
“Ninguém quer ter que matar cavalos. Mas ainda há muitos no Parque Nacional de Kosciuszko. Usaremos a melhor ciência disponível e adotaremos uma abordagem cautelosa e baseada em evidências para atingir a meta populacional necessária, a fim de proteger a vegetação nativa, os animais, os cursos d’água e os valores culturais”, afirmou Sharpe, que ressaltou ainda que embora haja sinais iniciais de recuperação da cobertura vegetal, os danos causados ​​pelos animais selvagens ao frágil ecossistema alpino de Kosciuszko são evidentes.
Cavalos selvagens no Parque Nacional Kosciuszko, na Austrália
Reprodução / Instagram / @lost_inlenny
Segundo o The Conversation, a rápida recuperação da população demonstra a capacidade de reprodução e expansão dos animais. A publicação afirma que, uma vez que os rebanhos que estavam no local foram abatidos, é provável que cavalos de regiões vizinhas, como as florestas estaduais adjacentes, tenham migrado para lá. Os cavalos também se reproduziram significativamente, após um verão ameno com chuvas significativas.
Os cavalos selvagens são considerados uma espécie invasora na região e, de acordo com pesquisadores, provocam danos significativos ao ecossistema alpino. Entre os impactos apontados estão a degradação de áreas úmidas, a compactação do solo, a erosão das margens de rios e a destruição da vegetação nativa. Esses danos afetam espécies de plantas e animais que dependem desses habitats para sobreviver.
O debate sobre o controle dos animais é um dos mais sensíveis da política ambiental australiana. Enquanto grupos de proteção dos brumbies defendem métodos alternativos ao abate, como programas de fertilidade e remoção dos cavalos, cientistas argumentam que as medidas adotadas até agora não foram capazes de conter o crescimento populacional em larga escala.
O Parque Nacional Kosciuszko é frequentado por visitantes locais e turistas. Ele conta com 6.900 quilômetros quadrados e tem o o Monte Kosciuszko, pico mais alto da Austrália continental. Nas redes, turistas mostram visuais deslumbrantes do local.

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