Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
Em manifestação oficial assinada pelo irmão após ser liberada pelo governo da Venezuela, a ativista e advogada Rocío San Miguel creditou sua saída da prisão à atuação direta do governo da Espanha e, especificamente, do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Em comunicado divulgado neste sábado, a família de San Miguel revelou que a transferência para Madri foi fruto de negociações diplomáticas que se estenderam por meses.
Entenda: Venezuela anuncia libertação de presos políticos como ‘gesto de paz unilateral’
Regime pós-Maduro: Familiares de presos políticos vivem dias de angústia e incerteza na Venezuela
O texto, assinado por José Manuel San Miguel, irmão e único porta-voz autorizado da ativista, destaca o agradecimento aos governos da Venezuela e da Espanha, mas dá ênfase especial ao papel do político socialista espanhol.
“Agradecemos (…) ao ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, assim como aos atores que participaram nos recentes diálogos e conversas entre Venezuela e Estados Unidos, cujas gestões foram determinantes para que ocorressem estas excarcerações”, diz o comunicado.
San Miguel, que possui cidadania espanhola e venezuelana, foi detida em fevereiro de 2024 sob a acusação de conspiração, num movimento que, à época, foi interpretado como um endurecimento de Maduro contra a sociedade civil antes das eleições presidenciais.
Segundo a nota oficial, a ida da ativista para a Europa não deve ser interpretada como um banimento forçado, mas como uma solução diplomática construída nos bastidores. O texto cita que a presença dela na Espanha ocorreu “especialmente graças às gestões sustentadas durante mais de um ano pelo ex-presidente José Luis Rodríguez Zapatero, a quem Rocío San Miguel expressou seu profundo agradecimento”.
Liberdade restrita e silêncio imposto
Apesar de estar fora da prisão e em território europeu, a situação jurídica de San Miguel ainda é delicada. A nota da família faz questão de esclarecer, com “absoluta responsabilidade jurídica”, que a ativista não recebeu liberdade plena. Trata-se de uma medida cautelar substitutiva.
Como parte das condições impostas por Caracas para sua soltura, San Miguel está sob uma espécie de “lei da mordaça”. Ela mantém medidas de proibição de declarar publicamente, o que impede que ela mesma narre as condições de seu cárcere ou emita opiniões políticas.
“Nenhuma pessoa está autorizada, desde o momento de sua excarceração, a emitir declarações em seu nome, atribuir-lhe opiniões, posições (…) nem interpretar sua situação pessoal, legal, de saúde, nem as condições que viveu na reclusão”, reforça o documento.
Sobre seu estado de saúde, a família informou que ela se encontra bem, mas segue em reabilitação de um problema no ombro, tendo passado por cirurgias em abril e outubro de 2025.
A ‘dama de ferro’ dos quartéis
A prisão de Rocío San Miguel em 2024 gerou comoção internacional devido ao seu perfil técnico e respeitado. Presidente da ONG Control Ciudadano, ela não era vista como uma radical política, mas como a acadêmica que melhor conhecia as entranhas do mundo militar venezuelano.
Fontes relataram ao GLOBO no ano passado que sua detenção foi um recado claro ao setor de defesa dos direitos humanos. Diferente de outros opositores, a “arma” de San Miguel era a informação privilegiada sobre a movimentação nos quartéis, algo que incomodava profundamente o Palácio de Miraflores.
Sua trajetória de embate com o chavismo é antiga. Em 2004, quando trabalhava no Ministério das Relações Exteriores, foi demitida após assinar a “Lista Tascón”, um abaixo-assinado pedindo a revogação do mandato de Hugo Chávez. San Miguel levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos e, em 2018, obteve uma vitória histórica com a condenação do Estado venezuelano por violação de direitos civis — uma derrota que o chavismo jamais digeriu.
Agora em Madri, a ativista manifestou, através do irmão, a esperança de que sua soltura seja apenas o primeiro passo de um “processo amplo de reconciliação nacional”, desejando a liberdade plena para todos os detidos por razões políticas na Venezuela.
Mais ativistas soltos
A Foro Penal, uma organização sem fins lucrativos, afirmou nesta sexta-feira (9) ter confirmado que nove presos políticos foram libertados na Venezuela desde o anúncio feito pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, na quinta-feira (8).
Rodríguez pontuou que o governo soltaria “um número significativo” de presos políticos. Agora, neste sábado, Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, compartilhou no X que a ativista venezuelana Didelis Raquel Corredor também foi solta.
Uma pessoa morreu e outras sete estão desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação com migrantes no Mar Egeu, neste sábado (10), próximo à costa da Turquia. Segundo informações da guarda costeira turca, os passageiros estavam a bordo de um bote inflável que começou a afundar antes do amanhecer perto da cidade de Dikili. Ao todo, 37 foram resgatados com vida.
“As operações de busca continuam para encontrar os sete imigrantes irregulares desaparecidos”, afirmou a guarda costeira.
A cidade de Dikili é uma pequena região a cerca de 20 km da ilha grega de Lesbos. Os naufrágios são comuns na região, devido ao perigo das travessias para a Grécia, porta de entrada para a União Europeia.
De acordo com a Organização Internacional para as Migrações, cerca de 1.900 migrantes desapareceram ou foram se afogaram no Mediterrâneo em 2025.
“Decidi me isolar do mundo”, confessa Javier Soto, um eremita de 35 anos que vive nas instalações de um antigo observatório abandonado na solitária estepe de Santa Cruz, ao lado da lendária Rota 40, a 500 metros do rio La Leona, a 100 metros de El Calafate — e longe de todos. A extravagante cúpula metálica brilha como um objeto espacial, um tanto enferrujada e desgastada pelas tempestades do esquecimento.
— As pessoas param e querem saber a história — diz Soto.
‘Não faz sentido!’: Parque da Disney extingue benefício popular para hóspedes e provoca revolta entre fãs
Aviação: Turbulência severa em voo da British Airways deixa passageiros com fraturas
O eremita diz que o observatório “chama a atenção”. A Rota 40, neste trecho, é asfaltada e ladeada por imensas extensões de terra árida, planaltos e colinas cor de cobre. As nuvens têm estranhas formas ovais. Uma velha cabana à beira da estrada, a ruína do posto de descanso Luz Divina, e então: a paisagem basáltica da solidão patagônica.
— Não é normal ver seres humanos neste território, muito menos um observatório — acrescenta Soto.
Mudança radical
Ele tem duas grandes histórias para contar. Nasceu em Puerto Deseado e morou em Trelew, mas em outubro passado sentiu que as vozes em seu interior o impeliam a deixar a cidade e seu ritmo frenético.
— Um dia acordei, juntei dinheiro para pagar as contas e o aluguel e me perguntei: ‘A vida vai ser sempre assim?’ Recusei — conta.
Ele também recebeu a notícia de que o terreno onde seu tio morou nos últimos 25 anos poderia ficar vago. Um primo cuidava da propriedade e o convidou para dar continuidade ao legado da família.
Veja vídeo: Placa de vidro cai do quarto andar de prédio sobre cliente de cafeteria na Argentina
Em outubro passado, ele chegou ao observatório, que seu tio cuidou até sua morte, e desde então está sozinho. Soto conta que se exilou “em busca de um propósito”. O interior da antiga estação astronômica é sua casa.
Abandonada na década de 1970, a estrutura agora carece de qualquer equipamento técnico, e sua moradia singular range e treme com o vento implacável da estepe.
— Eu queria mergulhar na introspecção e me distanciar da proposta que domina o mundo hoje: trabalhar mais para ganhar menos — afirma.
Dificuldades do isolamento
O rio La Leona corre a 500 metros de distância. Mas é um leito de água glacial.
— Essa água não é potável porque tem uma alta concentração de minerais, mas eu uso para cozinhar e limpar — explica.
De onde viemos? Restos humanos de 773 mil anos, encontrados no Marrocos, solucionam enigmas sobre origem do Homo sapiens
Para beber, ele traz jarras de El Calafate (a 100 quilômetros de distância) ou conta com a gentileza de viajantes e turistas.
— Muitos sabem que estou aqui e me deixam ficar — diz.
Seu propósito é nobre: ​​cuidar do túmulo de seu tio Ramón Epulef, chefe da comunidade Mapuche. Soto disse que cuidar do túmulo do tio, que descreve como “sagrado”, é o seu “propósito”
O local fica no alto de uma colina, antes de chegar ao rio. Epulef chegou em 1998 e faleceu em 2023. Era um domador de cavalos renomado nos Andes e um guia respeitado da estepe patagônica. Ele tinha um método indígena que o tornou famoso: sua família era do povo Epulef, reconhecido por Marcelo T. de Alvear e que tinha seus territórios em Chubut.
— Meu tio foi descendo, se encontrou com este lugar e se estabeleceu aqui, cuidou — afirma Soto.
O observatório é outra grande história. Em 1934, o engenheiro Félix Aguilar assumiu a direção do Observatório de La Plata. Naquela época, o céu do hemisfério sul era em grande parte inexplorado e, para estudar a localização das estrelas perto do Polo Sul, ele propôs a criação de uma “Estação Astronômica Austral”. Para isso, começou a procurar locais adequados.
— Ele achava que esta era a melhor — diz Soto.
Segundo estudo: Pequenos pontos vermelhos seriam estrelas gigantes às vésperas de virar buracos negros
Na fronteira da Argentina, ele escolheu este local remoto conhecido como La Leona, nome derivado do rancho e pousada situados cinco quilômetros mais ao norte. Desde o início, o local era considerado extremo. Río Gallegos ficava a 350 quilômetros de distância por estradas de terra, e a cidade mais próxima era El Calafate, fundada apenas alguns anos antes, em 1927.
A construção foi uma empreitada épica. Os tijolos foram fabricados e queimados no local. Encontrar mão de obra, transportar materiais e alimentos, e enfrentar o clima rigoroso — ventos com força de furacão, além de gelo e neve no inverno — foram tarefas difíceis.
— Hoje em dia é difícil, quero nem pensar naqueles anos — confessa.
A Patagônia foi construída rompendo com a palavra “impossível”.
Osedax: Minhocas-zumbi ‘devoradoras de ossos’ somem do fundo do mar e acendem alerta entre cientistas
O projeto foi aprovado em 1940 e, em 1946, o governo nacional cedeu o terreno à Universidade de La Plata. A construção começou em 1950. Aguilar não viveu para ver seu sonho realizado: ele faleceu em 1943. Em 1951, o prédio que abrigaria o telescópio estava concluído, assim como os estábulos e uma casa para os astrônomos.
O plano original era construir uma usina elétrica e um prédio para uma bomba d’água, mas o projeto ficou sem verba e essas duas estruturas nunca foram construídas. A água utilizada era proveniente de algumas fontes próximas e também da chuva, embora a precipitação fosse sempre muito escassa.
Telescópio que não funcionava
Soto contou que “eles trouxeram um telescópio que não funcionava”. Após o empreendimento hercúleo da construção, as coisas não correram bem. Em 1957, o diretor do Observatório de La Plata, Reynaldo Cesco, decidiu dar um último impulso para inaugurar a estação astronômica de La Leona. Isso foi finalmente alcançado em 1960. O plano era instalar um Círculo Meridiano Repsold.
O círculo era um instrumento astrométrico de alta precisão para a época, projetado em 1853 na Alemanha. Ele podia medir coordenadas celestes com grande exatidão. Em La Plata, havia um de 1908 que nunca havia sido retirado de sua caixa original e estava guardado há décadas, mas foi emprestado a um observatório em Córdoba. Cesco enfrentou um grande problema: ele tinha que inaugurar a estação astronômica de La Leona, mas não tinha a um telescópio.
— Eles encomendaram dos Estados Unidos — afirma Soto.
Ataque: Vídeo mostra momento em que deputada é atingida por artefato explosivo em frente ao Congresso Nacional de Honduras
De fato, eles providenciaram o empréstimo de um telescópio para o Observatório Lick da Universidade da Califórnia, que chegou por mar diretamente à remota região de Santa Cruz após uma viagem que durou meses. O problema foi resolvido apenas parcialmente, porque o telescópio americano não era usado há três décadas. Ele chegou à Patagônia, foi instalado para a inauguração e, em seguida, teve que ser desmontado para ser levado a La Plata para recalibração.
Foi somente em dezembro de 1965, sob um sol que brilha por até 17 horas por dia naquela latitude, que o Observatório Austral Félix Aguilar conseguiu começar a mapear o céu. A proximidade com o rio La Leona resultava em imagens borradas, e a constante formação de nuvens se mostrou um obstáculo. Constatou-se que havia apenas 80 noites claras por ano, então o trabalho de catalogação das estrelas foi reduzido à localização de 200 por mês. Acima de tudo, o isolamento do local significava que o “Observador”, o astrônomo que ali trabalhava, o fazia com sua família.
Ele não tinha assistência médica, rádio ou transporte, e a correspondência chegava apenas a cada 15 dias. Foi somente no final da década de 1960 que o governo da província de Santa Cruz doou uma caminhonete para o astrônomo. No entanto, o isolamento submeteu os cinco astrônomos que ali trabalharam — revezando-se — até o fechamento do complexo em 1973 a severos testes físicos e mentais. O telescópio retornou a La Plata e o prédio foi abandonado.
Reconstrução
O clima severo — sol e vento intensos no verão, frio e gelo no inverno — e o vandalismo de curiosos fizeram com que a casa do astrônomo caísse em ruínas, assim como os outros edifícios. Em 1998, Lonco Ramón Epulef tornou a casa habitável novamente, preservando a cúpula e seu interior. Ele criava seus animais lá e vivia com sua família.
— Meu tio foi quem reconstruiu tudo. Ele era a única pessoa que cuidava dela — diz Soto.
Em 2009, um projeto de lei para declarar o observatório um “Monumento Histórico Nacional” foi submetido à Comissão de Cultura, Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados. Até o momento, não houve notícias de nenhum progresso sobre o assunto.
Seguindo esse legado, após sua morte em 2023, a família continuou a cuidar da terra e das instalações. Durante sua vida, o governo de Santa Cruz concedeu ao lonco (cacique mapuche) a usucapião (posse da terra) depois que ele a ocupou por vinte anos.
— Estou aqui para defender esse patrimônio, que foi importante para a história da astronomia argentina. E também os direitos do meu tio, que escolheu viver aqui — acrescenta o sobrinho, olhando para a colina onde está localizado o túmulo do tio e acrescentando: — Abro os portões todos os dias para que os turistas possam vir.
Mas a sua presença incomodou alguns, e em outubro passado, a casa onde os astrônomos moraram muitos anos atrás, e que seu tio havia restaurado com tanto esmero, foi destruída por um incêndio. Esse incidente o preocupa, embora ele conte que preencheu “os relatórios necessários”. Uma antena Starlink o conecta ao mundo. Três painéis solares permitem que ele use seu celular por algumas horas por dia. Dois cães lhe fazem companhia.
— Quando estou sozinho, me conecto com o universo — diz Soto pensativamente. — Precisamos resgatar a escuridão e a calma.
Ele não se preocupa com bens materiais. Tem arroz, macarrão e um pedaço de carne à mão.
— O que me trouxe aqui foi uma busca introspectiva e espiritual. Sinto que a civilização está em colapso e precisamos impedir isso — afirma, reconhecendo que nunca perde a capacidade de se maravilhar com a beleza. Com a voz embargada, lembrou: — Outro dia, algo maravilhoso aconteceu. A lua cheia nasceu e, do outro lado do céu, o sol se pôs. Foi lindo.
A “Big Astronomy” pode ser ágil e econômica? Eric Schmidt, ex-presidente executivo do Google, e sua esposa Wendy apostam que sim. A Schmidt Sciences, braço dos esforços filantrópicos do casal, está financiando a construção de quatro novos grandes telescópios — incluindo um destinado à órbita — que rivalizarão com as capacidades do Telescópio Espacial Hubble, da Nasa.
Leia mais: Inspirado nos polvos, cientistas criam ‘pele sintética’ que muda cor e textura em segundos
Veja também: Nasa confirma retorno antecipado da tripulação da ISS à Terra por problema médico de astronauta
E a organização pretende ter os quatro telescópios em funcionamento dentro de quatro anos, um verdadeiro “sprint” em comparação com a década ou mais que instalações astronômicas de classe mundial costumam levar para serem concluídas.
“Este é um experimento para acelerar a descoberta astrofísica”, disse Arpita Roy, líder do Instituto de Astrofísica e Espaço da Schmidt Sciences, na quarta-feira, durante uma reunião da Sociedade Astronômica Americana em Phoenix.
Os projetos utilizam, em grande parte, tecnologias já disponíveis — especialmente os chips de computador de alto desempenho que impulsionaram os avanços na inteligência artificial — e as “remixam” de maneiras novas e de ponta para oferecer novas capacidades aos astrônomos. “Aceitamos muito mais riscos”, disse a Dra. Roy. Mas ela descreveu esse risco adicional como “calibrado e ponderado”.
A Schmidt Sciences financiou discretamente, por vários anos, estudos preliminares de design, desenvolvimento de tecnologia e protótipos. A organização está agora revelando seu plano geral. Acordos com universidades que gerenciarão os sistemas terrestres já estão em vigor, e a fabricação de componentes para os telescópios já começou. “Estamos em posição de dizer que essas coisas vão acontecer”, disse Stuart Feldman, presidente da Schmidt Sciences.
Ilustrações artísticas de outros componentes importantes do Sistema de Observatórios Schmidt: o Deep Synoptic Array, o Argus Array, com sua disposição de 1.200 telescópios, e o Observatório Espacial Lazuli
Schmidt Sciences
Além do telescópio espacial, batizado de Lazuli, os outros projetos são o Argus Array, que fotografará continuamente todo o céu noturno do Hemisfério Norte; o Deep Synoptic Array, ou D.S.A., que varrerá frequências de rádio cósmicas; e o Large Fiber Array Spectroscopic Telescope, ou LFAST, que coletará luz de cores específicas de estrelas distantes, planetas e galáxias. Os quatro projetos estão sob um nome abrangente: o Sistema de Observatórios Eric e Wendy Schmidt.
Embora o investimento federal tenha sido o pilar do financiamento para a ciência nos Estados Unidos por décadas, a astronomia há muito se beneficia da benevolência de patronos ricos como Percival Lowell, que financiou o Observatório Lowell, no Arizona, para estudar o que acreditava serem canais e outros sinais de uma civilização alienígena em Marte.
Mas os projetos da Schmidt Sciences são diferentes, seguindo uma mentalidade mais próxima à do Vale do Silício: mais rápidos e baratos, com objetivos focados e limitados. As peças do Sistema de Observatórios Schmidt destinam-se a permanecer em serviço científico por alguns anos, não décadas.
Embora os telescópios Schmidt possam durar mais, a ideia é que eles também possam ser substituídos por novos observatórios que aproveitem tecnologias em constante aprimoramento. Isso ainda poderia ser menos dispendioso do que a abordagem tradicional.
“Achamos que devemos operar esses experimentos por vidas úteis definidas e, em seguida, passar para a próxima novidade empolgante”, disse a Dra. Roy. “As vidas úteis com as quais estamos nos comprometendo agora são de três a cinco anos.”
Representantes da Schmidt Sciences reconheceram a turbulência na ciência no último ano, à medida que a administração Trump buscava cortes profundos no orçamento da Nasa e da National Science Foundation (NSF). Mas afirmaram que querem complementar, e não substituir, os esforços científicos federais.
A Nasa e a NSF “têm sido muito boas em instrumentos e missões incríveis de muito longo prazo, de 10, 20 anos, e nisso são imbatíveis”, disse o Dr. Feldman em uma entrevista. “Como temos um modelo de financiamento direto — ou fazemos ou não fazemos, e os Schmidt escolhem nos dar a quantia apropriada de dinheiro ou não — podemos dizer: vamos acelerar esses projetos.”
Ele disse que os Schmidt não queriam divulgar exatamente quanto estão gastando. “O Lazuli custa centenas de milhões de dólares”, disse o Dr. Feldman. “Os telescópios terrestres também não são baratos.”
O Lazuli é particularmente ambicioso
Na reunião de astronomia, o Dr. Feldman disse que o telescópio espacial terá um espelho um pouco maior do que o que está dentro do Telescópio Espacial Hubble.
Mas deveria ter sido ainda maior: o Dr. Feldman disse que um espelho de cerca de 6 metros de diâmetro havia sido fabricado para o telescópio espacial, o que o tornaria mais de duas vezes mais largo que o do Hubble. Mas esse espelho consiste em uma única peça de vidro, e há apenas um foguete capaz de enviá-lo à órbita: o Starship, atualmente em desenvolvimento pela SpaceX de Elon Musk.
Como o desenvolvimento do Starship tem sido mais acidentado e lento do que Musk prometeu, a Schmidt Sciences mudou de direção no outono de 2024. “Os cronogramas do Starship são maleáveis”, disse o Dr. Feldman. “Revisitaremos isso no futuro.”
O projeto originou-se de discussões entre o Dr. Feldman e Saul Perlmutter, astrofísico de Berkeley que compartilhou o Prêmio Nobel de Física em 2011 pela descoberta de que a expansão do universo está acelerando, e não desacelerando como se esperava. De alguma forma, a “energia escura” está empurrando o universo para longe.
O Lazuli será mais capaz de medir as cores de estrelas anãs brancas em explosão. O deslocamento dos comprimentos de onda das emissões para a parte mais vermelha do espectro informa a rapidez com que as galáxias distantes estão se afastando.
Observações mais recentes indicam que as supernovas de anãs brancas não são todas exatamente iguais e que a natureza da energia escura mudou ao longo do tempo. O Lazuli poderia fornecer os dados para ajudar a desvendar o mistério. “Isso nos permite começar a dizer o que está acontecendo”, disse o Dr. Perlmutter. “Existe alguma física realmente nova? Parece provável que sim.”
A espaçonave também é capaz de girar no espaço mais rapidamente do que o Hubble ou o Telescópio Espacial James Webb, permitindo medir supernovas recém-descobertas no pico de seu brilho. O Lazuli também será capaz de estudar planetas ao redor de outras estrelas, usando um coronógrafo para bloquear o brilho estelar.
Um dos telescópios terrestres planejados, o Argus Array, soa muito como a versão do Hemisfério Norte do novo Observatório Vera Rubin, financiado em grande parte pela National Science Foundation e pelo Departamento de Energia. Esse telescópio, no topo de uma montanha no Chile, varrerá o céu do Hemisfério Sul a cada poucos dias.
Mas o Argus parece muito diferente. Em vez de um grande telescópio com um espelho primário de 27,6 pés (8,4 metros) de largura, o Argus consistirá em 1.200 pequenos telescópios, cada um com um espelho de 11 polegadas. Nicholas Law, professor de astronomia e física da Universidade da Carolina do Norte, que supervisiona o Argus, disse que o arranjo visa cobrir diferentes objetivos astronômicos.
Os pequenos telescópios não detectarão facilmente objetos em movimento rápido, como asteroides, e não foram projetados para enxergar tão longe. Mas eles varrerão todo o céu mais rapidamente, em questão de minutos.
Os 1.200 telescópios estão dispostos no topo de oito montagens circulares que se movem em uníssono. Esse design não inclui uma cúpula de telescópio protetora tradicional, mas é abrigado dentro do que parece ser um armazém com claraboias — uma estrutura mais simples e barata.
Como cobre continuamente todo o céu, ele pode acompanhar instantaneamente quando outro instrumento faz uma descoberta. Por exemplo, se o LIGO — Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser — detectar a vibração do espaço-tempo de uma colisão de buracos negros em algum lugar no céu do Hemisfério Norte, o Argus poderá ver se há alguma contrapartida visual para o evento.
Como salvará todos os dados coletados na semana anterior, os astrônomos poderão voltar para ver se havia sinais de algo acontecendo que precedesse a detecção das ondas gravitacionais pelo LIGO. “Ele pode agir quase como uma máquina do tempo”, disse o Dr. Law.
O local do arranjo ainda não foi anunciado, embora o Dr. Law tenha dito que provavelmente será no Texas. Ele disse esperar que o telescópio colete sua “primeira luz” em 2027. (Alex Gerko, um bilionário e trader financeiro britânico nascido na Rússia, está cofinanciando o projeto com a Schmidt Sciences.)
O Deep Synoptic Array e o LFAST adotam de forma semelhante a abordagem de usar muitos pequenos telescópios para atuar como um grande instrumento.
O D.S.A. examina o céu como o observatório Rubin, mas em comprimentos de onda de rádio em vez de luz visível. Consistirá em 1.650 antenas parabólicas, cada uma com 20 pés (6 metros) de largura, espalhadas por 60.000 acres em Nevada.
“É incomparável em relação a qualquer telescópio atual ou futuro que esteja sendo previsto”, disse Gregg Hallinan, professor de astronomia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), que construirá e gerenciará o D.S.A. “Todos os radiotelescópios já construídos no último século combinados encontraram cerca de 10 milhões de fontes de rádio. Dobraremos isso nas primeiras 24 horas.”
O Observatório Vera Rubin, em Cerro Pachón, no Chile, com as instalações do projeto LSST, que vai mapear o Universo
Vera C. Rubin Observatory/LSST/divulgação
Ao longo da pesquisa de cinco anos, espera-se encontrar um bilhão de fontes de rádio no universo, disse o Dr. Hallinan. A construção pode começar no próximo ano, afirmou.
O LFAST consistirá em muitos telescópios ópticos, mas seu objetivo principal será medir espectros, ou cores, e não tirar fotografias. Essa informação de cor é a chave para entender eventos breves, como supernovas, e identificar o conteúdo das atmosferas de planetas ao redor de outras estrelas. Mas medir espectros leva tempo.
“Você tem que coletar fótons suficientes porque está espalhando-os”, disse Chad Bender, astrônomo da Universidade do Arizona, responsável pelo LFAST. O Dr. Bender disse que os astrônomos querem coletar muito mais espectros, mas não há tempo suficiente disponível nos telescópios atuais.
Como muitos telescópios menores são mais baratos do que um grande, a esperança é que o LFAST forneça essa capacidade a um custo menor. A equipe do Arizona está construindo atualmente um protótipo para teste e, dependendo de como funcionar, o design pode ser modificado e expandido.
Cerca de 150 pessoas se espremeram na apresentação em Phoenix, e mais assistiram online. Os astrônomos pareceram gostar do que ouviram. Heidi Hammel, da Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia, disse estar animada com o fato de a Schmidt Sciences estar tentando algo novo.
“O tempo dirá se terão sucesso”, disse ela. “Se puderem, como disseram, criar novos paradigmas, ótimo.”
Os novos telescópios não superarão os programas mais ambiciosos, como o telescópio Webb da Nasa ou o planejado Habitable Worlds Observatory.
“Eles estão fornecendo alternativas que buscam objetivos científicos muito específicos e claros”, disse a Dra. Hammel. “Isso é empolgante.”
Equipes de resgate com retroescavadeiras tentam encontrar sobreviventes neste sábado em um aterro sanitário no centro das Filipinas, cujo colapso na quinta-feira soterrou dezenas de funcionários e deixou pelo menos quatro mortos, informaram as autoridades.
Soberania x ditadura: captura de Maduro pelos EUA reativa discursos ideológicos antes das eleições
Veja também: Conselho de Segurança da ONU convoca reunião de emergência após novos ataques russos à Ucrânia
Cerca de 50 trabalhadores de saneamento ficaram soterrados quando os resíduos desmoronaram, de uma altura que um vereador estimou ser de 20 andares, no aterro sanitário de Binaliw, uma instalação privada na cidade turística de Cebu.
Uma vista aérea mostra um deslizamento de terra no aterro sanitário em Barangay Binaliw, na cidade de Cebu
ALAN TANGCAWAN / AFP
Os socorristas enfrentam agora o perigo de um novo desmoronamento enquanto abrem caminho entre os escombros, disse à AFP neste sábado uma delas, identificada como Jo Reyes.
“As operações continuam neste momento. São contínuas. (Mas) de vez em quando, o aterro se move, e isso interrompe temporariamente a operação”, afirmou.
Joel Garganera, vereador da cidade de Cebu, disse à AFP que, às 10h locais (02h GMT), o número de mortos pelo desastre havia subido para quatro, com 34 pessoas ainda desaparecidas. “As quatro vítimas estavam dentro das instalações quando [o incidente] ocorreu (…) Há alojamentos para os funcionários no interior, onde ficava a maioria das pessoas que foram soterradas”, explicou.
Até agora, pelo menos 12 funcionários foram resgatados com vida do meio do lixo e hospitalizados.
Fotos publicadas pela polícia na sexta-feira mostravam uma enorme pilha de lixo no alto de uma colina, logo atrás de alguns edifícios que, segundo informou à AFP um responsável pela informação da cidade, também abrigavam escritórios administrativos.
O aterro afetado processava “mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia”, segundo o site de sua operadora, a Prime Integrated Waste Solutions.
Reza Pahlavi, o filho do xá deposto e uma das figuras da oposição no exílio, conclamou neste sábado os manifestantes no Irã a “se prepararem para tomar” os centros das cidades, no décimo terceiro dia de um grande movimento de protesto contra o poder.
‘Atingiremos muito duramente’: Trump volta a ameaçar o Irã com ataque se regime ‘matar pessoas’
Diante de protestos no Irã: ameaças de intervenção feitas por Trump podem trazer efeitos indesejados
Em uma mensagem na rede social X, Pahlavi, exilado nos Estados Unidos, pediu aos iranianos “para saírem todos à rua” no sábado e no domingo, no final do dia, “para ocupar o espaço público”. Ele ressaltou que o “objetivo já não é apenas manifestar-se na rua”, mas manter os centros urbanos, “permanecendo no terreno”.
Os protestos que começaram há duas semanas são um dos maiores desafios para as autoridades teocráticas que governam o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979, e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, acusou os Estados Unidos de incentivá-los.
As principais cidades iranianas foram palco de novas concentrações massivas na sexta-feira, apesar do corte de internet imposto pelas autoridades. A AFP pôde constatar as manifestações verificando imagens e vídeos publicados nas redes sociais.
Segundo o observatório Netblocks, nas primeiras horas deste sábado, “o apagão nacional da internet continua em vigor após 36 horas”.
“Não queremos ser americanos.” A declaração foi feita pelos principais partidos políticos da Groenlândia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltar a sugerir o uso da força para anexar o território autônomo dinamarquês, rico em recursos minerais.
Trump afirma com frequência que o controle da ilha é “crucial” para a segurança nacional norte-americana, em razão do aumento da presença militar da Rússia e da China no Ártico. Na sexta-feira, o republicano voltou a defender seu objetivo e declarou que pretende alcançá-lo “pelo bem ou pelo mal”.
Leia mais: Inspirado nos polvos, cientistas criam ‘pele sintética’ que muda cor e textura em segundos
Em resposta, os líderes dos cinco partidos representados no Parlamento da Groenlândia divulgaram, na noite de sexta-feira, uma declaração conjunta. — Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses — afirmaram.
O documento reúne as quatro legendas que integram o governo local e também o principal partido de oposição, que defende uma rápida independência em relação à Dinamarca. — O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses — concluíram.
As falas de Trump provocaram reação também na Europa. A Dinamarca e outros aliados expressaram preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos tentarem assumir o controle da ilha, onde Washington já mantém uma base militar. A Casa Branca afirmou que o presidente avalia “ativamente” a opção de comprar o território, sem descartar, contudo, uma alternativa militar.
Saiba mais: Parque da Disney extingue benefício popular para hóspedes e provoca revolta entre fãs: ‘Não faz sentido!’
Ainda assim, Trump reiterou que não permitirá que “Rússia ou China ocupem a Groenlândia”. Os dois países ampliaram sua presença militar na região ártica nos últimos anos, embora nenhum deles tenha reivindicado oficialmente o território.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que uma eventual tomada norte-americana da Groenlândia colocaria em risco “toda” a arquitetura de segurança internacional construída após a Segunda Guerra Mundial, incluindo a OTAN.
Nos últimos dias, Trump minimizou as preocupações dinamarquesas, apesar de classificar o país como um aliado histórico dos Estados Unidos. — Também sou fã da Dinamarca. Eles sempre foram muito gentis comigo — disse. “Mas o fato de terem chegado lá há 500 anos não significa que sejam donos da terra”, completou.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deve se reunir na próxima semana com o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca e representantes da Groenlândia para discutir a situação.
Como criar uma superfície capaz de mudar de cor e textura quase instantaneamente, como faz um polvo no fundo do mar? Foi a partir dessa pergunta que cientistas da Universidade de Stanford e de outras instituições dos Estados Unidos desenvolveram um material sintético inovador, capaz de alternar entre estados planos e ásperos e de modificar sua coloração em poucos segundos, usando apenas líquidos como água ou álcool.
Os detalhes da pesquisa foram publicados na revista Nature, nesta quarta-feira (7), e mostram um avanço inspirado diretamente nos cefalópodes, conhecidos por ajustar simultaneamente cor e textura da pele para camuflagem e comunicação. Tentativas anteriores conseguiam alterar apenas um desses aspectos de forma limitada. Desta vez, a equipe projetou uma plataforma que permite programar padrões complexos e reversíveis, ativados rapidamente.
Da pele do polvo ao laboratório
O trabalho foi conduzido por Siddharth Doshi e colegas da Universidade de Stanford, da Universidade de Paderborn e do Chan Zuckerberg Biohub, em São Francisco. Os pesquisadores buscaram criar superfícies “planas a tridimensionais” que se transformassem visualmente ao entrar em contato com líquidos, superando restrições técnicas enfrentadas por materiais anteriores.
Para isso, utilizaram o polímero PEDOT:PSS, já empregado em tecnologias solares e sensores. Sua capacidade de inchar com água e encolher com álcool permite alterar a topografia da superfície. O processo envolve a deposição de uma fina camada do material sobre um substrato, seguida do uso de um feixe de elétrons para controlar como cada área reage aos líquidos, formando relevos microscópicos.
Com a técnica, foi possível imprimir padrões complexos, como uma réplica da topografia do El Capitan, na Califórnia, e o escudo da Universidade de Stanford. Segundo os autores, “a estrutura escrita passa de um estado plano e oculto no álcool isopropílico para um estado estruturado na água”.
Além da textura, a equipe também conseguiu controlar a cor. Ao combinar o PEDOT:PSS com camadas metálicas, criaram cavidades ópticas que permanecem sem cor no estado seco, mas revelam padrões coloridos quando o material incha. De acordo com os pesquisadores, a mudança ocorre em menos de dez segundos e pode ser ajustada conforme a espessura do material e a dispersão da luz.
Testes indicaram que o sistema mantém a eficiência após 250 ciclos de expansão e contração, o que reforça seu potencial para aplicações como revestimentos inteligentes, dispositivos vestíveis, robótica flexível e superfícies de camuflagem dinâmica. Ainda assim, o estudo aponta limitações, como a dependência de líquidos para ativação e a exibição de apenas um padrão geométrico por vez, ao contrário da versatilidade natural dos polvos.
Apesar disso, os cientistas projetam avanços com o uso de sinais elétricos e algoritmos de visão computacional. “As texturas são fundamentais para a forma como percebemos os objetos, tanto visualmente quanto ao toque”, explicou Doshi, destacando que o controle simultâneo da topografia e das propriedades ópticas, em escalas microscópicas, pode abrir novas possibilidades na nanofotônica, na eletrônica e em tecnologias de camuflagem mais eficientes para humanos e robôs.
A Disneyland, em Anaheim, na Califórnia, decidiu encerrar um benefício tradicional que garantia entrada antecipada aos hóspedes de seus hotéis, medida que gerou forte reação negativa entre frequentadores assíduos do parque. A partir desta semana, visitantes hospedados nas unidades oficiais deixaram de ter acesso antecipado de 30 minutos às atrações por meio do sistema Lightning Lane (ou fila relâmpago, em tradução livre) antes da abertura dos portões, privilégio considerado um dos principais atrativos para quem optava por hotéis mais caros dentro do complexo.
Veja: Placa de vidro cai do quarto andar de prédio sobre cliente de cafeteria na Argentina; vídeo
Aviação: Turbulência severa em voo da British Airways deixa passageiros com fraturas
O curto período de vantagem permitia circular com maior liberdade pelo parque antes da formação de longas filas e era visto como um incentivo decisivo para reservar hospedagem nos hotéis da Disney, em vez de opções mais baratas nas redondezas. A decisão de revogar o benefício desencadeou uma onda de críticas nas redes sociais.
“Não faz sentido ficar hospedado no complexo então. É O benefício. E já tinha ficado pior depois de ser reduzido para 30 minutos”, escreveu um visitante no Reddit. Outro comentou: “Isso realmente tira o apelo dos hotéis dentro do complexo. Você não está na ‘bolha’ e há hotéis mais próximos da Disneyland do que o Disneyland Hotel. Não faço ideia de por que você não ficaria em algum lugar melhor logo ali na mesma rua por menos dinheiro”.
Em substituição à entrada antecipada, a Disney passou a oferecer aos hóspedes um único acesso via Lightning Lane para uma atração incluída no Lightning Lane Multi Pass, válido por estadia, nos três hotéis do complexo: Disneyland Hotel, The Grand Californian Hotel & Spa e Pixar Place Hotel.
El Hoyo: Maior avião-tanque da América Latina entra em operação no combate a incêndios na Argentina
O serviço Lightning Lane foi lançado em julho de 2024 e é pago. Além da entrada antecipada, ele também permite que visitantes evitem as filas convencionais e utilizem uma fila separada e mais curta para acessar brinquedos e atrações.
A mudança, porém, não agradou. “Não compreendo isso. Se alguém tem dinheiro para ficar hospedado no complexo, as chances são de que também esteja comprando Lightning Lane”, afirmou um fã.
Para parte do público, a decisão soa como mais um golpe após recentes aumentos generalizados de preços. Em outubro de 2025, a The Walt Disney Company reajustou valores de ingressos diários e passes anuais, com pacotes chegando a custar US$ 1.899 (pouco mais de R$ 10 mil, na cotação atual).
“Isto vai soar dramático, mas a Disneyland era meio que o último lugar verdadeiramente mágico para mim. A Disney World (em Orlando, na Flórida) perdeu muito da magia nos últimos anos, com custos mais altos, menos benefícios e mais cobranças por tudo, mas eu sentia que a Land ainda estava presa (no bom sentido) no tempo, onde as experiências importavam. Isso parece que arrancaram um curativo e me deram um novo corte ao mesmo tempo”, escreveu um fã desapontado.
Outro foi ainda mais duro: “Quem na Terra decidiu que isso era justo? Estou tão cansado da Disney sendo ingrata com sua base fiel e tirando cada vez mais. Esta pode ser nossa última viagem. Já desistimos da World e sinto que a Land desistiu da gente”.
A Disney afirma que os aumentos e mudanças refletem a alta dos custos trabalhistas e os investimentos contínuos em expansão dos parques. Segundo a empresa, os salários dos funcionários mais do que dobraram desde 2015, enquanto o ingresso mais barato subiu apenas US$ 5 no mesmo período.
Aos 26 anos, Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato deixou Curitiba em julho de 2025 rumo à Europa. O destino, porém, não era uma cidade turística, mas a Ucrânia, onde o confronto militar com a Rússia já dura quase quatro anos. No Brasil, ele serviu ao Exército e trabalhava como administrador e motoboy. Lá, juntou-se às tropas locais como combatente, em um contrato que deveria durar seis meses. Nas últimas semanas de vínculo, a guerra cobrou seu preço: ferido na região de Donbass, ele não resistiu e morreu, como confirmou o comandante da 60ª Brigada ucraniana à família no último domingo. À dor da perda, somou-se a da impossibilidade de adeus: os parentes ainda não sabem como (e se) conseguirão repatriar o corpo do paranaense. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Assine nossa newsletter

e seja avisado quando surgirem novos artigos

Copyright ® 2025 - Todos os Direitos Reservados

Este site é protegido pelo reCAPTCHA e está sujeito à Política de Privacidade e aos Termos de Uso do Google.

plugins premium WordPress